sexta-feira, 19 de julho de 2019

O amor de Tolkien ao Santíssimo Sacramento

Da escuridão da minha vida, com todas as frustrações, coloco diante de vocês a maior coisa a ser amada nesta terra: o Santíssimo Sacramento. Aí encontrarão romance, glória, honra, fidelidade e o verdadeiro caminho para todos os seus amores nesta terra.

J.R.R. Tolkien in 'Carta a Michael Tolkien' (6-9 Março 1941) 


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Quem és tu, meu Deus?

Santo Agostinho, além de um dos maiores santos de todos os tempos, foi um dos melhores escritores da História da Humanidade. As suas "Confissões" relatam - com toda a eloquência que o génio humano consegue atingir - a história de alguém apaixonado por Deus. Logo no início, no capítulo I, o santo pergunta "Quem és tu, meu Deus?", dando, em seguida, a resposta: 

Altíssimo, boníssimo, poderosíssimo, omnipotente ao extremo; 
misericordiosíssimo, mas extremamente justo; 
misteriosíssimo, mas sempre presente; 
belíssimo, mas extremamente forte; 
estável, mas incompreensível; 
imutável, mas mudando tudo; 
nunca novo, nunca velho; 
tudo renovando e envelhecendo os orgulhosos, que não se dão conta disso; 
sempre actuando, sempre em repouso; 
sempre acumulando, sem precisar de nada; 
sustentando, enchendo e sempre te espalhando; 
criando, nutrindo e amadurecendo; 
buscando, mas tendo tudo. 

Tu amas, mas sem paixão; 
és zeloso, sem ansiedade; 
arrependes-te mas não te afliges; ficas irado, mas sereno; 
mudas as tuas obras, mas o teu propósito não muda; 
recebes de volta o que encontras, sem nunca tê-lo perdido; 
nunca estás necessitado, mas os lucros de alegram; 
jamais cobiças, mas cobras juros. 

Tu recebes mais do que o devido, para que possas dever; 
e quem tem o que quer que seja que não seja teu? 

Tu pagas dívidas, sem nada dever; 
perdoas dívidas, sem nada perder! 

E o que acabei de dizer, meu Deus, minha vida, minha alegria?

Santo Agostinho de Hipona in 'Confissões' (I, 4)


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quinta-feira, 18 de julho de 2019

Ordenações sacerdotais nos Institutos Tradicionais em 2019

Não param de crescer as vocações sacerdotais para celebrar a Liturgia Romana Tradicional. Até agora, em 2019, foram ordenados 38 novos sacerdotes nos seguintes Institutos:

Fraternidade Sacerdotal de São Pedro (FSSP) - 11 novos sacerdotes

Fraternidade Sacerdotal de São Pio X (FSSPX) - 13 novos sacerdotes

Fraternidade Sacerdotal de São Vicente Ferrer (FSVF) - 1 novo sacerdote (dominicano)

Instituto do Bom Pastor (IBP) - 1 novo sacerdote 

Instituto de Cristo Rei Sumo Sacerdote (ICRSS) - 7 novos sacerdotes

Abadia Beneditina de Santa Madalena de Barroux (OSB) - 1 novo sacerdote (beneditino)  

Frades Franciscanos (diocese de Portsmouth) - 4 novos sacerdotes
Fotografias: Messa in Latino


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O humilde São Camilo de Lellis, padroeiro dos doentes

São Camilo de Lellis foi um religioso italiano. Fundou a Ordem São Camilo. É o padroeiro dos enfermos e dos hospitais. Foi declarado santo no dia 29 de Junho de 1746, pelo Papa Bento XIV. 

São Camilo, nasceu em Bacchianico, cidade do Reino de Nápoles, Itália, no dia 25 de Maio de 1550. Com 6 anos de idade perdeu o pai, oficial do exército. Mal sabia ler e escrever, alistou-se no exército e, com apenas 18 anos, tomou parte numa campanha contra os turcos.

Gravemente doente, voltou a Roma, onde foi internado no hospital dos incuráveis. A paixão pelo jogo fez com que o demitissem daquele estabelecimento. Posto na rua, doente, pobre, procurou serviço como servente de pedreiro, trabalhando em seguida numa casa que os capuchinhos estavam construindo. Uma conversa que teve com o guardião do convento abriu-lhe os olhos. Largou do jogo, fez penitência e invocou a misericórdia divina. Camilo tinha então 25 anos.

Entrou na Ordem dos Capuchinhos, onde fez o noviciado e passou depois para os Franciscanos. Estes, não lhe consentiram a permanência na Ordem, por causa de uma úlcera que tinha no pé, e que pelos médicos fora declarada incurável. Dirigiu-se ao Hospital Santiago, em Roma, onde foi internado e como não tinha dinheiro ofereceu-se para trabalhar como servente e enfermeiro. Dedicou-se exclusivamente ao serviço dos enfermos.

Observando que os pobres doentes sofriam muitas privações, em 1582 Camilo começou a procurar pessoas que aceitassem socorrer os pobres e doentes e criou uma Irmandade que teve o apoio do Papa Sisto V. Os primeiros irmãos eram leigos, mas em seguida alguns sacerdotes se juntaram à Irmandade. Adquiriram uma casa, onde moravam em comunidade. A Irmandade cresceu tanto que, em pouco tempo, Camilo teve que abrir novos Institutos na Itália, Sicília e outras partes da Europa. Seguindo ainda o conselho de São Filipe Néri e o exemplo de Santo Inácio, apesar dos seus 32 anos, voltou ao estudo e foi ordenado Sacerdote.

Por causa da peste em Roma, embora doente e sofrendo dores horríveis no pé, ia de casa em casa, procurando, socorrendo e consolando os pobres doentes. Numerosos foram os casos, em que foi visto levando nas costas os doentes ao hospital, onde os tratava com a maior dedicação. Quando a peste chegou a Milão e Nola, Camilo acompanhou-a levando consigo a caridade e o zelo apostólico. Muitos doentes recuperaram a saúde só pela palavra e oração do Sacerdote. 

Em 1591, o Papa Gregório XIV reconheceu a Irmandade como uma Ordem Religiosa.

Camilo era humilde e, por causa da humildade era muito querido em Roma. Chorando sempre os pecados da mocidade, dizia-se indigno de morar entre os homens e ser merecedor do Inferno. Palavras de elogios entristeciam e irritavam o sacerdote. Não permitia que o chamassem fundador de uma Ordem. Camilo era caridoso para com os outros e severo para consigo.

Muito doente e desenganado pelos médicos, Camilo recebeu o Santo Viático das mãos do Cardeal Ginnasi, protector da Irmandade. Vendo a sagrada Hóstia disse, com as lágrimas nos olhos: "Alegro-me por me terem dito que entrarei na casa do Senhor. Reconheço, Senhor, que sou dos pecadores o mais indigno de receber a vossa graça".

Camilo de Lellis faleceu em Roma no dia 14 de Julho de 1614 no Convento da Madalena. Enquanto os médicos preparavam o seu corpo para ser sepultado, perceberam que a úlcera de seu pé havia desaparecido. O seu coração foi trasladado para Bacchianico. 

in ebiografia.com


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quarta-feira, 17 de julho de 2019

O "pacifismo" islâmico desde a morte de Maomé até à Primeira Cruzada

Século VII

632: Maomé morre.
633: Mesopotâmia cai face à invasão muçulmana. Segue-se a queda de todo o Império Persa.
635: Damasco cai.
638: Jerusalém é capitulada.
643: Alexandria cai terminando assim 100 anos de cultura helénica.
648: Chipre é atacado.
649: Chipre cai.
653: Rodas cai.
673: Constantinopla é atacada.
698: Todo o Norte de África é tomado pelos muçulmanos. São apagados os vestígios de cultura romana.

Século VIII

711: Hispânia é atacada. O Reino Visigodo colapsa.
717: Os muçulmanos atacam Constantinopla de novo e são repelidos pelo Imperador Leão III.
720: Narbona cai.
721: Saragoça cai. Avistam-se muçulmanos em França.
732: Bordéus é atacada e as suas igrejas queimadas. Carlos Martel e o seu exército detêm os muçulmanos. Os ataques em França continuam.
734: Avinhão capturada por uma expedição muçulmana.
743: Lião é saqueada.
759: Os árabes são expulsos de Narbona.

Século IX

800: Começam as incursões muçulmanas na península itálica. As ilhas de Ponza e Ísquia são saqueadas.
813: Civitavecchia, o porto de Roma, é saqueado.
826: Creta cai perante as forças muçulmanas.
827: Os muçulmanos começam a atacar a Sicília (sul da península itálica).
837: Nápoles repele um ataque muçulmano.
838: Marselha saqueada e conquistada.
840: Bari cai.
842: Messina capturada e o estreito de Messina controlado pelos muçulmanos.
846: Os esquadrões muçulmanos chegam a Óstia, na foz do Tibre, e saqueiam Roma e a Basílica de São Pedro. Tarento, na Apúlia, é conquistada pelas forças muçulmanas.
849: O exército do Papa repele uma frota muçulmana na foz do Tibre.
853-871: A costa italiana desde Bari até Reggio Calabria é controlada pelos sarracenos. Os muçulmanos semeiam o terror no Sul de Itália.
859: Os muçulmanos tomam controlo de toda a Messina.
870: Malta capturada pelos muçulmanos. Bari reconquistada aos muçulmanos pelo Imperador Luis II.
872: O Imperador Luis II derrota uma frota sarracena em Cápua. As forças muçulmanas devastam a Calábria.
878: Siracusa cai após um cerco de 9 meses.
879: O Papa João VIII é obrigado a pagar aos muçulmanos um tributo anual de 25000 mancusos (cerca de 625000 dólares americanos modernos).
880: Os comandantes bizantinos conseguem uma vitória em Nápoles.
881-921: Os muçulmanos capturam uma fortaleza em Âncio e saqueiam as terras circundantes sem retaliações durante 40 anos.
889 Toulon capturada.

Século X

902: As frotas muçulmanas saqueiam e destroem Demétrias, na Tesalia, Grécia central.
904: Tesalónica cai perante as forças muçulmanos.
915: Após 3 meses de bloqueio, as forças cristãs saem victoriosas contra os sarracenos entrincheirados na sua fortaleza no norte de Nápoles.
921: Peregrinos ingleses a caminho a Roma são esmagados por uma derrocada de rochas causada pelos sarracenos nos Alpes.
934: Génova atacada pelos muçulmanos.
935: Génova conquistada.
972: Os sarracenos são finalmente expulsos de Fraxineto.
976: O Califa do Egipto envia novas expedições muçulmanas ao sul de Itália. O Imperador Oto II, que tinha o seu quartel general em Roma, consegue derrotar os sarracenos.
977: Sérgio, arcebispo de Damasco, é expulso da sua sede pelos muçulmanos.
982: As forças do Imperador Oto II são emboscadas e derrotadas.

Século XI

1003: Os muçulmanos de Espanha saqueiam Antibes, em França.
1003-1009: Hordas de saqueadores sarracenos provenientes de bases na Sardenha atacam a costa italiana desde Pisa até Roma.
1005: Os muçulmanos da Espanha saqueiam Pisa.
1009: O Califá do Egipto ordena a destruição do Santo Sepulcro em Jerusalém, o túmulo de Jesus.
1010: Os sarracenos apoderam-se da Cosença, no Sul da Itália.
1015: A Sardenha cai completamente em poder muçulmano.
1016: Os muçulmanos de Espanha saqueiam de novo Pisa.
1017: Frotas de Pisa e Génova dirigem-se à Sardenha e encontram os muçulmanos a crucificar cristãos e expulsam o líder muçulmano. Os sarracentos tentarão retomar a Sardenha até 1050.
1020: Os muçulmanos de Espanha saqueiam Narbona.
1095: O Imperador bizantino Aleixo I Comneno pede ao Papa Urbano II ajuda contra os turcos.
1096: É proclamada a Primeira Cruzada.


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Crianças indesejadas?

Há quem diga que é melhor que uma criança seja abortada do que indesejada. Mas quantos de nós não teremos sido "indesejados" quando foi descoberta a nossa existência? E isso faz-nos melhores ou piores do que os que foram "desejados"? Faz com que as vidas dos que foram "indesejados" valham menos?

A dignidade da vida humana não depende dos "desejos" das outras pessoas, a vida humana tem valor em si mesma. Qualquer ser humano é feito à imagem e semelhança de Deus. Qualquer ser humano foi pensado por Deus desde sempre. Qualquer ser humano é único e irrepetível.

Como é que esta vida humana tão especial pode perder valor porque não é "desejada"? Porque "não dá jeito" que exista? Porque foi um "acidente"? Porque agora "não pode ser"? Quantos disseram isto ao início e depois passaram uma vida inteira a dar graças por terem acolhido a vida daquela criança?

Quando se sublinha a importância dos desejos que alguns têm em relação à vida de outro, o que se está a fazer é tirar importância à vida deste. A vida humana que já existe não é para ser desejada, é para ser amada.

João Silveira


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terça-feira, 16 de julho de 2019

Prisão, julgamento e martírio das Carmelitas de Compiègne

Vítimas da Revolução Francesa, as Carmelitas de Compiègne foram martirizadas no dia 17 de Julho de 1794 em Barrière de Vincennes, em Paris.

As 16 irmãs resistiram corajosamente aos revolucionários, inimigos de Deus e da Igreja. Subiram para a guilhotina cantando o hino "Veni Creator", com a certeza que as esperava a felicidade eterna por oferecerem a sua vida em defesa da Fé em Jesus Cristo.

As imagens são do filme 'Le dialogue des Carmélites', de 1960.



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Como receber e usar o Escapulário de Nossa Senhora do Carmo

No dia 16 de Julho de 1251, Nossa Senhora apareceu a São Simão Stock e disse:

"Recebe, diletíssimo filho, este Escapulário de tua Ordem como sinal distintivo e a marca do privilégio que eu obtive para ti e para todos os filhos do Carmelo; é um sinal de salvação, uma salvaguarda nos perigos, aliança de paz e de uma proteção sempiterna. Quem morrer revestido com ele será preservado do fogo eterno."

Qualquer pessoa pode usar o Escapulário, reduzido a um pequeno pedaço de pano. Deve, no entanto, rezar diariamente orações marianas, como por exemplo 3 Avé Marias antes de dormir, pela santa pureza.

Como receber e usar o Escapulário

1 - Qualquer padre tem poder para benzer e impor na pessoa o Escapulário.

2 - Essa bênção e imposição valem para toda a vida, portanto, basta recebê-lo uma vez.

3 - Quando o Escapulário se desgastar, basta substituí-lo por um novo.

4 - Mesmo quando alguém tiver a infelicidade de deixar de usá-lo durante algum tempo, pode simplesmente retomar o seu uso, não é necessária outra bênção.

5 - Uma vez recebido, ele deve ser usado sempre, de preferência no pescoço, em todas as ocasiões, mesmo enquanto a pessoa dorme.

6 - Em casos de necessidade extrema, como doentes em hospitais, se o Escapulário lhe for retirado, o fiel não perde os benefícios da promessa de Nossa Senhora.

7 - Em casos de perigo de morte, mesmo um leigo pode impor o Escapulário. Basta recitar uma oração a Nossa Senhora e colocar na pessoa um escapulário já bento por algum sacerdote.

Em 1910, São Pio X concedeu a permissão para se usar uma medalha de metal, devendo ter em uma das faces o Sagrado Coração e na outra a Santíssima Virgem. Deve ser levada ao pescoço ou de outra maneira conveniente, ganhando-se com o seu uso quase todas as indulgências e privilégios concedidos aos pequenos escapulários. O Santo Papa desse modo quis atender aos apelos dos missionários de zonas tórridas em favor dos nativos, porquanto os pedaços de lã dos escapulários ficavam logo em condições intoleráveis devido ao intenso calor, às vezes sendo ninho de vermes. 

Porém, para se gozar todos os privilégios, é necessário que se tenha recebido a bênção e a imposição do escapulário de lã. Ao contrário do que se dá com o escapulário de lã, no qual basta só o primeiro ser bento, cada medalha-escapulário que se troca precisa ser benta. A recepção deve ser feita com o escapulário de tecido. 

O Papa Pio XI, por decreto (1925), aprovou o escapulário protegido por plástico ou outro material qualquer; mas o escapulário tem que ser de lã.

in Pale Ideas


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segunda-feira, 15 de julho de 2019

Disse Santa Teresa de Ávila: Nada te turbe, nada te espante...




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Situação da liturgia tradicional no mundo no final de 2018

A Paix liturgique tem-se comprometido a publicar todos os anos um balanço do desenvolvimento da missa tradicional no mundo. O balanço deste ano divide-se pela primeira vez em três partes:

- A primeira parte apresenta um panorama das celebrações em todo o mundo;
- A segunda está consagrada aos sacerdotes que celebram esta liturgia;
- A terceira tenta fornecer dados sobre os fiéis que se mostram favoráveis a estas mesmas celebrações.

Pedimos, por isso, a Christian Marquant que respondesse às nossas perguntas, uma vez que foi quem apresentou este estudo durante as quintas jornadas Summorum Pontificum realizadas em Roma, a 29 de Outubro de 2018.

Q –Neste nosso primeiro encontro, trataremos das missas tradicionais que se celebram pelo mundo: o que nos pode dizer a este propósito?

Christian Marquant – Antes de responder, gostaria de fazer duas observações indispensáveis para bem se compreender o que vou dizer.

Desde logo, o que este ano começámos nunca se fez de maneira tão completa, mas, apesar de todo o rigor que empregámos na realização deste trabalho, é perfeitamente possível que tenhamos cometido erros ou esquecido certos elementos.

Assim, agradecemos desde já a todas as pessoas que possam fazer-nos chegar as suas observações e correcções, sendo nosso desejo poder publicar no final de 2019, por ocasião dos 50 anos do Novus Ordo Missae, um balanço mais completo e mais exacto do que aquele que apresentámos para 2018.

Voltando agora à sua questão, faria notar em primeiro lugar que 49 anos volvidos sobre a pretensa interdição da missa tradicional, esta é hoje celebrada, e regularmente, nos cinco continentes: na Europa e na América, claro está, mas também na Ásia, em África e na Oceânia, um desenvolvimento inimaginável meio século atrás.

Q – Poderia dar-nos alguns números?

Christian Marquant – O mais importante é o facto de se constatar que, agora, a missa tradicional é celebrada regularmente; no final de 2018, era-o em mais de 80 países, sem contar as províncias ou departamentos ultramarinos de países como a França.

No entanto, importa fazer notar desde já que, sendo embora verdade que a missa tradicional é celebrada hoje em 80 países, é evidente que esta cifra ainda cobre diferenças flagrantes e disparidades gigantescas: como comparar a França, onde os lugares de celebração ultrapassam os 400, com a Eslovénia, onde, tanto quanto sabemos, a missa tradicional é apenas celebrada numa única igreja ... ou então, comparar os Estados Unidos, onde as celebrações são ainda mais numerosas do que em França, com um país como o Zimbabwe!

Todavia, aquilo que quisemos pôr em realce foi a progressão universal dum fenómeno que não é nem um estilo nem um assunto franco-francês, como tanto se gostava de repetir por entre os inimigos do estabelecimento da paz na liturgia.

Q – Qual é a situação na Europa?

Christian Marquant – A Europa é um caso quase único. Pois aí, a missa celebra-se em todos os países de tradição católica, e hoje em dia, até mesmo naqueles de tradição protestante, e a confirmção encontrá-la-á na lista que deixamos em nota (1).

Q – E na América?

Christian Marquant – Aproxima-se daquela da Europa, pois também nesse continente, a missa tradicional se celebra quase em todo o lado, exceptuando a Venezuela, cuja situação social e política tão particular é bem conhecida, e exceptuando ainda um certo número de países das Antilhas, que, pela sua escassa população, ainda não foram considerados (2).

Q – E a situação em África?

Christian Marquant – A África é, sem dúvida, o continente menos tocado pelo fenómeno da missa tradicional, mas, ainda assim, a lista dos países onde a mesma é celebrada não é negligenciável (3). Mas, falar deste continente obriga-me a assinalar a excepcional e exemplar obra missionária aí levada a cabo pela Fraternidade São Pio X, que conseguiu aí estabelecer poderosos focos de tradição litúrgica em países pobres ou pouco povoados. Estes focos serão, muito em breve, não cabe dúvida, importantes centros prontos a provocar, nos próximos anos, um forte abrasamento nessas regiões. E este movimento continua em marcha, por meio das frequentes viagens missionárias dos sacerdotes dos priorados africanos, sempre à escuta dos pedidos, que conquanto possam não ser para grupos importantes, são ainda assim numerosos e deixam prever que daqui a vinte anos, toda a África será tocada pela liturgia tradicional.

Q – A Ásia?

Christian Marquant – A imensa Ásia é o parente pobre do mundo tradicional (4). Isto não tem a ver com a liturgia tradicional, mas com o facto de que o mundo asiático é apenas marginalmente católico, com regiões quase exclusivamente constituídas por terras do Islão, ou com regiões, como é o caso da Índia e da China, onde a evangelização, não obstantes esforços enormes e ancestrais, apenas se encontra numa fase ainda balbuciante.

Isso não tolhe que, por entre os católicos asiáticos, a missa tradicional não se esteja a estender, na medida em que a mesma responde a um seu profundo desejo de ao mesmo tempo afirmar a sua plena fé católica e nutrir um sentimento fortíssimo de comunhão com a Igreja universal, tanto no espaço como no tempo, resultados que a missa tradicional realiza.

Q – Por fim, a Oceania.

Christian Marquant – Trata-se de um continente onde a tradição litúrgica se encontra em plena expansão (5), o que se deve quer à presença aí de um importante foco europeu desta tradição quer a um movimento de evangelização que está a crescer graças a esta forma litúrgica. Poderia repetir para o mundo oceânico a mesma observação relativa ao notável trabalho missionário empreendido pela Fraternidade São Pio X, que aqui também se volta para esta região pacífica insular.

Q – Disse que a liturgia tradicional era hoje celebrada em 80 países. Crê que estamos a chegar ao limite territorial do seu desenvolvimento?

Christian Marquant – É certo que na Europa e na América, onde quase todos os países católicos já são tocados pelo movimento em favor da missa tradicional, o incremento da liturgia tradicional se fará daqui em diante através de crescimentos internos – isto é, pelo aumento dos lugares de culto e pelo desenvolvimento de certas obras como escolas e, de modo crescente, dos próprios seminários – mais do que por uma extensão a novos países.

Em contrapartida, as informações ao nosso dispor relativamente a África e à Ásia, levam-nos a crer que, nos anos vindouros, a liturgia tradicional se irá instalar num grande número de países, que hoje não se encontram ainda cobertos, mas onde os fiéis a esperam e se estão já a organizar nesse sentido.

Q – Que nos poderia dizer em jeito de conclusão deste primeiro encontro dedicado à presença da missa tradicional no mundo?

Christian Marquant – Retomaria uma afirmação que me parece ser uma evidência: a missa tradicional não é uma moda, mas é antes, para os católicos latinos, a expressão mais perfeita da lex credendi, ou seja, do seu Credo, especialmente no que toca ao sacrifício eucarístico e à presença real na Eucaristia. «Em França, não conseguimos achar nada de melhor», dizia um político célebre. Pela minha parte, diria: «Há cinquenta anos que se tenta e não se conseguiu achar nada melhor do que a missa tradicional.» Não é assim de espantar que haja cada vez mais sacerdotes e fiéis que se voltam para ela logo que podem. É, pois, de esperar um desenvolvimento absolutamente assinalável ao longo dos próximos anos.

 1/1- Países europeus onde se celebra a missa tradicional

Alemanha, Áustria, Bélgica, Bielorrussia, Croácia, Dinamarca, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Hungria, Irlanda, Itália, Vaticano, Letónia, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Mónaco, Noruega, Holanda, Polónia, Portugal, República Checa, Reino Unido, Rússia, Eslováquia, Eslovénia, Suécia, Suíça, Ucrânia.

1/2- Países europeus onde não se celebra a missa tradicional

Albânia, Andorra, Bósnia-Herzegovina, Bulgária, Chipre, Grécia, Islândia, Macedónia, Moldávia, Montenegro, Roménia, São Marino, Sérvia.

2/1 -Países americanos onde se celebra a missa tradicional

Argentina, Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador,  Guatemala,  Haiti, Honduras,  México, Nicarágua,  Paraguai, Perú, República Dominicana, Trinidade e Tobago, Uruguai, EUA.

2/2 - Países americanos onde não se celebra a missa tradicional

Antígua e Barbuda, Bahamas, Belize, Domínica, Guiana, Jamaica, São Cristóvão e Niéves, São Vicente e Grenadines, Santa Lúcia, São Salvador,  Suriname, Venezuela.

3/1 -Países africanos onde se celebra a missa tradicional

África do Sul, Benin, Camarões, Congo Brazzaville, Costa do Marfim, Gabão, Guiné Equatorial, Ilha Maurícia, Quénia, Reunião, Madagáscar, Nigéria, Uganda, Tanzânia, Zimbabwe.

3/2 - Países africanos onde não se celebra a missa tradicional

Argélia, Angola, Botswana, Burkina Faso, Burundi, Cabo Verde, Comores, Egipto, Eritréia, Etiópia, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné Bissau, Lesoto, Libéria, Líbia, Malawi, Mali, Marrocos, Mauritânia, Moçambique, Namíbia, Niger, República Centro-Africana, República de Djibouti, República Democrática do Congo, Ruanda, São Tomé e Príncipe, Senegal, Seicheles, Sierra Leone, Somália, Sudão, Sudão do Sul, Suazilândia, Chade, Togo,  Tunísia, Zâmbia.

4/1 - Países asiáticos onde se celebra a missa tradicional

Ceilão, China, Coreia, Índia, Indonésia, Israel, Japão, Kazakistão, Malásia, Filipinas, Singapura, Taiwan.

4/2 - Países asiáticos onde não se celebra a missa tradicional

Afeganistão, Arábia Saudita, Arménia, Arzebeijão, Barein, Bangladesh, Birmânia, Butão, Camboja, Emiratos Árabes Unidos, Géorgia, Iraque, Irão, Jordânia, Kirguiquistão, Koweit, Laos, Líbano, Maldivas, Mongólia, Nepal, Oman, Uzbequistão, Paquistão, Palestina, Qatar, Síria, Tajiquistão, Tailândia, Turquia, Vietnam, Yémen.

5/1 -Países oceânicos onde se celebra a missa tradicional

Austrália, Fiji, Nova Zelândia (a que cabe juntar os territórios franceses da Nova Caledónia e da Polinésia).

5/2 - Países oceânicos onde não se celebra a missa tradicional

Brunei, Estados Federados da Micronésia, Ilhas Marshall, Kiribati, Nauru, Palaos, Papúa Nova Guiné, Salomão, Samoa, Timor Leste, Tonga, Trinitá e Tobago, Tuvalu, Vanuatu.

Carta 96 da Paix Liturgique em Português


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domingo, 14 de julho de 2019

O Director Espiritual deve ser um Sacerdote?

"É requerido que o director espiritual seja necessariamente um sacerdote?"

Embora não se possa estabelecer uma lei absoluta e universal, normalmente diríamos que sim. É muito conveniente que o seja pelas seguintes razões:

1. Por causa da economia geral da ordem sobrenatural, que reservou para o Padre o papel de professor;

2. Por causa da conexão íntima - que por vezes até se funde - com o ofício de confessor;

3. Por causa da melhor preparação teórica e prática para dirigir almas;

4. Por causa da graça do estado sacerdotal.

5. Por causa da prática da Igreja, que proíbe estritamente a intromissão em almas por parte de não-sacerdotes.

Antonio Royo Marín O.P. in 'Teologia da perfeição cristã'


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Fátima mostra que o Inferno existe - Cardeal Arinze



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sábado, 13 de julho de 2019

90 anos da Aparição de Tuy e o Segredo de Fátima

No dia 13 de Junho de 1929, estando a Irmã Lúcia no noviciado das Doroteias em Tuy, apareceu-lhe Nossa Senhora para cumprir a promessa que tinha feito no Segredo de 13 de Julho de 1917: "Virei pedir a Consagração da Rússia..." 

 A Irmã Lúcia descreveu descreve deste modo essa visão:

Eu tinha pedido e obtido licença das minhas Superioras e confessor para fazer a Hora Santa das 11 à meia-noite, de quintas para sextas-feiras todas as semanas. Estando uma noite só, ajoelhei-me entre a balaustrada, no meio da capela, a rezar, prostrada, as orações do Anjo ... Sentindo-me cansada, ergui-me e continuei a rezá-las com os braços em cruz. A única luz era a da lâmpada [do altar]. 

De repente, iluminou-se toda a capela com uma luz sobrenatural, e sobre o altar apareceu uma cruz de luz que chegava até ao tecto. Em uma luz mais clara via-se, na parte superior da cruz, uma face de Homem com corpo até à cinta, sobre o peito uma pomba também de luz e, pregado na cruz, o corpo de outro Homem. 

Um pouco abaixo da cinta [de Cristo crucificado], suspenso no ar, via-se um Cálice e uma Hóstia grande, sobre a Qual caíam algumas gotas de sangue que corriam pelas faces do Crucificado e de uma ferida do peito. Escorregando pela Hóstia, essas gotas caíam dentro do Cálice. 

Sob o braço direito da cruz estava Nossa Senhora (era Nossa Senhora de Fátima, com o Seu Imaculado Coração na mão esquerda, sem espadas ou rosas, mas com uma coroa de espinhos e chamas) ... 

Sob o braço esquerdo [de cruz], umas letras grandes, como se fossem de água cristralina que corresse para cima do altar, formavam estas palavras: "Graça e Misericórdia". Compreendi que me era mostrado o mistério da Santíssima Trindade, e recebi luzes sobre este mistério que não me é permitido revelar. 

Então Nossa Senhora disse-me: "É chegado o momento em que Deus pede para o Santo Padre fazer, em união com todos os Bispos do mundo, a Consagração da Rússia ao Meu Imaculado Coração, prometendo salvá-la por este meio. São tão numerosas as almas que a justiça de Deus condena por pecados cometidos contra Mim, que venho pedir reparação. Sacrificate por esta intenção e reza."


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sexta-feira, 12 de julho de 2019

Fogos do Sagrado Coração no Tirol

Os Fogos do Sagrado Coração de Jesus estão ligados a uma tradição que nasceu em 1796 e ainda hoje, todos os anos, iluminam as montanhas do Trentino em meados de Junho.

Em 1796, Napoleão Bonaparte conduzia a sua campanha em Itália. Tendo derrotado o Reino de Piemonte, o Armistício de Cherasco abriu as portas da Lombardia, na época sob o domínio dos Habsburgos. Depois de Milão, o seguinte objetivo era o Principado de Trento e o condado do Tirol, que também eram possessões dos Habsburgos.

A Dieta do Tirol reuniu-se em Bolzano, de 30 de Maio a 3 de Junho de 1796, para encontrar uma possível solução para uma situação complicada para Trentino. O tiroleses, um exército de camponeses com pouca experiência e ferramentas agrícolas como armas, iria enfrentar o poderoso exército de Napoleão.

A conselho do Abade de Stams, Sebastian Stöckl, imploraram a ajuda de Deus, confiando o Tirol ao Sagrado Coração de Jesus, jurando que todos os anos acenderiam fogueiras em honra do Senhor se Ele os ajudasse naquele momento de grave perigo.

A promessa foi mantida por Andreas Hofer, lembrado como o campeão da liberdade tirolesa, em 1809, quando, tendo vencido a batalha de Berg-Isel contra as tropas franco-bavaras, organizou uma grande festa para agradecer a ajuda divina.

A ignição dos Fogos do Sagrado Coração de Jesus, também conhecido como Herz-Jesu-Feuer, tornou-se numa verdadeira tradição, como se fosse um aniversário religioso.

Todos os anos, no primeiro ou segundo Domingo após a festa de Corpus Domini, em meados de Junho, as montanhas de Trentino acendem-se com fogo em forma de coração ou recriam o sagrado nome de Jesus: INRI ou IHS.

Enquanto isso, as janelas são iluminadas por lanternas e imagens luminosas, alumiando a escuridão da noite.


Flaminia la Malga in Vaghis


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Vincent Lambert foi assassinado após 10 dias de agonia

Vincent Lambert, o tetraplégico francês que esteve no centro de um intenso debate sobre a eutanásia, morreu de sede esta manhã, após uma agonia induzida durante 10 dias terríveis.

À terceira foi de vez. Este terceiro "protocolo de morte" que iniciou o hospital de Reims contra o tetraplégico Vincent Lambert, contra a vontade dos seus pais e irmãos. Eles não desligaram qualquer aparelho moderno que o mantivesse artificialmente vivo. Muito simplesmente pararam de lhe dar comida e bebida. beber e comer. Vincent morreu de sede depois de 10 dias de agonia.

"Neste dia triste, rezo pelo o descanso eterno da alma de Vincent Lambert, que morreu como um mártir, vítima da loucura aterrorizante dos homens de nosso tempo", escreveu o Cardeal Robert Sarah na sua conta no Twitter. "Eu rezo especialmente pela sua família e especialmente pelos seus pais, que são tão corajosos, tão dignos. Não tenhamos medo. Deus ajuda."

Carlos Esteban in Infovaticana


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quinta-feira, 11 de julho de 2019

O problema com a Arte Moderna



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Não cortejar sem querer casar

O ponto mais importante consiste em depositar no coração dos adolescentes um alto ideal moral, norteado especialmente no sentido do amor, do matrimónio, e da família.


Antes de mais nada, trata-se de lhes fazer compreender que o amor não deve nunca ser separado da noção de casamento. Assim, um rapaz não deve fazer a corte a uma rapariga se não estiver na idade de se casar ou se as circunstâncias não permitem esperar uma união normal. A rapariga não deve nunca aceitar a corte dum rapaz que não tenha a intenção de com ela fundar um lar.

É preciso que os jovens se convençam de que o amor é uma potência moral e espiritual com que se não pode brincar. Por consequência, cada um dos sexos deve manter certa reserva para com o outro.

A adolescência é um longo período de formação, durante o qual cada um se empenha em formar e conquistar a sua personalidade moral ao mesmo tempo que, sem nunca se cansar, desenvolve as qualidades próprias do seu sexo.

Quando soar a hora do casamento, o amor será tanto mais rico quanto mais desenvolvida estiver a personalidade e mais numerosas forem as qualidades morais.''

Pe. Jean Viollet in 'Relações entre rapazes e raparigas' (Porto: Livraria Tavares Martins, 1948)


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quarta-feira, 10 de julho de 2019

Cardeal chinês: "Quem gosta da Missa Antiga deve ter acesso a ela"

Que lugar tem a liturgia na vida de Vossa Eminência?

Cardeal Zen: É o momento mais importante do meu dia. Eu sou religioso [salesiano] e, enquanto tal, dou grande valor à nossa oração comunitária. A nossa comunidade dispõe, além disso, de belas instalações para a liturgia.

Vossa Eminência foi um dos primeiros sacerdotes chineses a celebrar o Novus Ordo, como sinal de unidade com Roma. Desde então, o Papa Bento XVI permitiu que a missa tradicional se celebrasse novamente, o que Vossa Eminência fez com grande agrado, nomeadamente em Hong-Kong…

Cardeal Zen: Pessoalmente, vi com muito bons olhos a direcção indicada pelo Papa Bento XVI, agora emérito. Teve toda a razão em dizer que a missa tradicional jamais havia sido abolida. E se os fiéis a acham mais propícia para alimentar a sua devoção, devemos dar-lhes a possibilidade de a ela terem acesso. Coube-me introduzir entre os seminaristas chineses a missa do pós-concílio [de 1989 a 1996, o Cardeal Zen ensinou nos Seminários chineses, que até então estavam vedados aos sacerdotes romanos, NDR], e poder fazê-lo foi uma felicidade. Mas já nessa altura, lhes lembrava que não havia qualquer mal em celebrar a liturgia antiga. A nossa fé, a nossa vocação, os nossos santos, tudo nos vem dessa liturgia, dessa maneira de rezar.

Tem apreço pelo latim?

Cardeal Zen: Muito. Estimo muito os cânticos gregorianos e sei vários de cor. Recito-os durante as minhas orações privadas e acho-os admiráveis! Gostaria de ver mais vezes a forma ordinária celebrada em latim, como o desejava o concílio.

Na Europa, os opositores das missa tradicional dizem que ela só é querida por um pequeno número de pessoas: que comentário lhe merece essa observação?

Cardeal Zen: Não vejo onde esteja o problema. Também em Hong-Kong, há um pequeno grupo. Quem gosta da Missa Antiga deve poder ter acesso a ela. É um direito que lhes assiste. Não é preciso obrigar os fiéis a agruparem-se de modo artificial: é suficiente um pequeno grupo.

E a Missa Antiga não ameaça a unidade da Igreja?

Cardeal Zen: Não, de todo. Por que motivo o deveria fazer? Na Igreja, há muitas liturgias, nomeadamente as das igrejas do Oriente. A diversidade dos ritos não é um problema.

in Paix Liturgique


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Sinais de modernidade por G.K. Chesterton

De todos os sinais de modernidade que se parecem traduzir em algum tipo de decadência, nenhum é mais ameaçador e perigoso do que a exaltação de normas de conduta pequenas e secundárias, à custa das grandes e primárias, à custa dos laços eternos e da trágica moralidade humana.

Desse modo, costuma considerar-se mais injurioso acusar um homem de mau gosto do que de má ética. Hoje em dia, já não se associa a limpeza à santidade, visto que a limpeza se converteu em algo essencial, ao passo que a santidade se converteu em algo ofensivo.

O grande perigo para a nossa sociedade está em que todo o seu mecanismo se possa tornar cada vez mais fixo, à medida que o espírito se torna mais inconstante.

Os pequenos actos de um homem deveriam ser livres, flexíveis, criativos; o que deveria permanecer inalterado são os seus princípios, os seus ideais.

Mas connosco o contrário é que é a verdade: os nossos pontos de vista alteram-se constantemente, mas o nosso almoço permanece inalterado.

G. K. Chesterton in 'Tremendas trivialidades'


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terça-feira, 9 de julho de 2019

Um Tratado para acabar com a Sodomia entre o Clero

Quando o humilde monge e futuro santo, Pedro Damião, apresentou a sua carta 31 - o Livro de Gomorra - ao Papa Leão IX, no ano 1049, deixou claro que a sua preocupação primeira e primordial era a salvação das almas. Embora o trabalho fosse dedicado especificamente ao Santo Padre, a sua distribuição foi destinada à Igreja Universal, especialmente aos Bispos do clero secular e aos superiores das ordens religiosas.

Na introdução, o santo escritor deixa claro que a vocação divina da Sé Apostólica faz com que a sua consideração principal seja “o bem das almas”. Portanto, ele exorta o Santo Padre a tomar medidas contra “um certo vício abominável e assaz vergonhoso”, o qual identifica abertamente como “o cancro corruptor da sodomia”, que assola tanto as almas do clero e o rebanho de Cristo na sua região, antes que Deus descarregue a Sua justa ira contra o povo. 

Reconhecendo o quão nauseante a própria menção da palavra sodomia deve ser ao Papa, ele no entanto pergunta com franqueza brusca: “...se um médico ficar horrorizado com o contágio da praga, quem é que vai manejar o cautério? Se ele fica enjoado quando está prestes a aplicar o remédio, quem vai restaurar a saúde aos corações feridos?”

Evitando qualquer dubiedade, Damião distingue entre as várias formas de sodomia e as fases de corrupção sodomita, começando pela masturbação solitária e mútua e terminando na estimulação interfemoral (entre as coxas) e coito anal. Destaca que há uma tendência entre os prelados de tratar os primeiros três graus do vício com uma “leniência imprópria”, preferindo reservar a expulsão do estado clerical somente àqueles homens que comprovadamente se envolveram com penetração anal. 

O resultado, diz Damião, é que um homem, culpado do vício em graus “menores”, aceita as suas penitências mais suaves, mas permanece livre para poluir outros sem o menor receio de perder a sua posição. O resultado previsível da leniência do superior, diz Damião, é que o vício se espalha. O culpado fica mais ousado em seus actos ilícitos pois sabe que não irá sofrer qualquer perda do seu estado clerical, perde todo o temor a Deus e o seu último estado é pior do que o primeiro.

Damião condena a audácia de homens que estão “habituados à porcaria desta doença purulenta”, e ainda assim ousam apresentar-se para o sacerdócio ou, se já ordenados, permanecer em seus cargos. Não foi em razão de tais crimes que Deus Todo-Poderoso destruiu Sodoma e Gomorra, e matou Onan por deliberadamente derramar a sua semente no chão?, pergunta. Citando a epístola de São Paulo aos Efésios (Ef 5, 5), ele continua, “...se um homem impuro não tem absolutamente nenhuma herança no Céu, como pode ser ele tão arrogante de assumir uma posição de honra na Igreja, que é certamente o reino de Deus?”

O santo monge assemelha os sodomitas que buscam o sacerdócio aos cidadãos de Sodoma que ameaçaram “usar de violência contra o justo Lot” e estavam já quase arrombando a porta quando foram feridos com cegueira por dois anjos e não conseguiram mais encontrá-la. Tais homens, ele diz, foram feridos com uma cegueira semelhante, e “pela justa decisão de Deus caíram em treva interior.” Se fossem humildes seriam capazes de achar a porta que é Cristo, mas estão cegos por sua “arrogância e vaidade”, e “perdem Cristo por causa do seu apego ao pecado”, nunca encontrando, lamenta Damião, “o portão que leva à habitação celeste dos santos”.

Não poupando os eclesiásticos que conscientemente permitem que sodomitas ingressem no sacerdócio ou permaneçam em posições clericais maculando o seu cargo, o santo monge ataca os “superiores de clérigos e padres que nada fazem”, lembrando-os de que eles deveriam tremer por eles mesmos se terem tornado “parceiros na culpa de outros”, ao permitirem que “a praga destruidora” da sodomia continuasse nas suas fileiras.”

Randy Engel in 'St. Peter Damian's Book of Gomorrah: A Moral Blueprint for Our Times'


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