sábado, 14 de novembro de 2020

Rees-Mogg cita no Parlamento britânico a doutrina católica das "duas espadas"

Jacob William Rees-Mogg, que é, desde 2019, "Leader of the House of Commons" e "Lord President of the Council", defendeu a doutrina católica durante um debate sobre as medidas do Governo de Boris Johnson, que visam restrições de culto por causa da "pandemia".


blogger

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Pecado grave, Contrição, Confissão e Comunhão

Todo o católico saberá que ordinariamente o pecado grave ou mortal só pode ser perdoado na Confissão Sacramental. Extraordinariamente, por motivos graves, não tendo acesso a nenhum sacerdote, poderá ser perdoado rezando, com perfeição e verdade, o Acto de Contrição[1] com o propósito de se confessar logo (imediatamente) que lhe seja possível. Razões ponderosas dão-se, por exemplo, quando acontece um acidente sério ou uma enfermidade grave, ou perigo de morte, ou quando um Padre tem de assegurar a Celebração da Missa ou da Confissão dos seus fiéis. Infelizmente, nos dias de hoje, esquecem-se as razões graves e banalizam-se, com grande perigo para as almas, estas realidades Sagradas. Até parece que agora é obrigatório Comungar!

 

A Comunhão generalizada, sem Confissões correspondentes, tornou-se uma obrigação social. Se alguém não se apresenta ao Sagrado Banquete é julgado como estando em pecado mortal. Consequentemente não são poucos os que por receio de serem mal vistos vão Comungar sem estarem devidamente preparados, sendo que quem assim o fizer em vez de Comungar com o Salvador come a sua própria condenação. Ora, importa saber que há muitas razões, independentes do pecado grave, que podem levar um fiel a abster-se da Sagrada Comunhão. Acresce, ainda, que ninguém tem o direito de estar a reparar em quem Comunga ou o deixa de fazer.

 

À honra de Cristo. Ámen.


Padre Nuno Serras Pereira


[1] Meu Deus, porque sois infinitamente bom e Vos amo de todo o meu coração, pesa-me de Vos ter ofendido e, com o auxílio da Vossa divina graça, proponho firmemente emendar-me e nunca mais Vos tornar a ofender. Peço e espero o perdão das minhas culpas pela Vossa infinita misericórdia. Ámen.

 

ou

 

Senhor Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro, Criador e Redentor meu, por serdes Vós Quem sois sumamente bom e digno de ser amado sobre todas as coisas, e porque Vos amo e estimo, pesa-me, Senhor, de todo o meu coração, de Vos ter ofendido; pesa-me também por ter perdido o céu e merecido o inferno, e proponho firmemente, ajudado com o auxílio da vossa divina graça, emendar-me e nunca mais vos tornar a ofender, e espero alcançar o perdão das minhas culpas, pela vossa infinita misericórdia. Ámen.



blogger

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

McCarrick, o lobby gay consegue mais um triunfo

O relatório McCarrick revela uma tolerância substancial em relação à prática homossexual por parte clero, que é considerada errada apenas se os abusados ​​forem menores de idade. Ignora que o caso McCarrick seja apenas a ponta do iceberg de um sistema de poder controlado pelo lobby gay.

Quer se trate de uma operação-verdade, como foi anunciado, ou "uma operação surreal de mistificação", como imediatamente definiu Mons. Carlo Maria Viganò, não há dúvida de que o Relatório McCarrick apresentado ontem no Vaticano levanta mais questões do que oferece respostas.

Enquanto se aguardam novos dados específicos sobre a história do ex-Cardeal, Arcebispo de Washington, Theodore McCarrick, há duas questões que saltam à vista, ambas relacionadas com a homossexualidade: a primeira é a tolerância da prática homossexual, mesmo entre o clero; a segunda está na ocultação da existência de um lobby gay e de um sistema que favorece a "carreira" dos clérigos com esses comportamentos.

Em relação ao primeiro ponto, embora a figura de um predador sexual como McCarrick emerja do Relatório, a grande reacção é desencadeada apenas quando, em 2017, chega o primeiro relato de abusos a um menor. E isso está bem sublinhado em vários pontos do relatório, mas também é o dado sobre o qual o director das comunicações do Vaticano, Andrea Tornielli, insiste no seu editorial de apresentação do relatório, publicado no portal Vaticano News. Depois de anos de rumores, cartas anónimas e acusações “sem fundamento” referentes a “comportamento imoral com adultos” - explica Tornielli - “tudo muda com o surgimento da primeira denúncia de abuso de menor. A resposta é imediata. A gravíssima e inédita disposição de demissão do estado clerical surge na conclusão de um rápido processo canónico.”

Na prática, dizem-nos que "comportamentos imorais com adultos" não são uma coisa boa, mas, no final de contas, são tolerados; o alarme real, aquele que prevê penas pesadas, só é accionado com a menoridade do abusado. Como se as dezenas e dezenas de futuros padres que compartilhavam a cama com McCarrick e, portanto, na sua maioria condenados a uma vida sacerdotal desequilibrada, não contassem muito. Como se a devastação moral e de fé causada por um bispo predador - vocações perdidas, padres que por sua vez repetirão os abusos, nomeações episcopais distorcidas por laços mórbidos - fossem um problema menor. 

Claro, rumores persistentes desaconselhavam a promoção de McCarrick a cargos de prestígio, mas o alarme só é accionado quando um menor aparece entre os acusadores. É uma abordagem muito grave que ignora o facto de que o segundo crime - abuso infantil - é filho do primeiro.

Quanto ao segundo aspecto, a reconstrução do caso McCarrick cria a ideia de que se trata de uma página negra para a Igreja, sim, mas em todo o caso um episódio que, graças a todas as medidas tomadas, especialmente pelo Papa Francisco, será difícil que se repita: “Uma história triste com a qual toda a Igreja aprendeu”, diz Tornielli.

É duvidoso, acima de tudo porque foi deliberadamente ignorado que o que permitiu a ascensão irresistível de McCarrick foi um sistema de poder também chamado de lobby gay, que favorece a nomeação e carreira de bispos com certas características. Da leitura do Relatório publicado ontem, pode-se pensar que o caso McCarrick é o resultado de uma combinação infeliz de diferentes factores: a personalidade exuberante (para dizer o mínimo) do personagem, a falta de regras claras, a imprecisão das acusações, o erro de boa fé de um Papa, a fraqueza do governo de outro. Claro, esses também são elementos que tiveram o seu peso, mas o verdadeiro problema é que sem a existência de uma rede de relações e de cumplicidades a diversos níveis, certas carreiras seriam quase impossíveis de acontecer.

E essa rede não funcionou só para McCarrick, pelo contrário, há elementos que sugerem que nos últimos anos ela até se fortaleceu. Lembramos o caso do Chile em 2018, em que o Papa Francisco teve que se render às provas, não antes de ter desqualificado as vítimas que acusavam bispos e padres abusadores. Lembramos também a misteriosa cobertura oferecida ao bispo argentino Zanchetta no Vaticano . Lembramos as denúncias feitas contra o Cardeal hondurenho Oscar Rodriguez Maradiaga, coordenador do grupo de trabalho dos cardeais que trabalham ao lado do Papa Francisco na reforma da Cúria, e cujo bispo auxiliar, Juan José Pineda, teve que renunciar em Julho de 2018 por assédio sexual no seminário. E lembramos também os "rumores" que da sua terra natal, Puglia, acompanham a rápida ascensão do Cardeal recém-nomeado Marcello Semeraro, que fez da sua actual diocese de Albano a capital italiana dos cristãos LGBT. E, voltando a McCarrick, não esqueçamos que há diversos bispos americanos nomeados graças ao patrocínio do ex-cardeal.

E poderíamos continuar. Não, não há realmente um sinal de que a Igreja tenha aprendido com o caso McCarrick; pelo contrário, há a sensação de que um pagou o preço para que se possa continuar em silêncio com os outros. E, enquanto isso, promover a ideia de que para um padre com tendências homossexuais não é um problema.

Riccardo Cascioli in La Nuova Bussola Quotidiana


blogger

Incensação do Altar




blogger

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

A Santa Missa durante a Primeira Guerra Mundial

Passam hoje 102 anos do fim da Primeira Guerra Mundial, um dos conflitos mais sangrentos da História da Humanidade. Às 11h do dia 11 do 11 de 1918 era assinado o armistício. Deixamos aqui algumas fotografias de Missas celebradas durante esse conflito, que se estendeu de 1914 a 1918, e ao qual Nossa Senhora se referiu quando apareceu em Fátima, em 1917.

















Imagens: schola-sainte-cecile.com


blogger

terça-feira, 10 de novembro de 2020

Missa Tradicional no início do fim do Comunismo na Albânia

Há trinta anos, em 1990, católicos e não-católicos albaneses reuniram-se espontaneamente no antigo cemitério católico em Shkodër, na Albânia. Esperavam que o Padre sobrevivente celebrasse a Santa Missa. Já que o governo comunista havia matado e condenado a maioria do clero e leigos, e eventualmente proibiu a religião em 1967, este evento poderia ser fatal. 

O corajoso Padre Simon Jubani chegou, improvisou o altar e trouxe um Missal, crucifixo e paramentos que tinha mantido escondidos durante décadas. Sabendo que o sacerdote poderia ser morto durante a Missa, o Pe. Robert Ashta OFM decidiu usar também as vestes litúrgicas, a fim de estar lá para terminar a Missa, se necessário. Graças a Deus ninguém foi morto. 

Esta primeira Missa pública foi celebrada em latim, de acordo com o Rito Romano Tradicional, porque nenhum dos sacerdotes sobreviventes conhecia a Missa Nova, que tinha surgido em 1970. 

Pouco depois disto, foram organizados protestos maciços em todo o país e o Comunismo ruiu no mês seguinte, Dezembro. A Santa Missa foi um dos primeiros eventos que marcaram o fim do Comunismo na Albânia!

Da página de Facebook de Peter Kwasniewski




blogger

Não adianta usar a misericórdia de Deus como desculpa para fazer tudo o que se quer



blogger

A coroa de flores na cabeça do neo-sacerdote

Segundo um antigo, e sempre em vigor, costume germânico (e de muitos países da Europa do Leste), no dia em que celebra a sua primeira missa solene, o neo-sacerdote é coroado por uma coroa de flores pela sua mãe. 

A coroa representa a dignidade e a glória do sacerdócio, ao mesmo tempo que é sinal da pureza e demais virtudes que devem ser a verdadeira coroa do Sacerdote. 

Um belo símbolo, cheio de significados que encorajam o jovem padre a ser um santo Sacerdote.

Padre Lucas Altmayer, IBP


blogger

sábado, 7 de novembro de 2020

Santa Sé restringe a criação de novos Institutos Religiosos diocesanos

Autheticum charismatis
é o mais recente motu proprio do Papa Francisco, através do qual o Papa impõe que a aprovação de um Instituto Religioso diocesano passe sempre pela autorização da Santa Sé.

Até há 4 anos, segundo o Cân. 579 do Código de Direito Canónico, qualquer Bispo, tendo autonomia no território que lhe competia, podia erigir um Instituto cumprindo, obviamente, as regras necessárias para avaliar se haveria uma verdadeiro espírito de religião por detrás da fundação e fazendo um juízo sobre a vida de virtude dos fundadores. Além das regras era necessário usar a prudência e o bom-senso.

Em 2016, a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica, cujo Prefeito é o Cardeal Braz de Aviz, em audiência com o Papa Francisco pediu que o Cãn. 579 fosse alterado, de modo a que o Bispo fosse obrigado a pedir a opinião à Santa Sé (i.e. à Congregação em causa) sempre que quisesse erigir um Instituto Religioso na sua diocese. No Rescriptum ex audientiam sanctissimi publicado pelo Secretário de Estado, Cardeal Parolin, em nome do Papa Francisco, essa proposta passando ter força de lei e alterando o Cân. 579, tornando como obrigatória, para a validade da erecção dum Instituto Canónico diocesano que o Bispo ouvisse o parecer da Santa Sé. Depois poderia decidir como lhe parecesse melhor.

Essa situação mudou com o motu proprio Autheticum charismatis. Este veio alterar novamente o Cân. 579:

"Episcopi dioecesani, in suo quisque territorio, instituta vitae consecratae formali decreto valide erigere possunt, praevia licentia Sedis Apostolicae scripto data."

A partir de agora, um Bispo diocesano que queira erigir um Instituto Religioso na sua diocese não tem apenas de ouvir o parecer da Santa Sé mas está dependente desse parecer. Se for negativo, o Bispo será impedido de erigir esse Instituto Religioso diocesano.

É uma medida que torna os Bispos mais subjugados à Santa Sé, no que tem a ver com a gestão das próprias dioceses e torna a situação dos Institutos Religiosos ainda mais centralizada em Roma.

João Silveira


blogger

quinta-feira, 5 de novembro de 2020

O que é a Santa Missa? Fulton Sheen responde




blogger

Dos Fiéis Defuntos ao “Luto Nacional” - Jaime Nogueira Pinto

Com a Covid 19 e as necessidades de confinamento, quem decide aproveitou para dar mais um passo nas discriminações contra os cristãos.

«Proudhon tinha razão escrevendo: Deus é o mal. Laplace tanto ou mais tinha razão ainda, escrevendo também: a hipótese de Deus é inútil. Mas, acima de todos, a apóstrofe exacta,indispensável, urgente de realizar, vibrou-a Bakunine: “Deus! Mas é preciso suprimi-lo.”»

O autor destas palavras foi um dos chamados “vultos republicanos”, de seu nome Fernão Botto Machado. Quem folheie o Almanaque Republicano e dê com ele, de jaquetão e bigodes retorcidos, mais
depressa dirá estar perante um galã da Vizinha do Lado, de André Brun, que de um ferrabrás do ateísmo. Mas engana-se.

Nascido em 1865, autodidacta (não fez exame da instrução primária), Botto Machado entrou para a Maçonaria em 1893, na Loja “Cavalheiros da Verdade” e circulou depois por outras Lojas com nomes igualmente ambiciosos em termos programáticos, como a “Renascença” e a “Razão Triunfante”. De resto, grande parte dos dirigentes republicanos de há 90 anos, quando proclamaram a Primeira República, pertencia à Maçonaria. Eram maçons os dois líderes desaparecidos nas vésperas da vitória, Cândido dos Reis e Miguel Bombarda; era maçon Machado Santos, o herói da Rotunda; eram maçons Bernardino Machado, Sebastião de Magalhães Lima, Afonso Costa e António José de Almeida. E todos tinham expressivos nomes de guerra – Afonso Costa, por exemplo, era “Platão”. 

Para a maçonaria francesa do Grande Oriente, a versão dominante e triunfante em Portugal, a Igreja era o inimigo a abater, devendo os maçons, amantes da Razão, da Ciência e do Progresso, seguir o conselho do irmão Voltaire, iniciado na loja das Nove Irmãs de Paris, e “Écrasez l’Infâme”. Além das questões teológicas de fundo, não seria, pois, de estranhar que sucessivos papas e encíclicas condenassem a Maçonaria e proibissem aos católicos qualquer filiação maçónica.

A primeira vez que os maçons tiveram verdadeiro poder temporal foi com a Revolução Francesa. Então, milhares de sacerdotes e religiosos foram mortos. E como os camponeses vendeanos, católicos, monárquicos e fiéis à pequena nobreza local, estragavam o cenário revolucionário (saindo da categoria de “sábio povo em armas pela Liberdade, Igualdade e Fraternidade” e entrando directamente na de “deplorável povo ignaro”), a “Razão, a Ciência e o Progresso” ditaram o genocídio.

Em França, este anticlericalismo activo marcou, depois, a modalidade revolucionária da Comuna de Paris, que fuzilou vinte e quatro eclesiásticos, entre eles o Arcebispo de Paris, Monsenhor Darboy. E políticos da época, como Jules Ferry e Léon Gambetta, não deixaram de perseguir as ordens religiosas, de prender padres e, sobretudo, de lançar as mais absurdas calúnias sobre a Igreja.

Em Portugal, em 1910, os activistas mais zelosos entre os correligionários de Botto Machado, não podendo matar Deus – invisível mesmo ao olho vivo da Loja –, liquidaram dois padres Lazaristas, o Padre Bernardino Barros Gomes, ilustre cientista botânico, e o Padre Alfredo Fragues, confessor da Rainha, morto à coronhada e a tiro. Seguiram-se a expulsão dos Jesuítas (após científicas medições cranianas indiciadoras de anomalias anatómicas que sinalizavam inequívocas tendências criminais) e uma série de medidas laicizantes, como o fim dos feriados religiosos. 

O Natal, mais difícil de abolir, foi esvaziado e reformulado como “Festa da Família Portuguesa”. E como era também necessário higienizar a História, o Primeiro de Janeiro passou a Dia da Fraternidade Universal e o 31 de Janeiro a Dia dosPrecursores e Mártires da República. O Primeiro de Dezembro escapou como feriado, mas deixou de ser Dia da Restauração para passar a ser, mais correctamente, o Dia da Autonomia da Pátria Portuguesa. Deu-se também o habitual saneamento da toponímia e multiplicaram-se os nomes de ruas e praças 5 de Outubro e República, como, décadas depois, as 25 de Abril.

As esquerdas (liberais maçonizantes, anarcoprogressistas e comunistas) promoveram, em todas as revoluções do século XX, uma encarniçada perseguição à Igreja e aos cristãos, prendendo, torturando e matando padres, religiosos e leigos – na Revolução Bolchevique, na Revolução Mexicana, nos regimes comunistas implantados na Europa Oriental, na China, no Vietname e em Espanha, na Guerra Civil, onde os frente-populistas mataram mais de sete mil bispos, padres, religiosos e freiras, e milhares de católicos, apenas por o serem. Mais que Diocleciano, que não fora meigo com os seguidores de Cristo. Tal como os primeiros séculos da Era Cristã até Constantino, o século XX foi também um século de mártires.

Mas porque se tornaram impossíveis as revoluções bolcheviques – com o ataque armado e a ocupação das centrais telefónicas, das estações de comboios, dos Palácios de Inverno –, e porque Lenine e a sua teoria da revolução foram sendo, no ocidente euroamericano, substituídos por Gramsci e pelas revoluções culturais, a guerra à Igreja, às Igrejas cristãs e a toda a transcendência monoteísta (cristã, judaica ou islâmica) foi mudando de forma.

Hoje já não se trata de expulsar ordens religiosas, de matar padres, de queimar igrejas, como fizeram os democráticos de Afonso Costa em 1910 ou os frente-populistas madrilenos na Primavera de 1936. Trata-se de descristianizar a sociedade mansamente, em suaves prestações, de modo politicamente correcto, indolor, através de leis passadas com ar inocente e distraído, como grandes conquistas da liberdade e do progresso ou já nem isso.

O que se está a fazer entre nós é uma progressiva e estratégica descaracterização da sociedade para cumprir agendas radicais internacionais, através de leis pretensamente libertadoras, passadas “à candonga”, que vêm, não só descristianizando mas desnaturalizando o país: leis inspiradas nas mais delirantes quimeras que oferecem a possibilidade (financiada pelo Estado) de mudar o corpo e moldá- lo, com hormonas, mutilações e enxertos, ao género apetecido; leis que transformam o casamento, mesmo o casamento civil, num contrato entre dois seres, quaisquer que sejam, agora dois homens ou duas mulheres, qualquer dia, quem sabe que mais; leis contrárias à geração de vida numa sociedade que já está há muito com taxas negativas de reprodução; leis que são negociadas e passadas sem qualquer respeito pelo debate público, como a da Eutanásia, aprovada ignorando o parecer negativo da Ordem dos Médicos, da Ordem dos Enfermeiros, da Ordem dos Advogados, do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, da Associação Portuguesa dos Cuidados Paliativos e um abaixoassinado de cerca de cem mil cidadãos.

Leis que uma esquerda dita moderada, que aceita os pressupostos do capitalismo europeu, vai levianamente negociando por conveniência momentânea com os esquerdistas do marxismo cultural, perante a sonolência geral e acomodada dos que assistem tranquila e resignadamente a estas mudanças – talvez sem se aperceberem que são estas as mudanças que verdadeiramente importam.

Com a Covid 19 e as necessidades de confinamento, quem decide aproveitou para dar mais um passo nas discriminações contra os cristãos. Controles para a Páscoa, mas não para o 25 de Abril; para o 13 de Maio em Fátima, mas não para o 1º de Maio na Alameda; 27 mil pessoas com luz verde para acorrerem à Fórmula 1 em Portimão, mas proibição de deslocações para que os cristãos – e os não cristãos – possam visitar e honrar os seus mortos nos cemitérios no Dia de Fiéis Defuntos. Muitos não puderam sequer acompanhar os seus familiares e amigos mortos recentemente e os cemitérios são ao ar livre, com acessos que poderiam ser controlados com facilidade para evitar aglomerações, mas pouco importa.

Como todos os regimes que, no passado, quiseram regular e imprimir a sua marca nas coisas da Vida e
da Morte, ainda que contra a liberdade, o sentimento e as convicções do “povo ignaro”, o poder político resolveu agora esvaziar uma celebração cristã, o Dia dos Fiéis Defuntos, e impedir uma prática enraizada, dando-nos magnanimamente em troca uma bandeira a meiahaste e um asséptico e socialmente distante “Dia de Luto Nacional por Todos os Falecidos, em Especial as Vítimas da Pandemia da Doença Covid-19”.

Mas o povo e a Igreja, por mais adormecidos que aparentemente estejam, têm acabado sempre por
acordar. E por resistir. 

in Observador 


blogger

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

Perguntar Não Ofende

Se, de facto, as palavras do Papa Francisco, no filme documentário “Francisco”, não correspondem aquilo que sua Santidade advoga por que é que o Vaticano galardoou o realizador do filme, o Papa Francisco o recebeu e o festejou com uma torta encimada por uma vela?

Se o filme documentário distorce gravemente o pensamento do Santo Padre, por que é que o Vaticano não age legalmente contra os manipuladores?

 

Tendo em conta o impacto inaudito que já tiveram as (supostas) declarações do Santo Padre no documentário e o que virá a ter quando estrear por todo o mundo, por que será que o Vaticano não interpõe providências cautelares evitando assim não só o escândalo como a indução em erro de milhões de pessoas?

 

Não é concebível que o Comunicado da Secretaria de Estado do Vaticano enviado aos Srs. Bispos de todo o mundo venha a ter uma influência significativa e muito menos decisiva na mentalidade dos povos. Mas talvez isto seja providencial, pois que nele se confirma o abandono e a traição à Doutrina da Igreja de sempre.

 

À honra de Cristo. Amen.


Padre Nuno Serras Pereira



blogger

terça-feira, 3 de novembro de 2020

Da meditação sobre a Morte - Imitação de Cristo

1. Bem depressa chegará o teu fim neste mundo; vê, pois, como te preparas. Hoje o homem está vivo e amanhã já não existe. E logo que se perder da vista, assim mesmo perder-se-á da memória. Oh, cegueira e dureza de coração humano, que só cuida do presente, sem olhar para o futuro! De tal modo, deverias proceder em todas as tuas obras e pensamentos, como se já fosse a hora da morte. Se tivesses boa consciência, não temerias demasiado a morte. Melhor fora evitares o pecado do que fugires da morte. Se não estás preparado hoje, como estarás amanhã? O dia de amanhã é incerto; sabes tu se lá chegarás?

2. Que nos aproveita viver muito tempo, se tão pouco nos emendamos? Infelizmente, nem sempre a longa vida nos torna melhores, antes, muitas vezes, aumenta-nos as culpas. Oxalá tivéssemos vivido bem, ao menos um só dia, neste mundo! Muitos contam os anos decorridos desde a sua conversão; frequentemente, porém, pouco é o fruto da sua emenda. Se morrer mete medo, talvez seja ainda mais perigoso viver muito. Feliz aquele que medita sobre a hora da morte, e para ela se dispõe em cada dia. Se já viste alguém morrer, considera que também passarás pelo mesmo caminho.

3. Logo de manhã, pensa que poderás não chegar à noite, e à noite não consideres seguro o dia seguinte. Por isso, anda sempre preparado, vivendo de tal modo que a morte nunca te encontre desprevenido. Muitos morrem repentina e inesperadamente; pois, «na hora em que menos se espera, virá o Filho do Homem» (Lc 12, 40). Quando chegar aquela hora derradeira, então começarás a pensar muito seriamente sobre a tua vida passada, e doer-te-á muito teres sido tão negligente e leviano.

4. Quão feliz e prudente é aquele que procura ter uma vida santa, tal como deseja que a morte o encontre! O que dará grande confiança duma morte abençoada é o grande desprezo do mundo, o desejo ardente de progresso na virtude, o amor à disciplina, o rigor na penitência, a prontidão na obediência, a renúncia de si mesmo, e a paciência de sofrer, por amor de Cristo, qualquer adversidade. É fácil praticares o bem enquanto tiveres saúde; mas quando estiveres enfermo, não sei o que poderás fazer. Poucos melhoram com a enfermidade; assim como também, entre aqueles que andam em muitas peregrinações, raros são os que se santificam.

5. Não confies em parentes e amigos, nem proteles para mais tarde o negócio da tua salvação, porque, mais depressa do que pensas, os homens esquecer-te-ão. É preferível providenciares agora, fazendo todo o bem possível, do que esperares mais tarde pelo socorro dos outros. Se não cuidas de ti no presente, quem cuidará de ti no futuro? Muito precioso é o tempo presente: «Agora são os dias de salvação, agora é o tempo favorável» (2 Cor 6, 2). Que pena não aproveitares espiritualmente todo este tempo, pelo qual poderás alcançar o prémio da Vida eterna! Depressa chegará o tempo em que desejarás um dia, ou pelo menos uma hora, para te emendares, e não sei se o alcançarás.

6. Ah, caríssimo irmão, de quantos perigos te poderias livrar e de quantos temores poderias fugir, se andasses sempre prevenido e desconfiado da morte! Procura agora de tal modo viver, que na hora da morte antes tenhas motivos para te alegrar do que para temer. Aprende agora a desprezar o mundo, para poderes, à última hora, voar livremente para Cristo. Castiga agora pela penitência o teu corpo, a fim de então poderes ter legítima confiança e paz.

7. Oh, insensato, que pensas viver muito tempo, quando não tens seguro nem um só dia! Quantos se deixaram enganar, e repentinamente foram arrancados do seu corpo! Quantas vezes ouviste dizer: Este morreu à espada, aquele afogou-se; este outro, caindo do alto, partiu a cabeça; um expirou quando comia, outro quando jogava; estes morreram pelo fogo, aqueles pelo ferro; uns pela peste, outros pelas mãos dos ladrões. Assim acaba a vida do homem, que o fim de todos é a morte, e «a vida passa tão depressa como a sombra» (Sl 143, 4; Job 14, 10).

8. Quem se lembrará de ti depois da morte? E quem rogará por ti? Irmão caríssimo, faz já todo o bem que puderes; pois não sabes quando morrerás, nem o que te sucederá depois da morte. Enquanto ainda tens tempo, acumula riquezas espirituais. Cuida bem da tua salvação eterna; ocupa-te sobretudo das coisas de Deus. «Granjeia agora amigos espirituais (venerando os Santos de Deus e imitando as suas virtudes), para que, quando saíres desta vida, eles te recebam na eterna morada» (Lc 16, 9).

9. Considera-te como hóspede e peregrino deste mundo, não te preocupando com os negócios terrenos. Conserva o coração sempre puro e voltado para Deus, porque «não tens aqui morada permanente» (Heb 13, 14). Dirige ao Céu as tuas preces e dores de cada dia, como lágrimas de amor, para que a tua alma, depois da morte, mereça passar ditosamente ao Senhor. Amém. 

in 'Imitação de Cristo', Cap.XXIII


blogger

domingo, 1 de novembro de 2020

As últimas palavras de 25 Santos

1 - Santa Joana d'Arc
"Jesus, Jesus, Jesus!"
2 - São Tomás Moro
"Morro como um bom servo do Rei, mas Deus em primeiro em lugar."
3 - Beato Miguel Pro
"¡Viva Cristo Rey! (Viva Cristo Rei!)"
4 - São João Paulo II, Papa
"Deixem-me partir para a casa do Pai."
5 - Santa Teresa de Lisieux (Teresinha do Menino Jesus)
"Cheguei ao ponto de não ser capaz de sofrer mais, porque todo o sofrimento me é doce. Meu Deus, eu amo-Te."
6 - São Pio de Pietrelcina (Padre Pio)
"Jesus. Maria."
7 - São Tomás Becket
"Pelo Nome de Jesus e a defesa da Igreja estou preparado para abraçar a morte."
8 - Santo Estevão
"Senhor Jesus, recebe o meu espírito. Senhor, não lhes imputes este pecado."
9 - Santa Bernadette
"Bendita Maria, Mãe de Deus, rezai por mim!"
10 - São Carlos Borromeu
"Senhor, deixai agora o vosso servo partir em paz."
11 - Santa Teresa de Ávila
"Meu Senhor, é a hora de avançar. Sendo assim, seja feita a Vossa vontade. Ó meu Senhor e meu Esposo, chegou a hora pela qual tanto espere. Chegou a altura de nos encontrarmos."
12 - São Gregório VII, Papa
"Amei a justiça e odiei a iniquidade, por isso morro no exílio."
13 - São João Bosco (D. Bosco)
"Amai-vos uns aos outros como irmãos. Fazei o bem a todos e o mal a nenhum...Dizei aos meus rapazes que espero por eles no Paraíso."
14 - Santa Teresa de Calcutá (Madre Teresa)
"Amo-te, Jesus."
15 - Santo António de Lisboa
"Eu vejo o meu Senhor."
16 - Santa Catarina de Sena
"Amado, chamaste-me e eu vim. Não pelas minhas forças mas pela Tua misericórdia e pelo poder do Teu sangue. Sangue, sangue! Pai, nas Tuas mãos entrego o meu espírito."
17 - Santa Mónica
"Deixai este corpo em qualquer lado e não vos preocupeis com ele. Apenas vos peço uma coisa: que vos lembrais de mim no altar do Senhor, onde estejais."
18 - Santo Agostinho
"Seja feita a vossa vontade. Vinde, Senhor Jesus!"
19 - Santo Antão
"Agora, que Deus vos salve, meus filhos, porque o Antão parte e já não estará aqui convosco."
20 - São Domingos Sávio
"Vejo as coisas mais maravilhosas!"
21 - São Pio X, Papa
"Nasci pobre, vivi pobre, quero morrer pobre. (Escrito no seu testamento)
22 - Santa Maria Goretti
"Perdoo a Alessandro Serenelli (o seu assassino)...e quero que ele vá para o Céu para sempre." 
23 - São Bonifácio
"Cessai os ataques, meu filhos, acabai com as quezílias, porque as Escrituras recomendam que não paguemos o mal com o mal mas que paguemos o mal com o bem. Eis o dia tão esperado, chegou o nosso fim, coragem no Senhor!"
24 - São Maximiliano Kolbe
“Ave Maria!”
25 - São Lourenço
"Podem virar-me, deste lado já estou!" (martirizado numa grelha)
in ucatolic


blogger