terça-feira, 7 de julho de 2020

Começa hoje a Novena a Nossa Senhora do Carmo

ORAÇÃO PARA TODOS OS DIAS

† Pelo sinal da Santa Cruz, † livrai-nos, Deus, Nosso Senhor, † dos nossos inimigos.

† Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Ó Deus eterno, Pai, Filho e Espírito Santo! Prostrado em vossa adorável presença, imploro misericórdia pelos méritos de Vossa Filha predilecta, Mãe soberana e Esposa Santíssima, a excelsa Virgem Maria do Monte Carmelo, maternal protectora de todos os necessitados na vida, na morte e no purgatório. Ouvi-me, Senhor, nesta novena que a Ela consagro, e concedei-me o viver e morrer em vossa graça, para vos contemplar e bendizer eternamente na sua gloriosa companhia. Amém.

Ó Maria, Rainha e Formosura do Carmelo, Mãe admirável e bondosa; olhai com carinho para nós vossos filhos, aqui reunidos na vossa presença. Infundi em nossas almas uma fé sempre mais profunda e um amor mais perfeito a Verdade e ao Bem. Revesti o nosso coração com o Santo Escapulário; que ele seja um sinal de salvação e garantia de vossa bênção e protecção. Dai-nos a graça de alcançar a salvação eterna. Amém.

1º dia - 7 de Julho

Maria, Rainha e Formosura do Carmelo, muito antes do vosso nascimento, o grande profeta Elias, previu na misteriosa nuvem, que subiu do mar e cobriu o Monte Carmelo, a vossa grandeza de Mãe do Senhor.

Mãe Santa do Carmo, com toda a confiança nos aproximamos de vós. Olhai-nos com ternura e derramai a graça divina em nosso corações. Enriquecei-nos com os dons do Espírito Santo e as virtudes cristãs, Alcançai-nos a graça de nunca vivermos afastados de Deus. 

E agora, Mãe de Jesus, alcançai-nos a graça especial que nesta Novena vos pedimos: (pedir a graça). Rezar 3 Ave-Marias e Glória ao Pai...

Seja por todos bendita a Mãe de Deus, Santa Virgem do Carmelo. Sejamos por ela abençoados na Terra e no Céu. Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós.

2º dia - 8 de Julho

Rainha excelsa e Mãe terna do Carmelo! Os sucessores do profeta Elias, moradores perpétuos do Monte Carmelo, conservaram ao longo da história, o amor à vossa maternidade divina, tomando como exemplo, as virtudes que brilharam em vossa vida.

Fazei, Mãe amável e querida, que reine também nas nossas famílias, uma arraigada devoção para convosco. Seja esta devoção fonte perene de amor e união, de felicidade, alegria e paz. 

E agora, Mãe de Jesus, alcançai-nos a graça especial que nesta Novena vos pedimos: (pedir a graça). Rezar 3 Ave-Marias e Glória ao Pai...

Seja por todos bendita a Mãe de Deus, Santa Virgem do Carmelo. Sejamos por ela abençoados na Terra e no Céu. Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós.

3º dia - 9 de Julho

Virgem do Carmo, Maria Santíssima! Os religiosos carmelitas fizeram que fosses honrada e venerada em todas as partes do mundo. Vós retribuístes esta prova de amor, outorgando-lhes o singularíssimo dom do Santo Escapulário. Quisestes Mãe querida, que ele fosse vínculo de amizade, sinal da vossa perpétua protecção, para todos que devotamente o trazem consigo.

Virgem do Carmo, Mãe admirável! Aqui estamos para agradecer este favor tão insigne. Queremos trazer sobre o coração esta aliança de paz. Fazei com que ele nos preserve dos perigos, nos afaste dos males, e seja fonte permanente de graça e protecção. 

E agora, Mãe de Jesus, alcançai-nos a graça especial que nesta Novena vos pedimos: (pedir a graça). Rezar 3 Ave-Marias e Glória ao Pai...

Seja por todos bendita a Mãe de Deus, Santa Virgem do Carmelo. Sejamos por ela abençoados na Terra e no Céu. Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós.

4º dia - 10 de Julho

Mãe soberana e excelsa Virgem Maria! Ao entregar o vosso Escapulário a São Simão Stock, pedistes que o levássemos como veste, e o trouxéssemos sempre conosco como sinal de nossa devoção. O Escapulário nos compromete a seguir os vossos passos e acreditar no vosso poder junto de Deus.

Virgem Mãe de Deus e nossa! Obrigado por me teres envolvido com o vosso manto e me acolheres como vosso filho. Conduzi-me a viver, tanto na alegria, como no sofrimento, com o olhar sempre voltado para Deus. 

E agora, Mãe de Jesus, alcançai-nos a graça especial que nesta Novena vos pedimos: (pedir a graça). Rezar 3 Ave-Marias e Glória ao Pai...

Seja por todos bendita a Mãe de Deus, Santa Virgem do Carmelo. Sejamos por ela abençoados na Terra e no Céu. Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós.

5º dia - 11 de Julho

Virgem Maria, Mãe querida do Carmelo! No alto da Cruz, Jesus vos confiou o título de Mãe. Mandou que cuidasses de nós, com desvelo, que nos abrisses os olhos da fé, que fizesses bater nosso coração de amor ao próximo, e nos ensinasses a pronunciar o doce nome de Deus Pai.

Mãe amável e bondosa! Na caminhada dolorosa e difícil desta vida é gratificante poder chamar-vos de Mãe. Como é bom ter a certeza que nos acompanhais com ternura e amor. Muitas vezes a minha fraqueza me leva a ser a ovelha desgarrada. Mas o pensamento de que sois minha Mãe dá-me forças para voltar ao caminho do bem. 

E agora, Mãe de Jesus, alcançai-nos a graça especial que nesta Novena vos pedimos: (pedir a graça). Rezar 3 Ave-Marias e Glória ao Pai...

Seja por todos bendita a Mãe de Deus, Santa Virgem do Carmelo. Sejamos por ela abençoados na Terra e no Céu. Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós.

6º dia - 12 de Julho

Mãe excelsa e Rainha do Carmelo! Durante a vossa vida, sempre tivesses o coração aberto para Deus. Dissestes: “Faça-se em mim conforme a Vossa Vontade". O vosso coração também estava aberto ao próximo; ajudastes a prima Isabel, colaborastes nas bodas de Caná, e durante toda a vida servistes o vosso Filho Jesus.

Senhora e Mãe querida do Carmo! Devo aprender com a vossa vida, esta grandiosa lição de amor a Deus e ao próximo. Como humilde serva do Senhor, tivestes o coração aberto para ajudar a quem precisasse. Conduzi-me, ó Mãe, a não fugir dos necessitados, dos mais pequeninos, dos que me procuram e me pedem um gesto fraterno.

E agora, Mãe de Jesus, alcançai-nos a graça especial que nesta Novena vos pedimos: (pedir a graça). Rezar 3 Ave-Marias e Glória ao Pai...

Seja por todos bendita a Mãe de Deus, Santa Virgem do Carmelo. Sejamos por ela abençoados na Terra e no Céu. Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós.

7º dia - 13 de Julho

Virgem Maria, Mãe de Jesus! A lembrança do profeta Elias, que vivia na presença de Deus, assim como a atitude de Maria (irmã de Marta) em estar à escuta da Palavra de Deus, transmitiu aos Carmelitas e a todos os que usam o Santo Escapulário, um profundo amor à oração. Jesus procurou lugares solitários, mandou que fôssemos inoportunos na súplica, para ensinar-nos, quanto a nossa atitude de oração é do agrado de DEUS.

Virgem Mãe de Deus! Fazei com que a vosso exemplo, eu me torne pessoa de oração, meditando sempre e constantemente todas as palavras vindas da boca de Deus. Mãe amável, ajudai-me a vencer as dificuldades da vida, orando. Cheio de vigor divino, saiba dominar as preocupações materiais, e abrir o meu espírito a um relacionamento profundo com Deus.

E agora, Mãe de Jesus, alcançai-nos a graça especial que nesta Novena vos pedimos: (pedir a graça). Rezar 3 Ave-Marias e Glória ao Pai...

Seja por todos bendita a Mãe de Deus, Santa Virgem do Carmelo. Sejamos por ela abençoados na Terra e no Céu. Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós.

8º dia - 14 de Julho

Mãe soberana e grandiosa Rainha do Carmelo! O vosso Filhos Jesus fez-nos ver a grandeza de Deus, na simplicidade de um lírio do campo, na inocência de uma criança, ou na oferta de um copo de água. Acrescentou ainda, que o Seu Reino, pertencia aos pobres, aos fracos, aos que são simples como crianças.

Mãe e Senhora do Carmo! Na vossa humildade fostes escolhida para Mãe de Deus. Vivestes uma vida de silêncio e trabalho. No momento da morte de Jesus, em silêncio, unistes a vossa dor aos sofrimentos do vosso Filho. Ensinai-me a valorizar os acontecimentos do meu dia a dia como vindos das mãos de Deus para o meu bem.

E agora, Mãe de Jesus, alcançai-nos a graça especial que nesta Novena vos pedimos: (pedir a graça). Rezar 3 Ave-Marias e Glória ao Pai...

Seja por todos bendita a Mãe de Deus, Santa Virgem do Carmelo. Sejamos por ela abençoados na Terra e no Céu. Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós.

9º dia - 15 de Julho

Virgem Maria, Santa Mãe de Deus! O vosso Filho Jesus mandou que fôssemos santos como o Pai do Céu é Santo! Por isso, devemos colocar-nos no caminho da santidade, pois a santidade não é para um grupo de heróis, mas para todos. Quando não orientamos a nossa vida para Deus, deixamos de ser santos.

Senhora e Mãe do Carmo! Aqui reunidos, diante da vossa presença, vos chamamos mais de uma vez de Santíssima Virgem Maria. Recebestes este título, porque deixastes que Deus vivesse em vós, se manifestasse em vós, e vos envolvesse no seu Ministério. Conduzi-nos pelo caminho do bem e da santidade. 

E agora, Mãe de Jesus, alcançai-nos a graça especial que nesta Novena vos pedimos: (pedir a graça). Rezar 3 Ave-Marias e Glória ao Pai...

Seja por todos bendita a Mãe de Deus, Santa Virgem do Carmelo. Sejamos por ela abençoados na Terra e no Céu. Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós.


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segunda-feira, 6 de julho de 2020

Ennio Morricone (1928-2020)

Morreu hoje, aos 91 anos, Ennio Morricone, um famoso compositor italiano. Morricone compôs centenas de músicas usadas em filmes, por exemplo n'A Missão, que trata das missões jesuítas na América do Sul, no séc. XVIII. Em 2009, o compositor católico deu uma entrevista a Edward Pentin, na qual defendeu com unhas e dentes o canto Gregoriano: 

«Eu tenho uma opinião bastante boa do Papa Bento XVI. Parece ser um Papa de espírito muito elevado, com uma grande cultura e também uma grande força. Ele quer muito corrigir os erros [litúrgicos] que existiram e continuam a existir, e tentou corrigi-los logo uns dias após ser eleito. 

Hoje, a Igreja cometeu um grande erro, atrasando o relógio 500 anos com guitarras e músicas populares. Eu não gosto nada disso. O canto Gregoriano é uma tradição vital e importante da Igreja, e desperdiçá-lo para ter gente que mistura palavras religiosas com músicas profanas Ocidentais é muito grave, muito grave. O mesmo aconteceu antes do Concílio de Trento, quando os cantores cantavam cânticos profanos com melodias e palavras sagradas. (...)

Apoio tanto a Missa em latim como na língua nacional de um país. Mas sou frontalmente contra e não concordo com misturar música profana e secular com palavras religiosas na Igreja ou misturar música religiosa com um texto profano e secular.

Depois do Concílio Vaticano II, fui convidado para ser consultor do Vicariato de Roma, para produzir duas peças de música cantada de Igreja, e recusei. A Igreja e os Cristãos têm o canto Gregoriano mas disseram-me que agora tínhamos que ter outra música, e então recusei. Todos os músicos em Roma também se recusaram a trabalhar nisso.»


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Dr. Xavier Dor, uma vida a lutar contra o aborto

Esta fotografia foi tirada por mim em Roma. O Bispo é D. Athanasius Schneider, acompanhado por um sacerdote. O fiel que se encontra ajoelhado, cuja cara não se vê, é o Dr. Xavier Dor. Trata-se de um médico francês, embriologista, que devotou a sua vida a lutar contra o aborto, desde que este foi liberalizado em França, na década de 70.

A sua dedicação a defender o direito à vida fez com que fosse várias vezes detido pela polícia, tanto por manifestações à frente de clínicas de aborto como por ter falado com mães que iam abortar os seus filhos.

Na fotografia, o bom médico tinha quase 90 anos e, ainda assim, ajoelhou-se para beijar o anel e receber a bênção do Bispo. Morreu em Abril de 2020, aos 91 anos. Que Nosso Senhor lhe dê a justa recompensa.

João Silveira


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domingo, 5 de julho de 2020

Jornada Summorum Pontificum a 23 de Outubro em Roma

Caros amigos,

Temos o prazer de apresentar as primeiras notícias sobre o nosso próximo Encontro Summorum Pontificum, que acontecerá, como sempre, em Roma, no grande anfiteatro do Augustinianum, perto da Praça de São Pedro, na Sexta-Feira dia 23 de Outubro entre as 10h e as 17h.

Este novo Encontro, organizado sob os auspícios do Abbé Claude Barthe, capelão da peregrinação Summorum Pontificum (que ocorrerá no dia seguinte, 24 de Outubro), acolherá as intervenções de uma série de oradores, incluindo a de Sua Eminência Cardeal Raymond Leo Burke.

Tendo como tema geral "A vitalidade missionária da Missa tradicional", intervirão também Joseph Shaw, Chairman da famosa Latin Mass Society, Jean de Tauriers, Presidente do ND de Chrétienté e Antony Ike, seminarista nigeriano especialista na África católica e Trinidad Dufourq da Argentina.

O nosso Encontro terminará no mesmo dia, às 18 horas, na Igreja de Santa Maria dos Mártires (Panteão), com o canto das Vésperas Pontificais, presidido por Mons. Janfranco Girotti, bispo titular de Meta e Regente emérito da Penitenciaria Apostólica.

Tudo isto nos preparará para participar no dia seguinte, 24 de Outubro, na 10ª peregrinação Summorum Pontificum.

Christian Marquant
Presidente de Oremus - Paix Liturgique 


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Médicos austríacos defendem a Comunhão na boca


Vinte e um médicos católicos austríacos escreveram uma carta que dirige um apelo à Conferência Episcopal nacional para que seja revogada a proibição de receber a Sagrada Comunhão na boca, proibição aplicada desde que foi anunciado que a Comunhão na mão seria a única forma permitida para a distribuição da hóstia consagrada.  

Enquanto que as medidas de bloqueio determinadas pelo COVID-19 são gradualmente revogadas em toda a Europa e as Missas são reabertas ao povo, várias Conferências Episcopais, em países como a Itália e a Áustria, decidiram obrigar os sacerdotes a distribuir a Sagrada Comunhão apenas na mão, embora a Comunhão de joelhos e na boca seja a prática tradicional da Igreja Católica. 

Para os católicos de mentalidade tradicional, esta obrigação é equivalente a uma total proibição de receberem a Comunhão. Para estes, são inaceitáveis o desrespeito e o risco de profanação.

Os vinte e um médicos católicos austríacos que assinaram a carta citaram, a sustentar, a opinião profissional do professor Filippo Maria Boscia, Presidente da Associação dos Médicos Católicos Italianos, que declarou: «A Comunhão na boca é mais segura do que na mão».     

Segundo os médicos subscritores, na liturgia católica tradicional – ou seja, o rito tridentino – as medidas preventivas para impedir a disseminação do coronavírus estão mais amplamente presentes do que no Novus Ordo, como quando o padre é obrigado a manter o polegar e o indicador unidos a partir do momento em que consagrou o pão, usando-os apenas para tocar a hóstia, daquele momento em diante, até ao momento em que, mais uma vez, purifica as mãos.

Os médicos comentaram que «os sacerdotes que celebram o rito tradicional têm experiência na administração da Comunhão na boca e praticamente nunca têm contacto com a boca de quem comunga. Todavia, se tal acontecesse, um sacerdote, tendo em conta a situação actual, pode interromper a distribuição da Comunhão para limpar as mãos».   

Os médicos observaram que, quando os fiéis se ajoelham para receber a Comunhão, a contaminação por gotículas é menos provável porque o rosto do sacerdote não está ao mesmo nível que o do fiel que comunga.       

«Do ponto de vista higiénico, é absolutamente incompreensível para nós o motivo pelo qual a Comunhão na boca foi proibida na Áustria. Consideramos esta forma de distribuição mais segura do que a Comunhão na mão», escrevem os médicos, sublinhando que as contaminações são, na maior parte, resultado de mãos sujas, como escreveu o Dr. Boscia quando enfatizou: «O que é certo é que as mãos são as partes do corpo mais expostas aos patógenos».          

Os médicos católicos austríacos concluem a carta recordando que a Congregação para o Culto Divino reconheceu o direito dos fiéis de receberem a Comunhão na boca, sem excepções.      

Jeanne Smits    
(Tradução: diesirae.pt)




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sábado, 4 de julho de 2020

Santa Isabel, a Rainha Santa


Princesa da casa real aragonesa, Dona Isabel nasce em 1270. Casa por procuração com o rei D. Dinis na cidade de Barcelona, em Fevereiro de 1281, mas Coimbra só recebe o casal régio em Outubro do mesmo ano. De pronto se estabelece uma profunda empatia com aquela que viria a ser a sua futura padroeira.

Desde cedo, o carácter filantrópico e de pacificadora da rainha é posto em evidência. Destacam-se alguns dos seus actos miraculosos e as intervenções de mediadora na discórdia entre D. Dinis e o seu meio-irmão, o Infante D. Afonso. Nos anos de 1319 e 1324, intervém para pôr fim aos incidentes do marido com o filho D. Afonso. Mais tarde, ao ter conhecimento da desavença entre o futuro rei D. Afonso IV, e o seu neto, D. Afonso XI de Castela, desloca-se a Estremoz para a sua última tentativa de reconciliação. Adoecendo nessa localidade alentejana, acaba por falecer a 4 de Julho de 1336, sem ter conseguido levar a bom termo a sua missão pacificadora.

Este pequeno retábulo, considerado o primeiro ex-voto português, foi encomendado por um professor universitário, como forma de agradecer o auxílio da Rainha Santa na cura da paralisia de que padecia uma sua sobrinha, freira da comunidade monástica de Celas. Nele se representa Santa Isabel com as rosas e o milagre propriamente dito, bem como a sua acção de amparo aos mais desprotegidos. Em plano de fundo, descobre-se uma vista geral de Coimbra renascentista, com destaque para o Paço Real e o Mosteiro de Santa Clara.


A rainha é sepultada em Coimbra, no Convento de Santa Clara, conforme vontade expressa em testamento, repousando inicialmente num belíssimo túmulo de pedra esculpido no séc. XIV por Mestre Pero para, mais tarde, já no século XVII, ser trasladada para novo túmulo em prata, exposto na capela-mor do novo Mosteiro de Santa Clara.
Hoje, o monumento funerário encontra-se próximo do retábulo-mor da nova Igreja de Santa Clara de Coimbra, na companhia da venerada imagem da Rainha Santa, executada por Teixeira Lopes em 1896.Após a sua canonização ser oficializada pela Igreja de Roma, os restos mortais da Rainha Santa foram trasladados para uma nova morada final. O novo túmulo em prata foi mandado fazer em 1614 pelo Bispo-Conde de Coimbra, D. Afonso de Castelo Branco.


A sua figura de Rainha Santa ficou indissociavelmente ligada ao auxílio e fundação de mosteiros e à protecção dos mais desfavorecidos, sendo por isso querida em vida e venerada como santa, logo após a sua morte. Oficialmente, a consagração dá-se com a beatificação, a 15 de Abril de 1516, por Leão X, vindo a ser canonizada por Urbano VIII, em 25 de Maio de 1625.

Após a morte de D. Dinis, em 1325, e antes de fixar residência no paço anexo ao Mosteiro de Santa Clara de Coimbra, a rainha efectuou uma peregrinação a Santiago de Compostela. Segundo a tradição, Dona Isabel oferece ao Apóstolo Santiago alfaias litúrgicas, jóias e paramentos religiosos, recebendo das mãos do arcebispo compostelano o bordão de peregrina, em forma de tau, que se encontra à guarda da Irmandade de Santa Clara.



Durante a abertura do túmulo da Rainha Santa, ocorrida em 1612, com o objectivo de proceder à recolha de provas para a sua canonização, repousava junto do seu corpo o báculo e o bordão de peregrina a Santiago de Compostela, oferecido em 1325 pelo arcebispo compostelano. A peça foi colocada, no século XVII, num receptáculo de prata, em forma de balaústre, encontrando-se à guarda da Irmandade da Rainha Santa Isabel.


Uma vez viúva, a rainha passa a envergar o hábito de clarissa sem tomar os votos, desfazendo-se dos seus adornos. De alguns mandou fazer ornamentos e alfaias religiosas, enviando-as a várias igrejas, enquanto às rainhas de Portugal, Castela e Aragão ofereceu diversas jóias.


O legado de Dona Isabel de Aragão constitui um pequeno tesouro no panorama da ourivesaria sacra medieval, embora integre uma peça de uso pessoal, o colar de ouro e pedras preciosas ( inv. 6037). De acordo com a lenda, as freiras clarissas emprestavam-no aos doentes para ajudar à cura, sendo usado, em particular, pelas parturientes.

O acervo compreende também um relicário de coral (inv. 6036) que combina a excelência das formas irregulares e naturais do coral com as várias técnicas de trabalhar a prata, associando também a douradura à utilização repetida dos esmaltes. Ostentando os símbolos heráldicos de Portugal e de Aragão, o relicário repousa sobre dois leões de vulto pleno. Esta peça tinha o seu culminar na desaparecida representação do Calvário, plasmado nas figuras de Cristo, da Virgem e de S. João. A eleição da forma tripartida surge como alusão ao Mistério da Santíssima Trindade.


Do denominado “tesouro” consta ainda uma rara escultura da Virgem com o Menino (inv. 6034), singular quer pelas dimensões, quer pelos ornamentos e gemas aplicadas. É uma escultura isenta, assente sobre três leões, que recorre mais uma vez à utilização do símbolo heráldico real no cinto, em esmalte, como forma de afirmação de poder.O acervo compreende também um relicário de coral (inv. 6036) que combina a excelência das formas irregulares e naturais do coral com as várias técnicas de trabalhar a prata, associando também a douradura à utilização repetida dos esmaltes. Ostentando os símbolos heráldicos de Portugal e de Aragão, o relicário repousa sobre dois leões de vulto pleno. Esta peça tinha o seu culminar na desaparecida representação do Calvário, plasmado nas figuras de Cristo, da Virgem e de S. João. A eleição da forma tripartida surge como alusão ao Mistério da Santíssima Trindade.

Pertencente também ao legado da Rainha Santa é a cruz de jaspe sanguíneo e prata ( inv. 6035). Desta cruz processional destaca-se o magnífico nó hexagonal, onde, mais uma vez, estão inscritas as armas da Rainha. A temática escolhida enquadra-se no catecismo Cristológico — de um lado o Calvário, do outro Cristo rodeado pelo Tetramorfo, representação simbólica dos quatro evangelistas. 

Provenientes do antigo Mosteiro de Santa Clara são igualmente duas cruzes de cristal de rocha ( inv. 6040 e 6075), a primeira destas filiada nas oficinas venezianas. Recorrendo a uma iconografia de influência bizantina, os temas escolhidos aludem, num dos lados, ao episódio da Dormição da Virgem e, no outro, ao Calvário. 


A outra cruz é, no talhe do cristal, muito semelhante a esta. Apresenta nas suas placas, em prata dourada, uma galeria de figuras bíblicas, contribuindo para exaltar o valor espiritual desta peça singular. Embora não possuam as armas de Aragão, pensamos que estas peças poderão filiar-se na acção mecenática da Rainha Santa Isabel, figura ímpar da história portuguesa.

in museumachadocastro.pt


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sexta-feira, 3 de julho de 2020

Detém-te! O Coração de Jesus está comigo


Conhecido como 'Detém-te', trata-se de um pequeno emblema que pode ser usado sobre o peito, em volta do pescoço ou preso ao casaco, embora o ideal fosse levá-lo à altura do coração, como um lembrete das palavras de São Paulo “Tende em vossos corações os mesmos sentimentos que teve Jesus Cristo no seu” (Filipenses 2,5).

O 'Detém-te' tem uma imagem do Sagrado Coração, que, normalmente, está circundada da seguinte frase: “Detém-te! (ou Alto!) O Sagrado Coração de Jesus está comigo”.

Diz-se que, em 1870, uma cidadã de Roma, depois de consagrar ao Sagrado Coração e à Santíssima Virgem o seu filho que estava de partida para a guerra da unificação da Itália, alistado com os Zuavos Pontifícios[1], lhe entregou um 'Detém-te' que ela mesma desenhou sobre um pedaço de pano vermelho, dizendo: “Ele te trará são e salvo.” O jovem saiu ileso da guerra, dizendo que uma bala atingiu o seu peito, onde tinha o 'Detém-te', e parou sem causar qualquer dano. A Mãe contou isto ao Santo Padre.

O Papa concedeu a aprovação definitiva a essa devoção e disse: “Isso, senhora, é uma inspiração do Céu.” E, em seguida, acrescentou. “Abençoo este Coração e quero que todos aqueles que forem feitos segundo este modelo recebam esta mesma bênção, sem ser necessário que um Padre a renove. Ademais, quero que de modo algum Satanás possa causar dano àqueles que levem consigo o Escudo, símbolo do Coração adorável de Jesus”.

Em seguida, o próprio Papa Pio IX ditou a seguinte oração: 

Abri-me o vosso Sagrado Coração, ó Jesus!...
Mostrai-me os seus encantos,
uni-me a Ele para sempre.  

Que todos os movimentos e palpitações do meu coração,
mesmo durante o sono,
Vos sejam um testemunho do meu amor
e Vos digam sem cessar:
Sim, Senhor Jesus, eu Vos adoro... 

Aceitai o pouco bem que faço e
fazei-me a mercê de reparar o mal cometido,
para que Vos louve no tempo
e Vos bendiga por toda a eternidade. Amém.

Sagrado Coração de Jesus, eu confio em Vós. 
(Repita três vezes este última jaculatória)

Para incentivar a prática deste Santo Escapulário, o Papa Pio IX concedeu, em 1872, 100 dias de indulgência a todos os que o levarem e rezarem um Pai-Nosso, Avé-Maria e Glória.

Em alguns 'Detém-te', como os que empregaram os contra-revolucionários franceses, desenharam um Sagrado Coração, coroado por uma cruz e com as palavras “Le Roi” (“O Rei”), reconhecendo a Cristo como o verdadeiro Rei de França e o Rei de todos os corações.

O 'Detém-te' foi usado no México pelos Cristeros, que pegaram em armas contra o governo anticristão, entre 1926-1929, e que trazia a legenda “Detém-te, inimigo mau, o coração de Jesus está comigo”. Recorreram também ao 'Detém-te' os católicos cubanos que combateram contra o regime castrista, pois tinham uma especial devoção ao Sagrado Coração de Jesus e usaram um 'Detém-te' no qual dizia: “Detém-te, bala inimiga, que o Coração de Jesus está comigo”.

Ao recitar a jaculatória do 'Detém-te', renegamos as obras do mundo, do diabo e da carne, e ao mesmo tempo é uma forma de solicitar a protecção d'Aquele que nos amou sem poupar esforços para conseguir o amor dos homens (Palavras literais de Nosso Senhor a Santa Margarida Alacoque).

Que melhor maneira de recordar o Amor do Sacratíssimo Coração que levando sobre o nosso peito um 'Detém-te'? Já dizia o Papa Pio XII, sobre a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, que considerava esta prática como “a mais completa profissão da Religião Cristã” (Encíclica Haurietis Aquas, 15.V.1956).

adaptado de Pale Ideas

[1] “Zuavos Pontifícios” eram um regimento militar do Estado Pontifício. Criado a 1 de Janeiro de 1861, à semelhança dos Zuavos do exército francês, era constituído por voluntários, na maioria franceses, belgas e holandeses, que haviam chegado ao Estado Pontifício para defendê-lo de ataques militares por parte do Reino da Itália que desejava tomar Roma, para completar a unidade da península. 

A sua história identifica-se com o último decénio de vida do Estado da Igreja (1860-1870). O regimento foi licenciado a 21 de Setembro de 1870, depois da tomada de Roma. O seu valor e seu heroísmo eram devidos principalmente aos princípios que os animaram. Significativo é o que disse deles o estudioso Lorenzo Innocenti: “(...) foram o “baluarte do Trono e do Altar, contribuíram de maneira determinante com o seu voluntariado místico - contraposto à fé laica dos garibaldinos [tropa de Garibaldi] e à fé monárquica das tropas do exército piemontês – para retardar em alguns anos a anexação do Estado da Igreja ao resto da Itália”. 

O texto do juramento prestado pelos soldados é bastante representativo das motivações que os animavam: “Eu juro a Deus Omnipotente ser obediente e fiel ao meu soberano, o Pontífice romano, nosso Santo Padre, o Papa Pio IX, e aos seus legítimos sucessores. Juro servi-lo com honra e fidelidade e de sacrificar a minha vida pela defesa da sua augusta e sacra pessoa, pela defesa da sua soberania e pela defesa dos seus direitos.”



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Conferência transmitida 'live' hoje às 18h30 na nossa página de Facebook



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Belíssimas imagens de ordenação sacerdotal na Catedral de Laon

Foram ordenados 3 sacerdotes da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro na magnífica catedral gótica de Laon, em França.











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quinta-feira, 2 de julho de 2020

Cuidado! Sou um apóstata!!


Um sacerdote singularmente original resolveu acusar ferozmente de apóstata um amigo meu que se atreveu a advogar a possibilidade da Sagrada Comunhão na boca, nestes tempos de pandemia. Um apóstata, para quem não o saiba, é alguém que abjurou da Fé rejeitou-a inteiramente deixando, por isso, de pertencer à única Igreja de Jesus Cristo. A incriminação resultaria da desobediência à Conferência Episcopal Portuguesa (CEP)... 

E argumentava argutamente, este inteligentíssimo e eruditíssimo padre, que a lei universal da Igreja tendo sido elaborada antes desta pandemia carecia de qualquer validade, sendo que as orientações da CEP a abrogavam. É verdadeiramente extraordinário!

Na minha ignorância e obtusidade absolutas que poderei dizer senão isto:

1- A lei universal da Igreja sobre a Sagrada Comunhão tem, como deveria ser evidente, atrás de si uma experiência secular que passou por muitas pandemias e pestilências.

2- Qualquer indulto da lei universal da Igreja terá de ser pedido ao Vaticano, o qual poderá ou não aprovar. O que não sucedeu.

3- A desobediência a uma norma disciplinar nunca poderá ser considerada uma apostasia.

4- A CEP, e qualquer Bispo diocesano, não publicou nenhum Decreto que impusesse que a Sagrada Comunhão só podia ser dada na mão.

5- A CEP, tendo em vista a saúde dos Fiéis, aconselhou aquilo que alguns médicos lhe disseram ser de maior segurança. Tendo em conta que muitos outros médicos discordam desse parecer, a decisão da CEP é do âmbito ‘prudencial’ e poderá mesmo ser errónea. Os Senhores Bispos, enquanto tais, não têem qualificações científicas que lhes permitam pronunciar-se sobre o assunto. Por isso o seu parecer nada tem de Doutrinal.

6- A própria CEP qualifica a sua posição como Orientações. Estas indicações são dadas em vista da salvaguarda da saúde dos fiéis. Se essa saúde for salvaguardada por outros meios não se pode, de modo nenhum, qualificar os que Comungam na boca, ou os Padres, que lhes concedem a Sagrada Comunhão, como desobedientes.

7- Nenhum Sacerdote, tomadas as devidas precauções, pode negar a Sagrada Comunhão a quem a queira receber de joelhos e na boca.

8- É uma grande infelicidade gravemente abusiva que alguns Cardeais, Bispos e Superiores maiores obriguem os seus seminaristas e/ou noviços a Comungarem na mão e de pé. As Excelências Reverendíssimas e as Eminências têm o mesmo dever de acatar a lei da Igreja como os outros, ou mesmo mais que os outros, já que deviam dar o exemplo.

À honra de JESUS Cristo. Ámen.

Padre Nuno Serras Pereira


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