domingo, 30 de abril de 2017

Como viver desde já a vida eterna


Esta vida eterna começada[1] constitui todo um organismo espiritual, que deve desenvolver-se até à nossa entrada no céu. A graça santificante, recebida na essência da alma, é o princípio radical deste organismo imperecível, que deveria durar para sempre, se o pecado mortal, que é uma desordem radical, não viesse por vezes destruí-la. (Cfr. ST, I-II, Q109, A3 e A4) Da graça santificante, semente da glória, derivam as virtudes infusas, primeiramente as virtudes teologais, a maior das quais, a caridade, deve, como a graça santificante, durar para sempre. "A caridade nunca passará, - diz S. Paulo -, (...) agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a caridade, mas a maior das três é a caridade" (I Cor 13, 8-13). Ela durará para sempre, eternamente, quando a fé tiver desaparecido para dar lugar à visão e quando à esperança suceder a possessão inadmissível de Deus claramente conhecido.


O organismo espiritual completa-se pelas virtudes morais infusas que se referem aos meios, enquanto as virtudes teologais se voltam para o fim último. São estas outras tantas funções admiravelmente subordinadas, infinitamente superiores àquelas do nosso organismo corporal. Elas chamam-se: prudência cristã, justiça, fortaleza, temperança, humildade, mansidão, paciência, magnanimidade, etc.

Finalmente, para remediar a imperfeição destas virtudes, que sob a direcção da fé obscura e da prudência conservam ainda um modo demasiado humano de agir, há os sete dons do Espírito Santo, que habita em nós. São como velas de um barco e dispõem-nos a receber dócil e prontamente o sopro do alto, as inspirações especiais de Deus, que nos permitem agir de uma maneira já não humana, mas divina, com o entusiasmo necessário para percorrer o caminho de Deus e não recuar diante dos obstáculos.

Todas estas virtudes infusas e estes dons crescem com a graça santificante e a caridade, diz S. Tomás (ST, I-II, Q66, A2), assim como os cinco dedos da mão se desenvolvem conjuntamente, como todos os órgãos do nosso corpo aumentam ao mesmo tempo. Assim sendo, não é possível conceber que uma alma tenha alta caridade sem ter o dom da sabedoria em grau proporcional, quer sob forma nitidamente contemplativa, quer sob uma forma prática mais directamente ordenada para a acção. A sabedoria de um S. Vicente de Paulo não é absolutamente semelhante à de um S. Agostinho, mas ambas são infusas.


Adaptado de: Pe. Reginald Garrigou-Lagrange, OP, in As Três Vias e as Três Conversões, Cap. I

Notas:

1. O autor explica mais atrás que a "vida eterna começada" consiste na crença em Deus com fé viva, unida à caridade, ao amor a Deus e ao próximo. Numa vida sobrenatural idêntica, em germe, à vida eterna: "A graça não é senão um certo começo da glória em nós." (ST, II-II, Q24, A3; I-II, Q69, A2; De Veritate 14, A2)
Explica que esta é necessária para o progresso espiritual: "Gratia est semem gloriae." A diferença para a vida sobrenatural do céu é uma só: aqui na terra conhecemos a Deus (sobrenatural e infalivelmente) pela obscuridade da fé e não na clareza da visão. Esta vida é dada pelo baptismo e nutrida pela Eucaristia e é superior a qualquer milagre, é supra-humana e até supra-angélica.
Dizia Bossuet: "A vida eterna começada consiste em conhecer a Deus pela fé (unida à caridade), e a vida eterna consumada consiste em ver a Deus face a face desveladamente. Jesus Cristo nos dá uma e outra, porque no-la mereceu e porque Ele é o seu princípio em todos os membros que anima." (Méditations sur L'Évangile, IIa P, 37º dia, em João 17, 3)
Tal como diz a liturgia no prefácio da Missa Pro Defunctis: "para os vossos fiéis, Senhor, a vida não é tirada mas mudada e transfigurada".


blogger

Explicação teológica da Missa em Rito Antigo



blogger

sábado, 29 de abril de 2017

Santa Catarina de Sena recebeu de Jesus a coroa de espinhos

Enquanto Santa Catarina tratava os doentes foi visitada por Jesus que lhe ofereceu duas coroas: Uma de jóias e outra de espinhos. Perguntou-lhe, então: "Usarás a coroa de espinhos enquanto vives aqui na Terra e receberás a coroa de pedras preciosas na eternidade; ou usarás as jóias aqui na Terra e como tal usarás a coroa de espinhos daí em diante?" 

Catarina agarrou imediatamente a coroa de espinhos pressionando-a contra a sua cabeça. Tal como quando recebeu os estigmas, as marcas eram invisíveis durante a sua vida mas Catarina podia sempre senti-las na sua pele.


blogger

Bombeiro usou ambulância para obrigar uma mulher a abortar o seu filho

Um Bombeiro de Pernes (freguesia do Concelho de Santarém e local de passagem para peregrinos a caminho de Fátima) usou a ambulância de serviço de modo a trazer uma "amiga" africana, que ele engravidou, para abortar em Lisboa na Clínica dos Arcos; e fê-lo sem dar hipótese à muher de poder ser ela a decidir.

O caso aconteceu na última Quarta-Feira, dia 26 de Abril de 2017, entre as 11h e as 13h. O indivíduo estacionou uma ambulância dos Bombeiros de Pernes em cima da passadeira de peões, em frente à Clínica dos Arcos em Lisboa, onde são feitos cerca de 30% dos abortos em Portugal. O condutor estava fardado como bombeiro e estava acompanhado duma senhora africana.  Dirigiram-se os dois para a porta da Clínica dos Arcos. 

Foram abordados por missionários pró-vida da 'Missão Mãos Erguidas' e a senhora disse que estava grávida e mostrou interesse em falar com eles, mas o Bombeiro (que reconhece ser o pai da criança) interfere na conversa e tenta por todos os meios forçá-la a entrar na Clínica para fazer o aborto, embora fosse nítido que aquela senhora procurasse soluções alternativas.

É evidente que este Bombeiro usou a ambulância da instituição onde ele trabalha para fins próprios, e não para os fins para que servem os bombeiros e que são pagos para isso com os nossos impostos. 

O Bombeiro voltou pouco depois cá para fora e, perante a evidência chocante da situação, foi agressivo e ameaçador para com os missionários pró-vida que lá estavam. O pior ainda é a coação psicológica e física que ele aparenta fazer para com aquela mulher, impondo-lhe o aborto quer ela queira quer não.

Esperemos que ainda tenha sido a consulta prévia ao aborto e que aquela Mãe seja ajudada a ter o filho, como pareceu ser a sua vontade.

Aguardemos que a Direção dos Bombeiros de Pernes se pronuncie em relação a este caso escandaloso.

Paulo Freire Moreira


blogger

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Quem são os Apóstolos dos Últimos Tempos? Responde S. Luís Maria Grignion de Montfort

56. Mas quem serão esses servidores, esses escravos e filhos de Maria?


Serão verdadeiros Apóstolos dos últimos tempos, e o Senhor das virtudes lhes dará a palavra e a força para fazer maravilhas e alcançar vitórias gloriosas sobre seus inimigos; dormirão sem ouro nem prata, e, o que é melhor, sem preocupações, no meio de outros padres, eclesiásticos e clérigos, “inter médios cleros” (Sl 67,14) e, no entanto, possuirão as asas prateadas da pomba, para voar, com a pura intenção da glória de Deus e da Salvação das almas, aonde os chamar o Espírito Santo, deixando após si, nos lugares em que pregarem, o ouro da caridade que é o cumprimento da lei (Rm 13, 10).

Sabemos, enfim, que serão verdadeiros discípulos de Jesus Cristo, andando nas pegadas de sua pobreza e humildade, do desprezo do mundo e caridade, ensinando o caminho estreito de Deus na pura verdade, conforme o santo Evangelho, e não pelas máximas do mundo, sem se preocupar nem fazer acepção de pessoa alguma, sem poupar, escutar ou temer nenhum mortal, por poderoso que seja. Terão na boca a espada de dois gumes da palavra de Deus; e em seus ombros ostentarão o estandarte ensanguentado da cruz, na direita, o crucifixo, na esquerda o rosário, no coração os nomes sagrados de Jesus e Maria, e, em toda a sua conduta, a modéstia e a mortificação de Jesus Cristo.

Eis os grandes homens que hão de vir, suscitados por Maria, em obediência às ordens do Altíssimo, para que o seu império se estenda sobre o império dos ímpios, dos idólatras, e dos maometanos. Quando e como acontecerá? Só Deus o sabe!...Quanto a nós, cumpre calar-nos, orar, suspirar e esperar: Expectans exspectavi (Sl 39,2)



blogger

Padre Pio e a Missa




blogger

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Irmã Lúcia explica a eficácia do Terço


Repare, Senhor Padre, que a Santíssima Virgem, nestes últimos tempos em que vivemos, deu uma nova eficácia à recitação do Rosário. 

E deu-nos esta eficácia de tal maneira que não há problema temporal ou espiritual, por mais difícil que seja, na vida pessoal de cada um de nós, das nossas famílias, das famílias do mundo ou das comunidades religiosas, ou mesmo da vida dos povos e nações, que não possa ser resolvido pelo Rosário. 

Não há problema, afirmo-lhe, por mais difícil que seja, que não possamos resolver rezando o Rosário. Com o Rosário, salvar-nos-emos. Santificar-nos-emos. Consolaremos a Nosso Senhor e obteremos a salvação de muitas almas.

Irmã Lúcia, em entrevista ao Padre Fuentes, 1957


blogger

Profissão de Fé de S. Pedro Canísio SJ contra a heresia protestante

S. Pedro Canísio foi um sacerdote jesuíta holandês, nascido no ano 1521. Foi um forte combatente contra a revolução protestante, especialmente na Alemanha, Áustria e Suiça. O seu trabalho foi especialmente importante na Alemanha, onde se diz que a Fé católica permaneceu graças a este santo. Foi declarado Doutor da Igreja em 1925, pelo Papa Pio XI. A partir de 1571 passou a incluir esta profissão de fé em todos os seus livros:

Professo diante de Vós a minha fé, Pai e Senhor do Céu e da terra, meu Criador e Redentor, minha força e minha salvação, que desde os meus mais tenros anos não cessastes de nutrir-me com o pão sagrado da vossa Palavra e de confortar o meu coração.

A fim de que eu não vagasse, errando como as ovelhas transviadas que não têm pastor, Vós me congregastes no seio de vossa Igreja; colhido, me educastes; educado, continuastes a me ensinar com a voz daqueles Pastores nos quais Vós quereis ser ouvido e obedecido como em pessoa pelos vossos fiéis.

Confesso em alta voz, para a minha salvação, tudo aquilo que os católicos sempre acreditaram de bom direito nos seus corações.; não quero ter nada em comum com eles, porque não falam nem ouvem rectamente, nem possuem a única regra da verdadeira Fé proposta pela Igreja Una, Santa, Católica, Apostólica e Romana.

Uno-me, em vez disso, na comunhão, abraço a fé, sigo a religião e aprovo a doutrina daqueles que ouvem e seguem a Cristo, não apenas quando ensinada nas Escrituras, mas também quando julgada pela boca dos Concílios Ecuménicos e definida pela boca da Cátedra de Pedro, testemunhando-a com a autoridade dos Padres.

Professo-me também filho daquela Igreja Romana que os ímpios blasfemos desprezam, perseguem e abominam como se fosse anticristã; não me afasto de nenhum ponto da sua autoridade, nem me recuso a dar a vida e derramar o meu sangue em sua defesa, e creio que os méritos de Cristo podem obter a minha salvação e a de outros somente na unidade desta mesma Igreja.

Confesso essa Fé e doutrina que aprendi ainda criança, confirmei na juventude, ensinei como adulto, e que agora, com a minha débil força, defendo. Professo francamente, com São Jerónimo, ser uno com quem é uno à Cátedra de Pedro, e protesto, com Santo Ambrósio, seguir em todas as coisas a Igreja Romana que reconheço respeitosamente, com São Cipriano, como raiz e mãe da Igreja universal.

Ao fazer esta profissão, não me move outro motivo senão a glória e honra de Deus, a consciência da verdade, a autoridade das Sagradas Escrituras, o sentimento e o consenso dos Padres da Igreja, o testemunho de fé que devo dar aos meus irmãos e, finalmente, a salvação eterna que espero no Céu e a felicidade prometida aos verdadeiros fiéis.

Se acontecer de eu vir a ser desprezado, maltratado e perseguido por causa desta minha profissão, considerá-lo-ei uma graça e um favor extraordinários, porque isso significará que Vós, meu Deus, me destes a ocasião de sofrer pela justiça e não quereis que me sejam benevolentes aqueles que, como inimigos declarados da Igreja e da verdade católica, não podem ser vossos amigos.

No entanto, perdoai-os, Senhor, porque, instigados pelo diabo e cegados pelo brilho de uma falsa doutrina, não sabem o que fazem, ou não querem saber.

Concedei-me, contudo, esta graça: de que na vida e na morte eu renda sempre um testemunho autêntico da sinceridade e fidelidade que devo a Vós, à Igreja e à verdade, que não me afaste jamais do vosso santo amor, e que esteja em comunhão com aqueles que Vos temem e guardam os vossos preceitos na Santa Igreja Romana, a cujo juízo, com ânimo pronto e respeitoso, eu me submeto e toda a minha obra.

Todos os santos, triunfantes no Céu ou militantes na terra, que estais indissoluvelmente unidos no vínculo da paz na Igreja Católica, mostrai a vossa imensa bondade e rezai por mim.

Vós sois o princípio e o fim de todos os meus bens; a Vós sejam dados, em tudo e por tudo, louvor, honra e glória sempiterna. Ámen.

PF


blogger

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Escolheu a Sagrada Comunhão para última refeição antes de ser executado

Ledell Lee, recluso no Estado do Arkansas (Estados Unidos da América), foi executado no passado dia 20 de Abril. Lee foi condenado à pena de morte em 1993, depois de ter assassinado uma vizinha com extrema violência. 

Podendo escolher o que queria comer na sua última refeição, antes de ser executado, o condenado escolheu receber "apenas" a Sagrada Comunhão. 

Rezemos para que esta decisão tenha sido um sinal de verdadeiro arrependimento pelos seus crimes e de verdadeira comunhão com Deus que o criou e morreu por ele na Cruz.


blogger

Como morreram os Apóstolos e onde estão sepultados?




blogger

terça-feira, 25 de abril de 2017

Palavras de Jesus sobre o casamento em São Marcos

1 Saindo dali, foi para a região da Judeia, para além do Jordão. As multidões agruparam-se outra vez à volta dele, e outra vez as ensinava, como era seu costume.
2 Aproximaram-se uns fariseus e perguntaram-lhe, para o experimentar, se era lícito ao marido divorciar-se da mulher.
3 Ele respondeu-lhes: «Que vos ordenou Moisés?»
4 Disseram: «Moisés mandou escrever um documento de repúdio e divorciar-se dela.»
5 Jesus retorquiu: «Devido à dureza do vosso coração é que ele vos deixou esse preceito.
6 Mas, desde o princípio da criação, Deus fê-los homem e mulher.

7 Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe para se unir à sua mulher,
8 e serão os dois um só. Portanto, já não são dois, mas um só. 
9 Pois bem, o que Deus uniu não o separe o homem.»
10 De regresso a casa, de novo os discípulos o interrogaram acerca disto.
11 Jesus disse: «Quem se divorciar da sua mulher e casar com outra, comete adultério contra a primeira.

12 E se a mulher se divorciar do seu marido e casar com outro, comete adultério
1 Et inde exsurgens venit in fines Iudaeae ultra Iorda nem; et conveniunt iterum turbae ad eum, et, sicut consueverat, iterum docebat illos.

2 Et accedentes pharisaei interrogabant eum, si licet viro uxorem dimittere, tentantes eum.

3 At ille respondens dixit eis: “ Quid vobis praecepit Moyses? ”.
4 Qui dixerunt: “ Moyses permisit libellum repudii scribere et dimittere ”.
5 Iesus autem ait eis: “ Ad duritiam cordis vestri scripsit vobis praeceptum istud.
6 Ab initio autem creaturae masculum et feminam fecit eos.

7 Propter hoc relinquet homo patrem suum et matrem et adhaerebit ad uxorern suam,
8 et erunt duo in carne una; itaque iam non sunt duo sed una caro.
9 Quod ergo Deus coniunxit, homo non separet ”.

10 Et domo iterum discipuli de hoc interrogabant eum.
11 Et dicit illis: “Quicumque dimiserit uxorem suam et aliam duxerit, adulterium committit in eam;

12 et si ipsa dimiserit virum suum et alii nupserit, moechatur”.

Evangelho segundo S. Marcos 10, 1-12

Tradução Portuguesa: Difusora Bíblica
Latim: Nova Vulgata


blogger

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Bispo Robert Morlino pede que todos recebam a comunhão de joelhos e na boca

O Bispo da diocese de Madison (Estados Unidos da América), pediu que todos os fiéis comecem, já desde o próximo Outono, a receber a comunhão de joelhos e na boca.

"Peço que comecemos a ter uma maior reverência ao receber a Sagrada Comunhão. Peço que se sintam encorajados a receber a Comunhão na boca e de joelhos."

O Bispo Morlino relembrou as recentes declarações do Cardeal Robert Sarah nas quais o Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos alertava para a falta de reverência nas Missas de hoje em dia: 

"É preciso reconhecer que a grave e profunda crise que atingiu a liturgia e a própria Igreja desde o Concílio se deve ao facto de que o seu centro já não é Deus e a adoração a Ele prestada, mas sim os homens e a sua suposta capacidade de 'fazer' algo para se manter ocupado durante as celebrações eucarísticas."

O Prelado americano defende que a comunhão de joelhos e na boca demonstra uma maior reverência e ajuda a aumentar a fé na Presença Real de Nosso Senhor na Eucaristia.

Um dos maiores defensor desta forma de comungar é o Bispo Athanasius Schneider, que escreveu um livro sobre esse tema: 'Dominus Est'.


blogger

Será racional acreditar sem ver?

São Tomé duvidou que Jesus tivesse ressuscitado e aparecido aos apóstolos. Quando Jesus voltou a aparecer, desta vez estando presente Tomé, repreende a sua falta de fé: "Porque me viste, acreditaste. Felizes os que crêem sem terem visto".

Muitos prosélitos do anti-cristianismo, citam habitualmente esta frase como prova que o 'Jesus dos evangelhos' pede que os homens abdiquem da sua racionalidade, e do seu sentido crítico. Neste caso, Tomé é visto como o verdadeiro homem racional, já que exige ver para acreditar.

Mas pensando um bocado melhor sobre este caso, lembramo-nos que, sendo Tomé um dos 12 apóstolos, tinha seguido Jesus, e testemunhado muitos dos episódios presentes nos evangelhos. O próprio Jesus profetizou o Seu próprio "destino" e disse por várias vezes que o Messias teria que morrer e ressuscitar. Por muito que os apóstolos não percebessem o que Ele estava para ali a dizer, alguma coisa deste estranho discurso deve ter ficado na memória.

Por outro lado, Jesus ressuscitado aparece aos apóstolos todos, com a excepção de Tomé que andava a passear. Eles contam-lhe o que aconteceu. Os seus amigos, os seus melhores amigos, com quem passou a parte mais importante da sua vida, com quem partilhava tudo, asseguram-lhe que estiveram com o Mestre ressuscitado, mas Tomé exige ver para crer.

Esta exigência é racional? Não, muito pelo contrário. A razão é abertura à realidade na totalidade dos seus factores, e Tomé, assim como tanta gente, quer reduzir a razão à verificação na primeira pessoa, quer estreitar a razão conforme as suas exigências. Neste caso, assim como em tantos, não é racional desprezar os testemunhos de pessoas credíveis, é antes uma exigência de honestidade connosco próprios que levemos a sério o que pessoas sérias nos dizem. 

Ainda mais, ele sabia bem que Jesus não era um homem igual aos outros, apesar de o ser fisicamente. Ele tinha visto os milagres, sabia bem que Pedro tinha feito a profissão de Fé dos apóstolos, dizendo: "Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo". Se Tomé estivesse atento à realidade, com o máximo amor que essa atenção exige, quando lhe contaram que estiveram com Jesus ressuscitado, tudo deveria ter feito sentido para ele, tudo se deveria ter encaixado como um puzzle, mas escolheu ficar agarrado à sua incerteza, à sua falta de confiança, quando a razão exigia que confiasse.

A razão não é castradora, não elimina partes da realidade que não dão jeito serem tidas em conta. É antes uma visão alargada, que abarca toda a realidade. Tomé não fez uso da sua razão, o que, por um lado, foi uma coisa boa porque nos ensinou uma das maiores profissões de Fé da história da Igreja, dirigindo-se a Jesus como: "Meu Senhor e Meu Deus".

João Silveira


blogger

domingo, 23 de abril de 2017

A calma tempestade da Divina Misericórdia

No Domingo da Divina Misericórdia, os Céus abrem-se e a misericórdia de Deus chove sobre toda a humanidade. É a chuva calma e serena do amor de Deus por nós. Não há relâmpagos. Oiçam as palavras de Cristo a Santa Faustina:

«Na Antiga Aliança enviei profetas com relâmpagos ao Meu povo. Hoje envio a Minha misericórdia às pessoas do mundo inteiro. Não quero castigar a humanidade sofredora, mas quero curá-la, empurrando-a para o Meu coração misericordioso. Uso o castigo quando eles me forçam a Mim a fazê-lo; a Minha mão está relutante em pegar na espada da justiça. Antes do Dia da Justiça, envio o Dia da Misericórdia.» (n. 1588)
Jesus Cristo quer curar a "humanidade sofredora". Ainda tenho dificuldade em compreender a Divina Misericórdia de Deus. Como é que um Deus tão santo deseja empurrar os pecadores para o Seu coração misericordioso? No entanto Ele fá-lo e isto revela o quão pouco conhecemos a Deus.

Se leram alguma coisa do Diário de Santa Faustina e das mensagens que Cristo lhe dá, uma coisa se destaca: O Inferno é real e Cristo não quer que nós vamos para lá.

Aqui estão as palavras de Santa Faustina sobre este assunto:
«Mas eu reparei numa coisa: que a maior parte das almas que lá estão são aquelas que não acreditavam que havia inferno. Quando voltei a mim, dificilmente me conseguia recuperar do pavor. Quão terrivelmente sofrem lá as almas! Consequentemente rezo com ainda mais fervor pela conversão dos pecadores. Incessantemente peço a misericórdia de Deus sobre eles. Ó meu Jesus, preferia estar em agonia até ao fim do mundo, entre os maiores sofrimentos, do que ofender-Te pelo menor pecado.» (n. 741)
Ao contrário de versões doces e sentimentais do Cristianismo, o seu Diário não ensina que Deus tolera o mal e vai receber todos no Céu, independentemente de se morreram com fé, esperança e caridade para com Deus e o próximo. Não, o Inferno é uma possibilidade para todos aqueles que vivem na Terra. No entanto, a Divina Misericórdia de Cristo está sempre pronta a salvar e a redimir almas. Pode-se portanto dizer que a Divina Misericórdia está relacionada com a poderosa mediação de Cristo - e não com o universalismo.

Se alguém não acredita no Inferno, então a Divina Misericórdia não significa nada para essa pessoa. No entanto, se acreditarem nos fogos da Geena e nos fogos do Purgatório, a promessa da Divina Misericórdia é a maior consolação. Em particular, a festa de hoje da Oitava Pascal, é especialmente consoladora.

A chuva da misericórdia de Deus cai abundantemente sobre a Terra. Como crianças, brinquemos à chuva e a bebamos dela. Toda a vida espiritual vem da realidade que glorificamos neste Domingo

Aprendam a rezar o Terço da Divina Misericórdia clicando aqui: Terço da Misericórdia

Taylor Marshall


blogger

sábado, 22 de abril de 2017

Páscoa em Nova Iorque: 3 cruzes nos aranha-céus

Em 1956 a Páscoa foi celebrada na zona financeira de Manhattan com 3 arranha-céus iluminados, representando as 3 cruzes do Calvário. Foi apenas há 60 anos, mas hoje em dia isto seria impensável, graças à perseguição que está a ser feita no Ocidente aos símbolos cristãos.


Rezemos pelos que consideram ofensiva a imagem de Deus que morre numa cruz para salvar os homens.



blogger

Pais de Bento XVI conheceram-se através de um anúncio de jornal

Os pais do Papa Bento XVI conheceram-se em 1920 através de um anúncio no jornal católico 'Altoettinger Liebfrauenbote' (Correio de Nossa Senhora de Altotting).

Era já a segunda tentativa de Joseph Ratzinger para encontrar a mulher da sua vida através de um anúncio naquele jornal. O texto, publicado no dia 7 de Março de 1920, foi o seguinte:

"Modesto funcionário do Estado, solteiro, católico, de 43 anos, com direito a reforma, pretende celebrar casamento com uma rapariga católica, que saiba cozinhar e se possível costurar, com património."

Joseph Ratzinger, que era polícia, recebeu a resposta positiva de Maria Peitner, cozinheira.

O casamento deu-se ainda nesse mesmo ano de 1920. Desse casamento nasceram 3 filhos: Maria, que nasceu em 1921 e morreu em 1991; Georg, sacerdote que conta agora com 93 anos e Joseph, futuro Papa Bento XVI, que completou 90 anos há poucos dias.


blogger

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Prefácio Pascal cantado pelo Papa Pio XII


Uma rara gravação da voz do Papa Pio XII enquanto canta o prefácio da Missa de Páscoa.

V. Dóminus vobíscum.
R. Et cum spíritu tuo.
V. Sursum corda.
R. Habémus ad Dóminum.
V. Grátias agámus Dómino, Deo nostro.
R. Dignum et justum est.


Vere dignum et justum est, æquum et salutáre: Te quidem, Dómine, omni témpore, sed in hac potíssimum die gloriósius prædicáre, cum Pascha nostrum immolátus est Christus. Ipse enim verus est Agnus, qui ábstulit peccáta mundi. Qui mortem nostram moriéndo destrúxit et vitam resurgéndo reparávit. Et ídeo cum Angelis et Archángelis, cum Thronis et Dominatiónibus cumque omni milítia coeléstis exércitus hymnum glóriæ tuæ cánimus, sine fine dicéntes


blogger

A teoria do Jesus lendário

Num anedotário que ainda está por inventar, encontraremos um pedaço de literatura apócrifa que narra de forma pouco ortodoxa o episódio em que Jesus pergunta aos discípulos «Quem dizem os homens que eu sou?». Um dos discípulos responde «És João Baptista»; um outro diz «És Elias»; Pedro confessa a fé da Igreja proclamando «És o Cristo, o Filho do Deus vivo»; e um quarto elemento, um teólogo liberal, estranho à literatura canónica, toma palavra e declara: «És uma lenda». Este poderia muito bem ser um trecho de um evangelho dos modernos.

Uma lenda é uma narrativa de proporções épicas, com dotes de encantar ou de atemorizar, mas declaradamente falsa. É um produto da imaginação humana, que encontra prazer em transpor os limiares da realidade para se aventurar no mundo dos possíveis. Na raiz da lenda pode estar um facto, um acontecimento real, narrado por sucessivas gerações que o embelezaram e engrandeceram até assumir dimensões mitológicas. Estas lendas são a seiva de muitas religiões – há mesmo quem afirme que são a fonte de toda a religião. A religião do ocidente, o cristianismo, é para esses uma mitologia não diferente das mitologias orientais, e a sua lenda é a lenda de Jesus, o Homem-Deus.

Este ponto de vista, popularizado por documentários como Zeitgeist e apresentada de vez em quando por certos apologetas do ateísmo como a explicação mais razoável da origem do fenómeno cristão[1], começou a ser elaborado com alguma seriedade no último quartel do século dezanove nas fileiras dos historiadores e teólogos protestantes, por aquela que é designada como escola da História das Religiões[2]. A tese principal desta escola consiste em negar que o cristianismo tenha alguma coisa de único ou original, porque é antes uma amálgama de elementos originários de mitologias da Babilónia, do Egipto e da Pérsia.

Um académico representativo desta linha de pensamento é o alemão Otto Pfleiderer. O argumento de Pfleiderer é de que existem muitas similitudes entre o relato evangélico e os mitos de várias religiões antigas. Ele encontra, por exemplo, similaridades entre os milagres de Jesus e lendas taumatúrgicas contidas em outras fontes antigas[3] ou entre a história da ressurreição de Jesus e os mitos de deuses ressuscitados[4]. O verdadeiro Jesus, pois, se se dignou a existir, está envolto por um véu de sombras que a ciência histórica não consegue levantar.

O teólogo Rudolf Bultmann tem a mesma opinião. O Novo Testamento é essencialmente mitológico, devedor dos mitos da escatalogia judaica e dos mitos de redenção gnósticos[5]. Os relatos de milagres de Jesus, diz Bultmann, têm significativos paralelos em textos da mitologia antiga[6]. A história da ressurreição é para ele definitivamente lendária, inspirada em uma certa interpretação de alguns versículos proféticos das escrituras judaicas[7] e – a julgar pelo que dela Paulo escreve – em doutrinas gnósticas[8]. A opinião de Bultmann em relação aos evangelhos e particularmente a respeito dos eventos sobrenaturais aí inscritos é a de que na idade da luz eléctrica e da telegrafia sem fios já não podemos conferir crédito algum a essas fantasias do mundo antigo[9].
Se entrarmos no exame das narrativas da ressurreição de Cristo, parece que as semelhanças com as mitologias pagãs se multiplicam. Citemos de modo breve algumas dessas narrativas das religiões antigas.

A antiga deidade suméria Dumuzi, conhecida na Mesopotâmia como Tamuz, segundo as antigas religiões destes lugares, depois de ter descido ao submundo, revive seis meses em cada ano[10].

Na mitologia egípcia, o rei Osíris é trazido de novo à vida por Ísis, sua irmã e sua mulher, depois de ter sido assassinado pelo irmão Set[11]. O mito conta ainda que Osíris morre e ressuscita em cada ano[12].

Na mitologia helénica, são muitas as divindades que têm uma história semelhante à de Jesus de Nazaré. Vejamos algumas. O mito diz do deus Dionísio que teve uma morte violenta e ressuscitou[13]. O escritor da Antiguidade, Macrobius, dá uma versão da história em que Dionísio terá ressuscitado e ascendido aos céus[14].

A morte de Adónis era celebrada em Biblos, no Egipto, e, no dia seguinte, a sua ressurreição e ascensão aos céus[15]. A celebração da morte e ressurreição de Adónis era realizada na Síria já no século V antes de Cristo[16].

Na Frígia, o deus Átis era celebrado, ano a ano, no Equinócio da Primavera, durante quatro dias[17]. No primeiro dia, era lamentada a sua morte[18]. No quarto dia, na «Festa da Alegria», era celebrada a sua ressurreição[19].

Estes são apenas alguns dos exemplos de mitos de deuses mortos e ressuscitados nas culturas circundantes da Palestina daqueles tempos. Da semelhança da narrativa evangélica da vida de Jesus, e, em particular, do relato da sua morte e ressurreição, com os mitos das religiões antigas, os autores mencionados, e outros que aderem à mesma hipótese, concluem uma relação de causa e efeito entre estas e aquela, ou, pelo menos, a atribuição à história tradicional de Jesus do mesmo carácter mitológico.

Exposta com a síntese necessária e oportuna a hipótese do Jesus lendário, acompanhada pelo breve sumário dos argumentos que a suportam, passamos ao exame da mesma.

É conveniente referir que a teoria do Jesus lendário só será verdadeira na presença de alguns requisitos. Estes seriam: i) que a narrativa da vida de Jesus não correspondesse aos relatos das eventuais testemunhas presentes no tempo e no local em que Cristo terá vivido; ii) que haja um real paralelo e uma real influência das mitologias antigas na história de Jesus. Ora, há algumas razões pelas quais a hipótese do Jesus lendário não é credível.

A primeira razão é que a narrativa da vida de Jesus corresponde à crença dos primeiros cristãos. O testemunho escrito mais precoce dos principais factos da vida de Jesus é dado pelo Apóstolo Paulo na primeira carta que escreveu à igreja de Corinto (15, 3-8). É consensual entre os historiadores que Paulo está a citar uma tradição muito mais antiga[20]. Há duas razões para acreditar que esta tradição tem uma origem temporal muito próxima à das aparições de Jesus ressuscitado[21]. A primeira razão é que Paulo quando escreve, referindo-se à tradição que cita, «eu recebi»[22], está a recorrer a jargão próprio do costume judaico para a transmissão de tradições antigas[23]. A segunda é que a formulação empregada não aparenta ser paulina, o que indica a transcrição de uma tradição previamente formulada por outro[24].

É provável que Paulo tenha recebido esta tradição quando visitou Pedro e Tiago em Jerusalém depois da sua conversão (1Gal 1, 18-19), o que é confirmado pela menção às aparições particulares do ressuscitado a Pedro e Tiago (1Cor 15, 5,7)[25]. Isto significa, portanto, que Paulo terá ouvido o testemunho da vida, morte e ressurreição de Jesus dentro dos primeiros anos após os eventos, quando fez aquela visita. Alguns apontam um limite de tempo de cinco anos[26], outros de seis a oito anos[27]. Contudo, estas são datas de limite e a formulação do testemunho pode ter cristalizado ainda antes.

A conclusão a tirar de tudo isto é que a pregação dos principais factos sobre a vida, morte e ressurreição de Jesus foi feita desde o princípio pelos discípulos cristãos. Além disso, confirmando esta conclusão, Paulo dá a entender claramente que esta pregação se baseia no testemunho ocular de grupos de primeiros discípulos de Jesus e não em qualquer lenda formada posteriormente.

A segunda razão é a existência de pessoas que foram reputadas como testemunhas oculares dos eventos descritos nos Evangelhos. Paulo, no mesmo trecho da carta aos coríntios, afirma que a pregação da vida, morte e ressurreição de Jesus que ele apresenta era também testemunhado pelos demais apóstolos (1Cor 15, 11). Isto é, aqueles que terão convivido com Cristo antes e depois da sua morte e ressurreição atestavam o mesmo relato. Paulo lembra ainda que a maior parte de um grupo de quinhentas pessoas que viram Jesus vivo depois da sua crucificação e morte ainda está viva (1Cor 15, 6).

Por outro lado, ainda que não se admita que os autores dos quatro evangelhos canónicos tenham testemunhado por si mesmos os eventos que narram, a maior parte dos académicos concorda que o conteúdo da sua pregação mergulha as suas raízes no relato daqueles primeiros cristãos reputados como testemunhas oculares[28]. Bultmann admite que os primeiros discípulos de Jesus acreditavam verdadeiramente nos factos respeitantes à sua vida, morte e ressurreição[29].

A terceira razão é que, ao contrário dos protagonistas dos mitos antigos que já referimos, a vida de Jesus é descrita num tempo e lugar determinados e aqueles que com ele terão convivido são pessoas históricas[30]. Também em sentido contrário ao daqueles mitos, a história da vida, morte e ressurreição de Jesus foi divulgada desde o início com a pretensão de exprimir a verdade histórica. Em particular, a crença na ressurreição de Cristo surgiu num mundo que não estava predisposto a acreditar numa ressurreição real do corpo[31]. Quando Paulo subiu a colina do Aerópago para anunciar a boa-nova da Ressurreição, os gregos que a ouviram zombaram da ideia de que um morto pudesse voltar à vida, porque, para os gregos, os mortos eram skiai (sombras), psychai (espíritos), eidola (fantasmas) que habitavam o Hades, mas que jamais poderiam esperar um retorno à vida do corpo.[32]

A quarta razão é que não existe um verdadeiro paralelo entre a narrativa evangélica da Ressurreição e as lendas das religiões antigas. Em primeiro lugar, na Palestina do primeiro século não há vestígios significativos da influência dos cultos antigos a deuses ressuscitados[33]. Em segundo lugar, há que notar que os vários mitos dos deuses mortos e revividos são, na verdade, metáforas para o ciclo anual de vida e morte da vegetação[34]. Estes deuses morriam e reviviam em cada ano no mesmo ritmo dos ciclos naturais, conforme atestam as celebrações em sua honra[35]. Incluem-se neste padrão de morte e renascimento os já citados Dumuzi, Tamuz, Osíris, Dionísio, Adónis e Átis. Ora, este padrão está totalmente ausente da história de Jesus. Em terceiro lugar, há dúvidas que alguma espécie de reanimação tenha existido no mito original destes deuses. Os manuscritos conhecidos sobre o mito de Dumuzi não contêm qualquer relato de uma ressurreição; nos manuscritos sobre Tamuz não há qualquer menção específica à ressurreição; de Adónis só é dito que ressuscitou em manuscritos do segundo século depois de Cristo e a ressurreição de Átis só é descrita depois da segunda metade do segundo século depois de Cristo[36]. Osíris é expressamente tido como revivido, mas não para a vida terrena e sim para o submundo[37]. A ressurreição corpórea não tem sentido no sistema de crenças egípcio[38].

Ora, de tudo o que dissemos, podemos concluir que o evangelho dos modernos é falso. E, se a verdade avança a passos, este é já um passo importante. A teoria do Jesus lendário pertence ela mesma aos mitos e à pior classe dos mitos, que são aqueles que se quer fazer passar por ciência. O estudo diuturno da história revelará que, afinal, não passa de pseudociência.

Hugo Monteiro Dantas



[1] Dou o exemplo recente, revelado no sítio Patheos, do contra-apologeta Bob Seidensticker, que pode ser lido em http://www.patheos.com/blogs/crossexamined/2012/11/jesus-a-legend-a-dozen-reasons/.
[2] Religionsgeschichtliche Schule. A Universidade de Gottingën, na Alemanha, foi a sede desta corrente historiográfica. Para mais desenvolvimentos sobre esta linha de pensamento, cf. HABERMAS, pág. 146.
[3] Cf. PFLEIDERER, Otto, The Early Christian Conception of Christ, Londres, Williams and Norgate, 1905, págs. 63-83, em que o autor enumera as semelhanças existentes entre os milagres de Cristo e as narrativas originadas em outras religiões antigas.
[4] Cf., e.g., PFLEIDERER, Primitive Christianity, vol.I, Londres, Williams and Norgate, 1906, págs. 4-5, muito explicitamente.
[5] BULTMANN, Rudolf, Kerigma and Myth – A Theological Debate, Nova Iorque, Harper and Row Publishers, pág. 15.
[6] BULTMANN, apud HABERMAS, idem, pág. 150.
[7] BULTMANN, apud HABERMAS, pág. 151.
[8] Idem.
[9] BULTMANN, Kerygma and Myth, págs. 4-5.
[10] Cf. o verbete Tammuz da Enciclopédia Britânica que pode ser lido em http://www.britannica.com/EBchecked/topic/582039/Tammuz. PFLEIDERER, pág. 99.
[11] Cf., para síntese do mito de Ísis e Osíris, Osiris na Enciclopédia Britânica, verbete que pode ser lido em http://www.britannica.com/EBchecked/topic/433922/Osiris. Cf. ainda FRAZER, ...;. Cf. PFLEIDERER pág. 93-94, sobre as semelhanças da ressurreição de Osíris com a ressurreição de Cristo.
[12] FRAZER, idem, pág.
[13] Idem, pág. 322.
[14] Idem.
[15] PFLEIDERER, idem, pág. 94; FRAZER, idem, págs. 278 a 281.
[16] FRAZER, idem.
[17] PFLEIDERER, pág. 94 e segs.
[18] Idem.
[19] Idem.
[20] HABERMAS, op.cit., pág. 154.
[21] Idem.
[22] 1Cor 15:3.
[23] HABERMAS, op.cit., pág. 155; cf. nota de rodapé 148 na mesma página.
[24] FULLER, Reginald, citado em HABERMAS, ibid.
[25] HABERMAS, ibid., 156.
[26] FULLER, citado por HABERMAS, ibid.
[27] PANNENBERG, citado por HABERMAS, ibid.
[28] HABERMAS, op. cit., pág. 159.
[29] BULTMANN, op.cit., pág. 42.
[30] HABERMAS, op.cit., pág. 161.
[31] WRIGHT, N.T., The Ressurrection of the Son of God, 2003, Minneapolis, Fortress Press, pág. 35.
[32] WRIGHT, op.cit., págs. 43-44.
[33] PANNENBERG, Wholfhart, citado em HABERMAS, pág. 163.
[34] WRIGHT, op.cit., pág. 80; FRAZER também admite isto, nos vários capítulos que dedica ao estudo das deidades antigas, op.cit., pág. 278 e segs.
[35] FRAZER, idem.
[36] Cf. HABERMAS, op. cit., págs. 164-165.
[37] Idem. WRIGHT, op.cit., pág. 80-81.
[38] WRIGHT, op. cit., pág. 47.


blogger