sábado, 1 de outubro de 2016

Como lidar com pessoas que nos irritam - S.Teresinha Menino Jesus

Há na comunidade uma irmã que tem o talento de me desagradar em todas as coisas; os seus modos, as suas palavras, o seu carácter eram-me muito desagradáveis. No entanto é uma santa religiosa que deve ser muito agradável ao bom Deus; assim, não querendo ceder à antipatia natural que sentia, disse a mim própria que a caridade não devia ser composta por sentimentos, mas por obras. 

Decidi então fazer por esta irmã aquilo que faria pela pessoa que mais amasse. Cada vez que a encontrava rezava ao Senhor por ela, oferecendo-Lhe todas as suas virtudes e méritos. Sentia que isso agradava a Jesus, pois não existe artista que não goste de receber louvores pelas suas obras e Jesus, o artista das almas, fica feliz quando não nos detemos no exterior mas, penetrando até ao santuário íntimo que Ele escolheu para morar, admiramos a sua beleza. Não me contentava em rezar muito pela irmã que me suscitava tantos combates, obrigava-me a fazer-lhe todos os favores possíveis e, quando tinha a tentação de lhe responder de modo desagradável, contentava-me em lhe fazer o meu sorriso mais amável e fazia por desviar a conversa. 

E também muitas vezes, tendo algumas relações de trabalho com essa irmã, quando os embates eram demasiado violentos, fugia como um desertor. Como ela ignorava totalmente o que eu sentia por ela, nunca desconfiou dos motivos da minha conduta e continua persuadida de que o seu carácter me agrada. Um dia, no recreio, disse-me mais ou menos estas palavras com um ar muito contente: «Pode dizer-me, irmã Teresa do Menino Jesus, o que a atrai tanto em mim, pois de cada vez que olha para mim vejo-a sorrir?» Ah, o que me atraía era Jesus, escondido no fundo da sua alma. Jesus torna doces as coisas mais amargas.


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sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Nunca é tarde: Aos 101 anos, brasileira recebe a Primeira Comunhão

Dona Penha, uma senhora de 101 anos, viveu um momento único na sua vida no dia 27 de Setembro em Santo António de Padua (Rio de Janeiro). Ela recebeu a Primeira Comunhão numa Missa, na Forma Extraordinária, celebrada na Capela do lar de Nossa Senhora do Carmo. Para os que presenciaram o feito, tratou-se de um grande testemunho do amor de Deus.

“Foi um momento muito bonito e mostrou-nos que nunca é tarde para receber a Eucaristia, que para quem busca a Deus não há tempo ou vergonha que possa impedi-lo”, declarou a auxiliar administrativa da instituição, Josiane Ribeiro, e afirmou que ocasiões como esta ajudam a “reafirmar a fé”.

Josiane contou que a Dona Penha chegou ao lar, administrado pelas Irmãs da Associação Nossa Senhora do Rosário de Fátima. No local, há uma capela onde se celebram Missas durante a semana.

“Dona Penha começou a acompanhar outras senhoras e um dia pediu para se confessar. O Pe. Domingos Sávio Silva Ferreira (da Administração Pessoal São João Maria Vianney) percebeu que ela nunca tinha recebido a Comunhão e pediu às irmãs que a preparassem para receber o sacramento”, recordou Josiane.

Segundo a funcionária da instituição, depois dessa preparação, Dona Penha comungou pela primeira vez e quem a acompanhou pôde ver que “isso era realmente o que ela queria”. “Aos 101 anos, ela está muito lúcida, preparou-se e recebeu a Primeira Comunhão com todo o coração”.

Para Josiane, este episódio foi um testemunho não só para as pessoas que vivem com Dona Penha no lar, mas também para tantas outras que puderam partilhar esse momento por meio das redes sociais. “Colocámos as fotos no Facebook do lar e muitas pessoas as viram, comentaram e gostaram”, disse.

No Facebook da instituição o post alcançou centenas de likes e foi partilhado muitas vezes. Entre os comentários, um utilizador destacou-se: “Há sempre tempo, o dela foi agora! Deus a abençoe!”

in ACI Prensa


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Como ler a Bíblia: um plano em três etapas

Como é que lêem a Bíblia? Hoje é a festa de São Jerónimo, que uma vez disse: "Ignorância da Escritura é ignorância de Cristo."

St.-Jerome read the bible
“Ignorância da Escritura é ignorância de Cristo.”  São Jerónimo
Diz-se que se alguém quer encontrar um versículo da Bíblia deve perguntar a um protestante e não a um Católico. Os protestantes lêem a Bíblia. Os Católicos nem por isso.
Isto levanta a questão:

Porque é que mais Católicos não lêem a Bíblia?

Eu acho que a resposta está no facto de que nós Católicos vamos à Missa. A Santa Missa tem sempre, no mínimo, duas leituras da Bíblia. Se rezarem o breviário ou Liturgia das Horas, multipliquem isso por várias vezes.
O Zé Católico diz a si mesmo, "Porque é que devo estudar a Bíblia? Eu vou à Missa. Oiço-a lá. Está feito!"
Há algo de belo nisto. Para os Católicos, ler a Bíblia é algo litúrgico. Assim, a leitura da Bíblia mantém-se principalmente uma experiência comunitária.

Um plano de três passos para tornar as coisas mais intensas

É bom ouvir as leituras da Bíblia na Santa Missa. No entanto, também precisamos de um encontro pessoal (e mesmo privado) com Deus nas páginas da Sagrada Escritura. Todos os Santos respiravam a Sagrada Escritura. A Escritura servia como a gramática das suas almas. Não conseguiam comunicar sem ela.
Aqui estão algumas necessidades espirituais que vocês têm todos os dias da vossa vida:
  1. Louvor – Dar voz à vossa alegria em Deus e na Sua providência para a vossa vida. A gratidão destrói o desencorajamento.
  2. Sabedoria – São precisos conselhos práticos para navegar pelas complexidades da vida.
  3. Desafio – Precisam de subir mais alto. Precisam de crescer na vossa fé. Precisam de se inspirar. Têm que ser Cristãos com intenção.
Portanto, quando acordarem amanhã, façam o seguinte:
  1. Leiam um Salmo. Comecem com o Salmo 1. Façam dele o vosso hino de louvor para esse dia.
  2. Leiam pelo menos um Provérbio. Os provérbios são os pedaços de sabedoria do vosso dia. Há 31 capítulos. Porque não ler um capítulo todos os dias durante um mês. Out 1 é Provérbios 1. Outubro 31 é Provérbios 31. Vocês percebem a ideia.
  3. Leiam um capítulo de um dos Evangelhos. Este é o vosso desafio. O vosso Salvador desafia-vos nos quatro Evangelhos. Chama-vos a não serem apenas um Católico de nome, mas um discípulo. Não é possível ler seriamente os Evangelhos e continuar morno. Cristo fala de uma maneira que não pode ser ignorada.

“Mas eu estou ocupado. Não tenho tempo!”

O quê? Estão muito ocupados. Desculpem, mas acabaram de levar um cartão amarelo:
yellow card
Isto é um cartão amarelo. Foram avisados...
Fazer estas três leituras demora apenas 3 a 5 minutos. É o tempo de um anúncio de televisão. E vai mudar a vossa vida para melhor. Demora 21 dias a criar um hábito. Por isso dêem 21 dias às leituras e vejam lá se não vos apetece continuar. Ponham a Bíblia na vossa mesa de cabeceira e leiam-na de manhã. Comecem de novo.

Taylor Marshall


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quinta-feira, 29 de setembro de 2016

São Miguel Arcanjo, defendei-nos neste combate

Português:

São Miguel Arcanjo, defendei-nos neste combate, sede o nosso auxílio contra as maldades e as ciladas do demónio. Instante e humildemente vos pedimos que Deus sobre ele impere. E vós, Príncipe da Milícia Celeste, com esse poder divino, precipitai no inferno a satanás e aos outros espíritos malignos que vagueiam pelo mundo para perdição das almas. Ámen.

Latim: 

Sancte Michael Archangele, defende nos in praelio, contra nequitias et insidias diaboli esto praesidium: Imperet illi Deus, supplices deprecamur, tuque, Princeps militiae caelestis, satanam aliosque spiritus malignos, qui ad perditionem animarum pervagantur in mundo, divina virtute in infernum detrude. Amen.



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Arcanjos São Miguel, São Gabriel e São Rafael

Que há anjos, muitas páginas da Sagrada Escritura o atestam… Mas é preciso saber que a palavra “anjo” designa a sua função: ser mensageiro. E chamamos “arcanjos” aos que anunciam os grandes acontecimentos. Foi assim que o arcanjo Gabriel foi enviado à Virgem Maria; para este ministério, para anunciar o maior de todos os acontecimentos, impunha-se enviar um anjo da mais alta estirpe…

De igual forma, quando se tratou de manifestar um poder extraordinário, foi Miguel que foi enviado. Na verdade, a sua acção, tal como o seu nome que quer dizer “Quem como Deus?”, fazem compreender aos homens que ninguém pode realizar o que compete apenas a Deus. O antigo inimigo, que desejou por orgulho fazer-se semelhante a Deus, dizia: “Eu escalarei os céus; erigirei o meu trono acima das estrelas; serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14,13). 

Mas o Apocalipse diz-nos que, no fim dos tempos, quando for abandonado à sua própria força, antes de ser eliminado pelo suplício final, ele terá de combater contra o arcanjo Miguel: “Houve um combate nos céus: Miguel e os seus anjos combateram contra o Dragão. E também o Dragão combatia com os seus anjos; mas não venceu e foi precipitado no abismo” (Ap 12,7).

À Virgem Maria, foi então Gabriel, cujo nome significa “Força de Deus”, que foi enviado; não é verdade que ele vinha anunciar aquele que quis manifestar-se numa condição humilde, para triunfar do orgulho do demónio? Foi, pois, pela “Força de Deus” que foi anunciado aquele que vinha como “o Senhor dos exércitos, poderoso nos combates” (Sl 23,8). 

Quanto ao arcanjo Rafael, o seu nome significa “Deus cura”. Na verdade, foi ele que livrou das trevas os olhos de Tobias, tocando-os como toca um médico vindo do céu (Tb 11,17). Aquele que foi enviado para cuidar o justo na sua enfermidade merece bem ser chamado 'Deus cura'.

São Gregório Magno, Papa in Homilias sobre o Evangelho



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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

É lícito distribuir preservativos para evitar abortos?

cooperação com o mal “é o concurso que se presta à acção má de outro, levando-o a fazer o mal na qualidade de agente principal” (Del Greco, Compêndio de Teologia Moraln. 138). Segundo o mesmo autor, é lícita “quando intervier motivo proporcionado”; e, exemplificando, “pode-se dar vinho a um bêbado para impedir que ele blasfeme” (n. 139).

O moralista é até mais abrangente e chega mesmo a dizer que se pode “sempre cooperar materialmente quando se trata de fazer evitar um mal mais grave” (id. ibid). A esta luz é legítimo — já vi o exemplo algures — procurar persuadir alguém, que esteja disposto a matar um seu rival, a feri-lo “apenas”. Como o pecado é cometido por outrem e como a intervenção fê-lo, na prática, deixar de cometer um pecado mais grave, ela respeita o mandamento da caridade — que obriga a procurar o bem dos outros e se esmerar por atingi-lo. Não só é legítima como, talvez, possa ser moralmente exigida.

Diante destes pressupostos coloca-se a pergunta incómoda: é lícito, portanto, oferecer um contraceptivo a alguém que vai cometer uma relação sexual cujo eventual fruto está disposto a abortar? Em outras palavras: se se sabe que fulano constrangeria a sua namorada a cometer um aborto caso ela engravidasse, será porventura lícito, na eventualidade de não ser possível dissuadir-lhes da fornicação em si, oferecer o preservativo a ele, ou a pílula a ela, a fim de evitar que eles cometam o mal (muito maior) do aborto? O paralelo é notável: a acção é meramente cooperativa e não comissiva, e evitar a morte de um ser humano inocente parece um “motivo proporcionado” a ser levado em consideração.

Não sei se os teólogos morais já se debruçaram sobre o tema, mas penso que há certas particularidades que devem ser levadas em consideração antes de uma resposta ligeira e irrefletida.

Primeiro, a fornicação — ao contrário dos outros exemplos mais fáceis de embriagar ou bater em alguém — é pecado mortal ex toto genere suo (cf. op. cit., n. 82), i.e., não admite parvidade de matéria (não pode nunca constituir pecado venial, ao menos não pelo seu objecto); e embora o que se diga a respeito da cooperação com o mal não faça menção à gravidade do pecado com o qual se coopera, é no mínimo temerário aderir laconicamente à tese de que ela é indiferente. Ou pode-se licitamente tentar convencer a matar um inocente só quem está já disposto a matar dois?

Segundo, e talvez mais importante, porque, in casu, o pecado que se instiga e aquele que se pretende evitar não estão no mesmo plano. O primeiro existe, formalmente, na medida em que o sujeito está decidido a fornicar; já o segundo não, porque a concepção de um filho não lhe é directamente visada, e nem muito menos o eventual aborto com o qual ele teria — presumivelmente — a pretensão de se descartar da sua responsabilidade parental. É muito diferente do caso de convencer fulano a ferir o sujeito que ele pretende matar: aqui já existe o pecado do homicídio, presente no intelecto do agente, em vias de execução quase, e persuadi-lo a “apenas” dar uma surra no seu rival faz, assim, sem dúvidas, e propriamente, o papel de evitar um assassinato concreto.

Não é absolutamente o mesmo o caso do aborto, tanto por ele não passar de uma probabilidade cuja existência não depende do contraceptivo para ser afastada (afinal, a menina pode simplesmente não engravidar e, portanto, a questão do aborto pode não se colocar jamais) quanto porque ele não era, no momento do pecado, objecto do querer do agente (cuja vontade pecaminosa era simplesmente a de fornicar, e não de abortar — e, portanto, diferente do que ocorre no caso do homicida, aqui o pecado efectivamente cometido é exactamente aquele inicialmente desejado, sem diminuição alguma).

Mas há ainda um terceiro ponto que se deve ter em conta, e ele considera os efeitos sociais da atitude de cooperação para o mal. Porque se imagina, no caso do sujeito disposto a matar o seu rival, que convencê-lo a feri-lo não passa de uma solução de emergência, de um caso fortuito, raro e eventual: não passa pela cabeça do moralista, suponho, a possibilidade de que o espancamento público de rivais viesse a generalizar-se — e socialmente aceite — de cercear os instintos assassinos do ser humano. Não se concebe que, de pecado, ferir o seu inimigo passe a ser visto como uma coisa banal e indiferente, ou mesmo positiva até, a ser incentivada e vista com naturalidade.

Ora, no caso dos contraceptivos é exatamente isso o que acontece. Não se vê a pílula como um mal menor a ser eventualmente utilizado em situações excepcionais cuja premência impede uma solução mais adequada: apresenta-se-lhe, ao contrário, como a solução ordinária e definitiva em matéria sexual que, se evita maiores males (como o aborto), fá-lo às custas da naturalização generalizada do pecado — já grave — da fornicação. 

Se é possível contrapesar pecados tratando-se de escolhas individuais, não parece contudo ser lícito institucionalizar alguns pecados nem mesmo para mitigar outros mais graves. A lógica da cooperação com o mal só faz sentido dentro dos estreitos limites em que o pecado é tratado como pecado; é uma lógica de contenção perplexa e não de excepção moral. Se se perde isso de vista e se o mal passa a ser visto com naturalidade, então talvez não se esteja mais a evitar um “mal mais grave” — e, sem isso, cooperar com o pecado alheio deixa de ser lícito.

Jorge Ferraz in Deus lo vult


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Acreditar em Deus é irracional?



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De judeu a monge cartuxo graças a um professor católico

Testemunho dado pela Drª. Alice von Hildebrand, casada com o Professor Dietrich von Hildebrand, a quem o Papa Pio XII chamou um dia Doutor da Igreja do séc. XX.
Em 1946, depois da II Grande Guerra, o meu marido ensinava na Universidade de Fordham, e apareceu nas suas aulas um estudante judeu que tinha sido oficial da Marinha durante a Guerra. Um dia confidenciou ao meu marido como era belo o pôr-do-sol no Oceano Pacífico e como isso o tinha levado à busca da verdade sobre Deus. 

Decidiu ir para a Universidade de Columbia (Estados Unidos da América) estudar filosofia, mas percebeu que não era isso que procurava. Um amigo sugeriu-lhe que fosse estudar filosofia para Fordham e mencionou o nome Dietrich von Hildebrand. 

Depois da primeira aula com o meu marido ele sabia que tinha encontrado o que procurava. Um dia, depois das aulas, o meu marido e o estudante foram dar um passeio a pé. Ele disse ao meu marido que estava surpreendido com o facto de que vários professores, depois de saberem que ele era judeu, lhe terem assegurado que não o tentariam converter ao Catolicismo.

O meu marido, estupefacto, parou, virou-se para ele e disse: "Eles disseram o quê?!" O estudante repetiu a história e o meu marido disse-lhe: "Eu iria até ao fim do mundo e regressaria para fazer-te católico." Resumindo, o jovem converteu-se ao Catolicismo, entrou na única Cartuxa nos Estados Unidos (em Vermont) e foi ordenado Padre cartuxo!

in latinmassmagazine (2001)


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terça-feira, 27 de setembro de 2016

Pio XII e o seu amor pelos animais

É sabido que o Papa Pio XII tinha um grande amor aos animais, em especial ao seu canário - Gretl. Mas de onde veio o canário?

Certo dia, Sua Santidade estava a passear nos jardins do Vaticano quando reparou num canário deficiente. Ele não atravessou para o outro lado. Não ordenou a um jardineiro para se livrar do pássaro. Como o Bom Samaritano, pegou nele cuidadosa e ternamente, levou-o de volta para o Vaticano (que já havia visto animais de estimação papais antes, p.e. o cão de Leão XIII) e tomou conta dele até o canário ficar saudável e forte. Depois disto, o pássaro só estava contente, quando na presença do Santo Padre. Quando o Papa fazia a barba o pássaro voava à volta dele e até pousava na sua cabeça, apreciando uma intimidade que nenhum outro, homem ou animal, possuia. Foi um momento muito triste quando a Irmã Pasqualina carregou o pássaro de volta para um Vaticano que não conheceria mais Pio XII.[1]

Abria a porta da gaiola, o canário voava pelo escritório do Papa, e quando este levantava o braço, pousava no dedo dele, falavam disto e daquilo, o Papa punha-se a escrever (à máquina), por exemplo uma Encíclica ou uma carta, o canário voava e quando se cansava voltava pacificamente para a gaiola.[2]

Homem de Deus, ele alimentava-se da oração. Quando rezava, às vezes ficava tão absorto que não ouvia qualquer pessoa que o chamasse, nem reparava no canário que costumava pousar e piar sobre as suas mãos juntas.[3]

São Tomás de Aquino ensina-nos que os animais, como o próprio nome indica, possuem alma (ainda que material e portanto irracional, mas sensitiva) e a sua ligação ao homem é, portanto, uma significativa para ele. Isto apenas mostra a virtude do Papa Pio XII.

 PF

Notas:

1.  http://corbiniansbear.blogspot.pt/

2. http://porabrantes.blogs.sapo.pt/

3. Pe. Ernesto Buonaiuti - Contemporâneo de Sua Santidade Pio XII


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A ajuda do Padre

Nesta fotografia histórica vemos o Padre Luis Maria Padilla a socorrer um soldado gravemente ferido em Puerto Cabello (Venezuela) numa zona chamada 'La Alcantarilla'. Esta cena passou-se durante um tiroteio aquando da sublevação contra o governo da Venezuela. 

O Padre Luis Maria, pároco e capelão da base naval, arriscou a vida para dar os últimos sacramentos, a Extrema Unção, aos feridos em combate. Esta fotografia, tirada em 1962, ficou conhecida como "A ajuda do Padre", foi distribuída pela Associated Press e acabou por ganhar o prémio Pullitzer no ano seguinte. 


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segunda-feira, 26 de setembro de 2016

A castidade de D. Sebastião, Rei de Portugal

Sua alma cada vez mais se esmaltava de intenções formosas, e seu corpo vestia-se de castidade. Não deixava que nenhuma dama lhe tocasse, e quando passeava a cavalo pela Rua Nova, ou pelas betesgas da velha e mourisca Lisboa, jamais levantava os olhos para as donzelas que chegavam às ventanas ou curiosamente espreitavam por detrás das verdes adufas árabes.

Era que seu espírito, vivendo exclusivamente para o catolicismo e para a guerra, queria servir estas ideias com alma pura e corpo casto.

Uma manhã, na igreja de São Roque, confessado e comungado, recolheu-se todo em si, cabeça inclinada para o peito, em profunda absorção. Esteve assim muito tempo. Depois, ergueu a fronte, pôs firme os olhos num crucifixo alto e, entre grossas lágrimas, rogou com a alma inteira:

– Senhor, Vós que a tantos príncipes haveis concedido impérios e monarquias, concedei-me ser vosso capitão!

Eram três as suas orações diárias: – Que Deus o inflamasse no zelo da fé, que ele queria propagar pelo mundo; – que Deus o tornasse um ardido guerreiro; – que Deus o conservasse casto.

Ser casto! Para ele a castidade era uma graça física que o tornava forte, uma fortaleza que o fazia ledo. A castidade dilatava-lhe a alma, amando a todos – ao reino, à grei. Era uma pureza que, vivendo em si, marcava conceito nobre em todos os seus propósitos, lhe punha frescor no olhar e lhe brunia as faces com sorrisos brancos. Ser casto era vestir um arnês de candura.''

Antero de Figueiredo in 'D. Sebastião, Rei de Portugal' (Livrarias Aillaud e Bertrand, Lisboa, 1924)


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domingo, 25 de setembro de 2016

A beleza é importante? Roger Scruton diz que sim

A beleza é importante? Roger Scruton diz que sim from Senza Pagare on Vimeo.


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Cardeal Burke: Forma extraordinária, um tesouro para a Igreja

Entrevista realizada pelo Padre Claude Barthe, capelão da peregrinação a Roma do povo Summorum Pontificum, ao Cardeal Raymond Leo Burke, cardeal patrono da Ordem de Malta.

Padre Claude Barthe: Eminência, o dia 7 de Julho assinala o aniversário do Motu Proprio Summorum Pontificum. Será exagero dizer que este texto é particularmente representativo do pontificado de Bento XVI?

Cardeal Raymond Leo Burke: Eu diria que em certo sentido, se trata, de facto, da expressão mais elevada do pensamento do Cardeal Ratzinger, que depois veio a ser o Papa Bento XVI. Ele mostra a sua compreensão do Concílio Vaticano II, já que, infelizmente, depois do segundo Concílio Ecuménico Vaticano, mas certamente não por causa dos ensinamentos do Concílio, verificaram-se numerosos abusos, nomeadamente no que diz respeito à celebração da sacra liturgia. Na Carta Apostólica Summorum Pontificum, vê-se como o Papa encontrou uma forma jurídica que estabelece um elo orgânico entre o novo e o antigo, entre a forma ordinária e a forma extraordinária.

Padre Barthe: Este texto apareceu após 50 anos de crise litúrgica, a crise a que V. Eminência se referiu na intervenção que fez em Roma, durante o colóquio Summorum Pontificum, a 13 de Junho deste ano (“Um tesouro para a Igreja”), ao dizer que, desde 1970, “o cavalo desenfreou”. Não veio o Motu Próprio abrir um caminho para a resolução desta crise?

Cardeal Burke: Sem dúvida. Bento XVI viveu com grande dor toda a crise litúrgica, tal como o contou na sua autobiografia (“A Minha Vida”). Na Carta dirigida aos bispos que acompanhava o Motu Proprio, ele dá conta desta que foi precisamente a sua experiência: “em muitos lugares – dizia o Papa Bento XVI – se celebrava não se atendo de maneira fiel às prescrições do novo Missal, antes consideravam-se como que autorizados ou até obrigados à criatividade, o que levou frequentemente a deformações da Liturgia no limite do suportável. 

Falo por experiência, porque também eu vivi aquele período com todas as suas expectativas e confusões.” E penso que, ao permitir redescobrir a forma da santa liturgia que tinha existido na Igreja romana ao longo de mil e quinhentos anos, o Papa Bento XVI veio dar a possibilidade para que os abusos sejam corrigidos, e deu também um ponto de referência para que se chegue a um necessário enriquecimento da forma ordinária.

Padre Barthe: Em jeito de pistas para este enriquecimento, o Cardeal Cañizares, prefeito da Congregação para o Culto Divino, havia apresentado ao Papa Bento XVI algumas propostas para o uso “ad libitum” na forma ordinária das antigas orações do ofertório e para um enquadramento das concelebrações: qual a opinião de V. Eminência a este propósito?

Cardeal Burke: Não tenho conhecimento sobre se o Cardeal Cañizares fez essas propostas, mas estou plenamente de acordo com a ideia de recuperar certas orações como as que se conservaram no ofertório da forma extraordinária, pois são muito expressivas do grande mistério sacrificial que se celebra. Tudo na Missa deve chamar a nossa atenção para a acção divina que se cumpre sobre o altar, e estas orações fazem-no de um modo particular. Num importante artigo concedido pelo Cardeal Sarah, prefeito do Culto Divino, ao “Osservatore Romano” de 12 de Junho passado, ele escrevia que seria desejável inserir o rito penitencial (com isso, quer-se referir às “orações aos pés do altar”) e o ofertório do “usus antiquior” como um anexo a uma futura edição do missal. Ainda acerca das orações aos pés do altar, o salmo que aí se utiliza, o salmo 42 da Vulgata (“E entrarei/irei até ao Altar de Deus; até ao Deus que alegra a minha mocidade”), era o mesmo que cantavam os sacerdotes antes de entrar no Templo de Jerusalém, voltados para o altar: é por isso uma belo modo de mostrar a unidade do culto “em espírito e verdade” (Jo 4, 23) d a Nova Aliança e do culto da Antiga Aliança, o novo culto que completa e aperfeiçoa o antigo.

Padre Barthe: Ao dar o seu lugar à missa no seu estado tradicional – o estado em que é apresentada no missal de 1962 de João XXIII – o Papa Bento XVI quis então pôr à disposição de toda a Igreja um ponto de referência.

Cardeal Burke: Assim é, devemos ver a forma extraordinária como um tesouro conservado pela Igreja romana ao longo dos séculos. Trata-se de um rito que, na sua substância, é idêntico ao de Gregório Magno.

Padre Barthe: V. Eminência insiste frequentemente na aplicação do adágio “lex orandi, lex credendi” à nova evangelização, ou reevangelização.

Cardeal Burke: A “lex orandi” está sempre ligada à “lex credendi”. Dependendo do modo em que os homens rezem, bem ou mal, assim também acreditarão, bem ou mal, e se comportarão, bem ou mal. A santa liturgia é, em absoluto, o primeiro acto da nova evangelização. Se não adorarmos a Deus em espírito e verdade, se não celebrarmos a liturgia com a maior fé possível, especialmente nessa acção divina que se desenrola ao longo da missa, então não poderemos ter a inspiração e a graça necessárias para participar na evangelização. Em suma, na santa liturgia está contida a forma da evangelização, na medida em que aquela é um encontro directo com o mistério da fé que nos cabe levar às almas que Deus traz ao nosso encontro.

Ela consegue, por ela mesma, conduzir ao conhecimento dos mistérios da fé. Se a santa liturgia for celebrada de uma maneira antropocêntrica, se ela mais não for do que uma simples actividade social, não terá qualquer impacto duradouro na vida espiritual. Uma das maneiras de conduzir os homens na direcção da fé consiste em restaurar a dignidade da liturgia. Celebrar uma missa com veneração é algo que sempre atraiu os homens para o mistério da redenção. 

É por isso que me parece que a celebração da missa na forma extraordinária pode ter um papel muito importante no âmbito da nova evangelização, porque ela acentua a transcendência da santa liturgia. Ela sublinha a realidade da união entre o Céu e a terra que a santa liturgia quer exprimir. A acção de Cristo por meio dos sinais do sacramento, por meio dos sacerdotes, instrumentos do próprio Cristo, torna-se muito evidente na forma extraordinária. Além do mais, ela ajuda‑nos a sermos mais respeitadores no modo de celebrar a forma ordinária.

Todos vemos a necessidade dessa evangelização no mundo de hoje, que vive como se Deus não existisse. É importante que se ligue esta nova evangelização à celebração o mais cuidada possível da liturgia. Em muitas pessoas ateias ou não cristãs com quem me encontrei, pude ver que, ao travarem conhecimento com a missa na forma extraordinária, tinham a experiência de estarem realmente na presença da acção de Deus. E em seguida, esta mesma experiência veio a permitir-lhes acolherem os ensinamentos da religião. Os homens devem conseguir compreender que o sacerdote age na pessoa de Cristo. Devem poder compreender que é o próprio Cristo que desce sobre o altar para renovar o sacrifício da Cruz. Devem poder compreender que têm de unir os seus corações àquele Seu Coração que foi trespassado para os purificar do pecado, e para fazer crescer neles o amor de Deus e o amor pelo próximo. Devemos pois catequizar os homens com as realidades profundas da missa, em particular por meio da forma extraordinária do rito romano.

Padre Barthe: A propósito da relação entre doutrina e liturgia, nota-se com frequência que os seminaristas que são atraídos pela forma extraordinária, têm também o desejo de receber uma formação teológica verdadeiramente estruturada. Cumpre, aliás, dizer que, em França, a forma tradicional atrai muitos seminaristas. 

Cardeal Burke: Mas, na Alemanha, também, e nos Estados Unidos, e em Itália. Havia a ideia de que os italianos não eram atraídos pela liturgia tradicional; é absolutamente falso.

Quanto aos seminaristas, quando era arcebispo de Saint Louis, assim que Bento XVI promulgou o Summorum Pontificum, pedi imediatamente que, no seminário, todos os seminaristas fossem instruídos sobre a forma extraordinária, sobre o seu rito, a sua espiritualidade, e que fosse celebrada no seminário uma vez por semana. Pedi também que os seminaristas que tivessem capacidade para aprender latim fossem formados para celebrar a forma extraordinária. Toda esta regulamentação foi muito bem recebida e, segundo penso, produziu bons frutos na arquidiocese.

Padre Barthe: Porque esta Missa agrada aos jovens.

Cardeal Burke: Assim é. O Papa Bento XVI dizia aos bispos que se poderia ter pensado que a procura da missa antiga tinha a ver com a geração mais velha, mas que se tinha tornado evidente que havia jovens a descobrirem esta forma litúrgica e que se sentiam atraídos por ela, vendo nela um modo de encontro com o mistério da Eucaristia que condizia particularmente com eles. Eu mesmo, quando celebro a missa tradicional, posso observar que a ela vêm assistir numerosas belíssimas famílias jovens e com muitos filhos. Não quero dizer que estas famílias não possam ter problemas, mas uma coisa é clara, que elas se sentem assim mais fortes para os enfrentar. 

Sempre me impressionou o número de jovens que eram atraídos pela forma extraordinária da missa. São atraídos por ela porque ela é ricamente articulada e cativa a atenção em relação ao que está a acontecer e a ser feito no altar. 

in Paix Liturgique


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sábado, 24 de setembro de 2016

Quais são os 4 pecados que bradam aos Céus?


Os pecados que bradam aos Céus por vingança são: homicídio intencional, sodomia, opressão dos pobres, privar os trabalhadores dos seu salários. Esta categoria de quatro pecados graves não é a classe dos pecados mais graves porque nenhum deles se opõe directamente a Deus. Mas são pecados que provocam a ira de Deus, de uma forma que não atribuímos a Sua Divina ira contra muitos outros pecados, e porque a Sagrada Escritura fala deles como uma classe à parte e como um clamor pela vingança de Deus.

Nos quatro pecados acima mencionados, a ofensa é directamente feita contra a natureza e contra os instintos naturais e, assim, contra a ordem que Deus teve tanto cuidado para estabelecer no mundo.

Deste modo, o homicídio intencional é directamente oposto à soberania de Deus, o único mestre da vida. A sodomia é uma perversão do verdadeiro instinto sexual, feito para perpetuar a raça. A opressão dos pobres extingue o arraigado sentimento de piedade no coração humano. Privar os trabalhadores dos seus salários é oposto ao instinto social que salvaguarda a propriedade dos membros do corpo político. 

É óbvio que este pecados levam à destruição da raça humana. Encontram-se claras advertências na Sagrada Escritura que colocam estes quatro pecados numa classe à parte e para serem considerados crimes hediondos. Por exemplo: “a voz do sangue do teu irmão clama por Mim da Terra”; “o clamor de Sodoma e de Gomorra é multiplicado e o pecado deles tornou-se excessivamente grave”; “Eu vi a aflição do meu povo no Egipto e ouvi o choro deles devido ao rigor dos seus exploradores”; “eis que os vossos trabalhadores, que ceifaram os vossos campos e que por fraude lhes foram tirados por vós, clamaram; e o clamor deles foi ouvido pelo Senhor dos Sabbaoth” (Gen. 4, 10; 18, 20; 19, 13; Exod. 3, 7; Deut. 24, 14; Tg. 5,4).

Henry Davis SJ in Moral e Teologia Pastoral


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No amor não há segredos?

A letra deste fado tem graça porque é verdade, muitas relações passam por isto:

Se te vejo pensativo
Quero saber o motivo
Dizes sempre não é nada
Mas eu sinto meu amor
Que escondes seja o que for
E fico preocupada

Se dos teu silêncio sais
Dizes-me coisas banais
Julgas iludir-me assim
Se depois no caso penso
Cada vez mais me convenço
Que não confias em mim

Recalco mais um queixume
Fico presa de ciúme
Em tudo só vejo enredos
Se nada te sei esconder
Deves o mesmo fazer
No amor não há segredos



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sexta-feira, 23 de setembro de 2016

"Ajoelha-te sempre diante de Deus" - Padre Pio




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A tentação que Padre Pio sofreu para não ser franciscano

Quando eu ainda era um protestante, alguém me deu uma pagela do Padre Pio. Nessa altura, o Padre Pio ainda era um "Beato", pois ainda não tinha sido canonizado. O meu amigo explicou-me que o sacerdote de barba representado na pagela tinha tido os estigmas. Eu ainda tenho a pagela por aí algures.

Lembro-me de me ter impressionado com duas coisas. Primeiro, que alguém pudesse mesmo receber os estigmas. Segundo, que pessoas modernas acreditavam que este tipo de coisas podiam ainda acontecer nesta "era iluminada". Desde então, cresci em amor ao Santo Pio cada vez mais. Talvez ele tenha estado a rezar pela minha entrada na Igreja Católica.

Recentemente li uma coisa sobre o Padro Pio que me impressionou. Era uma citação do Padre Pio sobre a sua angústia sobre se se devia tornar um frade franciscano quando tinha cerca de quinze anos:

Lembrava o Padre Pio:
“Senti duas forças a chocar dentro de mim, a romper o meu coração: o mundo queria-me para si e Deus chamava-me para uma nova vida. Seria impossível descrever este martírio. A simples memória da batalha que aconteceu dentro de mim congela o sangue nas minhas veias.
Surpreendentemente, o jovem Francesco (o nome de baptismo do Padre Pio) entrou no noviciado dos Franciscanos Capuchinhos aos 16 anos de idade! Conhecem muitos rapazes de dezasseis anos a esforçar-se ao máximo para entrar em ordens religiosas?
A vida do Padre Pio mostra que não devemos assumir que Deus nos revela tudo quando Ele quer começar uma grande transformação sobrenatural nas nossas almas. Vejam Noé, Abraão, Moisés, David, Elias, Ester, João Baptista, a Santíssima Virgem Maria e os Apóstolos. Podiam eles imaginar onde as suas vidas os iam levar? Deus esconde-nos o futuro por boas razões.
O Padre Pio é uma lembrança do século XX de que Deus ainda trabalha desta forma. Se estão a lutar com a vontade de Deus para a vossa vida, então é um bom sinal. Se se estão a contorcer, bem-vindos ao clube. Têm o Padre Pio como companhia... e todos os santos.

Na minha vida eu olho para trás, para esses momentos de "vale" e posso dizer honestamente que Deus fez sempre uma coisa impressionante em cada ocasião. Quando estava a deixar o presbiterado episcopaliano eu não fazia ideia do que ia fazer a seguir. Como é que ia ganhar a vida? Onde iria morar? Era um mistério total. No entanto, se eu tivesse esperado que Deus me mostrasse todos os detalhes, ainda seria um padre episcopaliano...

Se eu senti as "duas forças a lutar dentro de mim", como o Santo Pio descreveu? Podem crer que sim! Mas algures ao longo do caminho, a suave voz do Espírito Santo guia-vos na direcção certa. Ainda nos contorcemos, mas não ficamos orfãos.

Taylor Marshall


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quinta-feira, 22 de setembro de 2016

A morte de um exorcista: Pe. Gabriele Amorth

O recente falecimento do Pe. Gabriele Amorth apanhou-me de surpresa. Sim, o velho exorcista já contava com 91 anos e, nesta idade, a morte não é propriamente um acontecimento inesperado; a manchete, no entanto, mostrou-me o quão pouco eu acompanhava as notícias a respeito dele. Não sabia que estava doente, aliás nem me lembrava ao certo da idade dele. Na Sexta-Feira passada, no entanto, ele deixou o campo de batalha terreno para nos ajudar lá do Alto, onde agora pode mais junto a Deus.


Há o mau hábito no Catolicismo contemporâneo de ser muito condescendente para com as imperfeições alheias, principalmente no que diz respeito à tendência de conceder uma imediata ascensão aos Céus às almas daqueles que minimamente admiramos. Toda gente é santo súbito, toda a morte é entrada gloriosa no Paraíso. Esquecemo-nos do Purgatório — e isso pode até ser falta de caridade de nossa parte, na medida em que não nos sentimos obrigados de rezar pelas almas daqueles que já consideramos salvos. Esquecemos do Purgatório e queremos que todos os nossos mortos estejam, desde já, desde o instante seguinte à morte, no gozo da Bem-Aventurança dos eleitos de Deus.

Ainda assim, eu disse acima que o Pe. Amorth já agora nos ajuda de junto de Deus. Justifico. Em primeiro lugar, o venerável sacerdote chegou a uma avançada idade, e isso significa duas coisas. Primeiro que não foi apanhado de surpresa pela Morte; segundo, que pôde padecer os sofrimentos próprios da velhice em expiação pelas próprias faltas e em preparação para o Dia sem ocaso. Muitas pessoas acham que a melhor morte é aquela que nos chega sem que percebamos; o famoso “ir dormir e acordar morto”. Não vou dizer que este seja uma má morte (até porque a morte ser boa ou má depende essencialmente das disposições interiores em que nos encontramos no instante derradeiro, e não de ela ser mais demorada ou mais lenta, mais consciente ou mais súbita); mas trata-se, parece-me, pelo menos de uma morte arriscada. As pessoas perderam o hábito de pensar na morte e, com isso, a morte repentina, de um mal súbito, ou a morte em um acidente, podem chegar sem que a casa esteja devidamente preparada, sem que as disposições interiores estejam suficientemente lapidadas, sem que a alma esteja pronta, em suma, para se encontrar com Deus e com os pecados de toda uma vida.

A morte na velhice, após uma doença mais ou menos longa, é o contrário. A Inimiga das Gentes vem devagar, vem anunciando a própria presença, vem a passos lentos — e, com isso, dá mais tempo para que nos preparemos. Podemos fazer um demorado exame de consciência; podemos suplicar mais demoradamente o perdão e a misericórdia de Deus. Podemos confessar-nos, receber a Extrema Unção e o Viático; podemos até mesmo oferecer os inconvenientes da doença, os achaques, o medo, as dores — os sofrimentos todos — em expiação pelas nossas faltas. Li que o Pe. Amorth expirou após algumas semanas internado num hospital; quero crer, portanto, que ele tenha sabido aproveitar todas essas oportunidades de apressar a própria entrada no Céu.

Uma segunda razão pela qual imagino que o Pe. Amorth esteja junto de Deus é o ofício ao qual ele dedicou a própria vida. Não foi apenas sacerdote (como se isso fosse pouco), mas sim sacerdote e exorcista. Foi nesta terra inimigo ferrenho de Satanás, lutando corajosamente contra ele exactamente naqueles aspectos em que a presença demoníaca no mundo é mais forte e mais perturbadora: a obsessão, a infestação, a possessão. O mundo moderno vive uma crise de Fé que, se muito esquece de Deus, muito mais esquece do Diabo; esta figura é muitas vezes relegada à superstição medieval, à ignorância de um passado obscuro, a concepções maniqueístas primitivas que não encontram mais lugar em um mundo onde Deus é Amor.

Ora, mas Deus sempre foi Amor; Deus é Amor desde a criação dos Anjos e a Queda de Lúcifer, e uma coisa não tem nada a ver com a outra. Satanás não é um “deus do mal”, mas isso não significa que não seja uma criatura capaz de fazer muito mal. Há entre os homens ladrões e assassinos, sádicos e estupradores, salteadores e bandidos de todos os naipes; a quantidade de mal que o homem tem provocado ao próprio homem é enorme e capaz de assombrar por toda uma vida aqueles que dela tenham ainda que um pálido vislumbre. 

Senão vejamos: se os homens podem causar mal uns aos outros sem que isso seja um óbice à existência de um Deus que é Pai Amoroso, por que um anjo não poderia também provocar o mal aos filhos de Deus sem que isso minimamente maculasse a omnibenevolência do Altíssimo? Não há maniqueísmos dentro da Doutrina Cristã e nunca os houve; não há um deus mau ao lado do Deus que é Bom. No entanto, o mistério da liberdade que permite a existência do mal moral dentro do mundo criado não se restringe apenas aos seres humanos. Também os anjos têm inteligência e vontade, também eles são seres livres, também podem fazer o mal. Satanás não é uma hipótese ingénua e contraditória com a noção de um Deus sumamente bom, pelo menos não mais do que um estuprador ou um serial killer. Na verdade é o contrário: ingenuidade é imaginar que, havendo ladrões e assassinos no mundo, não pudessem existir também seres angélicos voltados à prática do mal.

O Pe. Amorth foi inimigo ferrenho de Satanás nesta terra, e venceu-o por incontáveis vezes, e por isso eu também quero acreditar que Deus o tenha levado depressa para os Céus; pode ser sentimentalismo, mas acho que não convém que aquele que foi inimigo aberto do Demónio no mundo tenha a sua entrada no Céu postergada por causa de algum apego da sua alma aos pecados que nada mais são do que as obras do mesmo Satanás que ele dedicou a vida a combater. 

Mas há ainda uma terceira razão. É que o tempo e a Eternidade relacionam-se de maneira, digamos, curiosa: aqui a História desenrola-se de maneira sequencial mas, lá, é tudo já e(vi)terno.

O Padre Pio certo dia rezava pelo seu avô. “Mas Padre, não disse que ele já estava no Céu?”, um amigo perguntou; “sim, está, mas as orações que eu fiz por ele até hoje e as que eu ainda farei até o fim da minha vida ajudaram-no a chegar lá”. O John McCaffery registrou a história no seu livro de memórias, e compreendê-la ajuda a contemplar melhor o mistério da Comunhão dos Santos. O Céu já está completo enquanto a História se desenrola; e por mais tempo que uma alma justa tenha passado no Purgatório, já agora ela está no Céu, já agora ela pode interceder por nós.

É com este ânimo que olho para o Pe. Amorth e quero já vê-lo em esplendor — o velho guerreiro revestido das suas armas gloriosas, impingindo já a Satanás maiores tormentos do que nos mais formidáveis exorcismos que ele exerceu durante a sua vida…! Que assim seja. Que o bom Deus olhe com misericórdia para o seu pobre servo e lhe dê o descanso eterno, a luz e a paz. E que, do alto dos Céus, o Pe. Gabriele Amorth continue a fazer guerra terrível contra todos os espíritos malignos que andam pelo mundo para perder as almas.

Jorge Ferraz in Deus lo vult


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O que é a Igreja? Cardeal Ratzinger responde



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quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Apenas 4 Evangelhos são verdadeiros - Orígenes

Antigamente, entre os judeus, um grande número de pessoas presumia ter o dom da profecia, mas alguns eram falsos profetas. O mesmo se passou no tempo no Novo Testamento, em que muitos «empreenderam» escrever evangelhos, mas nem todos foram aceites. A palavra «empreenderam» contém uma acusação velada contra aqueles que, sem terem a graça do Espírito Santo, se lançaram na redacção de evangelhos. Mateus, Marcos, João e Lucas não «empreenderam» escrever mas, cheios do Espírito Santo, escreveram efectivamente os verdadeiros Evangelhos.

A Igreja tem, pois, quatro evangelhos; os hereges têm-nos em grande número. «Muitos empreenderam compor uma narração», mas apenas quatro evangelhos foram aprovados; e é desses que devemos retirar, para trazer à luz, aquilo em que é necessário crer sobre a pessoa do Nosso Senhor e Salvador. 

Sei que existe um evangelho a que chamam «segundo São Tomé», um outro «segundo Matias» e lemos ainda outros tantos para não fazermos figura de ignorantes diante daqueles que imaginam saber alguma coisa quando já conhecem esses textos. Mas, em tudo isso, não aprovamos nada senão aquilo que a Igreja aprova: admitir apenas quatro evangelhos. Eis o que podemos dizer sobre o texto do prólogo de São Lucas: «Muitos empreenderam compor uma narração dos factos que entre nós se consumaram».

in Homilias sobre São Lucas, nº 1,1-2


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terça-feira, 20 de setembro de 2016

Os 108 mártires da Segunda Guerra Mundial

Os 108 mártires polacos: 3 bispos, 52 padres, 26 religiosos, 3 seminaristas, 8 religiosas e 9 leigos.

Aqui se vê a sua execução pública, em Setembro de 1939.



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6 frases de Madre Teresa sobre o aborto

1) “Um país que aceita o aborto não está a ensinar os seus cidadãos a amar, mas a usar a violência para obter o que querem. É por isso que o maior destruidor do amor e da paz é o aborto.”

2) “Eis porque o aborto é um pecado tão grave. Não somente se mata a vida, mas nos colocamos mais alto do que Deus; os homens decidem quem deve viver e quem deve morrer.”

3) “Temos medo da guerra nuclear e dessa nova enfermidade que chamamos de SIDA, mas matar crianças inocentes não nos assusta. O aborto é pior do que a fome, pior do que a guerra.”

4) “Mas eu sinto que o maior destruidor da paz hoje é o aborto, porque é uma guerra contra a criança – um assassinato direto da criança inocente – assassinato pela própria mãe. E se nós aceitamos que uma mãe pode matar até mesmo sua própria criança, como podemos dizer para outras pessoas que não se matem uns aos outros?”

5) ”A pior calamidade para a humanidade não é a guerra ou o terremoto. É viver sem Deus. Quando Deus não existe, admite-se tudo. Se a lei permite o aborto e a eutanásia, não nos surpreende que se promova a guerra!”

6) “O aborto pode ser combatido mediante a adopção. Quem não quiser as crianças que vão nascer, que as dê a mim. Não rejeitarei uma só delas. Encontrarei uns pais para elas. Ninguém tem o direito de matar um ser humano que vai nascer: nem o pai, nem a mãe, nem o estado, nem o médico. Ninguém. Nunca, jamais, em nenhum caso. Se todo o dinheiro que se gasta para matar fosse gasto em fazer as pessoas viver, todos os seres humanos vivos e os que vêm ao mundo viveriam muito bem e muito felizes. Um país que permite o aborto é um país muito pobre, porque tem medo de uma criança, e o medo é sempre uma grande pobreza.”

in ChurchPop


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Serenidade. Por que te zangas?

Serenidade. – Por que te zangas, se zangando-te ofendes a Deus, incomodas os outros, passas tu mesmo um mau bocado... e por fim tens de te acalmar? 

Isso mesmo que disseste, di-lo noutro tom, sem ira, e ganhará força o teu raciocínio e, sobretudo não ofenderás a Deus. 

Não repreendas quando sentes a indignação pela falta cometida. – Espera pelo dia seguinte, ou mais tempo ainda. – E depois, tranquilo e com a intenção purificada, não deixes de repreender. – Conseguirás mais com uma palavra afectuosa, do que ralhando três horas. – Modera o teu génio.

S. Josemaria Escrivá in 'Caminho' (pontos: 8, 9, 10)


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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

O apelo de Nossa Senhora de La Salette (1846)

Eu dirijo um apelo urgente à Terra. Apelo aos verdadeiros discípulos do Deus vivo que reina nos Céus. Apelo aos verdadeiros imitadores de Jesus Cristo feito homem, o único e verdadeiro Salvador dos homens.

Apelo aos meus filhos, meus verdadeiros devotos, aqueles que se deram a mim para que eu os conduza ao meu Divino Filho, aqueles que levo, por assim dizer nos meus braços, aqueles que viveram de acordo com o meu espírito.

Enfim, apelo aos Apóstolos dos Últimos Tempos, aos fiéis discípulos de Jesus Cristo que viveram no desprezo do mundo e de si mesmos, na pobreza e na humildade, no desprezo e no silêncio, na oração e na mortificação, na castidade e na união com Deus, no sofrimento e desconhecidos do mundo. É chegado o tempo para que eles saiam e venham iluminar a Terra. Ide e mostrai-vos como meus filhos amados. 

Estou convosco e em vós, contanto que a vossa fé seja a luz que vos ilumina nestes dias de desgraças. Que o vosso zelo vos faça como que sedentos da glória e honra de Jesus Cristo. Combatei, filhos da luz, pequeno número que isto vedes, pois aí está o tempo dos tempos, o fim dos fins.

René Laurentin in 'Michel CortevilleDécouverte du Secret de La Salette. Au-delà des polémiques, la vérité sur l'apparition et ses voyants', Fayard, Paris, 2002


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