sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Oração de Santa Gertrudes para libertar Almas do Purgatório

Nosso Senhor prometeu a Santa Gertrudes que seriam libertadas 1000 Almas do Purgatório cada vez que esta Oração fosse rezada.

Eterno Pai,
ofereço o Preciosíssimo Sangue
de Vosso Divino Filho Jesus,
em união com todas as missas
que hoje são celebradas
em todo o Mundo,
por todas as santas Almas
do Purgatório,
pelos pecadores, em todos os lugares,
pelos pecadores,
na Igreja Universal,
pelos da minha casa e meus vizinhos.
Ámen.



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quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Missas de Todos os Santos e dos Fiéis Defuntos em Roma

A Trinità dei Pellegrini, em Roma, é uma paróquia que foi entregue há 10 anos à Fraternidade de São Pedro. Desde aí, a liturgia ali celebrada tem sido belíssima, contribuindo para a vida espiritual dos muitos fiéis que frequentam a igreja. 

Nestas fotografias podemos observar o contraste entre o dia 1 de Novembro - dia de Todos os Santos - com uma quantidade enorme de relíquias no Altar, e o dia seguinte - dia dos Fiéis Defuntos - com o Altar praticamente despojado, a austeridade da celebração e a presença do catafalco, que nos relembra todos os que já morreram e que também nós morreremos.













Fotografias: Elvir Tabaković, Can.Reg.


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7 pecados que "deixaram de ser pecado"

O mundo actual, com o seu ritmo de vida acelerado, com um maior acesso à informação e às novas tendências, parece ter deixado de lado a contrição e considera que o pecado e o inferno já não existem. Mas isso não é verdade. O pecado é algo sério, o inferno existe e é o destino dos pecadores que não se arrependem. São Paulo disse: “Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus? Não vos enganeis.” (1 Coríntios 6, 9)

Entretanto, devemos ter esperança, pois, por meio da graça de Deus, podemos nos apartar de nossos pecados e encontrar a salvação em Jesus Cristo. Mas, antes de mais, devemos reconhecer os nossos pecados e que precisamos ser salvos. A partir do momento que tenhamos uma vida nova em Cristo, a vida cristã começa e somos chamados a colaborar com a graça de Deus para crescer em santidade.

Por isso, apresentamos uma lista dos pecados que o mundo considera “normais”, mas devemos levá-los a sério:

1) A mentira

“O que aconteceria se a pessoa nunca descobrisse? Que tal se for apenas por conveniência? Ou que tal se for para conseguir um bem maior? ”

Não. Mentir é mentir e está mal. Mentir é dizer uma falsidade com a intenção de enganar e sempre está mal porque é uma ofensa contra a verdade, que é Cristo (João 14, 6). Recordemos que a mentira é a língua nativa do demónio, a quem Jesus chama “o pai da mentira” (João 8,44). O livro da Sabedoria adverte: “a mentira destrói a sua alma” (Sabedoria 1,11).

2)  Imoralidade sexual

“Foge da imoralidade sexual!” (Coríntios 6, 18).

Mas, por que não podemos fazer o que queremos com nossos corpos? Enquanto a pessoa estiver de acordo, vale tudo?

Não. São Paulo diz: “Foge da fornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o impuro peca contra o seu próprio corpo. Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo, que habita em vós, o qual recebestes de Deus e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? Porque fostes comprados por um grande preço. Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo” (1 Coríntios 6, 18-20).

Nós não podemos pecar contra nossos próprios corpos. Deus criou-nos e formou a nossa sexualidade com dignidade, valor e ordem, a qual deve ser respeitada e querida. Recordemos que Cristo pregou sobre a luxúria no coração: “Não cometerás adultério. Mas eu lhes digo que qualquer pessoa que olhe para uma mulher com luxúria já cometeu adultério com ela no seu coração”.

3) Roubo

“Não furtarás.” (Êxodo 20, 15)

Roubar é tomar posse de algo que não nos pertence. Isto pode incluir também, consoante o caso, coisas que se encontram na internet. Este pecado inclui também pedir coisas emprestadas e depois não as devolver.

4)  Alcoolismo

O álcool é um maravilhoso dom de Deus. Jesus converteu a água em vinho e os monges cristãos estavam acostumados a fazer a melhor cerveja do mundo.

Mas beber muito até o ponto de embriagar-se e perder o controle é um pecado: “Acaso não sabeis que os injustos não hão de possuir o Reino de Deus?” (1 Coríntios 6, 9-10). “Não se embriaguem com vinho, porque isso é libertinagem”. 

5) Gula

Obviamente, precisamos comer, há um tempo para festejar e a comida pode ser desfrutada maravilhosamente. Mas, assim como o álcool, tudo deve ser desfrutado com moderação. A gula é um amor incontrolável pela comida e não só pode trazer sérias consequências à sua saúde, como também para sua alma.

“Porque há muitos por aí, de quem repetidas vezes vos tenho falado e agora o digo chorando, que se portam como inimigos da cruz de Cristo, cujo destino é a perdição, cujo deus é o ventre, para quem a própria ignomínia é causa de envaidecimento, e só têm prazer no que é terreno” (Filipenses 3, 18-19).

6) Vingança

A justiça é importante e qualquer justiça que não foi dada pelo governo será rectificada por Deus no final. Mas agora, Deus nos chama a um plano superior:

“Não vos vingueis uns aos outros, caríssimos, mas deixai agir a ira de Deus, porque está escrito: A mim a vingança; a mim exercer a justiça, diz o Senhor. Se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber. Procedendo assim, amontoarás carvões em brasa sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer pelo mal, mas triunfa do mal com o bem.” (Romanos 12, 17, 19-21)

Também deve guardar os ensinamentos de Jesus acerca do perdão: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai Celeste também vos perdoará” (Mateus 6, 14-15).

7) Assassinato

O assassinato é a morte voluntária e directa de uma vida humana inocente, inclusive se a pessoa for pequena e está em desenvolvimento no ventre de sua mãe; e também se a pessoa estiver em desvantagem ou estiver doente e for difícil de cuidar, ou ainda se a pessoa for idosa e não tiver muito tempo de vida.  O aborto e a eutanásia são cada vez mais aceites e praticados em toda a nossa sociedade.

O assassinato é uma ofensa contra Deus porque os seres humanos foram feitos à Sua imagem e semelhança (Génesis 1,27).

Quem tiver cometido algum destes pecados, arrependa-se e peça perdão - confessando-se a um sacerdote - e aceite a misericórdia de Deus.

adaptado de Aci Digital


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As últimas palavras do Papa Pio XII: "Orai, Orai, Orai!"



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terça-feira, 13 de novembro de 2018

Pai Nosso pelas Almas do Purgatório ensinado por Santa Matilde

Um dia em que Santa Matilde havia acabado de comungar e oferecer a Deus a Hóstia Preciosíssima a fim de que Ela servisse para a libertação das Almas do Purgatório, com a remissão dos seus pecados e a reparação de suas negligências, ouviu o Senhor dizer-lhe: “Reze por elas um Pai Nosso em união com a intenção que Eu tive, ao tirá-lo do Meu Coração, a fim de ensiná-lo aos homens”. 

Ao mesmo tempo, a inspiração Divina desvendou a Santa Matilde as intenções do Pai Nosso Pelas Almas. E quando Santa Matilde acabou de rezar o Pai Nosso nessas intenções, ela viu uma grande multidão de Almas, rendendo graças a Deus pela sua libertação do Purgatório, numa alegria extrema. A cada vez que a Santa rezava essa oração, via uma legião de Almas subindo para o Céu. Socorramos as pobres Almas do Purgatório, que nada podem para si mesmas, a não ser sofrer, esperando pelos nossos sufrágios, rezar por nós e serem gratas.

PAI NOSSO QUE ESTAIS NO CÉU

Peço-Vos humildemente: Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, que perdoeis às almas do Purgatório, por não Vos terem amado nem prestado toda a honra que Vos é devida, a Vós, Seu Senhor e Pai,  que por pura graça as adoptastes como Vossas filhas. Pelo contrário, por causa dos pecados, fecharam os seus corações onde Vós queríeis habitar para sempre. Em reparação destas faltas, ofereço-Vos o amor e a veneração que o Vosso Filho Encarnado Vos testemunhou ao longo da Sua Vida terrestre e ofereço-Vos todos os actos de penitência e de reparação que Ele cumpriu e pelos quais pagou e expiou os pecados dos homens.

SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME 

Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, perdoai às almas do Purgatório, por não terem honrado dignamente o Vosso Santo Nome: elas pronunciaram-n`O muitas vezes distraidamente e tornaram-se indignas do nome de cristãos pela sua vida de pecado. Em reparação das faltas que cometeram, ofereço-Vos toda a honra que o Vosso Filho Bem-Amado rendeu ao Vosso Nome, por palavras e actos ao longo de toda a Sua Vida terrestre.

VENHA A NÓS O VOSSO REINO 

Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, perdoai às almas do Purgatório porque não procuraram nem desejaram o Vosso Reino, com intenso fervor e empenho, este Reino que é o único lugar onde reina o verdadeiro repouso e a paz eterna. Em reparação pela indiferença em fazer o bem, ofereço-Vos o desejo do Vosso Divino Filho através do qual Ele quis ardentemente torná-las, a elas também, herdeiras do Seu Reino.

SEJA FEITA A VOSSA VONTADE ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU

Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, perdoai às almas do Purgatório por não se terem sempre submetido com devoção à Vossa Vontade. Elas não procuraram cumprir a Vossa Vontade em todas as coisas e muitas vezes cederam a agiam fazendo unicamente a sua própria vontade. Em reparação da sua desobediência, ofereço-Vos a perfeita conformidade do Coração cheio de Amor do Vosso Filho à Vossa Santa Vontade e a submissão total que Ele Vos testemunhou, obedecendo-Vos até à Sua Morte na Cruz. 

O PÃO DE CADA DIA NOS DAI HOJE

Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, perdoai às almas do Purgatório,  por não terem recebido sempre o Santo Sacramento da Eucaristia com intenso desejo. Receberam-n`O muitas vezes sem recolhimento, sem amor, ou indignamente ou mesmo negligenciando recebê-l`O. Em reparação de todas estas faltas que cometeram, ofereço-Vos a plena santidade e o grande recolhimento de Nosso Senhor Jesus Cristo Vosso Divino Filho, bem como o ardente amor, através dos quais nos ofereceu este dom incomparável. 

PERDOAI-NOS AS  NOSSAS OFENSAS  ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS A QUEM NOS TEM OFENDIDO

Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, perdoai às almas do Purgatório, todas as faltas de que se tornaram culpadas sucumbindo aos sete pecados capitais e também quando não quiseram amar, nem perdoar aos seus inimigos. Em reparação de todos estes pecados, ofereço-Vos a Oração cheia de Amor que o Vosso Divino Filho Vos dirigiu em favor dos Seus inimigos quando estava na Cruz. 

E NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO

Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, perdoai às almas do Purgatório, porque muitas vezes não resistiram às tentações e paixões, mas seguiram o Inimigo de todo o bem e abandonaram-se ás fraquezas da carne. Em reparação de todos estes pecados em múltiplas formas, dos quais se reconhecem culpadas, ofereço-Vos a gloriosa Vitória que Nosso Senhor Jesus Cristo trouxe ao mundo assim como a Sua Vida Santíssima, o Seu trabalho e penas, o Seu sofrimento e a Sua Morte crudelíssima. 

MAS LIVRAI-NOS DO MAL 

Peço-Vos humildemente, Pai Eterno, Benevolente e Misericordioso, livrai-nos de todos os flagelos, pelos méritos do Vosso Filho Bem-Amado e conduzi-nos, bem como às almas do Purgatório, ao Vosso Reino de Glória eterna, que se identifica Convosco. Amen. 


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A atitude da Europa em relação ao Islão

Qual é a raiz ideológica da atitude que hoje - na Europa - temos em relação ao Islão? É a ideia de que não existe um dualismo lógico entre verdade e erro nem um dualismo moral entre bem e mal, mas que tudo é relativo às necessidades e interesses do indivíduo no momento presente.

Relativismo moral e pragmatismo político são duas faces desta abordagem à realidade que não se alimenta da realidade mas da utopia, porque crê num mundo fictício e irreal que o desejo de poder, mascarado de debilidade, do indivíduo pós-moderno é incapaz de conquistar.

Se a Europa quer sobreviver deve modificar esta atitude psicológica e cultural. Mas como é que podemos contribuir para esta mudança? Começando por reavivar a ideia de que existe o bem e o mal, em sentido objectivo e absoluto, e que a verdade e os princípios, sobre os quais está fundada a nossa civilização, não são para arquivar como ideias do passado ou preconceitos ideológicos.

Roberto di Mattei (historiador) in 'Corrispondenza Romana'


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segunda-feira, 12 de novembro de 2018

A teologia de Karl Rahner e a eutanásia da Doutrina Social da Igreja

O Padre Karl Rahner SJ foi um dos teólogos mais influentes dos últimos 50 anos na Igreja, mas a sua teologia apresenta graves problemas. Alguns deles são apresentados no texto que se segue.

O Arcebispo Giampaolo Crepaldi escreve no seu livro “La Dottrina sociale della Chiesa. Una verifica a dieci anni dal Compendio (2004-2014)” [“A Doutrina social da Igreja. Uma verificação dez anos depois do Compêndio (2004-2014)”] (Cantagalli, Siena, 2014):

«Na minha opinião, o pensamento mais influente na crítica da Doutrina Social da Igreja é o de Karl Rahner. Se examinarmos detalhadamente, muitos dos teólogos que criticaram e desenvolveram vias alternativas à Doutrina Social foram seus alunos. Rahner reflecte na esteira do pensamento de Heidegger, ou seja, fora do contexto de uma filosofia cristã e fora também do contexto definido na “Fides et Ratio” de São João Paulo II. Esta encíclica menciona alguns nomes, por exemplo, de filósofos cristãos, mas Heidegger não figura entre eles. Rahner concebe Deus como um "transcendental existencial". Isto significa principalmente duas coisas: que todos os homens são Deus, pois Ele é a sua dimensão apriorística, o horizonte não cognoscível e não classificável da sua subjectividade e da sua liberdade, na prática, da sua condição de pessoas; que a Deus se acede sempre no âmbito da nossa consciência. Deus não é conhecido, mas conscientemente e existencialmente experimentado como horizonte de todo o significado.

Esta posição historiciza a fé, que não é um conhecimento mas uma experiência existencial de um horizonte que não se pode transcender. Nisto consiste, para Rahner, a transcendência. Não existem já ateus e crentes, porque todos estão abrangidos por este horizonte e se acompanham reciprocamente na interpretação da vida. Uma pessoa passa de um cristianismo anónimo para um não anónimo, ou seja, temático e consciente, sem por isso deixar de partilhar o mesmo horizonte. O bem e o mal não são claros, dado que, tendo lugar toda a existência dentro do horizonte transcendental de Deus, existem vários níveis de bem que importará fazer aumentar, mas nunca condenar. O homem nunca pode saber com segurança quando está em situação de pecado. A Igreja não está diante do mundo, mesmo se está no mundo, mas faz-se mundo, porque partilha com o mundo o horizonte existencial comum.

Neste contexto, que aqui procurei sintetizar em poucas palavras com o risco de ser incompleto, é muito difícil fazer entrar a Doutrina Social da Igreja, a menos que se desmantele o seu carácter de corpus doutrinal, eliminando-se o seu valor missionário e salvífico, e se passe a entendê-la como uma prática de recepção, escuta e caminho em conjunto, mas sem a luz da verdade que vem de fora deste mundo, do transcendente. O transcendente, para Rahner, consiste precisamente na dimensão transcendental existencial que, sendo a condição de todos os significados, não pode ser, por sua vez, tematizada. É transcendente neste sentido.»

Destas afirmações resulta a incompatibilidade da teologia rahneriana com a Doutrina Social da Igreja e, por conseguinte, percebe-se porque todas as correntes de pensamento que se baseiam em Rahner têm combatido, aberta ou ocultamente, a Doutrina Social da Igreja, também no longo período - na verdade, especialmente nesse período - onde ela foi relançada pela vontade dos Papas. Trata-se de uma oposição surda e obstinada que tem produzido uma série de danos e que hoje parece ter vencido. Pude confirmar esta tese do Observatório no meu último livro, La nuova Chiesa di Karl Rahner. Il teologo che ha insegnato ad arrendersi al mondo" ["A nova Igreja de Karl Rahner. O teólogo que ensinou a render-se ao mundo”](Fede & Cultura, Verona, 2017). À luz do que está escrito neste livro, pode ser útil recordar aqui os aspectos fundamentais em que a teologia dirigida por Rahner configura uma tentativa de eutanásia da Doutrina Social da Igreja. Esperamos assim estimular um debate que acolheremos com prazer na nossa página.

A Igreja no mundo

Para que a Doutrina Social da Igreja exista, é necessário que a Igreja não se confunda com o mundo. A Doutrina Social da Igreja constitui de facto o anúncio de Cristo na realidade temporal. Ora se a Igreja está imersa, sem distinção, nas realidades temporais, a missão da Doutrina Social da Igreja, e a Doutrina Social da Igreja como missão da Igreja, ficam concluídas. É precisamente o que Rahner afirma: que a Igreja deve deixar de tentar “manipular o mundo”. A Igreja deve ser entendida como uma parte do mundo, sem pretensões de superioridade doutrinal e de verdade.

Deus revela-se no mundo

Isto é assim porque Deus não se revela prioritariamente na Igreja, mas no mundo, dado que Ele se revela indirectamente nos eventos da existência enquanto horizonte primordial e apriorístico que os torna possíveis. A revelação de Deus não é nem cósmica, nem metafísica, é totalmente histórica. Deus revela-se indirectamente nos factos históricos. Daqui resulta que a doutrina - e, portanto, também a Doutrina Social da Igreja - não é o elemento primordial. Antes de tudo há a vida, a prática ... e só depois a doutrina. É por isso que a Doutrina Social da Igreja tem sido acusada de ser ideológica e abstracta.

Deus é imanente na história

De acordo com Rahner, é necessário repensar a transcendência de Deus. Ela não tem carácter metafísico, mas existencial. Deus é transcendente na medida em que não é uma coisa entre as coisas, mas é o horizonte que torna possível a nossa visão interessada, participativa e livre das coisas. Transcendente, para Rahner, significa “a priori”. Neste sentido, Deus não nos revela conhecimentos, não nos transmite uma doutrina, não nos dá os preceitos ... Ele apenas nos diz para viver de forma participativa, dialogando com os outros, porque Deus revela-se a todos e não apenas aos cristãos.

Deus faz perguntas e não dá respostas

A Doutrina Social da Igreja, não obstante o seu carácter prático e até mesmo experimental, tinha a pretensão de fornecer as respostas para o bem e a salvação para a humanidade. Porém, para Rahner, Deus não dá regras, sugestões ou indicações. A presença de Deus em todos os homens consiste na sua “natureza questionável”, isto é, na insaciabilidade que os leva sempre a colocar em questão os resultados adquiridos. O cristão é simplesmente aquele que está aberto ao futuro, daqui resultando todas as doutrinas teológicas do futuro e a praxis que têm caracterizado as décadas pós-conciliares.

Desaparecimento da doutrina e da lei moral natural

A Doutrina Social da Igreja sempre afirmou ser baseada na revelação - ou seja, na doutrina da fé - e no direito natural. Mas na perspectiva de Rahner deixam de existir quer a revelação, quer o direito natural. A revelação não nos faz conhecer as verdades doutrinais, os dogmas são históricos e evoluem, a "natureza" é completamente absorvida na história e constitui um resíduo metafísico do passado.

Como se pode ver a partir destas breves anotações – melhor desenvolvidas no livro acima mencionado –, existe uma incompatibilidade absoluta entre a teologia de Karl Rahner e a Doutrina Social da Igreja. Tal facto explica, repito, porque esta tem sido tão contestada e combatida. Mas a razão não está do lado de Rahner e do rahnerismo, mesmo se estes parecem prevalecer hoje na Igreja.

Stefano Fontana in vanthuanobservatory.org


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Ladainha pelas Almas do Purgatório

Senhor, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós. 
Senhor, tende piedade de nós.

Jesus Cristo, ouvi-nos.
Jesus Cristo, atendei-nos. 

Pai Celeste, verdadeiro Deus, tende piedade das almas do Purgatório.
Filho, Redentor do mundo, verdadeiro Deus, tende piedade das almas do Purgatório.
Espírito Santo, verdadeiro Deus, tende piedade das almas do Purgatório.
Santíssima Trindade, um único Deus, tende piedade das almas do Purgatório.

Santa Maria, rogai pelas almas do Purgatório. 
Santa Mãe de Deus, rogai pelas almas do Purgatório. 
São Miguel Arcanjo, rogai pelas almas do Purgatório. 
Santos Anjos e Arcanjos, rogai pelas almas do Purgatório. 

Coros de Espíritos bem aventurados, rogai pelas almas do Purgatório. 
São João Baptista, rogai pelas almas do Purgatório. 
São José, rogai pelas almas do Purgatório. 
Santos Patriarcas e Santos Profetas, rogai pelas almas do Purgatório. 

São Pedro, rogai pelas almas do Purgatório. 
São Paulo, rogai pelas almas do Purgatório. 
São João, rogai pelas almas do Purgatório. 
Santos Apóstolos e Santos Evangélicos, rogai pelas almas do Purgatório. 

Santo Estêvão, São Lourenço, rogai pelas almas do Purgatório. 
Santos mártires, rogai pelas almas do Purgatório. 
São Gregório, Santo Ambrósio, rogai pelas almas do Purgatório. 
Santo Agostinho, São Jerónimo, rogai pelas almas do Purgatório. 

Santos Doutores, rogai pelas almas do Purgatório. 
São Pio V, São Pio X, rogai pelas almas do Purgatório. 
Santos Pontífices, rogai pelas almas do Purgatório. 
São João Maria Vianey, rogai pelas almas do Purgatório. 

Santos sacerdotes, confessores e levitas, rogai pelas almas do Purgatório. 
São Pio de Pietrelcina, rogai pelas almas do Purgatório. 
Santos frades e santos eremitas, rogai pelas almas do Purgatório. 
Santa Teresinha e Santa Paulina, rogai pelas almas do Purgatório. 

Santas virgens e religiosas, rogai pelas almas do Purgatório. 
Santa Rita de Cássia, rogai pelas almas do Purgatório. 
Santas viúvas, rogai pelas almas do Purgatório. 
Vós todos, santos amigos de Deus, rogai pelas almas do Purgatório. 

Sede-nos propício, perdoai-lhes Senhor. 
Sede-nos propício, ouvi-nos Senhor. 

De seus sofrimentos, livrai-as Senhor. 
Da Vossa santa cólera, livrai-as Senhor. 
Da severidade da Vossa justiça, livrai-as Senhor. 
Do remorso da consciência, livrai-as Senhor. 

Das tristes trevas que as cercam, livrai-as Senhor. 
Dos prantos e gemidos, livrai-as Senhor. 
Pela Vossa encarnação, livrai-as Senhor. 
Pelo Vosso nascimento, livrai-as Senhor. 

Pelo Vosso doce nome, livrai-as Senhor. 
Pela Vossa profunda humildade, livrai-as Senhor. 
Pela Vossa obediência, livrai-as Senhor. 
Pelo Vosso infinito amor, livrai-as Senhor. 

Pela Vossa agonia e sofrimentos, livrai-as Senhor. 
Pela Vossa paixão e santa cruz, livrai-as Senhor. 
Pela Vossa santa ressurreição, livrai-as Senhor. 
Pela Vossa admirável ascenção, livrai-as Senhor. 

Pela vinda do Espírito Santo, o Consolador, 
no dia do julgamento, livrai-as Senhor. 

Ainda que sejamos pobres e miseráveis pecadores, nós Vos pedimos, ouvi-nos!
Vós que perdoais aos pecadores sinceramente arrependidos e por isto salvastes o bom ladrão, nós Vos pedimos, ouvi-nos!
Vós que nos salvais por amor e misericórdia, nós Vos pedimos, ouvi-nos!
Vós que tendes as chaves da vida e da morte, da Salvação, purificação e perdição eterna, nós Vos pedimos, ouvi-nos!

Dignai-Vos livrar das chamas nossos parentes, amigos e benfeitores, nós Vos pedimos, ouvi-nos!
Dignai-Vos salvar todas as almas que gemem longe de Vós, nós Vos pedimos, ouvi-nos!
Dignai-Vos ter piedade daquelas que não têm intercessores neste mundo, nós Vos pedimos, ouvi-nos!
Dignai-Vos admiti-las no número de Vossos eleitos, nós Vos pedimos, ouvi-nos!

Cordeiro de Deus que tirais os pecados do mundo, dai-lhes o descanso eterno!  (3 vezes)

ORAÇÃO 

Ó Deus, Criador e Redentor de todos os fiéis, concedei às almas dos Vossos servos e das Vossas servas a remissão de todos os pecados, a fim de que, pelas humildes orações da Vossa Igreja, elas obtenham o perdão que sempre desejaram. É o que Vos pedimos por elas, ó Jesus, que viveis e reinais por todos os séculos. Amen.


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domingo, 11 de novembro de 2018

A Santa Missa durante a Primeira Guerra Mundial

Passam hoje 100 anos do fim da Primeira Guerra Mundial, um dos conflitos mais sangrentos da História da Humanidade. Às 11h do dia 11 do 11 de 1918 era assinado o armistício. Deixamos aqui algumas fotografias de Missas celebradas durante esse conflito, que se estendeu de 1914 a 1918.

















Imagens: schola-sainte-cecile.com


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São Martinho de Tours: Militar, monge e Bispo

São Martinho de Tours nasceu na Panónia (Hungria), por volta de 316 ou 317 d.C., e faleceu em Candes, França, em 397 d.C. É um dos maiores santos da Igreja e a sua imagem com o cavalo encontra-se em inumeráveis templos católicos. O santo aparece a dividir a sua capa de oficial romano com um pobre, miserável, nu. Na noite seguinte Nosso Senhor Jesus Cristo apareceu-lhe vestido com o pedaço de capa que o oficial havia doado.

O facto foi decisivo para a sua conversão e São Martinho acabou por tornar-se bispo de Tours, atraindo para a Igreja uma quantidade prodigiosa de pagãos e fazendo incontáveis milagres. Ele é chamado o “Pai das Gálias” visto que depois da conversão retirou-se para uma gruta. Mas lá ficou pouco tempo, porque foi chamado a ser bispo da região central da província romana que depois foi baptizada como França. 

À sua volta reuniram-se muitos convertidos ao catolicismo que imitavam a sua vida exemplar. Ele instituiu a primeira escola e transformou o local – que hoje é a cidade de Tours – no grande centro de irradiação do cristianismo na actual França. 

O seu túmulo e a capa do milagre (ainda hoje guardada) foram visitados pelo rei pagão Clóvis. O rei estava agoniado pela perspectiva da batalha de Tolbiac contra a temível horda também pagã dos alamanes (496 d.C.). Sobre o túmulo do santo, Clóvis prometeu converter-se ao “Deus de (Santa) Clotilde”, a sua mulher católica, se obtivesse a vitória. 

Clóvis venceu miraculosamente e foi baptizado, juntamente com 3000 dos seus soldados, no Natal do mesmo ano por São Remígio, em Reims. Foi o nascimento de França, a primeira nação cristã da Europa. São Martinho de Tours recebeu tal culto, que o templo onde se venerava a sua capa recebeu o nome de “capela”, palavra hoje largamente generalizada. 

A família real francesa recebeu o nome de “Capeto” por ter recebido, há mais de um milénio, um pedaço dessa célebre relíquia, outorgada pelo capítulo de religiosos da cidade. Essa doação pesou decisivamente no facto da família ser escolhida para reinar em França. Reinado esse que durou até Luís XVI, e com intermitências até à queda de Luís Felipe, em 1848. 

O santuário ficou tão famoso, rico e importante, que para os bárbaros invasores saqueá-lo era o máximo objetivo no território francês. Por isso mesmo, a cidade se encheu de muros e torres militares defensivas. Daí provém o nome da cidade “Tours”, ou seja, Torres. 

São Martinho de Tours é padroeiro de cidades tão diversas como Buenos Aires, Mainz, Utrecht, Rivière-au-Renard e Lucca. Quatro mil igrejas, no mundo, lhe estão dedicadas. Ele é também padroeiro dos alfaiates, peleiros, soldados, cavaleiros, restauradores (hotéis, pensões, restaurantes), produtores de vinho, e, obviamente, dos mendigos. 

O seu santuário principal, onde se encontra o seu túmulo fica na cidade de Tours, na região do Loire. No século XIX, um piedoso levantamento de fundos permitiu construir uma bela basílica inteiramente nova. A basílica primitiva foi devastada pelos protestantes que também arrasaram muros e torres. 

Posteriormente, em continuidade com o espírito protestante, a Revolução Francesa demoliu a basílica restaurada e fez passar uma rua por cima do túmulo do padroeiro nacional, a fim de garantir que ele seria definitivamente esquecido. 

No século XIX, Leão Papin-Dupont (1797-1876), aristocrata francês conhecido como “o santo homem de Tours”, promoveu em França cruzadas de reparação pelas blasfémias. Entre elas figura a construção da actual basílica que guarda o túmulo de São Martinho de Tours. 

A tradição oral dos habitantes de Tours e dos devotos do grande santo sempre afirmou que no braço da grande estátua que abençoa a França do alto da cúpula da basílica havia guardadas relíquias de São Martinho. Porém, as tendências decadentes e dessacralizantes dos tempos modernos aprazem-se em contestar ou fingir ignorar tudo o que diga respeito ao sobrenatural, aos santos, aos seus milagres e às suas veneráveis relíquias. 

Essa tendência, presente em certo clero e fiéis modernizados, também dizia não saber nada do que todos sabiam sobre as relíquias do santo. A confusão acabou por ser dissipada ao se confirmar que a tradição oral tinha razão: os ossos estavam ali a abençoar o mundo. 

No dia 17 de Fevereiro de 2014, um impressionante dispositivo de guindastes foi instalado em volta da basílica para descer a grande estátua. A obra visava restaurar o seu pedestal, que precisava de manutenção e reparos. Na ocasião, aconteceu o gaudioso achado: os ossos do primeiro bispo de Tours estavam ali. Após a descida da estátua de bronze – de quatro metros de altura e de mais de duas toneladas de peso – os funcionários descobriram uma caixa de madeira no seu braço direito, o mesmo que abençoa. Dentro dessa caixa havia ainda outra, feita de chumbo e fechada com um selo de cera vermelha e o sigilo de um bispo que autentificava a relíquia. 

Tendo sido aberto, encontrou-se um fragmento de osso. A multidão acompanhou os trabalhos que duraram algumas horas, e não ocultou a sua emoção. A relíquia de São Martinho encontrava-se entre flores – obviamente já secas – e vinha acompanhada de mais três relicários com ossos de três outros bispos santos de Tours: São Gregório, São Brice e São Perpétuo, sucessores do santo. A autenticidade das relíquias foi confirmada por Jean-Luc Porhel, conservador-chefe do património histórico de Tours.


in Ciência Confirma a Igreja



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sábado, 10 de novembro de 2018

Alguém pode mudar de género ou de sexo?



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Pavilhão e Sino da Basílica de São João de Latrão


Algumas particularidades da Basílica de São João de Latrão, a sé episcopal do Bispo de Roma, e Mãe e Cabeça de todas as igrejas do Mundo

Pavilhão Basilical Lateranense

O Pavilhão Basilical é a insígnia heráldica distintiva da Arquibasílica Papal do Santíssimo Salvador e dos Santos João Baptista e João Evangelista em Latrão.

Enquanto Catedral do Papa, Bispo de Roma, esta é mãe e a mais importante entre todas as igrejas católicas de Roma e do mundo. Este seu particularíssimo estatuto é representado pelo Pavilhão, que tem a forma de uma umbela, um grande chapéu-de-sol de veludo e brocardos amarelos e encarnados (as cores Papais, sucessivamente modificadas pelo Papa Pio VII para branco e amarelo), com pendentes de cores alternadas.

Na realidade, pretende-se que o Pavilhão assuma a forma de uma tenda, representação simbólica seja da Igreja em caminho – que se desloca enquanto Povo que segue Cristo (em procissão) – seja da bíblica “Arca da Aliança” que era transportada pelo Povo de Israel a caminho da Terra Prometida. Evoca também a tenda militar imperial denominada “siníquio” (do latim medieval sinnichium ou sinichium) dentro da qual, na noite de 27 de Outubro do ano de 312, o Imperador Constantino teve a visão que lhe ordenava a apôr aos lábaros (estandartes) do seu exército um sinal cristológico[1]. 

O Pavilhão Basilical simbolizava, assim, quer a Igreja Católica Romana, quer a autoridade Papal sobre esta, e é precisamente com este último significado que o Papa Alexandre VI Bórgia começou a utilizá-lo regularmente, como símbolo heráldico do poder temporal do Papado.

De um mesmo Pavilhão em seda amarela e encarnada fez uso o Reverendíssimo Capítulo Lateranense, e foi concedido um particular privilégio heráldico a todas as basílicas romanas (maiores e menores) dentro e fora da Urbe.

Desde 1521 este é o principal símbolo heráldico da Sede Vacante e do Cardeal Camerlengo da Santa Igreja Romana, precisamente porque o poder temporal continua a existir também nesse período de interregno entre dois Papas.

Sino estacionário lateranense

O sino estacionário basilical é o segundo distintivo próprio da Arquibasílica Papal do Santíssimo Salvador e dos Santos João Baptista e João Evangelista em Latrão.

Este consiste numa campainha montada numa estrutura de madeira em talha dourada (segunda metade do séc. XVII) com a efígie do Santíssimo Salvador e os símbolos do Papado (tiara e chaves cruzadas) e era transportado para abrir o cortejo processional, seguido do Pavilhão Basilical, do Pavilhão do Reverendíssimo Capítulo Lateranense e das duas antiquíssimas Cruzes Estacionárias Lateranenses. Este era tocado constantemente com a dupla função de chamar os fiéis e de sinalizar o passo do cortejo. 

[1] Trata-se do monograma de Cristo, ou cristograma, composto pelas letras “chi” e “roh”, “X” e “P”, as iniciais de “Cristo” em grego.


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sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Acusar-se com clareza dos pecados mortais na Confissão

Se uma alma, que aspira à perfeição, tem a infelicidade de cometer, num momento de fraqueza, alguns pecados mortais, é necessário acusá-los com toda a sinceridade e clareza, desde o princípio da confissão, sem os afogar na multidão dos pecados veniais, dando bem a conhecer o seu número e espécie, com toda a lisura e humildade, indicando as causas dessas quedas e pedindo instantemente os remédios necessários para a cura. 

É sobretudo indispensável ter deles contrição profunda, com firme propósito de evitar para o futuro não somente as faltas em si mesmas, mas as ocasiões e as causas que nos levaram ao abismo. Obtido o perdão do pecado, resta-nos conservar na alma um vivo e habitual sentimento de penitência, um coração contrito e humilhado, com o desejo sincero de reparar o mal cometido por uma vida austera e mortificada, por um amor ardente e generoso. 

Pe. Adolphe Tanquerey in 'Compêndio de Teologia Ascética e Mística' (Livraria Apostolado da Imprensa, Porto, 4ª Edição, 1948, p. 160)


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