terça-feira, 31 de outubro de 2017

Halloween: exaltação do horror, do macabro e do demoníaco

Desde há algumas décadas que este mês de Outubro em que nos encontramos se tornou um tempo de frenética preparação da noite de 31 de Outubro para 1 de Novembro, que para muitos já não é mais a noite de Todos-os-Santos, mas tornou-se a noite de Halloween.

Este acontecimento é hoje em dia uma moda, infelizmente comum na nossa cultura cristã, que serve sobretudo para a instrumentalização da internet, da imprensa escrita e de toda a comunicação social, que tende a divulgá-la. As vitrines das pastelarias, decoradas à moda do Halloween; o negócio dos brinquedos, as revistas para crianças, os sítios da internet chamam constantemente a atenção da sociedade para o Halloween; até as escolas são decoradas com fantasmas, cabeças de abóbora e máscaras monstruosas, que constituem uma real exaltação do macabro.

Tendo em vista essa noite, produzem-se fatos de bruxa, de fantasmas, de demónios, de vampiros, de lobisomens, de esqueletos, de monstros sanguinários e nessa noite organizam-se também manifestações deliberada e gravemente ofensivas em relação à nossa fé cristã, como por exemplo o que aconteceu numa grande discoteca de Roma em que na noite de Halloween se exibiu um fantoche que representava um sacerdote, enforcado pelos pés, com a cabeça para baixo.

O objectivo latente desta festa não é apenas comercial, mas é também e sobretudo o de induzir a opinião pública, em particular as crianças, os adolescentes e os jovens, a familiarizar-se com a mentalidade ocultista e da magia, estranha e hostil à cultura cristã (por vezes com a desculpa de aprofundar o conhecimento da cultura celta). E tudo isto enquanto assistimos à tentativa recorrente de eliminar os crucifixos dos locais públicos e, nas proximidades do Natal, também à proibição de montar o Presépio e de apresentar a mensagem espiritual do Natal nas escolas, nas mesmas escolas onde se promove a festa do Halloween, que é a exaltação da realidade espiritual maléfica, isto é de todas as formas que encarnam o mal, a morte, o medo, o macabro, o demoníaco.

Na noite de Halloween também se regista um aumento impressionante das práticas do ocultismo e de todos os rituais do satanismo, dado que aquela noite corresponde, segundo o calendário das bruxas, à vigília do Ano novo satânico, na qual o ritual de iniciação e consagração a Satanás ocorre em moldes perversos e desumanos.

Assim o Halloween, em vez de promover os valores, as atitudes e os comportamentos morais e espirituais que edificam a personalidade das crianças e dos jovens e consequentemente da sociedade de amanhã, propõe desvalores que não constroem mas destroem, que não elevam mas brutalizam o ser humano, feito à imagem e semelhança de Deus e criado para O conhecer, amar e servir.

Por isso são bem-vindas na noite do 31 de Outubro para o 1º de Novembro, as vigílias de oração que acontecem em tantas igrejas, as celebrações da fé cristã com a presença de grupos, cantores ou compositores de musica cristã contemporânea, as procissões com as imagens dos Santos e também as representações teatrais das suas vidas, noites de saudável convívio para as crianças e palestras para as famílias, com jogos inspirados na boa tradição e com jantar para todos, que se vão difundindo um pouco por todo o lado, substituindo-se à aberrante exaltação e celebração do horror proposto pelo Halloween.

Traduzido e adaptado dum texto do Padre Francesco Bamonte, ICMS, exorcista da Diocese de Roma e Presidente da Associação Internacional de Exorcistas


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Lutero foi um defensor da Bíblia?




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segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Católicos foram presos por interromper comemorações dos 500 anos da 'Reforma'

Um grupo de jovens católicos foi detido pela polícia por ter interrompido as comemorações dos 500 anos da 'Reforma' Protestante na Catedral de Bruxelas. Quando o Pastor Protestante iniciou o seu discurso os jovens começaram a rezar o Terço, uma oração "ofensiva" para os protestantes, que desprezam qualquer tipo de culto a Nossa Senhora. Encontrava-se presente o Cardeal de Bruxelas, Jozef De Kesel. Esperemos que mais católicos sigam o exemplo destes bravos rapazes.


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Esta citação converteu muitos protestantes ao catolicismo

Não vos deixeis iludir, meus irmãos. Se alguém seguir a um cismático não herdará o reino de Deus. Se alguém seguir o caminho da heresia não se encontrará de acordo com a Paixão de Cristo. Tende o cuidado de tomar parte numa só Eucaristia. 

Porque uma é a carne de Nosso Senhor Jesus Cristo, um é o cálice do Seu Sangue e um o altar que faz com que sejamos um. Assim como também um é o Bispo, juntamente com o seu presbitério e os diáconos, meus companheiros na servidão. Assim sendo, o que fizerdes estará de acordo com a Vontade de Deus. 

Santo Inácio de Antioquia in 'Carta aos Filadélfios'


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domingo, 29 de outubro de 2017

Seria Lutero um reformador humanista?

O ano de 1517 marcou o início de uma ruptura contínua e profunda, muitas vezes violenta, no Cristianismo. Nesse ano, o sacerdote Agostiniano, e professor de teologia, Martinho Lutero (1483-1546) propôs as suas famosas "Noventa e Cinco Teses" na cidade universitária de Wittenberg. (...)

Apesar de no início ter sido bastante suave, as reivindicações de Lutero tornaram-se cada vez mais ousadas e conflituosas, mudando de problemas relativamente menores sobre práticas locais [a venda de indulgências na Alemanha] para matérias doutrinais sérias. (...) Um protesto local tornou-se inesperadamente o Protestantismo. O Protestantismo quase imediatamente dividiu-se em grupos opostos. As controvérsias Católico-Luteranas rapidamente se somaram às Calvino-Luteranas, e depois a controvérsias dentro do próprio Calvinismo, e assim sucessivamente. As supostas "Guerras de Religião" - muitas vezes motivadas mais por manobras políticas e dinásticas do que por problemas doutrinais - assaltaram a Europa no século e meio seguinte, particularmente a Alemanha, França e Inglaterra. 

O próprio Lutero não era nenhum humanista, apesar de algumas das suas ideias, tais como o ênfase na leitura literal da Bíblia, em oposição às leituras alegóricas favorecidas pelos Católicos, terem algumas semelhanças ao ênfase humanista pelos textos. Mas estas semelhanças são superadas pela sua suspeita pelas ideias e literatura Clássica ('pagã') e o seu desejo de expurgar livros da Bíblia (tal como a Epístola de Tiago) que não batiam certo com as suas ideias pessoais.

Lawrence M. Principe in 'The Scientific Revolution: A Very Short Introduction'. Oxford University Press, 2011


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3 estátuas de Cristo Rei

Cristo Redentor, no morro do Corcovado (Brasil) 
Existem dezenas de imagens de Cristo Rei no mundo, a pedir o dom da paz, mas há três especiais: O Cristo Redentor do Corcovado, no Brasil, o Cristo Rei em Lisboa e o Cristo Rei da cidade de Díli, em Timor Lorosae. Há outros monumentos dedicados a Cristo Rei, alguns tão grandes ou maiores, mas estes são os meus preferidos.

O primeiro, inaugurado em 1931, já foi classificado pela Unesco como uma das sete novas maravilhas do mundo. Ergue-se a 800 metros acima do mar, sobre um penhasco magmático quase vertical, chamado morro do Corcovado. A escultura, de betão revestido com pedra, tem 38 metros de altura. O desenho, da autoria de Carlos Oswald, representa Jesus de braços abertos ao mundo inteiro, dando a impressão de ser, de longe, uma cruz plantada no maciço rochoso. O molde da estátua veio do «atelier» do escultor franco-polaco Paul Landowski.

Cristo Rei, em Almada, na margem Sul do Tejo
O segundo Cristo Rei da minha devoção é o de Almada, uns 215 metros acima do estuário do Tejo. Inspirou-se directamente no modelo brasileiro e no mesmo desejo de paz. Naqueles anos, Portugal ansiava pela paz, de todo o coração. A Igreja portuguesa aguentara a perseguição do último século de monarquia e o anti-clericalismo da Primeira República. Sucediam-se os atentados, os golpes, as revoluções. Lá fora, o comunismo fazia multidões de vítimas na Rússia e nas regiões por ela ocupadas, a perseguição no México produzia milhares de mártires, a Alemanha estava dominada por um regime pagão que preparava a guerra, o marxismo mergulhava a Espanha em guerra civil. 

A Segunda Guerra Mundial atrasou a construção do Cristo Rei, mas a decisão estava tomada. Os bispos portugueses fizeram a promessa pública, em nome de todo o país, de erguer aquela imagem, para (1) pedir perdão a Deus por tantos pecados contra a dignidade humana; (2) agradecer a Deus se Portugal não viesse a sofrer directamente os horrores da Segunda Guerra Mundial; (3) expressar o propósito colectivo de nos portarmos doravante de forma honesta e santa.

O Cristo Rei de Lisboa representa Jesus de braços abertos, como o do Corcovado, mas a escultura é diferente. A imagem brasileira segue o cânone «art déco» da época, de linhas mais geométricas, enquanto a de Lisboa, da autoria do escultor Francisco Franco, é uma obra clássica, temperada de vanguardismo modernista. Francisco Franco só teve tempo de realizar o boceto da escultura, em ponto pequeno; a peça final foi vazada em betão no próprio local, em moldes de gesso ampliados do boceto, e acabada a escopro.

Cristo Rei em Díli, Timor Lorosae
O Cristo Rei de Díli também é enorme – mede 27 metros de altura – e também está situado sobre um grande monte junto ao mar, sobre um pedestal que neste caso é um globo terrestre. A atitude é semelhante à dos monumentos anteriores, mas o artista muçulmano Mochamad Syailillah fez a escultura em cobre. A estátua foi inaugurada pelo então Bispo de Díli D. Ximenes Belo no ano de 1996, ainda durante a ocupação Indonésia, ainda durante o governo de Suharto. Mais uma vez, o Cristo Rei falava de paz. O monumento, oferecido pela Indonésia ao povo de Timor, era um pedido de desculpa implícito pelos cerca de 100.000 timorenses massacrados pouco tempo antes; o gesto do povo de Timor de aceitar das mãos dos ocupantes muçulmanos o seu Cristo Rei monumental significava: já perdoámos.

José Maria André in Correio dos Açores


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sábado, 28 de outubro de 2017

Gregoriano é a referência para a música sacra

"Uma composição religiosa será tanto mais sacra e litúrgica quanto mais se aproxima no andamento, inspiração e sabor da melodia gregoriana, e será tanto menos digna do templo quanto mais se afastar daquele modelo."

São Pio X in Motu Próprio 'Tra le solicitudine - sobre música Sacra'


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Quem foram São Simão e São Judas Tadeu?

Simão, o Zelote

Simão, dito Simão, o Zelote, ou Simão, o Cananeu, natural da Galileia, foi um dos discípulos de Nosso Senhor Jesus Cristo que fazia parte do grupo dos doze Apóstolos, o mais desconhecido deles. É referido como "o Cananeu" no Livro de Mateus e como "o Zelote", no Livro de Lucas e em Atos dos Apóstolos.

A palavra grega Cananeu e a palavra Zelote, derivada do aramaico e significam a mesma coisa: "zeloso".   

Não se sabe ao certo qual teria sido o ministério de Simão posteriormente. Algumas tradições colocam-no como grande auxiliador no estabelecimento do Cristianismo no Egipto, juntamente com os Santos Marcos e Filipe; entretanto, pode ter evangelizado também pelo norte da África, pela Ásia menor e Espanha. Daí pode ter partido com São Judas Tadeu para a Mesopotâmia e Síria, onde se encontrou com outros Apóstolos que por ali evangelizavam. Em seguida, partira para a Pérsia. A sua pregação era bastante parecida com a dos outros quatro Apóstolos que foram para o Oriente, tida por alguns como ascética e judaica, tal como aquelas preservadas na Epístola de Judas.  

Os bizantinos identificam-no com Natanael, de Caná, e com o “mestre-sala” durante as bem conhecidas bodas, quando Jesus transformou a água em vinho. Simão é ainda identificado com o primo do Senhor, irmão de São Tiago Menor, ao qual sucedeu como bispo de Jerusalém, nos anos da destruição da Cidade Santa pelos romanos.  

Os arménios sustentam que ele difundiu o Evangelho na sua região, onde teria sofrido o martírio. Seja como for, o seu campo missionário é deduzido dos lendários Actos de Simão e Judas, segundo os quais os dois apóstolos percorreram juntos as 12 províncias do Império Persa.

Também no Ocidente os dois apóstolos aparecem sempre juntos. Em Veneza é dedicada a ambos a igreja de São Simão Pequeno 

Martírio

Segundo o cronista cristão Hegésipo, Simão encontrou o martírio nos tempos do imperador Trajano, quando contava com, aproximadamente, 120 anos de idade. As versões sobre a sua execução divergem: na cruz ou, segundo outras tradições menos seguras, pela fogueira, na Arménia. Mas a Tradição católica diz que Simão foi martirizado sendo cortado ao meio por um serrote.

Iconografia

O Apóstolo é representado tendo na sua mão direita o livro aberto, que simboliza a evangelização dinâmica. O livro aberto significa que a Palavra de Deus é sempre actual. Na mão esquerda o serrote, ferramenta utilizada para o seu martírio. Com os olhos fitos no livro, recorda o amor a Deus acima de todas as coisas.

São Judas Tadeu, o Apóstolo 

São Judas Tadeu era natural de Canaã da Galileia, Palestina. A sua família era constituída pelo Pai, Alfeu (ou Cléofas) e a Mãe, Maria Cléofas. Eram parentes de Jesus. O pai, Alfeu, era irmão de São José; a mãe, Maria Cléofas, prima-irmã de Maria Santíssima. Portanto, Judas Tadeu era primo-irmão de Jesus. O irmão de Judas Tadeu, Tiago, chamado o Menor, também foi discípulo de Jesus.

A Bíblia trata pouco de Judas Tadeu. Mas aponta uma questão importante: São Judas Tadeu foi escolhido por Jesus para Apóstolo (Mt 10, 4). É citado explicitamente nas Escrituras pelo evangelista João (Jo 14, 22). Na ceia, Judas Tadeu perguntou a Jesus: "Mestre, por que razão hás de manifestar-te só a nós e não ao mundo?" Jesus respondeu afirmando que teriam manifestação dele todos os que guardassem a Sua palavra e permanecessem fiéis ao Seu amor. 

Após ter recebido o dom do Espírito Santo, São Judas Tadeu iniciou a sua pregação na Galileia. Passou para a Samaria e Iduméria e outras populações judaicas. Pelo ano 50, tomou parte no primeiro Concílio, o de Jerusalém. Em seguida, foi evangelizar a Mesopotâmia, Síria, Arménia e Pérsia. Neste país, recebeu a companhia de outro apóstolo, Simão. A pregação e o testemunho de São Judas Tadeu impressionaram os pagãos que se convertiam. Isto provocou a inveja e fúria contra o Apóstolo, que foi trucidado, a golpes de cacetes, lanças e machados. Isso, pelo ano 70.  

São Judas Tadeu foi mártir, quer dizer: mostrou que a sua adesão a Jesus era tal, que testemunhou a Fé com a doação da própria vida.

A brevíssima Carta de São Judas, que está na Bíblia, é uma severa advertência contra os falsos mestres e um convite a manter a pureza da fé. Nos versículos 22-23 propõe pontos fundamentais de um programa de vida cristã: fé, oração, auxílio mútuo, confiança na misericórdia de Jesus Cristo.

A imagem de São Judas tem o livro, que é a Palavra que ele pregou, e a machadinha, com a qual foi morto. Os restos mortais, após terem sido guardados no Oriente Médio e na França, foram definitivamente transferidos para Roma, na Basílica de São Pedro.

in 'Pale Ideas'


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quinta-feira, 26 de outubro de 2017

Riquezas do Catolicismo: Consciência das próprias misérias

Acho que é de Chesterton a frase segundo a qual tornar-se católico é o único meio que o ser humano tem de escapar à condição de ser escravo do seu tempo. Ao converter-se à Igreja Católica todo o fiel coloca-se, imediatamente, sobre os ombros de vinte séculos de humanidade, e adquire uma visão de mundo de um tal alcance que não seria capaz de obter de outra maneira.

Isso tem incontáveis implicações. Uma delas — fundamental, aliás, para qualquer processo de conversão sério — é notar que não existe nenhum pecado que não seja alcançado pela misericórdia de Deus. Nenhuma ofensa, por grande que nos pareça, é capaz de oferecer obstáculo verdadeiro à Graça alcançada por Cristo na Cruz do Calvário; não existe nenhum pecado que não possa ser verdadeiramente remido (e faço um parêntesis: é por isso que rezamos, no Credo, que cremos “na remissão dos pecados”, remissão verdadeira e própria, i.e., extinção, aniquilamento, destruição, desaparecimento. Isto é muito mais forte do que “ficar quite” após o cumprimento de uma pena: a remissão dos pecados é o fim da própria dívida que implicava na pena); não existe, dizia, nenhum pecado que não possa ser perdoado pelo Deus que é Todo-Poderoso exactamente para cancelar o pagamento que, por dívida de justiça, incumbe-nos prestar pelo mal que praticamos.

Não há pecado algum que não possa ser perdoado: esta é uma verdade que nos deve reconfortar. Mas a ela corresponde uma outra verdade, infelizmente menos lembrada mas nem por isso menos verdadeira, e que deveria nos fazer vigilantes e cuidadosos: do mesmo modo que não há pecado que não possa ser perdoado, não há também pecado, por grave que seja, que não possa ser cometido. Ninguém está imune a ofender a Deus! Ao contrário até: se não o fazemos, é porque Ele nos sustenta com a Sua Graça. Se não fosse por Ela, se Ela nos faltasse um instante sequer, pereceríamos verdadeira e miseravelmente, sem que nada pudéssemos fazer.

A tradição da Igreja é rica neste tipo de meditação, desde a advertência paulina (qui se existimat stare videat ne cadat — “quem julga estar de pé cuide para que não caia”, 1Cor 10, 12) até, por exemplo, esta eloquente passagem de S. Luís de Montfort que sempre me pareceu comovente:

«Ah! Quantos cedros do Líbano, quantas estrelas do firmamento não têm-se visto cair miseravelmente e, em pouco tempo, perder toda a sua elevação e claridade! Donde proveio esta estranha mudança? O que faltou não foi a graça, que não falta a ninguém, foi a humildade. Julgaram-se mais fortes e mais capazes do que eram; julgaram que podiam guardar os seus tesouros. Fiaram-se e apoiaram-se em si mesmos. Acharam a sua casa bastante segura e os seus cofres bastante fortes para guardar o precioso tesouro da graça.» Tratado da Verdadeira Devoção, 89

Somos fracos, ainda que não o experimentemos, ainda que as pessoas que nos são próximas não o sejam capazes de perceber. Temos no nosso interior o desejo do infinito, sim, e uma capacidade extraordinária de abertura à graça de Deus; mas temos também, inafastavelmente, o poder de pecar, a capacidade da mesquinharia, a possibilidade da traição vil e covarde, a aptidão para os mais horrendos pecados. Tal consciência é uma riqueza da experiência cristã multissecular, parte do tesouro atemporal que se recebe ao tornar-se católico. (...)

Quantos cedros do Líbano não têm caído por terra…! Que ninguém se julgue bom demais, perfeito demais, evoluído demais, auto-suficiente demais. Não o somos, e a realidade nos grita aos ouvidos, o tempo inteiro, que não o somos. Há sempre espaço para o arrependimento — esta é a grande maravilha da misericórdia de Deus! Mas há também sempre espaço para a queda. O demónio anda à nossa espreita, procurando devorar-nos…! Tomemos cuidado. Vigiemos, que são muitos os melhores que nós que já caíram nas suas suas garras.

Jorge Ferraz in 'Deus lo vult'


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D. Bosco e as vocações sacerdotais

"Conheço bem os jovens; um terço deles tem em si um germe de vocação."
São João Bosco


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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Como o Papa Francisco citou S. Vicente de Lérins a propósito do «progresso» na doutrina e da «nova compreensão da verdade cristã»

No dia 11 de Outubro celebrou-se no Vaticano o 25º aniversário da publicação do Catecismo da Igreja Católica (CIC) numa sessão promovida pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, durante a qual o Papa Francisco fez um discurso, pronunciado em italiano, que naturalmente não passou indiferente a muitos comentadores atentos à vida da Igreja; comentários esses que maioritariamente se ocuparam da questão teológica levantada pela novidade, ao que parece agora introduzida pelo Santo Padre, relativamente ao entendimento da malícia «em si mesma»(sic) da pena de morte.

Neste seu discurso, a pretexto do progresso, por ele referido, na abordagem da pena de morte pelos «últimos Pontífices» e da necessidade de uma eventual revisão do CIC sobre este tema – introduzir nele «um espaço mais adequado e coerente com as finalidades agora expressas» (sic) -, Francisco comenta a questão maior do progresso na doutrina, sem o qual, como disse, «não se pode conservar a doutrina» (sic). Questão esta, aliás, me parece ter sido o verdadeiro núcleo e objectivo final desta alocução.

Sobre a novidade que o Papa agora avança a respeito da moralidade em si da pena de morte já outros comentaram. O que nesse discurso acabou por chamar particularmente a minha atenção foi o modo como o célebre tratado de São Vicente de Lérins, intitulado Commonitorium, é citado. E é só sobre isso que aqui resumo algumas das minhas observações, achadas já depois de ter lido na íntegra este belíssimo texto do monge de Lérins (na actual França) e que ali viveu em meados do século V.

Leiam-se então os dois seguintes excertos onde Francisco, no referido discurso, cita São Vicente de Lérins, os quais aqui transcrevo na versão em português (com sublinhados meus):

1º) “Aliás, como já recordava São Vicente de Lérins, «talvez alguém pergunte: Não haverá progresso algum dos conhecimentos religiosos na Igreja de Cristo? Há, sem dúvida, e muito grande. Com efeito, quem será tão malévolo para com a humanidade e tão inimigo de Deus que pretenda impedir este progresso?» (Commonitorium, 23.1: PL 50, 667). Por isso é necessário reiterar que, por muito grave que possa ter sido o delito cometido, a pena de morte é inadmissível, porque atenta contra a inviolabilidade e dignidade da pessoa.” (sic).

2º) “A Tradição é uma realidade viva; e somente uma visão parcial pode conceber o «depósito da fé» como algo de estático. A Palavra de Deus não pode ser conservada em naftalina, como se se tratasse de uma velha coberta que é preciso proteger da traça! Não. A Palavra de Deus é uma realidade dinâmica, sempre viva, que progride e cresce, porque tende para uma perfeição que os homens não podem deter. Esta lei do progresso – segundo a fórmula feliz de São Vicente de Lérins: «annis consolidetur, dilatetur tempore, sublimetur aetate – fortalece-se com o decorrer dos anos, cresce com o andar dos tempos, desenvolve-se através das idades» (Commonitorium, 23.9: PL 50, 668) – pertence à condição peculiar da verdade revelada, enquanto transmitida pela Igreja, e não significa de modo algum uma mudança de doutrina.” (sic).

Confronte-se agora com os excertos A e B, paralelos da referida versão bilíngue do texto de São Vicente, que transcrevo na sua integridade e onde sublinho de novo e apenas as partes citadas pelo Papa (a numeração é a constante da versão bilingue transcrita), constituindo as partes não-sublinhadas aquelas que o Santo Padre omitiu:

A) Latim e francês e português:

XXIII . 1. Sed forsitan dicit aliquis : 'Nullusne ergo in ecclesia Christi profectus habebitur religionis ?' – Habeatur plane et maximus. Nam quis ille est tam inuidus hominibus, tam exosus Deo, qui istud prohibere conetur ? 2. Sed ita tamen, ut uere profectus sit ille fidei, non permutatio, siquidem ad profectum pertinet ut in semetipsa unaquaeque res amplificetur, ad permutationem uero ut aliquid ex alio in aliud transuertatur.

XXIII . 1. Mais peut-être dira-t-on : 'N'y aura-t-il alors, dans Église du Christ, aucun progrès de la religion ? - Certes, il faut qu'il y en ait un, et considérable ! Qui serait assez ennemi de l'humanité, assez hostile à Dieu, pour essayer de s'y opposer ? 2. Mais cela à condition que ce soit vraiment pour la foi un progrès et non un changement, étant donné que ce qui constitue le progrès c'est que chaque chose soit augmentée en restant elle-même, tandis que le changement, c'est que s'y ajoute quelque chose venue d'ailleurs.

XXIII . 1. Mas talvez alguém pergunte: Não haverá progresso algum dos conhecimentos religiosos na Igreja de Cristo, nenhum progresso na religião? Certamente, é necessário que ele haja e considerável! Quem seria tão inimigo da humanidade, tão hostil a Deus, para tentar opor-se a isso? 2. Mas isso, na condição que seja verdadeiramente um progresso para a fé e não uma mudança, sendo que o que constitui o progresso é que cada coisa/realidade seja aumentada permanecendo ela mesma, enquanto que a mudança é quando se acrescente a ela qualquer coisa vinda de fora. (Tradução do francês-português minha).

B) Latim e francês e português:

XXIII . 9. Ita etiam christianae religionis dogma sequatur has decet profectuum leges, ut annis scilicet consolidetur, dilatetur tempore, sublimetur aetate, incorruptum tamen inlibatumque permaneat et uniuersis partium suarum mensuris cunctisque quasi membris ac sensibus propriis plenum atque perfectum sit, quod nihil praeterea permutationis admittat, nulla proprietatis dispendia, nullam definitionis sustineat uarietatem.

XXIII . 9. Ces lois du progrès doivent normalement s'appliquer également au dogme chrétien ; qu'il soit consolidé par les années, développé par le temps, rendu plus auguste par l'âge, mais qu'il demeure sans corruption et inentamé, qu'il soit complet et parfait dans toutes les dimensions de ses parties et, pour ainsi parler, dans tous les membres et dans tous les sens qui lui sont propres, qu'il n'admette après coup aucune altération, aucune perte de ses caractères spécifiques, aucune variation dans ce qu'il a de défini.

XXIII .9. Estas leis do progresso devem normalmente aplicar-se ao dogma cristão; [de modo] que ele seja consolidado pelos anos, desenvolvido pelo tempo, tornando-se mais augusto/sublime/venerável pela idade, mas que ele permaneça sem corrupção e incontaminado, que ele esteja completo e perfeito em todas as dimensões das suas partes e, por assim dizer, em todos os seus membros e em todos os sentidos que lhe são próprios, que ele não admita demasiadamente tarde, nenhuma alteração, nenhuma perda das suas características específicas, nenhuma variação no que ele tem de definido. (Tradução do francês-português minha).

Diz o Santo Padre que «o desenvolvimento harmónico da doutrina, porém, requer que se abandone tomadas de posição em defesa de argumentos que agora se apresentem decididamente contrários à nova compreensão da verdade cristã» (sic, com sublinhado meu). Mas lendo directamente São Vicente de Lérins não é difícil constatar que o santo monge, admitindo claramente a progressão do dogma no que respeita à inteligência, à ciência e à sabedoria (intellegentia, scientia, sapientia), jamais admite, antes nega peremptoriamente, que no dogma ou na doutrina possa haver novidade no sentido em que esta mesma novidade possa alterar, subtrair, contradizer ou refutar a verdade nem o seu significado.

É muito penoso - para quem deseja e teima, de todo o coração, manter a devida fidelidade e obediência ao legítimo sucessor de Pedro - constatar um facto assim; tanto mais quanto, infelizmente, este modo intelectualmente tão discutível de citar não é inédito na pessoa do Papa Francisco.

Por exemplo, sobre o modo como São Tomás de Aquino é citado e usado na célebre Exortação Apostólica Amoris Laetitia, leia-se a análise de um sacerdote dominicano, diplomado por Oxford, numa sua recente entrevista; ou o modo como na nota 329, referente ao nº 298 da mesma Exortação, o Santo Padre aplica e utiliza, referindo-se aos «divorciados que vivem numa nova união» (sic), um excerto do nº 51 da Gaudium et Spes, sendo que este documento do Concílio Vaticano II está neste ponto a referir-se aos «esposos» (sic), obviamente de matrimónios canonicamente válidos, não sendo esta condição ou estado teologicamente indiferente para o aspecto objecto de análise pelo Papa.

Francisco pede com pertinaz insistência que rezemos por ele. Sim, rezemos implorando ao Altíssimo para que o Santo Padre Francisco seja o primeiro entre todos os cristãos a ajudar-nos na obediência religiosa; assim como a saber obedecer (ob-audire) na Fé devida por todos nós em resposta à sagrada Revelação divina (cf. CIC nn 142-144).

João Duarte Bleck, médico e leigo Católico
25 de Outubro de 2017

Notas de rodapé:
1. Servi-me da versão bilíngue latim-francês disponível em: 

2. Versão em português e outras línguas disponível em:

3. «Crescat igitur oportet et multum uehementerque proficiat tam singulorum quam omnium, tam unius hominis quam totius ecclesiae, aetatum ac saeculorum gradibus, intellegentia, scientia, sapientia, sed in suo dumtaxat genere, in eodem scilicet dogmate, eodem sensu eadem que sententia (Cf. 1 Co 1, 10).
« Donc, que croissent et que progressent largement l'intelligence, la science, la sagesse, tant celle des individus que celle de la collectivité, tant celle d'un seul homme que celle de l'Église tout entière, selon les âges et selon les générations ! — mais à condition que ce soit exactement selon leur nature particulière, c'est-à-dire dans le même dogme, dans le même sens, et dans la même pensée.» (Commonitorium, XXIII, 3, sublinhado meu).
«Portanto, que cresçam e que progridam largamente a inteligência, a ciência, a sabedoria, tanto a dos indivíduos como a da colectividade, tanto a de um só homem como a da Igreja inteira, segundo as idades e segundo as gerações! – mas na condição que isso seja exactamente segundo a sua natureza particular, isto é, no mesmo dogma, no mesmo sentido e no mesmo pensamento.» (Tradução do francês-português minha).
Recomendo aos que sabem francês a leitura, através do site atrás referido, de todo o capítulo XXIII do tratado de São Vicente de Lérins, sobre o progresso do dogma e as suas condições.

4. Ver a entrevista do padre dominicano Thomas Crean O.P., em:


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CNN desmascara involuntariamente a Ideologia de Género

A CNN lançou há 2 dias esta campanha a nível mundial. O propósito era ridicularizar as "fake news". Mas na realidade o vídeo acabou por ridicularizar a Ideologia de Género e todas as aberrações ideológicas defendidas pela grande maioria dos meios de comunicação social e pelo 'politicamente correcto'. Tiro no pé, CNN!


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terça-feira, 24 de outubro de 2017

Urge recuperar esta devoção ao Santíssimo Sacramento

Dois fiéis ajoelham imediatamente na lama quando passa o sacerdote com o Santíssimo Sacramento (provavelmente para dar a Sagrada Comunhão a uma pessoa doente).


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Começa hoje a Novena pelas Almas do Purgatório

Orações iniciais para todos os dias da novena:

Acto de Contrição

Senhor Jesus Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem, Criador e Redentor meu, em quem firmemente creio e espero e a Quem amo mais que a mim mesmo, mais do que todas as coisas; pesa-me, Senhor, de todo o meu coração por vos ter ofendido. Por serdes Vós quem sois tão bom, santo, amável e adorável; pesa-me também, porque com os meus pecados tenho merecido as penas do Purgatório, e, quem sabe, se também os tormentos eternos do Inferno. Proponho, ajudado com a Vossa graça, nunca mais pecar, fugir de todas as ocasiões de ofender-Vos, confessar-me, corrigir e emendar os meus erros e perseverar até à morte na Vossa amizade. Peço-vos, meu Deus, esta graça, pelo amor que tendes às benditas Almas do Purgatório, pelos méritos da Vossa paixão e pelas dores da Vossa aflictíssima Mãe. Ámen.

Oração inicial

Ó Pai Eterno, amoroso e misericordioso, que impelido pela Vossa infinita misericórdia, tanto amastes o Mundo, a ponto de lhe dardes o vosso Filho Unigénito, para que aqueles que n’Ele crerem não pereçam, mas vivam eternamente. Permitireis acaso, ó Senhor, que sofram ainda por muito tempo no Purgatório essas Almas queridas, filhas Vossas e esposas de Jesus Cristo, que as comprou com o preço infinito do Seu Sangue? Tende piedade dessas aflitas prisioneiras e livrai-as das suas penas e tormentos. Tende também compaixão da minha pobre Alma, livrando-a do abismo do pecado. E se a Vossa justiça, não satisfeita ainda, exige maior reparação pelas faltas que cometeram, ofereço-vos os actos de virtudes que praticar durante esta novena. Nada, ou muito pouco, valem todos eles, é verdade; mas eu vo-los ofereço unidos aos merecimentos de Jesus Cristo, às dores de Sua Mãe Santíssima e às virtudes heróicas de todas as Almas justas que até hoje têm vivido no Mundo. Compadecei-vos dos vivos e dos defuntos e concedei-nos a todos a graça de cantarmos um dia no Céu os triunfos da Vossa misericórdia. Ámen.

Meditar o dia da novena e depois fazer as orações finais.

Primeiro dia

Consideração: São muitas as penas que sofrem as benditas Almas do Purgatório; mas a maior de todas é o pensamento de que foram elas próprias a causa dos seus sofrimentos pelos pecados que cometeram em vida.

Oração:
Ó Jesus, Salvador meu! Eu, que tantas vezes tenho merecido o Inferno, que pena não experimentaria agora, se me visse condenado, ao pensar que eu próprio fora a causa da minha condenação? Dou-Vos infinitas graças pela paciência que tendes tido em me suportar.
Amo-vos, meu Deus, sobre todas as coisas, porque sois a Bondade Infinita; arrependo-me de todo o meu coração de vos ter ofendido e antes quero morrer, do que tornar a ofender-vos. Concedei-me a graça da perseverança; tende piedade de mim e das benditas Almas que sofrem no ardente fogo do Purgatório.
E Vós, Maria, Mãe de Deus, socorrei-as com as vossas poderosas súplicas. Ámen.

5 Pai-Nossos e 5 Avé-Marias pelas Almas que mais sofrem.

Obséquio: Formar a generosa resolução de rezar todos os dias da novena em sufrágio das benditas Almas.

Fazer as orações finais (ver mais abaixo)

Segundo dia

Consideração: A pena que em segundo lugar atormenta excessivamente as benditas Almas é a recordação do tempo que perderam durante a sua vida, durante o qual teriam podido adquirir maiores méritos para o Céu; e a lembrança de que esta perda é para sempre irreparável, pois que com a vida termina o tempo de merecer.

Oração:
Infeliz de mim, Senhor! Que, por espaço de tanto anos, tenho vivido sobre a Terra, durante os quais só tenho merecido os castigos do Inferno.
Dou-vos infinitas graças por me concederdes ainda tempo para remediar o mal que tenho feito. Arrependo-me, meu Deus, de vos ter ofendido, a Vós que sois infinitamente bom. Auxiliai-me para que, daqui até ao fim da minha vida, empregue todos os momentos unicamente em servir-vos e amar-vos. Tende piedade de mim e dessas Almas benditas que sofrem no Purgatório.
E Vós, Maria, Mãe de Deus, socorrei-as com as vossas poderosas súplicas. Ámen.

5 Pai-Nossos e 5 Avé-Marias pelas Almas que mais sofrem.

Obséquio: Assistir pela manhã, e sempre que se possa, ao Santo Sacrifício da Missa, em sufrágio das Almas do Purgatório.

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Terceiro dia

Consideração: Outra pena das maiores, que afligem as benditas Almas do Purgatório, é a consideração dos pecados que estão expiados. Na vida presente não se conhece bem a fealdade dos pecados, mas compreende-se claramente na outra, e esta é uma das mais vivas dores que sofrem as Almas no Purgatório.

Oração:
Ó meu Deus! Amo-vos sobre todas as coisas porque sois a Bondade Infinita; pesa-me de todo o meu coração de vos ter ofendido; antes quero morrer que tornar a ofender-vos; concedei-me a graça da santa perseverança; tende piedade de mim e das Almas santas que estão ainda a purificar-se naquele fogo abrasador.
E Vós, Maria, Mãe de Deus, socorrei-as com vossas poderosas súplicas, e rogai também por nós, que estamos ainda em perigo de nos condenarmos. Ámen.

5 Pai-Nossos e 5 Avé-Marias pelas Almas que mais sofrem.

Obséquio: Pela manhã procuraremos sofrer com paciência os trabalhos que Deus nos enviar e as ofensas do nosso próximo, em sufrágio das benditas Almas.

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Quarto dia

Consideração: Uma outra pena que muito aflige no Purgatório as Almas, esposas de Jesus Cristo, é o pensamento de que, durante a vida, desgostaram com suas culpas aquele Deus a quem tanto amam. Têm-se visto penitentes morrer de dor, ao meditar que ofenderam um Deus tão bom. Muito melhor que nós, conhecem as Almas do Purgatório quão amável é Deus, e por conseguinte amam-No com todas as forças do seu coração, e, ao meditar que o desgostaram nesta vida, experimentam uma dor superior a qualquer outra.

Oração:
Ó meu Deus! Porque sois a infinita bondade, arrependo-me de todo o meu coração de vos ter ofendido, antes quero morrer do que tornar a ofender-vos. Concedei-me a graça da santa perseverança; tende piedade de mim e daquelas santas Almas que sofrem ainda no fogo do Purgatório e que vos amam de todo o seu coração.
E Vós, Maria, Mãe de Deus, socorrei-as com vossas poderosas súplicas. Ámen.

5 Pai-Nossos e 5 Ave-Marias pelas Almas que mais sofrem.

Obséquio: Formemos o propósito de beijar pela manhã três vezes a terra, em sufrágio das benditas Almas, e em satisfação das palavras altivas que dissermos; e, se quisermos humilhar-nos mais, poderemos fazer com a língua uma pequena Cruz no chão.

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Quinto dia

Consideração: Outra pena que tortura horrivelmente as benditas Almas do Purgatório é o terem de sofrer os ardores de um fogo abrasador sem saber quando terão fim os seus tormentos. É verdade que têm certeza de ver-se um dia livres deles; mas é um tormento gravíssimo para elas a incerteza do tempo em que hão de acabar.

Oração:
Ó Senhor! Que grande desgraça seria a minha, se me tivésseis precipitado no Inferno, nesse lugar de tormentos donde com certeza nunca mais tornaria a sair! Amo-vos sobre todas as coisas, Bondade Infinita, e arrependo-me de vos ter ofendido; antes quero morrer que tornar a ofender-vos.
Concedei-me a graça por intermédio das santas Almas que estão ainda a acabar de purificar-se no fogo do Purgatório.
E Vós, Maria, Mãe de Deus, socorrei-as com vossas poderosas súplicas. Ámen.

5 Pai-Nossos e 5 Avé-Marias pelas Almas que mais sofrem.

Obséquio: Não comer nada fora das horas costumadas, ou fazer alguma mortificação corporal em sufrágio das Almas do Purgatório.

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Sexto dia

Consideração: Quanto maior é a consolação que as benditas Almas do Purgatório sentem, proporcionada pela recordação da Paixão de Jesus Cristo, por cujos méritos se salvaram, e do Santíssimo Sacramento do Altar, que tantas graças lhes dispensou e dispensa ainda, por meio de Missas e comunhões por elas aplicadas, tanto mais as atormenta o pensamento de não terem correspondido durante a vida a estes dois grandes benefícios do amor de Jesus Cristo.

Oração:
Ó meu Senhor Jesus Cristo! Vós morrestes também por mim e tendes vos dado muitas vezes a mim na Sagrada Comunhão; e eu sempre vos tenho correspondido com negra ingratidão; mas agora amo-vos sobre todas as coisas meu sumo Bem. Arrependo-me de todo o coração de vos ter ofendido e prefiro antes a morte que tornar a ofender-vos. Concedei-me a graça da santa perseverança e tende piedade de mim e das Almas que ainda sofrem no Purgatório.
E Vós, Maria, Mãe de Deus, socorrei-as com vossas poderosas súplicas. Ámen.

5 Pai-Nossos e 5 Avé-Marias pelas Almas que mais sofrem.

Obséquio: Aplicar em sufrágio das Almas do Purgatório uma indulgência parcial que se pode lucrar por cada vez que se disser devotamente: “Jesus, Maria e José, eu vos dou meu coração e minha alma”.

Fazer as orações finais (ver mais abaixo)

Sétimo dia

Consideração: Aumenta também o sofrimento das benditas Almas do Purgatório a lembrança dos benefícios particulares que receberam de Deus, como o ter nascido em país católico, ter recebido o Batismo e haver Deus esperado que fizessem penitência de seus pecados para conseguirem o perdão dos mesmos; porque todos estes favores lhes fazem conhecer agora melhor a ingratidão com que corresponderam a Deus.

Oração:
Ó meu Deus! Quem tem sido, mais ingrato do que eu? Vós tendes me esperado com tanta paciência, tendes-me tantas vezes e com tanto amor perdoado os meus crimes, e eu, depois de tantas promessas, tenho voltado a ofender-vos novamente. Oh! Não me precipiteis no Inferno. Ó Bondade Infinita! Arrependo-me sinceramente de vos ter ofendido e antes quero morrer, do que tornar a ofender-vos. Concedei-me a graça da santa perseverança e compadecei-vos de mim e das Almas que gemem ainda no fogo do Purgatório.
E Vós, Maria, Mãe de Deus, socorrei-as com vossas poderosas súplicas. Ámen.

5 Pai-Nossos e 5 Avé-Marias pelas Almas que mais sofrem.

Obséquio: Dar uma esmola em sufrágio das Almas do Purgatório.

Fazer as orações finais (ver mais abaixo)

Oitavo dia

Consideração: Outra pena que muito tortura as benditas Almas do Purgatório, é o pensamento de que, durante a sua vida, Deus usou para com elas de muitas misericórdias especiais que não dispensou a muitas outras; e a lembrança também de que com os seus pecados O obrigaram muitas vezes a retirar-lhes a sua amizade e a condená-las ao Inferno, posto que depois lhes haja concedido o perdão e a graça da salvação.

Oração:
Senhor, eu sou um desses ingratos que, depois de ter recebido de Vós tantas graças, tenho desprezado o vosso amor e vos obriguei a condenar-me ao Inferno. Mas agora, ó Bondade Infinita, prometo que vos amarei sempre sobre todas as coisas; arrependo-me, de toda a minha Alma, de vos ter ofendido e antes quero morrer, que tornar a ofender-vos. Concedei-me a graça da santa perseverança, e tende piedade de mim e das Almas do Purgatório.
E Vós, Maria, Mãe de Deus, socorrei-as com vossas poderosas súplicas. Ámen.

5 Pai-Nossos e 5 Ave-Marias pelas Almas que mais sofrem.

Obséquio: O maior sufrágio que de nós reclama as benditas Almas, e o mais importante para nós e agradável a Deus, é fazermos por elas uma boa confissão, não calando pecado algum, e com verdadeira dor e arrependimento.

Fazer as orações finais (ver mais abaixo)

Nono dia

Consideração: São grandes todas as penas que sofrem as Almas no Purgatório; o fogo, o tédio, a escuridão, a incerteza do tempo em que hão de ver-se livres de todos estes tormentos; mas a maior de todas é o verem-se separadas do seu divino Esposo e privadas dos prazeres da sua companhia.

Oração:
Ó meu Deus! Como tenho eu podido viver tantos anos longe de Vós e privado de vossa graça? Ó Bondade Infinita, amo-vos sobre todas as coisas; arrependo-me, de todo o meu coração, de vos ter ofendido e antes quero morrer do que tornar a ofender-vos. Concedei-me a graça da santa perseverança, e não permitais que torne a cair outra vez no vosso desagrado. Peço-vos que tenhais compaixão das santas Almas do Purgatório, as alivieis nos seus tormentos e abrevieis o tempo do seu desterro, admitindo-as o mais depressa possível à graça de vos amarem para sempre no Céu.
E Vós, Maria, Mãe de Deus, socorrei-as com vossas poderosas súplicas, e rogai também por nós, que estamos ainda em perigo de nos condenarmos. Ámen.

5 Pai-Nossos e 5 Avé-Marias pelas Almas que mais sofrem.

Obséquio: Formemos uma firme resolução de oferecer todas as nossas obras satisfatórias em sufrágio das necessitadas Almas do Purgatório.

Orações finais

Encomendamos agora a Jesus Cristo e à sua Santíssima Mãe todas as Almas do Purgatório e, em especial, as dos nossos parentes, benfeitores, amigos e inimigos e, sobretudo, as daqueles por quem temos obrigação de pedir. 

Súplicas a Nosso Senhor Jesus Cristo, para que, pelas dores da sua Paixão, Se compadeça das Almas do Purgatório:

Ó dulcíssimo Jesus, pelo suor de sangue que derramastes no Horto de Getsémani, tende piedade das Almas do Purgatório.
Ó dulcíssimo Jesus, pelas dores da Vossa crudelíssima flagelação, tende piedade das Almas do Purgatório.
Ó dulcíssimo Jesus, pelas dores da Vossa coroação de espinhos, tende piedade das Almas do Purgatório.
Ó dulcíssimo Jesus, pelas dores que sofrestes levando a Cruz, tende piedade das Almas do Purgatório.
Ó dulcíssimo Jesus, pela imensa dor que sofrestes ao separar-se a Vossa Alma do Vosso sacratíssimo Corpo, tende piedade das Almas do Purgatório.

Encomendemo-nos a todas as Almas do Purgatório, dizendo:

Ó Almas benditas, já que pedimos a Deus por vós, que tão amadas sois do Senhor, e tendes a certeza de nunca mais O perder, pedi-lhe por nós também, que estamos ainda em perigo de condenar-nos e perder a Deus para sempre. Ámen.

V. Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso.
R. Entre os esplendores da luz perpétua.
V. Descansem em paz.
R. Ámen.
V. Senhor, ouvi a minha súplica.
R. E eleve-se até Vós o meu clamor.

Oremos
Ó Deus, Criador e Redentor de todos os homens, concedei às Almas de vossos servos e servas (e, em especial, à Alma de [nome]…) a remissão de todos os seus pecados, a fim de que, por nossas humildes súplicas, obtenham da Vossa misericórdia o perdão que sempre desejaram. Vós, que viveis e reinais pelos séculos dos séculos. Ámen.


Oração às benditas Almas, livres do Purgatório pelos nossos sufrágios (Para o último dia da novena)

Ó felizes e bem-aventuradas Almas, que tivestes a graça de entrar na pátria celestial! Felicitamo-vos com toda a efusão do nosso coração e em nome de toda a Igreja vos damos mil felicitações. Alegramo-nos convosco; unimos nossa alegria à dos Santos e Bem-aventurados; juntamos nossos louvores aos que vós rendeis ao Criador por tão imenso favor. Sim, Almas ditosas, regozijai-vos. 

Já não há para vós tristezas nem angústias; acabaram-se já os perigos e as tentações. Agora tendes a paz, a felicidade, a alegria, o gozo, a consolação e o eterno descanso dos bem-aventurados. Que glória pra vós se com os nossos sufrágios antecipamos a vossa eterna felicidade! Triunfai, pois, reinai e gozai do Céu, mas não esqueçais de nós, que ainda combatemos sobre a Terra; olhai-nos com compaixão, porque estamos rodeados de numerosos e terríveis inimigos. 

Já que sois tão poderosas perante Deus, rogai pelos vossos devotos, para que sejamos fiéis e constantes no serviço de Deus e possamos também louvá-Lo e bendizê-Lo um dia convosco eternamente na glória celeste. Ámen.

Santo Afonso Maria de Ligório


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