sábado, 30 de junho de 2018

Os 70 anos do Cardeal Burke

O Cardeal Raymond Burke faz hoje 70 anos. Neste dia tivemos a honra de ouvir a Santa Missa na sua capela às 7 da manhã. Depois fomos recebidos pelo Cardeal, que nos garantiu o apoio e entusiasmo em relação ao trabalho desenvolvido pelo nosso blog. Da nossa parte garantimos que poderá contar sempre com as nossas orações.

Os nossos irmãos da Polónia foram mais pró-activos e encomendaram um bolo à medida para comemorar as 70 primaveras do Cardeal Burke.








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sexta-feira, 29 de junho de 2018

Papa Bento XVI recebe os novos Cardeais



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Dia de São Pedro e São Paulo

O dia de hoje é para nós dia sagrado, porque nele celebramos o martírio dos apóstolos São Pedro e São Paulo. Não falamos de mártires desconhecidos. A sua voz ressoou por toda a terra e a sua palavra até aos confins do mundo. Estes mártires deram testemunho do que tinham visto: seguiram a justiça, proclamaram a verdade, morreram pela verdade.

São Pedro é o primeiro dos Apóstolos, ardentemente apaixonado por Cristo, aquele que mereceu ouvir estas palavras: E Eu te digo que tu és Pedro. Antes dissera ele: Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo. E Cristo respondeu-lhe: E Eu te digo que tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja. Sobre esta pedra edificarei Eu a mesma fé de que tu dás testemunho. Sobre a mesma afirmação que tu fizeste: Tu és Cristo, o Filho de Deus vivo, edificarei Eu a minha Igreja. Porque tu és Pedro. «Pedro» vem de «pedra»; não é «pedra» que vem de «Pedro». «Pedro» vem de «pedra», como «cristão» vem de «Cristo».


O Senhor Jesus, antes da sua paixão, escolheu, como sabeis, os discípulos a quem chamou Apóstolos. Entre estes, só Pedro mereceu representar em toda a parte a personalidade da Igreja inteira. Porque sozinho representava a Igreja inteira, mereceu ouvir estas palavras: Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus. Na verdade, quem recebeu estas chaves não foi um único homem, mas a Igreja única. Assim se manifesta a superioridade de Pedro, porque ele representava a universalidade e unidade da Igreja, quando lhe foi dito: Dar-te-ei. Era-lhe atribuído nominalmente o que a todos foi dado. Com efeito, para que saibais que a Igreja recebeu as chaves do reino dos Céus, ouvi o que o Senhor diz noutro lugar a todos os seus Apóstolos: Recebei o Espírito Santo. E logo a seguir: Àqueles a quem perdoardes os pecados ser-lhes-ão perdoados; àqueles a quem os retiverdes ser-lhes-ão retidos.

No mesmo sentido, também depois da ressurreição, o Senhor confiou a Pedro o cuidado de apascentar as suas ovelhas. Na verdade, não foi só ele, entre os discípulos, que recebeu a missão de apascentar as ovelhas do Senhor. Mas, referindo-se Cristo a um só, quis insistir na unidade da Igreja. E dirigiu-se a Pedro, de preferência aos outros, porque entre os Apóstolos, Pedro é o primeiro.

Não estejas triste, ó Apóstolo. Responde uma vez, responde outra vez, responde pela terceira vez. Vença por três vezes a tua profissão de amor, já que três vezes o temor venceu a tua presunção. Tens de soltar por três vezes o que por três vezes ligaste. Solta por amor o que ligaste pelo temor. E assim, uma vez e outra vez e pela terceira vez, o Senhor confiou a Pedro as suas ovelhas.

Num só dia celebramos o martírio dos dois Apóstolos. Na realidade, os dois eram como um só; embora tenham sido martirizados em dias diferentes, deram o mesmo testemunho. Pedro foi à frente; seguiu-o Paulo. Celebramos a festa deste dia para nós consagrado com o sangue dos dois Apóstolos. Amemos e imitemos a sua fé e a sua vida, os seus trabalhos e sofrimentos, o testemunho que deram e a doutrina que pregaram.


Santo Agostinho, Sermão 295


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quinta-feira, 28 de junho de 2018

Sobre a Impureza - Santo Afonso Maria de Ligório

São Tomás diz que, devido a todos os vícios, mais especialmente pelo vício da impureza os homens são lançados para longe de Deus. Além disso, os pecados da impureza em virtude do seu grande número são um mal imenso. 

Um blasfemador nem sempre blasfema, mas só quando está bêbado ou quando é provocado pela ira. O assassino cujo trabalho é matar os outros, em geral não comete mais que oito ou dez homicídios, mas os impuros são culpados de uma torrente incessante de pecados, por pensamentos, por palavras, por olhares, por complacências, e por toques, de modo que, quando vão a confissão eles acham impossível dizer o número de pecados que cometeram contra a pureza.

De acordo com São Gregório, a partir da impureza surgem a cegueira do entendimento, a destruição, o ódio a Deus e o desespero quanto à vida eterna. Santo Agostinho diz que, embora os impuros possam envelhecer o vício da impureza não envelhece neles. Por isso Santo Tomás diz que não há pecado em que o diabo se deleite tanto como neste pecado, porque não há outro pecado a que a natureza se apegue com tanta tenacidade. Ela adere ao vício da impureza tão firmemente que o apetite por prazeres carnais se torna insaciável. Vá agora, e diga que o pecado da impureza não é mais que um pequeno mal. Na hora da morte, você não dirá isso, todos os pecados dessa espécie lhe aparecerão como um monstro do inferno.

São Remigio escreve que, excepto as crianças, o número de adultos que são salvos é pequeno, por causa dos pecados da carne. Em conformidade com essa doutrina, foi revelado a uma santa alma que como o orgulho encheu o inferno de demónios da mesma forma a impureza o enche de homens.

Caríssimos irmãos, continuemos a orar a Deus para nos livrar desse vício, senão perderemos nossas almas. O pecado da impureza traz com ela a cegueira e obstinação. Todos os vícios produzem sombras no entendimento, mas a impureza produz em maior grau do que todos os outros pecados."

Santo Afonso de Ligório in Sermão sobre a Impureza (sermão para o 16º Domingo depois do Pentecostes)


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A Missa é para Deus




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quarta-feira, 27 de junho de 2018

Este vídeo destrói por completo a Ideologia de Género



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A Igreja Católica e a escravatura

Começo com uma citação do grande historiador Fernand Braudel (1902-1985): “O tráfico negreiro não foi uma invenção diabólica da Europa. Foi o Islão, desde muito cedo em contacto com a África Negra através dos países situados entre Níger e Darfur e dos seus centros mercantis da África Oriental, o primeiro a praticar em grande escala o tráfico negreiro (...). O comércio de homens foi um facto geral e conhecido de todas as humanidades primitivas. O Islão, civilização esclavagista por excelência, não inventou, tampouco, nem a escravidão nem o comércio de escravos”(10).

Aqui chegamos à escravidão negra. Muitos séculos ANTES da chegada dos brancos europeus à África, tribos, reinos e impérios negros africanos praticavam largamente a escravatura, exactamente como os berberes (e demais etnias muçulmanas). Os europeus do século XVI tinham verdadeiro pavor de deixar o litoral ou mesmo desembarcar dos seus navios e avançar para longe da costa e capturar escravos. Estes eram trazidos pelos próprios africanos, que tinham grandes mercados espalhados pelo interior do continente, abastecidos por guerras entre as tribos, ou mesmo puro sequestro. Isso pode ser facilmente comprovado, por exemplo, com a descrição do império de Mali feita pelo cronista muçulmano Ibn Batuta (1307-1377), um dos maiores viajantes da Idade Média, e o depoimento de al-Hasan (1483-1554) sobre Tumbuctu, capital do império de Songai. Ademais, havia tribos africanas que praticavam sacrifícios humanos, naturalmente de escravos. Às vezes, para interromper a chuva, mulheres negras (e escravas) eram crucificadas(11).

Entretando, a Igreja Católica condenava, reiteradamente, a escravidão. Há inúmeras bulas papais a respeito: Sicut Dudum (1435) – Eugénio IV manda libertar os escravos das ilhas Canárias; em 1462, Pio II instrui os bispos a pregarem contra o tratamento de escravos negros etíopes, e condena a escravidão como um “crime tremendo”; Paulo III, na bula Sublimus Dei (1537) recorda aos cristãos que os índios são livres por natureza (isto é, ao contrário dos negros, eles não praticavam a escravidão); em 1571 o dominicano Tomás de Mercado declarou desumana e ilícita a escravidão; Gregório XIV (Cum Sicuti, de 1591) e Urbano VIII (Commissum nobis, de 1639) condenaram a escravidão(12).

Paro no século XVII. Há muito mais(13). Mas qual é o resumo da ópera? Devemos estudar o passado, não inventá-lo.

Notas:
10. BRAUDEL, Fernand. Gramática das Civilizações. São Paulo: Martins Fontes, 1989, p. 138.

11. COSTA, Ricardo da. “A expansão árabe na África e os Impérios Negros de Gana, Mali e Songai (sécs. VII-XVI)”.In: NISHIKAWA, Taise Ferreira da Conceição. História Medieval: História II. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009, p. 34-53. 
13. Indico, como um excelente resumo da posição da Igreja, a leitura da Carta Apostólica In Supremo, de 3 de Dezembro de 1839, sobre a condenação da escravidão dos indígenas e do comércio dos negros. Há também uma obra com fontes primárias sobre o tema: BALMES, Jaime. A Igreja Católica em face da escravidão. São Paulo: Centro Brasileiro de Fomento Cultural, 1988.

in ricardocosta.com


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terça-feira, 26 de junho de 2018

17 sinais evidentes de falta de humildade

1. Pensar que o que fazes ou dizes está mais bem feito ou mais bem dito do que o que os outros fazem ou dizem;

2. Querer levar sempre a tua avante;

3. Discutir sem razão ou, quando a tens, insistir com teimosia e de maus modos;

4. Dar a tua opinião sem ta pedirem ou sem a caridade o exigir;

5. Desprezar o ponto de vista dos outros;

6. Não encarar todos os teus dons e qualidades como emprestados;

7. Não reconhecer que és indigno de toda a honra e estima, inclusive da terra que pisas e das coisas que possuis;

8. Citar-te a ti mesmo como exemplo nas conversas;

9. Falar mal de ti mesmo, para fazerem bom juízo de ti ou te contradizerem;

10. Desculpar-te quando te repreendem;

11. Ocultar ao Director Espiritual algumas faltas humilhantes, para que não perca o conceito que faz de ti;

12. Ouvir com complacência quem te louva, ou alegrar-te por terem falado bem de ti;

13. Doer-te que outros sejam mais estimados do que tu;

14. Negar-te a desempenhar ofícios inferiores;

15. Procurar ou desejar singularizar-te;

16. Insinuar na conversa palavras de louvor próprio, ou que dão a entender a tua honradez, o teu engenho ou destreza, o teu prestígio profissional...;

17. Envergonhar-te por careceres de certos bens.

S. Josemaria Escrivá in Sulco, 263


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Peguemos em nossas armas



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segunda-feira, 25 de junho de 2018

A grandeza de sofrer pelo amor de Deus

São Filipe Néri deu o seguinte conselho a uma pessoa que se queixava da sua cruz: "Meu filho, a grandeza do amor que se tem a Deus é medida pela grandeza do desejo de sofrer muito por amor de Deus; quem se impacienta com a cruz, achará uma outra mais pesada"; convém fazer da necessidade uma virtude. Os sofrimentos deste mundo são a melhor escola do desprezo do mundo; quem não se matricular nesta escola, merece dó porque é um infeliz.


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Padre português ordenado por Cardeal Burke em Rito Tradicional

O Cardeal Raymond Burke foi convidado para realizar as ordenações sacerdotais do Instituto Bom Pastor, um instituto de Rito Tradicional pertencente à Ecclesia Dei. Entre os 4 sacerdotes ordenados encontra-se um português. Este é um motivo de grande alegria para a Igreja em Portugal e no Mundo inteiro, louvado seja Deus! Rezemos pelo ministério do Padre António










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domingo, 24 de junho de 2018

Dois jogadores de joelhos para agradecer a Deus no final da partida

Romelu Lukaku, jogador da Bélgica, e Fidel Escobar, jogador do Panamá, protagonizaram um momento único no Mundial de Futebol, quando se ajoelharam simultaneamente em acção de graças no fim do jogo no qual os seus países se defrontaram.


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João nasce quando os dias começam a diminuir e Jesus quando começam a aumentar

«É necessário que Ele cresça e eu diminua» ( Jo 3,30)


O nascimento de João e o de Jesus, e depois a Paixão de cada um, marcaram a diferença entre eles. Com efeito, João nasce quando o dia começa a diminuir; Cristo, quando o dia começa a crescer. A diminuição do dia no caso do primeiro é um símbolo da sua morte violenta; o crescimento do dia no caso do segundo é um símbolo da exaltação da cruz.

O Senhor revela também um sentido secreto desta palavra de João acerca de Jesus Cristo: «É necessário que Ele cresça e eu diminua.» Toda a justiça humana se consumara em João, acerca de quem dizia a Verdade: «Entre os filhos das mulheres, não surgiu nenhum maior do que João Baptista» (Mt 11,11). Nenhum homem teria, pois, podido ultrapassá-lo; mas ele era apenas um homem. Ora, na graça cristã, pede-se-nos que não nos glorifiquemos no homem, «mas se alguém se glorifica que se glorifique no Senhor» (2Cor 10,17): o homem no seu Deus; o servo no seu senhor.


É por este motivo que João exclama: «É necessário que Ele cresça e eu diminua.» Claro que Deus não diminuiu nem aumentou em Si mesmo, mas nos homens; pois à medida que progride o verdadeiro fervor, a graça divina cresce e o poder humano diminui, até que chegue à sua conclusão o reino de Deus, que está em todos os membros de Cristo, e no qual toda a tirania, toda a autoridade, todo o poder estão mortos, e Deus é tudo em todos (Col 3,11).


João, o evangelista, diz: «Ele era a verdadeira luz, que ilumina todo o homem vindo a este mundo» (1,9); por seu lado, João Baptista declara: «Nós recebemos tudo da sua plenitude» (Jo 1,16). Quando a luz, que é em si própria sempre total, cresce em quem por ela é iluminado, esse diminui em si mesmo, à medida que se vai abolindo nele o que estava sem Deus. É que o homem sem Deus nada pode, a não ser pecar, e o seu poder humano diminui quando triunfa a graça divina, destruidora do pecado. 

A fraqueza da criatura cede ao poder do Criador e a vaidade dos nossos afectos egoístas dissolve-se diante do amor universal, enquanto João Baptista nos grita, do fundo da nossa angústia, a misericórdia de Jesus Cristo: «É necessário que Ele cresça e eu diminua.»


Santo Agostinho in Sermão para o nascimento de João Baptista


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sábado, 23 de junho de 2018

Confissões na Peregrinação Paris-Chartres




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O Pastor que escolhe o silêncio em vez de defender a verdade é um mercenário

Faz Cristo comparação entre o pastor e o mercenário, e diz assim: Bonus pastor animam suam dat pro ovibus suis (Jo 10, 11s): O bom pastor defende as suas ovelhas, e dá por elas a vida, se é necessário. Mercenarius autem, et qui non est pastor: Porém o mercenário, e o que não é pastor, que faz? Videt lupum venientem, et lupus rapit, et dispergit oves (Ibid. 12): Quando vê vir o lobo para o rebanho, foge, e deixa-o roubar e comer as ovelhas. – O meu reparo agora, grande reparo, é dizer Cristo que o mercenário não é pastor: Mercenarius autem, et qui non est pastor. – O mercenário, como diz o mesmo nome, é aquele que por seu jornal apascenta as ovelhas. Pois, se o mercenário também apascenta as ovelhas, por que diz Cristo que não é pastor? Porque ainda que as apascenta não as defende: vê vir o lobo e foge. E é tão essencial do pastor o defender as ovelhas, que se as defende é pastor, se as não defende não é pastor: Non est pastor

Como Cristo tinha falado em bom pastor, cuidava eu que havia de fazer a comparação entre bom pastor e mau pastor, e dizer que o bom pastor é aquele que defende as ovelhas, e o mau pastor é aquele que as não defende. Mas o Senhor não fez a comparação entre ser bom ou ser mau, senão entre ser, ou não ser. Diz que o que defende as ovelhas é bom pastor, e não diz que o que as não defende é mau pastor: por quê? Porque o que não defende as ovelhas não é pastor bom nem mau. Um lobo não se pode dizer que é bom homem, nem que é mau homem, porque não é homem. 

Da mesma maneira, o que não defende as ovelhas não se pode dizer que é bom pastor nem mau pastor, porque não é pastor: Non est pastor. E sendo assim que a essência do pastor consiste em defender as ovelhas dos lobos, não seria coisa muito para rir, ou muito para chorar, que os lobos pusessem pleito aos pastores por que lhes defendem as ovelhas? Lá dizem as fábulas que os lobos se quiseram concertar com os rafeiros, mas que citassem aos pastores, se lhes quisessem armar demanda, porque lhes defendiam o rebanho. Isto não o disseram as fábulas: di-lo-ão as nossas histórias.

Mas quando disseram isto dos lobos, também dirão dos pastores que muitos deram as vidas pelas ovelhas: uns afogados das ondas, outros comidos dos bárbaros, outros mortos nos sertões, de puro trabalho e desamparo. Dirão que todos expuseram e sacrificaram as vidas pelos bosques, e pelos desertos entre as serpentes; pelos lagos e pelos rios entre os crocodilos; pelo mar e por toda aquela costa, entre parcéis e baixios os mais arriscados e cegos de todo o Oceano. Finalmente, dirão que foram perseguidos, que foram presos, que foram desterrados, mas não dirão, nem poderão dizer, que faltassem à obrigação de pastores, e que fugissem dos lobos como mercenários: Mercenarius autem fugit. E esta é a razão e obrigação, por que eu falo aqui, e falo tão claramente. 

S. Gregório Magno, comentando estas mesmas palavras: Mercenarius autem fugit, – diz assim: Fugit, quia injustitiam vidit, et tacuit; fugit, quia se sub silentio abscondit: Sabeis – diz o supremo Pastor da Igreja, – quando foge o que não é verdadeiro pastor? Foge quando vê injustiças, e, em vez de bradar contra elas, as cala; foge, quando, devendo sair a público em defesa da verdade, se esconde, e esconde a mesma verdade debaixo do silêncio. – Bem creio que alguns dos que me ouvem teriam por mais modéstia e mais decência que estas verdades e estas injustiças se calassem, e eu o faria facilmente como religioso, sem pedir grandes socorros à paciência; mas, que seria, se eu assim o fizesse? 

Seria ser mercenário, e não pastor: Fugit, quia mercenarius est; seria ser consentidor das mesmas injustiças que vi, e, estando tão longe, não pude atalhar: Fugit, quia injustitiam vidit, et tacuit; seria ser proditor das mesmas ovelhas que Cristo me e entregou, e de que lhe hei de dar conta, não as defendendo, e escondendo-me onde só as posso defender: Fugit, quia se sub silentio abscondit.

Sermão do Padre António Vieira em 1662 na Capela Real


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sexta-feira, 22 de junho de 2018

Papa Francisco diz que a Família apenas pode ser constituída por homem e mulher


Vídeo: Rome Reports
Legendas: Padre Augusto Bezerra


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Mons. Gänswein reza Vésperas Solenes e confere Crisma em Rito Tradicional

Mons. Georg Gänswein, Prefeito da Casa Pontifícia e secretário do Papa Bento XVI rezou as Vésperas Solenes e conferiu o sacramento da Confirmação em Rito Tradicional na Igreja da Santissima Trinità dei Pellegrini, em Roma.














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quinta-feira, 21 de junho de 2018

São João Bosco adverte: Evitar as más conversas a todo o custo!

Quantos jovens estão no inferno por ter dado ouvidos às más conversas! Esta verdade já a inculcava São Paulo, quando dizia que as conversas inconvenientes nem sequer se devem nomear entre cristãos, porque são a ruína dos bons costumes. Fazei de conta que as conversas são como os alimentos: por muito bom que seja um prato é suficiente que sobre ele caia uma só gota de veneno para dar a morte aos que dele comerem. 

O mesmo acontece com a conversação obscena. Uma palavra, um gesto, um gracejo basta para ensinar a malícia a um ou também a muitos meninos, os quais tendo vivido até então como inocentes cordeirinhos, por causa daquelas conversas e maus exemplos perdem a graça de Deus e se tornam infelizes escravos do demónio.

Poderá alguém dizer: Conheço as funestas consequências das más conversas; mas como se há de fazer? Estou numa casa, numa escola, num serviço, numa casa de negócio, num lugar onde se fazem más conversas. Infelizmente, meus caros jovens, sei que há desses casos; por isso vos indico o modo de sairdes dessa dificuldade sem ofender a Deus. Se são pessoas inferiores a vós, corrigi-as com rigor; dado o caso que sejam pessoas a quem não convenha admoestar , fugi, se vos for possível; não podendo, ficai firmes em não tomar parte nem com palavras, nem com os sorrisos e dizei no vosso coração: Meu Jesus, misericórdia.

E se, apesar destas precauções, vos achardes ainda em perigo de ofender a Deus, dar-vos-ei o conselho de Santo Agostinho, que diz: Apprechénde fugam, si vis reférre victóriam. Foge, abandona o lugar, a escola, a oficina, suporta todos os males deste mundo, ante que a morar num lugar ou tratar com pessoas que põem em perigo a salvação da tua alma. Porque diz o Evangelho, melhor é sermos pobres, desprezados, sofrer que nos cortem os pés e as mãos e até que nos arranquem os olhos e ir assim ao Céu, antes que ter tudo o que desejamos no mundo e depois perder-nos eternamente.


Pode às vezes acontecer que algum companheiro vos escarneça e se ria de vós, mas não importa: tempo virá em que o riso e o sarcasmo dos malvados se transmudará em pranto no inferno e o desprezo dos bons se converterá na mais consoladora alegria no Céu. Notai contudo que, permanecendo vós fiéis a Deus, acontecerá que os vossos mesmos detractores será obrigados a prezar a vossa virtude, já não se atreverão a molestar-vos com os seus perversos motejos. 

Onde se achava São Luis Gonzaga, ninguém já se atrevia a proferir palavras menos honestas, e si ele chegava na ocasião em que outros as pronunciavam, diziam logo: Silêncio! Aí vem o Luis. 


D. Bosco in 'O jovem instruído na prática de seus deveres religiosos'


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A boa vida e a boa morte de São Luís Gonzaga

A primeira coisa que aconteceu quando ele se tornou um Jesuíta foi que lhe disseram para dormir mais; disseram-lhe para comer mais. Uma das primeiras cartas que recebi do provincial dizia: "Ouvi dizer que andas a dormir menos do que precisas...dorme seis horas", portanto tenho tentado ser obediente desde então.

Depois de acabar o seu noviciado, Luís foi enviado para Milão. Foi em Milão que, ainda estudante, num dia durante as orações da manhã, ele teve uma revelação de que não iria viver muito e a sua alegria foi imensa. Com alguns artifícios, ninguém sabe como é que ele fez, conseguiu ter o pior quarto da casa. Entrava frequentemente em êxtase nas alturas mais inconvenientes - à mesa, na sala de aula e até mesmo no recreio. As suas meditações, disseram mais tarde os seus contemporâneos, eram quase sempre sobre os atributos de Deus. Por outras palavras, ele meditava na bondade, na sabedoria, na beleza de Deus e, a partir destas meditações dos atributos de Deus, ele ganhava uma alegria extraordinária.

Depois, em 1591, uma praga terrível chegou a Roma durante a qual os Jesuítas, incluindo o Padre Geral, saíram para as ruas para tratar dos feridos pela peste -- a doença é muito infecciosa, o Padre Geral levou os Jesuítas nesta obra de misericórdia. Luís, apesar da sua má saúde, conseguiu ter permissão para ir ajudar. Tomava conta dos doentes, encorajava-os, guiava-os nas suas orações, preparava-os para a morte. Escolhia as tarefas mais servis e menos apetecíveis.

Ele apanhou a doença. Durante a doença pediu o viático; ele achava que estava a morrer, mais tarde confessou que estava muito impaciente à espera da morte. Recuperou desta doença, mas depois ficou arrasado por uma febre que teve durante três meses. Sempre que conseguia levantava-se da cama à noite e rezava de joelhos diante do crucifixo.

Durante a sua doença mortal, o Pe. Berllarmino, um homem já de idade avançada na altura, ficava horas com o seu penitente e Luís pedia-lhe, "é possível ir logo para o Céu sem nennhum purgatório?", 'Sim, dizia Bellarmino, é possível'. "Bem, posso pedir essa graça?" 'Claro que podes.' Por isso ele pediu a graça de ir directamente para o Céu sem passar no purgatório.

Na noite antes de morrer, esteve em êxtase toda a noite. Com os membros da comunidade à sua volta, ele falava com o reitor que estava de pé junto da sua cama, "nós vamos, padre, nós vamos". O reitor disse, 'vamos onde?' "Vamos para o Céu". Por isso o reitor dizia com sentido de humor, "Iam achar que ele ia para Frascati' (essa era, já agora, uma Vila Jesuíta fora de Roma). Mesmo antes de morrer, ele pronunciou as palavras, "nas Vossas mãos" e morreu.

Foi canonizado em 1726 e as suas relíquias, onde eu já rezei muitas vezes, estão na Igreja de Santo Inácio em Roma. Ele escreveu muitas cartas que se guardaram e valem a pena ler. A 'Melhor Vida de Santo Inácio' foi escrita pelo mesmo Pe. Brodrick. Mas a 'Melhor Vida de S. Luís Gonzaga' é do Pe. Martindale. A vida que o Pe. Martindale escreveu de Luís tem imensas partes das suas cartas... dão boas meditações.

Fr. Hardon SJ in therealpresence.org


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terça-feira, 19 de junho de 2018

10 conselhos do Cardeal Burke para sobreviver à crise de confusão na Igreja

O Cardeal Raymond Leo Burke diz que a desorientação e erro entraram na Igreja "de forma diabólica", mas encoraja os católicos a permanecerem firmes na Fé, bem como corajosos e serenos, sabendo que a vitória de Cristo está já garantida.

Sublinhando que os ensinamentos de Cristo não podem mudar, o Cardeal sugeriu estas 10 ideias para ultrapassar a crise na Igreja: 

1 - Estudar o Catecismo com mais atenção e estar preparado para defender os ensinamentos da Igreja;

2 - Lembrar-se dos muitos sinais edificantes de fidelidade a Cristo por parte de muitos e bons fiéis, sacerdotes e bispos;

3 - Recorrer à Santíssima Virgem Maria, imitando a união do seu coração com Jesus;

4 - Invocar com frequência, ao longo do dia, a intercessão de São Miguel Arcanjo, porque existe um envolvimento diabólico na disseminação da confusão, divisão e erro dentro da Igreja;

5 - Rezar a São José diariamente para que proteja a Igreja da "confusão e divisão que são sempre obra de Satanás;

6 - Rezar aos grandes Papas santos que guiaram a Igreja em tempos difíceis;

7 - Rezar pelos Cardeais da Igreja para que tenham grande clareza e coragem;

8 - Estar sereno, sabendo que a nossa confiança está em Cristo, que as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja, e evitar um desespero mundano que se expressa em maneiras agressivas e não caridosas.

9 - Estar pronto para aceitar ser considerado ridículo, a incompreensão, a perseguição, o exílio e até a morte para permanecer unido com Cristo na Igreja, seguindo o exemplo de Santo Atanásio e outros grandes santos.

10 - Preservar o amor ao Papa Francisco, rezando fervorosamente por ele e pedindo a intercessão de São Pedro em seu nome.

Edward Pentin in National Catholic Register


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segunda-feira, 18 de junho de 2018

Missa celebrada pelo Papa Pio XII no Vaticano



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Quando alguém se humilha por causa dos seus defeitos acalma os outros

Quando um homem se humilha por causa dos seus defeitos, acalma os outros facilmente e satisfaz sem custo os que consigo se iravam. Deus protege e liberta o humilde, ama-o e consola-o. 

Inclina-Se para ele e dá-lhe grande graça; e, depois do seu abatimento, eleva-o à glória. Revela os seus segredos ao humilde, arrasta-o e convida-o docemente para Si. E ele, mesmo na confusão, vive em paz, porque se firma em Deus e não no mundo. [...]

Mantém-te tu em paz; e só então poderás pacificar os outros. O homem pacífico é mais útil do que o muito instruído. O apaixonado, porém, converte o bem em mal e acredita facilmente neste. O homem bom e pacífico converte todas as coisas em bem.

Aquele que está verdadeiramente em paz não suspeita mal de ninguém. Mas o que é descontente e inquieto é agitado por várias suspeitas. Nem descansa, nem deixa descansar os outros. Diz muitas vezes o que não devia dizer e omite fazer o que devia.

Preocupa-se com o que os outros têm de fazer, mas desleixa o que lhe compete. Tem, antes de tudo, cuidado contigo, e poderás então zelar pelo teu próximo.

in Imitação de Cristo (Tratado espiritual do século XV), Livro II - Caps. 2 e 3 


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sábado, 16 de junho de 2018

De "gay" a fundador de uma comunidade de vida religiosa

Querida Igreja, vós não me deveis nenhum pedido de desculpas, vós não me deveis nada. Sou eu que vos devo tudo.

Querida Igreja Católica,

Como um ex-homossexual que voltou para vós à procura de Deus, gostaria que soubésseis que não, vós não me deveis nenhum pedido de desculpas. Nunca, em nenhum momento, ao longos dos meus 43 anos levando um estilo de vida homossexual, eu me senti marginalizado pela Igreja. A Igreja nunca me abandonou. Jamais me senti como tivesse sido desamparado. Fui eu que me desamparei a mim mesmo. Nem por uma vez sequer eu me senti rejeitado pela Igreja, como se não tivesse lugar nela. Vossas portas sempre estiveram abertas para mim. Fui eu quem as atravessei e fui embora.

Vós tendes de saber que não houve um só dia, ao longo dos meus 43 anos, em que eu não reconhecesse o quão ofensivo a Deus era o meu comportamento. Olhando para trás, posso dizer honestamente que o obstáculo entre Deus e eu, posto por mim mesmo, constituiu um dos meus maiores sofrimentos. O que me manteve afastado da Igreja foi a minha estupidez e o meu sentimento de culpa. Vós me destes a verdade e eu a rejeitei.

Como isso pôde ter acontecido? Muito simples. Eu usava desculpas. Insistia em que não detinha nenhum autocontrole sobre o meu pecado. Entrei numa mentalidade de que talvez, por acaso, um Deus de Amor estivesse bem com tudo o que eu fazia. Qualquer que fosse a verdadeira razão para isto, achei muito mais fácil ocultar toda a minha culpa no recanto mais escondido da minha consciência. E, então, durante 43 anos, todo aquele pecado e toda aquela culpa permaneceram empoeirados e sem arrependimento algum.

Obrigado por me dar a coragem de proclamar o que me tendes ensinado há tanto tempo. Vós não me deveis nada. Sou eu que vos devo tudo.

Vós não me deveis nenhum pedido de desculpas. Fui eu quem ofendi a Deus, a Sua Igreja e os Seus ensinamentos. Fizestes a vossa parte. Proclamastes a verdade na caridade, mas eu ignorei-a. Eu tenho e assumo a total responsabilidade por meus caminhos pecaminosos. Fui eu quem rejeitei as muitas cruzes que o Senhor me deu. Fui eu quem enfrentei meus demónios. Fui eu quem rejeitei a salvação que vós me oferecestes.

Ao longo de meus 43 anos afastado da Igreja, Deus concedeu-me uma cruz após a outra e eu as rejeitei todas. Foi só em 2008, quando contraí o vírus da SIDA, que se abriram as portas da minha consciência. Foi naquele dia que eu percebi o quanto precisava de vós. Era chegada a hora de eu arrastar os meus pecados empoeirados e atravessar aquela porta que sempre esteve aberta para mim durante tantos anos.

Obrigado por me terdes acolhido de volta. Obrigado por me dar a coragem de proclamar o que me tendes ensinado há tanto tempo. Vós não me deveis nada. Sou eu que vos devo tudo.

Não, a Igreja não deve aos homossexuais um pedido de desculpas. As portas estão abertas. Aceite a verdade na caridade e saiba que Deus sempre o ajudará a carregar a sua cruz. Tome a sua cruz como eu tomei. Deus espera. Não tenha medo. A Igreja não é sua inimiga.

Eu estou velho agora e bastante afectado por problemas de saúde. Mal sou capaz de carregar a minha cruz. Mas eu estou onde quero estar. Perto de Deus, próximo da Sua Igreja e adorando a verdade que eu rejeitei durante tantos anos.

A Igreja deve pedir desculpas, no entanto, pelos seus Padres e Bispos favoráveis à homossexualidade, os quais estão colocando as almas dos homossexuais em grande perigo, por não lhes dar a verdade do Evangelho.

Em Cristo,
Ir. Christopher Sale - Fundador dos Irmãos do Padre Pio

(Via Padre Paulo Ricardo)


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sexta-feira, 15 de junho de 2018

Cardeal Sarah visita um grande amigo antes de morrer

Cardeal Robert Sarah visita o Fr. Vincent-Marie de la Résurrection, Cónego Regular da Mãe de Deus, no seu leito de morte. O religioso sofria de uma doença degenerativa, esclerose múltipla, e o Cardeal tinha com ele uma relação bastante próxima, a ponto de lhe ter dedicado o seu livro "Deus ou nada". 

Os Cónegos Regulares da Mãe de Deus vivem na Abadia de Sainte-Marie de Lagrasse desde 2004, vivem a vida em comum, vida contemplativa e vida apostólica, e celebram exclusivamente a Missa Traditional.


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Nunca se viu um homem jejuar com discernimento e ser assaltado por maus desejos

Tal como os olhos sãos desejam a luz, assim o jejum efectuado com discernimento suscita o desejo da oração. Quando um homem começa a jejuar, deseja comunicar com Deus nos pensamentos do seu espírito. 

Com efeito, o corpo que jejua não suporta dormir toda a noite no seu leito. Quando o jejum sela a boca do homem, este medita em estado de contrição, o seu coração reza, o seu rosto está sério, os maus pensamentos deixam-no; é inimigo das cobiças e das conversas vãs. Nunca se viu um homem jejuar com discernimento e ser assaltado por maus desejos. O jejum feito com discernimento é uma grande casa que protege muito bem… 

Porque o jejum é a ordem que foi dada desde o início à nossa natureza, para não comer o fruto da árvore (Gn 2,17), e é daí que vem aquilo que nos engana… Foi também por aí que o Salvador começou, quando se revelou ao mundo no Jordão. Com efeito, depois do baptismo, o Espírito levou-o ao deserto, onde jejuou quarenta dias e quarenta noites. 

Todos os que partem para o seguir fazem doravante o mesmo: é sobre este fundamento que põem o início do seu combate, porque tal arma foi forjada por Deus… E quando agora o diabo vê essa arma na mão de um homem, este adversário e tirano tem medo. Ele pensa imediatamente na derrota que o Salvador lhe infligiu no deserto, recorda-se e a sua força é quebrada. Consome-se assim que vê a arma que nos deu aquele que nos conduz ao combate. Que arma pode ser mais poderosa e reanimar tanto o coração na sua luta contra os espíritos do mal?

Isaac o Sírio (século VII), monge perto de Mossul in 'Discursos ascéticos', 1.ª série, n.º 85 


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quarta-feira, 13 de junho de 2018

Santo António, a mula e o Santíssimo Sacramento

Disputando Santo António com um herege obstinado sobre a verdade do Sacramento, depois que não valeram razões, Escrituras, nem argumentos contra a sua obstinação, veio a um partido, que todos sabeis: que ele fecharia a sua mula três dias sem lhe dar de comer, que ao cabo deles a traria à presença de Santo António, quando estivesse com a Hóstia nas mãos, e que, se aquele animal assim faminto deixasse de se arremessar ao comer que ele lhe oferecesse, por adorar e reverenciar a Hóstia, ele então creria que estava nela o corpo de Cristo. 

Assim o propôs obstinadamente o herege, e assim o aceitou Santo António, não só sobre todas as leis da razão, senão ainda parece que contra elas. O mistério da Eucaristia distingue-se de todos os outros mistérios que confessamos em ser ele por antonomásia o mistério da Fé. Os brutos distinguem-se dos homens em que os homens governam-se pelo entendimento, e os brutos pelos sentidos. Pois, se o Santíssimo Sacramento é o mistério da fé, como deixa Santo António prova dele no testemunho de um animal que se governa só pelos sentidos? Porque era Santo António. 

Antes de Santo António vir ao mundo, era o Santíssimo Sacramento mistério só da fé, e só podia testemunhar nele entendimento; mas, depois de Santo António vir ao mundo, ficou o Sacramento mistério também dos sentidos, e por isso podiam já os sentidos dar testemunho nele: bem se viu nos mesmos dois sentidos de gostar e ver.


Amanheceu o dia aprazado, veio a mula faminta, e após dela toda a cidade de Tolosa, assim católicos como hereges, para ver o sucesso. Posto o bruto à porta da igreja, aparece Santo António com a Hóstia consagrada nas mãos, e o herege, com os manjares do campo, naturais daquele animal, que tinha prevenidos. Mas, oh! poder da divindade e omnipotência! Por mais que o herege aplicava o comer aos olhos e à boca do bruto, ele, como se fora racional, dobrou os pés, dobrou as mãos, e, metendo entre elas a cabeça, com as orelhas baixas, esteve prostrado e ajoelhado por terra, adorando e reverenciando a seu Criador. 

Vede se dizia eu bem que Santo António é o sal e a luz da mesa do Santíssimo Sacramento, e sal para o sentido do gosto, e luz para o sentido da vista. O herege tentava aquele animal pelo sentido da vista e pelo sentido do gosto: pelo sentido da vista, pondo-lhe o comer diante dos olhos; e pelo sentido do gosto, quase metendo-lhe o comer na boca. Mas aqueles dois sentidos, posto que irracionais, estavam tão suspensos e tão satisfeitos no manjar divino, que tinham presente: o sentido do gosto com tal sabor, e o sentido da vista com tal luz, que nem quis ver com os olhos, nem tocar com a boca, o comer que o herege lhe oferecia. Confessando, porém, a mesma boca e os mesmos olhos, confessando o mesmo sentido de gostar e o mesmo sentido de ver, a verdade e presença real de Cristo no Sacramento. Julgai agora se é já o Sacramento mistério dos sentidos. 

Até agora dizia a Igreja: Praestet fides supplementum sensuum defectui (Supra a fé o que falta aos sentidos) mas, à vista de Santo António, mude o hino, e diga: Praestet sensus supplementum filei defectui (Supram os sentidos o que faltar à fé) porque a fé, que faltou ao herege, a supriram os sentidos do animal. O gosto, saboreado naquele sal: Vos estis sal – a vista, alumiada por aquela luz: Vos estis lux.


Oh! que grande passo este para parar aqui o sermão à vista deste bruto e deste herege! À vista deste herege, que dirá quem tem nome de católico? À vista deste bruto, que dirá quem tem o nome de homem? A reverência do bruto e a irreverência do herege, tudo é confusão nossa. O bruto venera sem conhecer, o herege não venera porque não conhece. Se o bruto venera o Santíssimo Sacramento sem conhecer, eu, que sou homem racional, que conheço, por que tenho tão pouca reverência? Se o here­ge não venera porque não conhece, e porque não crê, eu, que creio, e que conheço, porque tenho tão pouca reverência? 

Ah! Portugal! Ah! Espanha! que por este pecado te castiga Deus. Quem viu os templos dos hereges, e o silêncio e respeito que neles se guarda, pode chorar mais esta miséria. Nos templos dos hereges, ainda que exterior, há reverência, e falta o Sacramento; nos templos de muitos católicos há o Sacramento, e falta a reverência. Vede qual é maior infelicidade! Os dois sentidos que no bruto mos­traram maior reverência são os que em nós mostram maior devassidão. Os olhos, onde está o sentido do ver, a língua, onde está o sentido do gostar, que é o que fazem na presença do Santíssimo Sacramento? Que é o que falam aquelas línguas sacrílegas, quando deveriam venerar aquele Sacramento com a oração e com o silêncio? 

Que é o que olham, e para onde, aqueles olhos inquietos e loucos, quando deveram estar enle­vados naquela Hóstia de amor, ou pregados na terra, de modéstia e de confusão. Que fazeis, ó divino sal, e divina luz do Sacramento? Saboreai como sal estas línguas, alumiai como luz estes depravados olhos. Sarai estas línguas como sal, posto que línguas tão sacrílegas mais mereciam salmouradas; alumiai estes olhos como luz, posto que olhos tão descompostos mais mereciam ser cegos.

Padre António Vieira: Sermão de Santo António - São Luís do Maranhão (1653)

in ad te levavi


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O poderoso Lema de Santo António

A tradição popular diz que Santo António deu uma oração a uma pobre mulher que procurava ajuda contra as tentações do demónio. 

O Papa Sisto V, franciscano, mandou esculpir a oração – também chamada de lema de Santo António – na base do obelisco que mandou erigir na Praça de São Pedro, em Roma.

Este é o original, em latim: 
Ecce Crucem Domini!
Fugite partes adversae!
Vicit Leo de tribu Juda,
Radix David! Alleluia!
 

A tradução para português:   

Eis a cruz do Senhor!
Fugi forças inimigas!
Venceu o Leão da tribo de Judá,
A raiz de David! Aleluia!
 

Esta breve oração tem todo o sabor de um pequeno exorcismo. Também nós podemos usá-la – em latim ou português – para nos ajudar a superar as tentações que se nos apresentam.


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terça-feira, 12 de junho de 2018

Ajoelhar perante o Criador

Um dos milagres mais conhecidos de Santo António de Lisboa foi fazer com que uma mula se ajoelhasse perante o Santíssimo Sacramento. O animal, mesmo depois de estar 3 dias sem comer e enquanto estava sendo aliciado com alimento, prostrou-se diante do seu Criador e ali esteve em gesto de adoração durante bastante tempo.

Se até uma mula se ajoelha perante o Senhor, por que não nós?


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