domingo, 22 de setembro de 2019

O Pastor Protestante, o Bispo Católico e a Missa

Uma vez, o meu Bispo contou-me a conversa que teve com um pastor Protestante:

- Acredita realmente que a Eucaristia é mesmo Jesus e não apenas um símbolo?, perguntou o pastor.

- É isso mesmo!, respondeu o meu Bispo. Em que é que acredita?

- Eu acho que é só um símbolo. Mas digo-lhe uma coisa: se eu acreditasse que é mesmo Jesus que está ali, estaria disposto a rastejar sobre vidros para O receber.

Matt Fradd


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sábado, 21 de setembro de 2019

A incompatibilidade entre homens e mulheres - Fulton Sheen



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São Mateus, Apóstolo e Evangelista

Banhada pelas águas do lago Genesaré, cortada pelas principais estradas do país, sede das casas comerciais as mais importantes, assim era Cafarnaum,  uma das cidades mais florescentes da Palestina. No tempo de Jesus Cristo a Palestina era uma província romana, e onerosos eram os impostos e direitos aduaneiros que pesavam sobre os judeus.  A cobrança destas contribuições obrigatórias era feita geralmente por rendeiros públicos, homens especuladores, verdadeiros esfoladores e sanguessugas do povo, e por isto mal vistos e odiados. Já o nome de Publicano, isto é, pecador público, excomungado, que se lhes dava, não deixava dúvida sobre a má fama de que tais homens gozavam.

Vivia em Cafarnaum Levi, filho de Alfeu, que mais tarde mudou o nome em Mateus, dom de Deus. Cafarnaum era a cidade pela qual Jesus Cristo mostrava grande simpatia, tanto que os santos Evangelhos chamam-na a Sua cidade. Na sinagoga ou na praia do lago, doutrinou frequentemente e curou muitos doentes.

Foi numa dessas ocasiões que Jesus, tendo pregado na praia, passou perto do telónio de Levi, parou e disse: "Segue-me". Levi levantou-se imediatamente, abandonou o rendoso negócio, mudou de nome e de vida. Não é provável que esta mudança tão radical tenha sido fruto de um entusiasmo espontâneo. É antes, de se supor, que Levi tenha tomado essa resolução devido ao que vira e ouvira, de modo que o convite positivo do divino Mestre lhe tenha pôsto têrmo às últimas dúvidas sobre a orientação da sua vida futura. Diz São Jerónimo que Levi,  vendo Nosso Senhor, ficou atraído pela divina majestade que fulgurava nos olhos de Jesus Cristo. Converteu-se Levi, diz Beda o Venerável,  porque Aquele que o chamou pela palavra, lhe dispôs o coração pela graça divina.

Mateus deu em seguida um grande banquete de despedida aos amigos e colegas, e convidou também Jesus e os discípulos. Os fariseus e escribas que, com olhos de lince observavam todos os gestos do Mestre, vendo que este aceitara o convite, acusaram-no dizendo: "Este homem anda com publicanos e pecadores e banqueteia-se com eles!". Também os discípulos de Jesus tiveram de ouvir repreensões: "Como é que o vosso Mestre se senta à mesa com os pecadores?".  Jesus, porém, respondeu-lhes:  "Não são os sãos, mas sim os doentes, que necessitam do médico. Não vim para chamar os justos, senão os pecadores".  Daí em diante Mateus foi um dos discípulos mais dedicados ao divino Mestre, e seguiu-o por toda a parte. 

Logo depois da Ascensão de Jesus Cristo e da vinda do Espírito Santo, Mateus, junto com os outros Apóstolos, pregou o Santo Evangelho nas províncias da Palestina e, com os demais Apóstolos, julgou-se feliz em poder sofrer injúria por amor de Jesus. Foi São Mateus, de entre os Apóstolos, o primeiro que escreveu um relatório da vida e morte de Jesus Cristo, dando a este livro o título de "Evangelho", que significa: "boa nova". Este Evangelho foi escrito em sírio-caldaico, para o uso dos primeiros cristãos da Palestina. São Bartolomeu levou consigo uma cópia para as Índias.

Quando os Apóstolos se espalharam por todo o mundo, São Mateus dirigiu-se para a Arábia e Pérsia, onde sofreu cruéis perseguições pelos sacerdotes indígenas. São Clemente de Alexandria diz que São Mateus era homem de mortificação e penitência, e alimentava-se só de ervas, raízes e frutas. Sofreu maus tratos na cidade de Mirmene.

Os pagãos arrancaram-lhe os olhos e, preso com algemas, esperou no cárcere o dia em que devia ser sacrificado aos deuses, por ocasião da grande festa idólatra. Deus, porém,  não abandonou o seu servo;  mandou-lhe um Anjo que lhe curou a vista e o libertou da prisão. São Mateus seguiu então para a Etiópia. Também lá o demónio quis tolher-lhe os passos.  Dois feiticeiros de grande fama opuseram-se-lhe,  mas São Mateus venceu-os pela força esmagadora dos argumentos e pelos milagres que fazia, em nome de Jesus Cristo.  Removido este obstáculo,  o povo aceitou a religião de Deus humanado.

Foi por intermédio do eunuco da rainha Candace, o mesmo que São Filipe baptizou, que São Mateus obteve entrada no palácio real. Lá havia grande luto pela morte do jovem príncipe herdeiro Eufranon. São Mateus, tendo sido chamado ao palácio, fez o defunto ressurgir, milagre este que encheu a todos de admiração.  O Rei, em sinal de alegria e gratidão, mandou arautos por todo o país deitarem pregão da seguinte ordem: "Súbditos! Vinde todos à capital ver um deus, que apareceu entre nós, em forma humana!"

Afluíram aos milhares os súbditos de todas as partes do reino, trazendo perfumes e incenso, para serem oferecidos ao deus que tinha aparecido. Mateus, porém, esclareceu-os dizendo:"Eu não sou Deus, como julgais que seja, mas servo de Jesus Cristo, Filho de Deus vivo;  foi em Seu Nome que fiz o filho do vosso Rei ressuscitar; foi Ele que me enviou a vós, para vos pregar a Sua doutrina e vos trazer a Sua graça e salvação".  Essas palavras tiveram bom acolhimento e a maior parte do povo converteu-se à religião de Jesus Cristo.  A Igreja da Etiópia chegou a ser uma das mais florescentes dos tempos apostólicos. O rei Egipto e família eram cristãos fervorosíssimos, tanto que Efigénia, a filha mais velha, fez voto de castidade perpétua e a seu exemplo, muitas filhas das famílias mais ilustres consagraram-se a Deus, numa vida de perfeição cristã.

Com a morte do Rei subiu ao trono o seu sobrinho Hírtaco, o qual, para estabelecer o governo sobre bases mais sólidas, pediu Efigénia em casamento. Esta recusou, alegando o voto feito a Deus. Hírtaco, não se conformando com esta resposta, exigiu que São Mateus fizesse valer a autoridade de Bispo, para que se realizasse o enlace desejado. São Mateus declarou ao Príncipe não ter competência Para envolver-se no caso. 

Vendo-se assim profundamente contrariado nos seus planos, Hírtaco deu ordem aos soldados de fazer desaparecer o Apóstolo. Esta ordem foi executada na igreja onde São Mateus celebrava a Missa. Pondo de lado o respeito devido ao lugar e à pessoa do santo Apóstolo, os sicários do Rei mataram-no no próprio altar. 

O corpo do Santo Mártir foi durante muito tempo objecto de grata veneração do povo cristão da capital. No ano de 930, foi transportado para Salerno (Itália) onde São Mateus até hoje é festejado como padroeiro da cidade.      

in Página do Oriente


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sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Gatólico Oriental




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O milagre do Padre Pio que converteu ao catolicismo uma comunidade ortodoxa

Por intercessão do Padre Pio, a mãe de um sacerdote ortodoxo da Roménia ficou curada de um cancro terminal. Depois deste milagre toda a paróquia se converteu ao catolicismo. A obra do santo de Pietrelcina mudou tanto as suas vidas que apesar das dificuldades construíram uma Igreja dedicada ao santo e um hospital para os doentes em fase terminal.

O Padre Pio continua a interceder por todo o mundo e, lá do Céu, continua a fazer milagres de todo o tipo. Existem inúmeros testemunhos conhecidos sobre o santo de Pietrelcina pelo mundo inteiro, alguns deles recolhidos no livro“Padre Pio”, de José Maria Zavala.

No entanto, no caso da família Tudor não proporcionou apenas um milagre físico, mas uma conversão de centenas de pessoas ao catolicismo e o sonho de fazer uma pequena San Giovanni Rotondo no interior da Roménia, um país com um arraigado passado comunista e de maioria ortodoxa.

VICTOR, UM SACERDOTE ORTODOXO

Victor Tudor era um sacerdote ortodoxo romeno que não conhecia o Padre Pio e que, depois da cura milagrosa da sua mãe que tinha uma doença incurável, passou, juntamente com toda a paróquia, à Igreja Católica. Mas, além disso, decidiu ir além e conseguiu construir, apesar de mil dificuldades, uma Igreja dedicada ao santo capuchinho, bem como um hospital para os doentes em fase terminal.

Esta história teve início em 2002 quando a Lucrécia, mãe de Victor, foi diagnosticado um cancro no pulmão. Os médicos disseram que não era operável, pois havia metástases, por isso, deram -lhe apenas alguns meses de vida.

A VIAGEM DE LUCRÉCIA À ITÁLIA

Diante desta situação, o padre Victor contactou o seu irmão Mariano, pintor especializado em iconografia e que vivia em Roma. Com isto, esperava que pudesse conhecer algum médico que tratasse a sua mãe em Itália. Finalmente, pôde chegar à fala com um dos melhores médicos do mundo na sua especialidade e este disse-lhe que estudaria o caso se a sua mãe fosse a Roma.

Dito e feito. Lucrécia chegou doente a Itália. O médico viu-a e disse-lhe igualmente que a operação seria inútil e que só poderia intervir com alguns remédios para aliviar as terríveis dores.

A mãe ficou um tempo com o seu filho em Roma para que assim pudesse fazer mais exames. Enquanto isso, Mariano trabalhava fazendo um mosaico numa Igreja e levava a sua mãe consigo. Enquanto ele trabalhava Lucrécia visitava o templo e via as imagens.

A DESCOBERTA DO PADRE PIO

Uma imagem lhe chamou muito a atenção. Estava situada num canto da Igreja. Era o Padre Pio. A mulher ficou impressionada e perguntou ao seu filho quem era. Este contou-lhe brevemente a sua história e durante os dias seguintes o filho percebeu que sua a mãe estava constantemente sentada à frente da imagem do santo de Pietrelcina. Falava com a escultura como se falasse com uma pessoa.

Assim, passaram os dias. Duas semanas depois, Lucrécia e o seu filho Mariano correram ao hospital para realizar um exame. Mas, para a surpresa e espanto dos médicos e deles mesmos, o cancro terminal que sofria esta mulher romena havia desaparecido completamente.

Esta mulher ortodoxa havia pedido a intercessão do Padre Pio e este respondeu. Este feito percorreu toda a família começando pelo seu filho Victor, sacerdote ortodoxo. “A cura milagrosa de minha mãe realizada pelo Padre Pio em favor de uma mulher ortodoxa chamou-me a atenção”, reconhecia, então, este sacerdote romeno.

A COMOÇÃO NA PARÓQUIA

Esta personagem até então desconhecida deixou-o fascinado. Começou a ler a vida do Padre Pio e algo nele começou a mudar. Contou sobre o milagre da sua mãe aos seus paroquianos e todos ficaram admirados, pois a mãe de Victor era bem conhecida por eles. “Todos conheciam a minha mãe e sabiam que havia ido à Itália para tentar uma intervenção cirúrgica, e que voltou para casa curada, sem que nenhum médico a tivesse operado”.

Este milagre transformou não só a família Tudor, mas toda a comunidade ortodoxa. Conta o padre Victor que pouco a pouco a sua paróquia começou a conhecer e a amar o Padre Pio. “Líamos tudo aquilo que encontrávamos sobre ele e sua santidade nos conquistava”.

A CONVERSÃO AO CATOLICISMO

A coisa ia mais adiante e outros enfermos da paróquia também receberam graças extraordinárias do Padre Pio. Não obstante, começava a surgir um problema nesta comunidade, pois continuavam a ser ortodoxos e eram devotos de um santo católico contemporâneo.

Por causa de Padre Pio, o Padre Victor e a sua paróquia com quase 350 pessoas decidiram tornar-se católicos. Hoje pertencem ao rito greco-católico da Roménia. As suas vidas foram transformadas, mas, como o Padre Pio viveu numerosas dificuldades, eles também haviam de provar a sua nova fé.

Numa recente entrevista ao canal Padre Pio TV, Victor Tudor conta que tiveram “numerosas dificuldades” para se tornarem católicos, pois a conversão neste país ortodoxo com um passado comunista era bastante complexa. Problemas com os políticos, a polícia etc..

UM NOVO TEMPLO NA ROMÉNIA

Não desanimaram e apesar dos impasses decidiram ir, inclusive, mais adiante, construindo uma Igreja dedicada ao Padre Pio. O templo já está praticamente construído e isso foi outro milagre do santo capuchinho.

Os fiéis, num grande gesto de humildade, colaboraram na construção. Enquanto isso, celebravam as Missas na rua, apesar da gélidas temperaturas do inverno. Tudo isso somado aos enormes obstáculos burocráticos. O padre Victor, desesperado acudia ao seu Bispo diante de tantos problemas e este sempre lhe respondia: “isto é de Deus e todas essas coisas se resolverão”. Assim, de repente um bispo pagou-lhes o terreno da Igreja. Iam acontecendo feitos extraordinários, que pouco a pouco favoreciam a construção.

Apesar disso, o padre Victor recorreu a Roma junto ao seu irmão para pedir também ajuda para esta igreja. Ali encontrou-se com outro bispo ao qual contou os seus problemas. “Qual será o padroeiro da sua Igreja?”, perguntou-lhe o prelado. Depois de responder que seria o Padre Pio, este bispo sorriu e lhe tranquilizou dizendo que “o Padre Pio lhe fará a Igreja sozinho”.

O HOSPITAL DEDICADO AO SANTO

Agora o templo é já uma realidade e para o padre Victor é outro milagre. “Senti que o Padre Pio me ajudou, aos meus fiéis e em outros países e Igrejas. É um sinal de fé”, afirma.

Ainda assim, este sacerdote romeno não ficou tranquilo e seguindo os passos do santo e pedindo a sua intercessão criou um “pequeno San Giovanni Rotondo”, na Roménia, depois de fundar um hospital que atenderá enfermos em fase terminal, gente sem recursos e idosos abandonados. As dificuldades são enormes e falta o dinheiro, mas Victor conta com a intercessão de Padre Pio. Até agora ele não falhou.

in Religion en Libertad 
Tradução: Reparatoris


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quinta-feira, 19 de setembro de 2019

O que é o milagre de São Januário e qual a sua importância?

O milagre consiste na liquefação do sangue de São Januário, que se encontra durante o resto do ano em estado sólido. Este milagre, que ocorre na igreja dedicado ao santo em Nápoles, acontece 3 vezes por ano:

- 19 de Setembro, dia de S. Januário;
- 16 de Dezembro, porque nesse dia, em 1631, foi feita uma procissão com as relíquias de S. Januário que impediu a iminente erupção do vulcão Vesúvio;
- no Sábado que antecede o primeiro Domingo de Maio, dia da primeira trasladação do corpo do santo.

As datas da liquefação do sangue de São Januário são celebradas com grande pompa e esplendor.



As relíquias são expostas ao público, e se a liquefação não se verifica imediatamente. iniciam-se preces colectivas. Se o milagre tarda, os fiéis convencem-se de que a demora se deve aos seus pecados. Rezam então orações penitenciais, como o salmo “Miserere".

Quando o milagre ocorre, o Clero entoa um solene Te Deum, a multidão irrompe em vivas. os sinos repicam e toda a cidade rejubila.

Entretanto, sempre que nas datas costumeiras o sangue não se liquefaz, isso significa o aviso de tristes acontecimentos vindouros, segundo uma antiga tradição nunca desmentida.

O sangue de São Januário está recolhido em duas ampolas de vidro, hermeticamente fechadas, protegido por duas lâminas de cristal transparente. A ampola maior possui 60 cm cúbicos de volume; a menor tem capacidade de 25 cm cúbicos. Em geral, o sangue endurecido ocupa até a metade da ampola maior; na menor, encontra-se disperso em fragmentos.

A liquefação do sangue produz-se espontaneamente, sob as mais variadas circunstâncias, independentemente da temperatura ou do movimento, o sangue passa do estado pastoso ao fluido e, até, fluidíssimo. A liquefação ocorre da periferia para o centro e vice-versa. Algumas vezes, o sangue liquefaz-se instantânea e inteiramente, ou, por vezes, permanece um denso coágulo em meio ao resto liquefeito. Varia o colorido: desde o vermelho mais escuro até o rubro mais vivo. Não poucas vezes surgem bolhas e sangue fresco e espumante sobe rapidamente até o topo da ampola maior.

Trata-se verdadeiramente de sangue humano, comprovado por análises espectroscópicas.

Há algumas peculiaridades, que constituem outros milagres dentro do milagre liquefação, há uma variação do volume: algumas vezes diminui e outras vezes aumenta até o dobro. Varia também quanto à massa e quanto ao peso. Em Janeiro de 1991, o Professor G. Sperindeo fazendo uso, com o máximo cuidado, de aparelhos de alta precisão, encontrou uma variação de cerca de 25 gramas. O peso aumentava enquanto o volume diminuía. Esse acréscimo de peso contraria frontalmente o princípio da conservação da massa e é absolutamente inexplicável, pois as ampolas encontram-se hermeticamente fechadas, sem possibilidade de receber acréscimo de substâncias do exterior.

A notícia escrita mais antiga e segura do milagre consta de uma crónica do século XIV. Desde 1659, estão rigorosamente anotadas todas as liquefações, que já perfazem mais de dez mil!

São Januário, rogai por nós.

adaptado de sangennaro.org.br


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quarta-feira, 18 de setembro de 2019

A Missa é a renovação incruenta do Sacrifício da Cruz




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São José de Cupertino, o santo que voava

No dia 17 de Junho de 1603, nasceu, no reino de Nápoles, na aldeia de Cupertino, um menino de nome José. Era o filho mais novo da família Desa, cujo Pai, um pobre carpinteiro, mal conseguia sustentar a Família. Ele veio ao mundo num pequeno estábulo, onde permaneceu nos primeiros meses de vida, porque o Pai, endividado, teve de vender o pouco que possuíam.

Apesar de pobre e iletrado, o menino foi criado no rigor dos ensinamentos de Cristo, pois sua família era muito religiosa. Assim foi a infância de José. Os únicos talentos por ele manifestados foram de ordem espiritual: o da oração e o da caridade para com os mais necessitados, que sofriam as agruras da miséria, como ele.

Quando completou 17 anos, estava determinado a tornar-se frade. Mas até os capuchinhos que o haviam aceitado como irmão leigo fizeram-no devolver o hábito, por causa da sua grande confusão mental. Isso causou a José um sofrimento muito grande. Mas não desistiu. Finalmente, foi aceite no Convento de Grotella pelos Frades Menores, que o acolheram e lhe deram uma tarefa simples: cuidar de uma mula.

Mesmo assim, estava determinado a ser Sacerdote. Foi então que as graças divinas começaram a intervir na sua vida. Apesar da dificuldade que tinha em estudar, milagrosamente saía-se muito bem nas provas. Desde então, começaram a aparecer sinais de predilecção divina e fenómenos que atestavam a sua santidade interior, presenciados pela comunidade de fiéis e irmãos da Ordem. Eram manifestações extraordinárias, como, por exemplo, curas totalmente milagrosas de doentes de todos os tipos de enfermidades. E ainda êxtases de oração, caminhava pela igreja sem colocar os pés no chão e, sem tomar nenhum cuidado com o corpo, exalava um fino e delicado odor. Por tudo isso, já era venerado em vida como santo.

Outro facto relevante na vida de José de Cupertino é que, apesar de quase não ter nenhum estudo teológico, tinha o dom da ciência e era consultado por teólogos a respeito de questões delicadas. Espantosamente, tinha sempre respostas sábias e claras. Com isso, José conquistou a glória máxima e, mesmo sendo considerado o frade mais ignorante de toda a Ordem franciscana, a sua fama de bom cristão, o seu comportamento peculiar e os seus milagres chegaram a Roma. O Papa Urbano VIII convocou-o e recebeu-o com as honras de que era merecedor.

Em 1628, foi ordenado Sacerdote. José de Cupertino mergulhou tão profundamente nas coisas de Deus que acabou por tornar-se um conselheiro de padres, bispos, cardeais, chefes de Estado e religiosos em geral. Todos o procuravam. E ele atendia-os com paciência, humildade e sabedoria, indicando-lhes a luz de que necessitavam. 

José de Cupertino morreu aos 60 anos de idade, no dia 18 de Setembro de 1663, no Convento de Osímo (Itália). O local, que se tornara um ponto de peregrinação com ele ainda vivo, tornou-se, imediatamente, um santuário a ele dedicado. Festejado liturgicamente no dia de sua morte, este singular frade franciscano é considerado pelos estudiosos como "o santo mais simpático da hagiografia católica".

Os frequentes êxtases espirituais, que lhe permitiam "voar" literalmente pela igreja, fizeram de São José de Cupertino o padroeiro dos aviadores e pára-quedistas. Também, devido à sua determinação diante das numerosas dificuldades encontradas nos estudos e exames é considerado o santo padroeiro dos estudantes que têm de fazer exames. 

in Paulinas


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terça-feira, 17 de setembro de 2019

A Beleza da Tradição Católica



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O dia em que São Francisco recebeu os estigmas

O Santo não temia a morte. Tinha cortado, pelo seu despojamento total, os vínculos que o ligavam à terra; tinha, a exemplo do Apóstolo, conquistado o domínio sobre o seu corpo: a sua alma devia desprender-se sem dilaceramentos do seu invólucro físico.

Se não tremia perante a aproximação do momento fatal, queria pelo menos preparar-se para comparecer diante do Soberano Juiz. Partiu, pois, rumo à solidão, para se recolher por algum tempo.

Durante o Verão de 1224 esteve no pequeno convento de Alverne. Era uma clausura rústica, construída precariamente no cimo de uma montanha escarpada. As grutas abertas nas rochas, os bosques povoados de pássaros, o afastamento dos centros habitados tornavam o sítio encantador e particularmente propício aos exercícios da contemplação.

O Santo amava esta morada que outrora lhe tinha sido dada pelo Conde Orlando, senhor de Chiusi. Logo que chegou ao lugar do seu retiro, Francisco iniciou um jejum de 40 dias em honra de São Miguel.  Consagrava o tempo à oração, que lhe propiciava delícias que nunca lhe pareceram tão saborosas.

Suplicou ao Senhor  que lhe desse a conhecer as obras às quais deveria consagrar os últimos dias da vida. Como resposta, Deus cumulou-o com abundância de suavidades interiores. Então o Santo recorreu ao seu procedimento habitual: abriu o Evangelho ao acaso, por diversas vezes, esperando encontrar ali uma indicação.

Por diversas vezes caiu no relato da Paixão. Esta coincidência surpreendeu-o: concluiu que o Salvador queria uni-lo mais intimamente aos seus sofrimentos.

Os calores estivais declinavam; o Alverne já se revestia com os esplendores do Outono. Debaixo das grandes árvores, cuja folhagem se tornava dourada, Francisco pensava na adorável imolação de Cristo, quando subitamente lhe apareceu um Serafim resplandecente de luz. O Anjo aparentava uma semelhança admirável como Salvador pregado no patíbulo.

O Santo reconheceu estupefato os traços do divino Crucificado; a sua alma inflamou-se com amor tão ardente e tão doloroso, que o seu débil corpo não aguentou: caiu em profundo arrebatamento. Que aconteceu durante este êxtase? Os mistérios de amor não se divulgam: São Francisco guardou ciosamente este segredo. Confessou, no entanto, que recebera nessa altura revelações sublimes, mas nunca quis comunicá-las.

Quando a visão se desvaneceu, uma transformação tinha-se operado nele: na sua carne  estavam gravados os sagrados estigmas da Paixão. Grandes feridas lhe rasgavam as mãos e os pés: nas cicatrizes percebiam-se nitidamente as cabeças negras dos pregos. Uma chaga mais larga abria o seu costado e deixava filtrar algumas gotas de sangue. Francisco tornara-se um crucificado vivo.

Um prodígio assim não podia passar inadvertidamente. Apesar de todos os esforços para afastar as curiosidades indiscretas, o Santo não conseguiu esconder inteiramente os estigmas. O seu prestígio, já tão grande, aumentou ainda mais: a sua vida terminava numa espécie de apoteose.

O Serafim que imprimira no seu corpo as chagas de Cristo, também as enterrara no seu coração. A partir daquele dia, Francisco não fez mais do que esmorecer lentamente no duplo martírio da dor e do amor.

Ainda percorria penosamente os caminhos da Úmbria, a pregar menos pela palavra do que pelo exemplo. Deixava, ao caminhar, irradiar da sua alma o imenso amor pelo divino Mestre; manifestava-o em termos tão veementes, que sentia por vezes a necessidade de se desculpar.

“Não fostes Vós  que nos destes – dizia ele ao Salvador – o exemplo desta sublime loucura? Vós vos lançastes á procura da ovelha desgarrada; caminhastes como um escravo, como um homem inebriado de amor”.

Para adornar sua coroa, Deus mandava-lhe as últimas provações. O Santo notava que alguns religiosos, embora poucos, desejavam restringir a pobreza da Ordem: previa que os seus filhos atravessariam, depois da sua morte, uma crise perigosa. A esta tristeza acrescentava-se o peso da doença. A saúde declinava, a vista apagava-se; os remédios mais fortes só lhe davam umas melhoras precárias.

São Francisco mantinha, apesar das dores, uma alegria apaziguadora. Mas o seu espírito desprendia-se cada vez mais das preocupações terrenas; o seu recolhimento tornava-se mais profundo. Os que estavam à sua volta percebiam a aproximação da hora da recompensa.

Pe. Thomas de Saint-Laurent in 'São Francisco de Assis'


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A aflição do Cardeal Ottaviani durante o Concílio

O Cardeal Alfredo Ottaniani, Secretário do Santo Ofício, rezava com grande fervor durante o Concílio Vaticano II. Durante as congregações gerais ficava longas horas prostrado diante do Santíssimo Sacramento. 

Os seus colaboradores começaram a inquietar-se. Até que um deles decidiu perguntar-lhe se algo se passava:

- Sim, respondeu o Cardeal, estou suplicando ao Céu para me chamar antes que o Concílio termine.

- Porquê tanta pressa?

- Porque quero morrer Católico...

in Le “bolle” del Concilio - Gribaudi, Torino 1967, p. 63


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segunda-feira, 16 de setembro de 2019

A vida e martírio de São Cipriano de Cartago

São Cipriano é figura brilhantíssima na Igreja africana no século III. Filho de pais nobres, dotado de extraordinários talentos, São Cipriano foi um dos maiores sábios do seu tempo e orador de inesgotáveis recursos. Ao princípio pagão, converteu-se ao Cristianismo e, em marcha ininterrupta, galgou as culminâncias das virtudes cristãs, a ponto de operar grandes milagres.

Por vontade do povo inteiro e do clero, foi ordenado sacerdote, e no ano 248 sagrado Bispo de Cartago. Por causa do zelo sem par e da vida santa e piedosa de São Cipriano a Diocese de Cartago foi a primeira diocese em África.

Quando, no ano 249, o Imperador Décio decretou a perseguição à Igreja de Cristo, muitos cristãos testemunharam a Fé com o próprio sangue, enquanto outros apostataram. Não tardou que a perseguição chegasse também a Cartago. Os pagãos reuniram-se no grande fórum e, em altos e apaixonados gritos, manifestavam o ódio ao Santo Bispo: "Cipriano aos leões! Cipriano às feras!" - era a sorte que lhe destinavam.

Cipriano, com fervorosas orações, procurava conhecer a vontade de Deus. Para poupar o rebanho, embora aceitasse o Martírio, achou mais acertado seguir o conselho de Nosso Senhor, que disse: "Se vos perseguirem numa cidade, procurai outra". 

Um sinal que recebeu do Céu mostrou-lhe também a conveniência dessa medida, e assim resolveu fugir. Do esconderijo pôde prestar grandes serviços aos pobres cristãos perseguidos, os quais animava, consolava e fortificava. Grande rigor opunha aos apóstatas. Muitos deles, mais tarde, mostravam-se arrependidos, pedindo para serem aceites novamente. Como outros bispos e sacerdotes tratassem com mais benignidade esses infelizes, formou-se uma corrente fortíssima com ares de cisma contra Cipriano.

O movimento adversário era chefiado por Novaciano. Contra este e outros sacerdotes descontentes, Cipriano convocou um Concílio, cujas resoluções foram apresentadas ao Papa Cornélio, que as aprovou e sancionou. Em outro Concílio foi confirmado o valor do Baptismo das crianças.

Numa nova perseguição, que veio sob o governo do Imperador Galo, Cipriano tornou a fortalecer a fé dos cristãos. 

Quando a Peste, no espaço de quinze anos, dizimava a população, o santo Bispo permaneceu com os fiéis, consolando e socorrendo-os com orações e auxílios. Resgatou com o próprio dinheiro muitos cristãos que caíram prisioneiros.

Surgiu uma grande controvérsia sobre o valor do baptismo administrado por hereges. Enquanto o Papa Santo Estevão I decidia pela conservação da tradição, que considerava válido esse baptismo, Cipriano impugnava-o e com ele muitos bispos da África e da Ásia, que exigiam o segundo baptismo para pessoas baptizadas por hereges. A questão ficou, ao princípio, sem solução, devido às dificílimas complicações políticas daquele tempo. 

Embora contrariando a opinião do Papa, não era intenção de Cipriano desrespeitá-lo. A Igreja Romana era para ele "a cadeira de São Pedro, a Igreja por excelência, e que a união entre os bispos se origina e na qual é inadmissível uma traição, por menor que seja". Se houve da sua parte um excesso de ardor nas discussões e uma certa falta de ponderação, dela se penitenciou na perseguição que rompeu, quando Valeriano era imperador.

Foi no ano 257 que, pela primeira vez, se viu citado perante o tribunal do Procônsul Aspásio. As declarações sobre a sua posição, religião e modo de pensar cristão foram tão positivas que o juiz condenou-o ao exílio em Curubis. Por uma visão do Céu, soube que só um ano o separaria do Martírio.

Do exílio escreveu uma carta consoladora e enviou uma quantia de dinheiro aos cristãos condenados a trabalhos forçados nas minas de cobre. Ainda pôde voltar para Cartago, onde Galério Máximo tinha sucedido a Aspásio. Lá, tomou ainda muitas providências, repartiu os tesouros da Igreja entre os pobres, exortou os fiéis à constância e rejeitou o conselho de esconder-se.  

A 13 de Setembro de 258 foi levado à presença do novo Procônsul. Uma enorme multidão acompanhou-o apreensiva com o que poderia lhe acontecer. Como se negou a prestar homenagens aos deuses, o juiz romano condenou-o à morte pela espada. A execução foi imediata, e Cipriano, preparando-se para o último sacrifício, deu ao carrasco 25 moedas de ouro. Os cristão estenderam panos de linho branco em redor, para recolher o sangue do Mártir.

O cadáver foi sepultado com grande solenidade. Duas igrejas foram erguidas: uma no lugar onde Cipriano foi decapitado, e outra sobre o seu túmulo. 

in Página do Oriente


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domingo, 15 de setembro de 2019

As 7 dores de Maria

Hoje é dia de Nossa Senhora das Dores. É tradição rezar um Pai-Nosso e sete Avé-Marias por cada uma das 'dores' de Nossa Senhora:

1. A profecia de Simeão (Lc 2, 34-35)
2. A fuga para o Egipto (Mt 2, 13)
3. O Menino Jesus perdido e encontrado no Templo (Lc 2, 43-45)
4. Maria encontra Jesus a caminho do Calvário (Lc 23, 26)
5. Jesus morre na Cruz (Jo 19, 25)
6. Maria recebe o corpo de Jesus nos braços (Mt 27, 57-59)
7. O corpo de Jesus é colocado no Sepulcro (Jo 19, 40-42)


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Cardeal Burke e D. Athanasius convocam cruzada de oração e jejum pelo Sínodo da Amazónia

O Cardeal Burke e Mons. Athanasius Schneider publicaram um documento que exorta todos os católicos a participarem de uma cruzada de oração e jejum pelo Sínodo da Amazónia durante 40 dias, de 17 de Setembro a 26 de Outubro, às vésperas do encerramento do Sínodo: Todos os dias dedicar pelo menos uma dezena do terço e fazer jejum uma vez por semana, de acordo com a tradição da Igreja, com estas intenções:

1. Que durante a assembleia sinodal, os erros teológicos e heresias incluídos no Instrumentum Laboris não sejam aprovados;

2. Que, em particular, o Papa Francisco, no exercício do ministério petrino, confirme os seus irmãos na fé, com uma clara recusa dos erros do Instrumentum Laboris e não consinta a abolição do celibato sacerdotal na Igreja Latina, com a introdução da prática de ordenação de homens casados, os chamados "viri probati".

Qualquer um que apenas souber da cruzada após ter começado pode, obviamente, participar a qualquer momento. 

O documentopublicado destaca 6 erros graves e heresias contidos no Instrumentum Laboris, resumindo:

1. PANTEÍSMO IMPLÍCITO: o documento promove uma socialização PAGÃ da "Mãe Terra", baseada na cosmologia das tribos amazónicas;

2. SUPERSTIÇÕES PAGÃS como fontes da Revelação Divina e "caminhos alternativos" para a salvação;

3. DIÁLOGO INTERCULTURAL EM VEZ DE EVANGELIZAÇÃO;

4. Uma CONCEPÇÃO ERRADA da ORDENAÇÃO SACRAMENTAL, que defende a existência de ministros do culto de ambos os sexos, até para realizar rituais xamãs;

5. Uma "ECOLOGIA INTEGRAL" que rebaixa a dignidade humana;

6. Um COLETIVISMO TRIBAL que mina o carácter único da pessoa e a sua liberdade.

Os erros teológicos e heresias implícitos e explícitos contidos no Instrumentum Laboris, da próxima Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazónica, são uma manifestação alarmante da confusão, do erro e da divisão que afligem a Igreja hoje. 

Ninguém pode justificar-se dizendo que não foi informado sobre a gravidade da situação e se eximiu do dever de tomar as acções apropriadas, por amor a Cristo e à sua vida connosco na Igreja. 

Em particular, todos os membros do Corpo Místico de Cristo, diante de tal ameaça à sua integridade, devem orar e jejuar pelo bem eterno dos seus membros, que, por causa desse texto, correm o risco de serem escandalizados, o que leva à confusão, erro e divisão. 

Além disso, todos os católicos, como verdadeiros soldados de Cristo, são chamado a salvaguardar e promover as verdades da Fé e a disciplina com que essas verdades são honradas na prática, para que a assembleia solene dos Bispos não traia a missão do Sínodo, que é "ajudar o Pontífice Romano através dos seus conselhos, para salvaguardar e aumentar a Fé e a moral, observando e consolidando a disciplina eclesiástica" (can. 342). 

Que Deus, através da intercessão de muitos missionários verdadeiramente católicos, que evangelizaram os povos indígenas da América - incluindo São Toríbio de Mogrovejo e São José de Anchieta -, dos santos que os nativos americanos deram à Igreja - incluindo São Juan Diego e Santa Kateri Tekakwitha - e em particular pela intercessão da Virgem Maria, Rainha do Santo Rosário, que derrota todas as heresias, para que os membros da próxima Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazónica e o Santo Padre estejam protegidos do perigo de aprovar erros e ambiguidades doutrinárias e de minar o domínio apostólico do celibato sacerdotal.

Raymond Leo Cardeal Burke
Bispo Athanasius Schneider


12 de Setembro de 2019
Festa do Santíssimo Nome de Maria


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sábado, 14 de setembro de 2019

Crux Fidelis - Música da autoria de D. João IV, Rei de Portugal


Ó Cruz fiel, entre todas a árvore mais nobre:
Nenhum bosque produz igual, em ramagens, frutos e flores.
Ó doce lenho, que os doces cravos e o doce peso sustentas.

Canta, ó língua, o glorioso combate (de Cristo),
e, diante do troféu da Cruz, proclama o nobre triunfo:
a vitória conseguida pelo Redentor, vítima imolada para o mundo.

O Criador teve pena do primitivo casal,
que foi ferido de morte, comendo o fruto fatal,
e marcou logo outra árvore para curar-se do mal.

Glória e poder à Trindade, ao Pai e ao Filho louvor,
honra ao Espírito Santo, eterna glória ao Senhor,
que nos salvou pela graça e nos reuniu no amor.



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A história da Exaltação da Santa Cruz

O dia 14 de Setembro, dia da Festa da Exaltação da Santa Cruz, comemora a gloriosa reconquista da Santa Cruz das mãos dos Persas.

Chosroes II, Rei da Pérsia, pegara em armas contra o império oriental romano (610), sob o pretexto de querer vingar as crueldades que o imperador Phocas tinha praticado contra o imperador Maurício. Phocas desapareceu e teve por sucessor Heráclio, governador da África. Este fez uma proposta de paz a Chosroes que este rejeitou. Uma cidade após outra caiu em poder dos Persas, sem que Heráclio lhes pudesse tolher os passos. Senhor de Jerusalém, Chosroes praticou as maiores atrocidades contra sacerdotes e religiosos, reduziu à cinza as igrejas, e entre outras preciosidades, levou também a parte do Santo Lenho, que Santa Helena tinha deixado na cidade Santa.

Heráclio pela segunda vez pediu a paz. O rei bárbaro respondeu-lhe com arrogância e orgulho: "Os Romanos não terão paz, enquanto não adorarem o sol, em vez de um homem crucificado". Vendo assim frustrados todos os esforços, Heráclio pôs toda confiança em Deus e em 622 marchou contra a Pérsia. Vitorioso no primeiro encontro, na Arménia, no ano seguinte o exército cristão conquistou Gaza, queimou o templo, junto com a estátua de Chosroes, que nele se achava. Chosroes foi assassinado pelo próprio filho, com o qual Heráclio celebrou a paz. Uma das primeiras condições desta paz foi a restituição do Santo Lenho, o qual Heráclio levou em triunfo para Constantinopla.

Uma vez livre do jugo dos Persas, Heráclio resolveu fazer a solene trasladação do Santo Lenho para Jerusalém. Na Primavera do ano de 629, com uma grande comitiva, foi à Cidade Santa, levando consigo a preciosa relíquia. Festas extraordinárias prepararam-se na Palestina. Em procissão soleníssima foi levada a Santa Cruz, para ser depositada na igreja do Santo Sepulcro, no monte Calvário. O Imperador tinha reservado para si a honra de a carregar. 

Chegada a procissão à porta da cidade que conduz ao Gólgota, Heráclio, como retido por forças invisíveis, não pôde dar mais um passo adiante. O patriarca Zacarias, que se achava ao lado do Imperador, levantou os olhos ao Céu e como por inspiração divina, disse-lhe: "Senhor! Lembrai-vos de que Jesus Cristo era pobre, enquanto vós andais vestido de púrpura; Jesus Cristo levava uma coroa de espinhos, quando na vossa cabeça vejo brilhar uma coroa preciosíssima; Jesus Cristo andava descalço, quando vós usais calçado finíssimo". 

Heráclio com humildade aceitou o aviso do patriarca. Sem demora tirou a coroa, trocou o manto imperial por uma túnica pobre, substituindo o rico calçado por sandálias e, tomando de novo o Santo Lenho, sem dificuldade alguma o levou até a última estação. Lá chegado, todo o povo se acercou da grande relíquia, venerando-a com muita fé. Muitos doentes recuperaram a saúde.

Para todos, o dia 14 de Setembro de 629 foi um dia de triunfo e da mais pura alegria. Deus ainda glorificou-o com muitos milagres.

Pe. João Batista Lehmann in 'Na Luz Perpétua' (Editora Lar Católico, 1950)


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sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Aviso: Este vídeo pode provocar forte motivação



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Ninguém pode ficar indiferente ao testemunho destes mártires

Martírio de Carpo


No tempo do imperador Décio, Óptimus era procônsul em Pérgamo; o bem-aventurado Carpo, bispo de Gados, e o diácono Papilo de Tiatira, ambos confessores de Cristo, compareceram diante dele. O procônsul disse a Carpo:

- Qual é o teu nome?

- O meu primeiro nome, o mais belo, é Cristão. O meu nome no mundo é Carpo.

- Conheces os éditos de César que vos obrigam a sacrificar aos deuses, senhores do mundo, não é verdade? Ordeno-te que te aproximes e que ofereças um sacrifício.

- Eu sou cristão. Adoro Cristo, filho de Deus, que veio à Terra nos últimos tempos para nos salvar e nos livrar das armadilhas do demónio. Não vou por isso sacrificar a esses ídolos.

- Sacrifica aos deuses, como ordena o imperador.

- Morram os deuses que não criaram o Céu nem a Terra.

- Sacrifica, como quer o imperador.

- Os vivos não sacrificam aos mortos. 

- Então tu crês que os deuses estão mortos?

- Certamente. Não vês que eles se assemelham a homens, mas estão imóveis? Deixa de os cobrir de honras; como eles não se mexem, os cães e os corvos virão cobri-los de esterco.

- Basta sacrificares. Tem piedade de ti mesmo!

- É mesmo por isso que eu escolho a melhor parte.

A estas palavras, o procônsul mandou que o suspendessem e lhe rasgassem o corpo com unhas de ferro.


Martírio de Papilo


Então o procônsul voltou-se para Papilo, para o interrogar:

- Tu és da classe dos notáveis?

- Não.

- Então quem és?

- Sou um cidadão.

- Tens filhos?

- Muitos, graças a Deus.

Uma voz de entre a multidão gritou:

- É aos cristãos que ele chama filhos!

- Porque me estás a mentir, dizendo que tens filhos?

- Repara que eu não minto, mas falo verdade: em todas as cidades da província, tenho filhos, que me foram dados por Deus.

- Oferece um sacrifício ou então explica-te.

- Desde a minha juventude que sirvo a Deus e nunca sacrifiquei aos ídolos; ofereço-me a mim mesmo em sacrifício ao Deus vivo e verdadeiro, que tem poder sobre todas as criaturas. E agora acabei, não tenho nada a acrescentar.

Amarraram-no também ao cavalete, onde foi rasgado com unhas de ferro. Três equipas de carrascos se sucederam sem que escapasse uma só queixa a Papilo. Qual valoroso atleta, sofria em profundo silêncio a fúria dos seus inimigos. O procônsul condenou os dois a serem queimados vivos. No anfiteatro, os espectadores mais próximos viram que Carpo sorria. Surpreendidos, perguntaram-lhe:

- Porque sorris?

O bem-aventurado Carpo respondeu:

- Vi a glória do Senhor e rejubilo. Eis-me liberto; não conhecerei mais as vossas misérias.


Martírio de Agatónica


Uma mulher que assistia ao martírio, Agatónica, viu a glória do Senhor que Carpo dizia ter contemplado. Compreendeu que era um sinal do céu e imediatamente exclamou:

- Esse festim também está preparado para mim. [...] Sou cristã. Nunca sacrifiquei aos demónios, mas somente a Deus. De boa vontade, se for digna disso, seguirei as pisadas dos meus mestres, os santos. É esse o meu maior desejo.

O procônsul disse-lhe:

- Sacrifica e não me obrigues a condenar-te ao mesmo suplício.

- Faz o que te parecer melhor. Eu vim para sofrer em nome de Cristo. Estou pronta.

Chegada ao lugar do suplício, Agatónica tirou as vestes e, alegre, subiu ao patíbulo. Os espectadores, tocados pela sua beleza, lamentavam-na:

- Que julgamento iníquo e que decretos injustos!

Quando ela sentiu as chamas tocarem o seu corpo, gritou três vezes:

- Senhor, Senhor, Senhor, vem em meu auxílio. É a Ti que recorro.

Foram as suas últimas palavras.


in Actas do martírio dos Santos Carpo, Pailo e Agatónica (século III) - Ichtus, vol. 2 


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quinta-feira, 12 de setembro de 2019

Escondida por humildade: nem os Anjos conheciam Maria

Maria manteve-se muito escondida durante toda a sua vida; por isso o Espírito Santo e a Igreja chamaram-lhe «Alma Mater»: Mãe escondida e secreta. A sua humildade foi tão profunda, que na Terra nada a seduziu mais poderosa ou mais continuamente do que esconder-se de si própria e de todas as criaturas, para que só Deus a conhecesse. 

Aprouve a Deus, atendendo aos seus pedidos de ocultação, empobrecimento e humildade, esconder a sua concepção, o seu nascimento, a sua vida, os seus mistérios, a sua ressurreição e a sua assunção aos olhos de quase toda a criatura humana. Nem os seus pais a conheciam; e os anjos perguntavam muitas vezes entre si: «Quae est ista? Quem é esta?» (Ct 6,10), porque o Altíssimo a ocultava; ou, se lhes mostrava alguma coisa, escondia-lhes infinitamente mais.

Que coisas grandes e escondidas fez este Deus poderoso nesta Criatura admirável, como ela própria foi obrigada a reconhecer, apesar da sua profunda humildade: «O Todo-Poderoso fez em mim maravilhas». O mundo não as conhece, porque é incapaz e indigno.

S. Luis Maria Grignion de Monfort in Tratado da verdadeira devoção à Virgem Maria, 1-6


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Santíssimo Nome de Maria

Veneramos o nome de Maria porque pertence àquela que é a Mãe de Deus, a mais santa das criaturas, a Rainha do Céu e da Terra, a Mãe da Misericórdia.

O objecto da festa é a Santa Virgem que traz o nome de Mirjam (Maria). A festa comemora todos os privilégios dados a Maria por Deus e todas as graças que temos recebido através da sua intercessão e mediação. 

História da Festa

A festa foi instituída em 1513, em Cuenca (Espanha), e estabelecida no dia 15 de Setembro com Ofício próprio, o dia da oitava da Natividade de Maria. Depois da reforma do Breviário de São Pio V, por um decreto de Sixto V (16 de Janeiro de 1587), foi transferida para 17 de Setembro. Em 1622, foi estendida para a Arquidiocese de Toledo pelo Papa Gregório XV. 

Depois de 1625, a Congregação dos Ritos hesitou durante algum tempo antes de autorizar que se estendesse mais (cf. os sete decretos "Analecta Juris Pontificii", LVIII, decr. 716 sqq.). Mas era celebrada pelos trinitarianos espanhóis em 1640 (Ordo Hispan., 1640). A 15 de Novembro de 1658, a festa foi concedida ao oratório do Cardeal Berulle sob o título: Solemnitas Gloriosae Virginis, dupl. cum. oct., em 17 de Setembro. Trazendo o título original, "SS. Nominis B.M.V.", a festa concedida a toda a Espanha e ao Reino de Nápoles em 26 de Janeiro de 1671.

Após o cerco de Viena e a gloriosa vitória do Rei João III Sobieski da Polónia [e da República das duas Nações] sobre os Turcos (12 de Setembro de 1683), a festa foi estendida para a Igreja Universal por Inocêncio XI, e marcada para o Domingo depois da Natividade de Maria por um decreto de 25 de Novembro de 1683 (duplex majus). 

A festa foi concedida à Áustria como duplex II classis a 1 de Agosto de 1654. Segundo um Decreto de 8 de Julho de 1908, sempre que esta festa não puder ser celebrada no próprio Domingo, por causa da ocorrência de alguma festa de maior grau, deve-se mantê-la a 12 de Setembro, o dia em que a vitória de Sobieski é comemorada no Martirológio Romano. O calendário das Irmãs da Adoração Perpétura, O.S.B., em França, do ano de 1827, possui a festa com um Ofício especial a 25 de Setembro. 

A Festa do Santíssimo Nome de Maria é a festa patronal dos Cônegos Regulares das Escolas Pios (padres escolápios) e da Sociedade de Maria (Maristas), em ambos os casos com um ofício próprio. No ano 1666, os Carmelitas Descalços receberam a faculdade de recitar o Ofício do Nome de Maria quatro vezes por ano (duplex). Em Roma, uma das igrejas gémeas no Fórum de Trajano é dedicada ao Nome de Maria. No Calendário Ambrosiano de Milão, a festa está marcada para o dia 11 de Setembro. 

É interessante como a Santíssima Virgem é honrada de forma especial no aniversário de duas batalhas entre cristãos e maometanos, nas quais saímos vencedores: 
07/10 - Nossa Senhora do Rosário - Batalha de Lepanto, 1571
12/09 - Santíssimo Nome de Maria - Batalha de Viena, 1683

Que a Bem-aventurada Sempre Virgem Maria, chamada por Pio XII de "vencedora de todas as grandes batalhas de Deus", abençoe a Cristandade e toda a Humanidade nestes tempos em que a paz é duramente ameaçada e a perseguição aos cristãos pelos muçulmanos está cada dia mais feroz e incessante.

A festa de hoje é ocasião de recordarmos que ao Nome de Maria, como ao Nome de Jesus, durante as celebrações litúrgicas, faz-se inclinação de cabeça. Pela inclinação manifesta-se a reverência e a honra que se atribuem às próprias pessoas ou aos seus símbolos. 

Há duas espécies de inclinação, ou seja, de cabeça e de corpo. Faz-se inclinação de cabeça, quando se nomeiam juntas as três Pessoas Divinas, ao Nome de Jesus, da Virgem Maria e do Santo em cuja honra se celebra a Missa. É uma prática exterior que deve ser motivada pelo interior reconhecimento da grandeza da Serva do Senhor.

in O Segredo do Rosário


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quarta-feira, 11 de setembro de 2019

A Tradição é a democracia dos mortos

Tradição significa dar o voto à mais obscura de todas as classes: os nossos antepassados. É a democracia dos mortos.

A Tradição recusa submeter-se à pequena e arrogante oligarquia dos que andam por aqui agora.

Os democratas rejeitam que alguém seja posto de lado pelo acidente de ter nascido; a tradição rejeita que alguém seja posto de lado pelo acidente de ter morrido. A democracia diz-nos para não negligenciarmos a opinião de um bom homem, mesmo que seja o seu marido: a tradição pede-nos que não negligenciemos a opinião de um bom homem, mesmo que seja o seu pai.

G. K. Chesterton in Ortodoxia


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