sábado, 30 de novembro de 2019

A necessidade do exame de consciência diário


Nunca te deites sem antes examinares a tua consciência sobre o dia que passou. Dirige todos os teus pensamentos a Deus, consagra-Lhe todo o teu ser e também todos os teus irmãos. 

Oferece à glória de Deus o repouso que vai iniciar e não te esqueças do teu Anjo da Guarda que está sempre contigo.

Padre Pio de Pietrelcina


blogger

Santo André, o primeiro Apóstolo chamado por Jesus

Santo André nasceu em Bethsaida de Galilea e morreu em Patras (Grecia), por volta do ano 60 d.C. Ao Apóstolo André cabe o título de "Primeiro chamado". E é comovente que, no Evangelho, tenha sido até anotada a hora (4 da tarde) do seu primeiro encontro e primeiro compromisso com Jesus. Depois, foi André comunicar ao seu irmão Simão (Pedro) a descoberta do Messias e a conduzi-lo rapidamente até Ele. 

A sua presença é ressaltada de modo particular no episódio da multiplicação dos pães.  Sabemos também que foi a André que se dirigiram os gregos que queriam conhecer a Jesus, e ele conduziu-os ao Divino Mestre.  Segundo os antigos escritores cristãos, o Apóstolo André evangelizou a Ásia Menor e as regiões ao longo do Mar Negro, chegando até ao rio Volga, sendo por isso honrado como Padroeiro na Roménia, Ucrânia e Rússia. 

Comovente é a Passio - ainda que tardia - que narra a morte do Apóstolo, que teria ocorrido em Partas, em Acaia: condenado ao suplício da cruz, ele próprio pediu para ser pendurado em uma cruz particular, feita em X (cruz que desde então leva o seu nome) e que evoca, em sua própria forma, a inicial do nome grego de Cristo. 

A 'Legenda Aurea' refere que o Apóstolo Santo André foi ao encontro da sua cruz com esta esplêndida invocação nos lábios: "Salve Cruz, santificada pelo Corpo de Jesus e enriquecida pelas gemas preciosas de Seu Sangue... Venho a ti cheio de segurança e alegria, para que tu recebas o discípulo d'Aquele que sobre ti morreu. Cruz boa, há tempos desejada, que os membros do Senhor revestiram de tanta beleza! Desde sempre te amei e desejei abraçar-te... Acolha-me e leva-me até o meu Mestre". 

Patronato: Pescadores 
Etimologia: André = viril, forte, do grego
Emblema: Cruz decussada (em forma de X), rede de pescador 

Entre os Apóstolos, é o primeiro que encontramos nos Evangelhos: o pescador André, nascido em Bethsaida da Galileia, irmão de Simão Pedro. O Evangelho de João (cap. 1) no-lo mostra com um amigo enquanto segue a pregação do Baptista; o qual, vendo passar Jesus por ele baptizado um dia antes, exclama: "Eis o cordeiro de Deus!" Palavras que imediatamente impelem André e o seu amigo até Jesus: Falam com Ele e André corre, depois, para informar o irmão: "Encontrámos o Messias!" Pouco depois, eis também Simão diante de Jesus; o qual "fixando o olhar sobre ele, disse: 'Tu és Simão, filho de João: chamar-te-ás Cefas'." Esta é a apresentação. Depois vem o chamamento. Os dois irmãos haviam voltado ao seu ofício de pescadores no "mar da Galileia": mas deixam tudo para trás quando chega Jesus e diz: "Segui-me, far-vos-ei pescadores de homens" (Mt. 4, 18-20).

Encontramos, depois, André no grupo restrito - com Pedro, Tiago e João - que, no monte das Oliveiras, "à parte", interroga Jesus sobre os sinais dos últimos tempos: e a resposta é conhecida como o "discurso escatológico" do Senhor, que ensina como devemos nos preparar para a vinda do Filho do Homem, "com grande potência e glória" (Mc 13). O nome de André aparece também no primeiro capítulos dos Actos dos Apóstolos com os dos outros Apóstolos que se dirigiam a Jerusalém depois da Ascensão. 

E depois a Escritura nada mais diz sobre ele, mas dele falam alguns textos apócrifos, ou seja, não canónicos. Um desses, do século II, publicado em 1740 por L. A. Muratori, afirma que André encorajou João a escrever o seu Evangelho. E um texto copto contem esta bênção de Jesus a André: "Tu serás uma coluna de luz no Meu reino, em Jerusalém, a minha cidade predilecta. Amém". 

O historiador Eusébio de Cesarea (ca. 265-340) escreve que André pregou o Evangelho na Ásia Menor e na Rússia meridional. Depois, indo para a Grécia, guiou os cristãos de Patras. E aqui sofre o seu martírio por crucifixão: pendurado com cordas, de cabeça para baixo, em uma cruz em forma de X; aquela dita depois "cruz de Santo André". Isto ocorreu por volta do ano 60 d.C., no dia 30 de novembro.  

Em 357 d.C., os seus restos foram levados para Constantinopla; mas a cabeça, menos um fragmento, continuou em Patras. Em 1206, durante a ocupação de Constantinopla (Quarta Cruzada), o Legado Pontifício Cardeal Capuano, de Amalfi transferiu aquelas relíquias para Itália. E, em 1208, são acolhidas solenemente pelos amalfitanos na cripta de sua Catedral. Quando, em 1460, os Turcos (muçulmanos) invadem a Grécia, a cabeça do Apóstolo é levada de Patras para Roma, onde foi guardada na Basílica de São Pedro, durante cinco séculos.  Isto é até que o Papa Paulo VI, em 1964, tenha devolvido a relíquia à Igreja de Patras. 

in Pale Ideas


blogger

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

O que foi rejeitado há meio século está de regresso

Passam exactamente 50 anos da reforma litúrgica.




blogger

Novena da Imaculada Conceição

Rezar estas orações em cada um dos 9 dias da Novena (de 29 de Novembro a 7 de Dezembro), pedindo em cada um deles pelas intenções pelas quais a quer oferecer.

Avé Maria Puríssima, concebida sem pecado!

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen.

Louvemos e demos graças à Trindade Augusta de Deus que nos mostrou a Virgem vestida de sol, calçada de lua e coroada de doze estrelas (Pai-Nosso)

Louvemos e demos graças ao Pai Eterno que escolheu Maria para Filha (Glória ao Pai)

1. Louvado seja o Pai Eterno que predestinou Maria para Mãe do Seu Filho (Avé-Maria)
2. Louvado seja o Pai Eterno que preservou Maria de toda a culpa (Avé-Maria)
3. Louvado seja o Pai Eterno que adornou Maria com todas as virtudes (Avé-Maria)
4. Louvado seja o Pai Eterno que deu a Maria por esposo o puríssimo São José (Avé-Maria)

Louvemos e demos graças ao Filho de Deus, que escolheu Maria para Sua Mãe (Glória ao Pai)

5. Louvado seja o Filho de Deus que se encarnou e habitou em Maria Santíssima (Avé-Maria)
6. Louvado seja o Filho de Deus que nasceu de Maria sempre Virgem (Avé-Maria)
7. Louvado seja o Filho de Deus que deu a Maria todo o poder (Avé-Maria)
8. Louvado seja o Filho de Deus que nos deu Maria por Mãe (Avé-Maria)

Louvemos e demos graças ao Espírito Santo que escolheu Maria por sua esposa (Glória ao Pai)

9. Louvado seja o Espírito Santo por Quem Maria foi Virgem e Mãe (Avé-Maria)
10. Louvado seja o Espírito Santo por Quem Maria foi templo da Santíssima Trindade (Avé-Maria)
11. Louvado seja o Espírito Santo por Quem Maria foi assumpta ao Céu (Avé-Maria)
12. Louvado seja o Espírito Santo por Quem Maria foi medianeira de todas as graças (Avé-Maria)

V/ Bendita seja a Santa e Imaculada Conceição.
R/ Da Bem-aventurada Virgem Maria.

V/ Ó Maria concebida sem pecado.
R/ Rogai por nós que recorremos a Vós.

Oração (da Missa de 8 de Dezembro):
Ó Deus, que pela Imaculada Conceição da Virgem preparastes para Vosso Filho digna morada, nós Vos suplicamos humildemente que, assim como, em atenção aos merecimentos desse mesmo Filho, Vos dignastes preservá-la de toda mácula, nos concedais igualmente, por sua intercessão, a graça de chegarmos a Vós limpos do pecado. Pelo mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor. Ámen

Oração (escrita pelo Papa São Pio X):
Virgem santa que agradastes ao Senhor a ponto de vos tornardes Sua Mãe, Virgem Imaculada no corpo, na alma, na fé, no amor, olhai com bondade os infelizes que imploram a vossa poderosa protecção. A serpente infernal contra a qual foi lançada a primeira maldição continua a combater e a tentar os pobres filhos de Eva.

Vós, nossa Mãe abençoada, nossa Rainha, nossa advogada, vós que esmagastes a cabeça do inimigo desde o primeiro instante de vossa Conceição, recebei as nossas orações e, nós vos suplicamos, unidos num único coração, apresentai-as diante do trono de Deus, para que nunca nos deixemos cair nas armadilhas que nos são preparadas, mas que cheguemos todos ao porto da Salvação e que, no meio de tantos perigos, a Igreja e a sociedade cristã cantem mais uma vez o hino da liberdade, da vitória e da paz. Ámen


blogger

quinta-feira, 28 de novembro de 2019

Mais um Católico que descobriu o Tesouro escondido

Este é o testemunho de um leitor do nosso blog que conta como descobriu numa cave, na longínqua Rússia, o que lhe tinha sido escondido no seu País:

Sigo o blog há algum tempo com bastante interesse, como tal em primeiro lugar gostava de agradecer pelo mesmo.

Acabei de ver o vídeo da sua apresentação na Catholic Identity Conference e achei-a muito interessante.

Chamou-me particularmente à atenção a pequena nota que deixou sobre o trabalho da Paix Liturgique na Rússia, pois foi em Moscovo, durante uma estadia em trabalho, na Catedral da Imaculada Conceição da Virgem Maria, que, ao procurar uma Missa Dominical, soube da existência na cave da catedral de uma missa em latim. Como as minhas hipóteses de entender latim me pareciam superiores às de entender russo decidi experimentar.

O que lá descobri mudou a forma como vivo e vejo a fé para sempre.

Tendo sido baptizado em criança e feito a primeira comunhão, a realidade é que a minha formação e catequese foi muito deficiente e limitou-se aos mínimos que o catolicismo “cultural” da minha família exigia. Afastei-me muito rápido e cedo da igreja e não tive qualquer interesse em Deus e na igreja até aos meus 30 anos, quando passei por uma conversão tardia, que se fez por meio de algumas igrejas evangélicas mas que me trouxe eventualmente de volta ao catolicismo. 

Mas no clima de hoje infelizmente há pouco interesse na tradição, e o que encontrei foi uma igreja demasiado antropocêntrica, politicamente correcta, que despreza as suas próprias tradições, com abusos litúrgicos demasiado frequentes (como um Padre que vinha uma vez por semana à minha paróquia local e insistia em se referir durante toda a Missa a Deus não como Deus Pai, mas como Deus que é Pai e Mãe).

A sensação que tive nessa manhã de Domingo em Moscovo, numa capela minúscula na cave de uma catedral foi literalmente de ter descoberto um tesouro enorme, que me tinha sido escondido. É difícil descobri-lo e voltar atrás. Tenho desde então frequentado sempre que possível a Missa Tradicional, aos Domingos, na paróquia de São Nicolau.


blogger

É importante rezar pelas Almas do Purgatório




blogger

quarta-feira, 27 de novembro de 2019

Nossa Senhora das Graças e a Medalha Milagrosa

A aparição de Nossa Senhora das Graças ocorreu no dia 27 de Novembro de 1830 a Santa Catarina Labouré, irmã de caridade (religiosa de S.Vicente Paulo). A santa encontrava-se em oração na capela do convento, em Paris (rua du Bac), quando a Virgem Santíssima lhe apareceu.

Tratava-se de uma "Senhora de mediana estatura, o seu rosto tão belo e formoso... Estava de pé, com um vestido de seda, cor de branco-aurora. Cobria-lhe a cabeça um véu azul, que descia até os pés... As mãos estenderam-se para a terra, enchendo-se de anéis cobertos de pedras preciosas ..." A Santíssima Virgem disse: "Eis o símbolo das graças que derramo sobre todas as pessoas que mas pedem...".

Formou-se então em volta de Nossa Senhora um quadro oval, em que se liam em letras de ouro estas palavras: "Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós". Nisto voltou-se o quadro e eu vi no reverso a letra M encimada por uma cruz, com um traço na base. Por baixo, os Sagrados Corações de Jesus e Maria - o de Jesus cercado por uma coroa de espinhos e a arder em chamas, e o de Maria também em chamas e atravessado por uma espada, cercado de doze estrelas. 

Ao mesmo tempo ouvi distintamente a voz da Senhora a dizer-me: "Manda, manda cunhar uma medalha por este modelo. As pessoas que a trouxeram por devoção hão de receber grandes graças.

O Arcebispo de Paris Dom Jacinto Luís de Quélen (1778-1839) aprovou, dois anos depois, em 1832, a medalha pedida por Nossa Senhora; em 1836 exortou todos os fiéis a usarem a medalha e a repetir a oração gravada em torno da Santíssima Virgem: "Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós."

Esta piedosa medalha - segundo as palavras do Papa Pio XII - "foi, desde o primeiro momento, instrumento de tão numerosos favores, tanto espirituais como temporais, de tantas curas, protecções e sobretudo conversões, que a voz unânime do povo lhe chamou desde logo Medalha Milagrosa". 

in EAQ


blogger

terça-feira, 26 de novembro de 2019

Os efeitos colaterais da Pornografia



blogger

Instituto de Cristo Rei compra igreja vendida pelos protestantes

O Instituto de Cristo Rei e Sumo Sacerdote - uma sociedade de vida apostólica que celebra o Rito Romano Tradicional - comprou uma igreja que pertencia aos presbiterianos. Trata-se da igreja de Fortwilliam et Macrory, em Belfast, capital da Irlanda do Norte. 

O Instituto assegurava já naquela cidade uma Missa dominical, na igreja de Santa Teresinha do Menino Jesus. 

Além de Belfast, o Instituto está presente em mais 3 cidades irlandesas: Limerick, Galway e Ennis (diocese de Killalœ). 

Que mais igrejas protestantes fechem e mais igrejas católicas abram!


blogger

Coroa das Almas do Purgatório

Senhor, meu Criador e Redentor, eu creio que na Vossa justiça criastes o Purgatório para aqueles que passam desta vida à eternidade sem haver pagado completamente as dívidas de culpa e de pena. E creio que na Vossa misericórdia aceitais os sufrágios, especialmente o Santo Sacrifício da Missa, para seu alívio e libertação. Reavivai em mim a Fé e infundi em mim sentimentos de piedade para com esses amados irmãos que sofrem. 

Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso entre os resplendores da luz perpétua; descansem em paz. Amen

Senhor Jesus Cristo, Rei da glória, por intercessão de Maria, e de todos os santos, acolhei no Vosso Reino os que morrem. E vós, São Miguel Arcanjo, guiai-nos para a luz santa que Deus prometeu a Abraão e aos seus descendentes. Ofereço-Vos, Senhor, sacrifícios e orações de louvor; aceitai-os pelos que adormeceram e fazei-os passar para a luz eterna. 

Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso entre os resplendores da luz perpétua; descansem em paz. Amen

Jesus, bom Mestre, suplico-Vos pelos que morreram e a quem sou devedor de reconhecimento, justiça, caridade, parentesco. Recomendo-Vos ainda as pessoas que na Terra tiveram maiores responsabilidades: os sacerdotes, os governantes, os superiores, os religiosos. Peço-Vos ainda pelas almas mais abandonadas e mais devotas da Santíssima Eucaristia, da Santíssima Virgem, de São Paulo. Dignai-Vos chamá-los prestes para a celeste felicidade. 

Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso entre os resplendores da luz perpétua; descansem em paz. Amen

Agradeço-Vos, ó Jesus, Divino Mestre, que descestes do Céu para libertar os homens de tantos males com a Vossa doutrina, santidade e morte. Suplico-Vos por aqueles que se encontram no Purgatório por causa da imprensa, cinema, rádio, televisão. Confio que estes, uma vez libertos das suas penas e admitidos ao gozo eterno, Vos orem e supliquem pelo mundo de hoje, a fim de que os inumeráveis bens que nos dispensastes, para a elevação da vida presente, sejam mesmo adoptados para o apostolado e para a vida eterna. 

Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso entre os resplendores da luz perpétua; descansem em paz. Amen

Jesus misericordioso, pela Vossa dolorosa Paixão e pelo amor que me tendes, suplico-Vos, que me perdoeis as penas merecidas para esta ou para a outra vida com os meus pecados. Concedei-me espírito de penitência, delicadeza de consciência, ódio a toda a venialidade deliberada e as disposições necessárias para a aquisição das indulgências. Prometo sufragar, na medida das minhas forças, as que passarem desta vida à eternidade. E vós, Bondade infinita, infundi em mim um fervor cada vez mais vivo, para que um dia Vos possa contemplar, amar e gozar para sempre no Céu. 

Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso entre os resplendores da luz perpétua; descansem em paz. Amen


blogger

domingo, 24 de novembro de 2019

A fraude que deu origem à tradução do Missal para português

D. Clemente Isnard conta, com as suas próprias palavras, as maquinações e esquemas engendrados para enganar a Congregação para o Culto Divino e a Conferência Episcopal, e assim conseguir a aprovação da tradução do Missal de Paulo VI para português com várias "novidades" impensáveis até à data.

O primeiro trabalho que se nos apresentava era o das traduções, para introdução do vernáculo na Liturgia. E aí surgia a questão: será uma tradução brasileira ou portuguesa? Parecia-nos então que o começo seria um entendimento com os Bispos de Portugal. Fomos os quatro ao Seminário Português em Roma, onde estavam hospedados os portugueses, e depois de uma tarde de entendimento, concluímos que seria preciso adoptar uma tradução comum da Bíblia. Chegámos até a combinar algumas coisas práticas. Mas não houve seguimento. 

Surgiram logo dificuldades, e entre elas a maior: que tratamento dar a Deus, “tu” ou “vós”. Os portugueses queriam “Vós“ e os brasileiros da comissão queriam “Tu“, mas os Bispos brasileiros estavam divididos. Mais tarde, numa assembleia geral, em São Paulo (no Ipiranga), foi feita a votação por escrito, e o resultado foi surpreendente: empate rigoroso. Enquanto isso, os padres que trabalhavam nas traduções, sob a orientação de D. Timóteo Amoroso Anastácio, optavam pelo “tu “e 'ciclostilavam' os primeiros textos em “tu“. Era angustiante, e não se via solução: Portugal era “vós" e Brasil empatado entre “vós” e “tu”.

A discussão “vós” e “tu” voltou mais de uma vez à Assembleia Geral. D. Lamartine citava em apoio do “tu” uns versinhos do século XVI ou XVII: “se a Deus se chama de “tu” e a El-Rey de “vós”, como chamar o Juiz de Igarassi: ‘tu” e “vós” , “vós” e tu”. O mais difícil é que Roma queria um acordo entre Brasil e Portugal, e sem o acordo recusava-se a aprovar qualquer revisão. O assunto chegou ao Papa, e o grande Paulo VI decidiu que não se devia ter todas as versões iguais, em Portugal e no Brasil, mas que seria suficiente ter o texto do povo igual, de modo que o povo pudesse rezar em Portugal e no Brasil da mesma forma. Assim, a Oração Eucarística poderia ter uma tradução em Portugal e outra no Brasil, mas as resposta do povo deveria ser idênticas. E assim foi feito. Mas era preciso resolver o problema do “tu” e “vós”.

Como estavam as coisas não se via possibilidade de solução. Os portugueses no fundo achavam que eles deveriam resolver por serem os donos da língua e por assim fazerem com os países da África, que, na época, eram chamados a opinar. Impunha-se um acordo, ou, caso contrario, não haveria nunca nenhuma tradução aprovada em Roma. O acordo foi feito numa reunião em Portugal. Representando o Brasil fomos eu e o Padre José António de Moraes Busch, do clero de Campinas, então assessor na CNBB, e, representando Portugal três Bispos e três peritos. Reunimo-nos, oito pessoas, na casa de Retiro da Buraca, perto de Lisboa. 

Na abertura dos trabalhos estabeleci que os votos seriam por país, quer dizer, os seis votos portugueses teriam o mesmo valor que os dois brasileiros. De contrario, nós estaríamos perdidos. Eles concordaram. E mediante discussões infinitas estabelecemos o texto do povo, tanto no Ordinário da Missa como em outras partes da Liturgia. Foi ai que se fixou “Ele está no meio de nós” como resposta ao “Senhor esteja convosco”, e outras versões pouco literais (nada! literais). Os portugueses até foram liberais ao atender às nossas preferências. Saliento no principio da Missa “Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo”; apenas dois “por minha culpa, minha tão grande culpa” no “Confesso” ; “paz na terra aos homens por Ele amados” no Glória; “desceu a mansão dos mortos” no Credo; “é nosso dever e nossa salvação” no diálogo do Prefácio; “o amor de Cristo nos uniu” como resposta ao “Pax Dominum sit semper vobiscum”. A presença de Padre Busch foi muito importante para convencer os portugueses.

No fim do encontro tínhamos uma fórmula aceitável, que os Bispos da Conferência Portuguesa adoptaram sem modificação e que eu e os assessores de liturgia adoptámos sem consultar a Assembleia da CNBB, sob os protestos de D. Geraldo Fernandes. Ele disse-me uma vez: “D. Clemente, como teve coragem de modificar sozinho o Credo?” Fiz e não me arrependo, pois não havia outro jeito. Lembrem-se do empate entre “tu” e “vós”.

O acordo com Portugal consagrou o “vós” e agradou aos Bispos conservadores. A alma do Encontro da Buraca foi o Padre Busch, um dos mais eficientes assessores que tivemos. (...)

Destacaram-se as Semanas Nacionais de Liturgia de Valinhos (perto de Campinas) e de Belo Horizonte. Não me lembro exactamente de quantas foram. O trabalho de reflexão, indispensável para uma reforma, fazia-se nas reuniões mensais especialmente nas Semanas de Liturgia, onde se estabelecia o contacto e o convívio com liturgistas de outros lugares. Assim conhecemos Pe. Reginaldo Veloso, de Recife, e outros, como o Pe. Jocy Rodrigues, do Maranhão, que é o compositor da Oração Eucarística número V (enfim conheci o nome do Gregório Magno do Maranhão!) e de belíssimos outros cantos litúrgicos. Desta maneira a reforma era obra não de um pequeno grupo do Sul e do Centro, mas abrangia a colaboração de gente de todo o Brasil, com apoio em Pernambuco e no Maranhão, sem falar no Centro Oeste. Iniciamos, ao voltar de Portugal, a redacção do Ordinário da Missa com “vós”. 

É pena que não tenha havido um episcopado tão numeroso e tão diversificado em matéria de opiniões aquilo que alcançamos em Lisboa. Resolvi então proceder por própria conta – coisa de admirar mas não de imitar e que tanto irritou D. Geraldo Fernandes, que chegou a ser Vice-Presidente da CNBB. Apresentei em Roma, e a Congregação para o Culto Divino aprovou nossa versão. 

A nossa sorte foi que naquele momento não havia, na Congregação, nenhum perito em língua portuguesa. Desta forma obtivemos apuração da simplificação do Cânon Romano, que tinha sido apresentada pelos franceses e negada... Nós simplesmente havíamos copiado a proposta francesa. A aprovação do Ordinário da Missa era um grande passo dado. Mas não era o mais longo. Era preciso traduzir o Missal. Já haviam circulado traduções parciais. Aproveitando na medida do possível o trabalho feito, uma comissão de liturgia, presidida pelo Pe. Busch, assumiu o trabalho de preparar a tradução completa do Missal Romano. Padre Busch obteve para isso a cooperação do venerável Arcebispo de Campinas, D. Alves de Siqueira, que durante muitos meses vinha passar uma semana no Rio de Janeiro, hospedando-se na própria CNBB e trabalhando intensivamente na companhia do Padre Busch. Foi uma grande alegria quando pudemos enviar à Congregação do Culto Divino o pacote do missal traduzido. 

Hoje, usando o Missal, achamos alguns textos merecedores de melhoramento. Mas na época, D. Siqueira, com enorme paciência, traduziu sobretudo o texto das orações, e quase sempre chegou a resultado satisfatório. Quem trabalha para liturgia faz uma obra anónima: não consta no Missal o nome dos tradutores, como não consta o nome dos redactores das Orações Eucarísticas e de outras peças importantes. É um trabalho de amor e desinteressado. Quem iria reconhecer os méritos de Bugnini e de Martimort e de outros grandes liturgistas, também brasileiros? Só Deus. A impressão do Missal foi uma grande vitória.

Entrementes conseguimos preparar a tradução de outros livros litúrgicos e mandar a Roma para aprovação. Não vou apresentar um catálogo das edições litúrgicas. (...)

À medida que os textos iam sendo aprovados em Roma, nós iniciávamos a tradução aqui. O processo de aprovação de textos em Roma foi lento; alguns eram elaborados mais rapidamente, outros encalhavam em dificuldades, como o do sacramento da Penitência e o dos Ministérios, antigas Ordens Menores. A Liturgia das Horas era uma outra maratona, talvez mais complicada do que o Missal. Foi o ultimo livro que vi com a edição definitiva. Lembro-me de que quando D. Celso Queiroz me apresentou o primeiro volume, não contive as lágrimas. O trabalho final foi feito em Brasília e para isso contamos com a dedicação em tempo integral de duas pessoas. Era preciso ter uma boa tradução dos salmos, como que a matéria prima do livro. Disso se encarregou o Padre José Weber, que eu havia pescado em Roma por indicação de Cónego Amaro.

Precisaríamos de uma tradução exacta, recitável e bonita. Creio que o nosso texto do saltério em português é magnifico. Graças ao acordo da Buraca com os portugueses, os textos da Liturgia das Horas não precisavam ser comuns aos dois países, o que facilitou muito. (...)

O trabalho dos tradutores seria corrigido por uma comissão de Bispos. Houve uma, que deveria rever a tradução do Evangelho de S. João, e que envergonhou a CNBB. Mandou para Roma um texto tão mau que obrigou a Congregação a rever ela mesma. Ainda bem que fizeram em Roma esse trabalho que não lhes cabia. (...)

Cada vez que se editava em português do Brasil um livro Litúrgico, sentíamos alegria e alivio. Era o caminho andado para o cumprimento da missão. Mas não era tudo o que devíamos fazer. Era preciso comentar os livros, animar a vida litúrgica e descobrir o que deveríamos fazer para enriquecer a própria liturgia. Não éramos apenas tradutores, mas tínhamos de ser criativos!, e isso nos preocupava desde o inicio.

Numa de nossas reuniões mensais no Rio, foi feita sugestão de compor uma Oração Eucarística para o Congresso Eucarístico Nacional de Manaus. Naqueles dias nós contávamos em Roma com o apoio clarividente de Bugnini. Eu ia duas vezes por ano a Roma para reuniões do Conselho e depois da Congregação para o Culto Divino e podia advogar a causa. Encontrei boa receptividade em Bugnini, e mãos a obra. Marcamos reunião preparatória no Cenáculo, com a assessoria dilatada. E preparámos dois textos: um meu, e outro do padre maranhense.

Eu li o meu texto e enquanto ouvia o do padre maranhense tinha vontade de imitar o que fizera o concorrente de Santo Tomás de Aquino para textos da festa de Corpus Christi: ir rasgando silenciosamente. Mas não fiz... Evidentemente, o grupo reunido escolheu o do padre maranhense, que é o texto da Oração Eucarística número V.

Esse foi levado a Comissão Episcopal de Pastoral (CEP), onde recebeu uma ou duas pequenas modificações, e depois enviado a Roma. Em Roma, sem levar em consideração o ritmo do nosso texto, também fizeram duas pequenas modificações. Parece que, além do Culto Divino, o projetco enfrentou a Doutrina da Fé, mas venceu as etapas. E a Oração número V, bastante breve, é usada, apesar de não agradar a alguns.

A aprovação de uma Oração Eucarística brasileira era um sinal dos tempos. Bugnini estava no auge do seu prestigio e podia permitir-se gestos de benevolência para com uma Conferência Episcopal numerosa mas sem prestigio.

Infelizmente, os ventos não tardaram a mudar em Roma. Bugnini cada vez mais ousado e contando com a confiança de Paulo VI, aprovou a Oração Eucarística para a Missa com crianças e outras coisas mais. A oposição romana, tendo como porta voz o Cardeal Felici, conseguiu derrubá-lo de modo insidioso; foi supressa a Congregação para o Culto Divino e unida a Congregação para a Disciplina dos Sacramentos. Bugnini estava fora de Roma, em férias. Para ele não ter a notícia pela imprensa, o Cardeal Tabera foi onde se encontrava para avisar. 

Cada Congregação tinha um Prefeito e um Secretário; unindo duas Congregações sobraria um Prefeito e um Secretario. Ora, o secretário dos Sacramentos era mais antigo como Bispo (era um antigo Núncio, que nada entendia de Liturgia), e teve prudência para continuar no cargo da nossa Congregação. Bugnini não era mais nada. Eu escrevi uma carta ao Papa e o Cardeal Secretário de Estado, Cardeal Villot, respondeu perguntando se o Papa não tinha direito de escolher os seus auxiliares. Eu não podia negar isso, mas diria que deve escolher bem, e não como fez dessa vez. Esse facto lançou uma sombra sobre o pontificado de Paulo VI, que estava envelhecido e fazendo algo em contradição com toda a sua linha de conduta anterior.

A saída de Bugnini foi desastrosa, não só para a Congregação em Roma, mas para o mundo inteiro. Uma das últimas vezes que conversei com Bugnini em Roma, uma das melhores conversas que tivemos, ele falou dosseus planos. Disse que faltava um Directório para Missas “cum rudibus” e que pretendia fazer isso. Mas não teve tempo; os inimigos já estavam a movimentar-se e o golpe preparado. Voltando para o Brasil, na primeira reunião mensal dos assessores, falei do assunto e encontrei bom acolhimento. Com efeito, o Brasil precisava de um Directório para gente simples. Foi nome que dei. E pusemos mão à obra. 

Como não tratava de uma tradução de um documento romano, usei de grande cautela, evitando cuidadosamente coisas que pudessem criar dificuldades em Roma. O Directório para Missas com gente simples foi preparado e levado à Assembleia Geral, onde foi aprovado, sem grande oposição, e baptizado por D. Waldyr como “Directório para Missas com Grupos Populares”. O nome me pareceu bom, mas não foi feliz, porque era a época em que o colombiano Lopes Trujillo fazia uma campanha contra a “Igreja Popular” em toda a América Latina. Eu achei que nosso Directório não continha nada de avançado, e que por isso não precisava ser submetido a Roma.

Mas Roma recebeu as actas da Assembleia Geral e ficou a saber de tudo o que se passou. Um belo dia na CNBB, que ainda estava no Rio, disseram-me que a Congregação tinha pedido nosso Directório para examinar. Fiquei surpreso, disse que não havia necessidade, mas acabei tendo de mandar. Não tardou muito a chegar uma proibição de usar o Directório, que já estava impresso e distribuído.

Foi a grande humilhação que tive no relacionamento com Roma. Humilhação injusta, pois o Directório não tinha nada que merecesse essa condenação. Mas não ficou nisso; como eu também actuava no CELAM, e o perito do CELAM, Álvaro Botero, um colombiano inteligente e bem orientado, havia apreciado nosso Diretório e feito traduziu em castelhano, a Secretaria de Estado mandou uma circular aos Núncios do mundo inteiro comunicando a condenação. Assim o nosso modesto Directório transformou-se num perigo para a Igreja!

Ainda tenho em meu poder um exemplar da 4ª edição do Diretório. Depois de redigir esta breve noticia, dei-me ao trabalho de reler todo o Directório. Desafio qualquer perito em Liturgia para mostrar algo que motivasse sua condenação. Tudo o que é aconselhado no Directório está hoje posto em prática nas comunidades. Se não me engano, a razão decisiva para a condenação romana está na expressão “Grupos populares”. À época, D. Afonso Lopes Trujillo movia no ambiente latino-americano uma guerra ao que chamava “Iglesia Popular”, e que ele considerava uma perversão da Igreja Católica. Acontece que ao pensar nos “Grupos populares”, nós brasileiros nem de longe tínhamos em vista a fenómeno cismático que estava a acontecer em alguns países latino-americanos.

Apesar desta atitude, depois da saída de Bugnini, houve durante anos a fio uma boa colaboração da Congregação para o Culto Divino com a CNBB. Primeiro a compreensão dos problemas de língua entre Brasil e Portugal.

Neste caso Bugnini disse-me que o Papa Paulo VI havia recomendado não exigir demais porque conhecia as diferenças de linguagem; e a solução foi boa: unidade para as partes do povo e liberdade para o resto. Segundo, a Oração Eucarística brasileira, a V, que foi uma bela concessão ao Brasil, que nenhum outro pais da América Latina tem. Terceiro, as aclamações na Oração Eucarística, que nem todos os países da Europa têm. Quarto, a aprovação da versão do Cânon Romano com as simplificações. Quinto, o tratamento cordial dado ao Brasil durante as negociações. 

D. Clemente Isnard, osb
Conferência - testemunho
Encontro dos Liturgistas do Brasil
Belo Horizonte, 28 de janeiro de 2002


blogger

sábado, 23 de novembro de 2019

Arcebispo de São Francisco chora depois de celebrar Missa em Rito Antigo

O Arcebispo de São Francisco, Mons. Salvatore Cordileone, celebrou uma Missa Pontifical, em Rito Antigo, na Basílica da Imaculada Conceição em Washington DC. Estiveram presentes mais de 10 mil fiéis. No final da Missa, o Arcebispo comoveu-se e começou a chorar.


blogger

13 definições Pontifícias desde a fundação da Igreja até hoje

1) Ano: 449. O Papa São Leão Magno expõe a doutrina do mistério da encarnação. Em Cristo há uma só pessoa (divina) e duas naturezas (divina e humana). Debela-se, assim, a heresia de Nestório.
2) Ano: 680. O Papa Santo Agatão ensina haver em Cristo duas vontades distintas, a divina e a humana, ficando a vontade humana moralmente submissa à divina. O objectivo da definição era reprimir uma nova modalidade de monotelitismo, que dizia haver em Cristo unicamente a vontade divina.
3) Ano: 1302. O Papa Bonifácio VIII declara que toda criatura humana está sujeita ao pontífice romano. 
4) Ano: 1336. O Papa Bento XII definia que, logo após a morte, as almas sem nenhum pecado, nem venial, são admitidas à visão beatífica ou contemplação de Deus. 

5) Ano: 1520. O Papa Leão X condenou 41 proposições de Martinho Lutero. Sabe-se que o aludido frade agostiniano fixara 95 teses na porta da Catedral de Wittenberg, na Alemanha. Cuida-se das famigeradas heresias protestantes, como, por exemplo, a justificação só pela fé, o esquecimento da tradição e a sobrevalorização da Bíblia, a negação do papel de Maria Santíssima na economia da salvação, entre tantos postulados do século XVI.
6) Ano: 1653. O Papa Inocêncio X reprova o jansenismo, que nutria um conceito pessimista da natureza humana. 
7) Ano: 1687. O Papa Inocêncio XI denunciou a heresia das proposições de Miguel de Molinos, as quais queriam identificar a perfeição espiritual com tranquilidade e passividade da alma (quietismo).
8) Ano: 1699. O Papa Inocêncio XII condenou as assertivas de François de Fénelon, que queriam renovar o quietismo, anteriormente exprobrado por Inocêncio XI.

9) Ano: 1713. O Papa Clemente XI novamente o jansenismo expresso na obra de Pascásio Quesnel.
10) Ano: 1794. O Papa Pio VI denunciou 85 teses heréticas promulgadas em Toscana, no Sínodo de Pistoia, que retratavam o nacionalismo e depotismo do Estado. Uma dessas teses defendia que a Missa deveria ser dita em vernáculo.
11) Ano: 1854. O Papa Pio IX define o dogma da Imaculada Conceição de Maria. Numa prerrogativa especial, Nossa Senhora foi concebida sem a mancha do pecado original.
12) Ano: 1950. O Papa Pio XII define o dogma da Assunção de Maria ao Céu, em corpo e alma. Este dogma é corolário da Imaculada Conceição. 
13) Ano: 1994. O Papa João Paulo II, na carta apostólica “Ordinatio Sacerdotalis”, define o non possumus (impossibilidade) da Igreja no que concerne à ordenação de mulheres. O argumento básico é que Jesus, o divino fundador da Igreja católica, não escolheu mulheres para o grupo dos apóstolos, embora pudesse fazê-lo. 

adaptado de Zenit


blogger

sexta-feira, 22 de novembro de 2019

Oração do Cardeal Newman pelas almas do purgatório

O Cardeal John Henry Newman, que foi canonizado há umas semanas, compôs uma bela oração pelas almas do purgatório que seria bom que rezássemos muitas vezes, pelo descanso eterno dos nossos mortos:

Ó Deus dos espíritos de toda a carne, ó Jesus, amante das almas, recomendamos a vós as almas de todos os vossos servos, que partiram com o sinal da fé e dormem o sono da paz. Nós vos suplicamos, ó Senhor e Salvador, que, assim como em Vossa misericórdia para com eles vos tornastes homem, assim também apresseis o tempo e os admitais em vossa presença.

Lembrai-vos, Senhor, de que eles são criaturas vossas, feitas não por deuses estranhos, mas por Vós, o único Deus vivo e verdadeiro; pois não há outro Deus senão Vós e não há ninguém que possa igualar as vossas obras. Deixai que as suas almas se regozijem na vossa luz e não imputeis a elas as suas antigas iniquidades, que cometeram por causa da violência da paixão ou dos hábitos corruptos da sua natureza caída. Apesar de terem pecado, eles sempre acreditaram firmemente no Pai, Filho e Espírito Santo; e, antes de morrerem, reconciliaram-se convosco pela verdadeira contrição e pelos sacramentos da vossa Igreja.

Ó Senhor da graça, nós vos suplicamos: não vos lembreis, contra eles, dos pecados da sua juventude e das suas ignorâncias, mas, conforme a vossa grande misericórdia, estai-lhes atento em vossa glória celestial.

Que os Céus se lhes abram e os anjos com eles se alegrem. Que possa o arcanjo São Miguel conduzi-los a Vós. Que possam os vossos santos anjos ir ao seu encontro e levá-los à cidade da Jerusalém celeste. Que possa São Pedro, a quem destes as chaves do reino dos Céus, recebê-los. Que possa São Paulo, o vaso de eleição, lhes dar apoio. Que possa São João, o discípulo amado a quem foi dada a revelação dos segredos do Céu, interceder por eles. Que todos os Santos Apóstolos, que receberam de Vós o poder de ligar e desligar, rezem por eles. 

Que todos os santos e eleitos de Deus, que neste mundo sofreram tormentos por vosso nome, lhes sejam amigos. Que, libertos da prisão inferior, sejam eles admitidos na glória do reino em que, com o Pai e o Espírito Santo, viveis e reinais como único Deus pelos séculos dos séculos.

Vinde em seu auxílio, vós todos, ó santos de Deus; ganhai-lhes a libertação do seu lugar de punição; ide ao seu encontro, todos vós, ó anjos; recebei essas almas santas e apresentai-as perante o Senhor.

Dai-lhes, Senhor, o descanso eterno e a luz perpétua brilhe sobre eles. Que descansem em paz. Ámen


blogger

Dia de Santa Cecília, padroeira dos músicos


Hoje é dia Santa Cecília, padroeira dos músicos. Foi martirizada em Roma, por volta do ano 180, e o seu corpo foi encontrado no ano 1599, ainda incorrupto. O corpo, juntamente com esta escultura de Stefano Maderno, encontram-se na Basílica de Santa Cecília, em Roma.


blogger

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Resumo da Catholic Identity Conference 2019

A Catholic Identity Conference juntou Bispos, Sacerdotes, Religiosos e Leigos em Pittsburgh (Estados Unidos) para falar sobre o que significa ser católico e sobre os desafios que a Igreja que a Igreja enfrenta hoje em dia. 


blogger

Apresentação de Nossa Senhora no Templo

Bendita a Vossa Pureza!
Eternamente bendita!
Que até Deus Se delicia
Com tão graciosa beleza!
A Vós, celeste Princesa
Sagrada Virgem Maria
Vos ofereço neste dia
Alma, vida e coração!
Olhai-me com compaixão!
Não me deixeis, ó Maria!


blogger

A diferença entre morrer em estado de graça ou em pecado mortal



blogger

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

Liturgia Tradicional: Norma de Beleza, Oração e Reverência


Peter Kwasniewski, nascido em 1971 no Illinois, é uma das figuras mais marcantes do catolicismo tradicional americano, que, como bem sabemos hoje, é a linha da frente do renascimento católico, mostrando-se extremamente vigoroso e rico em vocações. Músico por vocação, Peter Kwasniewski recebeu também uma excelente formação filosófica (a sua tese de doutoramento versou sobre “L’extase d’amour chez Thomas d’Aquin”).

Publicou também numerosos artigos sobre filosofia, liturgia, música, em particular no que toca ao restabelecimento e à renovação da música sacra no seio da Igreja contemporânea, e ainda uma série de livros muito marcantes, tais como: Tradition and Sanity. Conversations and Dialogues of a Postconciliar Exile("Tradição e Sanidade. Conversas e diálogos de um exílio pós-conciliar"; Angelico Press, 2018) ; Noble Beauty, Transcendent Holiness: Why the Modern Age Needs the Mass of Ages ("Nobre beleza, santidade transcendente: Porque é que a Era Moderna precisa da Missa de todas as eras"; Angelico Press, 2017) ; Resurgent in the Midst of Crisis: Sacred Liturgy, the Traditional Latin Mass, and Renewal in the Church ("Ressurgimento no meio da crise: a sagrada liturgia, a Missa latina tradicional e a renovação na Igreja"; Angelico Press, 2015). Agradecemos-lhe muito vivamente que se tenha disposto a conversar conosco.

Paix liturgique – Muitos católicos não querem sequer conhecer a liturgia tradicional porque a consideram uma coisa do passado. Crê tratar-se de uma coisa do passado ou antes do presente, ou até mesmo talvez do futuro?

Peter Kwasniewski – Parece-me haver um problema fundamental quando se pensa na liturgia em termos de ser algo exclusivamente do passado ou do presente, ou aliás do futuro, porque os católicos sempre pensaram na liturgia como participando do agora eterno de Deus. Isto é, na liturgia encontramo-nos face a face diante dos mistérios de Jesus Cristo, que é o eterno Sumo Sacerdote, que vive e age no seio da Igreja neste preciso momento, pelo que a liturgia está sempre no momento presente. Todavia, como é óbvio, ela foi-nos dada por Nosso Senhor na Última Ceia, sendo assim a ratificação da Nova Aliança, o Seu Sangue sobre a Cruz. 

Por conseguinte, a liturgia está constantemente a olhar para trás, para o passado, e também para o futuro: está a olhar para a segunda vinda de Cristo, o escathon, a Jerusalém celeste. Assim, a liturgia é intemporal e está também ligada a cada momento do tempo. Uma parte do problema das revisões litúrgicas pós-conciliares está em terem tentado ligar a liturgia a um tempo particular, designadamente o tempo do homem moderno e a modernidade – seja lá o que for que modernidade quer dizer. De repente, viu-se aparecer um antagonismo entre a liturgia do passado e a liturgia do presente, e este é um antagonismo que é completamente estranho ao modo católico de olhar para a liturgia.

Paix liturgique – Sabemos que escreveu muito sobre a transcendência na liturgia tradicional. Como é que esta transcendência responde de modo particularmente adequado às expectativas do homem moderno, tão ocupado com as redes sociais e sem tempo para experimentar o silêncio?

Peter Kwasniewski – Se me é permitido usar uma metáfora, direi que a liturgia tradicional é um alimento nutritivo, cheio de vitaminas, de que o homem moderno tem falta. Falou de negócios e activismo. Nos tempos modernos, há uma clara tendência para o imanentismo. As pessoas estão mergulhadas nas suas actividades do dia-a-dia e estão encurraladas por elas, estão como que aprisionadas pelo mundo contemporâneo. Na verdade, a liturgia é a passagem, a porta que se abre para outro reino. Um reino que não é aprisionante, mas libertador. 

A liturgia tradicional provoca um encontro com a verdade eterna e realidades eternas que podem salvar o homem, e em particular o homem moderno, daquele cerco, daquela prisão. Outro aspecto que muitos têm realçado é o facto de que é próprio da natureza dos seres humanos serem extáticos: eles querem sair de si próprios, entregarem-se a si mesmos a uma causa. Querem entregar-se por amor a outra pessoa, e chegam a entregar-se a uma ideologia. A nossa vontade é de vivermos fora de nós mesmo, não queremos ficar encurralados dentro de nós. O homem moderno depara-se com muitos falsos êxtases: desde logo, as drogas são um óptimo exemplo disso mesmo, de pessoas que tentam escapar de si próprias, mas isso é falso, não conseguem, não passa de uma ilusão temporária de libertação. Ratzinger fala disto em diversos lugares. 

Outro exemplo são os concertos de rock… Há toda uma gama de experiências pseudo-litúrgicas e pseudo-místicas que as pessoas procuram, enquanto que o que a Igreja Católica oferece é a experiência mística real, uma real auto-transcendência, um êxtase real. E é por isso que a liturgia tradicional é hoje mais urgente do que nunca. 

A Paix Liturgique levou a cabo em diversas partes do mundo várias sondagens de opinião que mostram que mais de 30% dos católicos de Missa dominical gostariam de viver a sua fé ao ritmo da liturgia tradicional. Isto surpreende-o? Acha que isto deveria surpreender os bispos diocesanos?

Peter Kwasniewski – A percentagem de 30% surpreende-me. Creio que seria ainda maior se os católicos tomassem conhecimento da liturgia tradicional. Muitos há que não têm conhecimento dela. Nas minhas viagens e debates, encontro-me com católicos que só agora se dão conta de que há outra liturgia além do Novus Ordo promulgado por Paulo VI. E compreendo o porquê: 50 anos após a propagação do Novus Ordo, a grande maioria dos católicos praticantes não têm outra coisa. Por outro lado, são os próprios bispos a subestimarem continuamente o número de católicos atraídos pela tradição em todas as suas manifestações. 

Querem acreditar que se trata apenas de uma pequeníssima minoria de católicos com uma espécie de fascinação de tipo estético, quando não com uma tendência para o que é inusual e estranho, uma espécie de excentricidade; é assim que tendem a pensar acerca dessa atracção. O que lhes escapa é que as pessoas, hoje, já não estão a pensar segundo os paradigmas dos anos 60 ou 70, onde parece que os bispos ainda estão presos.

A reforma litúrgica baseou-se num princípio primário, o de que a única maneira de a liturgia ser acessível às pessoas e de estas nela poderem participar é através de uma compreensão verbal e racional; foi esse o princípio básico motor de tudo o resto. Assim sendo, como pretendamos que as pessoas compreendam tudo o que acontece na Missa, lá teremos de a simplificar, de a abreviar, teremos de a dizer em vernáculo, temos de dizer tudo em voz alta, tudo tem de ser alto e bom som. E tudo isto se faz ao serviço da comunicação de um conteúdo racional conceitual às pessoas sentadas nos bancos. É esse, sem tirar nem pôr, o princípio por detrás da reforma. 

Os jovens, hoje, se têm fé ou se estão à procura de Deus, no começo, não estão a tentar encontrar um conteúdo racional. Poderá ser que mais tarde venham a estudar teologia, mas aquilo de que estão à procura é o sentido de que há algo mais nesta vida e no mundo para além do que os olhos podem ver, do que se vê nos media, algo para além da experiência da nossa vida do dia-a-dia. Querem que a sua visão seja aberta para qualquer coisa, diria mesmo, para qualquer coisa de celestial. Será que o céu existe realmente? A liturgias deveria ser uma prova de que ele existe de facto, e se o não é, é apenas mais conversa. E então, é mais do mesmo, do mesmo que se pode encontrar em todo o lado. O mundo já está inundado de conversa. 

Percebe-se, assim, que os bispos pertencem a uma geração que partiu do princípio de que a liturgia tinha só a ver com uma compreensão racional conceitual; e é isso que significa a participação. Estão realmente a leste e estão a perder o comboio; hoje em dia, a questão já não está aí.

Paix liturgique – Ao longo da sua vida, viu pessoas a mudarem de opinião acerca da missa tradicional, isto é, que a odiavam e passaram a amá-la? E poderia dar-nos o seu testemunho acerca dos frutos espirituais ou dos benefícios que os fiéis recebem da Missa antiga?

Peter Kwasniewski – O que, em geral, vi foi que todos os católicos sérios em matéria de doutrina, sérios no que toca a viver uma vida moralmente direita e a uma vida pessoal de oração, agarrados à recitação do terço, esses são naturalmente atraídos pela liturgia tradicional. Mal a descobrem, mostram-se abertos a ela, porque já vivem de uma maneira que está de acordo com a liturgia tradicional. A liturgia tradicional é profundamente doutrinal, ela põe os dogmas da Igreja num pedestal, e é ascética e exigente. Assim, se estiver a tentar viver uma vida moralmente direita, a liturgia tradicional vai apoiá-lo nisso e vai-lhe fazer exigências que são de tipo moral. Penso, por isso, que existe uma adequação natural entre uma vida católica séria e a liturgia tradicional.

É óbvio que também se pode viver uma vida católica séria de outras maneiras, noutros contextos, mas creio que ali existe uma harmonia e uma abertura. Já não noto hostilidade contra a Missa tradicional a não ser entre pessoas que se autointitulam liberais ou progressistas, que têm um plano a cumprir, essas fazem uma oposição ideológica. Mas, curiosamente, estas pessoas opõem-se porque ela expressa uma visão dogmática, moral e cósmica do mundo que é antitética em relação ao seu paradigma liberal e progressista; por isso, o que vêem nela é uma ameaça ao conjunto do “projecto Vaticano II”. 

Já no que toca aos frutos espirituais, tenho dito amiúde que, na realidade, nunca soube como rezar durante a Missa até que comecei a ir à Missa antiga. Em toda a minha experiência de católico enquanto ia crescendo, sempre partira do princípio de que a oração litúrgica mais não era do que uma espécie de superficial vai-e-vem entre o sacerdote e o povo, cantar umas quantas canções, e tudo muito pela superfície como quando se patina sobre o gelo. 

Depois, ao começar a frequentar a liturgia tradicional, era já como um mergulho em mar alto: temos de vestir o equipamento de mergulho e penetrar bem em profundidade no oceano. Há aí uma profundidade, uma profundidade sem fim, que é o que explica porque é que eu e muitos dos meus amigos nunca nos cansamos de ir à Missa tradicional, estamos sempre ansiosos de lá voltar. Onde quer que ela seja celebrada, queremos ir lá. Já com o Novus Ordo, começamos a sentir falta de entusiasmo e torna-se mais fácil acabar por não ir, porque dele se tira menos benefícios.

Paix liturgique – Em que é que se pode ver que o sacrifício sacramental parece ser melhor exprimido pela Missa tradicional?

Peter Kwasniewski – A Missa é a re-presentação sacramental do sacrifício oferecido por Nosso Senhor do Seu Corpo e do Seu Sangue, sobre a cruz. Isto não é apenas uma opinião, nem é apenas um ponto de vista escolástico, é o ensinamento dogmático de fide da Igreja proferido pelo Concílio de Trento. Por conseguinte, nesse sentido, a liturgia não é primeiramente uma refeição, não é primeiramente a comemoração da ressurreição, nem algo relativo primariamente ao Corpo místico de Cristo. É sim o sacrifício que torna possível o Corpo místico de Cristo. 

É o sacrifício que, obviamente, em certo sentido, é cumprido na ressurreição e glorificação de Cristo. Todavia, na realidade, a Missa põe-nos em contacto com o Sangue de Cristo redentor que nos salva. É disso que precisamos para sermos salvos, é isso a nossa salvação. Por isso, é de grande importância para a liturgia que ela nos possa comunicar que é esse o mistério. O mistério primário da Eucaristia, como nos diz São Tomás, é Christus passus, Cristo que sofreu pelos nossos pecados. É com isso que que a liturgia nos põe misticamente em contacto, põe-nos realmente em contacto sob o véu do pão e do vinho.

Se, no seu aspecto exterior, a liturgia der ideia de algo completamente diferente disso mesmo, ou se primariamente se assemelhar a um banquete, uma refeição fraterna, então estará a despistar-nos e a induzir-nos em erro, e está, de facto, a dar-nos uma catequese falsa acerca do que estamos lá a fazer. Não há dúvida de que o rito antigo, não só pela orientação para Leste (que também se pode ter na nova Missa), mas em todos os seus aspectos, em especial no ofertório da Missa e nos gestos, nas cerimónias, põe uma grande ênfase no altar do sacrifício. 

Claro que a Missa também é um banquete, mas é um banquete sacrificial, é primeiro um sacrifício e só depois é tomamos parte na vítima sacrificial. A prioridade está sempre em oferecer a Deus a oblação pura do Cordeiro de Deus e, só depois, é que, se estivermos em estado de graça, podemos ter o privilégio de tomar parte desse banquete sacrificial, desse oferecimento sacrificial.  

Paix liturgique – Jamais, em toda a história da humanidade, houve tantas pessoas tão afastadas do lugar onde nasceram, seja por habitarem noutro país seja simplesmente por estão em viagem. Não será que a Missa em latim não poderia servir de objectivo pastoral ao tornar possível que cada um tenha a “sua” Missa, ainda que a ela assista noutro país? Acha que podemos dizer que a Missa em latim esteve ao serviço do objectivo do “mundialismo” nas épocas antigas?

Peter Kwasniewski – Não há qualquer dúvida de que, se olhar para a civilização europeia – e aqui, estou a falar da Europa Ocidental, e não tanto da Europa Oriental, que tem uma sua própria história –, a presença da fé Católica Romana, do Rito Romano e de vários outros usos relacionados com o Rito Romano, além da língua latina, foram grandes forças unificadoras que permitiram que as pessoas pudessem comunicar entre elas. Isto serviu de fertilizante para as artes e para a vida intelectual através duma multiplicidade de fronteiras de terras e de línguas. Vejo uma suprema ironia no facto de que no século XX, no preciso momento em que a aviação permitia que as pessoas viajassem com mais facilidade do que nunca, e os automóveis se tornavam omnipresentes, nesse preciso momento em que as pessoas já viajavam com grande frequência, de repente, se tenha decidido vernaculizar a liturgia e, de facto, excluir quem quer que não fosse de uma dada comunidade local.

Nos meus anos mais tenros, tive ocasião de viajar bastante, antes de tomar conhecimento da Missa em latim. Então, ia à igreja, ao Novus Ordo, qualquer que fosse a língua aí falada, e quase não entendia o que quer que fosse. Entendia “Amém” e pouco mais. É verdade que, como disse antes, não se pode reduzir a uma compreensão racional, mas é muito frustrante ir a uma liturgia que se supõe girar em torno de palavras, como é o caso do Novus Ordo, e depois acabar por não entender palavra alguma. Ironicamente, se alguma vez houve uma liturgia que devesse ser em latim, é precisamente o Novus Ordo, porque, a não ser assim, acaba por se excluir muitas pessoas. 

Um outro ponto é que é igualmente irónico que, num momento da história mundial em que há mais pessoas a saber ler e escrever do que nunca, e em que todos, se o quiserem, podem facilmente ter acesso a saber o que é que as orações significa, nesse momento decidiu-se: «De maneira nenhuma, o que temos é de pôr tudo numa linguagem vernácula de todos os dias, em vez de continuarmos a usar esta linguagem de refinada poesia e teologicamente rica que as liturgias sempre usaram. O que temos de fazer é simplificar tudo.» Mas porquê? Parece-me que temos aqui mais um exemplo de juízo histórico errado e de confusão cultural por parte do reformadores da liturgia.

Paix liturgique – Em geral, as pessoas começam por conhecer a Missa tradicional, depois vem o canto gregoriano, mas no seu caso foi ao contrário. Na sua opinião, a música sacra pode desempenhar um papel na renovação litúrgica?

Peter Kwasniewski – Exactamente! Tem toda a razão: eu cheguei à liturgia tradicional através da música sacra e, em particular, por meio do canto gregoriano. Nunca tinha assistido ao culto em latim antes de ter descoberto o canto gregoriano, mais, nunca me tinha passado pela cabeça rezar em latim. Assim que, até mesmo o facto de me dar conta do latim enquanto língua, no meu caso, ficou a dever-se ao canto gregoriano. A beleza do canto fascinou-me, tomou conta do meu coração e inspirou-me. No começo, nem sequer vi nele uma linguagem musical, e também não reparei no texto latino, mas compreendia que havia aí algo de esplendoroso, de divino, algo de muito especial e diferente, e tudo isso me fascinava. É como diz Rudolf Otto: o «mysterium tremendum et fascinans». Há nesse canto algo de extremamente poderoso e como de um outro mundo. Foi esse, ao princípio, o anzol que agarrou este peixe.

Quando descobri a liturgia tradicional, aquilo de que imediatamente me apercebi foi que a liturgia tradicional tinha crescido juntamente com o canto; o canto e o Rito Romano são como corpo e alma, há entre ambos uma relação muito próxima. Não aconteceu que primeiro tenha aparecido a liturgia me que depois tenha aparecido alguém que lhe tenha juntado o canto como se junta uma roupagem exterior. O que aconteceu, sim, foi que a liturgia romana e o canto cresceram juntos, de mão dada. O canto gregoriano é a liturgia romana cantada. Por isso, bem cedo me dei conta de que o canto encaixava, que ali, na liturgia tradicional, estava como em sua casa. Aí, tem espaço suficiente para respirar, e o timing adequado, o ritmo da liturgia é calculado à perfeição, os cantos têm a duração justa para cobrirem as acções que devem ser acompanhadas, e os textos do canto são perfeitos para esses momentos.

Há, portanto, aqui uma estreitíssima adequação entre música e liturgia. O mesmo acontece com a polifonia: a grande polifonia pode ser composta porque há lugar para ela nesta liturgia. Como o ofertório leva tempo, os grandes compositores puderam escrever motetes para esse lapso de tempo. O Novus Ordo é tão racionalístico e tão verbal e breve, que o canto gregoriano e a polifonia se mostram sempre inadequados. Parecem ser sempre uma espécie de interrupção e de atraso. Por exemplo, quando se está numa Missa Novus Ordo e chega o momento de uma leitura em vernáculo feita por um leitor leigo de frente para o povo, e, em seguida, depois que todos responderam dizendo “Graças a Deus”, a schola começa então a cantar uma peça de gregoriano em latim – o Gradual –, é tudo muito estranho, não encaixa bem. 

Enquanto que, na liturgia tradicional, o que notamos é um fluxo natural das coisas, onde tudo parece estar no seu lugar e tudo encaixa. Por isto mesmo, parece-me que, para as pessoas do mundo moderno reaproximar-se da beleza da música sagrada é praticamente equivalente a uma reaproxiamação da liturgia tradicional. Não quer isso dizer que não devamos utilizar o canto e a polifonia em todas as liturgias, mas apenas que que o gregoriano e a polifonia têm na liturgia tradicional o seu habitat natural.

Paix liturgique – Um último apontamento: poderia deixar-nos uma mensagem para as jovens famílias que estão preocupadas em conseguir preservar-se e preservar os seus filhos de toda a confusão que reina na sociedade actual?

Peter Kwasniewski – Diria que nada há de mais importante para as famílias católicas jovens do que conseguir encontrar uma boa comunidade de católicos fiéis com um espírito tradicional. E mais, que façam todos os esforços que seja preciso para levarem a sua família a essa igreja junto dessa comunidade, porque todos aí frequentarão a liturgia pelos motivos certos: o que pretendem é glorificar a Deus, santificar as próprias almas, iniciar as suas crianças ne beleza e riqueza da tradição católica – e assim, poderão encontrar outras pessoas que pensam como eles que passarão a ser seus amigos e uma rede de apoio; e as suas crianças encontrarão aí outras crianças com quem brincar com toda a segurança e que não é provável que passem o seu tempo a ver vídeos tremendos e outras coisas desse género. No mundo moderno, temos de ser muito realistas e não podemos partir do princípio de que a maioria dos lugares continuam a ser lugares seguros. Na verdade, a maioria dos lugares são hoje lugares perigosos, de um ponto de vista moral.

De um ponto de vista intelectual, acrescentaria ainda que como o erro e a depravação são a norma na sociedade ocidental moderna, é preciso que façamos o esforço, mesmo se isto custa algum incómodo, de ir à procura de comunidades onde a norma seja a beleza, a oração e a reverência. E é isso precisamente que encontramos na liturgia tradicional.


blogger