terça-feira, 30 de junho de 2015

Ad multos annos: Cardeal Burke celebra 40 anos de sacerdócio




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Amor e Orgulho

Fala-se nestes dias muito de amor de tal forma ensurdecedora que não o reconheço. 

O amor, na minha experiência, não é orgulho mas discrição, dá-se sem se querer fazer notar todos os dias, a cada dia, em cada gesto, em todos os gestos. 

O amor é mais trabalho que festa. É trabalho que é festa. 

O amor é mais pequeno que grande. Quando mais pequeno, mais grande fica. 

O amor é humilde. Não exige direitos, não dá opinião, não argumenta, não quer ter razão. 

O amor silencia e não exalta. É mais silêncio que palavra. 

O amor é ordeiro. É acção ponderada e livre, é escolha e compromisso, é obediência. 

O amor é sacrifício, tantas vezes pouco colorido e difícil de viver. 

O amor é paciente. Encontra, conhece, espera e aprende. 

O que for que se anda a festejar, se é amor, não o reconheço. 

Inês Dias da Silva in Povo


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segunda-feira, 29 de junho de 2015

"A Igreja é só e unicamente de Cristo" - Papa Francisco

Da homilia do Papa Francisco na Santa Missa de S. Pedro e S. Paulo:

Ao longo da história, quantas forças procuraram – e procuram – aniquilar a Igreja, tanto a partir do exterior como do interior, mas todas foram aniquiladas e a Igreja permanece viva e fecunda! Inexplicavelmente, permanece firme para poder – como diz São Paulo – aclamar, «a Ele, a glória pelos séculos dos séculos» (2 Tm 4, 18).

Tudo passa, só Deus resta. Na verdade, passaram reinos, povos, culturas, nações, ideologias, potências, mas a Igreja, fundada sobre Cristo, não obstante as inúmeras tempestades e os nossos muitos pecados, permanece fiel ao depósito da fé no serviço, porque a Igreja não é dos Papas, dos Bispos, dos padres e nem mesmo dos fiéis; é só e unicamente de Cristo. Só quem vive em Cristo promove e defende Igreja com a santidade da vida, a exemplo de Pedro e Paulo.

Em nome de Cristo, os crentes ressuscitaram os mortos; curaram os enfermos; amaram os seus perseguidores; demonstraram que não existe uma força capaz de derrotar quem possui a força da fé!



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Amar o Papa cada dia com mais amor - S. Josemaria

Ama, venera, reza, mortifica-te – cada dia com mais amor – pelo Romano Pontífice, pedra basilar da Igreja, que prolonga entre todos os homens, ao longo dos séculos e até ao fim dos tempos, aquele trabalho de santificação e governo que Jesus confiou a Pedro. Forja, 134
A nossa Santa Mãe a Igreja, em magnífica extensão de amor, vai espalhando a semente do Evangelho por todo o mundo. De Roma à periferia. Ao colaborares nessa expansão, pelo orbe inteiro, leva a periferia ao Papa, para que a terra toda seja um só rebanho e um só Pastor: um só apostolado! Forja, 638
Oferece a oração, a expiação e a acção por esta finalidade: «ut sint unum!», para que todos os cristãos tenham uma mesma vontade, um mesmo coração, um mesmo espírito: para que «omnes cum Petro ad Iesum per Mariam!», todos, bem unidos ao Papa, vamos a Jesus, por Maria. Forja, 647
Maria, na verdade, edifica continuamente a Igreja, reúne-a, mantém-na coesa. É difícil ter autêntica devoção à Virgem sem nos sentirmos mais vinculados aos outros membros do Corpo Místico e também mais unidos à sua cabeça visível, o Papa. Por isso me agrada repetir: Omnes cum Petro ad Iesum per Mariam! – todos, com Pedro, a Jesus, por Maria! E assim, ao reconhecer-nos como parte da Igreja e convidados a sentir-nos irmãos na Fé, descobrimos mais profundamente a fraternidade que nos une à Humanidade inteira, porque a Igreja foi enviada por Cristo a todos os homens e a todos os povos. Cristo que passa, 139
Para mim, depois da Santíssima Trindade e de nossa Mãe a Virgem, vem logo o Papa, na hierarquia do amor. Não posso esquecer que foi S.S. Pio XIl quem aprovou o Opus Dei, quando este caminho de espiritualidade parecia a alguns uma heresia; mas também não esqueço que as primeiras palavras de carinho e afecto que recebi em Roma, em 1946, disse-mas o então Mons. Montini [Papa Paulo VI]. Tenho também muito presente o encanto afável e paternal de João XXIII, de todas as vezes que tive ocasião de o visitar. Uma vez disse-lhe: “Todos, católicos ou não, têm encontrado na nossa Obra um lugar acolhedor: não tive de aprender o ecumenismo com Vossa Santidade ...”. E o Santo Padre João sorriu emocionado. Que quer que lhe diga? Todos os Romanos Pontífices têm tido compreensão e carinho para com o Opus Dei. Temas actuais do cristianismo, 46



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domingo, 28 de junho de 2015

A teoria do Big Bang foi proposta por um Padre Católico

Para muitos o pai da teoria do Big Bang chama-se George Gamov, físico russo nacionalizado americano; mas poucos sabem que anos antes já esta teoria, que procura explicar a origem do Universo, tinha sido proposta pelo sacerdote Georges Lemaître.

O Pe. Lemaître nasceu em Charleroi (Bélgica), em 1894. Era filho de um médico e já desde a sua infância se distinguiu pela sua habilidade para as matemáticas e o seu espírito curioso. Essa atracção pelas ciências enriquece com a sua vocação sacerdotal.

Graças aos seus estudos, na década de 1920, teve a intuição de que o universo tinha uma história e se encontrava em evolução; opondo-se assim à concepção de todos os cientistas da época, especialmente Albert Einstein.

Assim, em 1930 propôs um modelo de universo com o nome de universo Lemaître-Einstein ou hipótese do átomo primitivo, que mais tarde foi conhecido como Big Bang. A sua reflexão baseou-se nos dados obtidos pela observação dos espectros de certas galáxias, recentemente descobertas.

Segundo o sacerdote, a história do universo divide-se em três períodos.

O primeiro é chamado “a explosão do átomo primitivo”. Segundo ele, há cinco biliões de anos existia um núcleo de matéria hiper-densa e instável que explodiu sob a forma de uma super-radioactividade. Esta explosão propagou-se durante um bilião de anos e os astrónomos percebem os seus efeitos nos raios cósmicos e nas emissões X.

Depois vem o período de equilíbrio, ou o universo estático de Einstein. Afirma que finalizada a explosão estabelece-se um equilíbrio entre as forças de repulsão cósmicas, na origem do acontecimento, e as forças de gravitação. Durante esta fase de equilíbrio, que dura dois biliões de anos, nascem as estrelas e galáxias.

Finalmente seguem-se os períodos de expansão, iniciados há dois biliões de anos. Afirma que desde aí o Universo se encontra em expansão a uma velocidade de 170 km por segundo, de maneira indefinida.

A sua teoria foi rejeitada nos Estados Unidos, e também por Albert Einstein. O Pe. Lemaître, que nunca procurou honras nem reconhecimento, deixa os seus trabalhos de cosmologia.

Anos depois, em 1948, Gamov propõe uma nova descrição do início do Universo, cujas bases estavam nitidamente presentes na cosmologia do Pe. Lemaître, que foi presidente da Pontifícia Academia das Ciências entre 1960 e 1966.

in acidigital


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A Fé não se pode adaptar à cultura do momento

"A Fé não se pode adaptar à cultura do momento; o que a Fé deve fazer é chamar a cultura para a conversão. Nós somos um movimento de contra-cultura, não um movimento populista."

Cardeal Raymond Burke in 'Vida Nueva' - 31.X.2014


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sábado, 27 de junho de 2015

O Proto-homossexual

Por que há tantas pessoas heterossexuais a favor da homossexualidade?
Porque a normalização da homossexualidade é a realização da ideologia heterossexual. “Gay” e “homossexual” não são taxonomias mas ideologias. Não são orientações mas desorientações: bi-, homo-, ou hétero-, sexualidade hifenizada faz-nos perder o nosso sentido de direção para o verdadeiro sexual e as vítimas desta ideologia são as crianças.

As palavras “homossexual” e “heterossexual” são neologismos do século XIX feitos para separar o romance da responsabilidade e o sexo da fecundidade. “A heterossexualidade foi feita para servir este fantasioso quadro de regulação de ideais”, escreve Michael Hannon, resumindo Foucault, “preservar a proibição social contra a sodomia e outros desenfreios sexuais sem a necessidade de recorrer à natureza procriadora da sexualidade humana”. O mito tornou-se um facto, e é por isso que tantos heterossexuais são a favor da homossexualidade. A homossexualidade ratifica a heterossexualidade.

Os mesmos princípios e práticas que ajudam e estimulam a ideologia homossexual só validam a ideologia heterossexual: a coabitação, o divórcio sem culpa, o sexo estéril, a exultação do amor romântico, a história banal do casal que se revolta contra o mundo para que possam fugir juntos para o pôr-do-sol, a suposição que ter filhos é um estilo de vida opcional, ou até mesmo algo que se pode comprar através da adoção ou da fertilização “in vitro”. Heterossexualidade, eu diria, é na verdade proto-homossexualidade.

O Proto-homossexual
Quem é o Proto-homossexual? É o trovador poeta de França do século XII idealizando romance e paixão sexual, o Cavaleiro da lenda do Rei Artur que se compromete a servir a sua senhora com verdade e cortesia como se ela fosse uma deusa digna de adoração. Ele acredita que o amor erótico é uma elevada experiência espiritual, a experiência mais elevada. O manual de Andreas Capellanus diz que o secretismo e o suspense vão reavivar a chama da paixão; que obrigações familiares e filhos vão sufocá-la. Lancelot e Guinevere traem o Rei Artur, Tristen e Iseult infringem a lei, Romeu e Julieta ficam malucos e em nome do “amor”, cada nova aventura, causa uma dor não merecida aos outros. Tudo isto, claro, matéria-prima para filmes de sucesso e para romances bestseller na América, hoje em dia.

A verdadeira falha em todo o sistema do Amor Cortês é a sua tendência inerente para a anarquia e o narcisismo. Encontrando-se sozinhos no escuro, longe das responsabilidades diárias e dos constrangimentos sociais, os casais não se tentam conhecer realmente um ao outro. O suposto amor um pelo outro é auto absorvido, a sua vida amorosa é pouco mais do que masturbação mútua. Com a imagem lisonjeira que vêm nos olhos um do outro, eles imaginam-se idênticos. O heterossexual, que é o proto-homossexual, olha para a sua amada como se estivesse a ver o seu reflexo na água.

O narcisismo proto-homossexual, o seu sentimento elevado de si mesmo, leva-o a acreditar que a força irresistível a que chama “amor” é intrinsecamente enobrecedor e que as suas relações não precisam de nada a não ser de consentimento mútuo. Mas a sua paixão só o impulsiona ao engano é à crueldade não intencionada- para a sua amada, para a própria família e para a dela, para os filhos que eles possam ter e para ele próprio.

Apaixonados que se levantam contra o mundo para se poderem casar é um cliché muito visto. No entanto, “casamento como revolta” e “sexo como realização pessoal” mantém-se o estádio inquestionável sobre quem cortejar, casar ou divorciar. Esta é a casa que construímos para conceber e criar crianças.

É um “castelo de cartas”. Tendo já derrubado as pressões sociais e morais da sociedade e erigido um sistema de namoro parecido com a guerra civil, tendo já privatizado o casamento e tendo-o transformado numa declaração sobre a liberdade e a preferência erótica- “é a minha escolha, o meu amor!”- o proto-homossexual fecha as cortinas do seu quarto para encontrar apenas mais um obstáculo à sua felicidade: a fertilidade.

Muito antes de alguém ter sonhado em normalizar a sodomia, a ideologia heterossexual sustentou que o sexo devia ser, em primeiro lugar, recriação. O único problema disto é que o sexo é naturalmente criativo. Mas, tal como a ideologia heterossexual, a tecnologia também evoluiu: com o latex, os procedimentos cirúrgicos certos e os químicos, foi-se tornando possível acreditar que o sexo é essencialmente recriação, uma crença muito acelerada pela pornografia. Duma simulação da realidade, como a sodomia, a pornografia tira, muito astutamente, de cena, a fertilidade. O sexo não é sobre um futuro florescimento mas sobre uma diversão imediata.

(Tem de ser mencionado que a contracepção artificial foi considerada imoral pelos Cristãos, Protestantes e Católicos do mesmo género, em todos os sítios e em todos os tempos até à Conferência de Lambeth em 1930. Dentro de uma única geração a universal e inquebrável ética cristã foi coberta, sufocada e apagada. A condenação do que Martin Luther King considerava como um acto “muito mais atroz do que o incesto ou o adultério” é agora visto como um equívoco católico.)

A pornografia é o desvio, o controlo da natalidade, a cortina de fumo e o aborto o último recurso. Mas há outro problema. Depois de fazer as suas declarações e de se ter divertido, o proto-homossexual percebe que entrou num vínculo indissolúvel.

A ideologia heterossexual levanta uma questão: se o casamento não é, antes de tudo, uma compreensiva união conjugal, se é um vínculo sentimental com a tua Pessoa Número Um, porque é que deve ser permanente? E assim encontramo-nos cara-a-cara com a ideia dos anos 70, o divórcio sem culpa. Se o teu esposo ganhou peso, se o espirro dele te envergonha, se o sexo é tépido, se a tua realização pessoal ou a tua felicidade estão em jogo, podes largá-lo num piscar de olhos. O divórcio sem culpa dá uma ventilação completa aos valores heterossexuais.

A evolução lenta do heterossexual é, de facto, a urgência do homossexual. Com a imagem lisonjeira reflectida nos olhos do amado, a heterossexualidade é só outra versão do Amor de Cortesia. A aceitação cultural da sodomia, tão obviamente estéril e infrutífera, só legitima a crença de que o sexo é pura recriação. O “casamento” entre pessoas do mesmo sexo reforça o sistema do divórcio sem culpa afirmando que o casamento não é, em primeiro lugar, sobre o compromisso e os filhos, mas sobre a felicidade. Junta-se, simplesmente, à tradição heterossexual de ver o casamento como uma forma de revolta.

A alegação de que o comportamento homossexual está errado seria a realização de outros para um padrão moral ao qual o próprio comportamento heterossexual não está em conformidade. Bi-, homo-, hétero-, qualquer forma de sexualidade hifenizada quer a mesma coisa: sexo sem limites morais ou generativos, relações sem constrangimentos culturais ou familiares. Quem é o proto-homossexual? És tu e sou eu.

A verdadeira vítima
O proto-homossexual coloca o casal contra a sociedade, até contra a família. Ele faz contraceptivos e pornografia, ele legaliza o aborto e legisla sobre o divórcio sem culpa e o “casamento” entre homossexuais e quando acaba com o seu terceiro casamento sente que foi vítima, entre todas as coisas, de preconceito religioso! Mas quem é a verdadeira vítima da sexualidade hifenizada?
As verdadeiras vítimas da sexualidade hifenizada não são as 'lobistas' lésbicas ou os gays. As verdadeiras vítimas são os mais novos e os mais inocentes entre nós. O amor livre tem custos e quem os paga são as crianças.

O debate sobre o “casamento” gay não é sobre a homossexualidade mas sobre o casamento. Não é sobre quem se pode casar mas sobre o significado de casamento. O significado do casamento depende do que realmente é uma pessoa humana e a verdade é que cada um de nós nasceu de uma mulher e de um homem. O casamento e os filhos estão inevitavelmente ligados.

Se os humanos não se reproduzissem sexualmente e se os bebés nadassem simplesmente para fora das mães como os tubarões, então a instituição do casamento nunca teria sido estabelecida. Historicamente, as leis sobre o casamento foram feitas para reforçar a ligação entre pais e filhos, especialmente entre o pai e os filhos. O verdadeiro tema são os direitos das crianças.

Num esforço para desviar a atenção dos direitos das crianças vai-se argumentar que o casamento foi redefinido antes. Quantas mulheres teve Jacob? O casamento não foi já entre um homem adulto e uma adolescente? As leis contra a mistura de raças estavam escritas nos livros há menos de 60 anos. Enquanto a nossa sociedade redefine quem conta e quem interessa, vai ser argumentado, o casamento muda. Para além disto, se casais heterossexuais podem adoptar crianças, porque é que os casais homossexuais não podem?

Mas a poligamia não é um argumento para o "casamento" gay. Nem sequer o facto de haver exemplos de poligamia na história, é um argumento para a poligamia. A excepção não prova a regra: a excepção quebra a regra. As leis contra a mistura de raças não foram uma redefinição do casamento conjugal mas a imposição de preconceitos racistas contra a instituição do casamento. A única altura em que homens com mais de 18 anos puderam casar-se com raparigas com menos de 18 anos não desafia, de todo, a definição tradicional de casamento; quanto muito, desafia a definição contemporânea de adulto.

A questão não está em se uma mulher que se sinta atraída por outra mulher possa ser mãe, mas se duas mães fazem um casamento e se o acoplamento de duas mulheres é uma maneira saudável de criar filhos. A adopção existe por causa da tragédia que é o abandono ou a morte. Mesmo assim, todas as crianças têm o direito de ter um pai e uma mãe. Só porque acontecem tragédias, tal não nos dá permissão para, preventivamente, privar as crianças do direito de ter um pai e uma mãe.

A questão não se prende com o facto de saber se uma pessoa que se identifique como homossexual conta ou importa. A questão está em saber se uma relação homossexual constitui um casamento. A questão está em saber, dado o facto de que o ser humano se reproduz sexualmente e que os nossos filhos não nascem auto-suficientes, se o casamento continua a ser o meio natural de florescimento humano. O sexo foi artificialmente separado da procriação, a família, o propósito natural (biológico) do nosso corpo, e os filhos pagaram o preço.

No fim de contas, todos pagam o preço. Nós não somos pavões. Nós não nos limitamos a acasalar. Nós casamos. Nós ansiamos por relações de confiança e duradouras, pela totalidade e por uma vida séria e profunda- e pelo nosso futuro. O parto, o lar e os filhos, a preocupação com o futuro, com a linhagem, tudo isto está em jogo com a revolta contra a sexualidade humana. O espasmo utópico da sexualidade hifenizada é prejudicial para o homem, para a mulher e, especialmente, para as crianças. Eles são a prova da civilização avançada.

As crianças têm direito à vida. As crianças têm direito a ter um pai e uma mãe. As crianças têm o direito a ser educadas em casamentos fiéis e comprometidos. Quem somos nós para privá-las disso?

Nós estamos orientados
Falando em orientação sexual, eu sinto-me quase um revolucionário (no sentido de um círculo voltando ao seu principio, ao seu sítio certo). Estou a tentar expor a orientação sexual em cada um de nós- a orientação que é tão boa que dói. Nós vingamo-nos chamando-lhe Atracção ou Desejo Sexual. É a orientação sexual que não podemos ignorar ou que não podemos admitir mas que no entanto queremos fazer os dois. Não podemos admiti-la porque ameaça todo o falso programa dentro do qual temos vivido. No entanto, não podemos ignorá-lo porque está escrito nos nossos próprios corpos ou no mais profundo do nosso coração. Eu gostava de lançar a ideia de que nós não somos nem hetero nem homossexuais, somos simplesmente (agora parece inacreditável) sexuais. Como homens e mulheres somos, todos, orientados.

E isto persegue-nos. Nós fingimos que a ligação entre o sexo e a fecundidade é uma barbaridade da idade mais escura. Nós esterilizamo-nos a nós próprios, tomamos comprimidos que suprimem a nossa fertilidade, como último recurso abortamos e comportamo-nos como se tivéssemos resolvido o assunto. Mas tudo isto é um estratagema. Sob as taxonomias sexuais e os subterfúgios tecnológicos permanece a inegável orientação sexual para a reprodução sexual. O ciclo menstrual, a erecção, o útero e os seios, tudo nos lembra dessa orientação. Nem um preservativo consegue esconder o facto do que o que está a ser derramados é uma semente. A biologia e a natureza humana lembram-nos que a sexualidade humana é orientada para os filhos e para o futuro.

Esta orientação tem sido deformada e desumanizada por toda a nossa tecnologia e manipulação. Mas para além de tudo o que possamos ser, como homens e mulheres, nós somos sexualmente complementares e mutuamente envolvidos na geração. Isto não é uma construção social. Esta é a permanente e irreduzível verdade sobre a biologia e a natureza humana. Esta é a nossa herança e o nosso futuro. Esta é a nossa destruição. Nós dependemos desta orientação para o florescimento do nosso próprio futuro.

Nós somos, cada um de nós, orientados para o sexual. A sexualidade sem o artifício de um prefixo ideológico é a profunda reserva de vida, de geração, de filhos. E como os filhos humanos requerem uma quantidade incalculável de cuidado físico e moral, o sexo e o casamento estão, como sempre estiveram, ligados.

A história de Ovid serve de aviso: o Narciso apaixona-se pelo seu próprio reflexo na água, recusa o afecto de Echos e morre porque o amor sem o outro é estéril e sem esperança. Como o amor sexual é naturalmente criativo, seria um erro esperar, como o Narciso, que um amante espelha-se exactamente quem somos. Os apaixonados não estão ligados por sentimentos (como o trovador poeta pensava), mas pela ligação matrimonial, que deve ser aberta à vida e à responsabilidade pelo outro. O casamento é a correlação social para o facto biológico da fecundidade humana.

A definição tradicional de casamento não tem raízes na religião nem na homofobia mas na natureza biológica e humana. O “casamento” gay pode fazer sentido numa ideologia pessoal, mas não faz sentido para a sociedade. O casamento não foi estabelecido porque os humanos são românticos e gostam de intimidade mas porque os humanos reproduzem-se sexualmente e as crianças precisam de um pai e de uma mãe para serem concebidos e criados. Todos têm o direito de se casarem, mas isso não faz com que nenhuma relação romântica ou sexual seja um casamento, apesar da ideologia heterossexual dizer que assim é.

A heterossexualidade é, na verdade, proto-homossexualidade: a diferença entre a heterossexualidade e a homossexualidade é uma questão de preferência, mas os valores e os objectivos são os mesmos. No entanto, o casamento lembra-nos que estamos orientados para o sexual, e é por isso que se tornou num campo de batalha. É por isso que tantas pessoas hétero são a favor da homossexualidade.

Tyler Blanski in Crisis Magazine


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Os Padres devem andar identificados - Pe. Duarte Sousa Lara




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sexta-feira, 26 de junho de 2015

Não se trata apenas de plantar árvores - D. Nuno Brás

A recente encíclica “Louvado sejas”, do Santo Padre Francisco, foi acolhida com aplausos generalizados. As notícias da sua publicação sublinhavam essencialmente o respeito por toda a realidade criada a que o Papa a todos convida.

Em particular, deu-se relevo ao primeiro capítulo, onde o Santo Padre se refere ao que “está a acontecer à nossa casa”, realçando dois tipos de problemas: “Embora a mudança faça parte da dinâmica dos sistemas complexos, a velocidade que hoje lhe impõem as ações humanas contrasta com a lentidão natural da evolução biológica. A isto vem juntar-se o problema de que os objectivos desta mudança rápida e constante não estão necessariamente orientados para o bem comum e para um desenvolvimento humano sustentável e integral” (LS 18).

Já ao contrário, por exemplo, se silenciou completamente o n.º 120 da encíclica: “Uma vez que tudo está relacionado, também não é compatível a defesa da natureza com a justificação do aborto. Não parece viável um percurso educativo para acolher os seres frágeis que nos rodeiam (…) quando não se dá proteção a um embrião humano ainda que a sua chegada seja causa de incómodos e dificuldade”. Ou, mais à frente, aquilo que diz o Papa Francisco: “épreocupante constatar que alguns movimentos ecologistas defendem a integridade do ambiente (…) mas não aplicam estes mesmos princípios à vida humana. Muitas vezes, justifica-se que se ultrapassem todos os limites quando se fazem experiências com embriões humanos vivos. Esquece-se o valor inalienável do ser humano” (n.º 136). Ou, ainda, quando o Santo Padre sublinha, contra a “ideologia de género”, que “é necessário ter apreço pelo próprio corpo na sua feminilidade ou masculinidade” (n.º 155).

Com efeito, “Não se trata apenas de plantar árvores”, como defendeu há dias o Cardeal Antonio Cañizares. Aliás, o Arcebispo de Valência foi mesmo mais longe e afirmou claramente: “Se os partidos defendessem a ecologia, não estariam a favor do aborto”.

D. Nuno Brás in Voz da Verdade


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Cardeal Cerejeira pediu ao Papa a canonização de S. Josemaria

D. Manuel Gonçalves Cerejeira foi Cardeal Patriarca de Lisboa de 1929 a 1971, tendo morrido no ano de 1977 com 89 anos.

Carta do Cardeal Cerejeira ao Santo Padre Beato Paulo VI:

"Santíssimo Padre

Portugal católico não pode esquecer a figura religiosa de Monsenhor Escrivá de Balaguer. Aqui, depois da Espanha, ensaiou os primeiros passos para a fundação de Opus Dei. E mãos portuguesas se estenderam a apresentá-lo aqui e a recomendá-lo em Roma.

A glória e o desafio dos cincoenta e quatro membros de Opus Dei, todos dos mais diversos Países, com seus títulos académicos e variadas profissões, ordenados sacerdotes, recentemente, em Barcelona, demonstra triunfalmente ao mundo descristianizado como Jesus Cristo continua a conquistar o coração e o espírito dos homens ansiosos de Deus, desde que Ele nos seja revelado por um apóstolo como o fundador de Opus Dei.

Doía - e dói - o coração aos que passavam pelas Universidades modernas, ao notarem o vazio de alma de grande parte da juventude que as enchia. Monsenhor Escrivá passou por lá: e este filho da raça dos conquistadores, falando a mesma língua dela, abrindo-lhe o espírito à novidade e à actualidade da Igreja, e cultivando a alegria, e a esperança e a coragem cristãs - funda Opus Dei. E um "mundo novo" começa para tantos que estavam ociosos.

Santíssimo Padre, depois do que tive oportunidade de testemunhar anteriormente de todo o coração desejo exprimir os meus votos de que se inicie o processo de glorificação deste santo sacerdote e homem de Deus que foi Mons. Escrivá de Balaguer, para glória de Deus e para maior bem espiritual do povo cristão.

+ M. Card. Cerejeira
Patriarca de Lisboa
res.

Lisboa, 10 de Agosto de 1975"

Para além desta carta, o Papa Paulo VI recebeu outras cartas com o mesmo pedido escritas pelos senhores bispos de Braga (arcebispo e bispo-auxiliar), de Évora, de Coimbra, do Algarve, de Leiria, do Funchal e do Patriarca das Índias.

in Josemaria Escrivá: Testemunhos. Rei dos Livros (1992)

O Senza acrescenta, de outras fontes (vários livros), que cerca de 1/3 dos bispos de todo o mundo escreveram cartas com o mesmo pedido para a Santa Sé.


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quinta-feira, 25 de junho de 2015

Papa Francisco contra propaganda de redução de nascimentos

"Em vez de resolver os problemas dos pobres e pensar num mundo diferente, alguns limitam-se a propor uma redução da natalidade.

Não faltam pressões internacionais sobre os países em vias de desenvolvimento, que condicionam as ajudas económicas a determinadas políticas de «saúde reprodutiva». Mas, «se é verdade que a desigual distribuição da população e dos recursos disponíveis cria obstáculos ao desenvolvimento e ao uso sustentável do ambiente, deve-se reconhecer que o crescimento demográfico é plenamente compatível com um desenvolvimento integral e solidário».

Culpar o incremento demográfico em vez do consumismo exacerbado e selectivo de alguns é uma forma de não enfrentar os problemas. Pretende-se, assim, legitimar o modelo distributivo actual, no qual uma minoria se julga com o direito de consumir numa proporção que seria impossível generalizar, porque o planeta não poderia sequer conter os resíduos de tal consumo."

Laudato Si 50.

Fonte: Estatatísticas Demográficas 2007, Instituto Nacional de Estatística



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quarta-feira, 24 de junho de 2015

Papa Francisco pede aos jovens que sejam castos

"O amor está nas obras, no comunicar-se; mas o amor respeita as pessoas, não usa as pessoas, isto é, o amor é casto. E a vocês jovens neste mundo, neste mundo hedonista, neste mundo onde apenas é publicitado o prazer, o aproveitar, a boa vida, eu vos digo: sejam castos, sejam castos."

Papa Francisco - Encontro com os jovens em Turim, 21 de Junho de 2015


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Morreu a primeira sucessora de Madre Teresa de Calcutá

Morreu ontem (23 de Junho) a irmã (ou Sister) Nirmala Joshi, a primeira sucessora de Madre Teresa de Calcutá à frente das Missionárias da Caridade. Serviu a Igreja como Superiora Geral das Missionárias entre 1997 e 2009. Nesse último ano deixou o cargo por causa da doença que já a afectava. 

O blog Senza sabe, por amigos que já ajudaram as próprias irmãs em Calcutá, que a Sr. Nirmala estava doente nos rins há algum tempo e tinha-se recusado a receber tratamentos, que só iriam prolongar uma morte inadiável. Estamos certos que a Sr. Nirmala ofereceu estes últimos anos pelas irmãs, pois os sacrifícios dos doentes era algo muito querido pelo carisma da Madre Teresa.

O Arcebispo de Calcutá, D. Thomas D'Souza, que visitara a Sr. Nirmala há 15 dias, quando ela recuperou a consciência, mostrou-se muito tocado pela sua morte, dizendo que "ela era uma grande alma" e louvando o seu trabalho. Disse  D. Thomas que "ela nunca falava sobre si mesma, estava muito mais preocupada sobre como promover a paz e ajudar os pobres... tinha uma união profunda com Jesus e foi uma gentil apóstola da paz até ao fim."

A Sr. Nirmala nasceu em 1934 na Índia oriental, numa família Hindu do Nepal, que servia o império britânico. Andou em escolas cristãs e, inspirada pelo trabalho da Madre Teresa, baptizou-se e deu a sua vida para ser missionária da Caridade. Ao fazer os votos mudou o seu nome para "Nirmala" que, em Sanskrit, significa "pureza". É normal, dada a insistência que a Madre Teresa dava à luta pela Santa Pureza, mesmo para os mais pobres que viviam em condições muito degradantes.

A Sr. Nirmala fez um mestrado em ciência política e também estudou direito e, nos anos 70, tornou-se superiora do ramo contemplativo das Missionárias. Só mais tarde, já em 1997, é que foi eleita Superiora Geral, pouco antes da morte de Madre Teresa. Foi graças a ela que o processo de beatificação de Madre Teresa avançou tão rápido. Já se fala que no próximo ano da misericórdia o Santo Padre pode canonizar Madre Teresa, concluindo o processo de canonização.

Em 2009 o lugar da Sr. Nirmala foi ocupado pela Sr. Mary Prema, que é hoje a Superiora Geral das Missionárias da Caridade.


Santa Missa na Forma Extraordinária celebrada numa casa das Missionárias da Caridade em Puerto Rico.


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terça-feira, 23 de junho de 2015

Alcaide espanhol recusa fazer o juramento sem o crucifixo

"Onde está o crucifixo?", perguntou Borja Gutiérrez Iglesias, o reeleito Alcaide da cidade de Brunete, nos arredores de Madrid (Espanha). Decorria a cerimónia de tomada de posse do seu novo mandato quando interrompeu o juramento, ao perceber que o crucifixo tinha sido retirado da mesa. Mais tarde soube-se que teria sido por pressões de políticos de esquerda.

É com alegria que damos notícia de mais um corajoso político que não se envergonha das raízes cristãs europeias.



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Os direitos dos caracóis - Pe. Gonçalo Portocarrero

Não obstante a iminente encíclica papal sobre a questão ambiental e a muito cristã sensibilidade ecológica – quem não recorda o amor de Francisco de Assis por todas as criaturas?! – confesso que ainda não logrei sentir-me interpelado pelo lancinante apelo dos defensores dos caracóis: “Gostava de ser cozido vivo? Ele também não”.

Em época de santos populares e de arraiais em abundância, houve quem contabilizasse a quantidade de sardinhas que estes festejos acarretam. Só no presente mês de Junho, segundo o mesmo estudo, são consumidas 48 mil sardinhas por hora, 800 por minuto e 13 – número aziago, este! – por segundo. Quase cinquenta mil sardinhas por hora é – desculpem-me a incongruência gastronómica – muita fruta! Não sei mesmo se uma tão monstruosa cifra não permitirá considerar este facto como um autêntico genocídio.

Talvez nunca como agora se exaltaram tanto os animais, em detrimento dos seres humanos: ao mesmo tempo que se promove o aborto e a eutanásia, pretende-se alargar aos seres irracionais os direitos próprios dos cidadãos. Também não falta quem entenda que a diferença entre os animais não humanos e os seres racionais é apenas acidental porque, na realidade, todos são, igualmente, seres vivos. Já não são poucos os bichanos que recebem nomes de pessoas, embora talvez ainda não haja seres humanos chamados Lassie, Fiel, Bóbi, Tejo, Rin-tim-tim, ou coisa que o valha.

A polémica questão dos direitos dos animais baseia-se num preconceito: o de que eles são como nós. É o que está na base do slogan contra a cozedura de caracóis vivos. É verdade que algumas pessoas, de tão brutas, parecem meros animais e alguns animais, ditos irracionais, parecem espertos e afectuosos. Mas são aparências que iludem, porque a distância que vai do mais apto dos símios para o mais estúpido dos homens é infinitamente superior à que dista entre o mais evoluído dos primatas e o mais básico ser vivo. Mais uma vez a ciência confirma o que a Bíblia ensina: enquanto os seres humanos são imagem e semelhança do Criador, os outros seres vivos são apenas criaturas de Deus.

Com efeito, qualquer homem ou mulher, qualquer que seja a sua idade, é um ser dotado de inteligência e vontade e, portanto, essencialmente distinto de todos os outros seres vivos. Alguns animais irracionais têm conhecimento, mas meramente sensitivo, como também os seus sentimentos não são livres, mas instintivos: um cão identifica o dono, mas não conhece a sua natureza, nem é capaz de um acto de verdadeiro amor ou ódio. Alguns seres irracionais sentem, mas não amam, não odeiam, nem sofrem em sentido próprio, porque o amor, o ódio e o sofrimento implicam uma certa consciência, que só é possível em quem está dotado de razão e vontade. Um animal canceroso tem certamente as dores físicas que são próprias da doença, mas não o sofrimento que um ser humano, nessas circunstâncias, padece.

Quer isto dizer, então, que se pode fazer o que se quiser com os animais irracionais? Alguns defensores dos seus alegados direitos entendem que alguns bichos – como os caracóis, por exemplo – não têm quaisquer direitos, mas que os que são sensíveis, como alguns primatas, deveriam ser respeitados, quase como se fossem da nossa espécie. Há até quem fale, paradoxalmente, dos direitos humanos dos animais …

O Cristianismo, muito antes de se falar de ecologia ou de aparecerem os partidos dos verdes, já ensinava a bondade de todos os seres vivos, que são obras de Deus e património da humanidade. Como ensina o Catecismo da Igreja Católica, “o homem deve respeitar a bondade própria de cada criatura, para evitar o uso desordenado das coisas, que despreza o Criador e traz consigo consequências nefastas para os homens e para o seu meio ambiente” (nº 339). Portanto, não é moralmente aceitável a sua indiscriminada destruição. É também eticamente condenável causar dor, por hedonismo ou absurda diversão, aos seres irracionais porque, embora nenhum deles sofra como nós, alguns são sensíveis e, todos, um bem a preservar. Mas é legítimo que se use ou até elimine, de forma razoável, algum ser vivo, vegetal ou animal irracional, sempre que assim o exija o bem comum da humanidade.

Embora seja muito louvável a extrema sensibilidade dos defensores dos caracóis, não é razoável a sua propaganda. Nestas causas, como em todas, não bastam as boas intenções, é preciso também ter razão, sob pena de se cair numa argumentação fanática ou absurda. Foi o caso de um revisor que, ao questionar um passageiro incorrectamente sentado, se era desse jeito que se comportava em casa dele, obteve uma resposta certamente impertinente, mas com carradas de razão: - E  o senhor revisor, no seu lar também pica bilhetes?!

Pe. Gonçalo Portocarrero in Voz da Verdade


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segunda-feira, 22 de junho de 2015

São Tomás Moro, um mártir em defesa da Fé e do Casamento

I. No ano de 1534, em Inglaterra, foi exigido a todos os cidadãos que jurassem a Acta de Sucessão, pela qual se reconhecia como verdadeiro casamento a união de Henrique VIII com Ana Bolena. O Rei era proclamado Chefe supremo da Igreja na Inglaterra, negando-se ao Papa qualquer autoridade. João Fisher, bispo de Rochester, e Tomás Moro, Chanceler do Reino, recusaram-se a jurar a Acta, foram feitos prisioneiros em Abril de 1534 e decapitados no ano seguinte.

Num momento em que muitos se dobraram à vontade real, incluídos os bispos, o juramento desses homens teria passado despercebido e eles teriam conservado a vida, os bens e os cargos, como tantos outros. No entanto, ambos foram fiéis à fé até o martírio. Souberam dar a vida porque foram homens que viveram plenamente a sua vocação cristã, até as últimas consequências.

São Tomás Moro (leigo mártir, +1535) é uma figura muito próxima de nós, pois foi um cristão corrente, que soube compaginar bem a sua vocação de pai de família com a profissão de advogado e mais tarde com a responsabilidade de Chanceler do Reino, logo abaixo do Rei, numa perfeita unidade de vida. Desenvolvia-se no mundo como se estivesse na sua própria casa; amava todas as realidades humanas, que constituíam a trama da sua vida, onde Deus o quis. Ao mesmo tempo, viveu um desprendimento dos bens e um amor à Cruz tão grandes que se pode dizer que deles extraiu toda a sua fortaleza e coragem.

Tomás Moro tinha o costume de meditar todas as sextas-feiras nalguma passagem da Paixão de Nosso Senhor. Quando os filhos ou a esposa se queixavam das dificuldades e contrariedades do dia-a-dia, dizia-lhes que não podiam pretender “ir para o Céu num colchão de penas” e recordava-lhes os sofrimentos padecidos por Cristo, e que o servo não é maior do que o seu senhor. Além de aproveitar as contrariedades para identificar-se com a Cruz, More fazia outras penitências. Levava frequentemente à flor da pele, escondida, uma camisa de pêlo áspero. Foi fiel a esta prática durante a prisão na Torre de Londres, apesar de não serem pequeno incómodo o frio, a humidade da cela e as privações de todo o tipo que passou naqueles longos meses. Encontrou na Cruz a sua fortaleza.

Nós, que procuramos seguir Cristo de perto no meio do mundo e dar dEle um testemunho silencioso, encontramos forças e coragem no desprendimento, no sacrifício diário e na oração?

II. Quando Tomás Moro teve que pedir demissão do seu cargo de Lord-Chanceler, por não concordar em jurar a Acta, reuniu os familiares para expor-lhes o futuro que os aguardava e tomar medidas em relação à situação económica. “Vivi – disse-lhes, resumindo a sua carreira – em Oxford, na hospedaria da Chancelaria..., e também na Corte do Rei..., do mais baixo ao mais alto. Actualmente, disponho de pouco mais de cem libras por ano. Se vamos continuar juntos, todos devemos contribuir com a nossa parte; penso que o melhor para nós é não descermos de uma só vez até ao nível mais baixo”. 

E sugere-lhes uma acomodação gradual, recordando-lhes que se podia viver feliz em cada nível. E se nem sequer pudessem sustentar-se no nível mais baixo, aquele que vivera em Oxford, “então – disse-lhes com paz e bom humor – resta-nos a esperança de irmos juntos pedir esmola, com sacolas e bolsas, e confiar em que alguma boa pessoa sinta compaixão de nós [...]; mas mesmo então haveremos de manter-nos juntos, unidos e felizes”.

Nunca permitiu que nada quebrasse a unidade e a paz familiar, nem mesmo quando se ausentava ou quando foi preso. Viveu desprendido dos bens enquanto os teve, e alegre quando deixou de contar com o indispensável. Sempre soube estar à altura das circunstâncias. Sabia como celebrar um acontecimento, mesmo na prisão. Um biógrafo, seu contemporâneo, contou que, estando preso na Torre, costumava vestir-se com mais elegância nos dias de festa importantes, na medida em que o seu escasso vestuário lho permitia. Sempre manteve a alegria e o bom humor, mesmo no momento em que subia ao cadafalso, porque se apoiou firmemente na oração.

“Dai-me, meu bom Senhor, a graça de esforçar-me por conseguir as coisas que te peço na oração”, rezava. Não esperava que Deus fizesse por ele o que, com um pouco de esforço, podia conseguir por si mesmo. Trabalhou com empenho ao longo de toda a vida até chegar a  ser um advogado de prestígio antes de ser nomeado Chanceler, mas nunca esqueceu a necessidade da oração, ainda que muitas vezes não lhe fosse fácil, sobretudo nas circunstâncias tão dramáticas do processo e dos meses de absoluto isolamento na prisão, enquanto esperava o dia da execução. 

Nesses dias derradeiros, escreveu uma longa oração em que, entre muitas piedosas e comovedoras considerações de um homem ciente de que vai morrer, exclamava: “Dai-me, meu Senhor, um desejo ardente de estar convosco, não para evitar as calamidades deste pobre mundo, nem as penas do purgatório ou tampouco as do inferno, nem para alcançar as alegrias do Céu, nem por consideração do meu proveito, mas simplesmente por autêntico amor a Ti”.

São Tomás Moro apresenta-se sempre aos nossos olhos como um homem de oração; assim pôde ser fiel aos seus compromissos como cidadão e como fiel cristão em todas as circunstâncias, em perfeita unidade de vida. Assim devemos ser todos e cada um de nós. “Católico, sem oração?... É como um soldado sem armas”, dizia S. Josemaria Escrivá.

III. Give me Thy Grace, good Lord, to set the world at nought... “Dai-me a vossa graça, meu bom Senhor, para que tenha o mundo em nada, para que a minha mente esteja bem unida a Vós e não dependa das variáveis opiniões alheias [...]; para que pense em Deus com alegria e  implore ternamente a Sua ajuda; para que me apoie na fortaleza de Deus e me esforce ansiosamente por amá-Lo...; para Lhe dar graças sem cessar pelos Seus benefícios; para redimir o tempo que perdi...” Assim escrevia o Santo nas margens do Livro das Horas que tinha na Torre de Londres. Eram os dias em que se consagrava a contemplar a Paixão, preparando assim a sua própria morte em união com Cristo na Cruz.

Mas São Tomás Moro não viveu de olhos postos em Deus somente naqueles momentos supremos. O seu amor a Deus manifestara-se diariamente no seu comportamento em casa, sempre simples e afável, no exercício da advocacia, e por fim no mais alto cargo público da Inglaterra, como Lord-Chanceler. Cumprindo à risca os seus deveres diários, umas vezes importantes, outras menos, santificou-se e ajudou os outros a encontrar a Deus.

Entre os muitos exemplos de um apostolado eficaz que nos deixou, destaca-se o que levou a cabo com o seu genro, que tinha caído na heresia luterana. “Tive paciência com o teu marido – dizia à sua filha Margaret – e argumentei e debati com ele sobre esses pontos da religião. Dei-lhe além disso o meu pobre conselho paterno, mas vejo que de nada serviu para que voltasse novamente ao redil. Por isso, Meg, não tornarei a discutir com ele, mas vou deixá-lo inteiramente nas mãos de Deus, e vou rezar por ele”. As palavras e as orações de Tomás Moro foram eficazes, e o marido da sua filha voltou à plenitude da fé, foi um cristão exemplar e sofreu muito por ter sido consequente com a fé católica.

São Tomás Moro está diante de nós como modelo vivo da nossa conduta de cristãos. É “semente fecunda de paz e de alegria, como o foi a sua passagem pela terra entre a sua família e amigos, no foro, na cátedra, na Corte, nas embaixadas, no Parlamento e no Governo. É também o padroeiro silencioso da Inglaterra, que derramou o seu sangue em defesa da unidade da Igreja e do poder espiritual do Vigário de Cristo. E como o sangue dos cristãos é semente que germina, o de Tomás More vai lentamente penetrando e impregnando as almas dos que dele se aproximam, atraídos pelo seu prestígio, doçura e fortaleza. More será o apóstolo silencioso do retorno à fé de todo um povo” (A. Vázquez de Prada).

Pedimos a João Fisher e a Tomás Moro que saibamos imitá-los na sua coerência cristã para sabermos viver em todas as circunstâncias da nossa vida como o Senhor espera que vivamos, nas coisas grandes e nas pequenas. Pedimos com palavras da liturgia da festa: Senhor, Vós que quisestes que o testemunho do martírio fosse expressão perfeita da fé, concedei-nos, Vos pedimos, que por intercessão de São João Fisher e de São Tomás More, ratifiquemos com uma vida santa a Fé que professamos com os lábios

in Meditação Diária


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domingo, 21 de junho de 2015

Roma: 1 milhão de pessoas nas ruas contra a Ideologia de Género

Um mar de gente encheu, e fez transbordar, a piazza San Giovanni, em Roma. Foram manifestar-se publicamente a favor da "família natural", contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo e contra a ideologia de género, que tem estado a ser imposta na sociedade ocidental, especialmente nas escolas. O slogan foi: "Defendamos os nossos filhos".

O número de pessoas ultrapassou todas as expectativas, até as dos organizadores deste "Dia da Família". Foi uma impressionante manifestação dos cidadãos contra os políticos que insistem em impor ideologias nefastas e anti-naturais produzindo dessa forma danos incalculáveis ao bem-comum.

Basta de ditadura mascarada de democracia e basta de políticos que teimam em conduzir a Europa contra a sua própria identidade e a caminho do abismo!







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O Santo Sudário é um rastro de Deus neste mundo

Entrevista com Dr. Juan Francisco Sánchez Espinosa, membro da Sociedade Espanhola de Sindonologia, ou seja, estudos relacionados com o Santo Sudário. Este médico espanhol estuda há longos anos o mais singular tecido da cristandade. 

O que é o Santo Sudário?

É um lençol funerário. Alguns autores afirmam, com base nos vários tipos de estudos que já foram feitos, que a sua origem remonta ao século I antes ou depois de Cristo, pelo tipo de estrutura que tem. Curiosamente, as medidas não foram sempre as mesmas, porque, ao longo do tempo, foi havendo várias sobreposições para sustentar o tecido. As medidas actuais são de aproximadamente 4,36m x 1,10m. O vocábulo grego “síndon”, que significa tecido, deu origem à palavra com que chamamos o Santo Sudário, o “Sudário” de Turim. E a sindonologia é o estudo desse tecido tão singular para toda a cristandade.

O que podemos ver no Sudário?

Vemos uma imagem dorsal e frontal de um homem que foi morto mediante a crucificação. Vemos múltiplas feridas disseminadas por todo o tórax, pelo abdómen, pelos membros superiores e inferiores, do que parecem açoites; lesões na cabeça, mais de 600 feridas. E também feridas de transfixação nos pulsos e nos pés.

Como descreveria a imagem que podemos ver no Sudário?

É preciso estar a mais de um metro e meio de distância para conseguir visualizá-la. Não se sabe onde começa e onde acaba. É uma imagem que se formou na superfície do linho, de 4 ou 5 mícrones de profundidade, por uma desidratação da celulose do linho; não existe nenhum resto de pigmento, como foi demonstrado num dos exames feitos em 1978. É algo extraordinário porque, com toda a tecnologia do século XXI, não somos capazes de saber realmente como é que a imagem se formou. Alguns falam dela como a imagem impossível, porque não existe explicação científica.

Também aparecem restos de sangue no Santo Sudário, não é? Que explicação pode haver?

É curioso que o sangue seja prévio à formação da imagem. E é curiosíssimo porque algumas partes do tecido foram raspadas e ficou comprovado que não há imagem. Então podemos concluir que a imagem se formou depois do sangue estar incrustado no tecido. O que sabemos é que se trata de sangue do grupo AB. Mais ou menos 16% da população semítica ou hebraica tem esse tipo de sangue. E, curiosamente, o sangue detectado no Sudário de Oviedo (um pano com a imagem de um rosto) também é do grupo AB. Um detalhe importante é que, no sangue, aparece uma grande quantidade de bilirrubina; e isso acontece quando a morte é causada por muito stress.

Por que podemos dizer que o Santo Sudário é um “negativo fotográfico”?

O primeiro que reparou nisso foi o fotógrafo italiano Secondo Pia, em 1898. Alguns estudos dizem que essa imagem pôde surgir por causa de uma radiação ortogonal; ou seja, que sai verticalmente do corpo e produz a imagem. É como se o corpo tivesse emitido uma radiação; mas, realmente, não se sabe exactamente como aconteceu.

Em 1988, foi feito o exame de Carbono 14 e alguns dizem que o resultado não é determinante para precisar a idade do tecido. Por quê?

Essa prova tem uma fiabilidade de 67% e a única coisa que ela faz é medir o número de átomos de carbono 14 que existem nesse organismo. O carbono é gerado pelos raios cósmicos que formam o nitrogénio. Deram quatro mostras do Sudário, mas todas cortadas do mesmo pedaço. E era o pedaço que foi chamado de “remendo fantasma”, porque nele existem misturas. Isso é um erro de metodologia, porque o lógico teria sido pegar vários pedaços de diferentes partes do Santo Sudário. Quando se diz que a Sudário é da Idade Média, é porque nas mostras que foram dadas às universidades que a estudaram havia tecido medieval misturado com o tecido original. É uma técnica chamada "tecelagem francesa", que usa algodão tingido.

Que aspectos da imagem ressaltaria do ponto de vista médico?

É uma imagem que me diz o tipo de morte que aquele homem sofreu; que ele teve um sofrimento brutal, que sofreu perfuração nos pulsos e nos pés. Isso causou uma dor horrorosa, porque, provavelmente, atingiu o nervo mediano; por isso o dedo polegar ficou puxado para dentro. Também há mais de 600 lesões que devem ter causado no homem da Sudário uma hemorragia descomunal, com uma perda de sangue muito grande. 

Há lesões de chicotadas compatíveis com o “flagrum taxilatum”, que era uma espécie de chicote formado por tiras de couro terminadas nos chamados “taxil”, formados por pedaços de ossos ou de chumbo que se cravavam na carne; de facto, há pedaços de músculo que foram recolhidos do Sudário, na altura das costas da imagem. Deve ter sido um espancamento selvagem. Esse tipo de tortura podia destroçar a musculatura intercostal, lesionar órgãos internos, etc.

Alguns estudiosos falam também do pólen como prova de que o Sudário veio de Jerusalém, não é?

Sim, porque, nos estudos, foi descoberto que muitas mostras de pólen do tecido vêm da área de Jerusalém. Concretamente, quatro ou cinco espécies que são próprias da região do Mar Morto e de Jerusalém. Alguns pesquisadores judeus da Universidade Hebraica de Jerusalém, como Uri Baruh, concluíram que o Santo Sudário esteve em Jerusalém durante a Primavera e, aproximadamente, há 2000 anos atrás.

O Santo Sudário é um milagre?

Para mim, sim, é um milagre. Eu acredito que Deus deixa rastros neste mundo e um deles é o Santo Sudário, porque não há explicação científica. O Santo Sudário interpela-nos porque, se é verdade que ele fala de Jesus Cristo morto e ressuscitado, o que a Igreja diz também é verdade e, portanto, precisamos de mudar de vida. E se não nos interessa mudar de vida, então não vale a pena ouvir nada disto.

in Zenit
Papa Francisco venera e mostra a sua devoção ao Santo Sudário  - 21 de Junho 2015


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sábado, 20 de junho de 2015

11 coisas que não vão ouvir sobre a encíclica do Papa Francisco

A versão oficial da eco-encíclica do Papa Francisco Laudato Si (LS) foi publicada há poucos dias. Enquanto os media se vão focar nas partes dedicadas às mudanças climáticas e ao aquecimento global, há onze coisas na encíclica que provavelmente ninguém vai ver nos cabeçalhos das notícias:

(1) A Criação tem um Criador e é mais do que apenas "natureza-mais-evolução" (LS 75, 77);

(2) Ecologia humana significa reconhecer e valorizar a diferença entre masculinidade e feminilidade (LS 155);

(3) Jesus santifica o trabalho humano (LS 98);

(4) Tirem os olhos dos telefones e encontrem-se uns aos outros (LS 47);

(5) Salvem os bébés humanos (LS 91, 120, 136);

(6) Ajudar os pobres requer mais do que simples esmolas (LS 128);

(7) A sobrepopulação não é o problema (LS 50);

(8) A verdadeira ecologia precisa de uma verdadeira antropologia e respeito pela dignidade humana (LS 65, 118);

(9) Uma mudança real precisa de uma mudança na cultura e não apenas na política (LS 123, 211);

(10) A Igreja não quer resolver questões científicos e precisamos de um debate honesto e aberto (LS 60, 118);

(11) Acabem com o cinismo, o secularismo e a imoralidade (LS 229).



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