quarta-feira, 31 de julho de 2013

A Missa Tradicional e os Franciscanos da Imaculada - Taylor Marshall

stefano manelli leftO Papa Francisco impediu que os Franciscanos da Imaculada (FI) possam celebrar a Forma Extraordinária do Rito Romano. Acabou a Missa Tradicional para os FI's, sem autorização superior.

Sou um membro associado do MIM [N.T.: Missão da Imaculada Medianeira]. Sou um fã dos Franciscanos da Imaculada desde há algum tempo. O que é que se está então a passar?

O fundador da ordem é o Padre Stefano Manelli, um homem conhecido pela sua santidade. Recebeu a primeira Sagrada Comunhão do Padre Pio em 1938. É também o autor de um dos meus livros preferidos sobre Maria: Devoção a Nossa Senhora. Costumo oferecer exemplares deste livro. Com o passar do tempo, o padre Manelli tem dado preferência à Missa Tradicional de 1962, ao Breviário Tradicional de 1961 e à leitura do Vaticano II de Brunero Gherardini.

Eis a minha interpretação dos factos, subjectiva e não autoritário e de uma pessoa de fora:

1. O Pe. Manelli tem estado a usar a sua autoridade moral como fundador da ordem para privilegiar o Missal Tradicional de 1962 e o Breviário Tradicional. Os FI's italianos no geral seguiram a liderança do seu fundador.

2. Algumas vozes dos FI (especialmente nos Estados Unidos) discordam deste caminho tradicional. Dizem que a ordem foi fundada com o Novus Ordo. Segundo eles, é irresponsável ter frades e irmãs religiosos formados no Novus Ordo e na Liturgia das Horas vernacular e depois ser-lhes pedido para se mudarem para os textos latinos.


3. O padre Angelo Mary Geiger dos FI's nos Estados Unidos expressou a sua preocupação de que os FI's estejam a beber da fonte fria do tradicionalismo radical. No caso de não saberem o que é, eis uma imagem rápida:

a) a negação do holocausto judaico
b) a negação total do Vaticano 2 como um concílio válido
c) estilo retórico do blog Rorate Caeli
d) a aceitação da sub-cultura isolada do Catolicismo ou "Catolicismo Amish” [N.T.: ver aqui]
e) a negação dos dons carismáticos do movimento carismático
f) a simpatia pelo estilo tradicionalista do Bispo Williamson
g) o desprezo pelo Papa João Paulo II e pelo Papa Francisco
h) a crença de que os de Missal Tradicional são a "Equipa A" e os Novus Ordo são a "Equipa B"
i) Eclesiologia gnóstica – de que os "tradicionalistas" foram a única verdadeira Igreja Católica

Eis alguns conselhos para ter em mente, antes de se passarem, desesperarem e comentarem que o Papa Francisco está a "perseguir" as pessoas.

1) Estamos a lidar com Franciscanos. Guerras interiores, substituir o fundador (o próprio S. Francisco!) e intervenções papais são quase parte essencial do carisma perene dos Franciscanos. A história ainda não acabou. Isto pode levar algumas décadas.

2) Antes de deitarem tudo cá para fora, vão rezar o Terço e beber um cerveja fresca no vosso jardim. Isto não é o fim da Summorum Pontificum. Relaxem.

3) Daquilo que eu sei, a Missa Tradicional é uma peça de xadrez simbólica na guerra civil dos FI - para ambos os lados. O Papa tirou esta peça do tabuleiro de jogo. Isto pode ser temporário até as coisas acalmarem

4) O FI's podem voltar à Missa Tradicional. Nesta nova regra, eles podem ainda pedir permissão às autoridades competentes por razões pastorais. Não tenho dúvida de que o farão. Vejamos o que acontece. Desconfio que a Santa Sé tenha medo que o gosto à Missa Tradicional esteja a ser posicionado como fidelidade ao Fundador dos FIs'. Assim que esta associação estiver dissolvida, os FI's livres outra vez para celebrarem a Missa Tradicional como dantes.

5) Se gostam da Missa Tradicional, lembrem-se que as PESSOAS da Missa Tradicional são os maiores inimigos do movimento da Missa Tradicional. Eu gosto imenso da Missa Tradicional. No entanto, se eu fosse o Papa Francisco e lesse os comentários no Rorate Caeli, seria tentado a acabar com tudo isso. Parecem pecaminosos e repugnantes vistos de fora. Tenham uma fechadura nos vossos lábios. Mantenham-se fora dos blogs e fóruns traddies online. Rezem mais. Queixem-se menos.

Lembrem-se das palavras de São Paulo:
“ Fazei, pois, todas as coisas sem murmuração nem contestações, a fim de serdes irrepreensíveis e simples, filhos de Deus, sem mancha, no meio de uma geração despravada e corrompida, onde brilhais como astro do mundo.” (Fil 2:14-15)

Rezem pelos FIs. Imagino que muitos deles estejam a precisar da nossa amizade e apoio.


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Uma das primeiras cópias da Missa de S.Inácio de Loyola




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A primeira entrevista do Papa Francisco




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terça-feira, 30 de julho de 2013

Papa Francisco na Vigília de oração com os jovens - JMJ Rio 2013

Queridos jovens,

Contemplando vocês que hoje estão aqui presentes, me vem à mente a história de São Francisco de Assis. Diante do Crucifixo, ele escuta a voz de Jesus que lhe diz: «Francisco, vai e repara a minha casa». E o jovem Francisco responde, com prontidão e generosidade, a esta chamada do Senhor para reparar sua casa. Mas qual casa? Aos poucos, ele percebe que não se tratava fazer de pedreiro para reparar um edifício feito de pedras, mas de dar a sua contribuição para a vida da Igreja; era colocar-se ao serviço da Igreja, amando-a e trabalhando para que transparecesse nela sempre mais a Face de Cristo.

Também hoje o Senhor continua precisando de vocês, jovens, para a sua Igreja. Queridos jovens, o Senhor precisa de vocês! Ele também hoje chama a cada um de vocês para segui-lo na sua Igreja e ser missionário. Hoje, queridos jovens, o Senhor lhes chama! Não em magote, mas um a um… a cada um. Escutem no coração aquilo que lhes diz. Penso que podemos aprender algo daquilo que sucedeu nestes dias: por causa do mau tempo, tivemos de suspender a realização desta Vigília no Campus Fidei , em Guaratiba. Não quererá porventura o Senhor dizer-nos que o verdadeiro Campus Fidei, o verdadeiro Campo da Fé não é um lugar geográfico, mas somos nós mesmos? Sim, é verdade! Cada um de nós, cada um de vocês, eu, todos. E ser discípulo missionário significa saber que somos o Campo da Fé de Deus. Ora, partindo da denominação Campo da Fé, pensei em três imagens que podem nos ajudar a entender melhor o que significa ser um discípulo missionário: a primeira imagem, o campo como lugar onde se semeia; a segunda, o campo como lugar de treinamento; e a terceira, o campo como canteiro de obras.

1. Primeiro: o campo como lugar onde se semeia. Todos conhecemos a parábola de Jesus sobre um semeador que saiu pelo campo lançando sementes; algumas caem à beira do caminho, em meio às pedras, no meio de espinhos e não conseguem se desenvolver; mas outras caem em terra boa e dão muito fruto (cf. Mt 13,1-9). Jesus mesmo explica o sentido da parábola: a semente é a Palavra de Deus que é lançada nos nossos corações (cf. Mt 13,18-23). 

Hoje – todos os dias, mas de forma especial hoje – Jesus semeia. Quando aceitamos a Palavra de Deus, então somos o Campo da Fé! Por favor, deixem que Cristo e a sua Palavra entrem na vida de vocês, deixem entrar a semente da Palavra de Deus, deixem que germine, deixem que cresça. Deus faz tudo, mas vocês deixem-no agir, deixem que Ele trabalhe neste crescimento!

Jesus diz-nos que as sementes, que caíram à beira do caminho, no meio das pedras e no meio dos espinhos não deram fruto. Creio que podemos, com honestidade, perguntar-nos: Que tipo de terreno somos, que tipo de terreno queremos ser? Quem sabe se, às vezes, somos como o caminho: escutamos o Senhor, mas na nossa vida não muda nada, pois nos deixamos aturdir por tantos apelos superficiais que escutamos. Eu pergunto-lhes, mas agora não respondam, cada um responde no seu coração: Sou uma jovem, um jovem aturdido? Ou somos como o terreno pedregoso: acolhemos Jesus com entusiasmo, mas somos inconstantes;  diante das dificuldades, não temos a coragem de ir contra a corrente. 

Cada um de nós responda no seu coração: Tenho coragem ou sou um cobarde? Ou somos como o terreno com os espinhos: as coisas, as paixões negativas sufocam em nós as palavras do Senhor (cf. Mt 13, 18-22). No meu coração, tenho o hábito de jogar em dois papeis: fazer bela figura com Deus e fazer bela figura com o diabo? O hábito de querer receber a semente de Jesus e, ao mesmo tempo, irrigar os espinhos e as ervas daninhas que nascem no meu coração? Hoje, porém, eu tenho a certeza que a semente pode cair em terra boa. 

Nos testemunhos, ouvimos como a semente caiu em terra boa. «Não, Padre, eu não sou terra boa! Sou uma calamidade, estou cheio de pedras, de espinhos, de tudo». Sim, pode suceder que à superfície seja assim, mas você liberte um pedacinho, um bocado de terra boa e deixe que caia lá a semente e verá como vai germinar. Eu sei que vocês querem ser terreno bom, cristãos de verdade; e não cristãos pela metade, nem cristãos “engomadinhos”, cujo cheiro os denuncia pois parecem cristãos mas no fundo, no fundo não fazem nada; nem cristãos de fachada, cristãos que são “pura aparência”, mas sim cristãos autênticos. Sei que vocês não querem viver na ilusão de uma liberdade inconsistente que se deixa arrastar pelas modas e as conveniências do momento. Sei que vocês apostam em algo grande, em escolhas definitivas que deem pleno sentido. 

É assim ou estou enganado? É assim? Bem; se é assim, façamos uma coisa: todos, em silêncio, fixemos o olhar no coração e cada um diga a Jesus que quer receber a semente. Digam a Jesus: Vê, Jesus, as pedras que tem, vê os espinhos, vê as ervas daninhas, mas vê este pedacinho de terra que te ofereço para que entre a semente. Em silêncio, deixemos entrar a semente de Jesus. Lembrem-se deste momento, cada um sabe o nome da semente que entrou. Deixem-na crescer, e Deus cuidará dela.

2. O campo...O campo, para além de ser um lugar de sementeira, é lugar de treinamento. Jesus nos pede que o sigamos por toda a vida, pede que sejamos seus discípulos, que “joguemos no seu time”. A maioria de vocês ama os esportes. E aqui no Brasil, como em outros países, o futebol é paixão nacional. Sim ou não? Ora bem, o que faz um jogador quando é convocado para jogar em um time? Deve treinar, e muito! Também é assim a nossa vida de discípulos do Senhor. 

Descrevendo os cristãos, São Paulo nos diz: «Todo atleta se impõe todo tipo de disciplina. Eles assim procedem, para conseguirem uma coroa corruptível. Quanto a nós, buscamos uma coroa incorruptível!» (1Co9, 25). Jesus nos oferece algo superior à Copa do Mundo! Algo superior à Copa do Mundo! Jesus oferece-nos a possibilidade de uma vida fecunda, de uma vida feliz e nos oferece também um futuro com Ele que não terá fim, na vida eterna. 

É o que nos oferece Jesus, mas pede para pagarmos a entrada; e a entrada é que treinemos para estar “em forma”, para enfrentar, sem medo, todas as situações da vida, testemunhando a nossa fé. Através do diálogo com Ele: a oração. Padre, agora vai pôr-nos todos a rezar? Porque não? Pergunto-lhes… mas respondam no seu coração, não em voz alta mas no silêncio: Eu rezo? Cada um responda. Eu falo com Jesus ou tenho medo do silêncio? Deixo que o Espírito Santo fale no meu coração? Eu pergunto a Jesus: Que queres que eu faça, que queres da minha vida? Isto é treinar-se. 

Perguntem a Jesus, falem com Jesus. E se cometerem um erro na vida, se tiverem uma escorregadela, se fizerem qualquer coisa de mal, não tenham medo. Jesus, vê o que eu fiz! Que devo fazer agora? Mas falem sempre com Jesus, no bem e no mal, quando fazem uma coisa boa e quando fazem uma coisa má. Não tenham medo d’Ele! Esta é a oração. E assim treinam no diálogo com Jesus, neste discipulado missionário! Através dos sacramentos, que fazem crescer em nós a sua presença. Através do amor fraterno, do saber escutar, do compreender, do perdoar, do acolher, do ajudar os demais, qualquer pessoa sem excluir nem marginalizar ninguém. Queridos jovens, que vocês sejam verdadeiros “atletas de Cristo”!

3. E terceiro: o campo como canteiro de obras. Aqui mesmo vimos como se pôde construir uma igreja: indo e vindo, os jovens e as jovens deram o melhor de si e construíram a Igreja. Quando o nosso coração é uma terra boa que acolhe a Palavra de Deus, quando “se sua a camisa” procurando viver como cristãos, nós experimentamos algo maravilhoso: nunca estamos sozinhos, fazemos parte de uma família de irmãos que percorrem o mesmo caminho; somos parte da Igreja. Esses jovens, essas jovens não estavam sós, mas, juntos, fizeram um caminho e construíram a Igreja; juntos, realizaram o que fez São Francisco: construir, reparar a Igreja. 

Eu pergunto-vos: Querem construir a Igreja? [Sim…] Se animam uns aos outros a fazê-lo? [Sim…] E amanhã terão esquecido este «sim» que disseram? [Não…] Assim gosto! Somos parte da Igreja; mais ainda, tornamo-nos construtores da Igreja e protagonistas da história. Jovens, por favor, não se ponham na «cauda» da história. Sejam protagonistas. Joguem ao ataque! Chutem para diante, construam um mundo melhor, um mundo de irmãos, um mundo de justiça, de amor, de paz, de fraternidade, de solidariedade. Jogai sempre ao ataque! São Pedro nos diz que somos pedras vivas que formam um edifício espiritual (cf. 1Pe 2,5). 

E, olhando para este palco, vemos a miniatura de uma igreja, construída com pedras vivas. Na Igreja de Jesus, nós somos as pedras vivas, e Jesus nos pede que construamos a sua Igreja; cada um de nós é uma pedra viva, é um pedacinho da construção e, quando vem a chuva, se faltar aquele pedacinho, temos infiltrações e entra a água na casa. E não construam uma capelinha, onde cabe somente um grupinho de pessoas. Jesus nos pede que a sua Igreja viva seja tão grande que possa acolher toda a humanidade, que seja casa para todos! Ele diz a mim, a você, a cada um: «Ide e fazei discípulos entre todas as nações»! 

Nesta noite, respondamos-lhe: Sim, Senhor! Também eu quero ser uma pedra viva; juntos queremos edificar a Igreja de Jesus! Eu quero ir e ser construtor da Igreja de Cristo! Atrevem-se a repetir isto? Eu quero ir e ser construtor da Igreja de Cristo! Digam agora… [os jovens repetem]. Depois devem se lembrar que o disseram juntos.

O vosso coração, coração jovem, quer construir um mundo melhor. Acompanho as notícias do mundo e vejo que muitos jovens, em tantas partes do mundo, saíram pelas estradas para expressar o desejo de uma civilização mais justa e fraterna. Os jovens nas estradas; são jovens que querem ser protagonistas da mudança. Por favor, não deixem para outros o ser protagonistas da mudança! Vocês são aqueles que tem o futuro! Vocês… Através de vocês, entra o futuro no mundo. 

Também vos peço para serem protagonistas desta mudança. Continuem a vencer a apatia, dando uma resposta cristã às inquietações sociais e políticas que estão surgindo em várias partes do mundo. Peço-lhes para serem construtores do mundo, trabalharem por um mundo melhor. Queridos jovens, por favor, não «olhem da sacada» a vida, entrem nela. Jesus não ficou na sacada, mergulhou… «Não olhem da sacada» a vida, mergulhem nela, como fez Jesus.

Resta, porém, uma pergunta: Por onde começamos? A quem pedimos para iniciar isso? Por onde começamos? Uma vez perguntaram a Madre Teresa de Calcutá o que devia mudar na Igreja; queremos começar, mas por qual parede? Por onde – perguntaram a Madre Teresa – é preciso começar? Por ti e por mim: respondeu ela. Tinha vigor aquela mulher! Sabia por onde começar. Hoje eu roubo a palavra a Madre Teresa e digo também a você: Começamos? Por onde? Por ti e por mim! Cada um, de novo em silêncio, se interrogue: se devo começar por mim, por onde principio? Cada um abra o seu coração, para que Jesus lhe diga por onde começar.

Queridos amigos, não se esqueçam: Vocês são o Campo da Fé! Vocês são os atletas de Cristo! Vocês são os construtores de uma Igreja mais bela e de um mundo melhor. Elevemos o olhar para Nossa Senhora. Ela ajuda-nos a seguir Jesus, dá-nos o exemplo com o seu “sim” a Deus: «Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua Palavra» (Lc 1,38). Também nós o dizemos a Deus, juntos com Maria: faça-se em mim segundo a Tua palavra. Assim seja!


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Na Consagração até o praticante de Stand Up Paddle se ajoelha




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segunda-feira, 29 de julho de 2013

O Papa Francisco e os gays

Dizem hoje os jornais, e muita opinião pública, que o Papa apoia as relações entre pessoas do mesmo sexo, por ter dito isto: "Se uma pessoa é gay, procura Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?"

Mas caros amigos, isto é a doutrina católica desde sempre. O sentir atracção por pessoas do mesmo sexo nunca poderia fazer com que a pessoa fosse culpada porque não depende duma decisão. O pecado é a própria relação, esta sim voluntária, que ofende a Deus e prejudica os que nela estão envolvidos. 


Isto só é novidade para quem não conhece o Catecismo da Igreja Católica:

2358Um número considerável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente radicadas. Esta propensão, objectivamente desordenada, constitui, para a maior parte deles, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á, em relação a eles, qualquer sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição.

2359As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes do autodomínio, educadoras da liberdade interior, e, às vezes, pelo apoio duma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem aproximar-se, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.


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sábado, 27 de julho de 2013

O Papa - Padre Gonçalo Portocarrero de Almada


Porquê este entusiasmo das multidões pelo Papa? Porquê o fervor das gentes pela pessoa humana do representante de Cristo? Que há, na sua pessoa, que explique esta atracção? Que tem o bispo de Roma - o actual, ou os seus antecessores - que tanto fascina homens e mulheres de todas as idades e condições?

Não será exagerada esta exaltação do ser humano que ocupa a cátedra de Pedro? Não é afinal um simples mortal? Quando à sua pessoa se atribuem poderes mágicos, não se estará a incorrer porventura em superstição? Onde termina o culto da sua personalidade, em princípio aceitável, e começa uma inadmissível idolatria?

Os muçulmanos não veneram o seu profeta, Maomé, nem permitem qualquer representação de Alá. Os judeus não se consideravam sequer dignos de pronunciar o santo nome de Iavé. Até os evangélicos baniram dos seus templos as imagens sagradas e proíbem a devoção aos santos.

O Papa, seja ele quem for, é o máximo representante da comunidade eclesial: o primeiro na honra e no serviço - o servo dos servos de Deus - de uma Igreja muito humana e muito divina, porque é mistério de comunhão no mistério uno e trino que Deus é. O Ser absolutamente transcendente fez-se visível no rosto de Jesus, verdadeiro homem e verdadeiro Deus. Por isso a religião cristã, mais do que uma doutrina ou uma moral, é Alguém que eleva o homem a Deus e leva Deus ao homem. É na humanidade de Cristo que o próprio Deus se revela e é também através da humanidade do Papa e da Igreja que Cristo se faz presente em cada momento histórico. Pedro é afinal, aqui e agora, a expressão visível em que, para o mundo, se reflecte o olhar vivo, humano e divino, de Cristo, o rosto de Deus.


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World Youth Day - Pope Francis meets with brazilian inmates

- Pope spent half an hour with 8 young prisoners (6 boys and 2 girls), who had been brought to archbishop's residence.

- Prisoners sat in a circle around pope. Archbishop, a priest, a judge and a lay person who ministers to prisoners were also present.

- Judge said that some of the prisoners would have "good news" next week

- The younger girl prisoner was very talkative and emotional with pope

- Young prisoners asked pope to bless objects and autograph a photo

- The younger girl sang a song of her own composition in honor of pope and read him a long letter written on behalf of fellow prisoners

- Pope made no speech but asked each young prisoner to pray for him



in CNS twitter


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quinta-feira, 25 de julho de 2013

Visita do Papa à favela - Discurso à comunidade de Varginha



Queridos irmãos e irmãs,

Que bom poder estar com vocês aqui! Desde o início, quando planejava a minha visita ao Brasil, o meu desejo era poder visitar todos os bairros deste País. Queria bater em cada porta, dizer “bom dia”, pedir um copo de água fresca, beber um "cafezinho", falar como a amigos de casa, ouvir o coração de cada um, dos pais, dos filhos, dos avós... Mas o Brasil é tão grande! Não é possível bater em todas as portas! Então escolhi vir aqui, visitar a Comunidade de vocês que hoje representa todos os bairros do Brasil. 

Como é bom ser bem ac olhido, com amor, generosidade, alegria! Basta ver como vocês decoraram as ruas da Comunidade; isso é também um sinal do carinho que nasce do coração de vocês, do coração dos brasileiros, que está em festa! Muito obrigado a cada um de vocês pela linda acolhida! Agradeço a Dom Orani Tempeste ao casal Rangler e Joana pelas suas belas palavras. 

1. Desde o primeiro instante em que toquei as terras brasileiras e também aqui junto de vocês, me sinto acolhido. E é importante saber acolher; é algo mais bonito que qualquer enfeite ou decoração. Isso é assim porque quando somos generosos acolhendo uma pessoa e partilhamos algo com ela – um pouco de comida, um lugar na nossa casa, o nosso tempo - não ficamos mais pobres, mas enriquecemos. Sei bem que quando alguém que precisa comer bate na sua porta, vocês sempre dão um jeito de compartilhar a comida: como diz o ditado, sempre se pode “colocar mais água no feijão”! E vocês fazem isto com amor, mostrando que a verdadeira riqueza não está nas coisas, mas no coração!

E o povo brasileiro, sobretudo as pessoas mais simples, pode dar para o mundo uma grande lição de solidariedade, que é uma palavra frequentemente esquecida ou silenciada, porque é incômoda. Queria lançar um apelo a todos os que possuem mais recursos, às autoridades públicas e a todas as pessoas de boa vontade comprometidas com a justiça social: Não se cansem de trabalhar por um mundo mais justo e mais solidário! Ninguém pode permanecer insensível às desigualdades que ainda existem no mundo! Cada um, na medida das próprias possibilidades e responsabilidades, saiba dar a sua contribuição para acabar com tantas injustiças sociais! Não é a cultura do egoísmo, do individualismo, que frequentemente regula a nossa sociedade, aquela que constrói e conduz a um mundo mais habitável, mas sim a cultura da solidariedade; ver no outro não um concorrente ou um número, mas um irmão.

Quero encorajar os esforços que a sociedade brasileira te m feito para integrar todas as partes do seu corpo, incluindo as mais sofridas e necessitadas, através do combate à fome e à miséria. Nenhum esforço de “pacificação” será duradouro, não haverá harmonia e felicidade para uma sociedade que ignora, que deixa à margem, que abandona na periferia parte de si mesma. Uma sociedade assim simplesmente empobrece a si mesma; antes, perde algo de essencial para si mesma. Lembremo-nos sempre: somente quando se é capaz de compartilhar é que se enriquece de verdade; tudo aquilo que se compartilha se multiplica! A medida da grandeza de uma sociedade é dada pelo modo como esta trata os mais necessitados, quem não tem outra coisa senão a sua pobreza!

2. Queria dizer-lhes também que a Igreja, «advogada da justiça e defensora dos pobres diante das intoleráveis desigualdades sociais e económicas, que clamam ao céu» (Documento de Aparecida, 395), deseja oferecer a sua colaboração em todas as iniciativas que signifiquem um autêntico desenvolvimento do homem todo e de todo o homem. Queridos amigos, certamente é necessário dar o pão a quem tem fome; é um acto de justiça. Mas existe também uma fome mais profunda, a fome de uma felicidade que só Deus pode saciar. 

Não existe verdadeira promoção do bem-comum, nem verdadeiro desenvolvimento do homem, quando se ignoram os pilares fundamentais que sustenta m uma nação, os seus bens imateriais: a vida, que é dom de Deus, um valor que deve ser sempre tutelado e promovido; a família, fundamento da convivência e remédio contra a desagregação social; a educação integral , que não se reduz a uma simples transmissão de informações com o fim de gerar lucro; a saúde , que deve buscar o bem-estar integral da pessoa, incluindo a dimensão espiritual, que é essencial para o equilíbrio humano e uma convivência saudável; a segurança, na convicção de que a violência só pode ser vencida a partir da mudança do coração humano. 

3. Queria dizer uma última coisa. Aqui, como em todo o Brasil, há muitos jovens. Vocês, queridos jovens, possuem uma sensibilidade especial frente às injustiças, mas muitas vezes se desiludem com notícias que falam de corrupção, com pessoas que, em vez de buscar o bem comum, procuram o seu próprio benefício. Também para vocês e para todas as pessoas repito: nunca desanimem, não percam a confiança, não deixem que se apague a esperança. A realidade pode mudar, o homem pode mudar. Procurem ser vocês os primeiros a praticar o bem, a não se acostumarem ao mal, mas a vencê-lo. A Igreja está ao lado de vocês, trazendo-lhes o bem precioso da fé, de Jesus Cristo, que veio «para que todos tenham vida, e vida em abundância» (Jo 10,10).

Hoje a todos vocês, especialmente aos moradores dessa Comunidade de Varginha, quero dizer: Vocês não estão sozinhos, a Igreja está com vocês, o Papa está com vocês. Levo a cada um no meu coração e faço minhas as intenções que vocês carregam no seu íntimo: os agradecimentos pelas alegrias, os pedidos de ajuda nas dificuldades, o desejo de consolação nos momentos de tristeza e sofrimento. Tudo isso confio à intercessão de Nossa Senhora Aparecida, Mãe de todos os pobres do Brasil, e com grande carinho concedo-lhes a minha Bênção.


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quarta-feira, 24 de julho de 2013

Papa emociona-se no fim da Missa no Santuário da Aparecida



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Rock in Rio - Pe.Gonçalo Portocarrero de Almada

Muitas centenas de milhares de raparigas e de rapazes de todo o mundo já estão no Rio de Janeiro. Para um novo Rock in Rio? Não, desta vez não? ou talvez sim, porque se o Papa é Pedro e Pedro é a rocha, então o Papa no Brasil, para as Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ), é mesmo? Rock in Rio!



Há outros grandes eventos mundiais em que comparecem alguns milhares de jovens, mas nunca tantos quantos os que vão às JMJ. Não há, no mundo inteiro, nenhum acontecimento cultural, artístico, desportivo ou político que reúna tanta gente nova.

Se não é o rock and roll, o que os leva ao Rio? 

A novidade deste Papa? Mas, com os antecessores, aconteceu o mesmo. A festa? A verdade é que há festivais mais agradáveis e animados do que as JMJ, onde as incomodidades são muitas e escassas as diversões. O fascínio de uma nova doutrina? Não parece, porque a mensagem da Igreja tem dois mil anos e, logo por azar, é sempre a mesma. 

A resposta está no alto do Corcovado: "Vinde a Mim todos os que andais cansados e oprimidos e Eu vos aliviarei." (Mt 11, 28) 

Há uma juventude rebelde que é contra a ditadura do relativismo e a escravatura da droga e do sexo. Há uma juventude que não se deixa corromper pelo poder, nem comprar pelo dinheiro. Há uma juventude que procura um sentido para a vida e que deseja uma solidariedade global. Há uma juventude sedenta de verdade e de justiça social. Há uma juventude cristã capaz de gerar, por amor, um mundo novo. Bendita loucura, de que só a juventude apaixonada é capaz!


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600 mil jovens na abertura oficial da JMJ Rio 2013




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terça-feira, 23 de julho de 2013

Vigília pelas crianças - 23 de Julho às 21h em frente à Assembleia


Programa:20H - Organizadores estarão no local para contacto com as autoridades policiais.
21H-22H - Intervenção de várias personalidades da sociedade portuguesa. (5 min/ cada um).
22H-22H30 - Vigília de Silêncio/ Meditação pessoal e Oração. (Neste tempo os participantes farão silêncio/ oração/ meditação conforme a sua crença ou religião.) Todos são bem vindos; Cristãos das mais variadas confissões, Budistas, Hindus, Muçulmanos, Judeus ou outra, e ainda quem não tem qualquer religião, pois esta causa não é religiosa mas sim civilizacional.
22H30 - Fim da Vigília Cívica pelas crianças.

Sejam criativos e apareçam um pouco antes.
Tragam uma T-Shirt alusiva à Vigília.
Tragam um Cartaz e uma vela.
Tragam muita fé e coragem.

Nota: As autoridades estão informadas da contra-manifestação (proibida pela Lei) que está marcada pelos movimentos apoiantes da "co-adopção homossexual", e tomarão os cuidados necessários para garantir a nossa segurança. Não temos nada a temer!


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O Papa Francisco chegou ao Rio!

"Não tenho ouro nem prata, mas trago o que de mais precioso me foi dado: Jesus Cristo! Venho em seu Nome, para alimentar a chama de amor fraterno que arde em cada coração; e desejo que chegue a todos e a cada um a minha saudação: A paz de Cristo esteja com vocês!"


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segunda-feira, 22 de julho de 2013

Papa fará trajecto de papamóvel pelo centro do Rio de Janeiro

A programação do primeiro dia da visita do Papa Francisco ao Rio de Janeiro inclui um trajeto de papamóvel pelas ruas do Centro do Rio de Janeiro na próxima segunda-feira, 22. Todo o Séquito Papal se deslocará para o Palácio Guanabara, de helicóptero, não acompanhando o Santo Padre no passeio de papamóvel pela cidade. O Papa vem ao Rio para participar da Jornada Mundial da Juventude (JMJ Rio2013).
Ao desembarcar na base área do aeroporto Galeão, às 16h, o Papa Francisco segue de carro fechado até a Catedral Metropolitana. Lá, o Santo Padre embarcará no papamóvel, no qual circulará por ruas do centro da cidade. As informações foram divulgadas pelo Comitê Organizador Local (COL) da JMJ Rio2013.

O trajeto previsto é: Avenida República do Chile, Avenida Rio Branco, Rua Araújo Porto Alegre, Avenida Graça Aranha, Avenida Nilo Peçanha e novamente na Avenida Rio Branco em direção ao Teatro Municipal. Do Municipal, o Papa Francisco seguirá em carro fechado até o 3º COMAR (ao lado do Aeroporto Santos Dummont), onde embarca no helicóptero que o levará até o Palácio Guanabara. 

“A decisão corresponde à vontade do Santo Padre de aproximar-se, desde sua chegada, da população e atende, ainda, a questões logísticas ligadas ao deslocamento pela cidade”, de acordo com nota oficial do COL.

Estar com os brasileiros
De acordo com o monsenhor Joel Portella Amado, coordenador geral da JMJ Rio2013, a mudança de trajeto do Papa foi feita em conjunto com as autoridades brasileiras e de segurança do Vaticano. “A mudança de trajeto do Papa foi um planejamento feito em conjunto entre as autoridades brasileiras e as autoridades de segurança da Santa Sé em virtude principalmente da mobilidade da cidade. O Papa por um lado quer estar com as pessoas, mas não quer atrapalhar a mobilidade da cidade”, destacou.

O Papa Francisco pediu para estar com as pessoas não só na chegada ao Rio, mas em todos os dias da Jornada. “O Santo Padre gosta de estar com as pessoas, gosta de estar próximo, gosta desse contato. Quando estivemos com ele em Roma em janeiro, foi o primeiro pedido que ele fez ‘Eu quero estar com os brasileiros’’’, disse.

Segurança e mobilidade são dois critérios que têm sido pensados desde o início da Jornada, de acordo com o coordenador. “O Papa chega na igreja mãe da cidade que ele visita e termina o trajeto num grande centro cultural, e passando por algumas ruas onde o nosso povo vive, onde nosso povo trabalha, sofre se alegra. É o coração da cidade. É uma parte do centro histórico do Rio de Janeiro”, completou. in rio2013.com


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domingo, 21 de julho de 2013

Frase do dia

"A verdade é que o próprio Concílio Vaticano II não definiu nenhum dogma e conscientemente quis expressar-se a um nível muito mais modesto, meramente como Concílio pastoral; no entanto, muitos o interpretaram como se fosse o super dogma, que tira importância a todos os outros Concílios." 

Cardeal Joseph Ratzinger - Alocução aos Bispos do Chile, 13 de Julho de 1988


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A cortesia cristã, fonte de vida


Estou sentado agora mesmo no aeroporto de Dallas/Fort Worth. Estou a caminho de Denver para falar numa conferência de Catholic Media.

Acabei de me esquivar com sucesso do labirinto de sofrimento da Administração de Segurança dos Transportes (AST). O meu cinto e sapatos já estão de volta. Já recolhi os meus apetrechos. Estou assustado com a enorme falta de humanidade com que os trabalhadores da AST nos tratam, e como os passageiros os tratam da mesma forma em resposta.

É uma partida de ping-pong de falta de respeito.
Depois, fui comprar um chá verde. Mais uma vez, os clientes em linha são frios para os trabalhadores do bar. Um alien podia assumir que os clientes estão a ser forçados a comprar alguma coisa que não querem a alguém de que não gostam. Os trabalhadores do bar fazem o máximo para sorrir e atender os pedidos.

Quando eu fiz o meu pedido, tentei fazer uma pequena experiência. Disse, "Bom dia minha senhora, eu queria um chá verde e uma garrafa de água. Muito obrigado.  Teria muito gosto. Tenha um bom dia.

Um sorriso e alguma simpatia pessoal transformou imediatamente as senhoras por trás da caixa. Dar-lhes um sorriso e alguma coisa pessoal foi como dar um garrafão cheio de água fresca a um homem a morrer de sede num deserto árabe. Um sorriso pode ser fonte de vida. Ah, e ao contrário dos meus amigos na fila, eu acabei por receber um feliz e brilhante serviço das senhoras atrás do bar.

Sabe bem agir com cortesia. Quem me dera ter cumprimentado o pessoal da AST com um pequeno sorriso e uma palavra simpática. Talvez até um "Deus o abençoe."

Podem chamar-lhe teologia de avançar por um aeroporto. Nós cristãos não devíamos agir com cortesia? Falamos tanto sobre a teologia do corpo humano e da dignidade da vida humana. Não devíamos também mostrar cortesia ao pessoal da TSA e do café? "Sorrir" não devia fazer parte da teologia do corpo? A cara é o espelho da alma. Devia acontecer que as pessoas em qualquer lado pensassem implicitamente "Os cristãos têm alegria. Gosto deles. Talvez me torne um deles?" Taylor Marshall




PS: Isto não tem nada a ver. Acabei de ver no aeroporto, numa montra, uma revista (the Atlantic) com um título de capa que diz "O que os heterossexuais podem aprender dos casais gay: Porque é que os homossexuais têm relações mais felizes e com mais significado que os heterossexuais." Qualquer coisa assim. A guerra dos media está a decorrer. Eles não vão parar até terem a vitória total. Keep Calm and Keep Scapulars On...


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sábado, 20 de julho de 2013

Os três adventos do Senhor - Pierre de Blois

Há três adventos do Senhor: o primeiro pela carne, o segundo pela alma e o terceiro pelo julgamento. O primeiro aconteceu a meio da noite, segundo as palavras do Evangelho: «A meio da noite, ouviu-se um brado: 'Aí vem o noivo, ide ao seu encontro!'» (Mt 25,6). E esse primeiro acontecimento já se deu, pois Cristo foi visto na terra e conversou com os homens (cf Br 3,38).

Estamos agora no segundo advento, desde que estejamos de forma que Ele possa vir até nós, pois Ele disse que se O amarmos Ele virá e fará de nós Sua morada (cf Jo 14,23). Este segundo advento está pois, para nós, envolto em incerteza, pois quem, senão o Espírito de Deus, conhece aqueles que são de Deus? (cf 1Co 2,11) Aqueles em quem o desejo das coisas celestes transporta para fora de si próprios sabem bem quando Ele virá; contudo, eles «não sabem de onde vem nem para onde vai» (Jo 3,8).

Quanto ao terceiro advento, é certo que acontecerá, mas é muito incerto quando, pois nada é mais certo que a morte e nada mais incerto que o dia da morte. «Quando disserem: 'Paz e segurança', então se abaterá repentinamente sobre eles a ruína, como as dores de parto sobre a mulher grávida e não poderão escapar» (cf 1Ts 5,3). Assim, o primeiro advento foi humilde e escondido, o segundo é misterioso e cheio de amor, o terceiro será estrondoso e terrível. No seu primeiro advento, Cristo foi julgado injustamente pelos homens; no segundo faz-nos justiça, através da Sua graça; no último julgará todas as coisas com equidade — Cordeiro no primeiro advento, Leão no último, Amigo cheio de ternura no segundo.


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Famílias de Plástico? Não, obrigado! - Pe. Gonçalo Portocarrero

No centro da questão sobre a adopção está a noção de família. Alguns entendem-na como uma realidade natural, irreformável na sua essência, mas outros acham que a família é um produto essencialmente cultural e, portanto, susceptível de adaptação às novas realidades sociais e políticas.

De facto, a família romana não coincide com a medieval, nem esta com a actual. A família pagã, por exemplo, admite o divórcio e o aborto, mas a cristã exige a indissolubilidade do vínculo e o respeito pela vida humana desde a concepção. Contudo, quer na Roma pagã, quer na Idade Média cristã, quer mais modernamente, a família é sempre entendida em função do matrimónio, ou seja, da união estável de um homem e uma mulher. Na antiguidade clássica, embora a homossexualidade fosse aceite e até socialmente prestigiada, nunca se admitiu que a união de duas pessoas do mesmo sexo fosse casamento. Não por um preconceito cultural, ou religioso, que o não havia, mas por uma razão de ordem natural. Também no resto do mundo e desde sempre, não obstante a diversidade das culturas e religiões, a família surge da união de pessoas de diferente sexo. Por isso, 97% das uniões estáveis são entre homem e mulher, enquanto só 3% se estabelecem entre parceiros do mesmo sexo.

Porquê? Porque só a união do homem com a mulher é conjugal e princípio de vida. Não se trata, portanto, de uma característica de uma época ou de um lugar, nem de uma imposição ideológica ou transcendente, mas de um imperativo da natureza humana, que é perene e universal. Com efeito, é a natureza que exige a complementaridade do feminino e do masculino, para o bem dos cônjuges e para a procriação. É isto o matrimónio natural, que é o fundamento ecológico da família.

Outra coisa são as uniões não naturais, que são, de per si, infecundas. Mas, como pretendem ser como as famílias, querem ter filhos e, por isso, recorrem à adopção. É humano dar um pai e/ou uma mãe a quem os não tem, porque é natural ter um pai e uma mãe. Mas não é natural ter duas mães ou dois pais, como também não é natural dar uma criança a quem opta por uma união que, como é óbvio, necessariamente exclui a geração. Aliás, a procriação medicamente assistida mais não é, precisamente, do que um método de inseminação artificial.

Como se hão-de chamar, então, estas famílias? Se naturais não são, só podem ser artificiais. Mas, uma «família artificial» é como uma «flor de plástico»: se é de plástico, não é uma flor. Uma família artificial não só não é natural, como também não é uma verdadeira família, mas um seu sucedâneo ou imitação. Pelo contrário, o que é genuíno, como o casamento e a família natural, é verdadeiro e, portanto, necessariamente bom.


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sexta-feira, 19 de julho de 2013

Segui-lo-ás em tudo o que te pedir - S. Josemaria Escrivá

Quem cultiva uma teologia incerta e uma moral relaxada, sem freios; quem pratica, a seu capricho, uma liturgia duvidosa, com uma disciplina de hippies e um governo irresponsável, não é de admirar que propague contra os que só falam de Jesus Cristo invejas, suspeitas, acusações falsas, ofensas, maus tratos, humilhações, intrigas e vexames de todo o género.

Quando admiramos e amamos deveras a Santíssima Humanidade de Jesus, descobrimos, uma a uma, as suas Chagas. E nesses tempos de expiação passiva, penosos, fortes, de lágrimas doces e amargas que procuramos esconder, sentiremos necessidade de nos meter dentro de cada uma daquelas Feridas Santíssimas: para nos purificarmos, para nos enchermos de alegria com esse Sangue redentor, para nos fortalecermos. Recorreremos a elas como as pombas que, no dizer da Escritura, se escondem nos buracos das rochas na hora da tempestade. Escondemo-nos nesse refúgio, para encontrar a intimidade de Cristo: e veremos que o seu modo de conversar é aprazível e o seu rosto formoso, porque os que sabem que a sua voz é suave e grata, são os que receberam a graça do Evangelho, que os faz dizer: Tu tens palavras de vida eterna.

Não pensemos que, nesta senda da contemplação, as paixões se calam definitivamente. Enganar-nos-íamos se supuséssemos que a ânsia de procurar Cristo, a realidade do seu encontro e do seu convívio e a doçura do seu amor nos tornavam pessoas impecáveis. Embora não lhes falte experiência disso, deixem-me, no entanto, recordá-lo. O inimigo de Deus e do homem, Satanás, não se dá por vencido, não descansa. E assedia-nos, mesmo quando a alma arde inflamada no amor de Deus. Sabe que nessa altura a queda é mais difícil, mas que – se conseguir que a criatura ofenda o seu Senhor, ainda que seja em pouco – poderá lançar naquela consciência a grave tentação do desespero. (Amigos de Deus, nn. 301–303)


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quinta-feira, 18 de julho de 2013

Um jovem com a espinha bífida contra a eutanásia de crianças


Chamo-me Giovanni Cicconi Bonizio: vivo em Roma, tenho 24 anos. Há um tempo, em vários jornais italianos, publicaram-se artigos sobre um pediatra holandês que pratica a eutanásia em crianças com distintas enfermidades ou deficiências a fim de livrar-lhes do destino de uma vida impossível e tal que não valha a pena ser vivida. Ouvi falar de um referendo, de deixar passagem para a livre pesquisa cientifica: são outros terrenos, mas próximos ao do médico holandês. Falei com algumas pessoas e dei-me conta de que é um tema actual e que é uma posição defendida por muita gente.

Entre os casos em que o médico praticou a eutanásia está o de um menino nascido com espinha bífida (mielomeningocele). Eutanásia por “sentido profissional” e por “amor” segundo o relato. Perguntava o médico, de facto, quase com horror, num jornal: “Mas viram alguma vez um menino nascido com espinha bífida?”. Queria mudar a pergunta. Viram alguma vez crescer um menino com espinha bífida e converter-se em jovem, em adulto? Haverá visto alguma vez? Acrescento outra: Quando é que uma vida vale a pena ser vivida? Parece-me que muitos falam como se a resposta fosse óbvia mas precisamente não é.

Evidentemente devo ser um sobrevivente. Não deveria existir: nasci com espinha bífida. Contudo, tenho uma vida feliz, intensa, também muitos amigos. Passei nos exames universitários e tenho meu diploma. Desde Junho passado trabalho Banco de interesse nacional. A minha vida é o que se diria ser “uma vida cheia de interesses”. O meu trabalho é bom, a minha família é a que muitos desejariam. Alguns problemas adicionais na vida criaram-me uma sensibilidade às dificuldades das outras pessoas e talvez por isso é que há anos saio ao encontro dos anciãos: a amizade também os ajuda a viver.

Leio, falo, escrevo, sei usar o computador como todos os jovens de minha idade. Quando nasci, poucos apostavam em mim. Felizmente houve quem me quis, verdadeiramente, e não se assustou. Pouco a pouco pude erguer-me, inclusive caminhar e fazê-lo bem. Movo-me por mim mesmo em uma cidade como Roma. Custou-me mais que aos demais, sou mais orgulhoso que os demais. Não calculo a minha inteligência (nem a do médico holandês), mas certamente posso falar, expressar o que penso, ainda que esse médico teorize que aqueles como eu não podem comunicar, e por isso seria melhor que desaparecessem.

A minha vida não é nem triste nem inútil. É certo que sofri várias intervenções cirúrgicas que me ajudaram a superar problemas de diferentes tipos e me permitiram viver o mais possível uma vida – como se diz – normal. Não foi sempre fácil; algumas vezes também sofri, mas nas camas próximas à minha havia sempre muitos outros jovens com o mesmo desejo de se curar, de comunicar, de fazer amigos e, sobretudo, de viver.

Existe, pelo contrário, uma incapacidade de conceber a vida quando há dificuldades a superar. O médico holandês, e os que pensam como ele, deverão questionar o seu medo da vida. Medo a uma vida que contém cansaço, conquista, lutas, derrotas, vitórias, e que não é só um simples crescimento biológico, talvez embriagado das últimas – mas satisfatórias – modas. Um postal “bonito” e “triunfante” que se dilui com as primeiras dificuldades da vida, onde todos exigem o seu grande sorriso e fazem “fitness” e “beach volley”.

Penso que nos deveríamos questionar um pouco mais sobre o que é verdadeiramente humano e o que não é, em lugar de ficarmos surpreendidos pelo facto de que, na nossa sociedade, aumenta o número de pessoas deprimidas, e que não se sabe o que importa de verdade aos jovens.

O problema é que nem sempre se faz tudo o que se poderia fazer para ajudar quem tem um problema, uma enfermidade, a viver melhor. É sobre isto que o médico holandês, que pensa que a eutanásia é um modo de dar dignidade à vida, deveria gastar mais energias e conhecimentos.

A eutanásia em crianças parece-me verdadeiramente horrível, porque elas não se sabem defender. Mata-se – porque é disso que se trata – os que têm defeitos sem esperar sequer que cresçam para ver o que ocorre, sem dar ao contrário aquilo que é necessário: mais ajuda a quem somente é mais fraco. A proposta é esta: se precisamente queremos eliminar algo, então em lugar de abolir a fragilidade é melhor começarmos por abolir o medo da fragilidade que nos faz a todos mais desumanos (e mais indefesos).

Giovanni Bonizio - Comunidade de Santo Egídio, Roma


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quarta-feira, 17 de julho de 2013

O que são as indulgências?



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Encíclica Sacerdotailis Caelibatus - Papa Paulo VI

Testemunho do passado e do presente
13. Este coro de objecções parece que sufoca a voz secular e solene dos Pastores da Igreja, dos mestres de espírito, do testemunho vivido duma legião sem número de santos e de fiéis ministros de Deus, que fizeram do celibato objecto interior e sinal exterior da sua alegre e total doação ao mistério de Cristo. Não, esta voz é ainda forte e serena; não vem só do passado, vem do presente também. Constantemente atentos como estamos a observar a realidade, não podemos fechar os olhos a este facto magnífico e surpreendente: na santa Igreja de Deus, em todas as partes do mundo onde ela levantou felizmente as suas tendas, ainda hoje há inumeráveis ministros sagrados - subdiáconos, diáconos, presbíteros e bispos - que vivem de modo ilibado o celibato voluntário e consagrado; e, ao lado destes, não podemos deixar de notar as falanges imensas de religiosos, religiosas, e também de jovens e leigos, todos fiéis ao compromisso da perfeita castidade: vivem-na, não por desprezo do dom divino da vida, mas por amor superior à vida nova que brota do mistério pascal; vivem-na com austeridade corajosa, com religiosidade alegre, dum modo exemplar e íntegro, e mesmo com relativa facilidade. Este grandioso fenómeno prova a realidade singular do reino de Deus, vivo no seio da sociedade moderna, à qual presta o humilde e benéfico serviço de "luz do mundo" e de "sal da terra" (cf. Mt 5, 13-14). Não podemos calar a nossa admiração: neste fenómeno, sopra indubitavelmente o Espírito de Cristo.

Confirmada a validez do celibato
14. Julgamos portanto que a lei vigente do celibato consagrado deve, ainda hoje, acompanhar firmemente o ministério eclesiástico; deve tornar possível ao ministro a sua escolha, exclusiva, perene e total, do amor único e supremo de Cristo e a sua dedicação ao culto de Deus e ao serviço da Igreja, e deve ser característica do seu estado de vida, tanto na comunidade dos fiéis como na profana.

aqui fica o link para quem quiser ler o resto.


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Frase do dia

"There are not more than 100 people in the world who truly hate the Catholic Church. But there are millions who hate what they perceive to be the Catholic Church." 

Archbishop Fulton Sheen


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