sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Novena da Imaculada Conceição - 30 de Novembro






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Dia do Apóstolo Santo André




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Frase do dia

"Um homem pode fugir da justiça humana, mas nunca conseguirá fugir da justiça divina."  

S. Pio de Pietrelcina


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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

7 anos de Bento XVI




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Frase do dia

"Enterramos os nossos parentes e amigos, vemos funerais todos os dias, e, não obstante, continuamos prometer-nos longos anos de vida. Insensata promessa que ninguém pode fazer para si!" 

Santo Agostinho


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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Eclipse do Sol no hemisfério sul (Austrália)




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Obviamente, demita-se! (Drª. Isabel Jonet) - Pe. Gonçalo Portocarrero

Sou a favor da demissão da presidente do Banco Alimentar Contra a Fome pelas seguintes razões:

1.º - Por causa do nome. Isabel é nome de rainha e, pior ainda, de santa: duas inconveniências numa só palavra! À frente de uma instituição social exige-se um nome laico e republicano. Em política, o que parece é. Ainda por cima, a santa homónima fez o milagre errado: o que se quer é que as flores se convertam em pães, e não estes em rosas!

Se o nome próprio não ajuda, o apelido muito menos: Jonet! Soa francês e é parecido com Junot, de tão má memória. Além disso, é queque, e os pobres precisam de pão e não de bolos. Uma estrangeirada não pode comandar uma legião de voluntários que, periodicamente, nos assalta à entrada dos supermercados. Os pobres querem francesinhas e não afrancesadas!

2.º - Porque é presidente de um banco, ou seja, é banqueira! Portanto, faz parte da oligarquia que explora os pobres. Os bancos só ajudam quem não precisa e nunca serviram sopas aos pobres. Banqueira foi só uma, a do povo e mais nenhuma! E - note-se! - a D. Branca acabou na prisão! Nada de banco, a não ser o dos réus. O Banco Alimentar tem de passar a ser um sindicato e dar bifes, todos os dias, ao povo. Abaixo o Banco Alimentar e viva o Bitoque de Esquerda! Porque, afinal, se a banca é da direita, é da esquerda o monopólio do social.

3.º - Porque fez umas declarações incríveis: foi à televisão dizer coisas sensatas e, pior ainda, verdadeiras! E se o Governo dissesse toda a verdade sobre a crise, a oposição não prometesse o que sabe que não poderá dar e as centrais sindicais não aldrabassem sobre as greves?! Com verdades e bom senso não se vai a lado nenhum! Além disso, como muito bem explicou Orwell, a liberdade de pensamento e de expressão não servem para isso, nem são para todos!

4.º - Porque é contra a fome. Mas um banqueiro não pode ser contra o dinheiro, nem a presidente do Banco Alimentar contra a fome! Até porque a fome é necessária: as revoluções fazem-se em jejum. Com a barriga farta, não há quem proteste! Os obesos não apedrejam polícias! As sopinhas do Banco Alimentar querem dar cabo da raiva proletária, em nome da resignação cristã, mas, com conformismo, fica entornado o caldo revolucionário. É preciso ler Marx - não o Groucho! - e aprender que o que faz falta é exasperar a malta, para que seja carne de canhão para a revolução.

5.º - Porque é católica, o que é um insulto para a laicidade das instituições sociais. Há muito que os pobres foram nacionalizados, antes até dos bancos. Por sinal, capitães de Abril, por que raio é que o Alimentar ainda o não foi?! Já não há pobrezinhos paroquiais: agora são todos do Estado, são todos do povo, são nossos. Se a Igreja quer ter os seus próprios pobres, para promover bazares e canastas de senhoras bem, que os arranje à sua custa, mas os pobres nacionais não são de nenhuma religião, porque estão ao serviço das ambições políticas da esquerda! É que, se nos tiram os pobres, que nos resta?! Se já nem valores ou ideologia temos ...

6.º - Porque faz caridade. Para que, depois de um lauto banquete, já não lhe doa a consciência por ter comido à tripa forra, em uma hora, o que dava para alimentar, durante um mês, cem crianças. Mas esta caridade é a mordaça da hipocrisia que sufoca, na garganta do pobre, o grito da justiça. Quem quiser solidariedade social que deixe de brincar à caridadezinha e pugne pelos direitos dos proletários. É verdade que o marxismo não trouxe a justiça social, nem encheu as barrigas dos explorados, mas encheu de arrogância moral uma certa esquerda que fez da pobreza, que não conhece senão como abstracção, a sua bandeira e a sua razão.

Concluindo e resumindo: que se demita a presidente do Banco Alimentar!

Bem sei que, se o fizer, as dezenas de seus colaboradores, as centenas de voluntários, os milhares de dadores e as dezenas de milhares de pobres a quem ajuda, discreta e eficazmente, através de tantas instituições maioritariamente cristãs, ficarão a perder. Mas seria uma atitude muito politicamente correcta, que ganharia o aplauso de meia dúzia de sujeitos bem-pensantes, que nunca fizeram nada por quem tem fome.

Já agora ... alimente esta ideia!


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terça-feira, 27 de novembro de 2012

A grande fraude - João César das Neves

E se boa parte das nossas certezas acerca da história mundial fosse realmente falsa? Se nos últimos três séculos a classe intelectual estivesse dominada por uma ideologia enganadora que a levou a distorcer os factos para satisfazer preconceitos dogmáticos?

No seu recente livro The Triumph of Christianity (HarperOne, 2011) o reputado sociólogo da religião Rodney Stark faz um resumo de 40 anos de carreira e de uma impressionante lista de trabalhos de outros autores. O tema explícito é o paradoxo a que dedicou grande parte da sua atenção: "como foi possível que uma obscura seita judia se tenha tornado na maior religião do mundo?" (p.1). Só que, apesar de cobrir esparsamente os dois mil anos de história, pode dizer-se que o verdadeiro assunto do volume é bem diferente: derrubar uma enorme quantidade de mitos, erros e manipulações que a historiografia dos últimos séculos acumulou sobre a Igreja.

Muitos dos resultados são bem conhecidos dos especialistas, mas continuam desprezados nas visões populares, onde persistem velhos embustes. A lista é impressionante. O sucesso da expansão cristã no Império Romano não se ficou a dever à decadência do paganismo, revolta de escravos ou favores de Constantino, mas ao facto de os cristãos, graças à sua caridade, "viverem mais tempo que os seus vizinhos pagãos... não 'descartarem' as crianças femininas e as mulheres cristãs não terem a mortalidade substancial por abortos feitos num mundo sem antibióticos" (p.417). Também é falso que o paganismo romano desapareceu devido à perseguição da Igreja triunfante. Antes "desceu lentamente na obscuridade" (p.198).

A Idade Média europeia não foi uma "idade das trevas" de miséria e obscurantismo, mas uma época brilhante da história do mundo, pois a ausência de impérios eliminou a escravatura e monumentos grandiosos, e o génio humano pôde virar-se para descobertas pragmáticas, das esporas aos óculos e moinhos, passando pelo capitalismo (p.242-5). As cruzadas não foram uma bárbara agressão colonial cristã contra muçulmanos inocentes. Não só nasceram de séculos de tentativas islâmicas de colonizar o Ocidente, mas nelas os nobres arruinavam-se em busca da salvação eterna (cap.13). A religião não é inimiga da ciência, mas foi na Igreja que nasceu e grande parte dos maiores cientistas são e sempre foram devotos (cap.16).

"A Inquisição Espanhola foi um corpo bastante moderado, responsável por poucas mortes e salvou muitas vidas por se opor à caça às bruxas que varreu o resto da Europa" (p.418). "A afirmação de que a religião vai em breve desaparecer à medida que o mundo se torna mais moderno é apenas ilusão optimista de académicos ateus" (idem). Estas afirmações, e muitas outras, são demonstradas com apelo a números, factos e investigações sérias e comprovadas.

O livro não é uma obra de apologética, e estão bem presentes as misérias da Igreja na história (cap.15, 17, 20, 21). O propósito é antes demolir mistificações acumuladas ao longo de décadas, que se tornaram avassaladoras na opinião pública. Aliás, mais que para a história do cristianismo, o valor do livro está no que revela da nossa história intelectual.

Como foi possível empilhar tantos dislates e burlas, todos no mesmo sentido? É evidente que desde o Iluminismo muitos académicos estão convencidos que a religião é o inimigo da verdade e humanidade, e tomaram a missão de desmascará-la e denunciá-la. Lançam-se na tarefa com o mesmo zelo e fervor dos missionários religiosos, só que ao fazê-lo violam os princípios mais sagrados do seu próprio credo científico, enganando, distorcendo, manipulando.

A Igreja sempre prosperou na perseguição, pelo que o ataque lhe foi benéfico. Mas é assustador pensar no enorme poder que alguns pseudocientistas têm, se usarem a sua posição de prestígio e influência para veicular dogmas pessoais. Voltaire e Gibbon, como hoje Richard Dawkins ou Peter Berger, são um perigo para a liberdade maior que Napoleão, Hitler ou Mugabe. Manipular a mente é pior que controlar leis e polícias.


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Frase do dia

"Nenhum homem escapa a algum tipo de servidão. Uns prostram-se diante do dinheiro; outros adoram o poder; outros a tranquilidade relativa do cepticismo; outros descobrem na sensualidade o seu bezerro de ouro. 

E acontece o mesmo com as coisas nobres. Empenhamo-nos num trabalho, numa actividade de maiores ou menores proporções, na realização de um trabalho científico, artístico, literário, espiritual. Se há empenho, se existe verdadeira paixão, quem a isso se entrega vive como escravo, dedica-se com prazer ao serviço da finalidade da sua tarefa." 

S. Josemaria Escrivá


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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Men don't cry?

O arcebispo de Manila, Luis Antonio Tagle, depois de ter sido feito Cardeal



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Evitemos o orgulho e a vã glória - São Francisco de Assis

No amor que é Deus, suplico a todos os meus irmãos – aos que pregam, aos que oram, aos que trabalham manualmente, aos clérigos e leigos – que invistam na humildade em tudo: que não se ufanem, que não encontrem alegria ou se orgulhem interiormente com as boas palavras e as boas acções que Deus diz ou realiza por vezes neles ou através deles. Pois diz o Senhor: «não vos alegreis porque os espíritos vos obedecem» (Lc 10,20). Convençamo-nos firmemente de que, por nós, só temos erros e pecados. Rejubilemos antes nas provações que temos de suportar na alma e no corpo, e em todo o tipo de angústias e de tribulações neste mundo, com vista à vida eterna.

Irmãos, evitemos o orgulho e a vã glória. Evitemos a sabedoria deste mundo e a prudência egoísta. Pois aquele que é escravo das suas tendências egoístas investe muito esforço e aplicação na formulação de discursos, mas muito menos na passagem aos actos; em lugar de procurar a religião e a santidade interiores do espírito, quer e deseja uma religião e uma santidade exteriores e visíveis aos olhos dos homens. É sobre eles que o Senhor diz: «Em verdade vos digo, receberam a sua recompensa» (Mt 6,5). 


Pelo contrário, aquele que é dócil ao Espírito do Senhor quer mortificar e humilhar aquilo que é egoísta, vil e abjecto na carne. Dedica-se à humildade e à paciência, à simplicidade pura e à verdadeira paz de espírito; aquilo que deseja sempre e acima de tudo é o temor de Deus, a sabedoria de Deus e o amor de Deus Pai, Filho e Espírito Santo.

Primeira Regra, 17


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domingo, 25 de novembro de 2012

Jesus Cristo, o nosso Rei




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Solenidade de Cristo Rei - Homilia do Papa Bento XVI

A solenidade de Jesus Cristo Rei do universo, que hoje coroa o Ano Litúrgico, vê-se enriquecida com a recepção no Colégio Cardinalício de seis novos membros, que convidei, como é tradição, para concelebrar comigo a Eucaristia nesta manhã. A cada um deles dirijo a minha saudação mais cordial, agradecendo ao Cardeal James Michael Harvey as amáveis palavras que em nome de todos me dirigiu. Saúdo os outros Purpurados e todos os Prelados presentes, bem como as ilustres Autoridades, os Senhores Embaixadores, os sacerdotes, os religiosos e todos os fiéis, especialmente quantos vieram das dioceses que estão confiadas ao cuidado pastoral dos novos Cardeais.

Neste último domingo do Ano Litúrgico, a Igreja convida-nos a celebrar Jesus Cristo como Rei do universo; chama-nos a dirigir o olhar em direcção ao futuro, ou melhor em profundidade, para a meta última da história, que será o reino definitivo e eterno de Cristo. Estava com o Pai no início, quando o mundo foi criado, e manifestará plenamente o seu domínio no fim dos tempos, quando julgar todos os homens. As três leituras de hoje falam-nos desse reino. No texto evangélico que ouvimos, tirado da narração de São João, Jesus encontra-Se numa situação humilhante – a de acusado – diante do poder romano. Foi preso, insultado, escarnecido, e agora os seus inimigos esperam obter a sua condenação ao suplício da cruz. Apresentaram-No a Pilatos como alguém que aspira ao poder político, como o pretenso rei dos judeus. O procurador romano faz a própria investigação e interroga Jesus: «Tu és rei dos judeus?» (Jo 18, 33). Na resposta a esta pergunta, Jesus esclarece a natureza do seu reino e da própria messianidade, que não é poder terreno, mas amor que serve; afirma que o seu reino de modo algum se confunde com qualquer reino político: «A minha realeza não é deste mundo (...) o meu reino não é de cá» (v. 36).


É claro que Jesus não tem nenhuma ambição política. Depois da multiplicação dos pães, o povo, entusiasmado com o milagre, queria pegar n’Ele e fazê-Lo rei, para derrubar o poder romano e assim estabelecer um novo reino político, que seria considerado como o reino de Deus tão esperado. Mas Jesus sabe que o reino de Deus é de género totalmente diverso; não se baseia sobre as armas e a violência. E é justamente a multiplicação dos pães que se torna, por um lado, sinal da sua messianidade, mas, por outro, assinala uma viragem decisiva na sua actividade: a partir daquele momento aparece cada vez mais claro o caminho para a Cruz; nesta, no supremo acto de amor, resplandecerá o reino prometido, o reino de Deus. Mas a multidão não entende, fica decepcionada, e Jesus retira-Se para o monte sozinho para rezar (cf. Jo 6, 1-15). Na narração da Paixão, vemos como os próprios discípulos, apesar de terem partilhado a vida com Jesus e ouvido as suas palavras, pensavam num reino político, instaurado mesmo com o uso da força. Em Getsemani, Pedro desembainhara a sua espada e começou a combater, mas Jesus deteve-o (cf. Jo 18, 10-11); não quer ser defendido com as armas, mas deseja cumprir a vontade do Pai até ao fim e estabelecer o seu reino, não com as armas e a violência, mas com a aparente fragilidade do amor que dá a vida. O reino de Deus é um reino completamente diferente dos reinos terrenos.

Por isso, diante de um homem indefeso, frágil, humilhado como se apresenta Jesus, um homem de poder como Pilatos fica surpreendido – surpreendido, porque ouve falar de um reino, de servidores – e faz uma pergunta, a seu ver paradoxal: «Logo, Tu és rei!». Que tipo de rei pode ser um homem naquelas condições!? Mas Jesus responde afirmativamente: «É como dizes: Eu sou rei! Para isto nasci, para isto vim ao mundo: para dar testemunho da Verdade. Todo aquele que vive da Verdade escuta a minha voz» (18, 37). Jesus fala de rei, de reino, referindo-Se não ao domínio mas à verdade. Pilatos não entende: poderá haver um poder que não se obtenha com meios humanos? Um poder que não corresponda à lógica do domínio e da força? Jesus veio para revelar e trazer uma nova realeza: a realeza de Deus. Veio para dar testemunho da verdade de um Deus que é amor (cf. 1 Jo 4, 8.16) e que deseja estabelecer um reino de justiça, de amor e de paz (cf. Prefácio). Quem está aberto ao amor, escuta este testemunho e acolhe-o com fé, para entrar no reino de Deus.

Encontramos esta perspectiva na primeira leitura que ouvimos. O profeta Daniel prediz o poder de um personagem misterioso colocado entre o céu e a terra: «Vi aproximar-se, sobre as nuvens do céu, um ser semelhante a um filho de homem. Avançou até ao Ancião, diante do qual o conduziram. Foram-lhe dadas as soberanias, a glória e a realeza. Todos os povos, todas as nações e as gentes de todas as línguas o serviram. O seu império é um império eterno que não passará jamais, e o seu reino nunca será destruído» (7, 13-14). São palavras que prevêem um rei que domina de mar a mar até aos confins da terra, com um poder absoluto, que nunca será destruído. Esta visão do profeta, uma visão messiânica, é esclarecida e realiza-se em Cristo: o poder do verdadeiro Messias – poder que não mais desaparece e nunca será destruído – não é o poder dos reinos da terra que surgem e caem, mas o poder da verdade e do amor. Assim entendemos como a realeza, anunciada por Jesus nas parábolas e revelada aberta e explicitamente diante do Procurador romano, é a realeza da verdade, a única que dá a todas as coisas a sua luz e grandeza.

Na segunda leitura, o autor do Apocalipse afirma que também nós participamos na realeza de Cristo. Na aclamação dirigida «Àquele que nos ama e nos purificou dos nossos pecados com o seu sangue», declara que Ele «fez de nós um reino, sacerdotes para Deus e seu Pai» (1, 5-6). Aqui está claro também que se trata de um reino fundado na relação com Deus, com a verdade, e não de um reino político. Com o seu sacrifício, Jesus abriu-nos a estrada para uma relação profunda com Deus: n’Ele tornamo-nos verdadeiros filhos adoptivos, participando assim da sua realeza sobre o mundo.Portanto, ser discípulos de Jesus significa não se deixar fascinar pela lógica mundana do poder, mas levar ao mundo a luz da verdade e do amor de Deus. Depois o autor do Apocalipse estende o olhar até à segunda vinda de Jesus – quando Ele voltar para julgar os homens e estabelecer para sempre o reino divino – e recorda-nos que a conversão, como resposta à graça divina, é a condição para a instauração desse reino (cf. 1, 7). É um vigoroso convite dirigido a todos e cada um: converter-se sem cessar ao reino de Deus, ao domínio de Deus, da Verdade, na nossa vida. Pedimo-lo diariamente na oração do «Pai nosso» com as palavras «Venha a nós o vosso reino», que equivale a dizer a Jesus: Senhor, fazei que sejamos vossos, vivei em nós, reuni a humanidade dispersa e atribulada, para que em Vós tudo se submeta ao Pai da misericórdia e do amor.

A vós, amados e venerados Irmãos Cardeais – penso de modo particular àqueles que foram criados ontem –, se confia esta responsabilidade impelente: dar testemunho do reino de Deus, da verdade. Isso significa fazer sobressair sempre a prioridade de Deus e da sua vontade face aos interesses do mundo e dos seus poderes. Fazei-vos imitadores de Jesus, que diante de Pilatos, na situação humilhante descrita pelo Evangelho, manifestou a sua glória: a glória de amar até ao fim, dando a própria vida pelas pessoas amadas. Esta é a revelação do reino de Jesus. E por isso, com um só coração e uma só alma, rezemos: «Adveniat regnum tuum». Amen.


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sábado, 24 de novembro de 2012

Profissão de fé - Pe.Gonçalo Portocarrero de Almada

No passado dia 11 de Outubro, 50º aniversário da inauguração do Concílio Vaticano II, teve início o Ano da Fé que, de hoje a uma ano, precisamente no dia 24 de Novembro de 2013, se concluirá. Mas, afinal, o que é a fé?

A fé não é um refúgio cómodo para quem pretende fugir das responsabilidades do seu ser e estar no mundo, mas uma afirmação de compromisso com as mais radicais instâncias da realidade, nomeadamente a humana, na sua dimensão espiritual, com expressões de ordem pessoal e social.

A fé não é uma crença idiota, que anula ou suspende o discurso da razão, mas um suplemento de conhecimento que procura, na transcendência, novos horizontes de inteligibilidade e a razão da própria razão.

A fé não é uma passiva aceitação do destino, nem mera resignação ante o inexorável fado, mas consciência operativa de que a vida nasce de um querer sobrenatural que nos ultrapassa e exige uma atitude de agradecido louvor a Deus e de serviço aos irmãos.

A fé não é uma opção supersticiosa contra os malefícios dos seres invisíveis e das suas maquinações, ou mágico feitiço contra as maldições humanas, mas a certeza de que, contra o mal, pode mais o bem que Deus é e que cada ser humano deve esforçadamente realizar, a cada passo da sua vida e da História do mundo.
A fé não é uma apólice de seguro que garante uma existência sem dor e alheia a qualquer tribulação, mas uma experiência de alegria e de paz, também nas adversidades e até na própria morte, na certeza do amor de Deus, que é Pai, Filho e Espírito Santo. 

Numa palavra, a fé é Cristo, que é Caminho, Verdade e Vida (Jo 14,6).


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Todos os caminhos vão dar a Roma




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Em dia de Consistório...




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quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Happy Thanksgiving to all my American friends. Cheers!




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O compromisso e as teimosias - José Luís Nunes Martins

Somos o que formos capazes de fazer de nós. Há sonhos e tempos para os fazer reais, sofrimentos a passar em função das metas que se querem alcançar. Uma constante luta entre o que somos e o que podemos ser. Mas há, em toda esta dinâmica um erro que é importante erradicar, sob pena de se desperdiçar tempo e esforço no sentido oposto ao que se devia: a teimosia.

Muitas pessoas se afirmam teimosas, como se a teimosia fosse um defeito que se pode e deve assumir, como se se tratasse apenas de uma forma de perseverança que se professa com modéstia... Não. Ser teimoso é perseverar no sentido errado. É saber-se errando e continuar a seguir pelo mesmo caminho. Outras vezes, o teimoso é o que se recusa simplesmente a analisar e avaliar o que anda a fazer, como se isso fosse uma mera perda de tempo.

O compromisso é determinante na plena realização do ser humano enquanto tal. As crenças e convicções devem fazer-se concretas na vida de cada um de nós. A fidelidade à palavra dada é um valor transcultural. Sermos fiéis aos nossos compromissos honra-nos e dignifica-nos. A nossa palavra é um momento que atesta a nossa identidade, ou, pelo menos, que permitirá avaliar depois de forma muito concreta quem afinal somos.

Os atos são mais importantes do que as palavras. Mas serão mais coerentes e belos se estiverem inscritos num programa sonhado, pensado e desejado.

Desistir de um projeto só é errado se se tratar de um plano bom, que vise o bem; caso contrário, é a opção correta. Não se percebe como há gente que afere o carácter de outrem através da forma como se mantem fiel a uma linha de rumo, independentemente de onde ela o leve...

Teimosia é esperar junto a uma parede, para que ali haja uma porta. É estar convencido que todas as evidências são aparências enganosas, e que mesmo que tudo aponte num determinado sentido, desistir da ideia inicial corresponde a uma falta de integridade.

O compromisso será a forma mais elevada que qualquer homem tem de assumir o que é e o que quer ser. Não se desobrigando nunca de, corajosamente, repensar tudo a cada momento. Mantendo o rumo se esse for o caminho certo para o bem; alterando-o, na medida do necessário, se com isso o bem se atingir com mais eficácia; desistindo, se cada passo ou minuto projetados nos afastassem do que é o maior bem: a felicidade.

Ser feliz passa por um compromisso pessoal, uma vontade férrea de não se deter em dificuldades, por maiores que sejam. Mas sempre, sem teimosias, porque isso é insistir no mal, é não perceber que muito pior que estar errado é querer continuar assim.

Ser teimoso é um compromisso sério, muito sério, com a estupidez. Perseverar no mal, sem disso desistir, não é sequer conduta digna da inteligência mais rudimentar.

A fidelidade faz com que o Homem seja maior. A obediência é uma das formas mais belas de ser livre, porque um homem pode escolher ser feliz servindo um projeto que não tem sequer de ser seu... infelizes serão todos quantos julgam que a liberdade é fazer o que apetece, como se fossem escravos dos seus apetites.

Quem luta pelos seus sonhos, sem teimosias, determina-se a ser maior, melhor. E engrandece-se imediatamente, com o primeiro gesto, o momento em que a realidade se lhe submete à vontade. O momento em que os olhos se abrem e os sonhos devem começar a cumprir-se.

Há compromissos, sem nada de teimosia, que envolvem mais do que uma pessoa, importa nesses casos pensar na obediência como uma concessão bela e inteligente, a capacidade que dispomos de trocar a nossa felicidade individual por um sonho sonhado por mais do que uma pessoa, cuja concretização envolve a multiplicação generosa das possibilidades de cada um dos envolvidos ser feliz... Mas isto será algo absolutamente impossível de compreender por qualquer egoísta... como o são sempre os teimosos!


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Frase do dia

"O fim da Companhia e dos estudos é ajudar o próximo a conhecer e amar a Deus, e a salvar a sua alma." 

Santo Inácio de Loyola, Constituições da Companhia de Jesus [446]


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quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Palavras do Papa Bento XVI ao Átrio dos Gentios, em Portugal

Queridos amigos,

Com viva gratidão e afecto, saúdo todos os congregados no «Átrio dos Gentios», que se inaugura em Portugal nos dias 16 e 17 de novembro de 2012, reunindo crentes e não-crentes ao redor da aspiração comum de afirmar o valor da vida humana sobre a maré crescente da cultura da morte.


Na realidade, a consciência da sacralidade da vida que nos foi confiada, não como algo de que se possa dispor livremente, mas como dom a guardar fielmente, pertence à herança moral da humanidade. «Mesmo entre dificuldades e incertezas, cada homem sinceramente aberto à verdade e ao bem, com a luz da razão e não sem o secreto influxo da graça, pode chegar a reconhecer na lei natural inscrita no coração (cf. Rm 2, 14-15) o valor sagrado da vida humana desde o primeiro momento do seu início até ao seu termo» (Enc. Evangelium vitæ, 2). Não somos produto casual da evolução, mas cada um de nós é fruto de um pensamento de Deus: somos amados por Ele.


Mas, se a razão pode alcançar tal valor da vida, porquê chamar em causa Deus? Respondo citando uma experiência humana. A morte da pessoa amada é, para quem a ama, o acontecimento mais absurdo que se possa imaginar: aquela é incondicionalmente digna de viver, é bom e belo que exista (o ser, o bem e o belo, como diria um metafísico, equivalem-se transcendentalmente). Entretanto, a mesma morte da mesma pessoa aparece, aos olhos de quem não ama, como um acontecimento natural, lógico (não absurdo). Quem tem razão? Aquele que ama («a morte desta pessoa é absurda») ou o que não ama («a morte desta pessoa é lógica»)?


A primeira posição só é defensível, se cada pessoa for amada por um Poder infinito; e aqui está o motivo por que foi preciso apelar a Deus. De facto, quem ama não quer que a pessoa amada morra; e, se pudesse, impedi-lo-ia sempre. Se pudesse… O amor finito é impotente; o Amor infinito é omnipotente. Ora, esta é a certeza que a Igreja anuncia: «Tanto amou Deus o mundo, que lhe entregou o seu Filho Unigénito, a fim de que todo o que nele crê não se perca, mas tenha a vida eterna» (Jo 3, 16). Sim! Deus ama cada pessoa e, por isso, é incondicionalmente digna de viver. «O sangue de Cristo ao mesmo tempo que revela a grandeza do amor do Pai, manifesta como o homem é precioso aos olhos de Deus e como seja inestimável o valor da sua vida» (Enc. Evangelium vitæ, 25).


Na modernidade, porém, o homem quis subtrair-se ao olhar criador e redentor do Pai (cf. Gn 4, 14), fundando-se sobre si mesmo e não sobre o Poder divino. Quase como sucede nos edifícios de cimento armado sem janelas, onde é o homem que provê ao clima e à luz; e, no entanto, mesmo em tal mundo autoconstruído, vai-se beber aos «recursos» de Deus, que são transformados em produtos nossos. Que dizer então? É preciso tornar a abrir as janelas, olhar de novo a vastidão do mundo, o céu e a terra e aprender a usar tudo isto de modo justo. De facto, o valor da vida só se torna evidente, se Deus existe. 


Por isso, seria bom se os não-crentes quisessem viver «como se Deus existisse». Ainda que não tenham a força para acreditar, deviam viver na base desta hipótese; caso contrário, o mundo não funciona. Há tantos problemas que devem ser resolvidos, mas nunca o serão de todo, se Deus não for colocado no centro, se Deus não se tornar de novo visível no mundo e determinante na nossa vida. Aquele que se abre a Deus não se alheia do mundo e dos homens, mas encontra irmãos: em Deus caem os nossos muros de separação, somos todos irmãos, fazemos parte uns dos outros.

Meus amigos, gostava de concluir com estas palavras do Concílio Vaticano II aos homens de pensamento e de ciência: «Felizes os que, possuindo a verdade, a procuram ainda a fim de a renovar, de a aprofundar, de a dar aos outros» (Mensagem, 8 de dezembro de 1965). Tal é o espírito e a razão de ser do «Átrio dos Gentios». A vós comprometidos de várias maneiras neste significativo empreendimento, manifesto o meu apoio e dirijo o meu mais sentido encorajamento. O meu afeto e a minha bênção vos acompanham hoje e no futuro.  

Vaticano, 13 de novembro de 2012.


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terça-feira, 20 de novembro de 2012

O programa "Casa dos Segredos" não é um exemplo para as nossas crianças e jovens

Caros amigos, a maior crise em nossos bairros marginalizados não é a económica, mas sim de valores. Os valores que nos procuramos dar as famílias que ajudamos é muito mais importante que o dinheiro. O programa "Casa dos Segredos" não é um exemplo para as nossas crianças e jovens.

Na nossa opinião, enquanto o dinheiro for mais importante do que o amor, não será possível acabar com a crise de valores no mundo. Procuramos uma mudança comportamental: o caminho da mudança não está na sustentabilidade, como muitos costumam dizer, mas sim na ética. Decidir deixar tudo como está porque o caminho para a melhora é muito complexo e difícil de implementar...definitivamente não é ético.

Obrigado a todos. Estamos num Estado democrático, de direito, e todos podem opinar mas com respeito, sem respeito não há pluralidade de opinião e não há democracia e valores. O dinheiro não é todo para nós, temos meios para arranjar alimentos, roupas e agora estamos a arranjar brinquedos para as nossos crianças.

Queremos inculcar nas nossas crianças valores,o sentido da lealdade, o sentido de tratar as mulheres como pessoas e não como objectos, o sentido do sofrimento, o sentido do trabalho...essa é a nossa missão e deve ser respeitada. Obrigado, e cada caminhante que siga seu caminho. by Emergência Social


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Frase do dia

"Um só acto de amor feito numa fase de aridez vale mais do que cem em tempo de consolo."  

S. Pio de Pietrelcina


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domingo, 18 de novembro de 2012

Há bispos que não percebem latim - Cardeal Ravasi

«Os padres jovens? Também é por eles que diversos bispos lutam, embora no último sínodo tenha sido um pouco divertido ver como muitos bispos têm uma dificuldade quase estrutural para ler e compreender latim, mesmo entre os bispos europeus, e isto tratando-se simplesmente do latim eclesiástico, que é muito mais simples que a língua de Cícero...»

O cardeal Gianfranco Ravasi sorri com uma ponta de mágoa. Como presidente do Conselho da Cultura vaticano vai ser ele a controlar a nova "Academia Pontifícia de Latinidade" (Pontificia Academia Latinitatis) que Bento XVI instituiu sábado passado com um motu proprio no qual escreve (em latim, óbvio) que é «urgente» contrariar «o perigo de um conhecimento cada vez mais superficial». A Igreja, acrescenta o Papa, é desde há dois mil anos «guarda e promotora» do latim no mundo.

Eminência, o Papa fala dos seminários e em geral dos jovens e do «vasto mundo da cultura». Qual vai ser o papel da Academia?

«Já existiam várias instituições vaticanas como a Latinitas, agora extinta, mas neste momento vai-se rever toda a abordagem.

Antes de mais nada há um valor que se considera como permanente na humanidade: o latim – e o grego, naturalmente – é uma das matrizes absolutas da cultura europeia e ocidental.

Por isso o Santo Padre nomeou presidente da Academia um grande latinista como o professor Ivano Dionigi, reitor da Universidade de Bolonha. Não é apenas um problema eclesial».

Então, o que é que vai fazer?

«Em primeiro lugar, vamos apostar na difusão da alta cultura latina e dos seus conteúdos, que são inseparáveis do conhecimento da língua.

Cada tradução é sempre uma "belle infidèle", como dizia Gilles Ménage, por muito bela que seja é infiel. Eu diria que Agostinho perde metade da força. Pensemos nas Confissões: «nondum amabam, et amare amabam... quaerebam quid amarem, amans amare...», como é que se há-de traduzir? É como traduzir Dante. Agostinho está a dizer que ainda não amava de verdade porque não sabia qual fosse o objecto do seu amor, di-lo com a beleza musical da língua, da qual era um cultor apurado.

Enfim, desejamos recuperar todo o grande património cultural latino, clássico, patrístico e medieval: para o mundo. A Academia será ampliada a nível internacional, com diversas personalidades laicas.»

Bento XVI também fala dos seminários...

«Exacto, o segundo momento é ad intra. O latim foi e é a língua oficial da Igreja, estão em latim os escritos dos Padres, os documentos da tradição, os textos do Concílio, do magistério dos Papas, os livros litúrgicos...

Deseja-se um esforço maior nos seminários, é preciso fazer de modo a que consigam entender!»

Como é que se chegou a esta situação?

«Não é só culpa da Igreja, há um problema geral dos estudos humanísticos. Antes ao chegar ao estudo da teologia nos seminários tinha-se frequentado previamente o liceu clássico, mas depois deixou de ser assim, os cursos para compensar essa falta não bastaram, é preciso fazer mais. Mas há ainda um terceiro nível...»

Qual?

«A recuperação do latim na modernidade. Hoje existe o gosto de regressar à língua. Sabe que na Finlândia há cursos de duas semanas para jovens em latim?

O latim tem uma função formativa.

O inglês falado – não digo o inglês erudito – é uma simplificação, quase uma "twitterização" do pensamento.

O latim tem, pelo contrário, uma forte marca racional, a construção dos casos, os verbos, a consecutio temporum...

Por isso volta a ser proposto aos jovens».

Vai haver quem faça a ligação "latim" – "Igreja preconciliar"...

«Infelizmente vai acontecer. Podemos dizer que é uma recuperação do passado e do seu património, mas não podemos que é um gesto reaccionário nem estéril.

A beleza do latim não é alternativa ou contraposta à Igreja pós-conciliar.

Depois eu gostaria de saber se aqueles que participam nos ritos latinos se sentem capazes de traduzir os hinos de S. Ambrósio, tão refinados e complexos... E também eles fazem falta.»


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Frase do dia

"Para Ti, Senhor, elevei a minha alma: meu Deus, em Ti confio; não me envergonharei, nem se rirão de mim os meus inimigos, pelo que todos os que em Ti esperam não serão confundidos." 

Salmo 24 (25), 1-3


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sábado, 17 de novembro de 2012

Mais uma vida salva

Este bebé está vivo porque a mãe, já na clínica, desistiu de abortar. Por causa disso foi posta fora de casa! Uma paróquia de Orlando acolheu-os e toma conta dos dois. No entanto, estamos sempre a ouvir dizer que a Igreja é contra as mulheres.



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sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Discurso do Papa Bento XVI na Casa-família "Viva os idosos"


Caros irmãos e irmãs,

Estou muito satisfeito por estar com os senhores nesta casa-família da Comunidade de Santo Egídio, dedicada aos idosos. Agradeço ao vosso Presidente, professor Marco Impagliazzo, pelas calorosas palavras que me dirigiu. Além dele, saúdo o professor Andrea Riccardi, Fundador da Comunidade. Agradeço a presença o Bispo auxiliar do Centro histórico, Dom Matteo Zuppi, o Presidente do Pontifício Conselho para a Família, Dom Vincenzo Paglia, e todos os amigos da Comunidade de Santo Egídio.

Venho a vós como Bispo de Roma, mas também como ancião em visita aos seus pares. Conheço bem as dificuldades, os problemas e os limites desta idade, e sei que estas dificuldades, para muitos, estão agravadas pela crise económica. Por vezes, com uma certa idade, acontece voltar-se ao passado, recordando de quando se era jovem, como se tinha energia, fazia-se projetos para o futuro. Assim o olhar, às vezes, é velado com tristeza, considerando esta fase da vida como o tempo do pôr-do-sol. Esta manhã, dirigindo-me idealmente a todos os anciãos, embora com a consciência das dificuldades que a nossa idade comporta, gostaria de dizer-vos com profunda convicção: é belo ser idoso! Cada idade tem que saber descobrir a presença e a benção do Senhor e as riquezas que contém. Não é preciso aprisionar-se na tristeza! Recebemos o dom duma vida longa. Viver é belo também na nossa idade, apesar de alguma “doença” ou de alguma limitação. Na nossa face há sempre a alegria de nos sentirmos amados por Deus, nunca a tristeza.

Na Bíblia, a longevidade é considerada uma benção de Deus; hoje esta benção espalhou-se e deve ser vista como um dom para apreciar e valorizar.
No entanto, a sociedade muitas vezes, dominada pela lógica da eficiência e do lucro, não o acolhe como tal; de facto, muitas vezes rejeita-o, considerando os idosos como não produtivos, como inúteis. Muitas vezes sente-se o sofrimento de quem é marginalizado, vive longe da própria casa ou está na solidão. Penso que se deveria operar com maior empenho, começando pela família e pelas instituições públicas, para fazer com que os anciãos possam permanecer nas próprias casas. A sabedoria de vida da qual nós somos portadores é uma grande riqueza. A qualidade de uma sociedade, gostaria de dizer de uma civilização, é julgada também pelo modo como os idosos são tratados e pelo lugar reservado a eles no viver comum. Quem abre espaço para os idosos abre espaço à vida! Quem acolhe os anciãos acolhe a vida.

A Comunidade de Santo Egídio, desde o seu início, apoiou o caminho de tantos idosos, ajudando-os a ficar em seus ambientes de vida, abrindo várias casas-família em Roma e no mundo. Através da solidariedade entre os jovens e idosos, ajudou a fazer compreender como a Igreja é efectivamente família de todas as gerações, na qual cada um deve sentir-se “em casa” e onde não reina a lógica do lucro ou do ter, mas aquela da gratuidade e do amor. Quando a vida se torna frágil, nos anos da velhice, não perde o seu valor e a sua dignidade: cada um de nós, em qualquer etapa da existência, é querido, é amado por Deus, cada um é importante e necessário (cfr Homilia pelo início do Ministério Petrino, 24 de abril de 2005).

A visita de hoje acontece no ano europeu do envelhecimento activo e da solidariedade entre as gerações. E neste contexto quero reiterar que os idosos são um valor para a sociedade, sobretudo para os jovens. Não pode haver verdadeiro crescimento humano e educação sem um contacto fecundo com os idosos, porque a sua própria existência é como um livro aberto no qual as jovens gerações podem encontrar preciosas orientações para o caminho da vida.

Queridos amigos, na nossa idade fazermos a própria experiência da necessidade de ajuda dos outros; e isto vem também para o Papa. No Evangelho lemos que Jesus disse ao apóstolo Pedro: “Quando eras novo, cingias-te e ias aonde querias. Mas, quando fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá e te levará para onde não queres” (Jo 21, 18). O Senhor se referia ao modo com o qual o Apóstolo tinha testemunhado a sua fé até o martírio, mas esta frase faz-nos refletir sobre o facto de que a necessidade de ajuda é uma condição do ancião. Gostaria de convidá-los a ver também nisso um dom do Senhor, porque é uma graça ser apoiado e acompanhado, sentir o afecto dos outros! Isto é importante em cada fase da vida: ninguém pode viver sozinho e sem ajuda; o ser humano é relacional. E nesta casa vejo, com prazer, que quantos ajudam e quantos são ajudados formam uma única família, que tem como seiva vital o amor.

Caros irmãs e irmãos anciãos, às vezes os dias parecem longos e vazios, com dificuldade, poucos compromissos e reuniões; não desanimem nunca: vocês são uma riqueza para a sociedade, também no sofrimento e na doença. E esta fase da vida é um dom também para aprofundar a relação com Deus.
O exemplo do beato João Paulo II foi e ainda é esclarecedor para todos. Não esqueçam que entre os recursos preciosos que vocês têm, está aquele que é essencial da oração: tornar-se intercessores junto a Deus, rezando com fé e com constância. Rezem pela Igreja, também por mim, pelas necessidades do mundo, pelos pobres, para que no mundo não tenha mais violência. A oração dos idosos pode proteger o mundo, ajudando-o, talvez, de modo mais incisivo que o trabalho de muitos. Gostaria de confiar hoje à vossa oração o bem da Igreja e a paz do mundo. O Papa ama-vos e conta com todos vocês! Sintam-se amados por Deus e saibam levar nesta nossa sociedade, muitas vezes tão individualista e tecnicista, uma luz do amor de Deus. E Deus estará sempre convosco e com quantos vos apoiam com o seu afecto e com a sua ajuda. Confio todos vós à materna intercessão da Virgem Maria, que acompanha sempre o nosso caminho com o seu amor materno, e de bom grado concedo a cada um a minha Benção Apostólica. Obrigado a todos!


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Frase do dia

"O sofrer é de todos. O saber sofrer é de poucos." 

S. Pio de Pietrelcina


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quinta-feira, 15 de novembro de 2012

7000 católicos de joelhos nas ruas de Paris

"A república é laica, a França é católica"



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Como podemos construir a Nova Cultura e a Nova Civilização

As eleições da semana passada mostraram-nos que a maioria da América não está connosco. As votações e o eleitorado vão tender para questões abertamente defendidas pelo Presidente Obama (abortos, fundos da Planned Parenthood, contracepção, falsas formas de casamento, mandatos imperativos de consciência, etc.). Não vamos ganhar a cultura para Cristo através do GOP [Partido Republicano] ou ligando-nos a um Mormon. Sabemos isso bem. O que é que devem fazer em relação a isso?

A minha resposta para todos os jovens leigos: tenham muitos e muitos bébés Católicos. Desliguem a televisão. Joguem jogos com eles. Tragam o Baltimore Catechism  [Catecismo usado nos Estados Unidos desde o séc XIX]. Ensinem-nos. Abracem-nos. Amem-nos. Não discutam com a vossa mulher à frente deles. Rezam o Terço todas as noites com eles? Rezar o Terço devia ser como respirar. Simplesmente façam-no. Mesmo que estejam cansados. Rezem o Terço. Leiam a Bíblia em família. Leiam a Douay Rheims - e não nenhuma versão efeminada.

Aprendam Latim vocês mesmos. Ensinem Latim aos vossos filhos. Não vão a Missas onde há abusos litúrgicos. A má liturgia ensina às vossas crianças que as coisas de Deus não são importantes - que as coisas de Deus são simplesmente uma questão dos caprichos de um homem. Formem rapazes homens e raparigas femininas. Levem os vossos filhos à caça e à pesca. Deixem-nos matar um animal. Levem as vossas filhas aos encontros com os rapazes. Mostrem-lhes que são senhoras. Rejeitem os anúncios dos media sensualizados. Não deixei a imundície tóxica entrar na vossa sala de estar. Vigiem.

Portanto aqui é para ter muitos bébés Católicos. Construam a nova cultura. A Cultura da Morte vai morrer. O que é que a substituirá? Isso cabe-nos a nós, com a graça de Deus. by Dr. Taylor Marshall


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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Carta a Tito 3,1-7

Caríssimo: Recorda-lhes que sejam submissos e obedientes aos governantes e autoridades, que estejam prontos para qualquer boa obra, que não digam mal de ninguém, nem sejam conflituosos, mas sejam afáveis, mostrando sempre amabilidade para com todos os homens. Pois também nós éramos outrora insensatos, rebeldes, extraviados, escravos de toda a espécie de paixões e prazeres, vivendo na maldade e na inveja, odiados e odiando-nos uns aos outros. 

Mas, quando se manifestou a bondade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com os homens, Ele salvou-nos, não em virtude de obras de justiça que tivéssemos praticado, mas da sua misericórdia, mediante um novo nascimento e renovação do Espírito Santo, que Ele derramou abundantemente sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que, justificados pela sua graça, nos tornemos, segundo a nossa esperança, herdeiros da vida eterna.


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Rio de Janeiro - 27/10/2012




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terça-feira, 13 de novembro de 2012

"Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer"

Naquele tempo, disse o Senhor: «Qual de vós, tendo um servo a lavrar ou a apascentar gado, lhe dirá, quando ele regressar do campo: 'Vem cá depressa e senta-te à mesa'?
Não lhe dirá antes: 'Prepara-me o jantar e cinge-te para me servires, enquanto eu como e bebo; depois, comerás e beberás tu'?
Deve estar grato ao servo por ter feito o que lhe mandou?
Assim, também vós, quando tiverdes feito tudo o que vos foi ordenado, dizei: 'Somos servos inúteis; fizemos o que devíamos fazer.'» (Lc 17,7-10)


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Coro polifónico canta para o Papa Bento XVI




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segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Deus não me pede nada, mas espera tudo - Rui Corrêa d'Oliveira

Conta-nos S. Marcos que Jesus se sentou diante da caixa das esmolas
a observar quem dava e quanto dava.
Os ricos davam muito e uma pobre viúva deu quase nada.

O que mais me comove é a maneira como Jesus relata aos discípulos o que viu:
a «… viúva, na sua pobreza, ofereceu tudo o que tinha,
tudo o que possuía para viver»

Fizeram bem os mais ricos em dar avultadas quantias.
Mas a surpresa vem-nos da coragem da viúva,
só possível em quem confia plenamente na Misericórdia de Deus,
de «dar tudo o que tinha.»

E eu? Quanto teria dado?
Na melhor das hipóteses uma quantia razoável.
E o que é que Jesus esperava de mim?
Certamente o mesmo que a viúva deu.

Deus não me pede nada, mas espera tudo.
Deus não me cobra nada, mas porque me dá tudo,
não se contenta com menos do que tudo.

E eu que tanto Lhe peço e que tanto d’Ele tenho recebido,
nego-lhe este tudo, guardando sempre alguma coisa para mim.

Mas, ainda que desse tudo o que tenho, não daria tudo.
Dar tudo é dar a vida.
E «para que serve a vida, senão para ser dada?»


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O miserabilismo português e Isabel Jonet – Catarina Nicolau Campos

Historicamente, não foi há muito tempo. Nas décadas de 30 e 40 do séc. XX, há 70 anos, por razões várias o povo português obrigou-se a tempos difíceis, que resultaram, entre outras coisas, a racionamento de bens de consumo, nomeadamente de 1ª necessidade.

FILA PARA SENHAS DE RACIONAMENTO,
LISBOA 1943
Racionava-se a quantidade de açúcar por família (apenas algumas colheres por semana), o pão, se branco, era a 120 gr por pessoa, por dia. As batatas, meio quilo por pessoa, por semana. Frutas, nem vê-las e o peixe - "uma sardinha dá para três pessoas".

Quanto à carne, raríssima, limitava-se aos toucinhos (parte menos nobre, mais barata, mas altamente calórica, e por isso, mais compensadora) e as refeições normais seriam batatas com couves, simplesmente. Excluem-se deste esquema, claro está, as famílias mais abastadas, que comeriam cozidos completos todos os dias.

A arraia miúda, essa, de acordo com os autos da época, teve que arranjar outras soluções. Cultivar os legumes e as frutas, criar animais que dessem leite e outros de pequeno porte que permitissem alimento e uma criação relativamente rápida: coelhos, galinhas, etc. Sobreviveram. Nós cá estamos para contar a história, Portugal não se extinguiu.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. O desenvolvimento e o progresso económico e científico permitiram acabar com as elevadas taxas de mortalidade infantil, ajudaram a melhorar as condições de vida das populações, a saúde, alimentação. A esperança média de vida aumentou significativamente, os cuidados médicos avançados e generalizados travaram a proliferação de doenças que outrora dizimavam cidades inteiras.

Saltando no tempo, em '86 entrámos na CEE e também numa era idealista. De repente, o problema não era a falta, mas a fartura. Já não éramos os magrinhos desnutridos da década de 40, mas sim os gordos que não paravam de comer e depressa se estavam a tornar obesos. Uma obesidade mórbida, que conduziu a que os órgãos vitais começassem a falhar. E o que se passou a nível do Estado contaminou-se aos particulares. Também comeram demasiado, estão muito gordos, já não se conseguem mexer e muito lhes custa respirar.

A dra. Isabel Jonet falou à televisão aqui e explicou muito bem o que se passa no nosso país. Se há alguém que percebe de miséria, é a dra. Isabel Jonet. Abdicou de uma carreira brilhante para, há 20 anos, ajudar uma instituição privada de Solidariedade Social que desse de comer a quem tem fome. 

Sim, foi a primeira a reconhecer que havia fome em Portugal, e que ela, enquanto portuguesa, não podia ficar de braços cruzados. Preside ao Banco Alimentar, trabalha em regime de voluntariado, não recebe 1 cêntimo e, desde então, tem sido o porto seguro de muitas famílias portuguesas que verdadeiramente vivem na miséria. Sem dúvida que os cortes dos subsídios, o desemprego e a falta de rendimentos tem sido dramático para as famílias. Porque há contas para pagar, creches, escolas, livros, gasóleo, passes, comida. Mas a maior parte das pessoas que tem surgido nestas manifestações não está nessa situação. A maior parte, repito.

Tal como disse a dra. Isabel Jonet, temos que aprender a viver com menos. Como? Direi num próximo post.
A Geração à Rasca está desempregada, mas computador e internet não faltam em casa, quanto mais não seja para convocar manifestações de desagrado no Facebook. Não faltam a Zon ou a Meo, para poder ver as séries todas, os jogos, as notícias. 

Ou as idas obrigatórias ao Optimus Alive, ao SuperBockSuperRock, ao RiR, ao Sudoeste. O que disse a Presidente do Banco Alimentar foi, pura e simplesmente, a verdade. Mas foi apelidado de "inacreditável".  Pois na minha opinião, inacreditável é a resposta dessa ínclita Geração: um boicote às Campanhas do Banco Alimentar. Pelos vistos não só falta dinheiro, mas também virtudes e alguma noção. É pena.

Somos egoístas, e não reconhecemos o valor do sacrifício. Não sabemos ser optimistas e reconhecer nos momentos de crise, oportunidades. Não queremos saber do impacto que temos na vida dos outros, desde que os interesses pessoais sejam satisfeitos. Ficamos cegos se nos interessa. Queremos destruir e não somos capazes de pegar num tijolo e projectar uma catedral.

Tal como dizia Fernando Pessoa, que tão bem nos conhecia: 
O povo nunca é humanitário. O que há de mais fundamental na criatura do povo é a atenção estreita aos seus interesses, e a exclusão cuidadosa, praticada sempre que possível, dos interesses alheios.

Estamos (somos!) mais miseráveis agora, do que quando o pão escasseava.


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domingo, 11 de novembro de 2012

Frase do dia

"O pouco que os padres se importam do respeito devido à Missa, faz com que os outros também a desprezem." 

S. Afonso Maria de Ligório


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sábado, 10 de novembro de 2012

Dia de São Leão Magno




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O Matrimónio Natural, Património Mundial – P.Gonçalo Portocarrero

O casamento é, na actualidade, objecto de discussão nos fóruns políticos, onde se reclama, em nome da liberdade, o direito ao que alguns entendem como novas formas de matrimónio. Para os que defendem tal equiparação, o casamento monogâmico, ordenado à procriação e educação dos filhos, seria apenas um modelo de matrimónio, sendo de admitir outros, nomeadamente o que institucionalizaria a união afectiva entre duas pessoas do mesmo sexo, mesmo que, por este motivo, ficasse excluída a priori a eventualidade da geração.

É razoável que o matrimónio conheça, no ordenamento jurídico positivo, outros contornos que não os da família tradicional, mas importa não esquecer que, em termos conceptuais, o casamento é, de per si, uma instituição que obedece necessariamente a certos requisitos essenciais. O matrimónio tradicional corresponde a um modelo histórico de casamento e, como tal, é discutível, mas há certamente alguma coisa que caracteriza a união esponsal e a distingue de todas as outras uniões. É essa essência da união matrimonial que se pode designar, com propriedade, o casamento natural. É portanto necessário identificar o que é essencial no casamento, por ser natural, e o que no seu regime jurídico é acidental, por ser meramente histórico ou circunstancial.

Mesmo os sistemas legais mais modernos não outorgam o estatuto de união matrimonial às relações existentes entre parentes próximos – como seria o caso de irmãos, pais e filhos, avós e netos, etc. – não porque ignorem que entre essas pessoas possa existir um autêntico amor, mas porque entendem que esse sentimento não é susceptível de constituir um verdadeiro casamento. É também pacífico admitir que uma união poligâmica ou poliândrica é inaceitável, não por razões de ordem ideológica ou confessional, mas porque uma tal associação é contrária à essência do matrimónio natural. Uma razão análoga é a que obriga à disparidade de sexos entre os nubentes, não por uma questão religiosa ou cultural, mas por uma exigência natural que decorre, com necessidade, da própria essência do pacto nupcial e que, por isso, não é reformável. Com efeito, o matrimónio natural é a união de um só homem com uma só mulher, em igualdade de dignidade e diversidade de funções.

A diferenciação sexual exige-se em função da complementaridade que é essencial ao casamento, mas também da sua fecundidade, porque o matrimónio não é dissociável da finalidade procriativa, apenas realizável quando a união se estabelece entre pessoas de diferente sexo. O casamento, mais do que amor ou união, é o pacto em virtude do qual a mulher se capacita para ser mãe, isto é «mater», a palavra latina que, muito significativamente, é a raiz etimológica do termo «matrimónio».

Os gregos e os romanos, que conheciam e toleravam as uniões de facto entre pessoas do mesmo sexo, nunca tiveram a veleidade de lhes reconhecer o estatuto jurídico do casamento: seria absurdo considerar matrimonial a união homossexual, na medida em que esta, por se estabelecer entre pessoas do mesmo sexo, não é apta para a geração. Portanto, a aptidão da união matrimonial para a prole não decorre de uma histórica intromissão religiosa ou cultural, mas da mesma essência natural do matrimónio. Seria aberrante, não só juridicamente mas também em termos lógicos, considerar que dois homens possam constituir um matrimónio. Aliás, também na linguagem popular, um casal não são dois machos ou duas fêmeas, mas um de cada, precisamente porque só essa união é prolífica.

Admitir um direito subjectivo universal ao matrimónio é um contra-senso: se é verdade que todos os cidadãos têm, em princípio, direito a optar pelo estado matrimonial, é evidente que o exercício dessa sua faculdade só é pertinente quando observam os requisitos essenciais do matrimónio. Qualquer pessoa é livre de comprar ou de doar, mas não pode pretender comprar sem se obrigar à entrega do preço do bem adquirido, nem querer doar a troco de uma compensação pecuniária, porque qualquer uma destas exigências contraria a essência do respectivo contrato, na medida em que a compra pressupõe sempre uma contra-prestação e a doação é, por definição, gratuita.

Discuta-se, se se quiser, o que há de histórico e cultural e até religioso na configuração jurídica da instituição civil do matrimónio, mas não se esqueça o que neste instituto é essencial, por ser natural. Admita-se, no limite, a institucionalização de uma sui generis união de pessoas do mesmo sexo, mas não à custa da perversão da instituição matrimonial.

O casamento cristão é, talvez, uma modalidade discutível, nomeadamente numa sociedade que já não se pauta pelos princípios evangélicos e, pelo contrário, faz questão em se afirmar laica e multicultural. O casamento tradicional é certamente um modelo respeitável, mas é legítimo que uma sociedade pós-moderna não se reveja em figurinos de outras eras. Mas o casamento natural não é mais um tipo de união matrimonial, mas a essência de todo e qualquer casamento e, por isso, um bem universal que, como a natureza ambiental, faz parte do património da humanidade.


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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Saber vencer-se todos os dias - São Josemaria Escrivá

Não é espírito de penitência fazer uns dias grandes mortificações e abandoná-las noutros. Espírito de penitência significa saber vencer-se todos os dias, oferecendo coisas – grandes e pequenas – por amor e sem espectáculo. (Forja, 784)

Mas ronda à nossa volta um potente inimigo, que se opõe ao nosso desejo de encarnar dum modo acabado a doutrina de Cristo: o orgulho que cresce quando não procuramos descobrir, depois dos fracassos e das derrotas, a mão benfeitora e misericordiosa do Senhor. Então a alma enche-se de penumbra – de triste obscuridade – crendo-se perdida. E a imaginação inventa obstáculos que não são reais, que desapareceriam se os encarássemos com um pouco de humildade. Com o orgulho e a imaginação, a alma mete-se por vezes em tortuosos calvários; mas nesses calvários não está Cristo, porque onde está o Senhor goza-se de paz e de alegria, mesmo que a alma esteja em carne viva e rodeada de trevas.

Outro inimigo hipócrita da nossa santificação: pensar que esta batalha interior tem de dirigir-se contra obstáculos extraordinários, contra dragões que respiram fogo. É outra manifestação de orgulho. Queremos lutar, mas estrondosamente, com clamores de trombetas e tremular de estandartes. Temos de nos convencer de que o maior inimigo da pedra não é o picão ou o machado, nem o golpe de qualquer outro instrumento, por mais contundente que seja: é essa água miúda, que se mete, gota a gota, entre as gretas da fraga, até arruinar a sua estrutura. (Cristo que passa, 77)


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Somos uns meninos

Ao estudar as actas dos interrogatórios feitos aos cristãos, nas perseguições do Império Romano, percebemos que muitos deles, quando lhes perguntavam o nome respondiam: Cristianus

Numa época em que ser cristão era motivo suficiente para ser morto, dizer logo à partida que se é cristão, sem tentar esconder para tentar salvar a pele, é uma enorme prova de coragem. Nós se somos os únicos cristãos no nosso grupo de amigos muitas vezes ficamos envergonhados de afirmar a nossa Fé. Somos uns meninos!

João Silveira


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quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Eutanásia financeira - António Bagão Félix

A economia da saúde está cada vez mais dependente da saúde da economia. Daí a necessidade de uma séria ponderação do custo-benefício e da equidade da despesa. Nada de incomum, mas com a enorme diferença de aqui estar em jogo o mais absoluto valor: o da vida.

Vem isto a propósito do parecer do Conselho de Ética para as Ciências da Vida sobre a utilização de medicamentos oncológicos, contra a sida e artrite reumatóide, responsáveis por parte significativa do gasto com fármacos.

A ideia do parecer – e das declarações do seu presidente – é a de que deve haver “racionamento ético” (foi o termo) no seu uso quando se trata de prolongar a vida dos doentes. Propõe-se que em “diálogo e com toda a transparência” (sic!) com os doentes se “negoceie” a medida terminal da vida: “viver mais 1 mês custa X, 3 meses custa Y. O que acha, meu caro doente?”

O espartilho orçamental não justifica tudo. E muito menos visões redutoras do valor da vida.

Imersa na primazia da quantidade, a pessoa humana é reduzida à condição indigna de instrumento ou meio. Deixa de ser vista como princípio, sujeito e fim de toda e qualquer acção.

A ética de cuidar não se esgota na ética de curar. Se esta forma de “eutanásia financeira” faz doutrina, que futuro para os cuidados paliativos e continuados?

Este é o país onde, na lei, se desvaloriza a vida antes do nascimento. Agora quer-se desvalorizá-la antes da morte. Com uma desumana equação de euros versus um pedaço de vida.

Este é o país onde há dinheiro para o aborto voluntário e respectiva licença da Seguança Social. Mas, ao mesmo tempo, se quer “tabelar”, por razões financeiras, o tempo final da vida. Qualquer “troika” não faria melhor…


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Frase do dia

Christian Americans: nevermind who is your president, remember who is your King


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terça-feira, 6 de novembro de 2012

O sucesso - São João Crisóstomo

Se hoje não tiver persuadido o meu auditório, talvez o venha a fazer amanhã, daqui a três ou quatro dias, ou até mais tarde. O pescador que inutilmente tenha lançado as redes o dia todo, à noitinha, antes mesmo de partir, por vezes apanha o peixe que não conseguiu apanhar durante o dia. E, mesmo que não obtenha boas colheitas durante vários anos, o agricultor não deixa de trabalhar a terra, porque acontece amiúde num só ano conseguir suplantar com abundância todas as perdas anteriores.

Deus não nos pede para sermos bem-sucedidos, mas para sermos trabalhadores, e o nosso trabalho não será menos recompensado só porque ninguém nos escuta. [...] Cristo sabia muito bem que Judas não converteria e, no entanto, tentou convertê-lo até ao fim, censurando-lhe a sua falta nos mais tocantes termos: «Amigo, a que vieste!» (Mt 26,50 [Vulgata]); ora, se Cristo, modelo dos pastores, trabalhou até ao fim na conversão dum homem desesperado, o que não devemos nós fazer por aqueles nos quais nos é pedido que ponhamos sempre a nossa esperança?


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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Frase do dia

"To an atheist the universe is the most exquisite masterpiece ever constructed by nobody." 

G.K. Chesterton


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Quando um bebé inocente é visto como um castigo




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