quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Nossa Senhora de Fátima pediu para que se rezasse e fizesse sacrifícios pelos pecadores

"Rezai, rezai muito e fazei sacrifícios por os pecadores, que vão muitas almas para o inferno por não haver quem se sacrifique e peça por elas." 
Nossa Senhora em Fátima, 19 de Agosto de 1917


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Oração de S. Tomás de Aquino para rezar no final da Missa

Eu vos dou graças, ó Senhor, Pai Santo, Deus eterno e todo-poderoso, porque sem mérito algum de minha parte, mas somente pela condescendência de vossa misericórdia, Vos dignastes saciar-me, a mim pecador, vosso indigno servo, com o sagrado Corpo e o precioso Sangue do vosso Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo. 

E peço que esta Santa Comunhão não me seja motivo de castigo, mas salutar garantia de perdão. Seja para mim armadura de fé, escudo de boa vontade, e libertação dos meus vícios. Extinga em mim a concupiscência e os maus desejos, aumente a caridade e a paciência, a humildade e a obediência, e todas as virtudes. Defenda-me eficazmente contra as ciladas dos inimigos, tanto visíveis como invisíveis. Pacifique inteiramente todas as minhas paixões, sejam da carne ou do espírito, unindo-me firmemente a Vós, Deus Uno e Verdadeiro, feliz consumação de meu destino. 

E peço que Vos digneis conduzir-me, a mim, pecador, àquele inefável convívio em que Vós com o Vosso Filho e o Espírito Santo, sois para os Vossos Santos a luz verdadeira, a plena saciedade e a eterna alegria, a ventura completa e a felicidade perfeita. Por Cristo, Nosso Senhor. Ámen. 



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quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Combater na Terra, descansar no Céu

Não me digas que não queres combater; porque no instante mesmo em que mo dizes, estás a combater; nem que ignoras para que lado te inclinares, porque no momento mesmo em que isso dizes, já te inclinaste para um lado; nem me afirmes que queres ser neutro, porque quando pensas sê-lo, já não o és; nem me assegures que permanecerás indiferente, porque te desprezarei, dado que, ao pronunciares essa palavra, já tomaste o teu partido.

Não te canses em buscar asilo seguro contra os açoites da guerra, porque te cansas em vão; essa guerra se expande tanto como o espaço, e se prolonga tanto como o tempo. 

Só na eternidade, pátria dos justos, podes encontrar descanso; porque só ali não há combate; não presumas, contudo, que se abram para ti as portas da eternidade se não mostras antes as cicatrizes que levas; aquelas portas não se abrem senão para os que combateram aqui os combates do Senhor gloriosamente, e para os que vão, como o Senhor, crucificados.'

Juan Donoso Cortés in 'Ensayo sobre el catolicismo, el liberalismo y el socialismo', Edit. Comares, Granada, 2006.



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Estátua da Virgem Maria resistiu ao furacão Harvey em Houston




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terça-feira, 29 de agosto de 2017

Um novo fascismo chamado Google

James Damore, engenheiro da Google, foi despedido pela multinacional de serviços online por ter dito que mulheres e homens são biologicamente diferentes e têm aptidões diferentes. E disse também que quem tem ideias consideradas "conservadoras" é perseguido e tem medo de expressar as suas opiniões dentro (e fora) da empresa. A Google decidiu confirmar este relatório certeiro de James Damore e despediu-o com base nessas suas ideias.

Neste vídeo Paul Joseph Watson faz uma análise certeira a este caso e à perseguição que a Google faz a quem ousa desafiar o politicamente correcto.


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A cabeça de João Baptista

«Dá-me agora mesmo num prato a cabeça de João Baptista.» E Deus permitiu que tal acontecesse, não lançou um raio do alto dos Céus para devorar aquele rosto insolente; não ordenou à Terra que se abrisse e engolisse os convivas daquele horroroso banquete. 

Deus dava assim a mais bela coroa ao justo e deixava uma consolação magnífica aos que, no futuro, viessem a ser vítimas de injustiças semelhantes. Escutemo-lo, pois, todos nós que, apesar da nossa vida honesta, temos de suportar os malvados: o maior dos filhos nascidos de mulher (cf Lc 7,28) foi levado à morte a pedido de uma jovem impudica, de uma mulher perdida; e foi-o por ter defendido a lei divina. Que estas considerações nos façam suportar corajosamente os nossos próprios sofrimentos. 

Mas repara no tom moderado do evangelista, que procura até circunstâncias atenuantes para este crime. A propósito de Herodes, nota que agiu «por causa do juramento e dos convidados» e que «ficou consternado»; e a propósito da jovem, observa que tinha sido «instigada pela mãe». 

Aprendamos, também nós, a não odiar os malvados, a não criticar as faltas do próximo, ocultando-as tão discretamente quanto possível, a acolher a caridade na nossa alma. Porque, acerca desta mulher impudica e sanguinária, o evangelista falou com toda a moderação possível; tu, porém, não hesitas em tratar o teu próximo com malvadez. 

Não é assim que se comportam os santos; pelo contrário, eles choram pelos pecadores, em vez de os amaldiçoarem. Façamos como eles; choremos por Herodíades e pelos que a imitam. Porque vemos hoje muitos banquetes do género do de Herodes, nos quais não se condena à morte o precursor, mas se destroem os membros de Cristo.

São João Crisóstomo in Homilias sobre S. Mateus, n.º 48


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segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Mais imagens da peregrinação da FSSPX a Fátima




















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Santo Agostinho sobre a Santa Missa, purgatório e salvação das almas

Não se pode negar que as almas dos falecidos são aliviadas pela piedade dos parentes vivos, quando oferecem por elas o sacrifício da Missa ou quando praticam esmolas na Igreja. 

No entanto, estas coisas aproveitam àquelas almas que, quando viviam, mereceram que se lhes pudessem aproveitar depois. Pois há um certo modo de viver, nem tão bom que aproveite destas coisas depois da morte, nem tão mau que não lhes aproveitem. Há tal grau no bem que o que possui não aproveita de menos; ao contrário, há tal grau no mal que não pode ser ajudado por elas quando passar desta vida. 

Portanto, aqui o homem adquire todo o mérito com que pode ser aliviado ou oprimido após a morte. Ninguém espere merecer diante de Deus, quando tiver falecido, o que durante a vida desprezou.

Santo Agostinho in 'As Oito Questões de Dulcício' 2, 4


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domingo, 27 de agosto de 2017

Homens e mulheres pensam de maneira diferente



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A Europa aos tiros nos pés

Não me agradam nada as coisas que vejo num futuro relativamente próximo, e com as quais terei que viver durante grande parte da minha idade adulta. Temo vir a viver num país onde os valores que nos moldaram como Sociedade Ocidental deixem de existir. 

Digo isto porque penso que será natural que a presente diluição cultural da Europa nos contagie com cada vez mais força. Temo particularmente dois aspectos: a islamização da Europa e a ideologia de género.

1. É grave a tremenda falta de capacidade da Europa para lidar com um problema de movimentação massiva de povos, e que não tem qualquer retorno – pelo menos que eu vislumbre. 

Acredito que a Europa que eu herdei terminou. Pelo menos um ciclo. E isso preocupa-me. E não me satisfaz absolutamente nada a resposta de “tem que ser assim”, “as coisas mudam”, “temos que aprender a viver com a mudança”. E cada vez me convencem menos aqueles que dizem que não, que a Sociedade Ocidental não está nem vai mudar.

A primeira reacção que tenho ao ver o que se passa com a migração islâmica e a sua exagerada ostentação é que parece haver uma acção clara de confronto. Preocupar-me-ia moderadamente se a questão residisse apenas num cada vez mais elevado número de pessoas que procurassem refúgio numa Europa culturalmente rica, capazmente integradora das diferenças. A questão é que não é isto que se passa. O que se passa é um óbvio e naturalíssimo aproveitamento, por parte de uma cultura inteira, dum vácuo de ideias, de um fosso de visão de uma não-cultura encapotada numa politicamente correcta “abertura e acolhimento”, que, neste caso, já se verificou que é o mesmo que dizer: “não temos identidade nenhuma, não temos ideia nenhuma do que fazer convosco, ocupem o fosso cultural que vos deixámos”. A minha crítica não é a essa nova cultura, é a nossa falta de cultura.

Preocupa-me a incompreensível e suicida falta de interesse dos decisores do Ocidente em encontrar uma resolução para esta questão. Preocupa-me a ideia de que sejamos tão básicos que a nossa inacção se prenda apenas com interesses económicos imediatistas de grandes grupos. Não vejo resposta nenhuma para esta situação. Viveremos numa Europa em declínio, sem volta a dar?
Como cristão, preocupa-me que certos valores em que acredito venham a ser cada vez mais postos em causa. Intriga-me a ideia de que estes valores venham a ser atacados por uma cultura que, com toda a probabilidade, me virá bater à porta mais tarde ou mais cedo. 

Talvez seja exagero meu, este receio desta nova cultura, mas neste caso culpo os órgãos de comunicação social que me fazem chegar esta visão a casa. Acho que sou realista ao temer que não se trata meramente do sensacionalismo mediático. 

2. O segundo aspecto que vejo contribuir para a diluição cultural da Europa é o tentacular lobby da ideologia do género, que, como a peste negra, contamina o Ocidente. 

Obviamente ligado ao problema da migração cultural que antes referi está o facto de a Europa, ao invés de se querer afirmar como Civilização, parecer que quer enterrar a cabeça e a alma com ainda mais força, rapidez e urgência, como uma avestruz. Não pretendendo definir ideologia do género, espanta-me a eficácia dos seus tentáculos. A título nada exaustivo, refiro dois ou três:

a) a destruição da educação aliada ao endoutrinamento forçado de crianças e adultos. Hoje, todos somos coagidos por todos os meios a aceitar ideias que se opõem em absoluto aos valores com que fomos educados e à visão de matriz cristã acerca do Homem. No espaço de poucas décadas, programas de (des)educação foram feitos com o objectivo de obrigar as crianças a acreditar em ideias que, até hoje, estavam na liberdade educativa dos pais passarem aos filhos. 

O pelouro da educação no que respeita aos valores e à identidade (o cerne da educação) foi sendo sub-repticiamente retirado aos pais em prol da promoção de valores que só por fora são bons: como é que se chegou ao ponto de achar que é normal que “promover a saúde pública” se faça ensinando multidisciplinarmente “valores sobre sexualidade” a crianças até aos dez anos?

b) a opressão de valores tão básicos como a liberdade editorial de livros não obrigatórios através da censura, disfarçada de protecção de “direitos à igualdade” (o caso recente da amedrontada Porto Editora).  Como é que se pensa que é razoável “promover a igualdade” obrigando editoras particulares a repensarem os seus conteúdos, ao ousarem afirmar que a cor ‘’azul está associada aos rapazes? Como é que é possível que um médico que emita uma opinião pessoal, não pretendendo representar ninguém a não ser ele mesmo, seja publicamente linchado como um Hitler?

E o espantoso é que a óbvia contradição lógica de censurar e perseguir quem emita opiniões discordantes do que “é suposto” em prol da igualdade e da liberdade não é sequer problema para quem censura e persegue. 

c) há um quase inexplicável ódio e uma fúria quase incompreensível atrás desta onde que acena a bandeira da “igualdade e da liberdade para tudo e mais alguma coisa” contra aqueles que defendem o que a Sociedade Ocidental nos legou. Há uma urgência evidente em cortar com todas as raízes que serviram de base ao que somos hoje. Há uma escondida, actuante e sistemática excomunhão dos conceitos como Tradição, Verdade, Beleza, Bem.

Preocupa-me, claro, pensar que soluções e caminhos encontrará a minha Europa para estas questões. Se me parece realisticamente negro o cenário que as duas realidades que abordei implicarão para o mundo em que os meus filhos viverão, alegra-me por outro lado pensar que, como cristão, esta é já uma história muito antiga e que devo depositar toda a minha esperança n´Aquele que disse que O devo amar sobre todas as coisas e ao próximo como a mim mesmo.

Resta-me tentar viver isso com aqueles com quem me cruzo, rezar pelos que atacam as ideias e valores em que acredito, e pedir a Deus pela unidade cada vez maior daqueles que são d´Ele. 
A confusão destes tempos leva a um quase incompreensível radicalizar de posições mesmo dentro dos cristãos. Verifico em mim que, não podendo ceder à Verdade daquilo que Jesus ensinou, sou obrigado a uma permanente análise à minha misericórdia, em primeiro ligar com os que estão na mesma barca que eu.

Tenho para mim que estes não são tempos para sermos light nas coisas que fazemos, nas coisas que dizemos, nos comportamentos que temos. Este tempo exige que tentemos ser intrinsecamente bons, mesmo quando ninguém vê ou ouve o que pensamos. Diariamente. Deus nos ajude!

Bernardo Castro


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sábado, 26 de agosto de 2017

6 conselhos de Santo Afonso Maria de Ligório sobre educar os filhos

1 - Para bem educar os filhos, as palavras não são suficientes, é preciso sobretudo o exemplo dos pais. Como podem eles esperar formá-los na vida cristã se lhes dão maus exemplos? Assim, não é de espantar que se repreenda um jovem por sua má conduta e ele responda: Que querem que eu faça? O meu pai faz ainda pior! "Os filhos de um homem ímpio queixam-se do seu pai, porque é por culpa dele que estão na humilhação." (Ecl. 41, 7)

2 - Há pais que, por vezes, corrigem os filhos, mas, que podem todas as palavras se as obras as desmentem pelo mau exemplo? É conhecido este provérbio: Os homens crêem mais pelos olhos do que pelos ouvidos. Santo Ambrósio disse no mesmo sentido: "O que vêem os meus olhos impressiona-me mais que as palavras que ouvem os meus ouvidos."

3 - É inútil dizer: Os meus filhos já nasceram com uma natureza má. Eis o que diz Séneca: "É um erro crer que o vício nasce connosco. Não. O vício é introduzido em nós". E como é introduzido? Precisamente pelos maus exemplos.

4 - Senhores pais, se não derdes bons exemplos os vossos filhos não serão virtuosos. Frequentai os sacramentos, recitai cada dia o terço, dai um basta às solicitações desonestas, às blasfémias, às rixas e vereis os vossos filhos se confessando, rezando o terço, falando de coisas apropriadas, praticando o respeito para com Deus e a caridade para com o próximo. 

5 - Mas notai bem na sentença já citada: "Tens filhos? Educa-os, acostuma-os à obediência, desde a infância." (Ecl. 7, 23). É preciso que as crianças sejam, desde os primeiros anos, formadas nos bons costumes. Pois, à medida que elas crescem e que os maus hábitos se fortificam, encontrareis sempre mais dificuldades em fazer aceitar as vossas sábias advertências.

6 - Empenhai-vos em inculcar nos vossos filhos as máximas cristãs, por exemplo, a necessidade de fugir das más companhias e ocasiões perigosas, a conformidade com a vontade divina, o paciente sofrimento das adversidades da vida, a insignificância das riquezas e prazeres terrestres, etc. Ponde muitas vezes diante dos seus olhos a desgraça imensa dos que vivem em pecado mortal e a importância do negócio da nossa salvação. Preveni-os contra a vaidade do mundo, lembrai-os a hora da morte com a qual tudo se acaba.

Sermões de Santo Afonso Maria de Ligório


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sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Cardeal Ratzinger: "Quem rejeita a Missa Tradicional rejeita o passado da Igreja"

Hoje é posto numa lista negra quem defende a continuação dessa liturgia (tradicional) ou participa directamente numa celebração desta natureza. Existe tolerância para tudo, excepto para esse assunto. Na história da Igreja nunca aconteceu nada deste género; assim é desprezado todo o passado da Igreja. Como se pode confiar no seu presente se coisas estão assim?

Não entendo também, sendo franco, por quê tanta submissão, da parte de muitos irmãos bispos, nos embates desta intolerância. Isso parece ser uma homenagem necessária ao espírito dos tempos, que parece contrastar, sem um motivo compreensível, com o processo da necessária reconciliação dentro da Igreja.

Hoje o latim na Missa parece-nos quase um pecado. Se nem sequer nas grandes liturgias romanas se pode cantar o 'Kyrie' e o 'Sanctus' e se ninguém sabe sequer o que significa o 'Gloria', verifica-se um empobrecimento cultural e a perda de elementos comuns.

Cardeal Joseph Ratzinger in 'Deus e o mundo' (2001) 


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O Pai de Ryan era um violador mas a Mãe decidiu não matar o filho




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quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Atentado em Barcelona: Em vez do minuto de silêncio rezou-se o Pai Nosso

Na praça de touros de Sanlúcar de Barrameda, em Cádis, estava planeado um minuto de silêncio pelas vítimas do atentado terrorista em Barcelona há poucos dias. Um homem corajoso resolveu começar o Pai Nosso e a multidão continuou com a oração. Um momento comovente.


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Lição do Papa Bento XVI sobre São Bartolomeu, Apóstolo

Na série dos Apóstolos chamados por Jesus durante a sua vida terrena, hoje quem atrai a nossa atenção é o apóstolo Bartolomeu. Nos antigos elencos dos Doze ele é sempre colocado antes de Mateus, enquanto varia o nome daquele que o precede e que pode ser Filipe (cf. Mt 10, 3; Mc 3, 18; Lc 6, 14) ou Tomé (cf. Act 1, 13). O seu nome é claramente um patronímico, porque é formulado com uma referência explícita ao nome do pai. De facto, trata-se de um nome provavelmente com uma marca aramaica, Bar Talmay, que significa precisamente "filho de Talmay".

Não temos notícias de relevo acerca de Bartolomeu; com efeito, o seu nome recorre sempre e apenas no âmbito dos elencos dos Doze acima citados e, por conseguinte, nunca está no centro de narração alguma. Mas, tradicionalmente ele é identificado com Natanael:  um nome que significa "Deus deu". Este Natanael provinha de Caná (cf. Jo 21, 2), e portanto é possível que tenha sido testemunha do grande "sinal" realizado por Jesus naquele lugar (cf. Jo 2, 1-11). 

A identificação das duas personagens provavelmente é motivada pelo facto que este Natanael, no episódio de vocação narrada pelo Evangelho de João, é colocado ao lado de Filipe, isto é, no lugar que Bartolomeu ocupa nos elencos dos Apóstolos narrados pelos outros Evangelhos. Filipe tinha comunicado a este Natanael que encontrara "aquele sobre quem escreveram Moisés, na Lei, e os profetas:  Jesus, filho de José de Nazaré" (Jo 1, 45). Como sabemos, Natanael atribuiu-lhe um preconceito bastante pesado:  "De Nazaré pode vir alguma coisa boa?" (Jo 1, 46a). Esta espécie de contestação é, à sua maneira, importante para nós. De facto, ela mostra-nos que segundo as expectativas judaicas, o Messias não podia provir de uma aldeia tanto obscura como era precisamente Nazaré (veja também Jo 7, 42). 

Mas, ao mesmo tempo realça a liberdade de Deus, que surpreende as nossas expectativas fazendo-se encontrar precisamente onde não o esperávamos. Por outro lado, sabemos que Jesus na realidade não era exclusivamente "de Nazaré", pois tinha nascido em Belém (cf. Mt 2, 1; Lc 2, 4) e que por fim provinha do céu, do Pai que está no céu.

Outra reflexão sugere-nos a vicissitude de Natanael:  na nossa relação com Jesus não devemos contentar-nos unicamente com as palavras. Filipe, na sua resposta, faz um convite significativo:  "Vem e verás!" (Jo 1, 46b). O nosso conhecimento de Jesus precisa sobretudo de uma experiência viva:  o testemunho de outrem é certamente importante, porque normalmente toda a nossa vida cristã começa com o anúncio que chega até nós por obra de uma ou de várias testemunhas. Mas depois devemos ser nós próprios a deixar-nos envolver pessoalmente numa relação íntima e profunda com Jesus; de maneira análoga os Samaritanos, depois de terem ouvido o testemunho da sua concidadã que Jesus tinha encontrado ao lado do poço de Jacob, quiseram falar directamente com Ele e, depois deste colóquio, disseram à mulher:  "Já não é pelas tuas palavras que acreditamos, nós próprios ouvimos e sabemos que Ele é verdadeiramente o Salvador do mundo" (Jo 4, 42).

Voltando ao cenário de vocação, o evangelista refere-nos que, quando Jesus vê Natanael aproximar-se exclama: "Aqui está um verdadeiro Israelita, em quem não há fingimento" (Jo 1, 47). Trata-se de um elogio que recorda o texto de um Salmo:  "Feliz o homem a quem Iahweh não atribui iniquidade" (Sl 32, 2), mas que suscita a curiosidade de Natanael, o qual responde com admiração:  "Como me conheces?" (Jo 1, 48a). A resposta de Jesus não é imediatamente compreensível. Ele diz:  "Antes que Filipe te chamasse, eu te vi quando estavas sob a figueira" (Jo 1, 48b). N

ão sabemos o que aconteceu sob esta figueira. É evidente que se trata de um momento decisivo na vida de Natanael. Ele sente-se comovido com estas palavras de Jesus, sente-se compreendido e compreende:  este homem sabe tudo de mim, Ele sabe e conhece o caminho da vida, a este homem posso realmente confiar-me. E assim responde com uma confissão de fé límpida e bela, dizendo:  "Rabi, tu és o filho de Deus, tu és o Rei de Israel" (Jo 1, 49). Nela é dado um primeiro e importante passo no percurso de adesão a Jesus. As palavras de Natanael ressaltam um aspecto duplo e complementar da identidade de Jesus:  Ele é reconhecido quer na sua relação especial com Deus Pai, do qual é Filho unigénito, quer na relação com o povo de Israel, do qual é proclamado rei, qualificação própria do Messias esperado. 

Nunca devemos perder de vista nenhuma destas duas componentes, porque se proclamamos apenas a dimensão celeste de Jesus,  corremos  o  risco  de  o  transformar num ser sublime e evanescente, e se ao contrário reconhecemos apenas a sua colocação concreta na história, acabamos por descuidar a dimensão divina que propriamente o qualifica.

Da sucessiva actividade apostólica de Bartolomeu-Natanael não temos notícias claras. Segundo uma informação referida pelo historiador Eusébio do século IV, um certo Panteno teria encontrado até na Índia os sinais de uma presença de Bartolomeu (cf.Hist. eccl., V 10, 3). Na tradição posterior, a partir da Idade Média, impôs-se a narração da sua morte por esfolamento, que se tornou muito popular. Pense-se na conhecidíssima cena do Juízo Universal na Capela Sistina, na qual Michelangelo pintou São Bartolomeu que segura com a mão esquerda a sua pele, sobre a qual o artista deixou o seu auto-retrato. As suas relíquias são veneradas aqui em Roma na Igreja a ele dedicada na Ilha Tiberina, aonde teriam sido levadas pelo Imperador alemão Otão III no ano de 983. 

Para concluir, podemos dizer que a figura de São Bartolomeu, mesmo sendo escassas as informações acerca dele, permanece contudo diante de nós para nos dizer que a adesão a Jesus pode ser vivida e testemunhada também sem cumprir obras sensacionais. Extraordinário é e permanece o próprio Jesus, ao qual cada um de nós está chamado a consagrar a própria vida e a própria morte.

Papa Bento XVI in Audiência Geral, 4 de Outubro de 2006


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quarta-feira, 23 de agosto de 2017

O fim do mito que a Igreja defendeu a escravatura de índios e africanos

A mesma Verdade, que nem pode enganar, nem ser enganada, quando mandava os Pregadores da sua Fé a exercitar este ofício, sabemos que disse: 'Ide, e ensinai a todas as gentes'. A todas disse, indiferentemente, porque todas são capazes de receber a doutrina de nossa Fé. Vendo isto, e invejando-o, o comum inimigo da geração humana, que sempre se opõe às boas obras, para que pereçam, inventou um modo nunca dantes ouvido, para estorvar que a palavra de Deus não se pregasse às gentes, nem elas se salvassem. 

Para isto, moveu alguns ministros seus, que, desejosos de satisfazer as suas cobiças, presumem afirmar (...) que os índios das partes Ocidentais, (...) e as mais gentes, que nestes nossos tempos tem chegado à nossa notícia, hão de ser tratados e reduzidos a nosso serviço como animais brutos, a título de que são inábeis para a Fé Católica: e sob o pretexto de que são incapazes de recebê-la, os põem em dura servidão, e os afligem e oprimem tanto, que ainda a servidão em que têm as suas bestas, apenas é tão grande como aquela com que afligem a esta gente. (...)

Conhecendo que aqueles mesmos índios, como verdadeiros homens, não somente são capazes da Fé de Cristo, senão que acodem a ela, correndo com grandíssima prontidão, segundo nos consta; e querendo prover nestas cousas de remédio conveniente, com autoridade Apostólica, pelo teor das presentes letras, determinamos, e declaramos, que os ditos índios, e todas as mais gentes que daqui em diante vierem à notícia dos Cristãos, ainda que estejam fora da Fé de Cristo, não estão privados, nem devem sê-lo, da sua liberdade, nem do domínio de seus bens, e que não devem ser reduzidos à servidão

Declaramos que os ditos índios, e as demais gentes hão de ser atraídos, e convidados à dita Fé de Cristo, com a pregação da palavra divina, e com o exemplo de boa vida. 

E tudo o que em contrário desta determinação se fizer, seja em si de nenhum valor, nem firmeza; não obstante quaisquer coisas em contrário, nem as sobreditas, nem outras, em qualquer maneira.'' 

Papa Paulo III in Bula 'Veritas Ipsa' (2 de Junho de 1537)


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terça-feira, 22 de agosto de 2017

Procissão de Nossa Senhora de Fátima em Chicago



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A devoção ao Imaculado Coração de Maria

A devoção ao Imaculado Coração de Maria consiste na veneração do Coração de Maria, Mãe de Jesus, e ganhou grande destaque com as Aparições de Fátima. Mas a origem deste culto pode ser encontrada nas palavras do Evangelista Lucas, onde o Coração de Maria aparece como uma arca de tesouros (Lc 2, 19) que guarda as mais santas lembranças. 

Entretanto foi aumentando, tendo-se desenvolvido por obra de grandes Santos como São Bernardo, Santa Gertrudes, Santa Brígida, São Bernardino de Sena e São João Eudes (1601-1680), que foi um grande promotor da festa litúrgica do Imaculado Coração de Maria e que, já em 1643, começou a celebrá-la com os religiosos de sua congregação. Em 1648, consegue do Bispo de Autun (França) a concessão da festa. Em 1668, a festa e os textos litúrgicos são aprovados pelo Cardeal delegado de toda a França, enquanto Roma se negava, por diversas vezes, a confirmar a festa. 

Foi apenas após a introdução da festa do Sagrado Coração de Jesus, em 1765, que será concedida, aqui e ali, a faculdade de celebrar a festa do Coração de Maria, tanto que o Missal Romano de 1814 a elenca ainda entre as festas “pro aliquibus locis”. São João Eudes, nos seus escritos, nunca separou os dois Corações de Jesus e de Maria, e enfatiza a união profunda da Mãe com o Filho de Deus encarnado, cuja vida pulsou por nove meses ritmicamente com aquela do Coração de Maria.

A festa foi instituída oficialmente em 1805, pelo Papa Pio VII. Cinquenta anos mais tarde, Pio IX aprovou a Missa e o Ofício próprios. O Papa Pio XII estendeu, em 1944, a toda a Igreja, em perene memória da Consagração do mundo ao Imaculado Coração de Maria, realizada por ele em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 1948, o Papa Pio XII convida a todos os Católicos a se consagrarem ao Imaculado Coração de Maria através da Encíclica Auspicia Quaedam, onde diz: 

“E como o nosso predecessor de imortal memória Leão XIII, nos albores do século XX, quis consagrar todo o género humano ao Sacratíssimo Coração de Jesus, também nós, como que representando a família humana por ele redimida, quisemos solenemente consagrá-la ao coração imaculado de Maria virgem. Desejamos que todos façam o mesmo, sempre que a oportunidade o aconselhar; e não só em cada diocese e cada paróquia, mas também em cada família. Assim esperamos que desta consagração particular e pública nasçam abundantes benefícios e favores celestiais. Seja presságio desses favores celestes e penhor de nossa benevolência paterna a bênção apostólica que damos com efusão de coração a cada um de vós, veneráveis irmãos, a todos aqueles que de boa mente corresponderem a esta nossa carta de exortação, e de um modo particular as caríssimas crianças.” (1 de Maio de 1948).

O culto do Imaculado Coração de Maria recebeu um forte impulso após as Aparições de Fátima, em 1917. Os Pastorinhos viram que Nossa Senhora tinha sobre a palma da mão direita um Coração cercado de espinhos que penetravam nele, fazendo-o sangrar horrivelmente. Era o Coração Imaculado de Maria, ultrajado pelos pecados da humanidade, a pedir reparação...

A Irmã Lúcia, nas suas memórias, conta que depois da visão do inferno (13 de Julho de 1917), Nossa Senhora disse:

“(…) para salvar as almas (...) Deus quer estabelecer no mundo a Devoção ao Meu Imaculado Coração”. 

Deus escolheu o Imaculado Coração de Maria, sem mancha e sem pecado, para que, assim como a salvação do mundo veio por Ela na pessoa de Jesus Cristo, também é por meio d'Ela que nós haveremos de ser salvos. Nossa Senhora afirma: “Se fizerem o que eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão a paz”.

A Liturgia da festa ressalta a intensa actividade espiritual do Coração da primeira discípula de Cristo, e apresenta Maria propensa, no íntimo do seu coração, à escuta e ao aprofundamento da palavra de Deus. Maria meditou no seu Coração os eventos em que foi envolvida juntamente com Jesus, enquanto procurava penetrar o mistério de tudo aquilo: guardar e meditar no seu Coração todas as coisas, fez com que descobrisse a vontade do Senhor. 

Com este seu modo de agir, Maria ensina-nos a viver em profunda união com o Verbo de Deus, a viver saciando-nos e abeirando-nos d'Ele, e também a encontrar Deus na meditação, na oração e no silêncio. Maria ensina-nos a reflectir sobre os acontecimentos da nossa vida quotidiana e a descobrir neles Deus que se revela, inserindo-Se na nossa história.

O objecto primário da festa do Coração Imaculado de Maria é a Sua pessoa. O objecto secundário é o Coração simbólico, isto é, o coração físico da Virgem, por ser o símbolo do seu amor e de toda sua vida íntima. Sendo a expressão de todos os seus sentimentos, afectos, e da sua ardentíssima caridade para com Deus, para com o Seu Filho e para com todos os homens, que lhe foram confiados solenemente por Jesus agonizante na Cruz.

Esta Festa do Imaculado Coração de Maria sugere o louvor e acção de graças ao Senhor por nos haver dado uma Mãe tão poderosa e misericordiosa, à qual nos podemos dirigir confiadamente em qualquer necessidade. Inspira também que conduzamos uma vida segundo o Coração de Deus, e que peçamos à Virgem Santa a chama de uma ardente caridade.

adaptado de 'Pale Ideas'


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segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Mãe recebe nos seus braços o filho prematuro

Ward Miles nasceu prematuro, tinha então 5 meses e meio. Com uma saúde bastante frágil, ficou imediatamente ao cuidado dos médicos. A Mãe, Lindsey, apenas pôde pegar o seu filho ao colo 4 dias depois deste ter nascido. É esse momento indescritível que vemos no vídeo, assim como algumas imagens do primeiro ano de vida deste bebé lutador.


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O maior grupo de peregrinos durante o Centenário de Fátima

Nos dias 19 e 20 de Agosto a Fraternidade Sacerdotal São Pio X esteve em Fátima numa peregrinação internacional. É o grupo de peregrinos mais numeroso, neste ano do Centenário das Aparições, com cerca de 10 mil fiéis de todo o Mundo.
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Sábado, dia 19 de Agosto, cumpriram-se 100 anos da aparição de Nossa Senhora aos Três Pastorinhos nos Valinhos. Nessa tarde foi celebrada Missa Solene pelo Pe. Franz Schmidberger nas imediações do Santuário; seguiu-se a procissão até aos Valinhos (sítio da aparição de Nossa Senhora) onde foram rezados o Terço do Rosário e a Ladainha a Nossa Senhora.

A Santa Missa:
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A Procissão até aos Valinhos:


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O Terço nos Valinhos:
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