terça-feira, 18 de junho de 2019

Colapso da Liturgia e Crise na Igreja segundo Papa Bento

“Estou convencido de que a crise eclesial em que hoje nos encontramos depende em grande parte do colapso da liturgia.” 

Papa Bento XVI in 'Introdução ao Espírito da Liturgia'


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Bispo do Funchal tenta reintegrar sacerdote desobediente

D. Nuno Brás, Bispo da diocese do Funchal, revogou a suspensão a divinis do Padre Martins Júnior. Este sacerdote, em 1974, recebeu ordem do Bispo D. Francisco Antunes Santana para que se retirasse da paróquia onde se encontrava. Recusou obedecer ao seu Bispo e este suspendeu-o a divinis em 1977. Na altura a acusação era envolvimento directo na política, algo proibido aos clérigos, nomeadamente em partidos de índole socialista/comunista. 

Mesmo suspenso pelo Bispo, o Padre Martins Júnior recusou-se a sair da paróquia da Ribeira Seca e lá continuou como pároco ilegal até agora. Entretanto desempenhou vários cargos políticos, a saber: Presidente da Câmara Municipal de Machico e Deputado da Assembleia Legislativa Regional da Região Autónoma da Madeira.

Tendo cessado essa actividade, e com o desejo de resolver uma situação insustentável, D. Nuno Brás retirou agora a suspensão ao Padre Martins Júnior e nomeou-o pároco de Machico. É louvável a tentativa de pacificação deste caso. O Padre Martins Júnior deixou de estar suspenso, mas será que é uma boa influência para os fiéis?

Numa entrevista que deu há 6 meses - intitulada 'A história do padre rebelde da Madeira' - o Padre Martins Júnior define o celibato como: "Uma anormalidade e um atentado contra a vida e contra a natureza" (00:29). Sobre a eutanásia diz: "Eu sou pela eutanásia. Adoro. Abraço a eutanásia. Eu quero a eutanásia. A eutanásia é a pessoa que conscientemente diz a Deus: ofereço-te a minha vida" (01:17). No minuto 05:58 vê-se o então jovem Padre Martins Júnior "despejar" as Hóstias consagradas no altar, de modo que cada fiel lá fosse comungar em modo 'self-service'.

Ao longo destes anos sempre fez da desobediência a sua bandeira. E, como não poderia deixar de ser, até nos sacramentos faz o que lhe apetece e não o que a Igreja lhe diz para fazer. Neste vídeo vemos 3 excertos de 3 "Missas" celebradas pelo Padre Martins Júnior, em 2014, 2015 e 2018:
Esta "Missa" é muito provavelmente inválida, por isso não é Missa. O Padre Martins Júnior não usa o essencial das palavras da Consagração, que são: "Isto é o meu Corpo" (consagrando o pão) e "Isto é o meu Sangue" (consagrando o vinho). Falta, portanto, a forma do sacramento, sem a qual o sacramento não existe. Provavelmente faltará também a intenção, mas não podemos ter a certeza disso apenas pelo vídeo. 

O Padre Martins Júnior inventa as palavras da consagração, as palavras mais importantes durante a Missa. Além disso omite a Oração Eucarística (a oração mais importante da Missa), antes e depois da consagração, passando directamente do "Santo" para a consagração e desta directamente para o "Pai Nosso".

Os fiéis devem ser aconselhados a não ir a "Missas" celebradas pelo Padre Martins Júnior porque não são Missas. São cerimónias inventadas por ele próprio. Quem nelas participar não foi à Missa, foi a um teatro no qual o protagonista principal é o sacerdote que se faz mestre e senhor da Liturgia. Quem comunga não recebe o Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo mas apenas pão. Aquela cerimónia é sacrílega porque transforma um ritual sagrado num "faça-você-mesmo", sem o mínimo dos mínimos para que o sacramento seja válido. E ainda que seja válido é gravemente ilícito, e portanto nenhum fiel católico pode estar presente.

É justo dizer que o Padre Martins Júnior ajudou o povo da Ribeira Seca com a sua generosidade, motivação e simpatia. Mas ser Padre é muito mais do que isso. Para ser Padre é preciso ser obediente a Deus e à Igreja, algo que o Padre Martins Júnior nunca foi. Esperemos que comece a sê-lo aos 81 anos.

João Silveira


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segunda-feira, 17 de junho de 2019

Todas as crianças precisam de Pai e Mãe

Pai, Mãe: Sois precisos os dois para que a vida desabroche, e os dois também para que ela atinja o seu completo desenvolvimento. O pai, sozinho, é a autoridade demasiadamente dura, a razão muito fria, a força que se faz sentir de mais; a mãe, sozinha, é o amor sem limites, a suavidade sem regra, a ternura sem correctivo.

Juntos, os dois são necessários à educação. A natureza uniu-os e fundiu-os como dois elementos que se completam, e de onde brotam, na alma da criança, o calor e a luz.

R. P. Monsabré in 'Le Mariage' (Edit. P. Lethielleux, 1893)


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Comunismo chinês teme até os mártires enterrados

Quando, no último dia 13 de Abril (2019), os fiéis foram visitar o túmulo de Mons. Pedro José Fan Xueyan (1907-1992), ex-Cardeal e Bispo da diocese de Baoding, província de Hebei, depararam-se com um obstáculo: duas viaturas de polícia, com câmeras de vigilância e espionagem, bloqueavam a estrada, informou Bitter Winter. Os policias interrogavam os transeuntes e diziam: “Se vão procurar os vossos parentes podem passar. Mas se vão visitar o túmulo (do Bispo), então não podem”. 

Segundo um dos fiéis, também havia agentes do governo de uniforme que faziam guarda em volta da sepultura do bispo. Outro posto de controle e bloqueio foi montado na entrada da aldeia de Xiaowangting onde morou o falecido sucessor dos Apóstolos. Cerca de 20 policias com uniformes camuflados garantiam a vigilância em postos de controle ostensivo, analisando cada pedestre que passava. 

Um fiel contou que muitos não ousam aproximar-se da sepultura com medo das represálias dos agentes do Partido Comunista. Nestes casos, lembram a memória de Mons. Fan com cerimónias no interior das suas casas. Em 2018, desafiando a polícia, alguns fiéis fizeram uma Cruz com flores sobre o túmulo de Mons. Fan. 

“Malgrado a perseguição constante do comunismo, o Bispo preferiu morrer antes que aceitar compromissos. A sua fé inspirou sempre os fiéis sinceros. É isto que assusta o Partido Comunista, que o considera inaceitável”, acrescentou.

O bispo passou mais de trinta anos na prisão porque se recusou a romper a união com Roma e aderir à Associação Patriótica Católica Chinesa, uma dependência do estado marxista. Foi um dos prisioneiros de consciência encarcerados durante o mais longo período de tempo no mundo. 

Foi nomeado bispo da diocese de Baoding no dia 12 de Abril de 1951 e foi sagrado dois meses depois. Foi um dos últimos bispos chineses sagrados pela Santa Sé antes que a China maoista rompesse as relações.

Mons. Fan desapareceu em Novembro de 1990. Dava-se por certo o seu martírio até que a 16 de Abril de 1992, a polícia abandonou o seu cadáver congelado num saco de plástico do lado de fora da casa de parentes seus.

As autoridades alegaram que o prelado morrera de pneumonia três dias antes. Porém o corpo presentava fracturas ósseas e outras feridas compatíveis com a tortura. Desde então, desafiando a proibição, todos os anos os fiéis se reúnem em volta do seu túmulo para lhe render homenagem. 

Em 2001 o governo enviou um bulldozer para impedir a visita. Também incrementou a vigilância na zona entre os dias 11 e 13 de Abril, bloqueando as estradas num perímetro de 7 quilómetros e meio em volta do lugar da sepultura do heróico prelado.

Numerosos bispos da Igreja Católica dita “clandestina” são perseguidos actualmente porque se recusam a aderir à Associação Patriótica controlada pelo governo. Alguns pagaram com a própria vida. Outros sofrem espionagem constante ou detenções domiciliares e não podem exercer a sua missão episcopal.

A situação deles piorou após a assinatura de um Acordo secreto entre a diplomacia da Santa Sé e o regime marxista de Pequim em 2018. O Vaticano diz que o acordo deveria unificar os bispos “patrióticos” alinhados com o comunismo e os “clandestinos” fiéis a Roma. 

Mas o Partido Comunista usa o Acordo para impor a submissão dos padres e bispos “clandestinos” ao comunismo por meio da Associação Patriótica.

Os que perseveram na Igreja e recusam a submissão inaceitável ficam sob controles abusivos constantes do Partido Comunista, ou são directamente perseguidos.

Mons. Estêvão Li Side, bispo legítimo “clandestino” da diocese católica de Tianjin, que foi sagrado secretamente em 1982, foi capturado dois anos depois e condenado a prisão domiciliar. Desde então, o Partido Comunista prendeu-o de tempos em tempos até que, em 1991, o condenou a uma prisão domiciliar em Liangzhuangzi, zona montanhosa do distrito de Jizhou, longe da sua cidade. 

Mons. Li ainda pode administrar os sacramentos, celebrar missa e funerais. Mas, sempre sob controle do governo e estritamente vigiado. Hoje o bispo tem 94 anos e já não pode cuidar de si próprio, tendo necessidade de que alguém tome conta dele.


Luis Dufaur in pesadelochines.blogspot.com


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A oração ao Anjo da Guarda

A oração ao Anjo da Guarda é uma boa oração para rezar antes de dormir, depois do exame de consciência e das 3 Avé-Marias:

Santo Anjo do Senhor, 
meu zeloso guardador, 
pois que a ti me confiou a Piedade divina, 
hoje e sempre 
me governa, rege, guarda e ilumina. 
Ámen.

Para os mais pequenos existe uma "versão resumida":

Anjo da Guarda,
minha companhia,
guardai a minha alma
de noite e de dia.


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domingo, 16 de junho de 2019

Domingo da Santíssima Trindade

Santíssima Trindade: três Pessoas em um Deus. Isto quer dizer que há só uma natureza divina e que nessa única natureza há três Pessoas, de sorte que a unidade de natureza não impede a pluralidade de Pessoas. 

A primeira Pessoa chama-se Pai, a segunda chama-se Filho, a terceira chama-se Espírito Santo. A mesma natureza divina no Pai e no Filho e no Espírito Santo; três pessoas divinas distintas, não à maneira das pessoas humanas que são distintas porque separadas, mas distintas enquanto às relações próprias de cada uma a respeito das outras. Assim o Pai gera o Filho, como semelhantemente a nossa alma gera o pensamento; o Espírito Santo procede do Pai e do Filho, como semelhantemente da nossa alma e do nosso pensamento procede o amor com que amamos a nossa alma e o nosso pensamento. A alma, o pensamento e o amor são coisas distintas, têm a mesma natureza espiritual e são inseparáveis. A nossa fé na Trindade divina é fundada na Sagrada Escritura.

Jesus Cristo mandou baptizar, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Em nome de um Deus: Pai, Filho e Espírito Santo, três Pessoas divinas (Ev. S. Mat. XXVIII, 19). São João na sua l.a Ep. V, 7, escreve: «três são os que dão testemunho no céu: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, e estes três são uma só coisa». 

Padre José Lourenço in Dicionário da Doutrina Católica


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sábado, 15 de junho de 2019

Mulher africana ensina a mulher europeia o que é o aborto



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Os 12 frutos do Espírito Santo

O Espírito Santo vem às nossas almas no dia do nosso Baptismo, derramando sobre nós as três virtudes teologais: a Fé, a Esperança e a Caridade. E vem de um modo mais solene no dia em que recebemos o Sacramento do Crisma (ou Confirmação), quando recebemos a efusão do Espírito que derrama sobre nós os Seus 7 dons: Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza, Ciência, Piedade e o Temor de Deus.

O Espírito Santo, para além de derramar estas 7 grandes colunas cristãs, confere ao cristão 12 frutos, que são: Caridade, Alegria, Paz, Paciência, Benignidade, Bondade, Longanimidade, Mansidão, Fé, Modéstia, Continência e Castidade.

Definimos agora, em poucas palavras, cada um dos 12 frutos do Espírito Santo:

1. A Caridade é o amor a Deus acima de todas as coisas, e aos outros por causa de Deus. E é o maior dos dons porque não desaparece, existe para além da morte. O Céu vive no amor: "A fé e a esperança hão-de desaparecer, mas o amor jamais desaparecerá" (1 Cor 13,8).

2. A Alegria é caracterizada por aquelas emoções interiores, aquele gozo interior e satisfação espiritual profunda que o Espírito Santo derrama no coração e na alma. Não há palavras que possam descrever o gozo que provém do Espírito Santo.

3. A Paz de que falamos não tem nada a ver com os motivos ou sensações externas mas é uma paz e suavidade interior, tal como Jesus disse aos Seus apóstolos: "Deixo-vos a paz, dou-vos a Minha paz, não como o mundo a dá mas como Eu a dou" (Jo 14, 27). Jesus é a paz e a suavidade da alma.

4. A Paciência suporta as adversidades, as doenças, as contrariedades e perseguições. A paciência é o fruto essencial para que o cristão persevere na Fé. O cristão paciente dificilmente é demovido porque suporta tudo com paciência. A alma paciente é mansa e humilde, não se revolta contra o seu Deus mas tudo aceita sem se turbar porque sabe que até do mal pode vir o bem.

5. A Bondade é fazer o bem, desinteressadamente, às pessoas. A pessoa que o faz tem um bom coração, amando verdadeiramente. A resposta de alguém que ama a sério é: "Eu amo porque amo."

6. A Benignidade parte da bondade, enquanto querer, mas relaciona-se mais com o fazer.  A benignidade é a execução do bem que vai para além do que deveria, por justiça, ser feito.

7. A Longanimidade esta relacionada com grandeza da alma e com a generosidade. É um fruto sobrenatural que dispõem a alma a esperar, sem se queixar nem se deixar amargurar, mesmo nos momentos mais difíceis. É o perservar nos caminhos de Deus, mesmo nas adversidades e dificuldades.

8. A Mansidão está sempre associada à humildade e à paciência. Jesus disse: "Vinde a Mim que Sou manso e humilde de coração que Eu vos aliviarei. Vinde a Mim que o meu jugo é suave e a minha carga é leve. Vinde a Mim todos vós que estais sobrecarregados porque Eu vos aliviarei" (Mt 11, 28-30). Este é um grande convite do Sagrado Coração de Jesus a todos nós. A mansidão vai contra a ira e contra o ódio. Assim, devemos procurar ser mansos, imitando o Divino Mestre.

9. A , para além de ser o fruto do Espírito Santo é uma das virtudes teologais. A Fé é um dom muito importante, sem ela desesperamos e desanimamos ao longo da nossa caminhada, feita de altos e baixos, com muitas dificuldades. Sem a Fé, o cristão chega a certa altura, depois de muitas dificuldades desiste e começa a levantar interrogações e deixa de praticar o bem, deixa de ir à Missa e diz: "Afinal, os que não vão à Missa, têm uma vida melhor do que a minha. Então, que me adianta ir à Missa e rezar?" Leva o cristão a manter-se firme na sua caminhada mas esta Fé tem que ser conservada e protegida. A oração que aumenta e protege a Fé. 

10. A Modéstia relaciona-se com o ser discreto. A modéstia é contra a ostentação e a exibição. A modéstia é o pudor que deve acompanhar todo o cristão pois nele habita Deus. Como tal, devemos respeitar o nosso próprio corpo, não o expondo como um mostruário. É preciso alertai aquelas pessoas que se vestem com mini-saias, decotes exagerados, roupa transparente, calças exageradamente apertadas, apresentando os contornos do corpo. Podemos usar roupas bonitas e arranjadas com o devido pudor e respeito pelo corpo.

11. A Continência permite que o homem seja equilibrado, dominando a sua sexualidade. Saber guardar-se e proteger-se. A continência é uma grande virtude. Se os homens e as mulheres de hoje possuíssem esta grande virtude, não haveria em muitos lares tanta tristeza, tanto aborrecimento porque todos saberiam manter a castidade e a pureza. A continência é o domínio de si mesmo em relação aos instintos sexuais.

12. A Castidade é um fruto que leva o homem ou a mulher a manter a pureza do corpo e, consequentemente, a pureza da alma, não se deixando manchar, caindo em pecados contra o 6º e 9º Mandamentos. O 6º diz: "Guardai castidade nas palavras e nas obras"; e o nono mandamento diz: "Guardai castidade nos pensamentos e nos desejos."

A castidade não é só protegida quando o homem ou a mulher se abstêm de actos sexuais fora do casamento mas deve ser protegida, evitando que os olhos se fixem em programas indecentes ou imorais, ou se fixem na rua em situações impróprias porque isso leva a maus pensamentos e desejos. São Paulo, referindo-se aos esposos, fala da Fidelidade dizendo que aquele que é fiel à sua mulher conserva a castidade e vice-versa. Por isso, São Paulo explica que a fidelidade passa pela castidade também no casamento.

Estes 12 frutos do Espírito Santo devem suscitar no cristão o desejo e o esforço de os conquistar. Para isso, deverá pedi-los e suplicá-los ao Espírito Santo porque quem receberá.

adaptado de Catolicismo Romano


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sexta-feira, 14 de junho de 2019

Servir à Santa Missa é uma escola de vocações




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Um santo monge explica o que é a oração

A oração é, quanto à sua natureza, a conversa e a união da alma com Deus; quanto à sua eficácia, é a conservação do mundo e a sua reconciliação com Deus, um ponto elevado acima das tentações, uma muralha contra as tribulações, a extinção das guerras, a alegria futura, a actividade que não cessa, a fonte das graças, a dadora dos carismas, um progresso invisível, o alimento da alma, a iluminação do espírito, o machado que corta o desespero, a expulsão da tristeza, a redução da ira, o espelho do progresso, a manifestação da nossa medida, o teste ao estado da nossa alma, a revelação das coisas futuras, o anúncio seguro da glória.

Tem coragem e terás o próprio Deus como mestre de oração. É impossível aprender a ver por meio de palavras, porque ver é um efeito da natureza. Assim também é impossível aprender a beleza da oração através dos ensinamentos de outros. A oração só se aprende na oração e o seu mestre é Deus, que ensina ao homem a ciência, que concede o dom da oração àquele que ora, que abençoa os anos dos justos.

São João Clímaco (c. 575-c. 650), monge do Monte Sinai in 'A Escada Santa'


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quinta-feira, 13 de junho de 2019

10 sugestões de Santo António para fazer penitência pelos pecados

O pecado é sempre uma recusa do Amor, é virar as costas a Deus porque se considera que uma criatura ou uma coisa material pode substituir o Seu lugar no nosso coração. Para compensar essas falta de amor, e fortalecer a vontade para amar mais, Santo António dá algumas ideias:

1. Renúncia da própria vontade;

2. Abstinência de comida e bebida;

3. Rigor do silêncio;

4. Vigílias de oração durante a noite;

5. Derramamento de lágrimas;

6. Dedicação de tempo à leitura;

7. Trabalho físico exigente;

8. Ajudar generosamente os outros;

9. Vestir-se com modéstia;

10. Desprezar a própria vaidade.

Santo António de Lisboa in Sermão do Domingo de Pentecostes, 1§7


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Santo António e o milagre eucarístico de Rimini

Foram muitos os prodígios que Santo António realizou ao longo da sua vida. Particularmente o famoso “milagre eucarístico de Rimini”, ou o chamado "milagre da mula”. Durante a sua intensa actividade de evangelização, Santo António andou na zona de Rimini (noroeste de Itália) por volta do ano 1223, e foi justamente neste período que o milagre se encontra narrado em vários livros históricos – entre os quais a Begninitas, uma das primeiras fontes sobre a vida do santo - que narram episódios análogos acontecidos também em Toulose e em Burges.

O episódio está relacionado com a luta entre cristãos e hereges. Nesses tempos a hierarquia da Igreja era fortemente contestada por movimentos heterodoxos, incluindo os cátaros, patários e valdenses. Estes atacavam especialmente uma das verdades basilares da Fé católica: a Presença Real de Nosso Senhor na Eucaristia.

O milagre eucarístico aconteceu quando Santo António foi desafiado por um certo Bonovillo para provar que a doutrina sobre a Presença Real do Corpo de Cristo na comunhão era verdadeira. Outra biografia antiga de Santo António (A Assídua) traz as palavras ditas por Bonovillo no 'desafio': "Irmão! Digo-te diante de todos: acreditarei na Eucaristia se a minha mula, que deixarei sem comer durante três dias, escolher a Hóstia em vez do feno que lhe darei.” Se o animal tivesse, portanto, deixado de lado a comida e ido adorar o Deus pregado por Santo António, o herege converter-se-ia.

O encontro foi marcado na Praça Grande (hoje em dia Praça dos Três Mártires), atraindo uma multidão enorme de curiosos. No dia combinado, portanto, Bonovillo apareceu com a mula e com a cesta de feno. Chegou Santo António que, depois de ter celebrado a Missa, trouxe em procissão a Hóstia consagrada dentro do ostensório até a praça.

Diante da mula, o Santo disse: “Em virtude e em nome do Criador, que eu, por mais indigno que seja, tenho realmente nas mãos, te digo, ó animal, e te ordeno que te aproximes rapidamente com humildade e O adores com a devida veneração.”

O animal, apesar faminto, deixou de lado o feno e aproximou-se para adorar a Hóstia consagrada, de tal modo que inclinou os joelhos e a cabeça, provocando a admiração e o entusiasmo dos presentes. Santo António não se enganou ao julgar a lealdade do seu oponente, que, ao ver o milagre, se lançou aos seus pés e abjurou publicamente os seus erros, tornando-se a partir daquele dia um dos mais fervorosos cooperadores do Santo taumaturgo.

adaptado de Zenit


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quarta-feira, 12 de junho de 2019

Veni Creator Spiritus (legendado)

Um hino apropriado para esta semana de Oitava de Pentecostes


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Mais uma Ordem Religiosa perseguida dentro da Igreja

As Pequenas Irmãs de Maria Mãe do Redentor são uma ordem religiosa, nascida em França, que foi acusada de ter uma espiritualidade considerada muito "tradicional". O Grande Inquisidor da Congregação para os Religiosos, o franciscano José Rodríguez Carballo - responsável pela crise financeira mais grave alguma vez experimentada pelos franciscanos - atacou novamente. O caso é semelhante aos já vividos pelos Franciscanos da Imaculada (ainda comissariados após seis anos!), pela Opera Familia Christi, pela Fraternidade dos Santos Apóstolos e assim por diante. 

As Pequenas Irmãs de Maria, Mãe do Redentor, cuidam dos mais velhos, colaboram no cuidado pastoral das paróquias, ajudam os pobres e vivem uma espiritualidade considerada hoje também no Vaticano "clássica", isto é: Adoração do Santíssimo Sacramento, oração fervorosa de intercessão e devoção filial para Maria. As irmãs foram visitadas em 2009 por decisão do Bispo de Laval, acusado pelos leigos que apoiam as irmãs os de ter algum interesse na administração de suas propriedades. Mas a iniciativa não foi bem sucedida. 

Em 2016, com o Cardeal Braz de Avis (Prefeito da Congregação dos Institutos de Vida Consagrada as Sociedades de Vida Apostólica) e o franciscano Carballo, foi feita uma nova visita. Desta vez não por razões administrativas, mas pela séria suspeita de "tradicionalismo" ou "classicismo", como dizem os franceses. As irmãs foram acusadas de graves problemas de governo (embora a maioria das irmãs tenham testemunhado exactamente o contrário), de imobilidade, de falta de reconhecimento da "nova teologia da vida consagrada" e de outros "crimes graves" como a oração excessiva. As superioras, exiladas noutros conventos, foram acusados de "autoritarismo desviante", e as freiras foram solicitadas a obedecer sem apelo "sem que a preocupação de uma consciência recta tenha uma palavra a dizer, e sem nunca lhes ter sido explicado o fundamento de todas essas medidas vindas de Roma: havendo assim dois pesos e duas medidas”.

As irmãs rejeitaram as acusações como falsas e inventadas pelos visitadores. Os comissários e a Congregação deram-lhes razão, pelo menos em parte, mas mantiveram as medidas tomadas; isto é, confirmando o comissariado. As irmãs fizeram um apelo ao Tribunal Supremo de Justiça na Igreja, a Assinatura Apostólica, que confirmou a sentença do Dicastério. Mas as irmãs decidiram não aceitar o que para elas - e não apenas para elas - parece uma injustiça óbvia. Elas tornaram pública a sua decisão: "No dia 17 de Setembro de 2018, o Prefeito da Congregação para os Religiosos, Cardeal Braz de Aviz, fez-nos um ultimato; ou aceitamos o comissariado sem reservas, ou não o aceitamos, e neste caso a lei estabelece que poderemos ser expulsas do Instituto.

As irmãs escreveram ainda: "Depois de adquirir certeza moral ao longo deste ano que a recepção do comissariado apostólico dentro do nosso Instituto causaria danos sérios e certos, tanto em termos da compreensão do carisma deixado por Deus à Mãe Maria da Cruz, nossa Fundadora, apenas pela maneira como a vivemos; depois de propor soluções de apaziguamento muitas vezes, sem qualquer resposta; após consulta a pessoas autorizadas e competentes; depois de ter rezado muito e sempre querer permanecer fiéis e obedientes à verdade, pareceu-nos que não tínhamos outra escolha a não ser renunciar aos nossos votos".

Enquanto isso, um grupo de apoio às religiosas foi criado em Laval, que tem quase três mil pessoas e se encontra neste site: https://www.soutienpsm.com

Tudo isso decorre num país onde a situação das vocações é, no mínimo, desastrosa, e onde a questão do abuso clerical está emergindo lentamente em toda a sua gravidade. E a Santa Sé permite-se realizar operações inexplicáveis conduzidas com violência e determinação que teriam sido muito mais adequadas em outras situações, e por falhas reais.

Marco Tossati in La Nuova Bussola Quotidiana


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terça-feira, 11 de junho de 2019

Cardeal Burke e D. Athanasius Schneider publicam texto sobre erros dos nossos dias

«A Igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade» (1 Tim 3,15)
Declaração de verdades relacionadas com alguns dos erros mais comuns
na vida da Igreja de nosso tempo

Fundamentos da fé

1. O sentido correto das expressões tradição viva, Magistério vivo, hermenêutica da continuidade e desenvolvimento da doutrina contém a verdade que, cada vez que se aprofunde o entendimento do depósito da fé, o conteúdo duma doutrina católica não pode ser contrário ao sentido que a Igreja sempre havia exposto na mesma doutrina, no mesmo sentido e no mesmo entendimento (cf. Concílio Vaticano I, Dei Filius, sess. 3, c. 4: «in eodem dogmate, eodem sensu, eademque sententia»).

2. «O próprio sentido das fórmulas dogmáticas permanece na Igreja sempre verdadeiro e coerente, mesmo quando se torna mais esclarecido e melhor compreendido. Devem os fiéis, portanto, rejeitar a opinião segundo a qual aquelas fórmulas dogmáticas (ou pelo menos algumas categorias das mesmas) não poderiam expressar a verdade determinadamente, mas apenas aproximações mutáveis da mesma, que no fundo, seriam, de algum modo, deformações ou adulterações da própria verdade; assim — sempre segundo tal opinião — dado que as mesmas fórmulas dogmáticas expressam apenas de modo indefinido a verdade, deveria esta ser continuamente procurada, através das tais « aproximações ». Os que abraçam semelhante opinião não conseguem fugir ao relativismo dogmático e falsificam o conceito de infalibilidade da Igreja, relativo à verdade que há-de ser ensinada e aceite de maneira explícita» (Sagrada Congregação pela Doutrina da fé, Declaração sobre a doutrina católica acerca da doutrina católica sobre a Igreja para a defender de alguns erros hodiernos, 5).


Credo

3. «O Reino de Deus, começado aqui na terra na Igreja de Cristo, "não é deste mundo" (cf. Jo 18, 36), "cuja figura passa" (cf. 1 Cor 7, 31), e também que o seu crescimento próprio não pode ser confundido com o progresso da cultura humana ou das ciências e artes técnicas; mas consiste em conhecer, cada vez mais profundamente, as riquezas insondáveis de Cristo, em esperar sempre com maior firmeza os bens eternos, em responder mais ardentemente ao amor de Deus, enfim em difundir-se cada vez mais largamente a graça e a santidade entre os homens. Mas com o mesmo amor, a Igreja é impelida a interessar-se continuamente pelo verdadeiro bem temporal dos homens. Pois, não cessando de advertir a todos os seus filhos que eles "não possuem aqui na terra uma morada permanente" (cf. Hb 13, 14), estimula-os também a que contribuam, segundo as condições e os recursos de cada um, para o desenvolvimento da própria sociedade humana; promovam a justiça, a paz e a união fraterna entre os homens; e prestem ajuda a seus irmãos, sobretudo aos mais pobres e mais infelizes. Destarte, a grande solicitude com que a Igreja, Esposa de Cristo, acompanha as necessidades dos homens, isto é, suas alegrias e esperanças, dores e trabalhos, não é outra coisa senão o ardente desejo que a impele com força a estar presente junto deles, tencionando iluminá-los com a luz de Cristo, congregar e unir a todos Naquele que é o seu único Salvador. Tal solicitude entretanto, jamais se deve interpretar como se a Igreja se acomodasse às coisas deste mundo, ou se tivesse resfriado no fervor com que ela mesma espera seu Senhor e o Reino eterno» (Paulo VI, Constituição apostólica Solemni hac liturgia,Credo do  povo de Deus”, 27). É, portanto, errado afirmar que o que mais glorifica a Deus é o progresso das condições terrenas e temporais da humanidade.

4. Depois da instituição da Nova e Eterna Aliança em Cristo Jesus, ninguém pode salvar-se obedecendo apenas à lei de Moisés sem fé em Cristo como Deus verdadeiro e único Salvador da humanidade e (cf. Rm. 3,28; Gál. 2,16).

5. Nem os muçulmanos nem outros que não têm fé em Jesus Cristo, Deus e homem, mesmo que sejam monoteístas, podem render a Deus o mesmo culto de adoração que os cristãos; quer dizer, a adoração sobrenatural em Espírito e em Verdade (cf. Jn. 4,24; Ef. 2,8) por parte dos que receberam o Espírito da filiação (cf. Rm. 8,15).

6. As formas de espiritualidade e religiões que promovem alguma forma de idolatria ou panteísmo não podem considerar-se sementes nem frutos do Verbo, pois são enganos que impedem a evangelização e a eterna salvação de seus sequazes, como ensina a Sagrada Escritura: «O deus, desta presente era perversa, cegou o entendimento dos descrentes, a fim de que não vejam a luz do Evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus» (2 Cor. 4,4).

7. O verdadeiro ecumenismo tem por objetivo que os não-católicos se integrem à unidade que a Igreja Católica possui de modo inquebrantável em virtude da oração de Cristo, sempre atendida pelo Pai: «para que sejam um» (Jn. 17,11), a unidade, que a Igreja professa no Símbolo da fé: «Creio na Igreja uma». Por conseguinte, o ecumenismo não pode ter como finalidade legítima a fundação de uma Igreja que ainda não existe.

8. O inferno existe, e os que estão condenados a ele, por causa de algum pecado mortal do qual não se arrependeram, são castigados aí pela justiça divina (cf. Mt. 25,46). Conforme o ensinamento da Sagrada Escritura, não só se condenam por toda a eternidade os anjos caídos, mas também as almas humanas (cf. 2 Tes.1,9; 2 Pe.3,7). Ademais, os seres humanos condenados por toda a eternidade não serão exterminados porque, segundo o ensinamento infalível da Igreja, as suas almas são imortais (cf. V Concílio de Latrão, sessão 8).

9. A religião nascida da fé em Jesus Cristo, Filho encarnado de Deus e único Salvador da humanidade, é a única religião positivamente querida por Deus. Portanto, é errada a opinião que diz que do mesmo modo que Deus quis que haja diversidade de sexos e de nações, assim também Ele quer que houvesse diversidade de religiões.

10. «A nossa religião [cristã] instaura efectivamente uma relação autêntica e viva com Deus, que as outras religiões não conseguem estabelecer, se bem que elas tenham, por assim dizer, os seus braços estendidos para o céu» (Paulo VI, Exortação apostólica Evangelii nuntiandi, 53).

11. O dom do livre arbítrio com que Deus Criador dotou a pessoa humana concede ao homem o direito natural de escolher unicamente o bem e o verdadeiro. Nenhum ser humano tem, portanto, o direito de ofender a Deus escolhendo o mal moral do pecado ou o erro religioso da idolatria, da blasfémia ou de uma religião falsa.

A lei de Deus

12. Mediante a graça de Deus, a pessoa justificada possui a força necessária para cumprir as exigências objetivas da lei divina, dado que para os justificados é possível cumprir todos os mandamentos de Deus. Quando a graça de Deus justifica o pecador, pela sua própria natureza leva à conversão de todo o pecado grave (cf. Concílio de Trento, sessão 6, Decreto sobre a justificação, cap. 11 e 13).

13. «Os fiéis hão-de reconhecer e respeitar os preceitos morais específicos, declarados e ensinados pela Igreja em nome de Deus, Criador e Senhor. O amor de Deus e o amor do próximo são inseparáveis da observância dos mandamentos da Aliança, renovada no sangue de Jesus Cristo e no dom do Espírito.» (João Paulo II, Encíclica Veritatis splendor, 76). De acordo com o ensinamento da mesma encíclica, é errada a opinião dos que «crêem poder justificar, como moralmente boas, escolhas deliberadas de comportamentos contrários aos mandamentos da lei divina e natural». Por isso, «estas teorias não podem apelar à tradição moral católica» (ibid.).

14. Todos os mandamentos da lei de Deus são igualmente justos e misericordiosos. É, portanto, errada a opinião que diz que obedecendo a uma proibição divina -  como por exemplo ao sexto mandamento de não cometer adultério - uma pessoa pode, em razão dessa obediência, pecar contra Deus, prejudicar-se a si mesma moralmente ou pecar contra outros.

15. “Nenhuma circunstância, nenhum fim, nenhuma lei no mundo poderá jamais tornar lícito um acto que é intrinsecamente ilícito, porque contrário à Lei de Deus, inscrita no coração de cada homem, reconhecível pela própria razão, e proclamada pela Igreja” (João Paulo II, Encíclica Evangelium vitae, 62). A revelação divina e a lei natural contêm princípios morais que incluem proibições negativas que proíbem terminantemente certas acções, porquanto estas são sempre gravemente ilícitas por causa do seu objeto. Por conseguinte, é errada a opinião de que uma boa intenção ou uma boa consequência podem ser suficientes para justificar a execução de tais acções (cf. Concilio de Trento, sess. 6, de iustificatione, c. 15; João Paulo II, Exortação Apostólica Reconciliatio et Paenitentia, 17; Encíclica Veritatis splendor, 80).

16. A lei natural e a lei Divina proíbem a mulher que concebeu uma criança de matar a vida que porta em seu ventre, seja que o faça ela mesma ou com a ajuda de outros, directa ou indirectamente (cf. João Paulo II, Encíclica Evangelium vitae, 62).

17. As técnicas de reprodução «são moralmente inaceitáveis, porquanto separam a procriação do contexto integralmente humano do acto conjugal» (João Paulo II, Encíclica Evangelium vitae, 14).

18. Nenhum ser humano pode estar jamais moralmente justificado nem se lhe pode permitir desde o ponto de vista moral matar a si mesmo ou fazer-se matar por outros com o fim de escapar ao sofrimento. «A eutanásia é uma violação grave da Lei de Deus, enquanto morte deliberada moralmente inaceitável de uma pessoa humana. Tal doutrina está fundada sobre a lei natural e sobre a Palavra de Deus escrita, é transmitida pela Tradição da Igreja e ensinada pelo Magistério ordinário e universal» (João Paulo II, Encíclica Evangelium vitae, 65).

19. Por mandato divino e pela lei natural, o matrimónio é a união indissolúvel de um homem e uma mulher (cf. Gn. 2,24; Mc.10,7-9; Ef. 5,31-32). “Por sua própria índole, a instituição matrimonial e o amor conjugal estão ordenados para a procriação e educação da prole, que constituem como que a sua coroa” (Concílio Vaticano II, Gaudium et spes, 48).

20. Segundo o direito natural e divino, todo o ser humano que faz uso voluntário de suas facultades sexuais fora do matrimónio legítimo peca. Portanto, é contrário à Sagrada Escritura e à Tradição afirmar que a consciência é capaz de determinar legitimamente e com acerto que os actos sexuais entre pessoas que contraíram matrimónio civil podem em alguns casos ser moralmente bons ou até ser pedidos ou inclusivamente ordenados por Deus, ainda que uma delas ou ambas sejam casadas sacramentalmente com outra pessoa (1 Cor. 7. 11; João Paulo II, Exortação Apostólica Familiaris consortio, 84).

21. A lei natural e Divina exclui “toda a acção que, ou em previsão do acto conjugal, ou durante a sua realização, ou também durante o desenvolvimento das suas consequências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação” (Paulo VI, Encíclica Humanae vitae, 14).

22. Qualquer marido ou esposa que se divorciou do cônjuge com quem estava validamente casado e que contraiu depois um matrimónio civil com outra pessoa enquanto ainda está vivo o seu cônjuge legítimo, coabitando maritalmente com o parceiro civil, e que opta por viver neste estado com pleno conhecimento da natureza deste acto e pleno consentimento da vontade a este acto, está em pecado mortal e não pode, portanto, receber a graça santificante nem crescer na caridade. Por conseguinte, a não ser que tais cristãos convivam como irmão e irmã, não podem receber a Sagrada Comunhão (cf. João Paulo II, Exortação apostólica Familiaris consortio, 84).

23. Duas pessoas do mesmo sexo pecam gravemente quando se procuram prazer venéreo mútuo (cf. Lev. 18,22; 20,13; Rm.1,24-28; 1 Cor.6,9-10; 1 Tim.1,10; Judas 7). Actos de homossexualidade “não podem, em caso algum, ser aprovados” (Catecismo da Igreja Católica, 2357). Assim pois, é contrária à lei natural e à Revelação Divina a opinião que afirma que, do mesmo modo que o Deus Criador deu a alguns seres humanos a inclinação natural de sentir desejo sexual para pessoas do outro sexo, também Ele deu a outros a inclinação de desejar sexualmente pessoas do mesmo sexo, e que é a vontade do Criador que em determinadas circunstâncias essa tendência seja consumada.

24. Nem as leis dos homens, nem alguma autoridade humana podem outorgar a duas pessoas do mesmo sexo o direito de casar-se, nem as declarar casadas, já que isso é contrário ao direito natural e à lei de Deus. “No plano do Criador, a complementaridade dos sexos e a fecundidade pertencem, portanto, à própria natureza da instituição do matrimónio” (Congregação para a Doutrina da Fé, Considerações sobre os projectos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais, 3).

25. Aquelas uniões que recebem o nome de matrimónio sem a realidade do mesmo, não podem obter a bênção da Igreja, por serem contrárias à lei natural e divina.

26. As autoridades civis não podem reconhecer uniões civis ou legais entre duas pessoas do mesmo sexo que claramente imitam a união matrimonial, ainda que estas uniões não recebam o nome de matrimónio, porque fomentariam pecados graves entre os seus participantes e seriam motivo de grave escândalo (cf. Congregação para a Doutrina da fé, Considerações acerca dos projectos de reconhecimento legal das uniões entre pessoas homossexuais, 3 de Junho de 2003, 11).

27. Os sexos masculino e feminino, homem e mulher, são realidades biológicas, criadas pela sábia vontade de Deus (cf. Gen. 1, 27; Catecismo da Igreja Católica, 369). É, portanto, uma rebelião contra a lei natural e Divina e um pecado grave que um homem tente converter-se em mulher mutilando-se, ou simplesmente declarar-se mulher, ou que uma mulher tente converter-se em homem, ou afirmar que as autoridades civis tenham o dever ou o direito de proceder como se tais coisas fossem ou pudessem ser possíveis e legítimas (Catecismo da Igreja Católica, 2297).

28. Em conformidade com a Sagrada Escritura e com a constante tradição do Magistério ordinário e universal, a Igreja não errou ao ensinar que as autoridades civis podem aplicar legitimamente a pena capital aos malfeitores quando seja verdadeiramente necessário para preservar a existência ou manter a ordem justa na sociedade (cf. Gn.9,6; Jn.19,11; Rm.13,1-7; Inocêncio III, Professio fidei Waldensibus praescripta; Catecismo Romano do Concílio de Trento, p. III, 5, n. 4; Pio XII, Discurso aos juristas católicos de 5 de Dezembro de 1954).

29. Toda a autoridade na terra e no céu pertence a Jesus Cristo; por isso as sociedades civis e qualquer outra associação de homens estão sujeitas à Sua realeza, pois «o dever de render a Deus um culto autêntico corresponde ao homem individual e socialmente considerado» (Catecismo da Igreja Católica, 2105; cf. Pio XI, Encíclica Quas primas, 18-19; 32).

Os sacramentos

30. No santíssimo Sacramento da Eucaristia realiza-se uma maravilhosa transformação de toda a substância do pão no Corpo de Cristo e de toda a substância do vinho no Seu Sangue, uma transformação que a Igreja Católica chama muito apropriadamente transubstanciação (cf. IV Concílio de Latrão, cap.1; Concílio de Trento, sessão 13, c.4). «Qualquer interpretação de teólogos, buscando alguma inteligência deste mistério, para que concorde com a fé católica, deve colocar bem a salvo que na própria natureza das coisas, isto é, independentemente do nosso espírito, o pão e o vinho deixaram de existir depois da consagração, de sorte que o Corpo adorável e o Sangue do Senhor Jesus estão na verdade diante de nós, debaixo das espécies sacramentais do pão e do vinho» (Paulo VI, Carta apostólica Solemni hac liturgia, “Credo do  povo de Deus”, 25).

31. As palavras com as quais o Concílio de Trento expressou a fé da Igreja na Sagrada Eucaristia são idóneas para os homens de todos os tempos e lugares, já que são «doutrina sempre válida» da Igreja (João Paulo II, Encíclica Ecclesia de Eucharistia, 15).

32. Na Santa Missa é oferecido à Santíssima Trindade um sacrifício verdadeiro e próprio, e este sacrifício tem um valor propiciatório tanto para os homens que vivem na terra como para as almas do purgatório. É, portanto, errada a opinião segundo a qual o Sacrifício da Missa consistiria simplesmente no facto de o povo oferecer um sacrifício espiritual de oração e louvor, assim como a opinião que a Missa pode ou deve definir-se somente como a entrega que Cristo faz de Si mesmo aos fiéis como alimento espiritual para eles (cf. Concílio de Trento, sessão 22, c. 2).

33. «A Missa, celebrada pelo sacerdote, que representa a pessoa de Cristo, em virtude do poder recebido no sacramento da Ordem, e oferecida por ele em nome de Cristo e dos membros do seu Corpo Místico, é realmente o Sacrifício do Calvário, que se torna sacramentalmente presente em nossos altares. Cremos que, como o Pão e o Vinho consagrados pelo Senhor, na última ceia, se converteram no seu Corpo e Sangue, que depois iriam ser oferecidos por nós na Cruz; assim também o Pão e o Vinho consagrados pelo sacerdote se convertem no Corpo e Sangue de Cristo que assiste gloriosamente no céu. Cremos ainda que a misteriosa presença do Senhor, debaixo daquelas espécies que continuam aparecendo aos nossos sentidos do mesmo modo que antes, é uma presença verdadeira, real e substancial» (Paulo VI, Carta Apostólica Solemni hac liturgia, “Credo do povo de Deus”, 24).

34. «A imolação incruenta por meio da qual, depois de pronunciadas as palavras da consagração, Cristo está presente no altar no estado de vítima é realizada só pelo sacerdote enquanto representa a pessoa de Cristo e não enquanto representa a pessoa dos fiéis. (...) Que os fiéis oferecem o sacrifício por meio do sacerdote, é claro, pois o ministro do altar age na pessoa de Cristo enquanto Cabeça, que oferece em nome de todos os membros; pelo que, em bom direito, se diz que toda a Igreja, por meio de Cristo, realiza a oblação da vítima. Quando, pois, se diz que o povo oferece juntamente com o sacerdote, não se afirma que os membros da Igreja de maneira idêntica à do próprio sacerdote realizam o rito litúrgico visível – o que pertence somente ao ministro de Deus para isso designado – mas sim que une os seus votos de louvor, de impetração, de expiação e a sua acção de graças à intenção do sacerdote, aliás do próprio sumo pontífice, a fim de que sejam apresentados a Deus Pai na própria oblação da vítima, embora com o rito externo do sacerdote.” (Pio XII, Encíclica Mediator Dei, 83).

35. O sacramento da penitência é o único meio ordinário pelo qual se podem absolver os pecados graves cometidos depois do baptismo. Segundo o direito divino todos estes pecados devem confessar-se segundo sua espécie e seu número (cf. Concílio de Trento, sessão 14, cân. 7).

36. O direito divino proíbe ao confessor de violar o sigilo do sacramento da penitência seja por que motivo for. Nenhuma autoridade eclesiástica tem o poder para dispensá-lo do segredo do sacramento da penitência, e tão-pouco as autoridades civis estão facultadas para obrigá-lo a isso (cf. Código do Direito Canónico 1983, can. 1388 § 1; Catecismo da Igreja Católica 1467).

37. Segundo a vontade de Cristo e a tradição imutável da Igreja, não se pode administrar o sacramento da Sagrada Eucaristia a quem está objetivamente em estado de pecado grave público, e tão-pouco se deve dar a absolvição sacramental a quem manifesta não estar disposto a ajustar-se à lei de Deus, ainda que esta falta de disposição corresponda a uma só matéria grave (cf. Concílio de Trento, sess. 14, c. 4; João Paulo II, Mensagem ao Cardeal William W. Baum,  22 de Março de 1996).

38. Conforme a tradição constante da Igreja, não se pode administrar o sacramento da Sagrada Eucaristia a quem nega alguma verdade da fé católica professando formalmente sua adesão a uma comunidade cristã herética ou oficialmente cismática (cf. Código do Direito Canónico 1983, can. 915; 1364).

39. A lei que obriga os sacerdotes a observar a perfeita continência mediante o celibato tem sua origem no exemplo de Jesus Cristo e pertence à uma tradição imemorial e apostólica segundo o testemunho constante dos Padres da Igreja e dos Romanos Pontífices. Por esta razão, não se deve abolir esta lei na Igreja Romana por meio da inovação dum suposto celibato opcional dos sacerdotes, seja ao nível regional ou universal. O testemunho válido e perene da Igreja afirma que a lei da continência sacerdotal «não impõe nenhum preceito novo, e que estes preceitos devem observar-se, porque alguns os descuidaram por ignorância e preguiça. Contudo, os mencionados preceitos remontam aos apóstolos e foram estabelecidos pelos Padres, como está escrito: “Assim, irmãos, permanecei firmes e conservai as tradições que vos foram ensinadas, tanto de viva voz, quanto por meio das nossas cartas” (2 Tes. 2,15). De facto, muitos, desconhecendo os estatutos dos nossos predecessores, violaram com sua presunção a castidade da Igreja e deixaram-se guiar pela vontade do povo sem temer os castigos divinos» (Papa Sirício, decretal Cum in unum do ano 386).

40. Pela vontade de Cristo e pela constituição divina da Igreja, apenas varões baptizados podem receber o sacramento da Ordem, seja para o episcopado, o sacerdócio ou o diaconado (cf. Carta apostólica de João Paulo II Ordinatio sacerdotalis, 4). Ademais, a afirmação de que apenas um Concílio ecuménico pode dirimir esta questão é errada, dado que a autoridade dum Concílio ecuménico não é maior do que a do Romano Pontífice (cf. V Concílio de Latrão, sessão 11; Concílio Vaticano I, sessão 4, c. 3).
  
31 de maio de 2019

Cardeal Raymond Leo Burke, Patrono da Soberana e Militar Ordem de Malta
Cardinal Janis Pujats, Arcebispo emérito de Riga
Tomash Peta, Arcebispo da arquidiocese de Maria Santíssima em Astana
Jan Pawel Lenga, Arcebispo emérito de Karaganda
Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar da arquidiocese de Maria Santíssima em Astana


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