quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Bento XVI deixa-nos




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Discurso de despedida do Papa Bento XVI na sua última Audiência


Venerados Irmãos no Episcopado e no Presbiterado!
Ilustres Autoridades!
Amados irmãos e irmãs!



Agradeço-vos por terdes vindo em tão grande número a esta minha última Audiência Geral.De coração, obrigado! Sinto-me verdadeiramente comovido e vejo a Igreja viva! E acho que devemos dizer obrigado também ao Criador pelo bom tempo que nos dá agora, ainda no Inverno.


Como fez o Apóstolo Paulo no texto bíblico que ouvimos, também eu sinto em meu coração que devo sobretudo agradecer a Deus, que guia e faz crescer a Igreja, que semeia a sua Palavra e assim alimenta a fé no seu Povo. Neste momento, alarga-se o horizonte do meu espírito e abraça toda a Igreja espalhada pelo mundo; e dou graças a Deus pelas «notícias» que pude receber, nestes anos de ministério petrino, acerca da fé no Senhor Jesus Cristo, da caridade que circula realmente no Corpo da Igreja e o faz viver no amor, e da esperança que nos abre e orienta para a vida em plenitude, para a pátria do Céu.


Sinto que tenho a todos comigo na oração, num presente que é o de Deus, onde reúno cada encontro, cada viagem, cada visita pastoral. Reúno tudo e todos na oração, para os confiar ao Senhor, pedindo-Lhe que tenhamos pleno conhecimento da sua vontade, com toda a sabedoria e inteligência espiritual, e possamos comportar-nos de maneira digna d’Ele, do seu amor, dando frutos em toda a boa obra (cf. Col 1, 9-10).


Neste momento, reina em mim uma grande confiança, porque sei, sabemos todos nós, que a Palavra de verdade do Evangelho é a força da Igreja, é a sua vida. O Evangelho purifica e renova, dá frutos por todo o lado onde a comunidade dos fiéis o escuta e acolhe a graça de Deus na verdade e na caridade. Esta é a minha confiança, esta é a minha alegria.


Quando, no dia 19 de Abril de quase oito anos atrás, aceitei assumir o ministério petrino, uma certeza firme se apoderou de mim e sempre me acompanhou: esta certeza de que a Igreja vive da Palavra de Deus. Naquele momento, como já disse várias vezes, as palavras que ressoaram no meu coração foram: Senhor, porque me pedis isto…, uma coisa imensa!? Este é um grande peso que me colocais sobre os ombros, mas se Vós mo pedis, à vossa palavra lançarei as redes, seguro de que me guiareis, mesmo com todas as minhas fraquezas. E, oito anos depois, posso dizer que o Senhor me guiou verdadeiramente, permaneceu junto de mim, pude diariamente notar a sua presença. Foi um pedaço de caminho da Igreja que teve momentos de alegria e luz, mas também momentos não fáceis; senti-me como São Pedro com os Apóstolos na barca no lago da Galileia: o Senhor deu-nos muitos dias de sol e brisa suave, dias em que a pesca foi abundante; mas houve também momentos em que as águas estavam agitadas e o vento contrário – como, aliás, em toda a história da Igreja – e o Senhor parecia dormir. Contudo sempre soube que, naquela barca, está o Senhor; e sempre soube que a barca da Igreja não é minha, não é nossa, mas é d’Ele. E o Senhor não a deixa afundar; é Ele que a conduz, certamente também por meio dos homens que escolheu, porque assim quis. Esta foi e é uma certeza que nada pode ofuscar. E é por isso que, hoje, o meu coração transborda de gratidão a Deus, porque nunca deixou faltar a toda a Igreja e também a mim a sua consolação, a sua luz, o seu amor.


Estamos no Ano da Fé, que desejei precisamente para reforçar a nossa fé em Deus, num contexto que parece colocá-Lo cada vez mais de lado. Queria convidar todos a renovarem a confiança firme no Senhor, a entregarem-se como crianças nos braços de Deus, seguros de que aqueles braços nos sustentam sempre e nos permitem caminhar todos os dias, mesmo no cansaço. Queria que cada um se sentisse amado por aquele Deus que entregou o seu Filho por nós e nos mostrou o seu amor sem limites. Queria que cada um sentisse a alegria de ser cristão. Numa bela oração, que se recita diariamente pela manhã, diz-se: «Eu Vos adoro, meu Deus, e Vos amo com todo o coração. Agradeço-Vos por me terdes criado, feito cristão...». Sim! Estamos contentes pelo dom da fé; é o bem mais precioso, que ninguém nos pode tirar! Agradeçamos ao Senhor por isso mesmo todos os dias, com a oração e com uma vida cristã coerente. Deus nos ama, mas espera que também nós O amemos!


Mas não é só a Deus que quero agradecer neste momento. Um Papa não está sozinho na condução da barca de Pedro, embora recaia sobre ele a primeira responsabilidade. Eu nunca me senti sozinho, ao carregar as alegrias e o peso do ministério petrino; o Senhor colocou junto de mim tantas pessoas que, com generosidade e amor a Deus e à Igreja, me ajudaram e estiveram ao meu lado. E em primeiro lugar vós, amados Irmãos Cardeais: a vossa sabedoria, os vossos conselhos, a vossa amizade foram preciosos para mim; os meus Colaboradores, a começar pelo meu Secretário de Estado que me acompanhou fielmente ao longo destes anos; a Secretaria de Estado e a Cúria Romana inteira, bem como todos aqueles que, nos mais variados sectores, prestam o seu serviço à Santa Sé: são muitos rostos que não sobressaem, permanecem na sombra, mas precisamente no silêncio, na dedicação quotidiana, com espírito de fé e humildade, foram para mim um apoio seguro e fiável. Um pensamento especial para a Igreja de Roma, a minha diocese! Não posso esquecer os Irmãos no Episcopado e no Presbiterado, as pessoas consagradas e todo o Povo de Deus: nas visitas pastorais, nos encontros, nas audiências, nas viagens, sempre senti grande solicitude e profundo afecto; mas também eu amei a todos e cada um sem distinção, com aquela caridade pastoral que é o coração de cada Pastor, sobretudo do Bispo de Roma, do Sucessor do Apóstolo Pedro. Todos os dias tinha presente cada um de vós na oração, com o coração de pai.

Depois, queria que a minha saudação e o meu agradecimento chegassem a todos: o coração de um Papa abraça o mundo inteiro. E queria expressar a minha gratidão ao Corpo Diplomático junto da Santa Sé, tornando presente a grande família das nações. Aqui penso também a todos aqueles que trabalham por uma boa comunicação, e agradeço-lhes o seu serviço importante.

Neste momento, queria agradecer verdadeiramente do coração também às inúmeras pessoas, de todo o mundo, que nas últimas semanas me enviaram comoventes sinais de atenção, amizade e oração. Sim! O Papa nunca está sozinho, pude experimentá-lo agora mais uma vez e duma maneira tão grande que toca o coração. O Papa pertence a todos, e muitíssimas pessoas se sentem estreitamente unidas a ele. É verdade que recebo cartas dos grandes do mundo – dos Chefes de Estado, dos líderes religiosos, dos representantes do mundo da cultura, etc. –, mas recebo também muitíssimas cartas de pessoas simples que me escrevem simplesmente com o seu coração e me fazem sentir o seu afecto, que brota do facto de estarmos unidos com Jesus Cristo, na Igreja. Estas pessoas não me escrevem como se faz, por exemplo, a um príncipe ou a um grande que não se conhece; mas escrevem-me como irmãos e irmãs ou como filhos e filhas, com o sentido de um vínculo familiar muito afectuoso. Aqui pode-se tocar com a mão o que é a Igreja: não uma organização, uma associação para fins religiosos ou humanitários, mas um corpo vivo, uma comunhão de irmãos e irmãs no Corpo de Jesus Cristo, que nos une a todos. Poder experimentar a Igreja deste modo e quase tocar com as mãos a força da sua verdade e do seu amor é motivo de alegria, num tempo em que muitos falam do seu declínio. Mas vejamos como a Igreja está viva hoje!

Nestes últimos meses, senti que as minhas forças tinham diminuído, e pedi a Deus com insistência, na oração, que me iluminasse com a sua luz para me fazer tomar a decisão mais justa, não para o meu bem, mas para o bem da Igreja . Dei este passo com plena consciência da sua gravidade e também novidade, mas com uma profunda serenidade de espírito. Amar a Igreja significa também ter a coragem de fazer escolhas difíceis, dolorosas, tendo sempre diante dos olhos o bem da Igreja e não a nós mesmos.


Permiti-me, aqui, voltar mais uma vez àquele 19 de Abril de 2005. A gravidade da decisão esteve precisamente no facto de que, daquele momento em diante, me comprometera sempre e para sempre com o Senhor. Sempre: quem assume o ministério petrino deixa de ter qualquer vida privada. Pertence sempre e totalmente a todos, a toda a Igreja. A sua vida fica, por assim dizer, totalmente despojada da dimensão privada. Pude experimentar, e estou a experimentá-lo precisamente agora, que um recebe a vida precisamente quando a dá. Eu disse, antes, que muitas pessoas que amam o Senhor, amam também o Sucessor de São Pedro e estão-lhe afeiçoadas; que o Papa tem verdadeiramente irmãos e irmãs, filhos e filhas em todo o mundo, e que se sente seguro no abraço da vossa comunhão; é assim, porque deixou de se pertencer a si mesmo, pertence a todos e todos pertencem a ele.


Mas o «sempre» é também um «para sempre»: não haverá mais um regresso à vida privada. E a minha decisão de renunciar ao exercício activo do ministério não revoga isto; não volto à vida privada, a uma vida de viagens, encontros, recepções, conferências, etc. Não abandono a cruz, mas permaneço de forma nova junto do Senhor Crucificado. Deixo de trazer a potestade do ofício em prol do governo da Igreja, mas no serviço da oração permaneço, por assim dizer, no recinto de São Pedro. Nisto, ser-me-á de grande exemplo São Bento, cujo nome adoptei como Papa. Ele mostrou-nos o caminho para uma vida, que, activa ou passiva, está votada totalmente à obra de Deus.

Agradeço a todos e cada um ainda pelo respeito e compreensão com que acolhestes esta decisão tão importante. Continuarei a acompanhar o caminho da Igreja, através da oração e da reflexão, com aquela dedicação ao Senhor e à sua Esposa que procurei diariamente viver até agora, e quero viver sempre. Peço que me recordeis diante de Deus, e sobretudo que rezeis pelos Cardeais, chamados a uma tarefa tão relevante, e pelo novo Sucessor do Apóstolo Pedro. Que o Senhor o acompanhe com a luz e a força do seu Espírito!

Invocamos a materna intercessão da Virgem Maria, Mãe de Deus e da Igreja, pedindo-Lhe que acompanhe cada um de nós e toda a comunidade eclesial; a Ela nos entregamos, com profunda confiança.

Queridos amigos! Deus guia a sua Igreja; sempre a sustenta mesmo e sobretudo nos momentos difíceis. Nunca percamos esta visão de fé, que é a única visão verdadeira do caminho da Igreja e do mundo. No nosso coração, no coração de cada um de vós, habite sempre a jubilosa certeza de que o Senhor está ao nosso lado, não nos abandona, está perto de nós e nos envolve com o seu amor. Obrigado!


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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Tu és Pedro




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Será que a Santíssima Virgem pediu ao Papa Bento para renunciar?

Será que Maria revelou alguma coisa ao Papa Bento?

Como é que um Papa pode tomar a decisão de renunciar ao Papado? Os efeitos de tal decisão são desconcertantes. É uma decisão que afecta todos os Católicos e todas as pessoas na terra. Ele é o Vigário de Cristo. As suas orações e acções (através da participação do Sumo Sacerdócio de Cristo) ganham graças para o mundo.

É óbvio que o Papa Bento XVI aprecia e venera o cargo de Pedro. Sua Santidade tem uma compreensão profunda do sofrimento redentor. O Papa Bento, é o que parece, desejaria lutar por ele até ao fim. A saúde física a diminuir e a muita idade apanharam todos os Papas desde São Pedro. De certeza que não foi só a saúde fraca a levar o nosso Santo Padre a renunciar à Santa Sé de São Pedro.

Isto levanta a questão: Porquê, então, é que o Papa Bento está a tomar esta decisão histórica? Será que a sua decisão está apenas baseada na saúde fraca... ou é mais alguma coisa?
Ouvi recentemente uma homilia de um sacerdote que admiro muito. O sacerdote sugeriu que o Papa Bento estava a receber "ordens de cima". O Papa Bento, afinal de contas, tem um superior a quem tem que obedecer: Jesus Cristo Nosso Senhor.

O sacerdote sugeriu que o Papa Bento recebeu uma mensagem ou aparição da Bem-Aventurada Virgem Maria. Isto é especulação, mas o anúncio da abdicação de Sua Santidade na Festa de Nossa Senhora de Lourdes pode indicar uma origem mariana na sua decisão.

Há inimigos fora e dentro da Igreja Católica. Pessoalmente, penso que há podridão espiritual a afectar a máquina de trabalho do Vaticano. Quando se tornou Papa, Sua Santidade referiu-se aos "lobos" que estavam dentro da Igreja. Não é segredo que há cardeais que se opõem ao Papa Bento. Eu suspeito (e isto é pura especulação) que o Céu está prestes a intervir de uma forma que nunca poderíamos prever.

Acredito que o Papa Bento nunca teria renunciado se não lhe fosse dito assim por uma ordem celestial. Penso que Jesus e Maria disseram a Sua Santidade para fazer esta decisão e anúncio históricos. Nossa Senhora é a Exterminadora de Heresias. Ela está prestes a limpar a casa.

Tal como São Pedro (nosso primeiro Papa) disse uma vez:

"Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus " (1 Pe 4:17)

O Papa Bento XVI indicou implicitamente que tinha recebido uma ordem do Céu ainda no outro dia, no seu Angelus final da janela papal:

"Mas isto não significa abandonar a Igreja, pelo contrário, se Deus me está a pedir para fazer isto é para que eu possa continuar a servir a Igreja com a mesma dedicação e o mesmo amor com que tenho feito até agora, mas de uma forma que é mais adequada à minha idade e às minhas forças."
- Papa  Bento XVI "Angelus" 24 Fev, 2013

O julgamento divino começa primeiro pelo Seu povo. A renúncia do Papa Bento pode ser a primeira peça de dóminó a cair de uma reacção em cadeia de acontecimentos importantes. Mais uma vez, penso que estamos a ver um mistério de uma intervenção sobrenatural. Quem diria que o Ano da Fé ia exigir tanta fé!
Continuem a rezar o Terço diariamente, a ir à confissão semanalmente e a dizer as vossas orações da manhã e da noite, comecem a ler a Bíblia todos os dias. Façam desta uma boa quaresma.  Taylor Marshall


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domingo, 24 de fevereiro de 2013

Grândola, Vila Morena? - Pe. Gonçalo Portocarrero

Portugal é, decididamente, um país alegre. É o foguetório minhoto, é o folclore beirão, é o bailinho da Madeira. Mesmo em crise, com um brutal desemprego, com famílias endividadas, com jovens a emigrar, o país canta. Na Grécia os manifestantes arremetem com fúria contra a polícia de choque; em França, os habitantes dos bairros periféricos incendeiam carros; nos Estados Unidos, os psicopatas fazem fogo real em escolas e universidades. Mas em Portugal não, em Portugal os descontentes cantam o “Grândola, Vila Morena”!

Vai um ministro a um acto oficial e que faz a horda contestatária? Atira uma bomba? Sequestra o membro do governo? Acerta-lhe com ovos? Suja-o com tinta? Nada disso! Canta-lhe uma balada! E não é que o ministro fica tão comovido que, para esconder as lágrimas, se retira silencioso, com a voz embargada pela emoção?! Que exemplo para a Europa e para o mundo!

Não sei se este excesso de alegria da juventude contestatária não deveria ser taxado pelas Finanças. Temo que os jovens destes coros espontâneos não saibam passar recibos sem erros ortográficos, mas certamente sabem responder ao jeito do ex-secretário de Estado da Cultura. Da cultura vicentina, certamente.

O país deve regozijar-se com a jovialidade destes manifestantes profissionais, porque se cantam é porque estão felizes e, se estão tão alegres, é de certeza porque comem bem e bebem melhor. Se algum reparo há a fazer é quanto à letra, porque em vez de “Grândola, Vila Morena”, ficava-lhes melhor dizer “Grândola, Vila Escurinha”…


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sábado, 23 de fevereiro de 2013

Manso e humilde de coração - S. João Crisóstomo

Ainda hoje Cristo é para nós um Mestre cheio de doçura e de amor. Vede como Ele age. Mostra-Se compassivo para com o pecador que, no entanto, merece as Suas censuras. Aqueles que provocam a Sua cólera deveriam ser aniquilados, mas Ele dirige aos homens culpados palavras cheias de doçura: «Vinde a Mim, tornai-vos Meus discípulos, porque sou manso e humilde de coração». Deus é humilde; o homem é orgulhoso. 

O juiz mostra-se clemente; o malfeitor arrogante. O artesão profere palavras de humildade; a argila discorre à maneira de um rei (cf Is 29,16; 45,9). «Vinde a Mim, tornai-vos Meus discípulos, porque sou manso e humilde de coração». Ele não traz o chicote para castigar, mas o remédio para curar.

Pensai na Sua bondade inexprimível. Recusareis o vosso amor ao Mestre que nunca castiga e a vossa admiração ao juiz que defende o culpado? As Suas palavras tão simples não vos podem deixar insensíveis: «Sou o Criador e amo a Minha obra; sou o artesão e cuido daquele que formei» (cf Gn 2,7). Se me preocupasse somente com a Minha dignidade, não levantaria o homem caído. Se não tratasse a sua doença incurável com remédios adequados, ele nunca poderia recuperar a saúde. 


Se não o confortasse, ele morreria. Se apenas o ameaçasse, ele pereceria. Ele jaz no solo, mas vou aplicar nele o bálsamo da bondade (cf Lc 10,34). Compadecido, baixo-Me para o ajudar a levantar-se. Aquele que se mantém de pé não poderá levantar um homem caído no chão sem se inclinar para lhe estender a mão. «Vinde a Mim, tornai-vos Meus discípulos, porque sou manso e humilde de coração.»


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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Santa Maria e São José: modelo para os casais de hoje

Vamos directos ao assunto: pode-se afirmar que Santa Maria, a mãe de Jesus, teve relações sexuais com São José, seu esposo? A resposta é negativa. Com efeito, a Igreja sempre ensinou que Maria permaneceu virgem antes, durante e depois do parto de seu único filho, Jesus de Nazaré. Jamais houve comércio sexual entre os cônjuges da sagrada família! 

Sem embargo, conforme explicou Ratzinger, “(...) a doutrina do ser divino de Jesus não sofreria nenhuma restrição, se Jesus fosse o fruto de um casamento humano convencional, porque a filiação divina, que é objecto da fé cristã, não é um facto biológico mas sim ontológico.” (Introdução ao Cristianismo). Em que consistia a intimidade conjugal de Maria e José? É e não é difícil dizê-lo. Comecemos pelo “não é”. Certamente, como em muitos matrimónios, Maria e José nutriam entre si um amor esponsal imenso, expresso assim na caridade como em permutas afectivas honestas, para empregar as palavras dos especialistas em teologia moral. Por outro lado, é difícil delinear o pano de fundo dessas santíssimas interações entre a mãe e o pai adoptivo de Jesus, pois não dispomos de elementos, quer escriturísticos quer oriundos da sagrada tradição.

Numa sociedade que supervaloriza o sexo, soa um tanto quanto incongruente  propor os sagrados cônjuges como modelo de casal. Afinal de contas, há quem diga, inclusivé no CPM, que o sexo é 70% responsável pelo sucesso do casamento. No entanto, com arrimo na fé, a sagrada família é um paradigma lucipotente e insuperável dos comportamentos maduros e amorosos a serem concretizados entre esposos e filhos.

Conclui-se, portanto, que o mais importante no casamento é o amor, e não o sexo. A fé dos cônjuges, também é relevante. Bento XVI, aproveitando o Ano da Fé sublinhou a relevância decisiva da virtude teologal da fé por parte dos casados: “Cerrar-se a Deus ou rechaçar a dimensão sagrada da união conjugal e do seu valor na ordem da graça tornam árdua a vivência concreta do altíssimo modelo de matrimónio concebido pela Igreja, segundo o plano de Deus.” (Discurso aos auditores da Rota Romana, 26/1/2013).

Verificamos, então, que é na sagrada família, uma célula social do passado distante, prenhe de amor e de fé, que os casais católicos têm de buscar inspiração para a vivência concreta do seu respectivo conúbio, embora, conforme escrevemos acima, haja parcos dados a propósito do convívio histórico entre Maria e José. Neste momento, socorre-nos a meta-história, vez que Maria Santíssima, qual arquétipo perfeito de mãe e de esposa, do Céu assiste qualquer casal que a ela recorre, que lhe pede para rogar a Jesus, o único dador das graças, por luzes e forças para a vida a dois.
       
Não resta dúvida de que o Rosário ou Terço, uma oração cristológica caríssima a Nossa Senhora, é um meio exímio para os casais contemporâneos implementarem no seu casamento específico a essência do que constituiu o matrimónio terrestre entre Maria e José.

Edson Sampel in Zenit


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Obrigado Papa Bento XVI



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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

A aparição de Maria a César Augusto no Natal


O reinado romano de César Augusto foi uma era de paz, prosperidade e felicidade. Augusto fez um censo imperial durante esta era de paz, durante o qual fechou o templo de Janus pela terceira vez, no quarto ano do seu reinado. O Príncipe da Paz iria nascer neste parêntesis histórico de paz. De acordo com S. Beda, o Venerável, "amante da paz, Ele nasceria no tempo mais sossegado. E não poderia haver indicação mais directa de paz do que um censo feito por todo o mundo, cujo mestre era Augustus, que reinava no tempo da natividade de Cristo há alguns doze anos, na maior paz, a guerra tinha sido embalada num sono por todo o mundo."

A tradição diz que Caesar Augustus aprendeu do oráculo da sibila [profeta] tiburtina que uma criança hebraica iria silenciar todos os oráculos dos deuses romanos. A tradição também registou que a Santíssima Virgem Maria, segurando Cristo Menino nos seus braços, apareceu a Caesar Augustus na colina capitolina. Augustus reconheceu que esta visão correspondia ao oráculo que falava da criança hebraica. Em resposta a esta aparição de Maria e Jesus, Augustus construiu um altar no capitólio em honra desta criança com o título Ara Primogeniti Dei, que significa "Altar do Primogénito de Deus". Mais de trezentos anos depois, o imperador cristão Constantino o Grande construiu uma igreja nesta localização da aparição e do altar, chamada Basilica Sanctae Mariae de Ara Coeli, que significa "Basílica de Santa Maria do Altar do Céu."

Se alguém visitar a igreja hoje irá ver os murais de Caesar Augustus e da sibila tiburtina pintados em ambos os lados do arco por cima do altar. Estas imagens fazem lembrar o oráculo que profetizara a vinda do "Primogénito de Deus" hebraico. No século XV, esta igreja tornou-se famosa por uma estátua de Cristo Menino esculpida com madeira de oliveira tirada do Jardim do Getsemani, fora de Jerusalém.  A ligação da igreja ao nascimento de Cristo tornou-a num lugar adequado à devoção à infância do Salvador.

Entretanto, no bairro judaico de Roma, no dia da natividade de Cristo, uma fonte de óleo surgiu do chão numa taberna de um certo homem num sítio chamado hoje Trastevere - a região a Sul do Vaticano e a Oeste do rio Tibre. Esta fonte de óleo revelou aos judeus de Roma que o Messias tinha finalmente nascido, visto que Messias ou Cristo significa "ungido com óleo". Até este mesmo dia, a Igreja de Santa Maria de Trastevere marca o local. O Imperador Septimius Severus, que reinou de 193 a 211 A.D., deu o local aos Cristãos. No ano 220 A.D., o Papa São Calisto I transformou o sítio numa igreja e as suas relíquias ainda lá estão, debaixo do altar principal. A igreja foi reconstruída várias vezes e ainda se pode mesmo visitar hoje.

Existem apenas um par de ligações interessantes entre Cristo e Roma. Taylor Marshall


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O pendão da Páscoa - João César das Neves


Os estandartes de Cristo já se podem ir buscar ao Largo da Luz, 11, 1600-498. Tlf - 217 140 515
«Estes mandamentos que hoje te imponho estarão no teu coração. … Escrevê-los-ás sobre as ombreiras da tua casa e nas tuas portas» (Dt 6, 6 e 9).

O Deus invisível, transcendente, sublime fez-se carne e habitou entre nós. Este facto inaudito é a base da nossa fé. Isto significa que Deus assumiu um corpo, um rosto, uma posição social, uma cultura, uma terra. O Deus que fez o mundo, amou-o de tal modo que quis viver nele e abandonou a sua sublimidade para ter uma presença corporal.

Isto significa que a nossa fé é a mais concreta, palpável, encarnada de todas as religiões. Nada na nossa fé está desligado da realidade física e concreta. Tudo é patente e visível. Desde o princípio os cristãos são um povo constituído por pessoas particulares, que se reuniam num local específico: «Reuniam-se todos no Pórtico de Salomão e, dos restantes, ninguém se atrevia a juntar-se a eles, mas o povo não cessava de os enaltecer» (Act 5, 12-13). A religião cristão, apesar de toda a sua elevação espiritual, filosófica e conceptual, nunca desdenhou o povo simples e os marcos terrenos. Campanários e procissões, cruzeiros, catedrais, conventos e mosteiros, hábitos e pendões, nomes de ruas e de hospitais fazem a nossa fé presente na arquitectura e toponímia das nossas cidades, na vida corrente das nossas sociedades. Simplesmente porque «o Verbo se fez carne e habitou entre nós» (Jo 1, 14).

A Encarnação é a presença de Deus no mundo. Precisamente por isso nenhum facto cristão se tornou mais universal e mais visível que o Natal. Todo o mundo o celebra, mesmo que não seja crente, e por todo o lado nessa época se multiplicam os símbolos alusivos. Este excesso de sucesso levou alguns a notar que, presente em todo o lado, o nascimento de Cristo acabava por estar realmente ausente. Assim nasceu o estandarte com o Menino Jesus, que desde há uns anos tem decorado muitas das janelas e fachadas das casas portuguesas.

Trata-se de uma excelente iniciativa, que tem desempenhado um papel muito relevante. No meio de toda a simbólica natalícia, cada uma daquelas singelas bandeiras mostra ao mundo que alguém sente o significado profundo dessa celebração. Ao ver o pendão, instintivamente sentimos um laço profundo com as pessoas que vivem atrás daquela janela. Mais importante, aquela imagem conduz-nos, no meio da vida afogueda, a uma fugaz meditação sobre o sentido da quadra, sobre a profundidade do que estamos a viver.

Agora, por iniciativa de um sacerdote franciscano do Patriarcado, surge o estandarte da Páscoa. Se possível, este ainda é mais necessário que o do Natal. Primeiro porque o Mistério Pascal é o verdadeiro centro da nossa fé, a finalidade última da Encarnação. Por Ele fomos salvos, n’Ele encontramos a vida. Segundo porque esta quadra é socialmente muito menos visível que o Natal, e marcá-la é mais urgente e influente. Terceiro porque o longo período de Quarta-feira de Cinzas ao Pentecostes torna a dispersão mais perigosa e frequente, exigindo ainda mais um símbolo que repetidamente nos recentre no essencial.

Na primeira Páscoa da história, nas sombrias ruas egípcias sob as pragas, as portas estiveram envolvidas. «Tomareis depois um ramo de hissopo, mergulhá-lo-eis no sangue que estiver na bacia, e marcareis o dintel e as duas ombreiras da porta com o sangue que estiver na bacia» (Ex 12, 22). Hoje as portas do templo dedicado a Cristo são os lábios dos fiéis onde brilha o Sangue verdadeiro, como diz S-João Crisóstomo (cf. Catequese 3, 13, ver Ofício das Leituras de Sexta-feira santa). Mas porque não envolver as nossas portas e janelas na proclamação social do mistério que nos dá a vida?

As razões para não pendurar o estandarte são muitas e razoáveis. Tantas quantos os obstáculos da Via Sacra. Só há mesmo um motivo para o colocar. E esse está ligada à razão porque o Condenado seguiu a Via Sacra até ao fim.

PS - Agradece-se a ajuda de quem se disponibilize para falar e mostrar aos Párocos, pois poderá suceder que os queiram divulgar nas suas paróquias


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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Livro de Isaías 55,10-11

Assim fala o Senhor: «Assim como a chuva e a neve descem do céu não voltam para lá, sem terem regado a terra, sem a terem fecundado e feito produzir, para que dê semente ao semeador e pão para comer, o mesmo sucede à palavra que sai da minha boca: não voltará para mim vazia, sem ter realizado a minha vontade e sem cumprir a sua missão».


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Bem-Haja, Santo Padre! - Pe. Gonçalo Portocarrero


Quando tive conhecimento da renúncia de Bento XVI ao ministério papal, confesso que fiquei surpreendido e um pouco confuso. A surpresa resultava do inesperado acontecimento, que nada fazia prever, nem ninguém antecipara, não obstante a profusão de profetas que enxameiam a comunicação social.

A confusão nascia do insólito da situação, agora criada, e sem precedentes nos últimos séculos da história da Igreja e do papado. E também das suas causas e consequências. Porque renunciara? Será que alguma razão oculta levara o Papa a esta dolorosa decisão? Que iria ocorrer agora? Como continuaria, sem ele, o Ano da Fé?

Se me doeu o sentimento de uma antecipada orfandade, consolou-me a certeza da fé. Antes ainda de percorrer os comentários, ou de aceder às inevitáveis especulações mediáticas, recolhi-me em oração. Foi no silêncio da minha meditação que constatei uma vez mais que, não obstante as vicissitudes dos tempos e dos homens, é Deus quem dirige a barca de Pedro e que, portanto, é coisa de secundária importância o timoneiro de turno. E senti aquela paz que o mundo não pode dar.

Se o discurso do Beato João Paulo II se dirigia, sobretudo, aos crentes, recorrendo à linguagem da fé, Bento XVI falou principalmente aos intelectuais, no registo da razão em diálogo com a transcendência. Não estranha, portanto, que de todos os quadrantes ideológicos se oiçam agora palavras de apreço por Joseph Ratzinger, que não é apenas um importante expoente do pensamento católico actual, mas também uma indispensável referência cultural da modernidade. 

Coube-lhe a ingrata missão de suceder ao carismático Papa Wojtyla. Até então, tinha sido o odiado titular do órgão mais malquisto de toda a Igreja. Foi no seu pontificado que eclodiu um dos piores escândalos da bimilenar história da Igreja, a que soube fazer frente com corajosa determinação, impondo a caridade da verdade, contra a cumplicidade do silêncio e da impunidade.

As multidões pareciam causar-lhe algum desconforto. Talvez sofresse a nostalgia do seu escritório, dos seus livros, das suas partituras e, seguramente, do recato da sua oração. Mas foi essa sua timidez, pele de ovelha a esconder a fibra de um verdadeiro leão da fé, que me fez sentir mais comprometido com o seu pontificado. Foi a sua fragilidade que me obrigou a permanecer, em sentido, a seu lado, firme na oração e na fidelidade ao seu magistério. Foram os ataques à sua pessoa que me forçaram a sair à liça, com a indignação de um filho ferido no seu mais sincero e profundo afecto filial.

Eu não sabia que queria tanto a Bento XVI! Aprendi a quere-lo rezando, ouvindo e meditando as suas palavras, vendo-o. Descobri agora, quando o Papa acenou um adeus que feriu a minha alma, quanto o queria. Teria desejado que este dia nunca tivesse acontecido. Mas dou graças pelo amor ao Papa que Deus pôs no meu coração. E se uma lágrima furtiva se desprender, na hora da sua partida, tenho por certo que não é sentimentalismo, mas gratidão, piedade, fé.

Em breve, outro será o Papa. Muitas vezes, como tantos outros católicos do mundo inteiro, usei a expressão “Santo Padre” para me referir a Sua Santidade, o Papa Bento XVI. Mas creio que nunca a disse com tanta verdade e unção como agora, que Joseph Ratzinger abandona a ribalta, para se retirar para a penumbra de uma vida de sacrifício e oração, ao serviço da Igreja universal.

Bem-haja, Santo Padre!


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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Papa Bento XVI - Rui Corrêa d’Oliveira

Deus deu-me, no Pastor que me conduz,
um homem para quem olhar.

É o que para mim significa
a figura imponente do Papa Bento XVI.

Antes da sua eleição, pedi muito a Deus que me fizesse amar o Papa
que haveria de suceder ao muito querido João Paulo II.

O Senhor ouviu as minhas orações
e depressa o novo Papa conquistava o meu coração
confortando as razões da minha obediência.

Nunca vi alguém tão livre como este homem.

Livre no desassombro com que enfrentou os problemas da Igreja e do mundo,
livre no vigor de afirmar a verdade sem medo,
livre na hora de decidir,
mesmo quando se sentiu só entre os seus.

Só a verdade o conduzia, ajuizada à luz da Fé
e alimentada na oração intensa.

Porque amava os homens, surpreendeu o mundo;
porque foi fiel e firme na sua missão, despertou a Igreja;
porque sabia dizer a verdade, com a santa eloquência de um mestre,
tocou muitos corações afastados de Cristo.

Com ele, fui mais longe no amor a Deus e aos homens,
amadureci na Fé e cresci como nunca na Esperança.
Hoje sou diferente: a ele o devo!


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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Normas para o jejum, abstinência e penitência

Em Julho de 1984, a Conferência Episcopal, de acordo com o Código de Direito Canónico (can. 1253), estabeleceu as seguintes normas para o jejum e a abstinência nas Dioceses portuguesas: 

Os tempos penitenciais 
1. Na pedagogia da Igreja, há tempos em que os cristãos são especialmente convidados à prática da penitência: a Quaresma e todas as Sextas-feiras do ano. A penitência é uma expressão muito significativa da união dos cristãos ao mistério da Cruz de Cristo. Por isso, a Quaresma, enquanto primeiro tempo da celebração anual da Páscoa, e a sexta-feira, enquanto dia da morte do Senhor, sugerem naturalmente a prática da penitência. 

Jejum e abstinência 
2. O jejum é a forma de penitência que consiste na privação de alimentos. Na disciplina tradicional da Igreja, a concretização do jejum fazia-se limitando a alimentação diária a uma refeição, embora não se excluísse que se pudesse tomar alimentos ligeiros às horas das outras refeições. Ainda que convenha manter-se esta forma tradicional de jejuar, contudo os fiéis poderão cumprir o preceito do jejum privando-se de uma quantidade ou qualidade de alimentos ou bebidas que constituam verdadeira privação ou penitência. 

3. A abstinência, por sua vez, consiste na escolha de uma alimentação simples e pobre. A sua concretização na disciplina tradicional da Igreja era a abstenção de carne. Será muito aconselhável manter esta forma de abstinência, particularmente nas sextas-feiras da Quaresma. Mas poderá ser substituída pela privação de outros alimentos e bebidas, sobretudo mais requintados e dispendiosos ou da especial preferência de cada um. Contudo, devido à evolução das condições sociais e do género de alimentação, aquela concretização pode não bastar para praticar a abstinência como acto penitencial. Lembrem-se os fiéis de que o essencial do espírito de abstinência é o que dizemos acima, ou seja, a escolha de uma alimentação simples e pobre e a renúncia ao luxo e ao esbanjamento. Só assim a abstinência será privação e se revestirá de carácter penitencial. 

Determinações relativas ao jejum e à abstinência 
4. O jejum e a abstinência são obrigatórios em Quarta-Feira de Cinzas e em Sexta-Feira Santa. 

5. A abstinência é obrigatória, no decurso do ano, em todas as sextas-feiras que não coincidam com algum dia enumerado entre as solenidades. Esta forma de penitência reveste-se, no entanto, de significado especial nas sextas-feiras da Quaresma. 

6. O preceito da abstinência obriga os fiéis a partir dos 14 anos completos. O preceito do jejum obriga os fiéis que tenham feito 18 anos até terem completado os 59. Aos que tiverem menos de 14 anos, deverão os pastores de almas e os pais procurar atentamente formá-los no verdadeiro sentido da penitência, sugerindo-lhes outros modos de a exprimirem. 

7. As presentes determinações sobre o jejum e a abstinência apenas se aplicam em condições normais de saúde, estando os doentes, por conseguinte, dispensados da sua observância. 

Determinações relativas a outras penitências 
8. Nas sextas-feiras poderão os fiéis cumprir o preceito penitencial, quer fazendo penitência como acima ficou dito, quer escolhendo formas de penitência reconhecidas pela tradição, tais como a oração e a esmola, ou mesmo optar por outras formas, de escolha pessoal, como, por exemplo, privar-se de fumar, de algum espectáculo, etc. 9. No que respeita à oração, poderão cumprir o preceito penitencial através de exercícios de oração mais prolongados e generosos, tais como: o exercício da via-sacra, a recitação do rosário, a recitação de Laudes e Vésperas da Liturgia das Horas, a participação na Santa Eucaristia, uma leitura prolongada da Sagrada Escritura. 

10. No que respeita à esmola, poderão cumprir o preceito penitencial através da partilha de bens materiais. Essa partilha deve ser proporcional às posses de cada um e deve significar uma verdadeira renúncia a algo do que se tem ou a gastos dispensáveis ou supérfluos. 

11. Os cristãos que escolherem como forma de cumprimento do preceito da penitência uma participação pecuniária orientarão o seu contributo penitencial para uma finalidade determinada, a indicar pelo Bispo diocesano. 

12. Os cristãos depositarão o seu contributo penitencial em lugar devidamente identificado em cada igreja ou capela, ou através da Cúria diocesana. Na Quaresma, todavia, em vez desta modalidade ou concomitantemente com ela, o contributo poderá ser entregue no ofertório da Missa dominical, em dia para o efeito fixado. 

As formas de penitência não se excluem mas completam-se mutuamente 
13. É aconselhável que, no cumprimento do preceito penitencial, os cristãos não se limitem a uma só forma de penitência, mas antes as pratiquem todas, pois o jejum, a oração e a esmola completam-se mutuamente, em ordem à caridade (Normas publicadas com data de 28 de Janeiro de 1985).


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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Discurso de agradecimento do Cardeal Bertone ao Papa Bento XVI

Beatíssimo Padre,

Com sentimentos de grande comoção e de profundo respeito, não apenas a Igreja, mas todo o mundo, recebeu a notícia da Vossa decisão de renunciar ao ministério de Bispo de Roma, sucessor do Apóstolo Pedro. Não seríamos sinceros, Santidade, se não lhe disséssemos que nesta tarde há um véu de tristeza sobre nosso coração. Nestes anos, o seu Magistério foi uma janela aberta sobre a Igreja e sobre o mundo, que fez penetrar os raios da verdade e do amor de Deus, para dar luz e calor ao nosso caminho, também e sobretudo, nos momentos em que as nuvens ficaram densas no céu.

Todos nós compreendemos que é exatamente o amor profundo que Vossa Santidade tem por Deus e pela Igreja lhe impulsionou a esse acto, revelando aquela pureza de alma, aquela fé robusta e exigente, aquela força da humildade e da mansidão, junto à uma grande coragem, que caracterizaram cada passo de Sua vida e de Seu ministério, e que podem vir somente do estar com Deus, do estar à luz da Palavra de Deus, do subir continuamente a montanha do encontro com Ele e depois descer a Cidade dos homens.

Santo Padre, há poucos dias atrás, com os seminaristas da sua diocese de Roma, deu uma lição especial, dizendo que como cristãos sabemos que o futuro é nosso, o futuro é de Deus, e que a árvore da Igreja cresce sempre de novo. A Igreja renova-se sempre, renasce sempre. Servir a Igreja na firme consciência que não é nossa, mas de Deus, que não somos nós quem a construímos, mas é Ele; poder dizer-nos com verdade a palavra evangélica: “Somos servos inúteis. Fizemos o que deveríamos fazer” (Luc 17, 10), confiando totalmente no Senhor, é um grande ensinamento que Vossa Santidade, mesmo com esta sofrida decisão, dá não somente a nós, Pastores da Igreja, mas a todo o povo de Deus.

A Eucaristia é um render graças a Deus. Nesta tarde queremos agradecer ao Senhor pelo caminho que toda a Igreja fez sob a direcção de Vossa Santidade e queremos dizer-lhe do mais íntimo do nosso coração, com grande afecto, comoção e admiração: obrigado por nos ter dado o luminoso exemplo de simples e humilde servo da vinha do Senhor, um trabalhador que soube realizar em cada momento aquilo que é mais importante: levar Deus aos homens e levar os homens a Deus. Obrigado!


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