sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Palavras duras de Dom Bosco sobre Maomé e o Islão

Na sua conceituada obra ''História Eclesiástica", São João Bosco descreveu o Islão e o seu fundador, Maomé, nos seguintes modos:

Maomé e a sua religião

Nasceu este famoso impostor em Meca, cidade da Arábia, de família pobre, de pai gentio e mãe judia. Em busca de fortuna, encontrou-se com uma viúva negociante em Damasco, que o nomeou seu procurador e mais tarde casou-se com ele. 

Como era epilético soube aproveitar-se desta enfermidade para provar a religião que tinha inventado e afirmava que as suas quedas eram outros tantos êxtases, durante os quais falava com o arcanjo Gabriel. A religião que pregava era uma mistura de paganismo, judaísmo e cristianismo. Ainda que admita um só Deus, não reconhece a Jesus Cristo como filho de Deus, mas como seu profeta.

Como dissesse com jactância que era superior ao divino Salvador, instavam com ele para que fizesse milagres como Jesus fazia; porém ele respondia que não tinha sido suscitado por Deus para fazer milagres, mas para restabelecer a verdadeira religião mediante a força. 

Ditou as suas crenças em árabe e com elas compilou um livro que chamou Alcorão, isto é, livro por excelência; narrou nele o seguinte milagre (ridículo em sumo grau): Disse que tendo caído um pedaço da lua na sua manga, ele soube fazê-la voltar ao seu lugar; por isso os maometanos tomaram por insígnia a meia lua. 

Sendo conhecido por homem perturbador, os seus concidadãos trataram de dar-lhe morte; sabendo disto o astuto Maomé fugiu e retirou-se para Medina com muitos aventureiros que o ajudaram a apoderar-se da cidade. A fuga de Maomé deu-se o nome de Egira, isto é, perseguição; e desde então começou a era muçulmana, correspondente ao ano 622 de nossa era.

O Alcorão está cheio de contradições, repetições e absurdos. Não sabendo Maomé escrever, ajudaram-no na sua obra um judeu e um monge apóstata da Pérsia chamado Sérgio. 

Como o maometismo favorecesse a libertinagem teve prontamente muitos sequazes; e como pouco depois se visse o seu autor à frente de um formidável exército de bandidos, pode com as suas palavras e ainda mais com suas armas introduzi-lo em quase todo o Oriente. 

Maomé depois de ter reinado nove anos tiranicamente, morreu na cidade de Medina no ano 632.

São João Bosco in 'História Eclesiástica'


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Confissão: o grande segredo de D. Bosco

No ano 1855, São João Bosco tinha pregado durante três dias os Exercícios Espirituais aos jovens da "Generala", de Turim, um instituto correcional para os indisciplinados. Tendo-os confessado todos, pediu e obteve depois de muita insistência, do próprio ministro Urbano Rattazzi, a licença para os levar, ao todo 350 rapazes, a um passeio até o parque real de Stupidini, nos arredores de Turim. 

A mais espontânea alegria durou até ao fim da tarde e, na hora de voltar para casa, ninguém deixou de responder à chamada. É impossível descrever a surpresa de todos, que não podiam explicar como é que um pobre Padre sozinho, sem guardas nem soldados, tinha podido manter em ordem e submissos tão grande número de internados. Não sabiam que o grande segredo de D. Bosco era a confissão.

Pe. Luiz Chiavarino in 'Confessai-vos bem'


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quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Obi-Wan Kenobi e o Aborto

Em 1914, Agnes Cuff, uma mulher instável e errática, com poucas perspectivas e pouco dinheiro, ficou grávida. O pai não se quis envolver. Ela estava sozinha, envergonhada, pobre e à espera de bebé. Nos dias de hoje ela seria encorajada a ir a uma clínica abortiva e terminar a gravidez indesejada. Em vez disso nasceu um rapaz.

O actor inglês Alec Guiness, famoso pelo seu papel de Obi-Wan Kenobi em Star Wars foi o único filho de Anges Cuff. No seu certificado de nascimento o seu nome é "Alec Guiness" mas são apenas os primeiros nomes. O espaço para o apelido está em branco, assim como o espaço para o nome do pai.

Nunca se confirmou quem foi o pai de Guiness. Alguns especularam que ele seria membro de uma família Guiness Anglo-Irlandesa. O próprio Alec Guiness pensou que o seu pai teria sido um banqueiro chamado Andrew Geddes.

Alec Guiness converteu-se à fé Católica em 1956 e foi um Católico fiel até ao fim da sua vida. A sua bela história de conversão é contada na autobiografia Blessings in Disguise. Ele fazia de Father Brown - o famoso personagem criado por G.K. Chesterton - e estava a filmar em França. No caminho de casa para o local das filmagens, já vestido de sacerdote, um jovem rapaz correu até ele e agarrou-lhe a mão, conversando animadamente cheio de alegria e despedindo-se com uma querida frase "Au revoir, mon père!". Tocado por esta exibição de confiança infantil, e estupefacto por uma resposta à oração, Alec Guiness encontrou a sua casa em Roma.

Se o aborto fosse fácil e legal em Inglaterra em 1914, o mundo nunca teria experimentado a arte graciosa, esperta e subtil e a testemunha quieta e calma de Alec Guiness... e o Star Wars teria sido um enorme vazio.

Tendo em conta que meio milhão de pessoas jovens se juntaram em Washington DC para a Marcha pela Vida deste ano, devíamos lembrar a grande perda que são para a nossa nação e para o mundo todos os homicídios dos não-nascidos.

Nunca saberemos que outros grandes talentos teriam vivido. Que outros Alec Guinesses haveria? Que avanços na ciência, medicina, tecnologia, negócios, nas artes e desporto teriam havido?

A Marcha pela Vida foi um acontecimento de alegria que celebra a vida, mas também há um aspecto melancólico na Marcha. Pode ser uma Marcha pela Vida, mas também foi uma Marcha de mágoa.

Fr. Dwight Longenecker in patheos.com


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quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Apostolado do Instituto Cristo Rei no Gabão

Há 3 anos, o Instituto Cristo Rei e Sumo Sacerdote começou um apostolado em Pointe Denis, do outro lado da costa em relação a Libreville (capital do Gabão). A liturgia em latim rapidamente se tornou popular entre o povo africano.



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Quem só pertence a Deus apenas se entristece por ter ofendido a Deus

A Deus pertenceis vós sempre nesta vida mortal, servindo-o fielmente no meio dos trabalhos que tiverdes, levando a cruz, acompanhando-o na vida imortal, bendizendo-O eternamente com toda a corte celeste. É o grande bem das nossas almas o estarem com Deus; é o maior bem pertencer só a Deus.

Quem só pertence a Deus apenas se entristece por ter ofendido a Deus e a sua tristeza neste ponto consiste numa profunda, mas tranquila e pacífica, humildade e submissão, depois da qual se eleva para a bondade divina por uma confiança doce e perfeita sem temor nem despeito.

São Francisco de Sales in Pensamentos Consoladores


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terça-feira, 28 de janeiro de 2020

São Pedro Nolasco e os Mercedários

Nascido em Mas-des-Saintes-Puelles, perto de Castelnaudary, França, em 1189 (ou 1182); morreu em Barcelona, ​​no dia de Natal, 1256 (ou 1259). Era de uma família nobre e desde a juventude se destacou pela sua piedade, esmola e caridade. Depois de dar todos os seus bens aos pobres, fez um voto de virgindade e, para evitar o convívio com os albigenses, foi para Barcelona.

Naquela época, os mouros dominavam grande parte da Península Ibérica, e muitos cristãos foram feitos prisioneiros e cruelmente perseguidos por causa da Fé. Pedro resgatou muitos deles e, ao fazê-lo, gastos todo o seu património. 

Após uma deliberação profunda, movido também por uma visão celestial, decidiu fundar uma ordem religiosa (em 1218), semelhante à estabelecida alguns anos antes por São João da Mata e São Félix de Valois, cujo principal objectivo era a libertação de escravos cristãos. 

Nisso foi encorajado por São Raimundo de Peñaforte e Jaime I, Rei de Aragão, que foram favorecidos com a mesma inspiração. O instituto foi chamado Ordem de Nossa Senhora das Mercês para a Redenção dos Cativos e os seus membros ficaram conhecidos por mercedários. A ordem foi solenemente aprovada pelo Papa Gregório IX, em 1230.

Os seus membros foram obrigados por um voto especial a empregar todas as suas forças para a libertação de cristãos cativos e, se necessário, permanecer em cativeiro em seu lugar. A princípio, a maioria desses religiosos era leiga, assim como o próprio Pedro. Mas o Papa Clemente V decretou que o mestre geral da ordem deveria ser sempre um sacerdote.

in traditionalcatholic.net


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Pio XII alertou para a acção do "inimigo" na Sociedade

Não vos per­gun­teis qual é o "inimi­go", nem que roupa veste. Ele encon­tra-se em todas as partes e no meio de todos; sabe ser vio­len­to e des­on­esto. Nos últimos séculos trabalhou pela degradação intelectual, moral e social da unidade no organismo misterioso de Cristo. 

Quis a natureza sem a graça; a razão sem a Fé; a liber­dade sem a autori­dade; por vezes a autoridade sem a liberdade. É um "inimi­go" que se tem tor­nan­do cada vez mais con­cre­to, com uma crueldade que nos deixa atóni­tos: Cristo, sim; Igre­ja não. Depois: Deus sim; Cristo não. Final­mente o gri­to ímpio: Deus está mor­to, Deus nun­ca sequer exis­tiu.

E eis a tentativa de edificar a estrutura mundial sobre fundamentos que não hesitamos em considerar os principais responsáveis pela ameaça que assombra a Humanidade: uma economia sem Deus, um direito sem Deus, uma política sem Deus. 

O "inimigo" faz tudo para que Cristo seja um estranho na Universidade, na escola, na família, na administração da justiça, na actividade legislativa, no consenso entre as nações, lá onde se determina a paz ou a guerra.

Papa Pio XII in 'Dis­cur­so aos home­ns da Acção Católi­ca' (12 de Outubro de 1952)


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segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

Cardeal Burke em Washington ao som do 'Simply the Best'

Curioso vídeo do Cardeal Burke na 'March for Life' a caminhar ao som da música 'Simply the Best', que passava nos altifalantes. 

Vídeo: Elizabeth Westhoff


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Cristo deu a Sua vida por ti e tu continuas a detestar aquele que é um servo como tu?

São João Crisóstomo (c. 345-407) foi Arcebispo de Constantinopla (hoje Istambul). Χρυσόστομος, em grego, significa 'boca d'ouro'. São João ganhou este epíteto devido aos seus magníficos ensinamentos e dotes de retórica. Vale a pena ler esta sua homilia sobre a nosa obrigação de perdoar quem nos ofendeu: 

Cristo deu a Sua vida por ti e tu continuas a detestar aquele que é um servo como tu? Como podes avançar em direcção à mesa da paz? O teu Mestre não hesitou em suportar por ti todos os sofrimentos, e tu recusas-te a renunciar sequer à tua cólera? «Aquele ofendeu-me com gravidade, dizes tu, foi tantas vezes injusto para comigo, chegou mesmo a ameaçar-me de morte!» O que é isto? Ele ainda não te crucificou, como os inimigos do Senhor O crucificaram.

Se não perdoas as ofensas do teu próximo, o teu Pai que está nos céus também não te perdoará as tuas faltas (Mt 6, 15). O que te diz a tua consciência quando pronuncias estas palavras: «Pai Nosso, que estás nos Céus, santificado seja o Vosso nome» e o que se segue? Cristo não fez diferenças: Ele derramou o Seu sangue por aqueles que derramaram o Dele. Serias capaz de fazer algo semelhante? Quando te recusas a perdoar ao teu inimigo, é a ti que causas mal, não a ele ; o que tu preparas é o teu próprio castigo no dia do julgamento.

Escuta o que diz o Senhor: «Quando fores apresentar a tua oferta sobre o altar e ali te recordares de que o teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa a tua oferta diante do altar, vai primeiro reconciliar-te com o teu irmão e depois volta para apresentar a tua oferta». Porque o Filho do homem veio ao mundo para reconciliar a humanidade com o Pai. Como diz São Paulo: «Agora Deus reconciliou consigo todas as coisas» (Col 1, 22); «pela cruz, levando em Si próprio a morte à inimizade» (Ef 2, 16).

São João Crisóstomo in 'Homilia sobre a traição de Judas'


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domingo, 26 de janeiro de 2020

Os Evangelhos são os textos mais fiáveis da Antiguidade

Entre as obras antigas, por ex. a Eneida de Virgílio, escrita pelo poeta Virgílio no séc. I antes de Cristo, a cópia mais antiga que possuímos é do séc. IX, depois de Cristo, ou seja 900 anos depois de ter sido escrito o texto original. 

Dos textos de Platão, filósofo grego que viveu entre os séculos V e IV, antes de Cristo, possuímos apenas cópias medievais, dos séculos X e XI, depois de Cristo. Portanto, cerca de 1400 anos depois de ter sido escrito o texto original.

Dos Evangelhos existem mais de 50 códices dos séculos III, IV e V, leccionários do séc.VIII e uma grande colecção de códices medievais. No total são cerca de 5000 cópias.

Podemos concluir que as cópias que possuímos dos Evangelhos se encontram bastante perto dos textos originais. Isto tanto pela proximidade cronológica como pela quantidade de cópias que existem.

João Silveira


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Timelapse da 'March for Life': 500 mil pessoas contra o aborto



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sábado, 25 de janeiro de 2020

Esta citação converteu muitos protestantes ao catolicismo

Não vos deixeis iludir, meus irmãos. Se alguém seguir a um cismático não herdará o reino de Deus. Se alguém seguir o caminho da heresia não se encontrará de acordo com a Paixão de Cristo. Tende o cuidado de tomar parte numa só Eucaristia. 

Porque uma é a carne de Nosso Senhor Jesus Cristo, um é o cálice do Seu Sangue e um o altar que faz com que sejamos um. Assim como também um é o Bispo, juntamente com o seu presbitério e os diáconos, meus companheiros na servidão. Assim sendo, o que fizerdes estará de acordo com a Vontade de Deus. 

Santo Inácio de Antioquia in 'Carta aos Filadélfios'


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Conversão de São Paulo

'Conversão de São Paulo' - Michelangelo Caravaggio - Santa Maria del Popolo, Roma
"Paulo foi derrubado para ser cegado;
foi cegado para ser mudado;
foi mudado para ser enviado;
foi enviado para que a verdade aparecesse.”
Santo Agostinho


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sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Discurso de Donald Trump na 'March for Life'

Donald Trump tornou-se no primeiro presidente norte-americano a estar presente e discursar na 'March for Life'. Esta marcha reúne milhares de pessoas todos os anos, por esta altura, em Washington, para defenderem a vida humana e o fim do aborto. Ficam aqui algumas passagens do discurso de Trump:

Todos nós aqui entendemos uma verdade eterna: cada criança é um dom precioso e sagrado de Deus. Juntos, devemos proteger, valorizar e defender a dignidade e a santidade de cada vida humana. (...)

Quando vemos a imagem de um bebé no útero, vislumbramos a majestade da criação de Deus. Quando seguramos um recém-nascido nos nossos braços, conhecemos o amor sem fim que cada criança traz a uma família. (...)

Nas Nações Unidas, deixei claro que os burocratas globais não têm como atacar a soberania das nações que protegem as vidas inocentes. Os nascituros nunca tiveram um defensor tão forte na Casa Branca. (...)

Não sabemos o que os nossos cidadãos ainda não nascidos irão conseguir fazer. Os sonhos que terão. As obras-primas que criarão. As descobertas que farão. Mas isto sabemos: cada vida traz amor a este mundo. Cada criança traz alegria a uma família. Cada pessoa é digna de ser protegida. 

E, acima de tudo, sabemos que a alma de cada ser humano é divina e que cada vida humana, nascida ou não nascida, foi feita à imagem de Deus Todo-Poderoso. 


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O juramento papal do Liber Diurnus Romanorum Pontificum

EGO PROMITTO:

Nihil de traditione quod a probatissimis praedecessoribus meis servatum reperi, diminuere vel mutare, aut aliquam novitatem admittere; sed ferventer, ut vere eorum discipulus sequipeda, totia viribis meis conatibusque tradita conservare ac venerari. 

Si qua vero emerserint contra disciplinam canonicam, emendare; sacrosque Canones et Constituta Pontificum nostrorum ut divina et coelestia mandata, custodire, utpote tibi redditurum me sciens de omnibus, quae profiteor, districtam in divino judicio rationem, cuius locum divina dignatione perago, et vicem intercessionibus tuis adjutus impleo. Si praeter haec aliquid agere praesumsero, vel ut praesumatur, permisero, eris mihi, in illa terribili die divini judicii.

Unde et districti anathematis interdictionis subjicimus, si quis unquam, seus nos, sive est alius, qui novum aliquid praesumat contra huiusmodi evangelicam traditionem, et orthodoxae fidei Christianaeque religionis integritatem, vel quidquam contrarium annintendo immutare, sive subtrahere de integritate fidei nostrae tentaverit, vel auso sacrilego hoc praesumentibus consentire.

EU PROMETO:

Não diminuir ou mudar nada daquilo que encontrei conservado pelos meus probatíssimos antecessores e de não admitir qualquer novidade, mas de conservar e de venerar com fervor, como seu verdadeiro discípulo e sucessor, com todas as minhas forças e com todo empenho, tudo aquilo que me foi transmitido.

De emendar tudo quanto esteja em contradição com a disciplina canónica e de guardar os sagrados Cânones e as Constituições Apostólicas dos nossos Pontífices, os quais são mandamentos divinos e celestes, (estando Eu) consciente de que deverei prestar contas diante do (Teu) juízo divino de tudo aquilo que eu professo; Eu que ocupo o teu lugar por divina designação e o exerço como teu Vigário, assistido pela tua intercessão. Se pretendesse agir diversamente, ou de permitir que outros o façam, Tu não me será propício naquele dia tremendo do divino juízo.

Portanto, nós submetemos ao rigoroso interdito do anátema, se porventura qualquer um, ou nós mesmos, ou um outro, tiver a presunção de introduzir qualquer novidade em oposição à Tradição Evangélica, ou à integridade da Fé e da Religião, tentando mudar qualquer coisa concernente à integridade da nossa Fé, ou consentindo a quem quer que seja que pretendesse fazê-lo com ardil sacrílego.

in Liber Diurnus Romanorum Pontificum


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quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Quando a relíquia do milagre de Orvieto foi venerada em São Pedro





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Roe vs. Wade: 47 anos de injustiça

No dia 22 de Janeiro de 1973, há 47 anos, fez-se jurisprudência quando o Supremo Tribunal dos Estados Unidos decidiu que uma mulher tinha direito a abortar apenas e só por sua vontade. O julgamento opôs uma jovem, de seu nome Norma McCorvey, a quem foi dado o pseudónimo Jane Roe, ao Estado do Texas. Norma McCorvey dizia que tinha ficado grávida depois de ter sido violada e exigia o direito a abortar.

O julgamento foi longo e Norma acabou por ter uma filha, que deu para adopção. Depois de vários recursos o Supremo Tribunal decidiu-se pelo direito à privacidade, por conseguinte qualquer mulher poderia abortar sem ter que justificar-se, até à viabilidade do feto, ou seja até conseguir sobreviver fora do ventre materno. Esta decisão alterou todas as leis federais nos Estados Unidos e viria a influenciar a forma como o mundo começou a olhar para o "direito ao aborto".

Em 1987, Norma McConey admitiu que foi persuadida pela sua advogada a dizer que tinha sido violada e que precisava de abortar. Sarah Weddington, a advogada, confirmou que tinha mentido e explicou-se desta forma: "A minha conduta pode não ter sido totalmente ética. Mas eu agi desta forma porque pensei que havia boas razões para o fazer.” Norma McConey percebeu que o aborto implica a morte de uma criança inocente e passou o resto dos seus dias na Terra, até ao dia 18 de Fevereiro de 2017, a lutar contra o aborto.

Nestes 47 anos foram feitos mais de 61 milhões de abortos nos Estados Unidos, o que corresponde mais de 61 milhões de bebés mortos. Tudo com base num julgamento que foi uma mentira. 

João Silveira


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quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

8 dicas para rezar todos os dias

A melhor coisa que podem fazer é decidirem fazer um horário de oração mental para todos os dias. Aqui ficam as dicas, sem nenhuma ordem especial:

1. Encontrem um lugar em casa para rezar. Escolham um espaço vosso.

2. Encontrem um tempo no dia para rezar. Os profetas e os santos normalmente levantavam-se mais cedo para rezar. Ponham o alarme para mais cedo (vão mais cedo para a cama) e acordem para estar com Cristo de manhã.

3. Façam uma espécie de ritual para a manhã que inclua a oração. Eu recomendo que também inclua leitura da Escritura. A Bíblia é como Deus normalmente fala convosco. "Deus nunca me fala," dizem às vezes as pessoas. A minha resposta é, "Estão a ler a Bíblia?" Deus fala convosco na Escritura.

4. Usem o cronómetro do telefone. Comecem com 5 minutos e vão melhorando até aos 30 minutos diários.

5. A oração mental consiste em usar a mente ("mental") para falar com Deus. Contem-lhe tudo. Falem com o coração. Perguntem-Lhe sobre a vossa vida. Façam-Lhe perguntas de teologia. Peçam-Lhe para fazer mais do que esperam. Não tenham medo de fazer pedidos completamente "malucos". 

6. Mantenham o Novo Testamento ou um livro de leitura espiritual por perto. Se a vossa mente perde o caminho e começa a vaguear, usem este livro para ler algumas frases e ganharem novamente a concentração em Cristo ou em pensamentos espirituais.

7. Usem este vosso tempo diário para se encherem de positivismo. As pessoas que eu conheço que rezam 30-60 minutos por dia têm pensamentos muito positivos. Porquê? Porque gastam tempo com Deus e aprendem que todas as coisas são possíveis através de Cristo. A fé e a oração criam confiança e uma atitude de "get it done". As pessoas mais pessimistas (e preguiçosas) são as que não rezam ou não gastam tempo sozinhas em silêncio. "Está sossegado e aprende que Eu sou Deus."

8. Tornem a oração diária a vossa identidade. Repitam: "Eu sou uma pessoa que fala com a Trindade todos os dias. É isso quem eu sou e faço sempre isso." Tornem-se naquilo que são.

Taylor Marshall


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Sacerdote celebra Missa ao lado da sua Avó doente




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terça-feira, 21 de janeiro de 2020

O corajoso martírio e a santa pureza de Santa Inês

Entre as heroínas da Igreja primitiva, que derramaram o sangue em testemunho da fé é Santa Inês aquela a que os Santos Doutores da Igreja tecem os maiores elogios. São Jerónimo, em referência a esta santa, escreve: “Todos os povos são unânimes em louvar Santa Inês, porque vencendo a fraqueza da idade e o tirano, coroou a virgindade com a morte do martírio”. De modo semelhante se exprimem Santo Ambrósio e Santo Agostinho. Com Maria Santíssima e Santa Tecla, Santa Inês é invocada para obter-se a virtude da pureza.

Inês nasceu em Roma, descendente de família nobre. Logo que soube avaliar a excelência da pureza virginal, ofereceu-a a Deus, num santo voto. A riqueza, formosura e nobre origem de Inês fizeram com que diversos jovens, de famílias importantes de Roma a pedissem em casamento. A todos Inês respondia que seu coração já pertencia a um esposo invisível a olhos humanos. Do amor ao ódio é só um passo.

As declarações de amizade e afecto dos pretendentes seguiu-se a denúncia, que arrastou a donzela ao tribunal, para defender-se contra a acusação de ser cristã. A maneira como o juiz a tratou, para conseguir que abandonasse a religião, obedeceu ao programa costumeiro em tais ocasiões: elogios, desculpas, galanteios e promessas. Experimentada a ineficácia destes recursos, entravam em cena, imposições, ameaças, insultos, brutalidades. O juiz fez Inês saborear todos os recursos da força inquisitorial da justiça romana.

Inês não se perturbou. Mesmo quando lhe mostraram os instrumentos de tortura, cujo simples aspecto era bastante para causar espanto ao homem mais forte, Inês olhou-os com indiferença e desprezo. Arrastada com brutalidade ao lugar onde se achavam imagens de deuses e intimada a queimar incenso, a donzela levantou as mãos puríssimas ao céu, para fazer o sinal da cruz. No auge do furor, vendo frustrados todos os esforços e posta ao ridículo sua autoridade, o juiz teve uma inspiração diabólica: mandar a donzela a uma casa de pecado. Inês respondeu-lhe: “Jesus Cristo vela sobre a pureza da sua esposa e não permitirá que lha roubem. Ele é meu defensor e abrigo. Podes derramar o meu sangue. Nunca, porém, conseguirás profanar o meu corpo, que é consagrado a Jesus Cristo”.

A ordem do juiz foi executada e daí a pouco Inês foi levada para o lugar da prostituição. Dos diversos rapazes que lá estavam, só um teve o atrevimento de se aproximar de Inês, com malignos intuitos. Mas, no momento em que ia estender a mão contra ela, caiu por terra, como fulminado por um raio. Os companheiros, tomados por um grande pavor, tiraram o corpo do infeliz e levaram-no para outro lugar. Não estava morto, como todos supuseram no primeiro momento, mas aos olhos faltou-lhes a luz. Inês rezou sobre ele e a cegueira desapareceu.

O juiz, profundamente humilhado com esta inesperada vitória da Santa, deu ordem para que fosse decapitada.

Ao ouvir esta sentença, a alma de Inês encheu-se de júbilo. Maior não podia ser a satisfação e a alegria da jovem noiva, ao ver aproximar-se o dia das núpcias, que o prazer que Inês experimentou, quando ouviu dos lábios do juiz o convite para as núpcias eternas com Jesus Cristo, o seu celeste esposo. O algoz tinha recebido ordem para, antes de executar a sentença de morte, convidar a Inês para prestar obediência à intimação do juiz. Inês rejeitou com firmeza . Ajoelhando-se, inclinou a cabeça, ao que parecia para prestar a Deus a última adoração aqui na terra, quando a espada do algoz lhe deu o golpe de morte. Os presentes, vendo este triste e ao mesmo tempo grandioso espectáculo, soluçavam alto.

Santa Inês completou o martírio a 21 de Janeiro de 304 ou 305. tendo apenas a idade de 13 anos. No tempo do imperador Constantino foi construída em Roma uma igreja dedicada à gloriosa mártir.

Santa Inês é padroeira das Filhas de Maria, por causa da sua pureza Angélica. Os jardineiros também a veneram como padroeira, por ser o modelo perfeito da pureza, como Maria Santíssima, que é chamada “hortus conclusus”, horto fechado. É padroeira dos noivos, por ter-se chamado esposa de Cristo. 

Do nome Inês há duas interpretações, a grega e a latina. Inês em grego é Hagne, isto é, pura; em latim, agna significa cordeirinho. Na Igreja latina prevaleceu esta interpretação. Dois dias depois da sua morte, a mártir apareceu a seus pais, acompanhada de um grupo de virgens, tendo ao seu lado um cordeirinho. 

Santo Agostinho admitia as duas interpretações. “Inês, diz ele, significa em latim um cordeirinho e em grego, a pura”. – No dia da festa desta Santa, na sua igreja em Roma são apresentados e bentos cordeirinhos, de cuja lã são confeccionados os “pálios” dos Arcebispos.

in farfalline


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Arcebispo Viganò aparece em público um ano e meio depois

Em Agosto de 2018, o Arcebispo Carlo Viganò, ex-núncio nos Estados Unidos, escreveu uma carta de 11 páginas na qual descrevia os avisos que havia feito à Santa Sé e ao Papa Francisco sobre os abusos sexuais do Cardeal Theodore McCarrick. Desde aí o Arcebispo passou a viver na clandestinidade, em parte incerta, nunca mais aparecendo em público, por correr risco de vida.

Mas, há uns poucos dias, Carlo Viganò foi visto publicamente numa acção feita de surpresa em Munique (Alemanha) por um grupo de católicos para protestar, rezando o terço, contra as posições heterodoxas do Cardeal Reinhard Marx.

O ex-núncio apareceu disfarçado mas percebe-se que é ele. São visíveis as marcas da perseguição que tem sofrido e deste ano e meio de "cativeiro".


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segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Primeira Missa Solene em Zagreb desde 1969

A Missa Solene em Rito Tradicional Romano voltou a Zagreb, capital da Croácia. Desde a reforma litúrgica do Papa Paulo VI, implantada no final de 1969, que não era celebrada uma Missa Solene naquela cidade. A ouvir a Missa estiveram muitos jovens e jovens família. A média de idades da schola era 20 anos. Sinais dos tempos...











Fotografias e vídeo: Igor Jurić


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A castidade de D. Sebastião, Rei de Portugal

Sua alma cada vez mais se esmaltava de intenções formosas, e seu corpo vestia-se de castidade. Não deixava que nenhuma dama lhe tocasse, e quando passeava a cavalo pela Rua Nova, ou pelas betesgas da velha e mourisca Lisboa, jamais levantava os olhos para as donzelas que chegavam às ventanas ou curiosamente espreitavam por detrás das verdes adufas árabes.

Era que seu espírito, vivendo exclusivamente para o catolicismo e para a guerra, queria servir estas ideias com alma pura e corpo casto. 

Uma manhã, na igreja de São Roque, confessado e comungado, recolheu-se todo em si, cabeça inclinada para o peito, em profunda absorção. Esteve assim muito tempo. Depois, ergueu a fronte, pôs firme os olhos num crucifixo alto e, entre grossas lágrimas, rogou com a alma inteira: 

– Senhor, Vós que a tantos príncipes haveis concedido impérios e monarquias, concedei-me ser vosso capitão!

Eram três as suas orações diárias: – Que Deus o inflamasse no zelo da fé, que ele queria propagar pelo mundo; – que Deus o tornasse um ardido guerreiro; – que Deus o conservasse casto.

Ser casto! Para ele a castidade era uma graça física que o tornava forte, uma fortaleza que o fazia ledo. A castidade dilatava-lhe a alma, amando a todos – ao reino, à grei. Era uma pureza que, vivendo em si, marcava conceito nobre em todos os seus propósitos, lhe punha frescor no olhar e lhe brunia as faces com sorrisos brancos. Ser casto era vestir um arnês de candura.

Antero de Figueiredo in 'D. Sebastião, Rei de Portugal' (Livrarias Aillaud e Bertrand, Lisboa, 1924)


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domingo, 19 de janeiro de 2020

A vida de uma mulher independente do séc. XXI



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O celibato no Antigo Testamento


Deus ordenou a Moisés que consagrasse os israelitas “hoje e amanhã” e os instruísse a lavarem suas vestes, a fim de estarem preparados para ver o Senhor descer no Monte Sinai ao terceiro dia. Moisés consagrou e instruiu o povo como Deus havia ordenado e também disse que eles deveriam se abster de relações sexuais (cf. Ex 19, 10-15).
Por que Deus estabeleceu como condição a abstinência sexual? É evidente que a Bíblia não afirma que haja algo intrinsecamente impuro no acto sexual realizado segundo o plano criador de Deus. Quanto a isso, basta lembrar as passagens mais relevantes dos dois relatos da Criação (cf. Gn 1, 27-28; 2, 21-25), às quais a exaltação bíblica da boa esposa (cf. Pr 31, 10-31) e da fecundidade procriadora (cf. Sl 128, 3-4) serve de comentário. Portanto, a relação sexual legítima entre marido e mulher não os tornaria indignos de estar na presença de Deus, depois de se terem purificado.

Por outro lado, o pedido que Moisés faz ao povo de abster-se de relações sexuais antes do encontro com o Senhor pode ser uma alusão à “vergonha” associada à sexualidade humana desde a Queda (cf. Gn 2, 25 e 3, 7-10). A forte inclinação aos pecados sexuais é, decerto, o principal “calcanhar de Aquiles” do homem caído. Por isso, Moisés exigiu que os israelitas exercitassem a continência sexual como um sacrifício de purificação e consagração, preparando-se assim para o acontecimento profundamente sagrado que seria a manifestação de Deus no Sinai: assim como Deus é santo, também eles devem sê-lo.

Assim, de maneira simbólica, Moisés procurou reconduzir o povo a um apropriado estado de inocência “virginal”, isto é, o que existia antes de os olhos humanos se abrirem à rebelião contra Deus (cf. Gn 3, 7). Além de coerente estima pela fecundidade conjugal, o Antigo Testamento parece sugerir aqui que os israelitas viam na virgindade certa pureza condizente com o sagrado (cf. Lv 21, 13-15; Is 62, 4-5).

Por mais que nos pareça estranho, Israel também tratava as suas batalhas militares como acontecimentos religiosos. Afinal de contas, foi sob o comando de Deus que Israel marchou para tomar posse da terra prometida a Abraão e aos seus descendentes. E era a Deus que Israel devia as suas vitórias militares. De facto, no início da conquista [da terra prometida], os sacerdotes levíticos às vezes levavam a Arca da Aliança — o local da presença tangível de Deus entre os israelitas — para o próprio campo de batalha (cf. Js 6).

Mesmo assim, a vitória dependia da fidelidade do povo ao Senhor (cf. 1Sm 4, 1-11). Portanto, Israel precisava de uma pureza virginal em sua relação com Deus para cumprir sua missão e receber o que Ele havia prometido. Por essa razão, os empreendimentos militares de Israel eram precedidos por um rito de purificação: os soldados tinham de se consagrar ao Senhor e aos seus desígnios.

Temos provas disso, por exemplo, num dos episódios em que David foge de Saul. David foi sozinho ao sacerdote Aimeleque, em Nobe (perto de Jerusalém), alegando ter sido enviado em segredo pelo rei, quando estava, na verdade, à procura de algo que comer. Como Aimeleque só tivesse pão sagrado, ofereceu-o a David, mas sob a condição de que o seu séquito — que David alegou estar à sua espera — evitasse contacto com mulheres. David respondeu que, em campanha, a ele e à sua comitiva era proibido ter contacto com mulheres. Após constatar que estavam aptos para comer, o sacerdote deu o pão a David (cf. 1Sm 21, 1-6).

A mesma purificação consecratória aparece novamente no relato do adultério de David com Betsabé, esposa de Urias, o hitita. Num esforço para ocultar a gravidez, fruto do seu pecado, Davi mandou Urias retirar-se de batalha e tentou por duas vezes induzi-lo a ir para casa e dormir com a esposa. Mas Urias, embora fosse um mercenário, era um soldado leal, que insistia em observar a obrigação religiosa da continência durante a campanha militar de que estava participando. Por isso, Davi elaborou um plano a fim de provocar a morte de Urias no campo de batalha. Depois disso, tomaria Betsabé para si, desfazendo qualquer suspeita quanto à gravidez (cf. 2Sm 11).

Levando em conta o que vimos acima, podemos concluir que, para os homens que participavam numa guerra santa, a observância da continência sexual simbolizava, de um modo físico, o desejo que cada soldado tinha de se entregar plenamente a Deus e aos seus desígnios. Além disso, dadas as inclinações sexuais do homem caído, os soldados com certeza entendiam que a continência sexual realmente os ajudava, de algum modo, nessa consagração especial — mesmo que isso apenas os estimulasse a focar exclusivamente em sua missão designada por Deus e lhes conferisse uma determinação singular para cumprir, em nome do povo, os desígnios de Deus para Israel. 

As suas vitórias militares ajudavam a reforçar o seu próprio senso de identidade — e o do povo — como escolhidos de Deus, ao mesmo tempo que cultivavam a fé no Senhor da sua história. A observância da continência sexual também cultivava entre os próprios soldados um senso de fraternidade e propósito comuns. Urias, o hitita, é um grande exemplo bíblico de solidariedade auto-sacrificial para com os seus companheiros de luta (cf. 2Sm 11, 11).

Em relação à condução da guerra, parece difícil conciliar a consagração a Deus, em período de guerra, a rectidão de intenção e a liderança de Deus na batalha com a aparente inclemência de Deus ao lançar sobre os espólios de guerra — povos, animais e coisas — um “interdito”, isto é, uma “maldição de destruição”. Isso diz respeito à injunção divina que exigia de Israel dar a Deus algumas ou todas as pessoas e coisas capturadas numa batalha, fosse por meio da sua destruição, fosse por meio do seu depósito no santuário (e.g., ouro e prata). A violação do interdito por uma única pessoa era uma ofensa tão grave, que faria a maldição alastrar-se por todo o Israel, que seria considerado culpado de desobedecer a Deus. Assim, Israel infiel seria incapaz de resistir aos seus inimigos. Para remover a maldição imposta ao povo, o responsável pela violação do interdito tinha de ser desmascarado e morto, e os ganhos ilícitos destruídos junto com a família do culpado (cf. Js 6, 17-19; 7, 1-26).

Temos de compreender a brutalidade do interdito em termos daquilo que Israel perderia em troca dos espólios de guerra. Se cobiçasse e retivesse os ídolos de prata e ouro dos povos conquistados, em vez de os queimar e destruir, Israel sucumbiria à ganância e à idolatria. Por isso, Moisés alertou: “Não introduzirás em tua casa coisa alguma abominável, porque serias, como ela, votado ao interdito” (Dt 20, 16-18). O risco que mulheres estrangeiras ofereciam à fé de Israel (cf., e.g., Nm 25) — daí a sua inclusão no interdito — talvez estivesse relacionado à (e enfatizado pela) disciplina da continência sexual durante campanhas militares.

A probabilidade de Israel ceder à cobiça, à luxúria, à idolatria, à hipocrisia e à complacência era tão grande, que estava em jogo nada menos que sua relação de aliança exclusiva com o único Deus verdadeiro. Havia sempre o risco de que Israel perdesse a sua herança na Terra Prometida e perecesse como as outras nações ímpias, a menos que Deus, na sua misericórdia, quisesse redimi-lo (cf., e.g., Dt 4, 23-31; 8, 11-20). O interdito servia para impedir essas ameaças. Foi precisamente por Saul ter desobedecido aos termos do interdito na sua guerra contra os amalequitas, pondo em perigo assim a todo o povo, que Deus tirou dele a realeza e a deu a David (cf. 1Sm 15).

Celibato sacerdotal e batalha espiritual

Como se relaciona o que foi dito acima com a questão do ministério e do celibato sacerdotal sob a Nova Aliança em Cristo? Como nos diz São Paulo, “não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar (…), mas contra as forças espirituais do mal” (Ef 6, 12). Por outras palavras, cada um de nós está envolvido numa guerra de tudo ou nada contra inimigos incomensuravelmente cruéis e implacáveis — i.e., as legiões invisíveis, os anjos caídos, que estão sob o comando de Satanás. Eles querem a todo o custo provocar nossa condenação eterna (incitando-nos a pecar), a fim de que percamos a nossa herança na terra prometida do Reino de Deus.

Guerras humanas, como as que estão registradas no Antigo Testamento, não são apenas símbolos dessa guerra invisível e espiritual: são manifestações visíveis dela. A nossa submissão ao pecado por causa do estímulo realizado pelos espíritos malignos sempre causa algum tipo de divisão, e finalmente a guerra, tão logo nossos pecados tenham atingido um nível crítico, pois pouquíssimos de nós estamos dispostos a nos arrepender, a fazer penitência e a emendar de vida com o auxílio da graça de Deus. Isso significa que a guerra é um sinal claro da revolta generalizada contra Deus.

Portanto, seguindo o exemplo da radical maldição de destruição veterotestamentária, temos de nos dedicar à guerra espiritual “pondo um interdito” em todos e em tudo o que poderia resultar em nossa separação eterna de Deus e das suas promessas. Se não o fizermos, nós mesmos sofreremos a maldição do interdito por meio do pecado. Esse é precisamente o sentido do ensinamento de Cristo segundo o qual deveríamos arrancar o nosso olho ou cortar a nossa mão, se um deles nos levasse a pecar. Antes isso do que ser lançado no inferno para sempre (cf. Mc 9, 43-48). Jesus está a exortar-nos, de forma hiperbólica, a que nos afastar radicalmente do pecado e de tudo o que nos poderia levar a pecar, pois o que está em jogo é nossa salvação eterna. Ao contrário do interdito antigo, no entanto, nós não entregamos a Ele ninguém para que seja destruído, mas apenas na esperança de que seja salvo.

Todas as batalhas físicas descritas no Antigo Testamento foram efémeras, pois Israel tentava obter controle sobre a sua herança terrena. Aos soldados que lutavam para garantir as promessas de Deus (e, nesse sentido, eram mediadores dessas promessas) cabia simbolizar apenas temporariamente, enquanto durasse a batalha, a sua consagração a Deus por meio da observância da continência sexual. A autodisciplina desses homens permitia-lhes voltar sua atenção e energia exclusivamente para o propósito de obter a vitória em nome do Senhor.

Permanecem sempre activos, porém, os mesmos seres espirituais e malévolos que se escondiam nas batalhas de Israel. Actualmente, são muitas as manifestações visíveis de sua actividade rebelde — todas elas focadas na degradação e na destruição da própria vida humana. Para nos dedicarmos à batalha espiritual enquanto tal — isto é, para pegar em armas e lutar contra nossos inimigos poderosos e invisíveis — precisamos de soldados que estejam espiritualmente equipados para liderar o restante de nós nesta batalha violenta e implacável e, portanto, que se consagrarem a Deus de modo permanente, com esse único propósito. A natureza permanente dessa guerra de soma zero requer bispos e sacerdotes fiéis ao celibato, cuja missão indispensável é agir como mediadores da verdade do Evangelho e da salvação, dons sacramentais da graça que Deus Pai nos oferece em, e por, meio de Jesus Cristo, seu Filho eterno. Quando agem in persona Christi capitis, eles intermedeiam para nós nada menos do que a promessa de vida eterna em Cristo.

Como os bispos e os sacerdotes têm a obrigação de lutar pela salvação das almas, a sua dedicação a Deus — e o cumprimento da missão dada por Ele — deve ser exclusiva. Pois o único objetivo dos nossos inimigos invisíveis é frustrar essa missão. Pelo exposto, exige-se do clero católico desapego extraordinário em relação às preocupações terrenas e, portanto, um foco decidido, ao qual se presta a continência sexual permanente do celibato (cf. 1Cor 7, 28.32-33) e para cuja observância Deus jamais deixa de conceder graças.

O Matrimónio e a família requerem um tipo de morte absoluta para si. O ministério sacerdotal requer outro. O mesmo homem não pode morrer simultaneamente das duas formas. Para o sacerdote, é crucial que recaia um “interdito” sobre o Matrimónio. Ele deve desapegar-se de tudo e de todos, excepto de Jesus Cristo, para que não seja tentado a transigir com o inimigo implacável em detrimento das almas. Ao mesmo tempo, a sua fidelidade à vida celibatária serve como um sinal indispensável da vida ressuscitada em Cristo e do poder da graça de Deus.

E a escassez de sacerdotes? Não deveríamos fortalecer as fileiras com homens casados? Concluamos com dois pontos a respeito desta questão.

Sobre o número de vocações

Em primeiro lugar, Deus não precisa de números por si mesmos. Dentre trinta e dois mil homens, Deus fez Gideão escolher apenas trezentos — os mais destemidos e atentos do grupo — para derrotar um exército enorme e muito superior. Isso mostrava com clareza que a vitória era de Deus (cf. Jz 7, 1-23).

Do mesmo modo, Jesus Cristo é a cabeça da Igreja militante. Se necessário, ele pode liderar a Igreja na vitória contra o pecado, a morte e o demónio com um pequeno número de sacerdotes dedicados e consagrados exclusivamente a Ele e à missão que lhes foi confiada. Essa exclusividade implica o celibato.

Quando aceito com alegria, por meio da graça, ainda hoje o celibato sacerdotal significa — e produz verdadeiramente — uma pureza sagrada que conforma e une de modo mais perfeito o sacerdote a Cristo, a quem e em cujo serviço ele é livre para se doar incondicionalmente. Sacerdotes desse tipo formam um poderoso grupo de irmãos. Sempre atentos às artimanhas do demónio, eles combatem sem medo e com eficácia, usando os meios espirituais que Deus lhes deu para defenderem a si mesmos e ao seu povo. Desta forma, pastor e rebanho triunfam juntos sobre os ataques violentos do inimigo infernal.

Em segundo lugar, não faltariam homens respondendo ao chamamento de Deus para se tornarem sacerdotes celibatários dedicados, se a Igreja resgatasse, enfatizasse e treinasse os homens de acordo com a analogia militar esboçada acima (cf. também Ef 6, 13-20). Isso atrairia os homens viris, que são naturalmente inclinados e dispostos, pela graça de Deus, a se sacrificar de modo supremo para defender a Esposa de Cristo. Os nossos melhores sacerdotes vivem segundo essa perspectiva, que é ao mesmo tempo marcial e marital.

Em contrapartida, os “modelos” eclesiais afeminados aos quais somos apresentados actualmente — e.g., a Igreja politicamente correta, a Igreja calada que só escuta, a Igreja que aceita e abençoa o pecado mortal, a Igreja “sinodal” ou feita sob medida — podem facilmente dissuadir muitos homens fiéis e moralmente íntegros de seguir o chamado ao sacerdócio. Embora eles tenham a vocação sacerdotal e estejam dispostos, voluntariamente, a canalizar o seu natural instinto de protecção (ou de paternidade) para combater o bom combate da fé (cf. 1Tm 6, 12), em vez de canalizá-lo para a formação de uma família, é legítima a preocupação que eles manifestam com a possibilidade de serem removidos da batalha e “desarmados” por bispos e sacerdotes infiéis que não têm interesse algum em entrar no combate. O intuito destes, muito ao contrário, é introduzir na Igreja aquilo que Deus interditou irrevogavelmente. Eles conspiram para eviscerar os mandamentos de Deus e a lei natural; para admitir à Sagrada Comunhão católicos divorciados e “recasados”, pecadores impenitentes e não católicos; para reconhecer e abençoar “uniões” sodomitas; para ordenar mulheres; e assim por diante, ad nauseam.

O demónio prospera por meio desses inimigos da cruz: “para quem a própria ignomínia é causa de envaidecimento, e só têm prazer no que é terreno” (Fl 3, 19). Embora preservem a aparência da religião, eles negam o seu poder (cf. 2Tm 3, 5). Parece que o “que domina até este momento é o orgulho, o ódio, a desordem e a cólera” (1Mb 2, 40).

Em vez de se sentirem desencorajados, os homens que se sentem chamados ao sacerdócio — e também todos os soldados cristãos, independentemente do estado de vida — podem inspirar-se na derradeira exortação de Matatias, pai da revolta dos Macabeus: “Sede, pois, agora, meus filhos, os defensores da Lei e dai a vossa vida pela Aliança dos nossos pais (…). Todos os que esperam em Deus não desfalecem” (1Mb 2, 50.61).

Jeffrey Tranzillo in Crisis Magazine
Tradução: FratresInUnum.com


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Quem vai de pecado mortal em pecado mortal

A primeira regra: nas pessoas que vão de pecado mortal em pecado mortal, costuma normalmente o inimigo propor-lhes prazeres aparentes, fazendo imaginar deleitações e prazeres sensuais, para mais os conservar e aumentar no seus vícios e pecados. 

Nas mesmas pessoas o bom espírito usa um modo contrário, ferindo-lhes as consciências com a advertência da recta razão.

Santo Inácio de Loyola in 'Regras para o discernimento dos espíritos' (Exercícios Espirituais)


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sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Cardeal Sarah encontrou-se hoje com Papa Bento por causa do livro sobre celibato

Nos últimos dias o Cardeal Robert Sarah foi humilhado em praça pública com ataques vis e cobardes. Estes ataques, infelizmente, partiram de meios de comunicação e fiéis católicos. Para acabar de vez com qualquer dúvida sobre a sua rectidão no processo do livro sobre o celibato, o Cardeal Sarah deslocou-se ao Mosteiro Mater Ecclesiae, no Vaticano, e encontrou-se pessoalmente com Bento XVI. O Cardeal acabou de anunciar nas redes sociais esse encontro:

Por causa das polémicas incessantes, nauseabundas e mentirosas que não pararam desde o início da semana, relativamente ao livro "Da profundeza dos nossos corações", encontrei esta tarde o Papa Emérito Bento XVI. 

Com o Papa Emérito Bento XVI, pudemos constatar que não há nenhum mal-entendido entre nós. Saí de lá muito feliz, pleno de paz e de coragem por causa dessa bela conversa. Convido-vos a ler e a meditar "Da Profundeza dos nossos corações".


Agradeço calorosamente ao meu editor, Nicolas Diat, assim como à editora Fayard, pelo rigor, integridade, seriedade e profissionalismo dos quais fizeram prova. Boa leitura a todos! 

+Robert Sarah


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