segunda-feira, 25 de maio de 2020

Há 133 nascia Francesco Forgione, mais como conhecido por Padre Pio

Padre Pio nasceu no dia 25 de Maio de 1887 em Pietrelcina (Itália). Ainda criança começou a ter visões sobrenaturais. Entrou na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos (Franciscanos), tendo adoptado o nome de Frei Pio. Foi um dos maiores místicos do séc. XX e os seus milagres, ainda em vida, valeram-lhe a fama de santidade outorgada pelos fiéis do Mundo inteiro. 

Deixamos aqui um apelo de amor à Igreja escrito pelo Santo numa das suas cartas:

Depois do amor a Nosso Senhor, recomendo-te o amor à Igreja, sua Esposa. Ela é, de certo modo, a pomba que incuba e faz nascer os filhinhos do Esposo. Dá sempre graças a Deus por seres filha da Igreja, a exemplo de um tão grande número de almas que nos precederam nesta via bem-aventurada. Tem muita compaixão pelos pastores, pregadores e guias espirituais, espalhados por toda a superfície da terra. [...] Reza a Deus por eles, para que, sendo eles próprios salvos, sejam produtivos e facilitem a salvação das almas. 

Ora tanto pelas pessoas pérfidas como pelas fervorosas, ora pelo Santo Padre, por todas as necessidades espirituais e temporais da Igreja; porque ela é nossa Mãe. Faz também uma oração especial por todos os que trabalham para a salvação das almas, para glória do Pai.

São Pio de Pietrelcina (1887-1968) in Cartas 3, 707; 2,70


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Curiosidades Papais

A palavra Papa
Derivada do grego pappas e do latim pappa. Ambas significam pai. Em 1073, o Papa Gregório VII proibiu que o termo fosse utilizado por qualquer outra pessoa. Até aquela data, bispos e padres também recebiam o tratamento de papa.

A autoridade Papal
Segundo a tradição católica, a liderança de São Pedro perante os 12 apóstolos, confiada por Jesus Cristo, é que define a supremacia do Sumo Pontífice.

Mais jovem
João XII tinha apenas 18 anos quando foi eleito.

Mais idoso
Honório III. Eleito com 90 anos.

Papa que não era padre
Conde Tusculum (João XIX) foi eleito em 1024 sem nunca ter recebido ordenação.

Papado mais longo
São Pedro ficou 33 anos no trono.

O mais curto
Urbano II. Durou apenas 13 dias.

Insígnias do papado
O anel do pescador. Quando o Papa morre, o seu anel, que é usado na mão direita, é partido numa bigorna, com um martelo de ouro.

As chaves de São Pedro
Simbolizam o poder que foi dado a São Pedro.

Sede gestatória
Poltrona montada sobre um andor, carregada pelos oficiais do Vaticano quando o Papa saía em Procissão. João Paulo II substituiu-a pelo Papamovel.

Batina branca
Usada pela primeira vez por Pio V, em 1565. Até então, a sotaina era púrpura cardinalícia.

Tiara pontifícia
A tiara é imposta ao novo Papa pelo Cardeal protodiácono pronunciando a seguinte fórmula: "Recebe a tiara ornada com três coroas e sabe que és o pai dos príncipes e dos reis, o reitor do mundo, o vigário na terra do Salvador nosso Jesus Cristo, ao qual se deve toda a honra e toda a glória pelos séculos dos séculos". Paulo VI usou apenas uma vez e João Paulo I recusou-se a usá-la.

Renúncias
Celestino V (Pierre de Morrone) (Celestino V), porque não se considerava capaz de exercer o pontificado. O mesmo aconteceu com o Papa Bento XVI (Joseph Ratzinger) em 2013.

Papas assassinados (não mártires)
João VIII, Estêvão VI, Leão V, João X, João XII, Bento VI, João XIV, Clemente II. 
  
Papas canonizados
Há 81 papas canonizados e 8 beatificados.



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domingo, 24 de maio de 2020

Dom Bosco e Nossa Senhora Auxílio dos Cristãos

No ano de 1862, as aparições de Maria Auxiliadora na cidade de Spoleto a uma criança de cinco anos marcam um despertar mariano na piedade popular italiana. Nesse mesmo ano, Dom Bosco iniciou a construção, em Turim, de uma grande Basílica, que foi dedicada a Nossa Senhora, Auxílio dos Cristãos. Até então não se percebia em Dom Bosco uma atenção especial por esse título.

A partir dessa data, Dom Bosco, que desde pequeno aprendeu com Margarida, sua mãe, a ter grande confiança em Nossa Senhora, ao falar da Mãe de Deus, lhe unirá sempre o título Auxiliadora dos Cristãos. Para perpetuar o seu amor e a sua gratidão para com Nossa Senhora e para que ficasse conhecido por todos e para sempre que foi “Ela (Maria) quem tudo fez”, Dom Bosco quis que as Filhas de Maria Auxiliadora, congregação por ele fundada juntamente com Santa Maria Domingas Mazzarello, fossem um monumento vivo dessa sua gratidão.

“Nossa Senhora deseja que a veneremos com o título de Auxiliadora: vivemos em tempos difíceis e necessitamos que a Santíssima Virgem nos ajude a conservar e defender a fé cristã”, disse Dom Bosco ao Padre Cagliero.

A devoção a Nossa Senhora Auxiliadora foi crescendo cada vez mais e mais. No dia 17 de maio de 1903, por decreto do Papa Leão XIII, foi solenemente coroada a imagem de Maria Auxiliadora, que se venera no Santuário de Turim.

Grande devoção a Nossa Senhora: a construção do Santuário de Maria Auxiliadora em Turim

Dom Bosco confiou aos Salesianos a propagação dessa devoção, que é, ao mesmo tempo, devoção à Mãe de Deus, à Igreja e ao Papa.

Foi uma obra marcada por acontecimentos extraordinários e dificuldades enormes. Dom Bosco não se cansava de dizer que era Nossa Senhora que queria a igreja e que Ela mesma, depois de lhe ter indicado o local onde devia ser feita, lhe teria feito encontrar os meios necessários.

Mas ouçamos do próprio Dom Bosco o relato de um "sonho", tido em 1844, quando andava ainda à procura de uma sede estável para o seu oratório.

A Senhora que lhe apareceu, diz-lhe:

"Observa'. - E eu vi uma igreja pequena e baixa, um pequeno pátio e jovens em grande número. Recomecei o meu trabalho. Mas tendo-se esta igreja tornado pequena, recorri a Ela outra vez e Ela fez-me ver uma outra igreja bastante maior com uma casa ao lado. Depois, conduzindo-me a um lado, a um pedaço de terreno cultivado, quase em frente da fachada da segunda igreja, acrescentou:


'Neste lugar onde os gloriosos Mártires de Turim Aventor, Solutor e Octávio ofereceram o seu martírio, construirás a minha igreja."


in aveluz.com e it.donbosco-torino.org


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sábado, 23 de maio de 2020

Documentário sobre a Liturgia



Para saber sobre o documentário: https://theliturgy.org


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Sagrada Comunhão na boca: Orientações ou Normas?


A Conferência Episcopal Portuguesa publicou um documento intitulado: Orientações da Conferência Episcopal Portuguesa para a celebração do Culto público católico no contexto da pandemia COVID-19, datado de 8 de Maio de 2020.

O título parece ser inequívoco ao colocar todo o texto na categoria de orientações. Esta impressão parece reforçada quando no início do texto se escreve: “ ... a Conferência Episcopal Portuguesa ... propõe algumas medidas de proteção ... ”. Contudo quase de seguida adianta: “Estas normas de proteção ... ”. Ora ninguém ignorará que entre orientações, proposta e normas há, do ponto de vista do Direito Canónico, uma diferença abissal. Afinal em que ficamos? Afigura-se estranho que pessoas tão qualificadas redijam esta salgalhada inicial.

Infelizmente, antes ainda, deparamo-nos com esta extraordinária sentença: “Na parte que lhe cabe, a Igreja tem a grave responsabilidade de prevenir o contágio da enfermidade, em coordenação com as legítimas autoridades governativas e de saúde.”. Esta afirmação parece, à primeira vista sensata, e, de facto, podemos ou devemos considerar que o seja na sua primeira parte, a saber: “Na parte que lhe cabe, a Igreja tem a grave responsabilidade de prevenir o contágio da enfermidade ...” . Infelizmente, a segunda parte da asserção é inteiramente catastrófica, funesta - uma calamidade. Não sabe a CEP que aquilo que considera “legítimas autoridades governativas e de saúde” são instituições(!!) radicalmente empenhadas na matança de crianças nascituras quer através do aborto provocado quer das letais experimentações embrionárias? Ignorará, porventura, da igual obstinação assanhada, destas mesmas instituições, na eutanásia e no suicídio assistido? É nesta gente que o Episcopado confia para salvaguardar a vida e saúde dos portugueses? Não viu, por exemplo, a dizimação nos lares de idosos, que bem podia ter sido evitada?

Quererá o Episcopado, que nos confiemos a essas “autoridades” e que sejam elas a determinar, por interpostos Bispos, como o Culto e a Liturgia deverão ser celebrados?

Evidentemente que os Senhores Bispos têem muitos outros médicos, especialistas e cientistas que podem consultar. Tanto mais que sabem muito bem que há diversidade de pareceres fundamentados.

Por exemplo, em relação à Sagrada Comunhão se há ilustres virologistas e imunologistas que advogam a Comunhão na mão outros, não menos ilustres, defendem exactamente o contrário, ou seja, a Sagrada Comunhão na boca, por ser mais segura.

Nesta abundante diferença de pareceres encontrei um só, de um ilustre microbiologista, que afirmava ser a possibilidade de contágio equivalente quer na mão quer na boca. Mas adiantava que havia diversas maneiras, algumas das quais, ao longo dos séculos, foram usadas pela Igreja em tempos de peste, de conceder a Sagrada Comunhão da boca evitando qualquer possibilidade de contágio.

Também parece estranho que em relação ao “distanciamento social” entre o comungante não se aconselhe ou, pelo menos se refira, a Sagrada Comunhão de joelhos, que segundo prestigiosos virologistas é o modo mais adequado de manter a distância de segurança entre o Ministro da Sagrada Comunhão e aquele que A recebe.

Padre Nuno Serras Pereira



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sexta-feira, 22 de maio de 2020

Como fazer um pedido a Santa Rita de Cássia


Santa Rita é conhecida como a santa das causas impossíveis, graças aos inúmeros milagres que acontecem por sua intercessão

Ó poderosa e gloriosa Santa Rita chamada Santa das causas impossíveis, advogada dos casos desesperados, auxiliadora da última hora, refúgio e abrigo da dor que arrasta para o abismo do pecado e da desesperança, com toda a confiança em Vosso poder junto ao Coração Sagrado de Jesus, a Vós recorro no caso difícil e imprevisto, que dolorosamente oprime o meu coração.

(Fazer o pedido)

Obtende a graça que desejo, pois sendo-me necessária, eu a quero. Apresentada por Vós a minha oração, o meu pedido, por Vós que sois tão amada por Deus, certamente será atendido. Dizei a Nosso Senhor que me valerei da graça para melhorar a minha vida e os meus costumes e para cantar na Terra e no Céu a Divina Misericórdia.

Pai-Nosso, Avé-Maria, Glória

Santa Rita das causas impossíveis, intercedei por nós! Ámen


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quinta-feira, 21 de maio de 2020

Primeiro Sermão na Ascensão do Senhor - São Leão Magno

1. Cristo ressuscitado aparece e a dúvida dos discípulos confirma a fé 

Hoje, caríssimos, completam-se os quarenta dias santificados, dispostos segundo um plano sagrado e empregados para nossa instrução, a contar da bem-aventurada e gloriosa ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, quando o poder divino reergueu no terceiro dia o verdadeiro templo de Deus, destruído pela impiedade dos judeus. O Senhor prolonga a sua presença corporal durante este espaço de tempo, para munir das provas necessárias a fé na sua ressurreição. 

A morte de Cristo turbara muito os corações dos discípulos; certo torpor de desconfiança havia-se insinuado nos espíritos opressos de tristeza, por causa do suplício da cruz, do último suspiro e do sepultamento do corpo exânime. Por isso, quando as santas mulheres, como narra a história evangélica, anunciaram que a pedra havia sido rolada do túmulo, o sepulcro estava vazio e os anjos tinham testemunhado que o Senhor vivia, as suas palavras pareceram aos apóstolos e aos outros discípulos uma espécie de delírio. 

O Espírito de verdade não teria permitido que tal hesitação e vacilação proveniente da fraqueza humana penetrassem na mente dos seus pregadores, se aquela trépida solicitude, a dúvida e a curiosidade, não lançassem os fundamentos da nossa fé. Por meio dos apóstolos eram socorridas as nossas perturbações e os nossos perigos. Por eles aprendíamos como vencer as calúnias dos ímpios e os argumentos da sabedoria terrena. Vendo, instruíram-nos; ouvindo, ensinaram-nos; tocando, confirmaram-nos. Demos graças pela economia divina e pela necessária lentidão dos nossos santos pais! Duvidaram para que não duvidássemos nós. 

2. Importantes acções de Cristo nesses dias 

Não passaram inutilmente, caríssimos, os dias decorridos entre a ressurreição e a ascensão do Senhor, mas neles se corroboram grandes sacramentos, foram revelados profundos mistérios. Neles eliminou-se o medo da morte cruel e manifestou-se a imortalidade não apenas da alma, mas também a do corpo. Neles, pelo sopro do Senhor, infundiu-se o Espírito Santo nos apóstolos todos; ao bem-aventurado apóstolo Pedro, com primazia, foi entregue após as chaves do reino, o cuidado das ovelhas do Senhor. 

Nesses dias, o Senhor juntou-se como terceiro companheiro aos dois discípulos em viagem (Lc 24,15) e para expelir as trevas da nossa dúvida, censura a lentidão destes temerosos e hesitantes. Os seus corações iluminados concebem a chama da fé; de tépidos tornam-se ardentes ao explicar-lhes o Senhor as Escrituras. Na fracção do pão abrem-se os olhos dos convivas. Muito mais felizes esses olhos que se abrem e vêem manifesta a glória da natureza do Senhor do que os dois primeiros membros do género humano que verificaram a confusão causada pela própria prevaricação. 

3. As chagas confirmam os corações vacilantes dos discípulos 

Entre esses e outros milagres, quando os discípulos estavam agitados por trepidantes cogitações, o Senhor apareceu no meio deles, dizendo-lhes: “Paz a vós!” (Lc 24,36; Jo 20,26). Para dissipar as opiniões que eles revolviam no coração (julgavam ver um espírito e não um corpo), repreendeu os juízos discordantes da verdade, apresentou aos olhos dos que duvidavam as cicatrizes que lhe restavam da crucificação nas mãos e nos pés, e convidou-os a tocá-las cuidadosamente. 

No intuito de se curarem as feridas dos corações descrentes, foram conservados os sinais dos cravos e da lança, de modo que acreditassem, não por crença dúbia, mas com firme conhecimento, que haveria de partilhar o trono de Deus Pai aquela natureza que havia jazido no sepulcro. 

4. A ascensão enche de alegria aqueles que a morte fizera tímidos e a ressurreição deixara na dúvida 

Durante o tempo, caríssimos, decorrido entre a ressurreição e a ascensão do Senhor, a Providência de Deus estabeleceu, ensinou e insinuou diante dos olhos e dos corações dos seus, que reconhecessem ter o Senhor Jesus Cristo verdadeiramente ressuscitado, como verdadeiramente havia nascido, sofrido e morrido. Os bem-aventurados apóstolos e todos os discípulos, atemorizados com a morte na cruz e de fé oscilante na ressurreição, de tal modo se fortaleceram com a evidência da verdade que a subida do Senhor aos céus não somente não os entristeceu, mas ao contrário encheu-os de grande alegria (Lc 24,52). 

E, em verdade, grande e inefável motivo de júbilo era elevar-se, na presença duma santa multidão, uma natureza humana acima da dignidade de todas as criaturas celestes, ultrapassar as ordens angélicas e subir mais alto que os arcanjos, e nem assim atingir o termo da sua ascensão senão quando, assentada junto do eterno Pai, fosse associada ao trono de glória daquele a cuja natureza estava unida no Filho. A ascensão de Cristo, portanto, é nossa exaltação e para lá onde precedeu a glória da Cabeça, é atraída também a esperança do Corpo. Exultemos, caríssimos, repletos de gáudio e alegremo-nos com piedosa acção de graças! 

Hoje não só fomos firmados como possuidores do paraíso, mas até penetramos com Cristo no mais alto dos céus, tendo obtido, pela inefável graça de Cristo, muito mais do que perdêramos por inveja do diabo. Aqueles que o virulento inimigo expulsou da felicidade da habitação primitiva, o Filho de Deus, tendo-os incorporado a si, colocou-os à direita do Pai. Ele, que vive e reina com o Pai na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.


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Quinta-Feira da Ascensão - Cante Alentejano

Moda alentejana dedicada a esta Quinta-Feira em que a Igreja sempre celebrou a Ascensão de Nosso Senhor aos Céus, 40 dias depois da Páscoa e 10 dias antes do Pentecostes.


Venho-lhe dar um raminho
Colhido da própria planta
Para me dares amêndoas
Quando for Sexta-Feira Santa

Quinta-Feira da Ascensão
Saem as moças pro campo
De vestido cor-de-rosa
No chapéu um laço branco

No chapéu um laço branco
Com um raminho na mão
Vêm as moças do campo
Quinta-Feira da Ascensão

Oliveira à luz divina
O trigo simboliza o pão
Alecrim: saúde e força
Paz e amor no coração

Quinta-Feira da Ascensão
Saem as moças pro campo
De vestido cor-de-rosa
No chapéu um laço branco

No chapéu um laço branco
Com um raminho na mão
Vêm as moças do campo
Quinta-Feira da Ascensão


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quarta-feira, 20 de maio de 2020

Ladainhas Menores nos 3 dias que antecedem a Ascensão


As "rogações", do latim, rogatio (pedido, petição), são as orações de petição que uma comunidade faz em determinados tempos ou por algumas intenções especiais, muitas vezes em forma de procissão e com o canto das Ladainhas dos Santos. As rogações – dando graças a Deus, pedindo a chuva, uma boa colheita, o fim de uma epidemia ou a libertação de algum outro mal que ameaça toda a comunidade – relacionam-se sobretudo com as Quatro Têmporas do ano.

HISTÓRIA

Em consequência das calamidades naturais e um terramoto que, no século V, destruiu casas e colheitas, na Diocese de Vienne (ou Viena), no Delfinado - actual Isère (França) - o Santo Bispo Marmeto, um dos Santos de Gelo, organizou, em 474, três dias antes da Ascensão, uma procissão solene de penitência nos três dias que precedem imediatamente a Ascensão. Mais tarde, em 511, o Primeiro Concílio de Orleans (combate ao arianismo; regulamentação das relações entre o poder real e a Igreja; estabelecido o direito de asilo) estendeu este costume a toda França; e o Papa Leão III, em 816, adoptou-o em Roma, donde passou a toda Igreja.

Ladainha de todos os Santos, os salmos e as orações são uma oração de súplica, recebendo por este motivo o nome de “rogações”. Têm por fim afastar os flagelos da Justiça Divina e atrair as bênçãos e a misericórdia de Deus. As ladainhas são um modelo admirável de oração; pequenas jaculatórias dialogadas, brevíssimas, e a ressumar sentido e piedade.  


Essas são as Rogações Menores. As Rogações Maiores, ao invés disso, não são obras de São Mamerto, e, ainda que tenham tido a bênção de diversos Papas, têm origens pré-cristãs. São celebradas no dia 25 de abril, data em que antigamente se praticavam os 
ritos de Ambarvalia (eram ritos de fertilidade agrícola romanos em honra de Ceres): procissões propiciatórias para obter boas colheitas. 

O Papa Libério (no século IV) cristianizou-as; e, sucessivamente, o Papa Bento XIV (século XVIII), estabeleceu que fossem "orações próprias para defender a vida dos homens da ira de Deus que nos amedronta em todo lugar", com o objetivo de "afastar os flagelos da justiça de Deus e de atrair as bênçãos da sua misericórdia sobre os frutos da Terra". Ambarvalia vem do latim "ambire arva" significando "volta ao redor do campo".

Seja como for, por ocasião das Rogações Menores repetiam-se essas procissões nos campos, com itinerários diferentes, durante os três dias. Desde a manhã até a noite, campo por campo, o Sacerdote repetia, dirigindo-se aos quatro pontos cardeais, as frases do rito: "A fulgore et tempestate, A flagello terremotus, A peste fame et bello". Frases às quais os fiéis respondiam: "Libera nos Domine".  

Nos dias das Rogações Menores faziam-se também previsões para as futuras colheitas: na segunda-feira, fazia-se o prognóstico para a colheita dos hortifruti e da uva; na terça, para o trigo, e na quarta para o feno. Se naqueles dias o tempo fosse inclemente, assim seria a colheita, ao contrário: com o tempo ensolarado, as colheitas abundantes. 

in Pale Ideas


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terça-feira, 19 de maio de 2020

Um lição de Humildade dada pelo Papa Leão XIII

É uma verdade indiscutível que não haverá misericórdia para os soberbos, que para eles permanecerão fechadas as portas dos Céus e que o Senhor só as abrirá aos humildes.

Para convencer-se basta abrir as Sagradas Escrituras, que continuamente nos ensinam que Deus resiste aos orgulhosos, que é preciso fazer-se semelhante aos pequeninos para entrar na Sua glória, que quem a eles não se assemelha será excluído e, por fim, que Deus só dá a sua graça aos humildes.

Não poderemos nunca convencer-nos adequadamente de grande importância que tem, para todo cristão e principalmente para todos os que seguem a carreira eclesiástica, o cuidado de praticar a Humildade e eliminar do seu espírito toda a presunção, toda a vaidade e todo o orgulho. Nenhum esforço será demasiado para obter o fim desejado numa empresa tão santa, e, como este fim não pode ser obtido sem a graça de Deus, devemos pedi-la instante e frequentemente. Todo o cristão contraiu, no baptismo, a obrigação de seguir Jesus Cristo, e é Ele o modelo segundo o qual devemos todos regular a nossa vida.

Todo o cristão contraiu no baptismo a obrigação de seguir os passos de Jesus Cristo, que é o modelo a que devemos conformar a nossa vida. Ora bem, este Deus Salvador praticou a Humildade a ponto de se fazer o opróbrio dos homens, para humilhar a nossa altivez e curar a chaga do nosso orgulho, ensinando-nos com o seu exemplo o caminho único que conduz ao céu. Para falar com propriedade, esta é a mais importante lição do Salvador: “Aprendei de mim!”

Se desejas, pois, ó discípulo do divino Mestre, adquirir esta pérola preciosa, que é o mais seguro penhor de santidade e o mais certo sinal de predestinação, recebe com docilidade e executa fielmente os seguintes conselhos:

I
Abre os olhos da tua alma, e pensa que nada tens para te mover a alguma estima de ti. De teu só tens o pecado, a debilidade, a fraqueza; e quanto aos dons da natureza e da graça que estão em ti, assim como os recebeste de Deus, que é o princípio de todo ser, assim só a Ele deves dar glória.

II
Concebe por isso um profundo sentimento do teu nada, e fá-lo crescer constantemente no teu coração, apesar do orgulho que existe em ti. Intimamente, persuade-te de que não há no mundo coisa mais vã e ridícula que o desejo de ser estimado por alguns dons que recebemos da gratuita liberalidade do Criador, pois, como diz o Apóstolo, se os recebeste, por que te glorias como se fossem teus, e não os tivesses recebido? (1 Cor 4,7).

III
Pensa frequentemente na tua fraqueza, na tua cegueira, na tua vileza, na tua dureza de coração, na tua inconstância, na tua sensualidade, na tua insensibilidade para com Deus, no teu apego às criaturas e em tantas outras viciosas inclinações que nascem da tua natureza corrompida. Sirva-te isto de grande motivo para te espantares continuamente no teu nada, e seres aos teus olhos o menor e o mais vil de todos.

IV
A memória dos pecados da tua vida passada esteja sempre impressa no teu espírito. Nenhuma outra coisa consideres tão abominável como o pecado da soberba, o qual, posto em comparação, vence qualquer outro, tanto sobre a terra como no inferno: este foi o pecado que fez prevaricar os anjos no Céu e os precipitou nos abismos; este foi o que corrompeu todo o género humano, e que fez cair sobre a terra aquela infinita multidão de males, que durarão enquanto durar o mundo, ou, melhor dizendo, durarão toda a eternidade.

Ademais, uma alma maculada pelo pecado só é digna de ódio, de desprezo e de suplícios; vê, portanto, que estima podes fazer de ti mesmo, depois de tantos pecados dos quais te tornaste culpado.

V
Considera também que não há delito, por enorme e detestável que seja, ao qual não se incline a tua natureza corrompida, e do qual não possas fazer-te réu; e que só pela misericórdia de Deus e pelo socorro das suas divinas graças foste dele livre até hoje, segundo aquela sentença de Santo Agostinho: “Não haveria pecado no mundo que o homem não cometesse, se a mão que fez o homem deixasse de sustentá-lo” (Arl. C. 15);

Chora eternamente esse deplorável estado, e toma a firme resolução de te incluíres entre os mais indignos pecadores.

VI
Pensa frequentemente que cedo ou tarde vais morrer, e que o teu corpo apodrecerá numa fossa; tem sempre diante dos olhos o inexorável tribunal de Jesus Cristo, onde todos necessariamente devem comparecer; medita nas eternas penas do inferno preparadas para os maus, e principalmente para os imitadores de Satanás, que são os soberbos. Considera sinceramente que, por esse véu impenetrável que esconde aos olhos mortais os juízos divinos, estás na incerteza de pertencer ou não ao número dos réprobos, que eternamente, em companhia dos demónios, serão remetidos para aquele lugar de tormentos, para serem vítimas eternas de um fogo aceso pela ira divina. Esta incerteza deve bastar por si só, para conservar-te numa extrema humildade, e para inspirar-te o mais salutar temor.

VII
Não te iludas pensando que poderás conseguir a Humildade sem aquelas práticas que a ela estão ligadas, como os actos de mansidão, de paciência, de obediência, de ódio contra ti, de renúncia ao teu sentimento e às tuas opiniões, de arrependimento dos teus pecados e outros actos semelhantes, porque somente estas armas poderão vencer em ti o reino do amor-próprio, aquele abominável terreno onde brotam todos os vícios, onde se aninham e crescem desmedidamente o teu orgulho e a tua presunção.

VIII
Tanto quanto possível, observa o silêncio e o recolhimento, desde que isso não cause prejuízo a outrem, e, quando fores obrigado a falar, fala sempre com gravidade, com modéstia e simplicidade. E se por acaso não fores ouvido, seja por desprezo ou por qualquer outra causa, não te mostres ressentido, mas aceita essa humilhação, e sofre-a com resignação e tranquilidade.

IX
Com todo o cuidado e atenção, evita proferir palavras atrevidas, orgulhosas, e que indiquem pretensão de superioridade, como também qualquer frase estudada e toda a sorte de gracejos frívolos; cala sempre tudo aquilo que puder fazer com que te considerem uma pessoa de espírito e digna da estima dos outros. Nunca fales de ti sem justo motivo, e nada digas que possa granjear-te honra e louvor.

X
Cuida-te de não mortificar e ferir a outrem com palavras e sarcasmos; foge de tudo o que lembra o espírito mundano. Fala pouco das coisas espirituais, e não o faças em tom magistral e à maneira de repreensão, a não ser que a isso sejas obrigado pelo teu cargo ou pela caridade: contenta-te com interrogar os que delas entendem e que sabes que te podem dar conselhos oportunos; porque o querer fazer-se de mestre sem necessidade é acrescentar lenha ao fogo da nossa alma, que se consome em fumaça de soberba.


Gioacchino Pecci (Papa Leão XIII) in A Prática da Humildade


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