sábado, 30 de setembro de 2017

Se Deus aparecesse nos noticiários

Se Deus aparecesse nos noticiários que lugar restaria à liberdade humana, ao livre arbítrio e à Fé? Como poderíamos duvidar de uma evidência?

Como faria o homem o caminho da confiança, de volta a uma relação entretanto traída? Não! A maior razão da Fé reside na salvaguarda da liberdade humana; em reganhar uma confiança entretanto perdida pela Queda. 

É preciso viver a revolução permanente, contra o espírito da época, contra a heresia da moda. Só assim se obtém o perdão e o regresso a casa.

G.K. Chesterton


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Jesus ordena ao demónio: "Vai com os porcos"

Vede a que ponto a alma do homem é preciosa. O que contraria os que pensam que os homens e os animais têm uma alma idêntica e que somos animados pelo mesmo espírito. Noutra altura, o demónio foi expulso de um só homem e foi enviado para dois mil porcos (cf Mt 8,32). 

Aquilo que era precioso foi salvo, e o que era vil, perdido: «Sai do homem, vai para os porcos. Vai para onde quiseres, vai para os abismos. Deixa o homem que é Minha propriedade. Não te vou deixar possuir o homem pois seria para Mim um ultraje instalares-te nele em Meu lugar. Assumi um corpo humano, vivo no homem: essa carne que possuis faz parte da Minha carne: sai deste homem!»

São Jerónimo in Homilias sobre o Evangelho de São Marcos, nº2


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Coroa Angélica de São Miguel Arcanjo

Esta devoção foi ensinada e pedida pelo próprio Arcanjo à serva Antónia de Astónaco, em Portugal A devoção passou para outros países, foi aprovada por muitos bispos e até pelo Santo Papa Pio IX, que a enriqueceu de indulgências, a 8 de Agosto de 1851. 

Método para rezar:

DEUS vinde em nosso auxílio. 
SENHOR socorrei-nos e salvai-nos. 
Glória ao Pai, ao Filhos e ao Espírito Santo,
como era no princípio, agora e sempre. 
Ámen.

Primeira Saudação
Pela intercessão de SÃO MIGUEL e do coro celeste dos SERAFINS, fazei-nos SENHOR dignos do fogo da perfeita Caridade. 
Um PAI Nosso ... Três Ave Marias ... 

Segunda Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos QUERUBINS, pedimos SENHOR a graça de trilharmos a estrada da perfeição cristã. 
Um PAI Nosso ... Três Ave Marias ...

Terceira Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos TRONOS, pedimos SENHOR que nos deis o espírito da verdadeira humildade. 
Um PAI Nossa ... Três Ave Marias ... 

Quarta Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste das DOMINAÇÕES, pedimos ao SENHOR nos conceda a graça de dominar nossos sentidos, e de nos corrigir das nossas más paixões. 
Um PAI Nosso ... Três Ave Marias ... 

Quinta Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste das POTESTADES, pedimos ao SENHOR se digne de proteger nossas almas contra as ciladas e as tentações de satanás e dos demónios. 
Um PAI Nosso ... Três Ave Marias ... 

Sexta Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste das VIRTUDES, pedimos ao SENHOR a graça de sermos, vencedores no perigoso combate das tentações. 
Um PAI Nosso ... Três Ave Marias ... 

Sétima Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste dos PRINCIPADOS, pedimos ao SENHOR que nos dê o espírito de uma verdadeira e sincera obediência a Ele. 
Um PAI Nosso ... Três Ave Marias ...

Oitava Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste de todos os ARCANJOS, pedimos ao SENHOR nos conceder o dom da perseverança na Fé e nas boas obras, a fim de que possamos chegar a possuir a glória do Paraíso. 
UM PAI NOSSO ... Três Ave Marias ... 

Nona Saudação
Pela intercessão de São Miguel e do coro celeste de todos os ANJOS, pedimos ao SENHOR que estes espíritos bem-aventurados nos guardem sempre, e principalmente na hora da nossa morte e nos conduzam à glória do Paraíso. 
Um PAI Nosso ... Três Ave Marias ... 

No final reza-se:

Um PAI Nosso ... (em honra de São Miguel Arcanjo) 
Um PAI Nosso ... (em honra de São Gabriel) 
Um PAI Nosso ... (em honra de São Rafael) 
Um PAI Nosso ... (em honra do nosso Anjo da Guarda) 

Termina-se rezando:

Antífona: Glorioso São Miguel, chefe e príncipe dos exércitos celestes, fiel guardião das almas, vencedor dos espíritos rebeldes, amado da casa de DEUS, nosso admirável guia depois de Cristo; vós cuja excelência e virtudes são eminentíssimas, dignai-vos livrar-nos de todos os males, nós todos que recorremos a vós com confiança, e fazei pela vossa incomparável protecção que adiantemos, cada dia mais, na fidelidade em servir a DEUS. Ámen.

Rogai por nós, ó bem-aventurado São Miguel, príncipe da Igreja de CRISTO. 
Para que sejamos dignos de Suas promessas. 

Oração: DEUS, todo poderoso e eterno, que por um prodígio de bondade e misericórdia para a salvação dos homens, escolhesses para príncipe de vossa Igreja o gloriosíssimo arcanjo São Miguel, tornai-nos dignos, nós Vo-lo pedimos, de sermos preservados de todos os nossos inimigos, a fim de que na hora da nossa morte nenhum deles nos possa inquietar, mas que nos seja dado de sermos introduzidos por ele na presença da Vossa poderosa e Augusta Majestade, pelos merecimentos de JESUS CRISTO, Nosso Senhor. Ámen.


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sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Oração a São Miguel Arcanjo (pequeno exorcismo)

Sancte Michael Archangele, defende nos in proelio, contra nequitiam et insidias diaboli esto praesidium. Imperet illi Deus, supplices deprecamur: tuque, Princeps militiae caelestis, Satanam aliosque spiritus malignos, qui ad perditionem animarum pervagantur in mundo, divina virtute, in infernum detrude. Amen. 

São Miguel Arcanjo, defendei-nos neste combate, sede o nosso auxílio contra as maldades e as ciladas do demónio. Instante e humildemente vos pedimos que Deus sobre ele impere. E vós, Príncipe da Milícia Celeste, com esse poder divino, precipitai no inferno a satanás e aos outros espíritos malignos que vagueiam pelo mundo para perdição das almas. Ámen.


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quinta-feira, 28 de setembro de 2017

A história da Sede Gestatória

O uso da sede gestatória pelos Papas não era um resquício da crueldade esclavagista dos faraós egípcios ou dos imperadores do Baixo Império Romano. Era, ao contrário, um valioso “serviço” prestado aos devotos que se amontoavam nas cerimónias pontifícias e que se queixavam de não poder ver o Papa quando ele passava abençoando. Não é por acaso o uso da sede era limitado à parte interna das grandes basílicas, a começar pela de São Pedro e a de São João de Latrão, ou em liturgias solenes ao ar livre que atraíssem multidões. 

Em suma, era algo equivalente, na actualidade, aos grandes ecrãs nos eventos nas praças. Não nos esqueçamos que uma grande massa de peregrinos chegava continuamente a Roma, e de lugares cada vez mais distantes, ut videre Petrum, para ver Pedro; e grande seria a sua decepção se, espremidos no meio da multidão, não pudessem ver o rosto do Pontífice e a sua mão abençoando.

Paulo VI disse ao seu amigo Jean Guitton que ficar naquela cadeira era “muito incómodo”, porque balançava, mas de bom grado suportava o desconforto por uma questão de equidade: todos os que desejassem poderiam ver e serem vistos pelo Santo Padre e não apenas aqueles que tivessem privilégios ou gozassem de prioridades. Pelo mesmo motivo, João XXIII utilizou-a inúmeras vezes. Mas João Paulo II e Bento XVI não a quiseram, principalmente para evitar equívocos. No entanto, usaram uma esteira móvel (um “deslocador” apoiado sobre rodas), que não tinha apenas função “ortopédica”, mas também a de melhorar a visibilidade dos fiéis.

Em todo caso, levar sobre os ombros o Santo Padre era uma grande honra, disputada pelas famílias mais eminentes de Roma. E, ainda hoje, apesar de tudo, há uma grande competição em cidades antigas, como Viterbo e Gubbio, para fazer parte do grupo de eleitos que terão o privilégio de levar a cada ano a pesadíssima Macchina di Santa Rosa e os círios, também eles de peso considerável.

Porém, ainda no Vaticano, temos, entre outras coisas, a ordem com a qual Pio IV, em meados do século XVI, regulamentou o serviço da sede, reservando-o apenas aos“cavalheiros romanos”. Com o tempo, o uso tornou-se mais profissional e os sediari pontifici (este é o nome oficial) uniram-se a outra categoria ambicionada e prestigiada, a dos Serviçais do Papa e dos cardeais, criando uma fraternidade que teve a honra de ter uma igreja no Vaticano, ao lado da porta de Santa Ana.

Apenas uma mínima parte do trabalho dos sediari consistia no transporte do Papa sobre os ombros: como já dissemos, recorria-se àquele assento elevado apenas em certas ocasiões. Vestidos com elegante libré, com o escudo de armas papal bordado no peito, eram parte da “Família do Santo Padre” e estavam, portanto, entre os que tinham maior intimidade com ele. Cuidavam e entretinham as visitas nas ante-câmaras e um deles tinha a honra de dormir na sala adjacente à do Papa, a qual dispunha de uma campainha, pronta para avisar caso houvesse qualquer emergência.

Papa João Paulo I sendo levado pelos sediari pontifici, que tiveram a honra de ter uma igreja dentro do Vaticano

Quanto ao transporte nos ombros do trono papal, realizavam-no 12 pessoas, três para cada um dos quatro travessões. Em geral, tratava-se de percorrer umas poucas centenas — normalmente dezenas — de metros, nada difícil para pessoas jovens e robustas, visto que a partir de certa idade se lhes eram reservados apenas os serviços que exigiam pouca mobilidade, nas ante-câmaras. A fadiga de muitos operários ou pedreiros de hoje é muito mais intensa e prolongada, durando até a idade da reforma. 

Sem esquecer o salário adequado e seguro (coisa rara e preciosa em tempos como os actuais) e, sobretudo, da satisfação pessoal: como disse, o serviço directo ao Vigário de Cristo e, principalmente, o esforço para mostrá-lo à multidão de devotos, foi considerado entre os serviços mais prestigiosos e meritórios, digno inclusive de uma recompensa sobrenatural.

Vittorio Messori in 'Il Timone'


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Profeta Jeremias descreve o que acontece a quem defende a verdade


Seduziste-me, SENHOR, e eu me deixei seduzir! Tu me dominaste e venceste. Sou objecto de contínua irrisão, e todos escarnecem de mim. Todas as vezes que falo é para proclamar: «Violência! Opressão!»

A palavra do SENHOR tornou-se para mim motivo de insultos e escárnios, dia após dia. A mim mesmo dizia: «Não pensarei nele mais! Não falarei mais em seu nome!» Mas, no meu coração, a sua palavra era um fogo devorador, encerrado nos meus ossos. 

Esforçava-me por contê-lo, mas não podia. Ouvia invectivas da multidão: «Cerco de terror! Denunciai-o! Vamos denunciá-lo!» Os que eram meus amigos espiam agora os meus passos: «Se o enganarmos, triunfaremos dele, e dele nos vingaremos.» O SENHOR, porém, está comigo, como poderoso guerreiro. 

Por isso, os meus perseguidores serão esmagados e cobertos de confusão, porque não hão-de prevalecer. A sua ignomínia nunca se apagará da memória. Mas Tu, SENHOR do universo, examinas o justo, sondas os rins e os corações. 

Que eu possa contemplar a tua vingança contra eles, pois a ti confiei a minha causa! Cantai ao SENHOR, glorificai o SENHOR, porque salvou a vida do pobre da mão dos malvados. 

Jr 20, 7-13


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terça-feira, 26 de setembro de 2017

Nesta cidade não há divórcios, por que será?

A cidade de Siroki Brijeg (na Bósnia e Herzegovina), tem uma maravilhosa particularidade: ninguém se lembra que tenha existido um só divórcio, entre os seus milhares de habitantes, nem alguma família que tenha deixado a Fé católica. A população é quase toda composta por croatas, que são católicos fervorosos.

O segredo é simples: os habitantes croatas têm mantido a sua fé católica, suportando por causa disso a perseguição dos turcos durante séculos, e depois dos comunistas. A sua Fé está fortemente arraigada no conhecimento do poder salvador da Cruz de Jesus Cristo.

Esse povo possui uma grande sabedoria, que vem sabendo aplicar ao Matrimónio e à Família. Eles sabem de que o Matrimónio está indissoluvelmente ligado à Cruz de Cristo. O sacerdote diz-lhes: “Encontraste a tua cruz. É uma cruz para amar, levá-la contigo, uma cruz que não se tira, mas que se guarda, enterra-se na tua alma”. Quando um casal se prepara para contrair Matrimónio, não lhes dizem que encontraram a “pessoa perfeita”. Não! A Cruz representa o Amor Maior e o Crucifixo é o tesouro da casa. Quando os noivos vão à Igreja, levam o Crucifixo com eles. O sacerdote benze o Crucifixo.

Quando chega o momento de afirmar os seus votos, a noiva põe a sua mão direita sobre o crucifixo e o noivo põe a sua mão sobre a dela, de maneira que as duas mãos estão unidas à cruz. O sacerdote cobre as mãos deles com a sua estola, enquanto proclamam as suas promessas segundo o rito da Igreja: de serem fiéis um ao outro, nas alegrias e nas penas, na saúde e na enfermidade, até a morte.

Depois, os noivos não se beijam, mas ambos beijam a cruz. Se um dos dois abandona o outro, abandona a Cristo na Cruz. Depois da cerimónia, os recém-casados levam o crucifixo para casa, onde é posto num lugar de honra. Será para sempre o ponto de referência e o lugar de oração familiar.

Em tempo de dificuldades não vão ao advogado, nem ao psiquiatra, mas vão juntos diante da cruz em busca da ajuda de Jesus. Chorarão e abrirão os seus corações, pedindo perdão ao Senhor e um ao outro. E irão dormir em paz porque no seu coração receberam o consolo e o perdão do Único que tem o poder para salvar.

Ensinarão os filhos a beijar a cruz cada dia, e a não irem dormir como os pagãos sem dar graças primeiro a Jesus. Sabem que Jesus os tem nos Seus braços e não há nada a temer.

in catholic.net


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A influência de um Padre nos seus paroquianos

Relato de um viajante que passou por Ars, à época de São João Maria Vianney, o Cura d'Ars: Três homens arrastavam com dois cavalos uma árvore cortada. Chegando a um riacho, o Fontblin, um dos cavalos recuou, pisou em falso e caiu, ferindo-se. Os homens acudiram, tirando o animal da penosa situação. Nenhum dos três deu sinal de cólera, nem proferiram imprecações, nem surraram o pobre animal. Tão grande domínio de si era para mim coisa nunca vista!

O Padre Vianney recomendava aos seus paroquianos o "Abençoai, Senhor" e a acção de graças antes e depois das refeições, e a recitação do Angelus, três vezes ao dia, onde quer que se achassem e sem quaisquer respeitos humanos. Assim que as três badaladas soavam pelo vale e transpunham as pequenas colinas, cessava o trabalho. Os homens descobriam a cabeça. As mulheres juntavam as mãos. 

Todos rezavam as orações prescritas pelo zeloso pároco. Mas tal proceder merecia zombarias dos aldeões vizinhos. Diziam eles: se fordes atrás de vosso cura ele vos converterá em capuchinhos! Mas essas pilhérias em nada abatiam o bom ânimo dos fiéis paroquianos que respondiam: O nosso Cura é um santo e a ele devemos obedecer.

De 1830 a 1845, chegavam diariamente a Ars entre 300 a 400 pessoas. Durante o último ano em que o santo viveu, segundo afirma Francisco Pertinand, o número de peregrinos chegou a 80 mil, contando só os que usavam carro de serviço. O total dos peregrinos chegaria a cento e vinte mil. Nestes tempos, o abnegado e santo pároco permanecia no Confessionário durante 16 a 18 horas por dia.

Francis Trochu in 'O Santo Cura d'Ars'


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segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Peregrinação Summorum Pontificum: Missa Solene em Rito Dominicano

O celebrante desta Missa Solene em Rito Dominicano foi o Rev. Pe. Dominique-Marie de Saint-Laumer, Prior-Geral da Fraternidade de São Vicente Ferrer.

Até ao Concílio de Trento existiam numerosos ritos celebrados em latim. A partir do momento em que a missa foi codificada, os ritos que existiam há mais de 200 anos foram reconhecidos na bula Quo Primum, promulgado pelo Papa Pio V no dia 14 de Julho de 1570.

O rito dominicano permaneceu inalterado desde o séc. XIII, quando a ordem dominicana foi fundada. É uma variação no Rito Romano. Mas diferenças entre o Rito Dominicano e o Romano são numerosas e até variam dentro da expressão da Missa (Baixa, Cantada ou Alta). Por exemplo, na Santa Missa dominicana, o celebrante usa o amizade sobre a cabeça até o início da Missa e prepara imediatamente o cálice ao chegar ao altar.

No Rito Dominicano não se diz o Introibo ad altare Dei nem o Salmo 42 Judica me, em vez disso, diz-se Confitemini Domino quoniam bonus, ao que o acólito responde Quoniam in saeculum misericordia ejus. São Domigos é mencionado num Confiteor abreviado. Tanto o Gloria como o Credo iniciam-se no centro do altar e concluem-se no Missal. 


O cálice é levado em procissão ao altar durante o canto da Glória. Depois, enquanto o subdiácono lê a Epístola, o diácono desdobra o corporal. Quando acaba a Epístola, o diácono prepara o cálice. O cálice é depois removido do altar pelo subdiácono e levado ao celebrante, que está sentado no lado da Epístola. O celebrante verte então o vinho e a água, e o cálice é levado de volta ao altar. Ocorrem algumas variações de postura e posição em relação ao Rito Romano, e a incensação dos ministros dá-se durante o canto do Prefácio, ao contrário do Rito Romano.

No Ofertório há uma oblação simultânea do Hóstia e do Cálice e apenas uma oração, o Suscipe Sancta Trinitas.

O Cânone romano é usado de acordo com o Vetus Ordo do Rito Romano, mas o sacerdote tem posturas ligeiramente diferentes para algumas partes do Cânone: as suas mãos estão dobradas, e imediatamente após a consagração, para o Unde et Memores, ele estende os seus braços em forma de cruz.

O Agnus Dei é dito imediatamente após o Pax Domini e depois são ditas as orações Hæc sacrosancta commixtio, Domine Iesu Christe e Corpus et sanguis. Na Comunhão o padre recebe a Hóstia com a sua mão esquerda. Nenhuma oração é dita no Comunhão do Precioso Sangue. 

Na Pax, é usado o instrumenta pacis (porta paz). Depois de o sacerdote ter deixado cair uma pequena parte da Hóstia no Cálice, imediatamente após a recitação do Agnus Dei, o padre recita a fórmula de mistura e beija o cálice. O diácono aproxima-se pelo lado direito do sacerdote, pega no porta paz e apresenta-o ao sacerdote para que o beije. Depois, o diácono beija ele próprio o porta paz e desce os degraus até ao subdiácono. Apresenta-o para ele beijar, dizendo Pax tibi et Ecclesiae Dei sanctae. Entrega-lhe então o porta paz para que possa realizar o mesmo rito com os dois acólitos. O subdiácono prossegue para "dar a paz" aos frades no coro antes de devolver o instrumenta pacis ao altar, colocando-o no lado da Epístola em relação ao corporal.

Esta foi uma lindíssima liturgia final para uma peregrinação maravilhosa que permitiu testemunhar a nossa Tradição Católica.

Deo gratias!

















in lmswrexham.weebly.com


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Recordar Fátima: Pórtico do Santuário




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domingo, 24 de setembro de 2017

62 académicos católicos fazem "correcção filial" ao Papa Francisco

Com uma iniciativa que já não acontecia na Igreja há 700 anos, 62 católicos notáveis, entre clero e leigos, tornaram público um documento no qual alertam para as heresias que têm sido apoiadas durante o pontificado do Papa Francisco e pedem, filialmente, ao Santo Padre que ensine e afirme sem equívocos a doutrina católica. Este é o texto que apresenta o documento:

Uma carta de vinte e cinco páginas, assinada por 40 clérigos católicos e académicos leigos, foi enviada ao Papa Francisco no dia 11 de Agosto último. Como até o momento o Santo Padre não deu qualquer resposta, o documento é tornado público hoje, 24 de Setembro de 2017, Festa de Nossa Senhora das Mercês e da Virgem de Walsingham (Norfolk, Inglaterra, 1061).

Com o título latino“Correctio filialis de haeresibus propagagatis” (literalmente, “Uma correcção filial em relação à propagação de heresias”), a carta ainda está aberta à adesão de novos signatários, já tendo sido firmada até o momento por 62 clérigos e académicos de 20 países, representando também outros que não carecem da liberdade de expressão necessária.

Nela se afirma que o Papa, através de sua Exortação apostólica Amoris laetitia, bem como de outras palavras, actos e omissões a ela relacionados, manteve sete posições heréticas referentes ao casamento, à vida moral e à recepção dos sacramentos,resultando na difusão das mesmas no interior da Igreja Católica. Essas sete heresias são expostas pelos signatários em latim, a língua oficial da Igreja.

Esta carta de correcção contém três partes principais. Na primeira, os signatários explicam a razão pela qual lhes assiste, como fiéis católicos praticantes, o direito e o dever de emitir tal correcção ao Sumo Pontífice. –– Porque a lei da Igreja exige das pessoas competentes que elas rompam o silêncio ao verem que os pastores estão desviando o seu rebanho. Isso não implica nenhum conflito com o dogma católico da infalibilidade papal, porquanto a Igreja ensina que, para que as declarações de um Papa possam ser consideradas infalíveis, ele deve antes observar critérios muito estritos.

O Papa Francisco não observou esses critérios. Não declarou que essas posições heréticas constituem ensinamentos definitivos da Igreja, nem afirmou que os católicos devem acreditar nelas com o assentimento próprio da fé. A Igreja ensina que nenhum Papa pode declarar que Deus lhe revelou qualquer nova verdade nas quais os católicos deveriam acreditar.

A segunda parte da carta é fundamental, uma vez que contém a própria “correcção”. Nela se enumeram as passagens em que Amoris laetitia insinua ou encoraja posições heréticas, e depois as palavras, actos e omissões do Papa Francisco que mostram, além de qualquer dúvida razoável, que ele deseja que os católicos interpretem essas passagens de uma maneira que é, de facto, herética. Em particular, o Pontífice apoiou directa ou indirectamente a crença de que a obediência à Lei de Deus pode ser impossível ou indesejável e que a Igreja deve às vezes aceitar o adultério como um comportamento compatível com a vida de um católico praticante.

A última parte, chamada “Nota de Esclarecimento”, discute duas causas desta crise singular. Uma delas é o “Modernismo”. Teologicamente falando, o Modernismo é a crença de que Deus não dotou a Igreja com verdades definitivas, as quais Ela deve continuar a ensinar exactamente do mesmo modo até o fim dos tempos. Os modernistas afirmam que Deus se comunica apenas com as experiências humanas sobre as quais os homens podem reflectir, de modo a fazerem asserções diferentes sobre Deus, a vida e a religião; mas essas declarações são apenas provisórias, e nunca dogmas imutáveis. O Modernismo foi condenado pelo Papa São Pio X no início do século XX, mas renasceu em meados desse século. A grande e contínua confusão causada pelo Modernismo na Igreja Católica obriga os signatários a descrever o verdadeiro significado de “fé”, “heresia”, “revelação” e “magistério”.

Uma segunda causa da crise é a aparente influência das ideias de Martinho Lutero sobre o Papa Francisco. A carta mostra como Lutero, fundador do protestantismo, teve ideias sobre o casamento, o divórcio, o perdão e a lei divina que correspondem às que o Papa promoveu através de suas palavras, actos e omissões. A Correctio filialis também destaca os elogios explícitos e sem precedentes que o Papa Francisco fez do heresiarca alemão.

Os signatários não se aventuram a julgar o grau de consciência com que o Papa Francisco propagou as sete heresias que enumeram,mas insistem respeitosamente para que condene tais heresias, as quais ele sustentou directa ou indirectamente.

Os signatários professam sua lealdade à Santa Igreja Católica, assegurando ao Papa as suas orações e solicitando-lhe a Bênção apostólica.


A correcção propriamente dita, que consiste na explanação das sete heresias foi escrita em latim. Aqui fica a tradução para português: 

Através destas palavras, actos e omissões, bem como das passagens acima mencionadas do documento Amoris laetitia, Sua Santidade apoiou, directa ou indirectamente, e propagou dentro da Igreja, com um grau de consciência que não procuramos julgar, tanto por ofício público como por acto privado, as seguintes proposições falsas e heréticas:

1. “Uma pessoa justificada não tem a força, com a graça de Deus, para cumprir as exigências objetivas da lei divina, como se a observância de qualquer um dos mandamentos de Deus fosse impossível aos justificados; ou como significando que a graça de Deus, quando produz a justificação do indivíduo, não produz invariavelmente e por sua própria natureza, a conversão de todo pecado grave, ou não é suficiente para a conversão de todo pecado grave.”

2. “Os católicos que obtiveram um divórcio civil do cônjuge com o qual estão validamente casados e contraíram um matrimónio civil com alguma outra pessoa durante a vida de seu cônjuge, e que vivem more uxore com seu parceiro civil, e que escolhem permanecer nesse estado com pleno conhecimento da natureza do seu acto e com pleno consentimento do acto pela vontade, não estão necessariamente em estado de pecado mortal e podem receber a graça santificante e crescer na caridade.”

3. “Um fiel católico pode ter pleno conhecimento de uma lei divina e voluntariamente escolher violá-la, mas não estar em estado de pecado mortal como resultado desse acto.”

4. “Uma pessoa que obedece a uma proibição divina pode pecar contra Deus por causa desse acto de obediência.”

5. “A consciência pode reconhecer que actos sexuais entre pessoas que contraíram um casamento civil, mesmo que uma delas esteja casada sacramentalmente com outra pessoa, podem às vezes ser moralmente lícitos, ou sugeridos ou até mandados por Deus.”

6. “Os princípios e as verdades morais contidos na revelação divina e na lei natural não incluem proibições negativas que proscrevem absolutamente certos tipos de actos, na medida em que eles são gravemente ilícitos em razão de seu objecto.”

7. “Nosso Senhor Jesus Cristo quer que a Igreja abandone sua disciplina perene de negar a Eucaristia aos divorciados recasados, e de negar a absolvição aos divorciados recasados que não expressem nenhuma contrição por seu estado de vida e o propósito firme de emenda nesse particular.”

O documento na sua totalidade pode ser lido aqui em português: Correctio filialis de haeresibus propagagatis

Se algum académico se quiser juntar ainda a esta iniciativa basta enviar um email para: info@correctiofilialis.org

Qualquer pessoa pode assinar esta petição de apoio à correcção filial: Support by the Catholic Laity for the Filial Correction of Pope Francis

Rezemos pela Santa Igreja Católica, esposa de Cristo e nossa Mãe.


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sábado, 23 de setembro de 2017

Padre Pio: dizia Missa humildemente, confessava de manhã à noite

Hoje a Igreja celebra a memória do Santo Capuchinho que marcou o século passado e continua do Céu, mais do que nunca, a sua obra de evangelização: Padre Pio de Pietrelcina.

Onze dias antes da sua morte, o Padre Pio de Pietrelcina escreveu uma carta ao Papa Paulo VI. Nessa missiva dizia o santo: “Sei bem das profundas aflições que angustiam o vosso coração nestes dias relativamente aos novos rumos da Igreja, à paz do mundo e as múltiplas necessidades dos povos. Mas sobretudo pela falta de obediência de alguns católicos a respeito dos esclarecedores ensinamentos que Sua Santidade, com o auxílio do Espírito Santo, nos tem dado em nome de Deus”, e agradece ao Pontífice, “em nome de meus filhos espirituais e dos grupos de oração” pela “posição clara e decisiva que nos transmitistes, especialmente na última encíclica Humanae Vitae, e reafirmo a minha fé e a minha obediência incondicional às vossas iluminadas diretrizes”.

Hoje a Igreja comemora o 45° aniversário da entrada ao paraíso do Santo Estigmatizado, canonizado por João Paulo II no dia 16 de Junho de 2002.

“Qual é o segredo de tanta admiração e amor a este novo Santo?”- perguntava João Paulo II no discurso da cerimônia de canonização – “Ele é, em primeiro lugar, um ‘frade do povo’, característica tradicional dos Capuchinhos. Além disso, ele é um santo taumaturgo, como testemunham os extraordinários acontecimentos que adornam a sua vida. Mas, sobretudo, Padre Pio é um religioso sinceramente apaixonado de Cristo crucificado. Ele participou no mistério da Cruz também de maneira física ao longo da sua vida”.

Vida e vocação

Nascido no dia 25 de Maio de 1887, às cinco horas duma tarde chuvosa, Francisco Forgione, o futuro capuchinho santo, é da cidade de Pietrelcina (Província de Benevento), na época uma pacata região onde a população era sã e crente. O casamento de Grazio Forgione e Maria Giusappa De Nunzio foi abençoado com o fruto de oito nascimentos, sendo o Padre Pio, o quinto filho.

Já como criança mostrou ter uma grande sensibilidade para o sobrenatural; desde a idade de onze anos, consagrou-se espontaneamente ao Senhor e a S. Francisco.

Depois de terminados os estudos preparatórios como postulante, quando as primeiras dificuldades que ameaçavam o desabrochar da sua vocação foram vencidas, foi permitido a Francisco começar o seu noviciado nos Padre Capuchinhos no convento de Morcone, na província de Benevento, no dia 22 de Janeiro de 1903. A 10 de Agosto de 1910 foi ordenado sacerdote na catedral de Benevento por Monsenhor Shinosi. Entre a numerosa assistência notava-se sua mãe. Chorava comovida: um filho padre!

Sofrimento, oferecimento e estigmas

“Sinto dores violentas. Tenho a impressão que as minhas mãos, os meus pés e o meu lado são trespassados por uma lâmina, enquanto eu medito na Paixão de Cristo”, escrevia o santo ao seu confessor por volta de 1912, quando tinha apenas 23 anos.

“A missa do Padre Pio era um mistério incompreensível”, declara Don Giuseppe Orlando, um santo padre, também ele nascido em Pietrelcina: “A missa por vezes durava mais de quatro horas. Via-se que estava de tal forma abrasado em Deus que ficava mais de uma hora imóvel em êxtase. Por vezes, ficava como que petrificado como o altar. A expressão do seu rosto transfigurava-se; por momentos irradiava felicidade, depois exprimia de novo sofrimento e dores físicas”.

Na Sexta-Feira, 20 de Setembro de 1918 recebeu, tal como o seu bem-aventurado patrono S. Francisco de Assis, a marca sangrenta das chagas de Cristo, nas mãos, nos pés e no lado esquerdo. O Padre Pio estava só no convento. Recebeu os estigmas durante uma visão. Enquanto o jovem capuchinho estava em oração no coro da pequena igreja, meditando na Paixão de Cristo diante do grande crucifixo que aí se encontrava e ainda se encontra, Cristo apareceu-lhe com as chagas sangrentas. Ele mesmo narra em uma das suas cartas:

“Encontrava-me no coro – conta ele – depois da celebração da missa, quando fui surpreendido por uma calma que se assemelhava a um doce sono. Todos os meus sentidos, internos e externos e a faculdade do meu espírito, também se encontravam numa tranquilidade indescritível...” E continua “E todo o resto se passou num relâmpago, e enquanto isto se passava, eu vi diante de mim um personagem misterioso, o mesmo que tinha aparecido a cinco de Agosto, com a única diferença que desta vez as suas mãos e os seus pés e o seu peito escorriam sangue. Esta visão apavorou-me; o que senti nesse instante, nunca lho saberei contar. Sentia-me morre e decerto teria morrido se o Senhor não interviesse, para suster o meu coração que me parecia querer saltar do meu peito. Essa personagem desapareceu e então reparei que as minhas mãos, os meus pés e o meu peito, estavam trespassados e escorriam sangue! Imagine a tortura que senti então e que sinto continuamente cada dia...”

Zelo apostólico

Entre as pessoas ilustres que o procuraram encontra-se o então bispo de Cracóvia, Karol Wojtyla, futuro Papa João Paulo II. Testemunham isso também duas cartas enviadas ao santo no ano de 1962, quando Karol se encontrava em Roma durante o Concílio Vaticano II. Nessa carta agradece a oração do Padre Pio pela cura de uma médica com cancro e pelo filho de um advogado de Cracóvia que trazia uma doença de nascença. Na carta pedia também a intercessão por mais duas intenções: uma senhora paralisada e as enormes necessidades pastorais da sua diocese.

O Padre Pio não pensava senão nas almas. Numa carta dirigia ao seu confessor, escrevia: “Nada mais vos quero dizer senão isto: Jesus concede-me uma íntima alegria quando posso sofrer e trabalhar pelos meus irmãos. Trabalhei e continuarei a trabalhar. Rezei e quero continuar a rezar pelos meus irmãos. Velei e quero continuar a velar ainda mais. Chorei e quero chorar sempre pelos meus irmãos no exílio”.

“Segui o exemplo do vosso santo confrade falecido há pouco – dizia Paulo VI em um discurso aos membros do Capítulo Geral da Ordem dos Capuchinhos – “Vede a fama que ele teve! Que clientela mundial ele não conseguiu à sua volta! Mas, porquê? – Seria ele um filósofo, um sábio, dispondo de meios? – Apenas porque dizia missa humildemente, confessava de manhã à noite, e era, é difícil de o dizer, o representante de Nosso Senhor, marcado com as chagas da nossa Redenção”. Peçamos hoje a intercessão de tão poderoso amigo de Deus. 

in Zenit


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sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Quando te prepararas para disseminar o marxismo mas o inesperado acontece



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A violência em Charlottesville, o racismo e o aborto


Do dia para a noite

A violência vem de trás, mas agudizou-se recentemente quando a câmara de Charlottesville (no Estado de Virginia, EUA) decidiu remover o monumento ao General Robert E. Lee, por ele ter lutado na guerra civil americana pelo lado confederado. Um grupo de nacionalistas brancos saiu à rua a contestar. Foi-lhe ao encontro uma contra-manifestação e, no enfrentamento, morreu mais uma pessoa. Foi este o ponto de partida de outra reacção exaltada à conta da qual já voaram bastantes outras estátuas dos seus pedestais e há planos para retirar mais 720, no conjunto dos EUA.

Duas das estátuas voadoras são de Roger Brooke Taney, primeiro uma em Baltimore e, dois dias depois, outra em Annapolis, ambas no Estado de Maryland. Em ambos os casos, a operação decorreu literalmente do dia para a noite. Em Annapolis, capital do Estado, eram precisamente as 2 horas da madrugada de quinta para sexta-feira (18 de Agosto de 2017). Para não perderem tempo a reunir-se, os membros do executivo estadual votaram por correio electrónico, de modo que foi só chamar o guindaste e esperar pela noite, para evitar perturbações da ordem pública. Será que alguém aprende a lição?

Recordemos quem foi este Roger Brooke Taney, por que é que lhe erigiram estátuas e o que ele fez de mal.

Roger Taney foi um funcionário político e depois um magistrado com prestígio em meados do século XIX. Embora se soubesse que era católico, fez parte do gabinete do Presidente dos EUA, foi Secretário da Guerra e Secretário do Tesouro. Foi o primeiro católico a desempenhar cargos de responsabilidade e, durante muitos anos, o único. Em 1836, bateu um recorde semelhante, como primeiro católico eleito Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça.

Foi nesta função que lhe incumbiu, em 1857, ser o redactor da sentença «Dred Scott», aprovada por 7 dos 9 juízes do Supremo Tribunal. É daqui que vem toda a animosidade contra Roger Taney, ainda que não imediatamente, porque a generalidade dos juristas da época concordava com ele, como se depreende da esmagadora maioria que votou a sentença. Depois da sua morte, Taney teve mais de um século para ser lembrado como ilustre e para lhe erguerem estátuas. Até que passaram 160 anos e as coisas mudaram.

Dred Scott e a mulher eram escravos que reclamavam o direito à liberdade e a sentença do Supremo interpretou a lei em sentido desfavorável. Taney opunha-se pessoalmente à escravatura, que considerava «uma mancha no carácter da América», e no início da carreira tinha libertado todos os seus escravos. Além disso, era pró-unionista, contra os confederados. Contudo, contra a sua convicção pessoal, Roger Taney declarou que a Constituição norte-americana não protegia os negros. O acórdão pergunta-se retoricamente se os negros podem ser cidadãos e responde. «Pensamos que não, porque isso não vem na Constituição e, na altura, a palavra “cidadão” não pretendia incluir os negros. (...) Pelo contrário, na época eles eram considerados subordinados e seres de classe inferior, que tinham sido subjugados pela raça dominante».

Isto foi escrito em meados do século XIX?! É tão parecido com os acórdãos do Tribunal Constitucional de Portugal e de tantos países!

A Constituição defende a absoluta inviolabilidade da vida humana... mas os bebés antes de nascerem não são humanos; ...e as pessoas doentes também não; ...nem os idosos. A Constituição fala do casamento... mas, a palavra pode significar outra coisa, mesmo intrinsecamente estéril. A Constituição fala na liberdade de educação e proíbe o Estado de tomar posição a favor de qualquer doutrina ...mas quem duvida que a opinião do Ministério é a única certa?! A Constituição reconhece o direito a conhecer os próprios pais ...mas a PMA proíbe que a criança saiba quem é o pai, para ter o direito a saber que tem duas mães. Além disso, entre o conceito de pai e de mãe há tantos géneros...

Durante algum tempo, as ideologias conseguem impor as coisas mais estapafúrdias. Parece que não há limite, com a ajuda de uns juristas de formação positivista, que vão para além do imaginável, incluindo as próprias convicções morais. Até que chega o momento exaltado em que as lindas estátuas voam, do dia para a noite.

José Maria C.S. André in Correio dos Açores, 27-VIII-2017


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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

A terceira via para lidar com a "tendência homossexual"



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São Mateus, Apóstolo e Evangelista

Banhada pelas águas do lago Genesaré, cortada pelas principais estradas do país, sede das casas comerciais as mais importantes, assim era Cafarnaum,  uma das cidades mais florescentes da Palestina. No tempo de Jesus Cristo a Palestina era uma província romana, e onerosos eram os impostos e direitos aduaneiros que pesavam sobre os judeus.  A cobrança destas contribuições obrigatórias era feita geralmente por rendeiros públicos, homens especuladores, verdadeiros esfoladores e sanguessugas do povo, e por isto mal vistos e odiados. Já o nome de Publicano, isto é, pecador público, excomungado, que se lhes dava, não deixava dúvida sobre a má fama de que tais homens gozavam.

Vivia em Cafarnaum Levi, filho de Alfeu, que mais tarde mudou o nome em Mateus, dom de Deus. Cafarnaum era a cidade pela qual Jesus Cristo mostrava grande simpatia, tanto que os santos Evangelhos chamam-na a Sua cidade. Na sinagoga ou na praia do lago, doutrinou frequentemente e curou muitos doentes.

Foi numa dessas ocasiões que Jesus, tendo pregado na praia, passou perto do telónio de Levi, parou e disse: "Segue-me". Levi levantou-se imediatamente, abandonou o rendoso negócio, mudou de nome e de vida. Não é provável que esta mudança tão radical tenha sido fruto de um entusiasmo espontâneo. É antes, de se supor, que Levi tenha tomado essa resolução devido ao que vira e ouvira, de modo que o convite positivo do divino Mestre lhe tenha pôsto têrmo às últimas dúvidas sobre a orientação da sua vida futura. Diz São Jerónimo que Levi,  vendo Nosso Senhor, ficou atraído pela divina majestade que fulgurava nos olhos de Jesus Cristo. Converteu-se Levi, diz Beda o Venerável,  porque Aquele que o chamou pela palavra, lhe dispôs o coração pela graça divina.

Mateus deu em seguida um grande banquete de despedida aos amigos e colegas, e convidou também Jesus e os discípulos. Os fariseus e escribas que, com olhos de lince observavam todos os gestos do Mestre, vendo que este aceitara o convite, acusaram-no dizendo: "Este homem anda com publicanos e pecadores e banqueteia-se com eles!". Também os discípulos de Jesus tiveram de ouvir repreensões: "Como é que o vosso Mestre se senta à mesa com os pecadores?".  Jesus, porém, respondeu-lhes:  "Não são os sãos, mas sim os doentes, que necessitam do médico. Não vim para chamar os justos, senão os pecadores".  Daí em diante Mateus foi um dos discípulos mais dedicados ao divino Mestre, e seguiu-o por toda a parte. 

Logo depois da Ascensão de Jesus Cristo e da vinda do Espírito Santo, Mateus, junto com os outros Apóstolos, pregou o Santo Evangelho nas províncias da Palestina e, com os demais Apóstolos, julgou-se feliz em poder sofrer injúria por amor de Jesus. Foi São Mateus, de entre os Apóstolos, o primeiro que escreveu um relatório da vida e morte de Jesus Cristo, dando a este livro o título de "Evangelho", que significa: "boa nova". Este Evangelho foi escrito em sírio-caldaico, para o uso dos primeiros cristãos da Palestina. São Bartolomeu levou consigo uma cópia para as Índias.

Quando os Apóstolos se espalharam por todo o mundo, São Mateus dirigiu-se para a Arábia e Pérsia, onde sofreu cruéis perseguições pelos sacerdotes indígenas. São Clemente de Alexandria diz que São Mateus era homem de mortificação e penitência, e alimentava-se só de ervas, raízes e frutas. Sofreu maus tratos na cidade de Mirmene.

Os pagãos arrancaram-lhe os olhos e, preso com algemas, esperou no cárcere o dia em que devia ser sacrificado aos deuses, por ocasião da grande festa idólatra. Deus, porém,  não abandonou o seu servo;  mandou-lhe um Anjo que lhe curou a vista e o libertou da prisão. São Mateus seguiu então para a Etiópia. Também lá o demónio quis tolher-lhe os passos.  Dois feiticeiros de grande fama opuseram-se-lhe,  mas São Mateus venceu-os pela força esmagadora dos argumentos e pelos milagres que fazia, em nome de Jesus Cristo.  Removido este obstáculo,  o povo aceitou a religião de Deus humanado.

Foi por intermédio do eunuco da rainha Candace, o mesmo que São Filipe baptizou, que São Mateus obteve entrada no palácio real. Lá havia grande luto pela morte do jovem príncipe herdeiro Eufranon. São Mateus, tendo sido chamado ao palácio, fez o defunto ressurgir, milagre este que encheu a todos de admiração.  O Rei, em sinal de alegria e gratidão, mandou arautos por todo o país deitarem pregão da seguinte ordem: "Súbditos! Vinde todos à capital ver um deus, que apareceu entre nós, em forma humana!"

Afluíram aos milhares os súbditos de todas as partes do reino, trazendo perfumes e incenso, para serem oferecidos ao deus que tinha aparecido. Mateus, porém, esclareceu-os dizendo:"Eu não sou Deus, como julgais que seja, mas servo de Jesus Cristo, Filho de Deus vivo;  foi em Seu Nome que fiz o filho do vosso Rei ressuscitar; foi Ele que me enviou a vós, para vos pregar a Sua doutrina e vos trazer a Sua graça e salvação".  Essas palavras tiveram bom acolhimento e a maior parte do povo converteu-se à religião de Jesus Cristo.  A Igreja da Etiópia chegou a ser uma das mais florescentes dos tempos apostólicos. O rei Egipto e família eram cristãos fervorosíssimos, tanto que Efigénia, a filha mais velha, fez voto de castidade perpétua e a seu exemplo, muitas filhas das famílias mais ilustres consagraram-se a Deus, numa vida de perfeição cristã.

Com a morte do Rei subiu ao trono o seu sobrinho Hírtaco, o qual, para estabelecer o governo sobre bases mais sólidas, pediu Efigénia em casamento. Esta recusou, alegando o voto feito a Deus. Hírtaco, não se conformando com esta resposta, exigiu que São Mateus fizesse valer a autoridade de Bispo, para que se realizasse o enlace desejado. São Mateus declarou ao Príncipe não ter competência Para envolver-se no caso. 

Vendo-se assim profundamente contrariado nos seus planos, Hírtaco deu ordem aos soldados de fazer desaparecer o Apóstolo. Esta ordem foi executada na igreja onde São Mateus celebrava a Missa. Pondo de lado o respeito devido ao lugar e à pessoa do santo Apóstolo, os sicários do Rei mataram-no no próprio altar. 

O corpo do Santo Mártir foi durante muito tempo objecto de grata veneração do povo cristão da capital. No ano de 930, foi transportado para Salerno (Itália) onde São Mateus até hoje é festejado como padroeiro da cidade.      

in Página do Oriente


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