sexta-feira, 20 de julho de 2018

A Guerra Secreta de Pio XII contra Hitler

Há muitos anos – pelo menos desde o teatro de 1963 de Rolf Hochhuth “O Deputado" – que o mundo tem aturado a conversa de que Pio XII foi o “Papa de Hitler”. Há décadas que pessoas bem informadas suspeitam que isso se trata de uma distorção deliberada, mas agora temos a certeza, sem margem para dúvidas, de que tais acusações não só estavam erradas como são precisamente o oposto da verdade.

Quando o Cardeal Eugenio Pacelli se tornou Pio XII, em 1939, o chefe das SS, Heinrich Himmler, ordenou a Albert Hartl, um padre laicizado, que preparasse um dossier sobre o novo Papa. Hartl documentou como Pacelli tinha usado a Concordata que tinha negociado com o Governo de Hitler em 1933 de forma vantajosa para a Igreja, fazendo pelo menos 55 queixas formais por violações da mesma.

Pacelli também acusou o Estado nazi de conspirar para exterminar a Igreja e “convocou todo o mundo para lutar contra o Reich”. Pior, pregava a igualdade racial, condenava a “superstição do sangue e da raça” e rejeitou o anti-semitismo. Citando um oficial das SS, Hartl concluiu a sua análise dizendo “a questão não é saber se o novo Papa vai lutar contra Hitler, mas sim como”.

Entretanto, Pio XII estava a reunir-se com cardeais alemães e a discutir o problema de Hitler. As transcrições mostram que ele se queixou que “os Nazis tinham frustrado os ensinamentos da Igreja, banido as suas organizações, censurado a sua imprensa, fechado os seminários, confiscado as suas propriedades, despedido os professores e fechado as escolas”. Citou um oficial nazi que gabou que “depois de derrotar o bolchevismo e o judaísmo, a Igreja Católica será o único inimigo restante”.

O Cardeal Michael von Faulhaber, de Munique, retorquiu que os problemas tinham começado depois da encíclica de 1937 “Com Grande Ansiedade” (Mit Brennender Sorge, publicada em alemão e não em latim). O texto, escrito em parte por Pacelli antes de este se ter tornado Papa, enfureceu o Hitler. O Papa disse a Faulhaber, “a questão alemã é a mais importante para mim. O seu tratamento está reservado directamente para mim… Não podemos abdicar dos nossos princípios… Quando tivermos tentado tudo, e ainda assim eles quiserem absolutamente a guerra, lutaremos… Se eles recusarem, então teremos de lutar”.

Faulhaber recomendou “intercessão de bastidores”. Propôs que os bispos alemães encontrassem “uma forma de fazer chegar a Sua Santidade informação precisa e actualizada.” O Cardeal Adolf Bertram acrescentou que “é preciso fazê-lo de forma clandestina. Quando São Paulo se fez descer num cesto das muralhas de Damasco, também não contava com a autorização da polícia local”. O Papa concordou.

Assim nasceu o plano para construir uma rede de espionagem que apoiaria, entre outras coisas, planos para assassinar Hitler.

No seu interessantíssimo livro “Church of Spies: The Pope’s Secret War Against Hitler”, Mark Riebling recorre a documentos do Vaticano e actas secretas acabadas de divulgar que descrevem detalhadamente as tácticas clandestinas usadas por Pio XII para tentar derrubar o regime nazi.

Depois de Hitler ter invadido a Polónia em 1939 o Papa reagiu aos relatos de atrocidades contra judeus e católicos. A sua encíclica “Summi Pontificatus” rejeitou o racismo, dizendo que a raça humana está unificada em Deus. E condenou também os ataques ao judaísmo.

O Papa foi amplamente louvado por isto – um título do New York Times dizia “Papa condena ditadores, violações de tratados, racismo” – mas ele próprio sentia que era pouco.

Convencido de que o regime nazi cumpria os requisitos para justificar o tiranicídio, conforme os ensinamentos da Igreja, Pio XII permitiu aos jesuítas e aos dominicanos, que respondiam directamente a ele, que colaborassem com acções clandestinas. O seu principal agente – a quem os nazis se referiam como “o melhor agente dos serviços de informação do Vaticano” – era um tal Josef Muller, advogado e herói da Primeira Guerra Mundial.

Muller organizou uma rede de “amigos das forças armadas, escola e faculdade, com acesso a oficiais nazis e que trabalhavam em jornais, bancos e até mesmo nas SS”. Eles forneciam o Vaticano com informação vital, incluindo planos de batalha que eram depois passados aos aliados. Em 1942 Muller conseguiu introduzir Dietrich Bonhoeffer no Vaticano para planear uma estratégia cujo objectivo era “fazer as pontes entre grupos de diferentes religiões, para que os cristãos pudessem coordenar a sua luta contra Hitler”.

As tentativas de assassinato de Hitler falharam todas, devido ao que Muller apelidou de “sorte do diabo”. Mas em relação a estes planos, Riebling comenta: “Todos os caminhos vão de facto dar a Roma, a uma secretária com um simples crucifixo, com vista sobre as fontes da Praça de São Pedro”.

Depois do falhanço do plano Valquíria a Gestepo prendeu Muller. Descobriram uma nota escrita em papel timbrado do Vaticano por um dos assistentes de topo do Papa, o padre Leiber, que dizia que “Pio XII garante uma paz justa em troca da ‘eliminação de Hitler’”.

Muller foi enviado para Buchenwald. No dia 4 de Abril de 1945, juntamente com Bonhoeffer, foi transferido para Flossenburg. Depois de um julgamento fantoche foram condenados à morte.

Bonhoeffer foi imediatamente executado. Mas temendo a aproximação de forças americanas, as SS transferiram Muller e outros reclusos para Dachau, depois para a Áustria e, finalmente, para o Norte de Itália. Foram então libertados pelo 15º Exército dos EUA.

Agentes dos serviços de informação dos EUA levaram Muller para o Vaticano. Quando o viu, o Papa abraçou-o e disse que se sentia “como se o próprio filho tivesse regressado de uma situação de grande perigo”.

Riebling revela que durante a visita de Muller ao Vaticano o diplomata americano Harold Tillman perguntou porque é que Pio XII não tinha sido mais interventivo durante a guerra.

Muller disse que durante a guerra a sua organização anti-Nazi na Alemanha tinha insistido muito que o Papa evitasse fazer afirmações públicas dirigidas especificamente aos nazis e condenando-os, tendo recomendado que as afirmações públicas do Papa se confinassem a generalidades (…) Se o Papa tivesse sido específico os alemães tê-lo-iam acusado de ceder às pressões das potências estrangeiras e isso teria colocado os católicos alemães ainda mais na mira dos nazis do que já estavam, tendo restringido imensamente a sua liberdade de acção na resistência ao regime. O Dr. Muller disse que a política da resistência católica in interior da Alemanha era de que o Papa se colocasse nas margens enquanto a hierarquia alemã levasse a cabo a luta contra os nazis. Disse ainda que o Papa tinha seguido sempre este seu conselho durante a guerra.

Graças à pesquisa incansável de Riebling, agora podemos finalmente descartar as alegações absurdas sobre Pio XII. Ele não era o “Papa de Hitler”, era o seu nemesis.

George J. Marlin in 'The Catholic Thing' via 'Actualidade Religiosa'


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10 ideias para aproveitar o Verão em família

1. Flexibilidade dentro de uma ordem: Embora estejamos de férias, é importante não perder de todo os hábitos adquiridos durante o inverno. Para isso, estabelecer um horário, mas com flexibilidade e margem; estamos numa nova situação, noutro contexto.
2. Fazer actividades em família: Embora cada um tenha os seus gostos e os seus planos, é importante encontrar tempo para fazer coisas juntos: cozinhar, passear, andar de bicicleta, fazer excursões, visitar a nossa cidade…
3. Gratidãoo ambiente relaxado do Verão é perfeito para impulsionar o agradecimento, que às vezes, com as pressas, fica um pouco no esquecimento. Saber agradecer aos outros pelos pormenores, pelos planos ou por se terem divertido juntos.
4. Desfrutar de pequenas coisas: O plano perfeito não tem porque ser caro ou extravagante. É preciso ensinar, desde tenra idade, a desfrutar com as coisas pequenas como, por exemplo, ver um pôr-do-sol, comer um gelado, etc.
5. Abrir-se aos outros: Estarmos todo o dia nós com nós mesmos pode ser pouco enriquecedor. O verão é a época perfeita para nos abrirmos aos outros; tomar a iniciativa de convidar os amigos para nossa casa e ensinar os filhos a fazerem o mesmo.
6. Actividades culturaisEducar o gosto dos mais pequenos não tem por que ser aborrecido se se escolhe e se prepara bem; estudar as possibilidades culturais da zona e visitar alguns museus, monumentos ou exposições.
7. Tempo para lerA leitura é uma viagem grátis que alimenta os neurónios de grandes e pequenos: livros de aventuras, biografias, contos… Procurar uma biblioteca nas proximidades e toca a escolher!
8. Visitar familiares e pessoas necessitadas: Durante o ano, quer por falta de tempo quer pelas distâncias, às vezes é difícil visitar a família: avós, primos, tios… Além disso, também se podem fazer visitas a pessoas doentes ou mais necessitadas.
9. IdiomasDeixa de lado os formatos mais académicos e acostuma toda a família a ver séries ou filmes na versão original, para ver quem percebe primeiro!
10. Dar graças a Deus por se divertirem e estarem juntos.
in opusdei.pt


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quinta-feira, 19 de julho de 2018

100 mil pessoas em peregrinação pelo centenário da execução dos Romanov

Mais de 100 mil russos fizeram uma peregrinação de 21 km's até Ecaterimburgo para relembrar a Família Imperial Russa, assassinada há 100 anos pelos comunistas. As pessoas carregaram cruzes, ícones e cantaram durante as 4 horas que durou a caminhada até ao local onde decorreu a execução e depois até onde os corpos foram escondidos, na esperança de nunca mais serem encontrados.





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Irmãs assistem ao 'Tour de France' em Marselha






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quarta-feira, 18 de julho de 2018

O Santo Sudário é um rastro de Deus neste mundo

Entrevista com Dr. Juan Francisco Sánchez Espinosa, membro da Sociedade Espanhola de Sindonologia, ou seja, estudos relacionados com o Santo Sudário. Este médico espanhol estuda há longos anos o mais singular tecido da cristandade. 

O que é o Santo Sudário?

É um lençol funerário. Alguns autores afirmam, com base nos vários tipos de estudos que já foram feitos, que a sua origem remonta ao século I antes ou depois de Cristo, pelo tipo de estrutura que tem. Curiosamente, as medidas não foram sempre as mesmas, porque, ao longo do tempo, foi havendo várias sobreposições para sustentar o tecido. As medidas actuais são de aproximadamente 4,36m x 1,10m. O vocábulo grego “síndon”, que significa tecido, deu origem à palavra com que chamamos o Santo Sudário, o “Sudário” de Turim. E a sindonologia é o estudo desse tecido tão singular para toda a cristandade.

O que podemos ver no Sudário?

Vemos uma imagem dorsal e frontal de um homem que foi morto mediante a crucificação. Vemos múltiplas feridas disseminadas por todo o tórax, pelo abdómen, pelos membros superiores e inferiores, do que parecem açoites; lesões na cabeça, mais de 600 feridas. E também feridas de transfixação nos pulsos e nos pés.

Como descreveria a imagem que podemos ver no Sudário?

É preciso estar a mais de um metro e meio de distância para conseguir visualizá-la. Não se sabe onde começa e onde acaba. É uma imagem que se formou na superfície do linho, de 4 ou 5 mícrones de profundidade, por uma desidratação da celulose do linho; não existe nenhum resto de pigmento, como foi demonstrado num dos exames feitos em 1978. É algo extraordinário porque, com toda a tecnologia do século XXI, não somos capazes de saber realmente como é que a imagem se formou. Alguns falam dela como a imagem impossível, porque não existe explicação científica.

Também aparecem restos de sangue no Santo Sudário, não é? Que explicação pode haver?

É curioso que o sangue seja prévio à formação da imagem. E é curiosíssimo porque algumas partes do tecido foram raspadas e ficou comprovado que não há imagem. Então podemos concluir que a imagem se formou depois do sangue estar incrustado no tecido. O que sabemos é que se trata de sangue do grupo AB. Mais ou menos 16% da população semítica ou hebraica tem esse tipo de sangue. E, curiosamente, o sangue detectado no Sudário de Oviedo (um pano com a imagem de um rosto) também é do grupo AB. Um detalhe importante é que, no sangue, aparece uma grande quantidade de bilirrubina; e isso acontece quando a morte é causada por muito stress.

Por que podemos dizer que o Santo Sudário é um “negativo fotográfico”?

O primeiro que reparou nisso foi o fotógrafo italiano Secondo Pia, em 1898. Alguns estudos dizem que essa imagem pôde surgir por causa de uma radiação ortogonal; ou seja, que sai verticalmente do corpo e produz a imagem. É como se o corpo tivesse emitido uma radiação; mas, realmente, não se sabe exactamente como aconteceu.

Em 1988, foi feito o exame de Carbono 14 e alguns dizem que o resultado não é determinante para precisar a idade do tecido. Por quê?

Essa prova tem uma fiabilidade de 67% e a única coisa que ela faz é medir o número de átomos de carbono 14 que existem nesse organismo. O carbono é gerado pelos raios cósmicos que formam o nitrogénio. Deram quatro mostras do Sudário, mas todas cortadas do mesmo pedaço. E era o pedaço que foi chamado de “remendo fantasma”, porque nele existem misturas. Isso é um erro de metodologia, porque o lógico teria sido pegar vários pedaços de diferentes partes do Santo Sudário. Quando se diz que a Sudário é da Idade Média, é porque nas mostras que foram dadas às universidades que a estudaram havia tecido medieval misturado com o tecido original. É uma técnica chamada "tecelagem francesa", que usa algodão tingido.

Que aspectos da imagem ressaltaria do ponto de vista médico?

É uma imagem que me diz o tipo de morte que aquele homem sofreu; que ele teve um sofrimento brutal, que sofreu perfuração nos pulsos e nos pés. Isso causou uma dor horrorosa, porque, provavelmente, atingiu o nervo mediano; por isso o dedo polegar ficou puxado para dentro. Também há mais de 600 lesões que devem ter causado no homem da Sudário uma hemorragia descomunal, com uma perda de sangue muito grande. 

Há lesões de chicotadas compatíveis com o “flagrum taxilatum”, que era uma espécie de chicote formado por tiras de couro terminadas nos chamados “taxil”, formados por pedaços de ossos ou de chumbo que se cravavam na carne; de facto, há pedaços de músculo que foram recolhidos do Sudário, na altura das costas da imagem. Deve ter sido um espancamento selvagem. Esse tipo de tortura podia destroçar a musculatura intercostal, lesionar órgãos internos, etc.

Alguns estudiosos falam também do pólen como prova de que o Sudário veio de Jerusalém, não é?

Sim, porque, nos estudos, foi descoberto que muitas mostras de pólen do tecido vêm da área de Jerusalém. Concretamente, quatro ou cinco espécies que são próprias da região do Mar Morto e de Jerusalém. Alguns pesquisadores judeus da Universidade Hebraica de Jerusalém, como Uri Baruh, concluíram que o Santo Sudário esteve em Jerusalém durante a Primavera e, aproximadamente, há 2000 anos atrás.

O Santo Sudário é um milagre?

Para mim, sim, é um milagre. Eu acredito que Deus deixa rastros neste mundo e um deles é o Santo Sudário, porque não há explicação científica. O Santo Sudário interpela-nos porque, se é verdade que ele fala de Jesus Cristo morto e ressuscitado, o que a Igreja diz também é verdade e, portanto, precisamos de mudar de vida. E se não nos interessa mudar de vida, então não vale a pena ouvir nada disto.

in Zenit


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Danças impróprias na Igreja da Misericórdia em Leiria

Esta fotografia reporta-se a um "espectáculo" de dança realizado na Igreja da Misericórdia, situada no centro histórico de Leiria. O resto das fotografias, que nos abstemos de divulgar, demonstram bem o baixo nível daquela coreografia, que à pouca roupa dos protagonistas aliou também movimentos sensuais, e que destoa totalmente do local onde foi realizada.

A Igreja da Misericórdia já não era usada para culto público, e precisava de um restauro bastante dispendioso, de modo que em 2014 o Bispo de Leiria-Fátima, agora Cardeal António Marto, assinou o decreto de redução a uso profano.
No entanto, o cân. 1222, que regula a redução de uma igreja a uso profano, sublinha que esse uso, apesar de profano (por exemplo que a igreja sirva como um museu), jamais poderá ser sórdido:

Cân. 1222 — § l. Se alguma igreja de modo nenhum puder servir para o culto divino e não haja possibilidade de a reparar, o Bispo diocesano pode reduzi-la a usos profanos, mas não sórdidos. 

§ 2. Quando outras causas graves aconselharem a que alguma igreja deixe de empregar-se para o culto divino, o Bispo diocesano, ouvido o conselho presbiteral, pode reduzi-la a usos profanos não sórdidos, com o consentimento daqueles que legitimamente sobre ela reivindiquem direitos, e contanto que daí não sofra detrimento o bem das almas. 

A dança sensual protagonizada na Igreja da Misericórdia foi um uso sórdido, e por isso ilegítimo, com a agravante acrescida de que foram deixadas na igreja as imagens sacras e até o sacrário. Aquelas imagens escandalizaram os fiéis e é-lhes devida uma explicação e uma reparação do mal feito.

Quem quiser poderá enviar um email ao Cardeal Marto pedindo para se pronunciar publicamente sobre este assunto, e fazer os possíveis para garantir que isto não volte a acontecer: gabinetebispo@leiria-fatima.pt.

João Silveira


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terça-feira, 17 de julho de 2018

Ordenações sacerdotais do Instituto Cristo Rei

Em Florença, foram ordenados 4 novos sacerdotes para o Instituto Cristo Rei Sumo Sacerdote. O Bispo ordenante foi o Cardeal Raymond Burke, estando presente também o Bispo de São Francisco (Estados Unidos da América), Mons. Salvatore Cordileone. Rezemos pelos novos sacerdotes: Fernando Fernandes de Almeida, Baudouin Chaptal de Chanteloup, Pablo Piaggio Kokot, e Paul d’Aubigny.















Fotografias: Latin Mass Society


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As 16 Carmelitas que a Revolução Francesa mandou decapitar

No dia 17 de Julho de 1794 as 16 Carmelitas de Compiègne foram conduzidas ao Tribunal Revolucionário (em Paris) e condenadas à morte. O seu crime? Levar uma vida de oração segunda a Regra de Santa Teresa de Ávila. A "liberdade" instaurada pela Revolução Francesa não era suficiente para que estas pobres mulheres vivessem de maneira pobre, casta e obediente.

Aguardaram a execução com orações e cânticos de louvor a Deus. Aos pés da gilhotina cantaram um "Te Deum" em acção de graças, e renovaram os votos de carmelitas. Depois disso subiram os degraus para demonstrar (mais uma vez) que quem acredita em Jesus Cristo e dá a vida por Ele não teme a morte porque viverá para sempre.

Estas corajosas monjas foram beatificadas por São Pio X em 1906.







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segunda-feira, 16 de julho de 2018

A profecia de Hilaire Belloc sobre a batalha final

Aproximamo-nos agora do maior de todos os momentos.

A Fé não está agora na presença de uma heresia particular, como no passado - a ariana, maniqueísta, albigense, a maometana -, nem está na presença de uma espécie de heresia generalizada, como quando ele teve de lidar com a Revolução protestante. O inimigo que a Fé tem de enfrentar agora, e pode ser chamado de "o ataque moderno", é um assalto em massa contra os fundamentos da Fé, a própria existência da Fé. 

E o inimigo que agora avança contra nós está cada mais consciente de que não pode existir neutralidade. As forças actualmente opostas à Fé pretendem destruir. A batalha é travada numa linha definida de ruptura e resultará na sobrevivência ou destruição da Igreja Católica. E de toda a sua filosofia, não uma parte dela.

Sabemos, é claro, que a Igreja Católica não pode ser destruída. Mas não sabemos qual a extensão da área em que sobreviverá, qual o seu poder de ressurgir e qual o poder do inimigo para a afundar mais e mais até às suas últimas defesas, até que pareça que chegou o Anticristo e está para acontecer a decisão final. Tal é a importância da luta diante da qual o mundo se encontra...

Hilaire Belloc in "The Great Heresies"


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A promessa de Nossa Senhora do Carmo

A ordem dos Carmelitas tem como modelo o profeta Elias e caracteriza-se por uma profunda devoção a Maria. A Sagrada Escritura fala da beleza do Monte Carmelo, onde o profeta Elias defendeu a fé do povo de Israel no Deus vivo e verdadeiro. Carmelo em hebraico significa "vinha do Senhor".

Ali Elias enfrentou os profetas de Baal. Segundo o Livro dos Reis, Elias teve uma visão em que a Virgem lhe apareceu sob a figura de uma pequena nuvem que saía da terra e se dirigia ao Carmelo.

Em 93, os monges construíram sobre o Monte Carmelo uma capela em honra à Virgem Maria. As gerações de monges sucederam-se através dos tempos. Em 1205, o patriarca de Jerusalém deu-lhe uma Regra baseada no trabalho, na meditação das Escrituras, na devoção a Nossa Senhora, na vida contemplativa e mística.

Entretanto, ainda no séc. XIII, os muçulmanos invadiram a Terra Santa. Os eremitas do Monte Carmelo fugiram para a Europa. Nesta época,tinham como superior geral São Simão Stock. Enquanto rezava, pedindo a Nossa Senhora que fosse a protectora da Ordem dos Carmelitas, recebeu das mãos de Nossa Senhora do Carmo o escapulário: «Eis o privilégio que te dou a ti e a todos os filhos do Carmelo: "todo o que for revestido desse hábito será salvo".

Clicar aqui para saber como receber e usar o Escapulário de Nossa Senhora do Carmo

in Evangelho Quotidiano


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domingo, 15 de julho de 2018

sábado, 14 de julho de 2018

Humanae Vitae: a coragem de ir contra a "revolução sexual"

Entrevista ao Pe. Ángel Rodríguez Luño, decano de teologia da Universidade Pontifícia da Santa Cruz, sobre a Humanae Vitae. Neste documento do Papa Paulo VI a contracepção é condenada, em sintonia com a doutrina que a Igreja sempre defendeu.

Há 50 anos foi publicada a encíclica Humanae Vitae. Qual o significado dessa publicação naquela época?

Paulo VI publicou a Humanae Vitae dois meses depois dos acontecimentos de Maio de 68, que provocaram, entre outras coisas, a “revolução sexual”. Existia uma forte pressão de alguns meios de comunicação social e os especialistas divulgavam previsões demográficas pessimistas e alarmistas, que a realidade negou mais tarde. Alguns ambientes eclesiais sofriam uma certa desorientação causada por interpretações abusivas do Concílio, e alguns dos participantes nos estudos preparativos da encíclica publicaram informes que não eram definitivos. Neste contexto Paulo VI, depois de longa reflexão, reafirmou a visão cristã da sexualidade, na qual o Criador uniu duas dimensões de significado e de valor, que a encíclica chama “significado unitivo” e “significado procriativo”. Esta conexão não pode desarticular-se sem que sofram ambas dimensões, e não apenas a que se deseja excluir.


De um ponto de vista teológico, foi revolucionária? Em quais pontos?


Depende do que se entende por "revolucionária". Substancialmente Paulo VI propõe novamente a visão antropológica e moral que Pio XI, na sua encíclica sobre o matrimónio, tinha considerado como “doutrina cristã ensinada desde o princípio e nunca modificada”. Neste sentido a Humanae Vitae não representa nenhuma evolução. Revolucionária é a valentia com a qual Paulo VI se opôs a uns estereótipos culturais então muito difundidos, que eram impostos, e que eram e continuam a ser nocivos para a vida das pessoas casadas e para a cultura moral geral. Embora a encíclica se refira directamente ao matrimónio, o que estava em jogo era a visão global da sexualidade.


Para entender o contexto histórico: O que é que levou o Papa Paulo VI a escrever esta encíclica? O que era necessário responder?


Acho que a delicadeza do problema e a complexidade do contexto levaram Paulo VI a ocupar-se pessoalmente do estudo e da resolução desta questão. À luz da tradição moral da Igreja, ninguém podia duvidar que a contracepção é um comportamento intrinsecamente desordenado. Existia uma ideia, no imaginário colectivo, de que a anticoncepção consistia em manipular de alguma forma a realização da relação conjugal. Como a pílula anovulatória (que quase não existe mais hoje porque a maioria dos remédios contraceptivos têm também outros efeitos além do anovulatório) não altera a relação conjugal, alguns perguntaram se a sua utilização deveria ser sempre considerada como um pecado de contracepção. A questão não era, portanto, se a contracepção é pecado ou não, mas se o uso esponsal da pílula anovulatória é ou não anticoncepcional. Isto forçou a definir melhor a essência da contracepção, que Paulo VI refere-se quando escreveu: “exclui-se também toda acção que, ou em previsão do acto conjugal, ou na sua realização, ou no desenvolvimento das suas consequências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação". Para colocá-lo de forma gráfica: se descobríssemos que comer uma laranja antes da relação conjugal a fechasse para a transmissão da vida, quem comesse a laranja propondo-se, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação cometeria o pecado de contracepção. Uso essa hipótese irreal para dar a entender onde está a contracepção, que não depende do facto de que o medicamento contraceptivo seja um produto artificial.


Considera que na formação dos noivos falte um maior aprofundamento de alguns aspectos da Humanae Vitae?


Parece-me que, efectivamente, na formação que se dá aos noivos seria necessário estudar com profundidade e integridade a Humanae Vitae. Mas isso levar-nos-ia longe. Limitar-me-ei a uma só coisa que a minha experiência confirma continuamente. Quando a encíclica de Paulo VI estava a ser preparada alguns diziam que a moral sexual cristã acaba por danificar o amor entre o homem e a mulher e a estabilidade do matrimónio. A experiência diz que hoje, numa cultura na qual se difunde o recurso à contracepção e às relações pré-matrimoniais, os fracassos dos casais são cada vez mais numerosos, bem como também são mais numerosos os fenómenos de violência e de infidelidade. Certamente outras causas podem levar a estes fenómenos. Mas continuo admirado por que é que muitos casais, que tiveram um longo período de namoro, às vezes excessivamente concentrado nos aspectos sexuais, depois de se casar, descobrem que não se conheciam bem. Talvez pudessem ter conversado mais e se juntado menos, porque juntar-se nem sempre é comunicação e conhecimento. A maior parte das vezes, pelo contrário, impede detectar e corrigir o egoísmo próprio e o da outra parte.


Muitas das questões abordadas neste documento continuam a ser debatidas: aborto, fecundação artificial... Com o passar do tempo é ainda maior a ‘oposição’ aos fundamentos teológicos da Igreja sobre estas questões?


A nossa cultura evoluiu da forma que sabemos. Denunciar as causas que fez com que as mudanças sociais tomassem esse rumo requereria uma reflexão muito interessante, mas também muito longa para esta entrevista. Não há dúvida de que, para alguns, também para alguns fieis católicos, é difícil entender alguns aspectos da moral cristã. Talvez seria necessário mais esforço para explicá-la melhor e mais esforço para compreendê-la melhor. Mas, para mim, é muito significativo que a maioria dos fiéis praticantes considerem muito positivo o seu próprio esforço por viver a moral cristã, embora ocasionalmente cometam erros.

in Zenit


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sexta-feira, 13 de julho de 2018

Os 3 segredos revelados por Nossa Senhora a 13 de Julho

– Vossemecê que me quer?

– Quero que venham aqui no dia 13 do mês que vem, que continuem a rezar o Terço todos os dias, em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter a paz do mundo e o fim da guerra, porque só Ela lhes poderá valer.



– Queria pedir-lhe para nos dizer Quem é, para fazer um milagre com que todos acreditem que Vossemecê nos aparece.
– Continuem a vir aqui todos os meses. Em Outubro direi quem sou, o que quero, e farei um milagre que todos hão-de ver, para acreditar.

[– Tenho aqui um pedido se Vossemecê converte uma mulher do Pedrógão e uma da Fátima e se melhora um menino da Moita.
Ela disse que os convertia e melhorava entre um ano.]

– Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes e em especial quando fizerdes alguns sacrifícios: "Ó Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria".

Ao dizer estas últimas palavras, abriu de novo as mãos, como nos dois meses passados.
O reflexo pareceu penetrar a terra e vimos como que um grande mar de fogo. Mergulhados em esse fogo, os demónios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas, com forma humana, que flutuavam no incêndio, levadas pelas chamas que delas mesmas saíam juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faúlhas em os grandes [incêndios], sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor (deveu ser ao deparar-me com esta vista que dei esse ai! que dizem ter-me ouvido). Os demónios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes como negros carvões em brasa. Assustados e como que a pedir socorro, levantámos a vista para Nossa Senhora, que nos disse com bondade e tristeza:

– Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores; para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção a Meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar. Mas, se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai a punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre.

Para a impedir virei pedir a consagração da Rússia a meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a Meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz. Em Portugal conservar-se-á sempre o dogma da Fé.

{Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fogo em a mão esquerda; ao cintilar, despedia chamas que parecia iam incendiar o mundo; mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro: O Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: "Penitência, Penitência, Penitência!" E vimos numa luz imensa que é Deus algo semelhante a como se vêem as pessoas num espelho quando lhe passam por diante um Bispo vestido de Branco; tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre.

Vários outros Bispos Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fora de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio trémulo, com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado de joelhos aos pés da grande Cruz, foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás outros os Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas e várias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de várias classes e posições. Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal em a mão, neles recolhiam o sangue dos Mártires e com ele regavam as almas que se aproximavam de Deus.}

Isto não o digais a ninguém. Ao Francisco, sim, podeis dizê-lo.

Quando rezais o Terço, dizei depois de cada mistério: "Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as alminhas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem".

Seguiu-se um instante de silêncio e perguntei:
– Vossemecê não me quer mais nada?
– Não. Hoje não te quero mais nada.

in Memórias da Irmã Lúcia


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A coroa oferecida a Nossa Senhora pelas mulheres portuguesas

A 13 de Outubro de 1942, um grupo de mulheres portuguesas, em representação do povo português, oferece a coroa de ouro à imagem da Capelinha das Aparições em sinal de gratidão pelos seus maridos e filhos terem sido poupados aos dramas da Segunda Grande Guerra.


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quinta-feira, 12 de julho de 2018

O novo Superior-Geral da FSSPX e a última entrevista de Mons. Fellay

O Capítulo Geral da Fraternidade de São Pio X, reunido em Ecône (Suiça), escolheu para Superior-Geral da Fraternidade o sacerdote italiano Davide Pagliarani, para um mandato de 12 anos. O Bispo Bernard Fellay deixa assim de ser o Superior-Geral, cargo que ocupava desde 1994. Na sua última entrevista enquanto responsável máximo pela Fraternidade de São Pio X, Mons. Fellay falou das sagrações episcopais realizadas por Mons. Lefebvre há 30 anos, no dia 29 de Junho de 1988. 

De acordo com os dados fornecidos pela própria Fraternidade (a 1 de Janeiro de 2018), está assim constituída:

- 1 casa generalícia;
- 6 seminários;
- 6 casas de formação;
- 14 distritos;
- 4 casas autónomas;
- 167 priorados;
- 772 igrejas, capelas e centros de missa;
- 2 institutos universitários;
- mais de 100 escolas;
- 7 casas de repouso;
- 3 bispos;
- 637 sacerdotes;
- 204 seminaristas;
- 56 pré-seminaristas;
- 123 frades;
- 195 freiras;
- 79 oblatos;
- 4 carmelitas;
- 19 irmãs missionárias no Quénia.

A Fraternidade está presente em 72 países e tem associadas a si inúmeras ordens religiosas de rito latino e de rito oriental.

Entrevista conduzida pelo jornal semanal católico alemão Tagespost:

- Excelência Mons. Fellay, como viu, há 30 anos, a consagração episcopal? Para si foi uma separação definitiva por parte da Fraternidade São Pio X em relação a Roma, ou uma etapa intermediária do conflito em vista de uma reconciliação?

- Se tivesse se tratado de uma separação de Roma, eu não estaria aqui hoje. O Arcebispo (Lefebvre) não teria me consagrado por essa razão, e eu também a teria rejeitado. De facto, não se tratava de uma separação da Igreja, mas sim de um afastamento do espírito moderno, dos frutos do Concílio. Agora, também há outros que admitem que se tratou de algo que se desenvolveu de maneira equivocada. 

Muitas considerações e muitos aspectos que combatemos no passado e que combatemos hoje também são confirmados por outros actualmente. Nunca dissemos que o Concílio afirmou directamente heresias. Mas sim que foi removido o muro de defesa contra o erro, e, desse modo, permitiu-se que ele entrasse. Os fiéis precisam de protecção. Nisso consiste a luta constante da Igreja para defender a fé.

- Mas nem todos aqueles que criticam o “Concílio dos media”, incluindo o Papa Emérito Bento XVI, pensam num conflito até a excomunhão. Porque é que vocês não fortaleceram as fileiras daqueles que são fiéis à tradição na Igreja e combatem pela verdade em união com Roma?

- Isso se deveu em parte à História Francesa. A partir da Revolução Francesa, uma boa parte dos católicos franceses combate contra o erro do liberalismo. Por isso, aqui, os acontecimentos, durante e após o Concílio, foram percebidos de maneira muito mais sensível e atenta do que na Alemanha. Não se tratava de erros evidentes, mas sim de tendências, de abertura de portas e janelas. 

As reformas que se seguiram demonstraram isso mais claramente do que o próprio Concílio. O problema adensou-se com a Missa Nova. Em Roma, disse-se ao arcebispo Lefebvre aut aut: “Se celebrar a Missa Nova está tudo bem”. Os nossos argumentos contra a Missa Nova não importavam nada. Enquanto isso, o missal de Paulo VI foi composto com a colaboração de teólogos protestantes. Se somos forçados a celebrar essa missa, então realmente surge um problema. E nós fomos levados a fazer isso.

- A vossa recusa em relação à Missa Nova reforçou em si e também no Arcebispo Lefebvre a convicção de que a separação de Roma era vontade de Deus?

- Insisto em dizer: nós nunca nos separamos da Igreja.

- Mas a excomunhão fala por si só. Por que o Papa Bento XVI teria de a remover?

- No Código de Direito Canónico de 1917, a consagração episcopal sem mandato do Papa não é considerada um cisma, mas apenas um abuso de poder e sem excomunhão. Toda a História da Igreja tem outra visão do problema da consagração episcopal sem mandato do Papa. Isso é muito importante.

- Por que é tão importante? Em 1988 já estava em vigor o novo Código da Igreja, e o Código de Direito Canónico de 1917 também obriga o bispo à fidelidade à Santa Sé.

- Estávamos em estado de necessidade, porque Roma havia nomeado um bispo para nós. No encontro entre o Cardeal Ratzinger e Mons. Lefebvre, em 5 de Maio de 1988, havia-se falado da data da consagração. Mons. Lefebvre e o cardeal Ratzinger não conseguiram chegar a um acordo. Mons. Lefebvre tinha uma proposta. Tenho certeza de que se, na época, o Cardeal Ratzinger tivesse confirmado o dia 15 de Agosto como data, sem mudar o candidato, o Arcebispo teria aceitado. Mas a data permaneceu em aberto. Quando o arcebispo perguntou ao Cardeal: “Por que não no fim do ano?”, ele recebeu esta resposta: “Não sei, não posso dizer”. O Arcebispo pensou que estavam a brincar com ele. Certamente foi um ponto de desconfiança. E a desconfiança permaneceu até hoje como uma palavra-chave da nossa história. Nós trabalhamos para superá-la, mas depois sempre surge algo...é realmente cansativo.

- Porque é que o Cardeal Ratzinger, grande especialista e defensor da Tradição católica e amigo da Missa Tradicional, não conseguiu tranquilizar a desconfiança do Arcebispo Lefebvre?

- Ele não entendeu como eram profundas as razões do Arcebispo e a desorientação dos fiéis e dos Padres. Muitos não aguentavam mais escândalos e desconfortos pós-conciliares, e também o modo em que a Missa Nova era celebrada. Se o Cardeal Ratzinger nos tivesse compreendido não teria agido como agiu. E acho que se arrependeu. Por isso, como Papa, tentou reparar os danos com o motu proprio (Summorum Pontificum) e remover a excomunhão (aos Bispos da Fraternidade). Somos-lhe realmente gratos pelas suas tentativas de reconciliação.

- Mas o Cardeal Ratzinger, como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, também teve que ter em mente as reações dos outros fiéis. Por exemplo, era irritante que os membros da Fraternidade São Pio X contradissessem pontos tão importantes quanto à validade da Missa. Muitos dos seus membros pensam que, ao participar na Missa Nova, considerada por eles como “herética”, não cumprem a obrigação dominical.

- Eu nego isso decisivamente. Nós já falamos da invalidade de muitas Missas. Mas dizer que todas as Missas Novas são inválidas não corresponde à linha da Fraternidade. É algo que nunca dissemos. Na discussão com Roma sempre enfatizamos que reconhecemos a validade da Missa Nova, se for celebrada de acordo com os livros e a intenção de fazer aquilo que a Igreja tem o mandato de cumprir. A esse respeito, é preciso distinguir entre válido e bom.

- Onde está a diferença na sua opinião?

A Missa Nova tem lacunas e esconde perigos. Naturalmente, nem toda Missa Nova constitui directamente um escândalo, mas a celebração repetida da Missa Nova leva a uma fé fraca e até à sua perda. Vemos como todos os dias são cada vez menos os Padres que ainda acreditam na Presença Real de Nosso Senhor. Na Missa Tradicional a liturgia alimenta a fé. Vamos à rocha, somos fortalecidos nessa fé. Alguns gestos levam-nos ainda mais à fé, por exemplo, a fé na Presença Real, no Sacrifício: ajoelhando-nos, através do silêncio, a atitude do Padre. Na Missa Nova a pessoa precisa levar a fé consigo, ela não a recebe directamente do rito. O rito é insípido.

- Mas, mesmo antes da reforma litúrgica, havia padres com uma fé fraca, modernistas e heréticos. Aqueles a quem o senhor chama de Padres conciliares liberais cresceram todos com a Missa Tradicional e foram consagrados de acordo com o velho rito. Acha que as conversões que ocorrem hoje, mesmo através da Missa Nova são um auto-engano?

- Não, não digo isso. Digo apenas isto: se recebe o Presidente de um Estado, na escolha entre um trompete de prata e um de latão, escolhe o de latão? Seria uma ofensa, uma coisa que não se faz. E as melhores Missas Novas também são como um trompete de latão em comparação com a velha liturgia. Pelo bom Deus, é preciso escolher o melhor.

- Recentemente, disse num sermão: “Como podem ousar celebrar uma Missa tão pobre, tão vazia e insípida? Não se honra a Deus desse modo”. Mas a Missa Nova para os católicos é ainda hoje o tesouro mais precioso das suas vidas, e ainda hoje a Igreja gera mártires e santos. Por que não ressalta isso na pregação?

- Concordo que, na discussão teológica, é preciso distinguir. Mas num sermão não se pode apresentar tudo de forma tão teológica. Também é preciso um pouco de retórica para sacudir um pouco os ânimos e para abrir os olhos das pessoas.

- O Papa Francisco quer estender a mão à Fraternidade Sacerdotal para uma reconciliação. Ainda pensa num acordo ou este kairós é uma oportunidade perdida?

- Eu sou optimista. Mas não posso antecipar a hora de Deus. Se o Espírito Santo é capaz de influenciar o actual pontífice, então ele também fará o mesmo com o próximo. Foi o que efectivamente aconteceu. Também com o Papa Francisco. Quando ele foi eleito, pensei: agora chegará a excomunhão. Em vez disso, era o Cardeal Müller que queria que a excomunhão chegasse, mas o Papa Francisco recusou. Ele disse-me pessoalmente: “Não quero condená-lo”. 

A reconciliação chegará. A nossa Mãe Igreja está actualmente dilacerada de maneira incrível. Os conservadores querem-nos e também disseram isso à Congregação para a Doutrina da Fé. Os Bispos alemães, pelo contrário, não nos querem de modo algum. Roma deve levar em conta todos esses elementos. Se nós fôssemos assim, simplesmente, haveria uma guerra na Igreja. Existe o medo de que possamos triunfar. O Papa Francisco disse aos jornalistas: “Cuidarei para que não haja nenhum triunfo”.

Mas as tensões e os medos também existem entre os membros da Fraternidade São Pio X. Em França, muitos Padres e leigos separaram-se da Fraternidade porque as negociações com o Vaticano já suscitaram desconfiança. Como os irmãos de São Pio X poderiam aceitar uma reconciliação com Roma? Isso dependerá do que Roma quiser de nós. Sigamos em frente assim e demo-nos garantias, então ninguém irá embora. A desconfiança está no medo de ter que acolher o novo. Se nos pedirem para percorrer estradas novas, então ninguém vai nos seguir.

- O que lhe dá tanta certeza de que todos o seguiriam? Bastou o anúncio dos diálogos para despertar uma forte inquietação e para provocar saídas significativas. Que conclusão poderia tranquilizar os seus membros? Mesmo depois de um acordo a desconfiança não desapareceria.

- É verdade. Existe uma atitude amigável, existe benevolência. Há anos trabalhamos com Roma para restabelecer a confiança. E fizemos grandes progressos, apesar de todas as reacções. Se chegarmos a um acordo razoável com condições normais, serão muito poucos os que irão embora. Eu não temo uma nova cisão na tradição se for encontrada a solução justa com Roma. Devemos questionar certos pontos do Concílio. Os nossos interlocutores em Roma disseram os pontos principais: liberdade de consciência, ecumenismo, Missa Nova – são problemas em aberto. Trata-se de um progresso incrível. Até agora dizia-se: vocês devem obedecer. Agora, os colaboradores da Cúria dizem: vocês deveriam abrir um seminário em Roma, uma universidade para a defesa da tradição. 

- Como deveria ser uma solução razoável?

- Uma prelatura pessoal.

- Se a forma jurídica já foi encontrada e os diálogos com Roma correram bem, por que razão faltou o passo decisivo até agora?

No ano passado, o Arcebispo Pozzo disse-nos que a Congregação para a Doutrina da Fé havia aprovado o texto que deveríamos assinar. Devíamos estar de acordo com uma prelatura pessoal. Um mês e meio depois, o Cardeal Müller decidiu rever o texto, e pediu uma aceitação mais clara do Concílio e da legitimidade da Missa Nova. Primeiro, tinham aberto canais de discussão. Depois, foram fechados. O que realmente se quer de nós? Está aqui o diabo no meio. É uma luta espiritual.

- Pessoalmente, tem confiança no Papa Francisco?

Temos uma relação muito boa. Quando lhe informamos que nos encontramos em Roma, a sua porta está aberta. Ele sempre ajuda-nos através de pequenos passos. Por exemplo, disse-nos: “Tenho problemas quando faço algo de bom para vocês. Eu ajudo protestantes e anglicanos – por que não posso ajudar católicos?” Existem vários que querem impedir o acordo. Nós somos um factor de perturbação na Igreja. E o Papa encontra-se no meio disso.

adaptado de ihu.unisinos.br com tradução de Moisés Sbardelotto


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