terça-feira, 19 de março de 2019

Ladainha a São José

Senhor, tende piedade de nósSenhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós
Jesus Cristo, tende piedade de nós. 
Senhor, tende piedade de nós
Senhor, tende piedade de nós.


Jesus Cristo, ouvi-nosJesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo atendei-nos
Jesus Cristo atendei-nos.

Pai do Céu que sois Deus, tende piedade de nós.
Filho, Redentor do mundo, que sois Deus, tende piedade de nós.
Espírito Santo que sois Deus, tende piedade de nós.
Santíssima Trindade que sois um só Deus, tende piedade de nós.

Santa Maria, rogai por nós.


S. José, rogai por nós.
Honra da família de David, rogai por nós.
Glória dos Patriarcas, rogai por nós.
Esposo da Mãe de Deus, rogai por nós.
Castíssimo guardião da Virgem, rogai por nós.
Amparo do Filho de Deus, rogai por nós.
Vigilante defensor de Cristo, rogai por nós.
Chefe da Sagrada Família, rogai por nós.
José justíssimo, rogai por nós.
José castíssimo, rogai por nós.
José prudentíssimo, rogai por nós.
José fortíssimo, rogai por nós.
José fidelíssimo, rogai por nós.
Espelho de paciência, rogai por nós.
Amante da pobreza, rogai por nós.
Modelo dos trabalhadores, rogai por nós.
Glória dos lares, rogai por nós.
Guardião das virgens, rogai por nós.
Sustentáculo das famílias, rogai por nós.
Consolo dos infelizes, rogai por nós.
Esperança dos enfermos, rogai por nós.
Advogado dos moribundos, rogai por nós.
Terror dos demónios, rogai por nós.
Protector da Santa Igreja, rogai por nós.

Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo, perdoai-nos Senhor!
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, ouvi-nos Senhor!
Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, tende piedade de nós Senhor!

V/ Ele o constituiu Senhor da sua casa.
R/ E o fez príncipe de todos os seus bens. 

Oremos

Ó Deus, cuja inegável providência se dignou escolher o bem-aventurado S. José para esposo de Vossa Mãe Santíssima, fazei que venerando-o como protector na terra, mereçamos tê-lo como nosso intercessor no Céu. Vós que sois Deus com o Pai, na unidade do Espírito Santo. Ámen.


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5 grandiosas verdades sobre São José

1. A figura de São José no Evangelho
Sabemos que não era uma pessoa rica; era um trabalhador como milhões de homens no mundo. Exercia o ofício fatigante e humilde que Deus escolheu também para Si quando tomou a nossa carne e viveu trinta anos como uma pessoa mais entre nós. A Sagrada Escritura diz que José era artesão.

2. Uma forte personalidade
Das narrações evangélicas depreende-se a grande personalidade humana de S. José: em nenhum momento nos aparece como um homem diminuído ou assustado perante a vida; pelo contrário, sabe enfrentar-se com os problemas, superar as situações difíceis, assumir com responsabilidade e iniciativa os trabalhos que lhe são encomendados.

Não estou de acordo com a forma clássica de representar S. José como um homem velho, apesar da boa intenção de se destacar a perpétua virgindade de Maria. Eu imagino-o jovem, forte, talvez com alguns anos mais do que a Virgem, mas na pujança da vida e das forças humanas.

3. A pureza nasce do amor
Para viver a virtude da castidade não é preciso ser-se velho ou carecer de vigor. A castidade nasce do amor; a força e a alegria da juventude não constituem obstáculo para um amor limpo. Jovem era o coração e o corpo de S. José quando contraiu matrimónio com Maria, quando conheceu o mistério da sua Maternidade Divina, quando vivei junto d'Ela respeitando a integridade que Deus lhe queria oferecer ao mundo como mais um sinal da sua vinda às criaturas. Quem não for capaz de compreender um amor assim conhece muito mal o verdadeiro amor e desconhece por completo o sentido cristão da castidade.

4. Todos os dias, trabalho
José era artesão da Galileia, um homem como tantos outros. E que pode esperar da vida um habitante de uma aldeia perdida, como era Nazaré? Apenas trabalho, todos os dias, sempre com o mesmo esforço. E, no fim da jornada, uma casa pobre e pequena, para recuperar as forças e recomeçar o trabalho no dia seguinte.

Mas o nome de José significa em hebreu Deus acrescentará. Deus dá à vida santa dos que cumprem a sua vontade dimensões insuspeitadas, o que a torna importante, o que dá valor a todas as coisas, o que a torna divina. À vida humilde e santa de S. José, Deus acrescentou - se me é permitido falar assim - a vida da Virgem Maria e a de Jesus Nosso Senhor. Deus nunca se deixa vencer em generosidade. José podia fazer suas as palavras que pronunciou Santa Maria, sua Esposa: Quia fecit mihi magna qui potens est, fez em mim grandes coisas Aquele que é todo poderoso quia respexit humilitatem, porque pôs o seu olhar na minha pequenez.

5. Um homem em quem Deus confiou
José era efectivamente um homem corrente, em quem Deus confiou para realizar coisas grandes. Soube viver exactamente como o Senhor queria todos e cada um dos acontecimentos que compuseram a sua vida. Por isso, a Sagrada Escritura louva José, afirmando que era justo. E, na língua hebreia, justo quer dizer piedoso, servidor irrepreensível de Deus, cumpridor da vontade divina; outras vezes significa bom e caritativo para com o próximo. Numa palavra, o justo é o que ama a Deus e demonstra esse amor, cumprindo os seus mandamentos e orientando toda a sua vida para o serviço dos seus irmãos, os homens. 

S. Josemaria in Cristo que passa, 40


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segunda-feira, 18 de março de 2019

Jejum e abstinência nos Códigos de Direito Canónico de 1917 e 1983

Jejum e abstinência no Novo Código de Direito Canónico de 1983

Os dias e períodos de penitência para a Igreja universal são todas as Sextas-Feiras de todo o ano e o tempo da Quaresma [Cân. 1250]. A abstinência de carne ou de qualquer outro alimento determinado pela Conferência Episcopal deve ser observada em todas as Sextas, excepto nas solenidades. [Cân. 1251].

A abstinência e o jejum devem ser observados na Quarta-Feira de Cinzas e na Sexta-Feira Santa. [Cân. 1252]. A lei da abstinência vincula a todos que completaram 14 anos. A lei do jejum vincula a todos que chegaram à maioridade, até ao início dos 60 anos [Cân. 1252].

Jejum e abstinência tradicionais conforme o Código de Direito Canónico de 1917

Entre 1917 e o Novo Código de 1983, certos países tinham dias de jejum e abstinência particulares, e.g., os Estados Unidos tinham a vigília da Imaculada Conceição em vez da Assunção como dia de abstinência; dispensas para o dia de São Patrício e São José, etc. Não é possível relacioná-los todos. Publicamos as prescrições do código de 1917, com menção da extensão do jejum e abstinência até meia noite do Sábado Santo que foi ordenada por Pio XII.

Dias de jejum simples:

O jejum consiste numa refeição completa e duas menores, que juntas são menos que uma refeição inteira. Não é permitido comer entre as refeições, mas líquidos podem ser tomados. É permitido comer carne em dia de jejum simples. Os dias de jejum simples são: Segundas, Terças, Quartas e Quintas-Feiras da Quaresma. [Cân. 1252/3]

Todos eram vinculados à lei do jejum a partir dos 21 até aos 60 anos.

Dias de abstinência:

A abstinência consiste em abster-se de comer carne de animais de sangue quente, molhos ou sopa de carne nos dias de abstinência. A abstinência era em todas as Sextas-Feiras, a não ser que fosse um Dia de Guarda [Cân. 1252/4]. A lei da abstinência vinculava a todos que tinham completado 7 anos de idade. [Cân. 1254/1].

Dias de jejum e abstinência:

O jejum e abstinência consistem numa refeição completa e duas refeições menores que juntas são menos que uma refeição inteira. Não era permitido comer carne de animais de sangue quente, molhos e sopas de carne. Não era permitido comer entre as refeições, embora bebidas pudessem ser tomadas. Esses dias eram: Quarta-Feira de Cinzas, todas as Sextas e Sábados da Quaresma (até meia noite no Sábado Santo), cada uma das Quatro Temporas, Vigília de Pentecostes, da Assunção,  do dia de Todos os Santos e do Natal. [Cân. 1252/2]

Os dias tradicionais de abstinência para os que usam o Escapulário de Nossa Senhora do Monte Carmelo são Quartas e Sábados.

in 'The year of Our Lord Jesus Christ 2009' - The Desert Will Flower Press
(Tradução: Fratres in Unum)


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domingo, 17 de março de 2019

A Esposa é o Sol da Família, disse Pio XII

A família tem o brilho de um sol que lhe é próprio: a esposa. Ouvi o que dela diz e pensa a Sagrada Escritura: A graça de uma mulher diligente encanta o marido. A mulher santa e recatada duplica o seu encanto. Como o sol que se levanta nas alturas de Deus, assim a beleza de uma mulher virtuosa é o ornamento da sua casa.

Sim, a esposa e mãe é o sol da família. É o sol pela sua generosidade e dedicação, pela sua prontidão constante e pela delicadeza sempre atenta que a faz adivinhar tudo quanto possa tornar agradável a vida do marido e dos filhos. Irradia à sua volta luz e calor da alma. 

Costuma dizer-se que será feliz um matrimónio quando cada um dos cônjuges, ao contraí-lo, está disposto a não procurar a sua própria felicidade mas a do outro; todavia, embora este nobre sentimento e propósito seja dever de ambos, ele constitui principalmente uma virtude da mulher, pelo seu natural afecto materno e pela sua peculiar sabedoria e prudência de coração. Se lhe dão desgostos, oferece contentamento e confiança; se recebe humilhações, inspira dignidade e respeito: tal como o sol que, ao raiar, alegra a manhã enevoada e, ao pôr-se, tinge as nuvens com seus raios dourados.

A esposa é o sol da família pela limpidez do seu olhar e o calor da sua palavra. Com o seu olhar e a sua palavra penetra suavemente nas almas, vence-as, comove-as, anima-as, conseguindo afastá-las do tumulto das paixões; restitui ao marido a boa disposição na alegria do convívio familiar, quando volta de longas jornadas de trabalho contínuo e muitas vezes esgotante, na oficina ou no campo, ou ainda nas absorventes actividades do comércio ou da indústria.

A esposa é o sol da família pela sua sinceridade natural, a sua simplicidade digna, o seu porte cristão distinto; é o sol da família, pelo seu hábito reflexivo e a rectidão de espírito, e ainda pela nobre harmonia com que se apresenta, veste e adorna, mostrando-se ao mesmo tempo reservada e afectuosa. Sentimentos delicados, graciosas expressões de rosto, silêncios e sorrisos inocentes e um condescendente sinal de cabeça, tudo isso lhe dá a graça duma flor rara mas simples, que, ao desabrochar, se abre para receber e reflectir as cores do sol.

Oh se compreendêsseis como são profundos os sentimentos de amor e gratidão que desperta e grava no coração do pai de família e dos filhos, uma figura assim de esposa e de mãe!

Alocução do Papa Pio XII aos recém-casados (Discorsi e Radiomessaggi, 11 Mart. 1942)


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Bélgica: Eutanásia aumenta 247% em 8 anos

Foram divulgados os números de Eutanásia na Bélgica em 2018. Nesse ano morreram por "suicídio assistido" 2357 pessoas. Em 2017 tinha sido 2309. E em 2010 tinham sido 954. Quer isto dizer que em 8 anos o número de pessoas mortas por Eutanásia na Bélgica aumentou 247%.

Este aumento é assustador e deveria fazer recuar as autoridades belgas, e também as autoridades de outros países que ponderar legalizar a Eutanásia. 

Há pessoas que pediram a Eutanásia por estarem deprimidas, e esse pedido foi aceite, tendo sido executadas por "médicos" ou "enfermeiros".

Da Bélgica chegam ainda relatos de pessoas com doenças mentais mortas a pedido da família, sem que essas pessoas tenham alguma vez manifestado o desejo de serem "eutanaziadas". 

A Eutanásia está a ser usada como um modo de se ver livre das pessoas "improdutivas" ou que "dão demasiado trabalho". Pessoas cuja existência é um fardo, seja para a própria família seja para o Estado. 

É urgente dizer STOP à Eutanásia!

João Silveira


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sexta-feira, 15 de março de 2019

Universitários fazem vídeo para rezar as estações da Via Sacra

Os estudantes da Universidade de São Tomás de Aquino, em Santa Paula na Califórnia, produziram um vídeo com as estações da Via Sacra. As imagens são do próprio 'campus' da Universidade, enquanto a música sacra foi cantada pelo seu coro: Chrysostomos.


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Estar na Missa é estar presente aos pés da Cruz

O Capelão Militar, Padre Kenny Lynch, celebra a Santa Missa em Hwachon (Coreia) para os homens do 31º Regimento de Infantaria, no dia 28 de Agosto de 1951.


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quinta-feira, 14 de março de 2019

Padre absolvido da acusação de abusos sexuais 8 anos depois

Há alguns anos, o Pe. Adam Stanisław Kuszaj, sacerdote polaco, foi em missão para a República Checa, na diocese de Ostrawa-Opava: queria servir os católicos desse país, considerado um dos mais descristianizados da Europa. Ele nunca pensou que acabaria em tribunal, acusado de assédio sexual por uma jovem de 16 anos. 

Há oito anos, O Pe. Kuszaj foi suspenso pelas autoridades eclesiásticas e deixou de poder exercer o ministério sacerdotal. Além disso, foi considerado culpado pelo tribunal e condenado com pena suspensa. Expulso da sua congregação, privado de meios de subsistência e com a infame marca de assédio, ele teve que mudar completamente a sua vida trabalhando como operário.

Oito anos passados, enquanto decorria no Vaticano a recente Cimeira sobre abusos sexuais, o tribunal da cidade de Jesenik absolveu o padre polaco. No apelo à sentença, alguns jovens amigos da suposta vítima revelaram que as alegações de assédio haviam sido inventadas. Até os especialistas afirmaram que as histórias da suposta abusada não eram confiáveis. No final, descobriu-se que a acusadora se queria vingar do Padre porque este não lhe queria dar dinheiro. Como disse o porta-voz da diocese checa, Pavel Suida, depois de considerar esses novos factos, a suspensão do sacerdote foi retirada. Até mesmo os superiores da congregação à qual o sacerdote pertencia devem analisar a nova situação.

O próprio Pe. Kuszaj disse que queria voltar ao ministério sacerdotal o mais rapidamente possível: "Este é o meu sonho e quero que isso aconteça. Sempre quis servir as pessoas e a Deus antes de tudo. Percebo que perdi 9 anos, mas Eu também aprendi muito"- disse o padre absolvido na estação de rádio católica local 'Proglas '.

Ninguém poderá compensar o Pe. Kuszaj pelo sofrimentos e humilhações durante o julgamento, pela perseguição nos meios de comunicação social, pelo distanciamento dificilmente suportável do sacerdócio, pelos anos de trabalho árduo para sobreviver. Mas o seu caso levanta questões: o que teria acontecido se não houvesse testemunhas que revelassem a intriga e se apenas as palavras da acusadora fossem consideradas verdadeiras?

Obviamente, a história da absolvição do Pe. Kuszaj permaneceu não apareceu nos noticiários regionais, e a 'media' mundial não falou a respeito, mesmo que tenha acontecido enquanto decorria a reunião do Vaticano.

A Igreja, promovendo a "tolerância zero", também deve considerar seriamente a possibilidade de falsas acusações feitas a sacerdotes por pessoas desonestas e inescrupulosas, e até mesmo acções premeditadas motivadas pela ideologia.

in acistampa


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D. Athanasius pediu, e o Papa Francisco esclareceu a questão da “diversidade de religiões”

No passado dia 1 do corrente mês, os bispos e outros pastores do Cazaquistão foram recebidos em visita ad Limina Apostolorum pelo Santo Padre Francisco. O encontro, segundo relatou o Lifesite News (1) durou cerca de duas horas e nele foram abordadas questões da maior relevância tais como «a comunhão para os divorciados e “recasados” civilmente, o tema da Comunhão para os esposos Protestantes de casamentos mistos e o tema da expansão da prática da homossexualidade na Igreja».

Refere o mesmo site que numa conversa directa entre o Papa e o bispo Atanásio Schneider foi também tratado o controverso tema da «diversidade de religiões», enquanto esta seria porventura desejada ou querida por Deus. A polémica surgira após o Papa e o Grande Imã de Al-Azhar, no passado dia 4 de Fevereiro, em Abu Dhabi, assinarem solenemente um DOCUMENTO SOBRE A FRATERNIDADE HUMANA EM PROL DA PAZ MUNDIAL E DA CONVIVÊNCIA COMUM (2).

Com efeito, consta do documento, publicado pelo Vaticano em seis línguas (para além do árabe que não sei ler de todo e por isso não transcrevo), a seguinte frase que, entre outros pontos «atesta» (sic) o seguinte (negrito e itálico sempre meus):

«A liberdade é um direito de toda a pessoa: cada um goza da liberdade de credo, de pensamento, de expressão e de acção. O pluralismo e as diversidades de religião, de cor, de sexo, de raça e de língua fazem parte daquele sábio desígnio divino com que Deus criou os seres humanos. Esta Sabedoria divina é a origem donde deriva o direito à liberdade de credo e à liberdade de ser diferente. Por isso, condena-se o facto de forçar as pessoas a aderir a uma determinada religião ou a uma certa cultura, bem como de impor um estilo de civilização que os outros não aceitam».

Nas outras cinco traduções publicadas, nomeadamente, em italiano, francês, inglês, alemão, e espanhol, a palavra usada é, sem margem para qualquer dúvida, aquela a que em português corresponde a palavra vontade (3); mas, curiosamente, na tradução portuguesa fornecida pelo Vaticano, o tradutor optou por desígnio, aparentemente talvez mais “soft”.

Mas no que respeita a esta última palavra - desígnio - tanto o Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea (da Academia das Ciências / Verbo) como o brasileiro Dicionário Huaiss da Língua Portuguesa (Temas e Debates), contudo dão-lhe o significado inequívoco de «aquilo que se pretende fazer ou atingir»; ou «intenção, propósito, vontade». Acresce que na linguagem corrente a expressão desígnio(s) de Deus, pretende sempre referir-se à vontade de Deus a respeito do que se está a considerar.

Logo no dia imediato à assinatura, no voo de regresso a Roma, dia 5 de Fevereiro, na habitual conferência de imprensa a bordo do avião (4), o Papa exprimiu-se assim relativamente ao Documento (negrito meu):

«O documento foi preparado com muita reflexão e também oração. Tanto o Grande Imã com a sua equipe como eu com a minha rezamos tanto para se conseguir fazer este Documento. […]. Este Documento nasce da fé em Deus, que é o Pai de todos e Pai da paz, e condena toda a destruição, todo o terrorismo, a começar pelo primeiro terrorismo da história que é o de Caim. É um Documento que se desenvolveu ao longo de quase um ano: idas, vindas, orações... Mas permaneceu assim, reservado, para amadurecer, para não dar à luz a criança antes do tempo, para que amadurecesse. Obrigado».

E mais à frente, afirmou ainda o Papa sobre o mesmo assunto (negrito e itálico meu):

«[…]. Acusam de me deixar instrumentalizar por todos, inclusive pelos jornalistas… Faz parte do [meu] trabalho. Mas há uma coisa que quero dizer. Isto, reitero-o claramente: do ponto de vista católico, o Documento não se desviou um milímetro do Vaticano II. Até aparece citado algumas vezes. O Documento foi feito no espírito do Vaticano II. E, antes de tomar a decisão «está bem assim, damo-lo por concluído assim» (pelo menos, da minha parte), quis fazê-lo ler a algum teólogo e, mesmo oficialmente, ao Teólogo da Casa Pontifícia, que é um dominicano, com a bela tradição dominicana, não de ir à caça de bruxas, mas de ver onde está a coisa certa… e ele aprovou. Se alguém sentir dificuldade, compreendo-o; não é uma realidade de todos os dias. Mas, não é um passo atrás, é um passo para a frente: um passo para a frente dado 50 anos depois do Concílio, que se deve desenvolver. Dizem os historiadores que, para um Concílio ganhar raízes na Igreja, são necessários 100 anos. Estamos a meio do caminho. E isto pode suscitar qualquer perplexidade, mesmo a mim. Sabem uma coisa? Ao ver certa frase [do Documento], disse para comigo: «Esta frase, não sei se é segura!» Era uma frase do Concílio… E surpreendeu-me também a mim! […].».

Deixando de parte a referência papal ao dominicano, Teólogo da Casa Pontifícia, de que este aprovara oficialmente o conteúdo do Documento – já que, conforme o que Edward Pentin afirmou num comentário ao impacto da visita, o próprio teólogo não terá chegado a ver a versão final (5) - fixemo-nos para já apenas nas referências ao Vaticano II.

A que citações do Concílio se remetia o Papa? Ele não o disse então, mas é muito provável que estivesse a referir-se à Declaração Nostra Aetate (NA) sobre a Igreja e as religiões não-cristãs. Efectivamente, como é sabido, neste documento conciliar tratou-se, não sem grande polémica - que se mantém até aos dias de hoje - da doutrina da Igreja a respeito de algumas outras religiões que ali são explicitamente referidas: o Hinduísmo, o Budismo e «outras religiões» (nº 2); e de modo mais extenso, o Islão (nº 3) e o Judaísmo (nº 4), para finalizar com um apelo à fraternidade, fundamentada em «Deus como Pai comum de todos» e com uma reprovação de «toda e qualquer discriminação ou violência praticada por motivos de raça ou cor, condição ou religião» (nº 5).

Mas, sobretudo, e a propósito das «diversas religiões» ressalta logo a afirmação contida no segundo parágrafo do nº 1 da NA, que diz assim (itálico e negrito meu):

«Os homens esperam das diversas religiões resposta para os enigmas da condição humana, os quais, hoje como ontem, profundamente preocupam seus corações: que é o homem? qual o sentido e a finalidade da vida? que é o pecado? donde provém o sofrimento, e para que serve? qual o caminho para alcançar a felicidade verdadeira? que é a morte, o juízo e a retribuição depois da morte? finalmente, que mistério último e inefável envolve a nossa existência, do qual vimos e para onde vamos?»

Uma coisa é reconhecer o que os homens naturalmente esperam das religiões, existentes de facto; outra é reconhecê-las como desejo explícito de Deus o que lhes conferiria um evidente direito divino. Mas, em nenhuma das referidas partes da NA, se afirma ou pode concluir, sem mais, que Deus quer positivamente a existência de diversas religiões; ou que elas existem por Sua sapiente vontade ou sábio desígnio. Aliás, a NA declara no seu nº 2 que «a Igreja católica nada rejeita do que nessas religiões existe de verdadeiro e santo. Olha com sincero respeito esses modos de agir e viver, esses preceitos e doutrinas que, embora se afastem em muitos pontos daqueles que ela própria segue e propõe, todavia, reflectem não raramente um raio da verdade que ilumina todos os homens. No entanto, ela anuncia, e tem mesmo obrigação de anunciar incessantemente Cristo, “caminho, verdade e vida” (Jo. 14,6), em quem os homens encontram a plenitude da vida religiosa e no qual Deus reconciliou consigo todas as coisas (2 Cor 5, 18-19)».

E na Constituição pastoral Gaudium et Spes, colocando-se as mesmas questões fundamentais que preocupam os corações dos homens, responde sem qualquer ambiguidade o mesmo Concílio Vaticano II (cf. nº 10):

«Todavia, perante a evolução actual do mundo, cada dia são mais numerosos os que põem ou sentem com nova acuidade as questões fundamentais: Que é o homem? Qual o sentido da dor, do mal, e da morte, que, apesar do enorme progresso alcançado, continuam a existir? Para que servem essas vitórias, ganhas a tão grande preço? Que pode o homem dar à sociedade, e que coisas pode dela receber? Que há para além desta vida terrena?
A Igreja, por sua parte, acredita que Jesus Cristo, morto e ressuscitado por todos (2 Cor 5, 15), oferece aos homens pelo seu Espírito a luz e a força para poderem corresponder à sua altíssima vocação; nem foi dado aos homens sob o céu outro nome, no qual devam ser salvos (Act 4, 12). Acredita também que a chave, o centro e o fim de toda a história humana se encontram no seu Senhor e mestre. E afirma, além disso, que, subjacentes a todas as transformações, há muitas coisas que não mudam, cujo último fundamento é Cristo, o mesmo ontem, hoje, e para sempre (Hb 13, 8)».

Percebe-se assim talvez melhor que ao Santo Padre possam ter ocorrido sentimentos de insegurança «ao ver certa frase»… :«Sabem uma coisa? Ao ver certa frase, disse para comigo: «Esta frase, não sei se é segura!»… E isto depois de quase um ano de reflexão e oração…

Depois deste esquadrinhado, voltemos à visita ad Limina dos bispos do Cazaquistão, havida dia 1. Compreender-se-á agora também muito melhor o pedido de esclarecimento que o bispo Atanásio Schneider colocou pessoalmente ao Santo Padre naquela ocasião. Conta Sua Excelência Reverendíssima assim ao Lifesite News (1):

«Alguns bispos tiveram a oportunidade de expor as suas preocupações acerca da vida da Igreja nos nossos dias. [].

Então também eu pedi ao Santo Padre para esclarecer a declaração [constante] no documento de Abu Dhabi, acerca da diversidade de religiões ser “querida” por Deus.

O Papa foi muito benevolente na sua resposta às nossas questões e procurou responder-nos a partir da sua própria perspectiva destes problemas. Ele respondeu de um modo mais geral acerca dos princípios da fé católica, mas naquelas circunstâncias nós não tivemos oportunidade de descer ao detalhe sobre os temas específicos. […].

Sobre o tópico da minha preocupação acerca da frase usada no documento de Abu Dhabi – de que Deus “quer” a diversidade das religiões – a resposta do Papa foi muito clara: ele disse que a diversidade de religiões é [constitui] apenas a permissiva [permissive, no original] vontade de Deus. Ele sublinhou isto e disse-nos: podem dizer isto, também, que a diversidade de religiões é apenas a permissiva vontade de Deus.

Eu tentei aprofundar ainda mais a questão, ao menos citando a frase tal como vem no documento. A frase diz que Deus quer a diversidade de sexos, cores, raças e línguas, tal como Deus deseja a diversidade de religiões. Há uma evidente comparação entre a diversidade de religiões e a diversidade de sexos.

Mencionei este ponto ao Santo Padre e ele reconheceu que, com esta comparação directa, a frase pode ser entendida erroneamente. Eu sublinhei na minha resposta que a diversidade de sexos não é [do âmbito] da vontade permissiva de Deus, mas querida positivamente por Deus. E o Santo Padre reconheceu isto e concordou comigo que a diversidade de sexos não é matéria da vontade permissiva de Deus.

Mas quando mencionamos ambas estas frases na mesma afirmação, então a diversidade de religiões é interpretada como positivamente querida por Deus, tal como a diversidade de sexos. Consequentemente, a afirmação leva a duvidosas e erróneas interpretações e assim foi meu desejo e meu pedido que o Santo Padre rectificasse isto. Mas ele disse-nos, a nós bispos: podem dizer que a frase em questão sobre a diversidade de religiões significa a vontade permissiva de Deus».

Obrigado ao Senhor bispo Atanásio Schneider por ter sido o motor deste esclarecimento do Santo Padre que assim cumpriu o seu múnus de nos confirmar no que é de fé (cf. Lc 22, 32).

8 de Março de 2019

João Duarte Bleck, médico e leigo Católico

Notas:



3. Il pluralismo e le diversità di religione, di colore, di sesso, di razza e di lingua sono una sapiente volontà divina; Le pluralisme et les diversités de religion, de couleur, de sexe, de race et de langue sont une sage volonté divine; The pluralism and the diversity of religions, colour, sex, race and language are willed by God in His wisdom; Der Pluralismus und die Verschiedenheit in Bezug auf Religion, Hautfarbe, Geschlecht, Ethnie und Sprache entsprechen einem weisen göttlichen Willen; El pluralismo y la diversidad de religión, color, sexo, raza y lengua son expresión de una sabia voluntad divina. O pluralismo e as diversidades de religião, de cor, de sexo, de raça e de língua fazem parte daquele sábio desígnio divino.


5. http://www.ncregister.com/daily-news/popes-visit-to-arabian-peninsula-a-special-grace . E. Pentin escreve: «Informed sources confirm Dominican Father Wojciech Giertych was consulted but did not see the final draft».


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terça-feira, 12 de março de 2019

Como lidar com o escândalo dos abusos sexuais no Clero?

Pergunta: Os media vêm noticiando, com frequência cada vez maior, casos escandalosos de abusos sexuais por parte de clérigos, o que leva alguns a duvidarem da Fé católica e afastarem-se da Igreja, ou pelo menos da prática religiosa. Outros dizem que seria melhor eliminar o celibato sacerdotal, alegando que é o responsável por tais abusos. Qual é a melhor defesa que um católico pode fazer da Igreja nessa situação constrangedora? 

Resposta: Começamos por esclarecer que nem todas as denúncias de abuso divulgadas pelos media ou investigadas pela Justiça são verdadeiras. Sabe-se que em muitos países os veículos de divulgação, como também muitas autoridades da Justiça, são hostis à Igreja Católica, e vão acusando e condenando sacerdotes e prelados sem ouvi-los, desrespeitando assim a presunção de inocência de que goza qualquer acusado até o julgamento.

É inegável, contudo, que muitas das investigações confirmaram grande número de casos de abuso sexual por parte de clérigos, incluindo Bispos e até mesmo um Cardeal de muito destaque. Revelou-se ainda a existência de verdadeiras redes de corrupção dentro de alguns seminários e em organismos ligados à Igreja.

O celibato sacerdotal nada tem a ver com a difusão dessa praga moral do abuso sexual. Estudos estatísticos sérios provam que em mais de 80% dos casos trata-se de abusos de adolescentes ou de jovens de sexo masculino por parte de clérigos homossexuais. Um estudo, em particular, provou que o número desses abusos cresceu exactamente na mesma proporção em que aumentou o número de pessoas com atracção homossexual nas fileiras do Clero.

A arca de Noé continha animais puros e impuros

Essa infiltração deu-se de modo especial a partir da década de 1960, devido ao relaxamento nas condições para a admissão nos seminários e na disciplina destes, bem como pela relativização da Moral nos estudos de Teologia após o Concílio Vaticano II. Contribuiu também a difusão da chamada “homo-heresia”, ou seja, o erro de afirmar que a atracção homossexual não é contrária à natureza, e que as relações homossexuais são lícitas.

Não é a primeira vez na história da Igreja que a heresia e a corrupção moral se espalham como um cancro entre os que são chamados a ser “o sal da terra” e “a luz do mundo” (Mt 5, 13-14). Mas, em cada uma dessas circunstâncias, os Papas e os Santos conseguiram reformar o Clero e restaurar tanto a disciplina eclesiástica como a pureza dos costumes, que deve caracterizar os ministros de Deus. No tenebroso período que atravessamos hoje essa necessária reforma moral das fileiras do Clero e da Hierarquia nem sequer começou.

Diante desses escândalos, e para fortalecer a nossa fé, convém relembrar que, de acordo com o Catecismo do Concílio de Trento, a Santa Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo não é como a imaginavam Lutero e os seus sequazes, ou seja, como uma comunidade puramente espiritual e constituída somente por justos que têm fé.

Ao falar da Igreja militante — “o conjunto dos fiéis que ainda vivem na Terra” —, diz o referido Catecismo: “Há na Igreja militante duas categorias de homens: bons e maus. Certo é que os maus participam, com os bons, dos mesmos Sacramentos, professam a mesma fé, mas não lhes são semelhantes nem na vida, nem nos costumes“. Mais adiante, ainda repete: “A Igreja comporta não só os bons, mas também os maus. Assim o demonstra o Evangelho por muitas parábolas, quando diz, por exemplo, que o Reino dos céus — isto é, a Igreja militante — se compara a uma ‘rede lançada ao mar’ (Mt 13, 47); a um ‘campo semeado em que se espalhou joio’ (Mt 13, 24); a uma ‘eira, na qual o trigo se acha misturado com a palha’ (Mt 13, 12; Lc 3, 17); a ‘dez virgens’, umas loucas, outras prudentes (Mt 25, 1). Muito antes [de tais parábolas], a Arca de Noé, que continha animais puros e impuros (Gn 7, 2; 1 Pd 2, 6; cfr. At 10, 9; 11, 4-18), era também uma imagem e semelhança desta Igreja [militante]. A fé católica sempre ensinou, expressamente, que à Igreja pertencem bons e maus; não obstante, devemos explicar aos fiéis cristãos, em virtude das mesmas normas de fé, que entre ambas as partes há grande diferença de condição. Os maus assistem na Igreja, à semelhança da palha que na eira se mistura com o trigo; ou, como os membros quase mortos, às vezes continuam ligados ao corpo”.

Pagãos, hereges, cismáticos e excomungados não pertencem à Igreja

Em consequência, conforme continua o mesmo Catecismo, apenas três classes de homens estão excluídas da comunhão com a Igreja: os pagãos, que nunca estiveram no seu seio; os hereges e cismáticos, porque apostataram; e os excomungados que foram excluídos judicialmente, enquanto não se reconciliarem com Ela. E acrescenta sabiamente, referindo-se de modo específico aos pastores que levam vida má, mas nem por isso perdem sua autoridade dentro da Igreja: “Quanto aos demais, não há dúvida que continuam ainda no grémio da Igreja, apesar de maus e perversos. Sejam os fiéis bem instruídos neste ponto, para que tenham a firme convicção de que os prelados da Igreja continuam no grémio da mesma, não obstante qualquer deslize moral; e que nem por isso lhes fica diminuída a jurisdição [eclesiástica]”.

Acrescenta ainda o Catecismo que o facto de haver no seio da Igreja membros maus, e até pastores que dão escândalo, não lhe diminui em nada a santidade, porque a santidade lhe vem do facto de ser “consagrada e dedicada a Deus” (Lv 27, 28-30); de estar “unida como corpo a uma Cabeça santa, a Cristo Nosso Senhor (Ef 4, 15-6), fonte de toda a santidade (Dn 9, 24; Is 41, 14; Lc 1, 35); e da qual dimanam os dons do Espírito Santo e as riquezas da bondade divina (Ef 2, 7; 3, 8; 3, 16-19)”; e também do fato de Ela ser a única a possuir “o culto legítimo do Sacrifício e o uso salutar dos Sacramentos”, que são “os meios eficazes, pelos quais Deus opera a verdadeira santidade”. O Catecismo ainda acrescenta: “É impossível haver verdadeiros santos fora desta Igreja”.

A Igreja é santa, apesar dos numerosos pecadores

O Catecismo conclui: “não é de estranhar que a Igreja tenha o nome de santa, apesar de haver nela muitos pecadores. Pois são chamados santos os fiéis que se fizeram povo de Deus (1 Pd 2-9; Os 2, 1), e que pela fé e a recepção do Baptismo se consagraram a Cristo, embora sejam fracos em muitos pontos e não cumpram o que prometeram”.

Sendo de fé que a Igreja é santa, mas nela há muitos pecadores junto aos bons, não é preciso cobrir com um manto de silêncio os pecados de seus membros que se tornaram públicos, e que dão escândalo aos fiéis (e até aos infiéis). Nas situações históricas em que a imoralidade do Clero se generaliza, e às vezes é até aceita como normal pelas autoridades eclesiásticas, a denúncia pública desse cancro por parte dos fiéis é benéfica e pode tornar-se até obrigatória, por ser o primeiro passo para a necessária reforma.

A esse respeito, no livro Igreja e homens de Igreja, o teólogo passionista Pe. Enrico Zoffoli escreve: “Não temos nenhum interesse em cobrir as culpas dos maus cristãos, dos sacerdotes indignos, dos pastores vis e ineptos, desonestos e arrogantes. Seria ingénuo e inútil o intento de defender a sua causa, atenuar as suas responsabilidades, reduzir o alcance dos seus erros ou fazer uso do ‘contexto histórico’ e de ‘situações específicas’, com a pretensão de tudo explicar e tudo absolver”.

Como dissemos, a veracidade e a santidade da Igreja Católica não dependem da virtude dos seus filhos, os quais, por fraqueza ou por maldade, podem tornar-se infiéis ao seu Baptismo, à sua ordenação sacerdotal, à sua sagração episcopal, ou até mesmo ao seu ministério petrino (a história registra, infelizmente, não poucos casos de Papas que deram grande escândalo). E isso porque a santidade da Igreja provém da sua condição de Corpo Místico de Cristo. Basta, portanto, que um “pequeno rebanho” (Lc 12, 32-34) permaneça inteiramente fiel aos ensinamentos de Nosso Senhor em meio à corrupção geral — como já aconteceu, por exemplo, nos séculos IV e XI —, para que a Igreja não só permaneça santa, mas cresça ainda em graça e santidade, como o Divino Mestre na sua vida terrena.

Nas aparições de 1848 em La Salette, Nossa Senhora disse que os sacerdotes tinham-se tornado cloacas de impureza. Peçamos a Ela que envie almas generosas, as quais implorem dia e noite misericórdia e perdão para o povo, a fim de que Deus se reconcilie com os homens e Jesus Cristo seja novamente servido, adorado e glorificado

Padre David Francisquini in Catolicismo n° 818 (Fevereiro de 2019)


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80 anos da coroação do Papa Pio XII

Foi no dia 12 de Março de 1939. Passam hoje 80 anos desta cerimónia histórica que juntou mais de meio milhão de pessoas na Praça de São Pedro, no Vaticano.



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segunda-feira, 11 de março de 2019

Missa na Neve

O Padre Dennis Gordon (FSSP) celebra Missa Tradicional num acampamento das Tropas de São Jorge. Trata-se de uma organização apadrinhada pelo Cardeal Burke que junta pais e filhos. 

São organizados vários acampamentos ao longo do ano, e o objectivo é estreitar a relação entre pais e filhos e desenvolver a masculinidade. A temperatura durante a Missa rondava os 7 graus negativos.


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Proposta de Trump retira 60 milhões à Planned Parenthood

A administração Trump finalizou novas regras federais pelas quais as clínicas de aborto não receberão financiamento do Programa Título X. A Planned Parenthood deverá ser despojada de cerca de 60 milhões de dólares em fundos federais devido à mudança das regras. A versão final do 'Protect Life Rule' foi anunciada num comunicado de imprensa do Departamento de Saúde e Serviços Humanos. 

"Hoje, o governo Trump deu um primeiro passo imperativo na direcção certa, ao evitar que os fundos do Título X fossem usados ​​de forma equivocada por aqueles que promovem e lucram com o aborto", disse à CNA a presidente da March for Life, Jeanne Mancini. "O aborto não é assistência médica, mas mesmo assim, durante décadas, o governo federal apoiou voluntariamente o aborto, subsidiando a indústria com centenas de milhões de impostos todos os anos", disse Mancini.

Entre outras disposições, a Regra de Vida Protegida exige que haja uma separação física e financeira entre os beneficiários dos fundos e instalações do Título X que realizam abortos. Clínicas que fornecem aconselhamento não direcionado para o aborto ainda podem receber fundos.

Regulamentos anteriores, redigidos durante a presidência de Bill Clinton, não só permitiam que clínicas de saúde a funcionar em clínicas de aborto recebessem fundos, mas também exigiam que os beneficiários do Título X encaminhassem pacientes para abortos.

O deputado Chris Smith (R-NJ), presidente da bancada pró-vida bipartidária do Congresso, disse que as novas regras aproximam o título X do "seu propósito original - a prestação de serviços de planeamento familiar, não abortos". Smith disse que o financiamento do Título X "nunca" foi destinado a promover serviços de aborto. "Estou grato que o governo Trump tenha afirmado a vida humana e dignidade com esta regra pró-criança", disse Smith.

O Presidente Donald Trump anunciou em Maio de 2018 que o seu governo havia proposto uma regra que impediria a Planned Parenthood de receber verbas do Título X: “Durante décadas, os contribuintes americanos foram injustamente forçados a subsidiar a indústria do aborto” através dos fundos do Título X, disse Trump à multidão.

A Presidente da Lista de Susan B. Anthony, Marjorie Dannenfelser, disse que estava agradecida por Trump ter tomado "acções decisivas para separar os contribuintes da grande indústria do aborto liderada pela Planned Parenthood". “O programa do Título X não pretendia ser um fundo secreto para empresas de aborto como a Planned Parenthood, que termina violentamente a vida de mais de 332 mil bebés por ano e recebe quase 60 milhões de dólares  por ano. 

A Planned Parenthood ainda é elegível para fundos federais que não fazem parte do Título X. No ano passado, a Planned Parenthood recebeu mais de 500 milhões de dólares em financiamento federal.

in Catholic Herald


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domingo, 10 de março de 2019

D. Atahansius Schneider: "A fé em Jesus Cristo: a religião válida, e a única querida por Deus"

O dom da adopção filial
A fé em Jesus Cristo: a religião válida, e a única querida por Deus

A verdade da filiação divina em Cristo, que é intrinsecamente sobrenatural, é a síntese de toda a revelação divina. A filiação divina é sempre um dom gratuito da graça, o dom mais sublime de Deus para a humanidade. Este dom obtém-se, no entanto, só através da fé pessoal em Cristo e com o Baptismo, como ensinou o próprio Senhor:

 “Em verdade, em verdade vos digo: Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. O que nasceu da carne é carne, e o que nasceu do Espírito é espírito. Não te admires por Eu te haver dito: “Tendes de nascer de novo.” (Jo 3,5-7).

Em décadas passadas ouvia com frequência - incluindo da boca de alguns representantes da hierarquia da Igreja - declarações sobre a teoria dos «cristãos anónimos». Esta teoria diz o seguinte: a missão da Igreja no mundo consistiria em última instância, em suscitar a consciência de que todos os homens devem ter da sua salvação em Cristo e, por tanto, da sua filiação divina. Segundo a mesma teoria, cada ser humano teria já a filiação divina na profundidade da sua pessoa. Entretanto, tal teoria contradiz directamente a revelação divina, tal como Cristo a ensinou e como os Seus apóstolos e a Igreja a transmitiram sempre por dois mil anos imutavelmente e sem sombra de dúvida.

No seu ensaio “A Igreja dos judeus e dos gentios” (“Die Kirche aus Juden und Heiden”) Erik Peterson, o conhecido convertido e exegeta, já há algum tempo (em 1993) advertiu contra o perigo de tal teoria, ao afirmar que o ser cristão (“Christsein”) não pode ser reduzido à ordem natural, na qual os frutos da redenção operada por Jesus Cristo, seriam imputados geralmente a cada ser humano como uma espécie de herança, só porque eles compartilham a natureza humana com o Verbo Encarnado. Pelo contrário, a filiação divina não é um resultado automático, garantido através da pertença à raça humana.

Santo Atanásio (Cf. Oratio contra Arianos [Discurso contra os Arianos], II, 59) deixou-nos uma singela e ao mesmo tempo precisa explicação da diferença entre o estado natural dos homens como criaturas de Deus e a glória de ser filhos de Deus em Cristo. Santo Atanásio desenvolve o seu pensamento a partir das palavras do Santo Evangelho de São João, que diz:

 “Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus” (Jo 1,12-13). São João usa a expressão “nasceram” para dizer que o homem se transforma em filho de Deus não por natureza, mas por adopção. Este facto demonstra o amor de Deus, porque Aquele que é o seu Criador converte-se, também, em seu Pai. Isto acontece, como diz o apóstolo, quando os homens recebem em seus corações o Espírito do Filho Encarnado, que clama neles: “Abba, Pai!” Santo Atanásio continua na sua reflexão dizendo: como seres criados os homens podem converter-se em filhos de Deus exclusivamente através da fé e do baptismo, recebendo o Espírito do verdadeiro e natural Filho de Deus. Precisamente por esta razão a Palavra se fez carne, para tornar aos homens capazes desta adopção filial e participação na natureza divina. Portanto, por natureza, Deus, estritamente falando, não é o Pai dos seres humanos. Só aquele que aceite conscientemente a Cristo e que receba o baptismo, poderá gritar em verdade: “Abba, Pai” (Rom 8,15; Gal 4,6).

Desde o princípio da Igreja se afirmou, como testemunha Tertuliano, que “Ninguém nasce cristão, o cristão faz-se” (Apol., 18,5). E São Cipriano de Cartago formulou esta verdade acertadamente, dizendo: “Não pode ter a Deus por Pai o que não tem a Igreja por Mãe” (De unit., 6).

A tarefa mais urgente da Igreja nestes dias consiste em debruçar-nos na mudança do clima espiritual e do clima de migração espiritual, a saber, que o clima de não-fé em Jesus Cristo e da rejeição da realeza de Cristo se mude para um clima de fé explícita em Jesus Cristo e de aceitação da Sua realeza, e que os homens possam migrar desde a miséria da escravidão espiritual da não-fé à felicidade de serem filhos de Deus, e da vida de pecado migrar ao estado da graça santificante. Estes são os migrantes de que nos devemos ocupar urgentemente.

O cristianismo é a única religião querida por Deus. Por tanto, o cristianismo nunca pode ser posto de maneira complementar junto a outras religiões. Quem apoie a tese de que Deus desejaria positivamente a diversidade de religiões, violentaria a verdade da Revelação Divina, como se encontra, indubitavelmente, afirmada no primeiro mandamento do Decálogo. De acordo com a vontade de Cristo, a fé nele e no Seu ensinamento divino deve substituir as outras religiões, não à força, mas com uma persuasão amorosa, como expressa o hino das Laudes da festa de Cristo Rei: “Non Ille regna cladibus, non vi metuque subdidit: alto levatus stipite, amore traxit omnia” (“Não pela espada, a força e o temor que submete aos povos, mas exaltado na Cruz atrai amorosamente todas as coisas a Si”).

Só há um caminho para ir a Deus, e este é Jesus Cristo, pois Ele mesmo disse: “Eu sou o caminho” (Jo 14,6). Só há uma verdade, e este é Jesus Cristo, porque Ele mesmo disse “Eu sou a verdade” (Jo 14,6). Só há uma vida verdadeiramente sobrenatural, e este é Jesus Cristo, porque Ele mesmo disse: “Eu sou a vida” (Jo 14,6).

O filho de Deus encarnado ensinou que fora da fé nele não pode haver uma verdadeira religião que agrade a Deus “Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim será salvo” (Jo 10,9). Deus mandou a todos os homens, sem excepção, que escutassem a seu Filho: “Este é o meu Filho muito amado; escutai-o” (Mc 9,7). Deus não disse: “Podeis escutar a meu Filho ou outros fundadores das religiões, já que é a minha vontade que haja religiões diferentes”.

Deus proibiu reconhecer a legitimidade da religião de outros deuses: “Não terás outros deuses diante de mim” (Ex 20,3) e, “Que comunhão pode haver entre a luz e as trevas? Que acordo entre Cristo e Belial, ou que colaboração entre crente e não crente? Que acordo entre o templo de Deus e os ídolos?” (2 Cor. 6, 14-16).

Se as outras religiões correspondessem igualmente à vontade de Deus, não teria havido condenação divina da religião do bezerro de ouro no tempo de Moisés (cf. Ex 32,4-20); então, todos os cristãos de hoje poderiam, com impunidade, cultivar a religião de um novo bezerro de ouro, já que todas as religiões, segundo esta teoria, seriam igualmente agradáveis a Deus.

Deus deu aos apóstolos e através deles à Igreja para todos os tempos a ordem solene de ensinar a todas as nações e aos seguidores de todas as religiões a única fé verdadeira, ensinando-lhes a observar todos os seus mandamentos divinos e baptizá-los (cf. Mt 28, 19-20). Desde o começo da pregação dos Apóstolos e desde o primeiro Papa, o Apóstolo São Pedro, a Igreja sempre proclamou que em nenhum outro nome está a salvação, e que não há outra fé debaixo do céu, na qual os homens possam ser salvos, que só é possível, através do Nome e na fé em Jesus Cristo (cf. At 4,12).

Segundo Santo Agostinho a Igreja sempre ensinou: “Só a religião cristã indica o caminho aberto a todos para a salvação da alma. Sem ela não se salvará nenhum. Esta é a via régia, porque só ela conduz não a um reinado vacilante para a altura terrenal, senão a um reino duradouro na eternidade estável” (De Civitate Dei, 10, 32, 1).

As palavras do grande Papa Leão XIII dão testemunho do mesmo ensinamento imutável do Magistério de todos os tempos, quando afirma:

“O grande erro moderno do indiferentismo religioso e da igualdade de todos os cultos é calculado para trazer a ruína de todas as formas de religião, e especialmente da religião Católica, que, como é a única que é verdadeira, não pode, sem grande injustiça, ser considerada como meramente igual às outras religiões.” (Encíclica Humanum Genus, no. 16)

Nos últimos tempos o Magistério presentou substancialmente o mesmo ensinamento imutável no documento “Dominus Iesus” (6 de agosto de 2000), do qual se cita algumas afirmações relevantes:
“Frequentemente identifica-se a fé teologal, que é a aceitação da verdade revelada por Deus Uno e Trino, com a crença em outras religiões, que é uma experiência religiosa ainda à procura da verdade absoluta e ainda carecida da aceitação de Deus, que Se revela. Essa é uma das razões porque se tende a reduzir, e por vezes até a anular, as diferenças entre o cristianismo e as outras religiões. (no. 7)
Seriam contrárias à fé cristã e católica as propostas de solução que apresentam uma ação salvífica de Deus fora da única mediação de Cristo.” (no. 14)

“Não é raro que se proponha evitar na teologia termos como «unicidade», «universalidade», «absoluto», cujo uso daria a impressão de se dar uma ênfase excessiva ao significado e valor do evento salvífico de Jesus Cristo em relação às demais religiões. Ora, essa linguagem não faz mais do que exprimir a fidelidade ao dado revelado” (no. 15)

Seria contrário à fé católica considerar a Igreja como um caminho de salvação ao lado dos constituídos pelas outras religiões, como se estes fossem complementares à Igreja, ou até substancialmente equivalentes à mesma, embora convergindo com ela para o Reino escatológico de Deus”. (no. 21)

 “A verdade de fé exclui de forma radical a mentalidade indiferentista «imbuída de um relativismo religioso que leva a pensar que “tanto vale uma religião como outra»”. (João Paulo II, encíclica Redemptoris missio, no. 36)” (no. 22).

Os apóstolos e os inumeráveis mártires cristãos de todos os tempos, especialmente os dos três primeiros séculos, teriam evitado o martírio se tivessem dito: “A religião pagã e o seu culto é uma maneira que também corresponde à vontade de Deus”. Não teria havido, por exemplo, uma França cristã, “a primogénita filha da Igreja”, se são Remígio tivesse dito a Clóvis, rei dos Francos: “Não deves abandonar tua religião pagã; podes praticar com a tua religião pagã a religião de Cristo”. De facto, o santo bispo falou de maneira diferente, ainda que de forma bastante abrupta: “Adora o que queimaste e queima o que adoraste!”

A verdadeira fraternidade universal só pode existir em Cristo, isto é dizer, entre os baptizados. A glória plena da filiação divina, porém, só se alcançará na visão bem-aventurada de Deus no céu, como o ensina a Sagrada Escritura:

“Vede com que amor nos amou o Pai, ao querer que fôssemos chamados filhos de Deus. E de facto somo-lo. Por isso, o mundo não nos conhece, porque não O conheceu.  Caríssimos, agora somos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando Ele se manifestar, seremos semelhantes a Deus, porquanto O veremos como Ele é” (1 Jo 3, 1-2).

Nenhuma autoridade na terra – nem sequer a autoridade suprema da Igreja – tem o direito de dispensar a qualquer seguidor de outra religião da fé explícita em Jesus Cristo, isto é dizer, da fé no Filho de Deus encarnado e no único Redentor dos homens, assegurando-lhes que as diferentes religiões são como tais, desejadas pelo próprio Deus. Indeléveis – porque escritas com o dedo de Deus e cristalinas no seu significado – permanecem, no entanto, as palavras do Filho de Deus: “Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, porque não crê no nome do Filho único de Deus” (Jo 3,18).

Esta verdade foi válida até agora em todas as gerações cristãs e assim continuará até ao fim dos tempos, independentemente de algumas pessoas da Igreja do nosso tempo tão instável, covarde, sensacionalista e conformista, reinterpretarem esta verdade num sentido contrário à sua formulação óbvia, apresentando assim esta reinterpretação como continuidade no desenvolvimento da doutrina.

Fora da fé cristã, isto é, da fé católica, nenhuma outra religião pode ser um verdadeiro caminho e ser querida por Deus, porque esta é a vontade explícita de Deus, que todos os homens creiam em seu Filho: “Esta é a vontade de meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e nele crê tenha a vida eterna” (Jo 6,40).

Fora da fé cristã, isto é, da fé católica, nenhuma outra religião é capaz de transmitir a verdadeira vida sobrenatural: “Ora, a vida eterna consiste em que conheçam a ti, um só Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo que enviaste” (Jo 17, 3).

+ Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Maria Santíssima em Astana


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