domingo, 25 de outubro de 2020

O rapaz que morreu enquanto gritava: "Viva Cristo Rei"

Aos 13 anos, diante da perseguição que sofria a Igreja, José Sanchez del Río, apresentou-se e disse: "Vim aqui para morrer por Cristo Rei." E isso confirmou-se quando, mesmo preso e torturado, continuou a proclamar: “Viva Cristo Rei e a Virgem de Guadalupe!" 

Quem foi esse rapaz tão especial? 

José Luíz Sanchez Del Río nasceu a 28 de Março de 1913, na cidade Sahuayo, província de Michoacan, México. Vivia uma vida comum, como qualquer outro menino do interior do México, até que esta normalidade foi quebrada pela ascensão de Plutarco Elias Calles à chefia do poder daquela nação. 

Este presidente empreendeu em todo o país uma das maiores perseguições que a Igreja Católica sofreu no século XX. Com o pretexto de “livrar a nação do fanatismo religioso", Plutarco Calles iniciou uma investida militar contra sacerdotes, religiosos e fiéis leigos que demonstrassem qualquer sinal da fé católica. Confiscou todas as Igrejas, prendeu e matou padres, bispos, frades e freiras, dentre muitos outros. Após tanta perseguição, um grupo de fiéis católicos viu-se obrigado a pegar em armas para garantir a sua sobrevivência. Este conflito ficou conhecido como Cristiada ou Guerra Cristeira, em homenagem aos soldados cristãos que eram conhecidos como Cristeros. 

Um dia, José viu os soldados comunistas entrarem a cavalo na sua igreja e enforcarem o velho sacerdote. Foi então visitar o túmulo do beato mártir Anacleto González Flores, que havia morrido durante a perseguição de maneira brutal e impiedosa. Rezou a Deus, pedindo para que também ele pudesse morrer em defesa da sua Fé. 

Aos 13 anos de idade foi procurar o general Prudencio Mendoza, que tinha a sua base na vila de Cotija, para que pudesse ingressar no exército cristero. Ao chegar, dirigiu-se ao general que o indagou: 
- O que viste fazer aqui meu rapaz? Ele respondeu: 
- Vim aqui para morrer por Cristo Rei. 

A sinceridade daquelas palavras e o vívido olhar destemido daquele nobre rapaz ressoaram profundamente no coração do general cristero, que autorizou a sua entrada na milícia. Ao longo de um ano, José Sanchez del Río combateu em muitos confrontos ferozes contra o exército do governo comunista e maçom. 

Por ser o menor, José ia à frente dos revolucionários com um estandarte com a imagem da Virgem de Guadalupe. Muitos cristãos morreram em combate. José escreveu à sua Mãe: “Nunca foi tão fácil ganhar o Céu.” 

Numa dessas lutas, o general dos cristeros perdeu o cavalo e ia ser capturado. José disse-lhe: “Meu general, aqui está meu cavalo, salve-se, mesmo que me matem! Eu não faço falta, o senhor sim”. 

Foi dessa forma corajosa que José foi capturado, pelos sádicos soldados do governo de Plutarco. Na intenção de fazer com que o menino renunciasse à Fé, descamaram a planta dos seus pés até aos nervos e amarraram-no a um cavalo, obrigando-o a andar durante cerca de 14 quilómetros a pé e descalço. Não é necessário referir aqui o nível de dor que esta pobre criança sentiu, mas, mesmo assim, nos momentos em que as dores lhes eram insuportáveis, o menino, cheio da Graça Divina, bradava em voz alta e vigorosa “Viva Cristo Rei e a Virgem de Guadalupe!" 

Sem sucesso na tentativa de que José abjurasse da Fé por meio da dor mais causticante e alucinante possível, os soldados tentaram intimidá-lo de outra maneira. Ao chegarem à vila em que nascera, para ser executado no dia seguinte, os soldados fizeram com que a Mãe do menino lhe escrevesse uma carta pedindo para que ele abjurasse da Fé católica, para poder ser libertado. José Sanchez del Río respondeu assim ao bilhete da sua mãe: 

“Minha querida Mãe: Fui feito prisioneiro em combate neste dia. Creio que daqui a pouco tempo vou morrer, mas não importa, nada importa, Mãe. Resigna-te à vontade de Deus; eu morro muito feliz porque no fim de tudo isto, morro ao lado de Nosso Senhor. Não te aflijas pela minha morte, que é o que me mortifica. Antes, diz aos meus outros irmãos que sigam o exemplo do mais pequeno, e tu faz a vontade do nosso Deus. Tem coragem e manda-me a tua bênção juntamente com a do meu Pai. Saúda a todos pela última vez e recebe, por último, o coração do teu filho que tanto te quer e tanto desejava ver-te antes de morrer." 

No dia seguinte, 10 de Fevereiro de 1928, Sexta-Feira, o menino que estava prestes a completar 15 anos ofereceu a sua vida terrena para não perder a vida eterna ao lado de Jesus Cristo, em Quem ele depositou a sua Fé com bravura e fidelidade. 

Quando o Papa Pio XI soube de José e o que os cristãos estavam sofrendo no México, escreveu: “Queridos irmãos, entre aqueles adolescentes e jovens existem alguns – e eu não consigo segurar as lágrimas ao recordá-los – que, levando nas mãos o rosário e aclamando Cristo Rei, sofrem espontaneamente a morte.” 

José Sanchez del Río foi declarado beato pelo Cardeal Saraiva Martins na cidade de Guadalajara, no dia 20 de Novembro de 2005. Foi canonizado pelo Papa Francisco, na Praça de S. Pedro, no dia 16 de Outubro de 2016. 

São José Sanchez del Río, rogai por nós. 

in coisasdesantos.blogspot.com


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Festa de Cristo Rei

A Festa de Cristo Rei foi estabelecida pelo Papa Pio XI, que quis motivar os católicos para reconhecer em público que o líder da Igreja é Cristo Rei. 

Mas o que levou o Papa Pio XI a dedicar a primeiríssima encíclica do seu Pontificado à criação de uma Festa de Cristo Rei? (cf. Carta Encíclica “Quas primas”, 11/12/1925).  

No início do século XX, o Mundo, que ainda estava recuperava da Primeira Guerra Mundial, fora varrido por uma onda de secularismo e de ódio à Igreja, como nunca visto na história do Ocidente. O fascismo na Itália, o nazismo na Alemanha, o comunismo na Rússia, a revolução maçónica no México, anticlericalismos e governos ditatoriais grassavam por toda parte.

É neste contexto que, sem medo de ser literalmente “politicamente incorrecto”, o Pio IX institui uma festa litúrgica para celebrar uma verdade de nossa Fé: mesmo em meio a ditaduras e perseguições à Igreja, Nosso Senhor Jesus Cristo continua a reinar, soberano, sobre toda a história da Humanidade.

Recordar que Jesus é Rei do Universo foi um gesto de coragem do Santo Padre. Com as revoluções que se seguiram ao fim do primeiro conflito mundial, em 1917, o título de Cristo Rei tornara-se um tanto impopular. Se o Papa tivesse exaltado Jesus como profeta, mestre, curador de enfermos, servo humilde, vá lá! Qualquer outro título teria sido mais aceitável. Mas Cristo Rei?!…

Mesmo assim, nadando contra a correnteza e se opondo ao secularismo ateu e anticlerical, o Vigário de Cristo na Terra instituiu esta solenidade para nos recordar que todas as coisas culminam na plenitude do Cristo Senhor: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim de todas as coisas” (Ap 1, 8). É necessário reavivar a fé na restauração e na reparação universal realizadas em Cristo Jesus, Senhor da vida e da história.

Com esta solenidade o Papa Pio IX esperava algumas mudanças no cenário mundial:

- Que as nações reconhecessem que a Igreja dever estar livre do poder do Estado (Quas primas, 32).
- Que os líderes das Nações reconhecessem o devido respeito e obediência a Nosso Senhor Jesus Cristo (Quas primas, 31).
- Que os fieis, com a celebração litúrgica e espiritual desta solenidade, retomassem coragem e força e renovassem sua submissão a Nosso Senhor, fazendo com que ele reine em seus corações, suas mentes, suas vontades e seus corpos (Quas primas, 33).

Encerrar o Ano Litúrgico com a Solenidade de Cristo Rei é consagrar a Nosso Senhor o mundo inteiro, toda a nossa história e toda nossa vida. É entregar à sua infinita misericórdia um mundo onde reina o pecado.

Pilatos pergunta a Jesus se ele é rei. Nosso Salvador responde que seu Reino não é deste mundo. Ou seja, não é deste mundo “inventado” pelo homem e pelo pecado: o mundo da injustiça, da escravidão, da violência, do ódio, da morte e da dor. Ele é rei do Reino de seu Pai e, como rei-pastor, desde o alto da cruz, guia a sua Igreja em meio às tribulações.

Sabemos que o Reinado de Cristo não se realizará por um triunfo histórico da Igreja. Mesmo assim, no final, haverá sem dúvida uma vitória de Deus sobre o mal. Só que esta vitória acontecerá como acontecem todas as vitórias de Deus: através da morte e da ressurreição.

A Igreja só entrará na glória do Reino se passar por uma derradeira Páscoa. A Esposa deve seguir o caminho do Esposo.

Assim sendo, nesta festa, o manto vermelho de Cristo assinala a realeza de Nosso Senhor, mas também nos recorda o sangue de tantos Mártires Cristãos da nossa História. Foram fieis católicos que, ouvindo os apelos do Sucessor de Pedro, não tiveram medo de entregar suas próprias vidas e de morrer aos brados de “Viva Cristo Rei!”



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sábado, 24 de outubro de 2020

Sarah?




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Arcanjos São Miguel, São Gabriel e São Rafael

Que há anjos, muitas páginas da Sagrada Escritura o atestam… Mas é preciso saber que a palavra “anjo” designa a sua função: ser mensageiro. E chamamos “arcanjos” aos que anunciam os grandes acontecimentos. Foi assim que o arcanjo Gabriel foi enviado à Virgem Maria; para este ministério, para anunciar o maior de todos os acontecimentos, impunha-se enviar um anjo da mais alta estirpe…

De igual forma, quando se tratou de manifestar um poder extraordinário, foi Miguel que foi enviado. Na verdade, a sua acção, tal como o seu nome que quer dizer “Quem como Deus?”, fazem compreender aos homens que ninguém pode realizar o que compete apenas a Deus. O antigo inimigo, que desejou por orgulho fazer-se semelhante a Deus, dizia: “Eu escalarei os céus; erigirei o meu trono acima das estrelas; serei semelhante ao Altíssimo” (Is 14,13). 

Mas o Apocalipse diz-nos que, no fim dos tempos, quando for abandonado à sua própria força, antes de ser eliminado pelo suplício final, ele terá de combater contra o arcanjo Miguel: “Houve um combate nos céus: Miguel e os seus anjos combateram contra o Dragão. E também o Dragão combatia com os seus anjos; mas não venceu e foi precipitado no abismo” (Ap 12,7).

À Virgem Maria, foi então Gabriel, cujo nome significa “Força de Deus”, que foi enviado; não é verdade que ele vinha anunciar aquele que quis manifestar-se numa condição humilde, para triunfar do orgulho do demónio? Foi, pois, pela “Força de Deus” que foi anunciado aquele que vinha como “o Senhor dos exércitos, poderoso nos combates” (Sl 23,8). 

Quanto ao arcanjo Rafael, o seu nome significa “Deus cura”. Na verdade, foi ele que livrou das trevas os olhos de Tobias, tocando-os como toca um médico vindo do céu (Tb 11,17). Aquele que foi enviado para cuidar o justo na sua enfermidade merece bem ser chamado 'Deus cura'.

São Gregório Magno, Papa in Homilias sobre o Evangelho



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sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Exame de Consciência de Santo Inácio de Loyola: Para fazer todas as noites antes de dormir

1. Primum punctum est, gratias agere Deo Domino nostro pro acceptis beneficiis. O Primeiro ponto é dar graças a Deus nosso Senhor pelos benefícios recebidos.

2. Secundum, petere gratiam ad cognoscenda peccata, eaque expellenda. Segundo, pedir graça para conhecer os pecados, e libertar-se deles.

3. Tertium, exigere rationem ab anima, incipiendo ab hora qua surrexit quis, usque ad examen praesens, per horas singulas, vel per sigula tempora, ac primum de cogitatione, deinde de verbo, ac postea de opere, eodem ordine quo dictum est in Examen particulari. Terceiro, pedir conta à alma, desde a hora em que se levantou até ao exame presente, hora por hora ou período por período: primeiro, dos pensamentos, depois das palavras, e depois das obras, pela mesma ordem que se disse no exame particular.

4. Quartum, petere veniam a Deo Domino nostro de defectibus. Quarto, pedir perdão, a Deus nosso Senhor, das faltas

5. Quintum, proponere emendationem cum ejus gratia. Pater noster. Quinto, propor emenda, com sua graça. Pai Nosso.




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9 pecados veniais que convém especialmente evitar

A alma deve evitar todos os pecados veniais, especialmente os que abrem caminho ao pecado grave. Ó minha alma, não chega desejar firmemente antes sofrer a morte do que cometer um pecado grave. É necessário ter uma resolução semelhante em relação ao pecado venial. Quem não encontrar em si esta vontade, não pode sentir-se seguro. 

Não há nada que nos possa dar uma tal certeza de salvação eterna do que uma preocupação constante em evitar o pecado venial, por insignificante que seja, e um zelo definido e geral, que alcance todas as práticas da vida espiritual — zelo na oração e nas relações com Deus; zelo na mortificação e na negação dos apetites; zelo em obedecer e em renunciar à vontade própria; zelo no amor de Deus e do próximo. Para alcançar este zelo e conservá-lo, devemos querer firmemente evitar sempre os pecados veniais, especialmente os seguintes:


1. O pecado de dar entrada no coração de qualquer suspeita não razoável ou de opinião injusta a respeito do próximo. 
2. O pecado de iniciar uma conversa sobre os defeitos de outrem, ou de faltar à caridade de qualquer outra maneira, mesmo levemente. 

3. O pecado de omitir, por preguiça, as nossas práticas espirituais, ou de as cumprir com negligência voluntária. 

4. O pecado de manter um afecto desregrado por alguém. 

5. O pecado de ter demasiada estima por si próprio, ou de mostrar satisfação vã por coisas que nos dizem respeito. 

6. O pecado de receber os Santos Sacramentos de forma descuidada, com distracções e outras irreverências, e sem preparação séria. 

7. Impaciência, ressentimento, recusa em aceitar desapontamentos como vindo da Mão de Deus; porque isto coloca obstáculos no caminho dos decretos e disposições da Divina Providência quanto a nós. 

8. O pecado de nos proporcionarmos uma ocasião que possa, mesmo remotamente, manchar uma situação imaculada de santa pureza. 

9. O pecado de esconder propositadamente as nossas más inclinações, fraquezas e mortificações de quem devia saber delas, querendo seguir o caminho da virtude de acordo com os caprichos individuais e não segundo a direcção da obediência.

Santo António Maria Claret


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quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Rito de Lião, celebrado pelo Santo Cura d'Ars




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Um católico pode ser a favor do "casamento gay"?

A 3 de Junho de 2003, a Congregação para a Doutrina da Fé emitiu um documento assinado pelo seu prefeito, Cardeal Joseph Ratzinger, sobre o reconhecimento legal das uniões entre pessoas do mesmo sexo. O documento é muito claro ao explicar que nenhum católico pode ser favorável a qualquer tipo de união desse género.

ARGUMENTAÇÕES RACIONAIS
CONTRA O RECONHECIMENTO LEGAL
DAS UNIÕES HOMOSSEXUAIS
De ordem relativa à recta razão
A função da lei civil é certamente mais limitada que a da lei moral. A lei civil, todavia, não pode entrar em contradição com a recta razão sob pena de perder a força de obrigar a consciência. Qualquer lei feita pelos homens tem razão de lei na medida que estiver em conformidade com a lei moral natural, reconhecida pela recta razão, e sobretudo na medida que respeitar os direitos inalienáveis de toda a pessoa. As legislações que favorecem as uniões homossexuais são contrárias à recta razão, porque dão à união entre duas pessoas do mesmo sexo garantias jurídicas análogas às da instituição matrimonial. Considerando os valores em causa, o Estado não pode legalizar tais uniões sem faltar ao seu dever de promover e tutelar uma instituição essencial ao bem 
comum, como é o matrimónio.

Poderá perguntar-se como pode ser contrária ao bem comum uma lei que não impõe nenhum comportamento particular, mas apenas se limita a legalizar uma realidade de facto, que aparentemente parece não comportar injustiça para com ninguém. A tal propósito convém reflectir, antes de mais, na diferença que existe entre o comportamento homossexual como fenómeno privado, e o mesmo comportamento como relação social legalmente prevista e aprovada, a ponto de se tornar numa das instituições do ordenamento jurídico. 

O segundo fenómeno, não só é mais grave, mas assume uma relevância ainda mais vasta e profunda, e acabaria por introduzir alterações na inteira organização social, que se tornariam contrárias ao bem comum. As leis civis são princípios que estruturam a vida do homem no seio da sociedade, para o bem ou para o mal. «  Desempenham uma função muito importante, e por vezes determinante, na promoção de uma mentalidade e de um costume  ». As formas de vida e os modelos que nela se exprimem não só configuram externamente a vida social, mas ao mesmo tempo tendem a modificar, nas novas gerações, a compreensão e avaliação dos comportamentos. A legalização das uniões homossexuais acabaria, portanto, por ofuscar a percepção de alguns valores morais fundamentais e desvalorizar a instituição matrimonial.

De ordem biológica e antropológica
Nas uniões homossexuais estão totalmente ausentes os elementos biológicos e antropológicos do matrimónio e da família, que poderiam dar um fundamento racional ao reconhecimento legal dessas uniões. Estas não se encontram em condição de garantir de modo adequado a procriação e a sobrevivência da espécie humana. A eventual utilização dos meios postos à sua disposição pelas recentes descobertas no campo da fecundação artificial, além de comportar graves faltas de respeito à dignidade humana, não alteraria minimamente essa sua inadequação.

Nas uniões homossexuais está totalmente ausente a dimensão conjugal, que representa a forma humana e ordenada das relações sexuais. Estas, de facto, são humanas, quando e enquanto exprimem e promovem a mútua ajuda dos sexos no matrimónio e se mantêm abertas à transmissão da vida.

Como a experiência confirma, a falta da bipolaridade sexual cria obstáculos ao desenvolvimento normal das crianças eventualmente inseridas no interior dessas uniões. Falta-lhes, de facto, a experiência da maternidade ou paternidade. Inserir crianças nas uniões homossexuais através da adopção significa, na realidade, praticar a violência sobre essas crianças, no sentido que se aproveita do seu estado de fraqueza para introduzi-las em ambientes que não favorecem o seu pleno desenvolvimento humano. Não há dúvida que uma tal prática seria gravemente imoral e pôr-se-ia em aberta contradição com o princípio reconhecido também pela Convenção internacional da ONU sobre os direitos da criança, segundo o qual, o interesse superior a tutelar é sempre o da criança, que é a parte mais fraca e indefesa.

De ordem social
A sociedade deve a sua sobrevivência à família fundada sobre o matrimónio. É, portanto, uma contradição equiparar à célula fundamental da sociedade o que constitui a sua negação. A consequência imediata e inevitável do reconhecimento legal das uniões homossexuais seria a redefinição do matrimónio, o qual se converteria numa instituição que, na sua essência legalmente reconhecida, perderia a referência essencial aos factores ligados à heterossexualidade, como são, por exemplo, as funções procriadora e educadora. Se, do ponto de vista legal, o matrimónio entre duas pessoas de sexo diferente for considerado apenas como um dos matrimónios possíveis, o conceito de matrimónio sofrerá uma alteração radical, com grave prejuízo para o bem comum. Colocando a união homossexual num plano jurídico análogo ao do matrimónio ou da família, o Estado comporta-se de modo arbitrário e entra em contradição com os próprios deveres.

Em defesa da legalização das uniões homossexuais não se pode invocar o princípio do respeito e da não discriminação de quem quer que seja. Uma distinção entre pessoas ou a negação de um reconhecimento ou de uma prestação social só são inaceitáveis quando contrárias à justiça. Não atribuir o estatuto social e jurídico de matrimónio a formas de vida que não são nem podem ser matrimoniais, não é contra a justiça; antes, é uma sua exigência.

Nem tão pouco se pode razoavelmente invocar o princípio da justa autonomia pessoal. Uma coisa é todo o cidadão poder realizar livremente actividades do seu interesse, e que essas actividades que reentrem genericamente nos comuns direitos civis de liberdade, e outra muito diferente é que actividades que não representam um significativo e positivo contributo para o desenvolvimento da pessoa e da sociedade possam receber do Estado um reconhecimento legal especifico e qualificado. As uniões homossexuais não desempenham, nem mesmo em sentido analógico remoto, as funções pelas quais o matrimónio e a família merecem um reconhecimento específico e qualificado. Há, pelo contrário, razões válidas para afirmar que tais uniões são nocivas a um recto progresso da sociedade humana, sobretudo se aumentasse a sua efectiva incidência sobre o tecido social.

De ordem jurídica
Porque as cópias matrimoniais têm a função de garantir a ordem das gerações e, portanto, são de relevante interesse público, o direito civil confere-lhes um reconhecimento institucional. As uniões homossexuais, invés, não exigem uma específica atenção por parte do ordenamento jurídico, porque não desempenham essa função em ordem ao bem comum.

Não é verdadeira a argumentação, segundo a qual, o reconhecimento legal das uniões homossexuais tornar-se-ia necessário para evitar que os conviventes homossexuais viessem a perder, pelo simples facto de conviverem, o efectivo reconhecimento dos direitos comuns que gozam enquanto pessoas e enquanto cidadãos. Na realidade, eles podem sempre recorrer – como todos os cidadãos e a partir da sua autonomia privada – ao direito comum para tutelar situações jurídicas de interesse recíproco. Constitui porém uma grave injustiça sacrificar o bem comum e o recto direito de família a pretexto de bens que podem e devem ser garantidos por vias não nocivas à generalidade do corpo social.


COMPORTAMENTOS DOS POLÍTICOS CATÓLICOS
PERANTE LEGISLAÇÕES FAVORÁVEIS
ÀS UNIÕES HOMOSSEXUAIS
Se todos os fiéis são obrigados a opor-se ao reconhecimento legal das uniões homossexuais, os políticos católicos são-no de modo especial, na linha da responsabilidade que lhes é própria. Na presença de projectos de lei favoráveis às uniões homossexuais, há que ter presentes as seguintes indicações éticas.

No caso que se proponha pela primeira vez à Assembleia legislativa um projecto de lei favorável ao reconhecimento legal das uniões homossexuais, o parlamentar católico tem o dever moral de manifestar clara e publicamente o seu desacordo e votar contra esse projecto de lei. Conceder o sufrágio do próprio voto a um texto legislativo tão nocivo ao bem comum da sociedade é um acto gravemente imoral.

No caso de o parlamentar católico se encontrar perante uma lei favorável às uniões homossexuais já em vigor, deve opor-se-lhe, nos modos que lhe forem possíveis, e tornar conhecida a sua oposição: trata-se de um acto devido de testemunho da verdade. 


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quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Quando o remédio é pior do que a cura (qualquer semelhança com a situação actual não é pura coincidência)

Não tenho conhecimento de nenhuma outra máxima cujos efeitos práticos sejam mais perversos do que aquela que afirma ser a prevenção o melhor remédio.

Naturalmente, esta máxima, é verdadeira apenas em abstracto; se pudéssemos prever todos os males possíveis muito antes que viessem a acontecer, e se fôssemos capazes de modificá-los ou evitá-los sem esforço e sem prejudicar nada ou ninguém, obviamente deveríamos ficar contentes por poder fazê-lo. Mas isso é simplesmente impossível; todas as nossas antecipações em relação às coisas incertas tendem, necessariamente, a desorganizar as coisas certas.

É bem possível, por exemplo, que um belo dia eu venha a entalar um dedo numa das portas de minha casa. 

Os especialistas e cientistas modernos, juntamente com os modernos burocratas da saúde, da sociologia, e tutti quanti, agarram-se a essa possibilidade e julgam-se no direito de me ditar comportamentos e de me inundar de conselhos, que, invariavelmente, se dividem em dois grandes tipos: os que prescrevem que eu me prive de todas as minhas portas, e os que recomendam que eu me prive de todos os meus dedos.

Remover todas as portas da minha casa, incluindo a da rua, certamente impediria que uma delas me viesse, um dia, a estraçalhar um dedo, mas não creio que isso aumentasse, de facto, o meu conforto. 

Cortar todos os meus dedos à machadada, seguramente evitaria que, mais tarde, eu pudesse vir a ter um deles, preso numa porta, mas, nesse caso, não creio que se pudesse afirmar que a prevenção tinha sido melhor que a cura. 

No fundo, o que realmente importa, no que a medidas preventivas diz respeito, é saber se elas criam, ou não, uma atmosfera mórbida ao tentarem obsessivamente antecipar-se ao mal. Tornar-se-ão elas maléficas por estarem sempre a pensar no mal? 

Porque, estar-se sempre saudável sob tutela dos médicos e das autoridades sanitárias mais não é do que se deixar transformar num inválido imortal. 

Ser assim mantido perpetuamente saudável é, no fim de contas, o mesmo que estar perpetuamente doente. Pois o que define o inválido não é o perigo, que é o orgulho do herói, nem a dor, que é o orgulho do mártir, é, sim, a limitação - o facto de estar preso a uma vida anormal. 

Não, a prevenção não é melhor do que a cura. A cura é saudável, pois acontece num momento em que falta saúde. A prevenção é doentia, uma vez que acontece num momento em que há saúde.
 
Não há vantagem alguma em estar sempre com os olhos fechados por medo de ficar cego; esperar por ficar cego e, só então, ir a um oftalmologista não seria pior. 

Da mesma forma, arrancar toda a relva do jardim para evitar que um búfalo a coma, não faz sentido algum; seria bem melhor esperar por ele e, então, calma e humildemente, resolver o assunto – provavelmente com uma caçadeira.

Por essa razão eu sempre fui, por instinto, contrário a todas as formas de ciência ou ética que professem ser particularmente prescientes ou preventivas.

É sabido que alguns especialistas – os eugenistas, influenciados por doutrinas darwinistas, queriam ansiosamente matar certas criancinhas com medo que elas, quando crescessem, se tornassem más. Mas eu digo-lhes o seguinte: 

Não, meus caros especialistas, por favor, não matem as criancinhas, esperem que elas cresçam e se tornem más e, então (se tivermos sorte), talvez elas vos matem primeiro”.

G. K. Chesterton, 30 de Maio de 1908


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O perigo e a injustiça dos Juízos Temerarios

O Senhor previne-nos contra os juízos temerários e injustos, pois pretende que ajamos com um coração simples, olhando sempre só para Deus. 

Dado que ignoramos os motivos de muitas acções, seria temerário da nossa parte julgá-las. Os mais dispostos a fazer juízos temerários e a condenar os outros são aqueles que preferem condená-los a corrigi-los e conduzi-los ao bem, uma atitude que denota orgulho e mesquinhez. 

Por exemplo, um homem peca por cólera, e tu repreende-lo com ódio. Ora, entre a cólera e o ódio vai a mesma distância que separa a trave do argueiro. O ódio é uma cólera inveterada que, com o tempo, assumiu proporções tais que bem merece o nome de trave. 

Pode acontecer que te encolerizes quando pretendias corrigir, mas não deves nunca deixar-te levar pelo ódio. Afasta primeiro o ódio para longe de ti, e poderás depois corrigir aquele que amas.

Santo Agostinho in 'Explicação do Sermão da Montanha' (19, 63)


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terça-feira, 20 de outubro de 2020

Stop comunhão na mão

Fiéis católicos na Polónia lançam campanha publicitária pelo fim da Comunhão na mão.

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Como São Francisco lidou com um pecado de Frei Leão

Tendo passado S. Francisco perto de uma festa/torneio promovida pelo Conde Orlando subiu ao muro que o separava dos rumores e entoou um cântico cujo conteúdo essencial rezava assim: A imensidade do Bem que me espera é tão superior, que todo o sofrimento é para mim redentor. O Conde alegrou-se com aquela simplicidade de ser e de cantar, e convidou-os para a sua mesa. 

A impressão causada pelo Santo e por sua conversação foi tanta que o aristocrata ofereceu-lhe como propriedade, o monte Alverne, para se poder retirar e recolher em suas orações e contemplações. Ora aí se escondia um grande malfeitor, a quem chamavam o Lobo por ser terrível nas suas rapinas e feroz nas suas crueldades. S. Francisco, com a sua reconhecidíssima paciência, grande mansidão e profunda humildade alcançou a conversão desta fera.
 
O extraordinário Níkos Kazantzákis, prémio Nobel da literatura, era um escritor admirável. Infelizmente só li três livros dele: Os irmãos inimigos, O Cristo recrucificado e a vida de S. Francisco de Assis. Não obstante as suas posições filosóficas, com as quais não concordo, era arguto e tinha intuições magníficas. Por exemplo, na sua biografia do Santo de Assis pega na narração do Irmão Lobo do Monte Alverne e cria uma história extraordinária, que eu ainda não encontrei nas Fontes Franciscanas, mas que, de qualquer modo, retrata, quanto a mim, na perfeição a mentalidade e o modo de ser de S. Francisco.
 
O Irmão Lobo, apesar de convertido, não tinha alcançado ainda o estado de perfeição. Daí que não só resolveu banquetear-se, numa quaresma, como seduziu, Frei Leão, Padre e confessor de S. Francisco. Toda a tentação foi desenvolvida com aparências de bem. Afinal todo o repasto magnífico com suas guloseimas eram um dom de Deus! Frei Leão, deixou-se seduzir e repastou-se gulosamente com o Irmão Lobo. No dia seguinte, caindo em si, e muito arrependido, vai “confessar” o seu pecado ao Diácono S. Francisco. 
O Santo deteve-se em silêncio, como que meditando em seu coração, até que retorquiu: Frei Leão o teu pecado é grave, como penitência eu farei um jejum rigoroso em tais e tais dias. Isto é, S. Francisco assumiu sobre si o pecado do outro unindo-se vicariamente a Jesus Cristo de modo a reparar a ofensa e a implorar o perdão. Disse a verdade, mas não condenou, não repreendeu, não acusou, pelo contrário ofereceu-se ao Crucificado para que participando nos Seus sofrimentos pudesse alcançar a Graça do arrependimento e da conversão dos que por fraqueza pecaram.
 
Um dos Santos franciscanos, muito desconhecido (mais um...), S. Francisco Solano, a certa altura da sua vida foi mandado exercer o cargo de Mestre de Noviços - (para quem não está por dentro desta deste jargão diga-se, com pouco rigor) diga-se, para nos entendermos, que o noviciado é a recruta dos frades. Ora, S. Francisco Solano acompanhou durante esses anos noviços, com muitos defeitos e não poucos pecados. Mas contrariamente a outros Mestres não se irritava, pelo menos exteriormente, não ralhava, não repreendia. Porém, às ocultas empenhava-se com grande sacrifício e generosidade em compensar ou reparar aquilo em que eles tinham falhado. 

Se faltavam à oração ou nela eram descuidados, se não faziam as penitências devidas nem os trabalhos próprios da sua educação tudo isso ele fazia pela calada oferecendo-se por eles. O resultado desta formação, considerada original ou mesmo singular, foi um fortalecimento e ainda um renascimento das vocações. Mais tarde foi mandado para as missões na América do Sul onde continuou o seu trabalho extraordinário. Agiu à maneira de S. Francisco, por isso não admira a fecundidade apostólica que obteve.
 
Poderemos nos dias de hoje conseguir, através deste método, os frutos apostólicos, que S. Francisco e muitos dos seus sucessores alcançaram? Eu creio que sim.

Padre Nuno Serras Pereira


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segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Primeira Comunhão na Irlanda - 1952




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São Pedro de Alcântara, Padroeiro do Brasil

São Pedro de Alcântara, de nome de baptismo Juan de Garabito y Vilela de Sanabria (Alcântara, 1499 — Arenas de San Pedro, 18 de Outubro de 1562), foi um frade franciscano espanhol que fez grandes reformas na sua ordem religiosa, a Ordem dos Capuchinhos, no Reino de Portugal. 

Nasceu em 1499, em Alcântara, Estremadura, Espanha. Filho de Pedro Garavita, governador, e a sua era mãe membro de uma família nobre de Sanabia. Estudou gramática e filosofia em Alcântara, e leis canónicas e civis na Universidade de Salamanca. Franciscano com 16 anos em Manjarez, fundou o convento em Babajoz com 20 anos e serviu como seu superior. Ordenado em 1524, com 25 anos, ele era notável pregador. Um recluso por natureza, vivia no convento de Santo Onóphrius, um local remoto onde ele poderia estudar e rezar entre as missões. 

Não obstante essa reclusão, foi indicado Provincial Franciscano para o Mosteiro de São Gabriel na Estremadura, em 1538. Trabalhou em Lisboa, em 1541, ajudando à reforma da Ordem. Em 1555, iniciou as reformas "Alcântarinas", hoje conhecidas como a "Estrita Observância". Amigo e confessor de Santa Teresa d'Ávila, ajudou-a em 1559 durante o trabalho de reforma da sua Ordem. Místico e escritor, os seus trabalhos foram usados por São Francisco de Sales.  

Morreu a 18 de Outubro de 1562 na Estremadura de causas naturais. Foi canonizado em 1669 pelo Papa Clemente IX. Indicado pelo Papa Pio IX em 1862, como Padroeiro do Brasil. É também padroeiro de Estremadura, Espanha (indicado em 1962) e dos vigias, também em 1962.  

«Com a proclamação da República no Brasil, São Pedro de Alcântara foi discretamente esquecido, provavelmente porque seu nome lembrava o dos imperadores e, além disso, mostrava o quanto havia de positiva ligação entre o Império e a Religião. Porém, seu nome ainda continua a ser lembrado nos missais da Igreja Católica. E foi num destes missais que se encontra a oração transcrita a seguir, a São Pedro de Alcântara, Padroeiro do Brasil, conforme consta no índice do missal. 

Oração a São Pedro de Alcântara, Padroeiro do Brasil

Ó grande amante da Cruz e servo fiel do divino Crucificado, São Pedro de Alcântara; à vossa poderosa protecção foi confiada a nossa querida Pátria brasileira com todos os seus habitantes. Como Varão de admirável penitência e altíssima contemplação, alcançai aos vossos devotos estes dons tão necessários à salvação. Livrai o Brasil dos flagelos da peste, fome e guerra e de todo mal. Restituí à Terra de Santa Cruz a união da fé e o verdadeiro fervor nas práticas da religião.  

De modo particular, vos recomendamos, excelso Padroeiro do Brasil, aqueles que nos foram dados por guias e mestres: os padres e religiosos. Implorai numerosas e boas vocações para o nosso país. Inspirai aos pais de família uma santa reverência a fim de educarem os filhos no temor de Deus não se negando a dar ao altar o filho que Nosso Senhor escolher para seu sagrado ministério.

Assisti, ó grande reformador da vida religiosa, aos sacerdotes e missionários nos múltiplos perigos de que esta vida está repleta. Conseguí-lhes a graça da perseverança na sublime vocação e na árdua tarefa que por vontade divina assumiram.

Lá dos Céus onde triunfais, abençoai aos milhares de vossos protegidos e fazei-nos um dia cantar convosco a glória de Deus na bem-aventurança eterna. Assim seja!»

“Adoremus – Manual de Orações e Exercícios Piedosos” – Por Dom Frei Eduardo, O.F.M. – XX Edição Bahia – Tipografia de São Francisco – 1942, p. 284


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domingo, 18 de outubro de 2020

2 portugueses e 1 brasileiro tonsurados

20 seminaristas do segundo ano do Seminário de da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro em Wigratzbad (Alemanha) foram tonsurados e receberam a batina. A partir de agora, esta será a única veste que usarão para o resto da vida, se Deus quiser. Entre os seminaristas tonsurados estão dois portugueses (Duarte e Miguel) e um brasileiro (Guilherme).
 














Fotografias: fsspwigratzbad.blogspot.com


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São Lucas Evangelista visto de perto

São Lucas, o evangelista (do grego antigo Λουκᾶς, Lukás) é, segundo, a tradição, o autor do Evangelho de São Lucas e dos Actos dos Apóstolos - o terceiro e quinto livros do Novo Testamento. A sua festa é celebrada no dia 18 de Outubro. É o santo padroeiro de médicos e pintores. 

Chamado por Paulo de "O Médico Amado"(Colossenses 4, 14), pode ter sido um dos cristãos do primeiro século que conviveu pessoalmente com os doze apóstolos. A primeira referência a Lucas encontra-se na Epístola a Filemon de Paulo de Tarso, no versículo 24. É mencionado também na epístola aos Colossenses (4, 14), bem como na segunda epístola a Timóteo (4, 11).

Lucas foi o primeiro iconógrafo, pintou a Virgem Maria, Pedro e Paulo. E por isso é que as guildas medievais de São Lucas, na Flandres, ou a Accademia di San Luca ("Academia de São Lucas") em Roma - associações imitadas noutras cidades europeias durante o século XVI - reuniam e protegiam os pintores.

O que diz a Bíblia sobre Lucas

Lucas foi o companheiro de Paulo, e segundo a quase unânime crença da antiga igreja, escreveu o evangelho que é designado pelo seu nome, e também os Actos dos Apóstolos. É mencionado apenas três vezes pelo seu nome no N.T. (Cl 4, 14 - 2 Tm 4, 11 - Fm 24). 

Pouco se sabe a respeito da sua vida. Têm alguns julgado que ele foi do número dos setenta discípulos, mandados por Jesus a evangelizar (Lc 10, 1) - outros pensam que foi um daqueles gregos que desejavam vê-lo (Jo 12, 20) - e também considerando que Lucas é uma abreviação de Lucanos, já têm querido identificá-lo com Lúcio de Cirene (At 13, 1).

Dois dos Padre da igreja dizem que era sírio, natural de Antioquia. Na verdade não parece ter sido de nascimento judaico (Cl 4, 11). Era médico (Cl 4,14). Não foi testemunha ocular dos acontecimentos que narra no Evangelho (Lc 1, 2), embora isso não exclua a possibilidade de ter estado com os que seguiam a Jesus Cristo. 

Parece que Lucas se juntou a Paulo em Trôade (At 16, 10), e foi com ele até à Macedónia - depois viajou com o mesmo Apóstolo até Filipos, onde tinha amigos, ficando provavelmente ali durante algum tempo (At 17, 1).

Cerca de 7 anos mais tarde, quando Paulo, dirigindo-se a Jerusalém, visitou Filipos, Lucas juntou-se novamente a ele (At 20, 5). 

Se Lucas era aquele ‘irmão’, de que se fala em 2Co 8, 18, o intervalo devia ter sido preenchido com o activo ministério.

Lucas acompanhou Paulo a Jerusalém (At 21.18) e com ele fez viagem para Roma (At 21, 1). Nesta cidade esteve com o Apóstolo durante a sua primeira prisão (Cl 4, 14 - Fm 24) - e achava-se aí também durante o segundo encarceramento, precisamente pouco antes da morte de Paulo (2Tm 4, 11). São Paulo diz nas suas cartas quando preso: "Lucas é a minha única companhia". Durante o martírio de Paulo, Lucas nunca saiu do seu lado.

Lucas, o pintor 

Lucas conversou muito com a mãe de Jesus e com São João. De acordo com a Igreja Católica Grega, São Lucas andava sempre com uma pintura de Nossa Senhora com ele, e essa foi o instrumento de varias conversões. 

São Lucas foi um grande artista e grande escritor, e as suas narrativas inspiraram grandes escritores e grandes mestres da arte. A pintura de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que se encontra na Basílica de Santa Maria Maior em Roma, terá sido pintada por ele.

Pinturas excepcionais de São Lucas são as de Roger van Weyden na Pinacoteca de Munique, na Alemanha, a de Jean Grossaert em Praga e a de Rafael na Academia de São Lucas em Roma.

Embora alguns afirmem que ele sofreu o martírio, a opinião mais aceite é a de que faleceu de morte natural aos 84 anos de idade, na Bitínia. Mas, como enfrentou muitos perigos pela fé de Cristo, é considerado por muitos como mártir.

As suas relíquias, que no século IV se achavam em Tebas da Beócia (Grécia), foram trasladadas para Constantinopla em 357, a pedido do Imperador Constâncio, filho de Constantino, tendo sido depositadas na igreja dos Santos Apóstolos com as de Santo André e São Timóteo.

O Cardeal Barónio diz que São Gregório Magno levou para Roma a cabeça de São Lucas, quando voltou da Nunciatura em Constantinopla, e a depositou na igreja do mosteiro de Santo André, que ele tinha fundado no Monte Célio. Hoje em dia, o corpo deste Evangelista é venerado na cidade de Pavia, em Itália.

Se se aplicam aos quatro evangelistas as representações simbólicas mencionadas pelo profeta Ezequiel, São Lucas é representado pelo boi, como emblema dos sacrifícios, pois ele é o evangelista que mais insiste no sacerdócio de Jesus Cristo.

adaptado de santossanctorum.blogspot.com


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sábado, 17 de outubro de 2020

O Latim e a Missa - Madre Angélica

O Latim é o idioma perfeito para a Missa. É a língua da Igreja, que nos permite melhor fazer oração verbal sem distracções. 

Como sabem, o propósito da Missa é rezar e estar associados à crucifixão e ao glorioso banquete de que participamos na Sagrada Comunhão. Ele está ali. No entanto, muito disto se deteriora com o vernáculo.

Durante a Missa em Latim, tens um missal para se quiseres segui-La na tua língua. É quase mística. Isto dá-te uma consciência dos Céus. Da incrível humildade de Deus que se manifesta em forma de pão e vinho. 

O amor que Ele teve por nós e o Seu desejo de permanecer connosco até ao fim dos tempos é simplesmente impressionante. Podes concentrar-te nesse amor, porque não te distrais com a tua própria língua. Podes ir a qualquer parte do mundo e saber sempre o que está a acontecer. É contemplativo, porque à medida a que a Missa se desenrola, podes fechar os olhos e visualizar o que realmente sucede. [O Calvário.] Podes senti-lo. 

Podes olhar para o Oriente e dar-te conta de que Deus chegou e está realmente presente. Com o sacerdote voltado para o povo, é apenas algo entre o povo e o sacerdote. Muitas (demasiadas) vezes é só uma espécie de get-together (encontro de amigos) e Jesus é quase esquecido.

Madre Angélica in 'Little Book of Life Lessons and Everyday Spirituality'


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A missão de Santa Margarida Maria Alacoque

Em 1647, quando nasceu Santa Margarida Maria, a devoção ao Sagrado Coração não era muito conhecida, se bem que já existia. A sua missão foi dar-lhe um impulso e uma difusão universal, precisar o seu espírito, adapta-lo às necessidades da Igreja nos tempos modernos e fixar as práticas de piedade mais adequadas às novas circunstâncias.

Santa Margarida Maria foi uma simples freira que nunca transpôs os muros do seu convento e morreu antes de completar 45 anos, em 1690. A Providência compraz-se deste modo em realizar um desígnio imenso a partir de uma humilde religiosa que, para fugir do mundo, tinha-se retirado a um obscuro convento da Ordem da Visitação e levou ali uma vida apagada aos olhos dos homens e até das freiras visitandinas com as quais convivia.

O quadro hoje é completamente diverso. Ornato da Ordem da Visitação, a religiosa então apagada foi elevada ao ápice de glória na Igreja e, do alto dos altares, da sua santidade despede raios de salvação à terra inteira, enquanto a maioria dos homens famosos e importantes da sua época são desconhecidos pelos nossos contemporâneos.

O Papa Pio XII, depois de fazer a lista dos Santos que se destacaram na prática e difusão da devoção ao Coração de Jesus, diz a este propósito: “Mas entre todos os promotores desta excelsa devoção, merece um lugar especial Santa Margarida Maria Alacoque que, com a ajuda do seu director espiritual, o Beato Cláudio de la Colombière (hoje santo) e com o seu zelo ardente, obteve, não sem a admiração dos fiéis, que este culto adquirisse um grande desenvolvimento e, revestido das características do amor e da reparação, se distinguisse das demais formas da piedade cristã.” (Encíclica Haurietis Aquas, 49)

in Pale Ideas



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sexta-feira, 16 de outubro de 2020

Crimes contra a Humanidade: a "pandemia" explicada



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As Carmelitas veladas

Antes do Concílio Vaticano II, em certas ocasiões, as Carmelitas usavam véus que lhes tapavam o rosto. Estes véus eram usados sempre que alguma irmã tinha de aparecer em público, por exemplo numa Missa ou numa procissão, ou quando tinha de se deslocar para fora da Clausura. O objectivo era que a religiosa pudesse manter o espírito contemplativo, mesmo temporariamente no meio do século. Este véu foi usado por Santa Teresa e pelas suas primeiras carmelitas.

As regras de visita no Carmelo eram bastante estrictas. Excepto para as noviças, que poderiam receber em visita - no parlatório atrás das grades - quem quisessem. Santa Teresa queria que se percebesse que as irmãs estavam ali porque queriam e não obrigadas por quem quer fosse.





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quinta-feira, 15 de outubro de 2020

Santa Teresa de Ávila nas palavras de Dom Prosper Guéranger

Teresa sofreu toda a espécie de privações. Mas sofreu uma privação pior do que as privações humanas. Um dia, Deus mesmo pareceu faltar-lhe. Como antes dela São Felipe Benício, como depois dela São José Calazans e Santo Afonso Ligório, ela conheceu a provação de se ver condenada, rejeitada, ela e suas filhas e seus filhos, em nome e pela autoridade do Vigário do Esposo. 

Era um desses dias preditos desde há muito onde – agora da citação Apocalipse – foi dado à "besta" de fazer guerra aos santos e de os vencer. O espaço falta-nos para contar esses incidentes dolorosos. Para quê contá-los? A "besta" não tem nesses casos senão um modo de proceder, que repete no décimo sexto século, no décimo sétimo, no décimo oitavo século e sempre.

Como também a "besta" tem sempre o mesmo objectivo, Deus permitindo-o, não tem senão um objectivo: o de conduzir os seus a este alto grau de união crucificante onde aquele que quis ser o primeiro a saborear a amargura desta borra de vinho pôde dizer dolorosamente, mais do que ninguém: "Meu Deus, meu Deus porque me abandonastes?"

Dom Prosper Guéranger in Méditation: Le XV October, Sainte Thérese, Vierge 


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Quando Santa Teresa caiu do burro

Certa vez, Santa Teresa de Ávila estava a viajar para um dos seus conventos, quando foi deitada abaixo do burro que a carregava e caiu na lama, magoando a perna.

"Senhor" disse ela, "não podíeis ter escolhido pior altura para isto acontecer. Porque deixastes isto acontecer?"

Uma voz respondeu do Céu: "É assim que trato os Meus amigos."

Ao que Santa Teresa respondeu: "Se é assim que tratais os Vossos amigos, não me admira que tenhais tão poucos!"



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quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Não manipularás São Francisco

Na 1º Regra escrita por S. Francisco, não aprovada pelo Papa, constam várias coisas que parecem, mas não são dissonantes entre si. Por ex., no capítulo 12 diz-se “Todos os irmãos onde quer que estejam ou vão, guardem-se de maus olhares e da conversação com mulheres. E nenhum se entretenha ou viaje a sós com elas ou partilhe à mesa do mesmo prato.”; no 13º: “Se algum dos irmãos por instigação do demónio, cair em fornicação, dispa-se-lhe o hábito, de que se tornou indigno pelo seu torpe pecado. E, deposto o hábito, seja expulso da nossa Religião (da Ordem Franciscana). Etc.

 

No capítulo 16, 6 consta uma frase citada, hoje em dia, a propósito da relação com os muçulmanos, a saber: mostrem-se “submissos a toda a humana criatura por amor de Deus”. Aqui, claramente, a palavra submisso significa serviço e humildade, no sentido Cristológico[1]. Este sentido, consta imediatamente, no mesmo capítulo, a seguir ao nº 6: “ ... anunciem a palavra de Deus, para que creiam no Deus omnipotente, Pai, Filho e Espírito Santo, Criador de todas as coisas, no Filho Redentor e Salvador, e sejam baptizados e se façam cristãos, porque, quem não renascer da água e do Espírito Santo, não pode entrar no Reino de Deus.”

 

Isto é, aliás, confirmado por São Boaventura, que testemunha: “Não se considerava amigo de Cristo, se não se preocupava com almas que Ele resgatara. ‘Nada se devia antepor à salvação das almas’, dizia. E apresentava como prova o facto de o Filho Unigénito de Deus se ter dignado morrer na Cruz por amor das almas.”

 

São Francisco de Assis, não foi, como hoje se diz, dialogar com o sultão. Foi sim anunciar-lhe o Evangelho para que se convertesse.

 

Padre Nuno Serras Pereira

 

[1] “E, realmente, eram menores porque a todos submetidos, buscando sempre o último lugar e os serviços a que estivesse ligada alguma humilhação a fim de merecerem, fundamentados na verdadeira humildade, sobre ela erguer o edifício espiritual de todas a s virtudes” in Tomás de Celano, Vida Primeira, nº38.



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Conferência com transmissão 'live' na página Senza Pagare no Facebook



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