sexta-feira, 31 de março de 2017

Até os ursos já perceberam

Fotografia tirada Quarta-Feira passada em Wesleyville,
província de 'Newfoundland and Labrador' (Canadá)


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Os demónios são afastados pelo jejum

Pelo jejum são os demónios afastados como pela espada, porque lhe não suportam os benefícios: o que eles adoram são a folia e a embriaguez. Por isso, ao olharem o rosto do jejum, não podem tolerá-lo e fogem para bem longe, como nos ensina o Senhor nosso Deus: «estes demónios podem ser expulsos pelo jejum e pela oração» (Mc 9,28). É por isso que o jejum nos traz a vida eterna.

O jejum devolve aos que o seguem a habitação paterna donde Adão foi expulso. Foi o próprio Deus, o amigo dos homens (Sb 7,14), que confiou o homem ao jejum como a uma mãe extremosa ou a um mestre, tendo-o proibido de provar apenas duma árvore (Gn 2,17).

Tivesse o homem observado esse jejum e viveria para sempre com os anjos. Ao rejeitá-lo, causou para si a dor e a morte, a fereza dos espinhos e das silvas, e a angústia duma vida dolorosa (Gn 3,17ss.) Ora, se o jejum se revelou proveitoso no Paraíso, quanto mais o não será neste mundo para nos proporcionar a vida eterna!

São Romano, o Melodista in Hino "Adão e Eva", 1-5  


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quinta-feira, 30 de março de 2017

O "jovem" Cardeal Ratzinger toca piano



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7 razões para a confissão frequente durante a Quaresma

1. A absolvição sacerdotal é um dom generoso que Jesus nos deu

Cristo deu-nos este Sacramento e quer que nós aproveitemos a Sua graça através dele. Ele disse aos Seus primeiros sacerdotes, os Apóstolos:
"Recebei o Espírito Santo. Àqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados"(Jo 20, 22).
Cristo deu-nos este sacramento de graça e perdão porque nos ama. É um dom divino de misericórdia e amor - não é meramente uma obrigação.

2. Somos pecadores

Somos  pecadores e temos que examinar os padrões de pecado nos nossos corações e ter um sacerdote que nos dê a absolvição, conselho e penitência.
"Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós" (1 Jo 1, 8).
Muitas vezes não somos honestos com os nossos corações e é preciso um "médico de almas" objectivo para nos ajudar a diagnosticar espiritualmente. Se se magoassem na mão ou nas costas iam consultar o vosso doutor. Se feriram a alma com o pecado, não deviam ir ter com um sacerdote?

3. Confissão significa graça

A Confissão não devia ser assustadora. É pacífica. Ficamos excitados com os baptismos, casamentos e ordenações. Por que não com este remédio para a nossa maior batalha Cristã? Por que não ficar excitados com o perdão de Cristo a ser declarado pelos seus escolhidos representantes - os sacerdotes da Sua Igreja?

4. Podem ter cometido um pecado mortal

O pecado mortal existe:
"Se alguém vir seu irmão cometer um pecado que não é para morte, pedirá, e Deus lhe dará a vida para aqueles que não pecam para a morte. Há pecado para morte" (1 Jo 5, 16).
O pecado mortal é mortal e separa as nossas almas da pura vida eterna que existe dentro da Santíssima Trindade. A contrição e a absolvição sacerdotal restabelecem os nossos corações no amor a Deus e aos outros. A absolvição infunde as nossas almas com graça. Melhora a nossa contrição.

5. A culpa é desagradável

Muitas vezes Satanás carrega-nos com a culpa. A culpa pode ser uma coisa boa se transformada em arrependimento. Claro, Satanás odeia isto e Deus e os anjos amam-no. Por isso, livrem-se da vossa culpa e oiçam uma pessoa concreta com autoridade sacerdotal dizer, "Eu te absolvo dos teus pecados em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo."

6. A Confissão une-vos mais à Igreja

Quando fazem uma confissão a um sacerdote, reconhecem que pecaram não só contra Deus mas contra cada um dos outros Cristãos porque, pelo vosso pecado, enfraqueceram o testemunho universal de cada Cristão. Deram ao não-crente a desculpa de que "todos os Cristãos são hipócritas." Quando vão à Confissão reconhecem que fizeram cada Cristão sofrer pelos vossos pecados.
"Se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele" (1 Cor 12, 26).
O sacerdote, que representa Deus e a Igreja pela sua ordenação e cargo, recebe o vosso arrependimento e assim têm a certeza não só do perdão de Deus mas também do perdão implícito da Igreja inteira.

7. Receber a Eucaristia torna-se ainda mais poderoso

Quando recebem a Santíssima Eucaristia recebem o verdadeiro Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo, nosso Redentor. Quando confessam os vossos pecados de uma forma sacramental, também têm uma união sacramental com Cristo mais forte na Eucaristia. Além disso, se estiverem em pecado mortal, não deviam NUNCA receber a Eucaristia porque blasfemam a Cristo e colocam-se a vós mesmos para maior julgamento e condenação eterna! A confissão cura e aprofunda a vossa devoção a Cristo no Santíssimo e Diviníssimo Sacramento. 

Taylor Marshall


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quarta-feira, 29 de março de 2017

Os erros e a morte da nossa Sociedade

Os perniciosos erros que se espalham pelo mundo, tendem à descristianização completa dos povos. Ora, isto começa no século XVI com a renovação do paganismo, ou seja, com a renovação da soberba e da sensualidade pagã entre cristãos. 

Este declínio avançou com o protestantismo, através da negação do Sacrifício da Missa, do valor da absolvição sacramental e, por consequência, da confissão; pela negação da infalibilidade da Igreja, da Tradição ou Magistério, e da necessidade de se observar os preceitos para a salvação. 

Em seguida, a Revolução Francesa lutou manifestamente para a descristianização da sociedade, conforme os princípios do Deísmo e do naturalismo. O espírito da revolução conduziu ao liberalismo que, por sua vez, queria permanecer numa meia altitude entre a doutrina da Igreja e os erros modernos. 

Ora, o liberalismo nada concluía; não afirmava, nem negava, sempre distinguia, e sempre prolongava as discussões, pois não podia resolver as questões que surgiam do abandono dos princípios do cristianismo. Assim, o liberalismo não era suficiente para agir, e depois veio o radicalismo mais oposto aos princípios da Igreja, sob a capa de ''anticlericalismo'', para não dizer anticristianismo: a maçonaria. 

O radicalismo, então, conduziu ao socialismo e o socialismo, ao comunismo materialista e ateu, como na Rússia, e quis invadir a Espanha e outras nações negando a religião, a propriedade privada, a família, a pátria, e reduzindo toda a vida humana à vida económica como se só o corpo existisse; como se a religião, as ciências, as artes, o direito fossem invenções daqueles que querem oprimir os outros e possuir toda a propriedade privada.

Contra todas essas negações do comunismo materialista, só a Igreja, somente o verdadeiro Cristianismo ou Catolicismo pode resistir eficazmente, pois só ele contém a Verdade sem erro.

Portanto, o nacionalismo não pode resistir eficazmente ao comunismo. Nem, no campo religioso, o protestantismo, como na Alemanha e na Inglaterra, pois contém graves erros, e o erro mata as sociedades que nele se fundam, assim como a doença grave destrói o organismo; o protestantismo é como a tuberculose ou como o cancro, é uma necrose por causa da sua negação da Missa, da confissão, da infalibilidade da Igreja, da necessidade de observar os preceitos.

O que, pois, se segue dos erros citados no que diz respeito à legislação dos povos? Esta legislação torna-se paulatinamente ateia. Não somente desconsidera a existência de Deus e a lei divina revelada, tanto positiva como natural, mas formula várias leis contrárias à lei divina revelada, por exemplo, a lei do divórcio e a lei da escola laica, que termina por tornar-se ateia. Por fim, vem a liberdade total de cultos ou religiões, e da própria impiedade ou irreligião. 

As repercussões destas leis em toda sociedade são enormes. Por exemplo, a repercussão da lei do divórcio: qualquer que seja o ano, qualquer que seja a nação, milhares de famílias são destruídas pelo divórcio e deixam sem educação, sem orientação, crianças que acabam por se tornar ou incapazes, ou exaltadas, ou más, por vezes, péssimas. 

Do mesmo modo, saem da escola ateia, todos os anos, muitos homens ou cidadãos sem nenhum princípio religioso. E portanto, em lugar da fé, da esperança e da caridade cristã, têm eles a razão desordenada, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos, o desejo de riqueza e a soberba de vida. Todas essas coisas são erigidas num sistema especialmente materialista, sob o nome de ética laica ou independente, sem obrigação e sanção, na qual às vezes remanesce algum vestígio do decálogo, mas um vestígio sempre mutável.

Portanto, qual é, segundo este princípio, o modo de discernir o falso do verdadeiro? O único modo é a livre discussão, no parlamento ou em algum outro lugar, e esta liberdade é, portanto, absoluta, nada pode ser subtraído à sua jurisdição, nem a questão do divórcio, nem a necessidade da propriedade individual, nem a da família ou da religião para os povos. 

Neste caso, é para se concluir que estas sociedades, fundadas sobre princípios falsos ou sobre uma legislação ateia, tendem para a morte. Nelas, com o auxílio da graça, as pessoas individuais ainda se podem  salvar. Mas estas sociedades, como tais, tendem para a morte, pois o erro, sobre o qual se fundam, mata, como a tuberculose ou o cancro que, progressiva e infalivelmente, destrói o nosso organismo. 

Só a fé cristã e católica pode resistir a estes erros, e tornar a cristianizar a sociedade, mas, para isso, requer-se uma condição: uma fé mais profunda, conforme a Escritura, "Este é o poder vitorioso que venceu o mundo: a nossa fé." (1 Jo 5, 4)

Frei Reginald Garrigou-Lagrange in 'De Sanctificatione Sacerdotum Secundum Nostri Temporis Exigentias'


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Ninguém agrada mais a Deus do que aquele que carrega as suas cruzes




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terça-feira, 28 de março de 2017

A traição da Irmã Lúcia

É escandaloso, mas é verdade: decorridos cem anos sobre as aparições de Fátima, é possível afirmar que a principal vidente, não obstante a sua tão longa existência, não cumpriu, com eficiência, a sua missão aqui na Terra. É estranho que os jornalistas, tão argutos e corajosos na descoberta e publicitação dos «podres» da Igreja, nunca tenham denunciado este caso. 

Como misterioso é o silêncio que salvaguarda a memória da última vidente de Fátima, quando é por demais óbvio que defraudou as expectativas que sobre ela recaíram, nomeadamente como confidente da «Senhora mais brilhante do que o sol». A matéria de facto é conhecida. Na segunda aparição da Cova da Iria, a Lúcia expressou um desejo comum aos três pastorinhos: «Queria pedir-lhe para nos levar para o Céu». A esta súplica, a resposta de Maria não se fez esperar: «Sim, a Jacinta e o Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer servir-se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado Coração». 

Com efeito, a 4-4-1919, menos de dois anos depois das aparições marianas, o Beato Francisco Marto «morreu a sorrir-se», como seu pai confidenciou. Sua irmã, a Beata Jacinta, faleceria menos de um ano depois, a 20-2-1920, em Lisboa, depois de um longo martírio, vivido com exemplar espírito de penitência. Não assim a prima Lúcia, a mais velha dos três e que, efectivamente, como Nossa Senhora tinha dito, ficou «cá mais algum tempo». Como Maria vive na eternidade de Deus, os 97 anos que tinha a Irmã Lúcia quando faleceu são só «algum tempo». Mas, se não acompanhou os seus primos no seu tão apressado trânsito para o Céu foi – recorde-se – para dar a conhecer e amar a Mãe de Deus e para estabelecer, a nível mundial, a devoção ao Imaculado Coração de Maria. 

 No entanto, como cumpriu a Lúcia este encargo que lhe foi expressamente pedido? Que fez, para espalhar mundialmente a devoção mariana? Pois bem, fecha-se, sob rigoroso anonimato, numa instituição religiosa, em que nem sequer às outras religiosas ou às educandas pode confidenciar a revelação de que fora alvo. Pior ainda: alguns anos depois, não satisfeita com aquele regime de voluntária reclusão, pede e alcança a graça de transitar para um convento de mais estrita clausura, onde se encerra para sempre, proibida, pela respectiva regra, de contactar com o mundo exterior, salvo em muito contadas ocasiões. 

Ora bem, a Senhora aparecida em Fátima, incumbiu-a da divulgação mundial da devoção ao seu Imaculado Coração. Era de supor, portanto, que a Lúcia se tivesse dedicado a fazer tournées e roadshows internacionais, percorrendo o mundo inteiro e dando entrevistas sobre os factos de que era a única sobrevivente. Era de esperar que tivesse recorrido aos meios de comunicação social, sem excluir as modernas redes sociais, para promover o culto mariano. Era razoável que tivesse frequentado os talk-shows, para assim poder ser vista e conhecida por milhões de telespectadores de todo o mundo. Era lógico que se tivesse dedicado a escrever best-sellers de palpitante actualidade: «Eu vi o inferno!», ou «A vidente de Nossa Senhora confessa toda a verdade!», ou mesmo «Os segredos de Fátima sem tabus!», ou ainda «Por fim, tudo o que quis saber sobre a conversão da Rússia!». 

É quanto basta para poder concluir que, humanamente, não cumpriu a sua missão. E, contudo, são às centenas de milhares os peregrinos que, ano após ano, rumam para a Cova da Iria, correspondendo ao apelo de Nossa Senhora de Fátima. Sem propaganda nem publicidade, sem marketing nem promoções, eles são, afinal, a expressão objectiva do misterioso triunfo da Irmã Lúcia ou, melhor dizendo, da eficácia sobrenatural da sua ineficiência humana. Quem sabe se não será esta tão escandalosa demonstração do poder da oração e do sacrifício, o quarto e o mais importante segredo da mensagem de Fátima?!

Pe. Gonçalo Portocarrero in Tiologias


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Breve oração de um coração contrito e arrependido

Pobre de mim, a consciência acusa-me sem cessar, e a verdade não pode desculpar-me dizendo: ele não sabia o que fazia. Perdoa, pois, Senhor, pelo preço do teu precioso sangue, todos os pecados em que caí, consciente ou inconscientemente. 

Sim, Senhor, pequei verdadeiramente, pequei por minha vontade, e pequei muito. Depois de ter tido conhecimento da verdade, ofendi o Espírito de graça; e contudo, aquando do meu baptismo, o Espírito tinha-me concedido de forma gratuita a remissão dos pecados. Mas eu, depois de ter tido conhecimento da verdade, voltei aos meus pecados, «como o cão volta ao seu vómito» (2Pe 2,22). 

Sempre acreditei em Ti , sempre Te amei, mesmo quando pequei contra Ti. Lamento profundamente os meus pecados. Do amor, porém, lamento apenas não ter amado tanto como devia.

Guilherme de Saint-Thierry (c. 1085-1148) - monge beneditino, depois cisterciense - in 'Orações meditativas', nº 5


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segunda-feira, 27 de março de 2017

A freira pirata que converteu um homossexual pela televisão

Paul era um gay americano com uma vida comodista. Como modelo internacional, fazia parte do elenco de uma das mais importantes agências. Morava com o seu companheiro numa bela casa em São Francisco, com uma vista incrível para o bosque. A sua vida resumia-se ao trabalho, ao ginásio, às discotecas e a saunas frequentadas por pessoas com atracção por pessoas do mesmo sexo. Até ao dia em que uma freira com uma pala apareceu no ecrã da sua televisão.

“É uma freira pirata! Limpe o convés”, disse ele, gozando e soltando gargalhadas, ao ver aquela figura que lhe pareceu tão estranha (tratava-se da sensacional Madre Angélica, Clarissa fundadora do canal televisivo EWTN). Mas antes de mudar de canal, Paul percebeu que aquela mulher dizia coisas inteligentes e verdadeiras. E desde então, o ateu obstinado passou a ser telespectador assíduo daquele programa, o que o levou, pouco tempo depois, a procurar Jesus Cristo na Igreja Católica.

Hoje, Paul dá testemunho da sua conversão. Se antes a sua alegria alcançava o ápice nas festas cheias de celebridades em Nova Iorque, agora ele encontra a sua satisfação na amizade com Cristo, em especial, na graça de receber o Seu Corpo e Sangue na Santa Missa.

O filme “Desejo das Colinas Eternas” (Desire of the Everlasting Hills), com duração de uma hora, traz a história de Paul, Rilene e Dan, três católicos que experimentam a graça de viver a castidade. Eles sentem atracção por pessoas do mesmo sexo, mas isso não os impede de caminhar na fé, com o coração cheio de paz.

Para ver o documentário, que está disponível com legendas em português, basta seguir este link.


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Demónios e a Consagração a Maria segundo S.João Damasceno e S.Luís de Montfort

Conhecem a consagração a Maria? Há três anos fiz a consagração de 33 dias a Jesus através de Maria, tal como ensinou S. Luís Maria Grignon de Montfort. Aconteceu uma coisa estranha. No 33º dia, que eu tinha escolhido para ser 15 de Agosto (a Assunção de Maria e o aniversário da minha mulher), entrei na igreja e tive um estranhíssimo sentimento de terror.

Foi um ataque demoníaco

Assustei-me. Senti uma presença negra. Senti emoções terríves e pensamentos terríveis começaram a inundar a minha cabeça. Estava muito assustado. Sentia que a minha alma estava a ser sufocada com fumo.

Ainda assim, acabei as minhas orações do 33º Dia da Consagração a Maria na igreja e no preciso momento em que acabei, senti que todo o fumo mau tinha sido sugado da sala. Tive uma sensação intensa de paz, amor, graça e misericórdia. Senti que Jesus me amava com imensa intensidade e que Maria me cobriu com o seu manto a toda a volta, para me proteger. Ela estava a levar-me para perto de Jesus. Eu sentia-o. Não consigo explicar.

A minha conclusão é que os demónios não queriam que eu me consagrasse a Jesus por Maria e perceberam que eu iria ganhar uma protecção especial. Fizeram uma última tentativa... e o pé de Maria esmagou as suas cabeças. Fugiram quando a consagração acabou.

Consagração a Maria?

Lamentavelmente, os teólogos desde os anos 50 começaram a questionar o conceito de "consagração a Maria." Todos concordam que as pessoas e as coisas podem ser consagradas à Santíssima Trindade, e isto é verdade de uma forma especial para a Eucaristia, mas também é verdade para o sacerdócio, para as freiras, para os vasos sagrados e para os nossos corpos de baptizados como sacrários do Espírito Santo (que é a razão pela qual devemos manter a santa puresa e a guarda da vista).

Como é que pessoas ou objectos podiam então ser consagrados à Santíssima Virgem Maria que é uma pessoa humana e criatura? Esta questão normalmente surge relacionada com o pedido da consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria. Alguns dizem que isso é impossível, visto que o Imaculado Coração de Maria foi criado e, portanto, não é um objecto próprio para solene consagração.

São Luís de Montfort sobre a Consagração a Maria

S. Luís de Montfort é o santo para responder a esta questão porque ele mostra que todas as consagrações a Maria (ou a qualquer santo, já agora) estão orientadas para nosso Senhor Jesus Cristo através da Sua Santíssima Humanidade. Visto que todos os santos são membros do Seu Corpo e participantes da Sua Natureza Divina, as consagrações a eles são relativas e, portanto, são feitas a Cristo nosso Deus através deles.

O mesmo é válido para as orações aos santos. Nós rezamos aos santos mas percebemos que a oração "a" um santo é relativa e não absoluta. Estritamente falando, as intercessões dos santos têm o seu fim em Jesus Cristo, o único mediador entre Deus e os homens.

"Pois há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, um homem: Jesus Cristo." (1 Tim 2, 5)

São João Damasceno sobre a consagração a Maria

"Estamos presentes diante de vós, Ó Senhora, Senhora eu digo e outra vez Senhora, unindo as nossas almas à nossa esperança em vós, como se fosse a uma firme e segura âncora, consagramos {anathémenoi} as nossas mentes, as nossas almas, os nossos corpos, numa palavra, o nosso próprio ser, honrando-vos com salmos, hinos e cânticos espirituais, tanto quanto estivermos capazes, apesar de ser impossível fazê-lo com toda a dignidade. 

Se é verdade que, como a palavra sagrada nos ensinou, a honra paga aos nossos fiéis servidores testemunha a nossa boa vontade para com o nosso Mestre comum, como é que podíamos deixar de vos honrar, vós que trouxestes o vosso Mestre? Desta forma podemos mostrar melhor a nossa ligação ao nosso Mestre."

S. João Damasceno, “Sermo Prima de Dormitione,” Patroligia Graeca 96, 720C-D, 721A-B

“Anathema” para Maria

S. João Damasceno, um Doutor da Igreja Católica, consagrou-se a si e aos seus ouvintes à Santíssima Virgem Maria usando a palavra 'anathémenoi'. Vão reconhecer isto como a mesma palavra de onde se deriva "anátema" que pode significar "posto acima", "suspendido", "banido" e, pricipalmente "amaldiçoado." É a palavra grega usada para traduzir a palavra hebraica חֵרֶם {charem} para aquelas pessoas ou coisas que pertencem a Deus como santas ou amaldiçoadas. A mesma ideia preserva-se no Latim onde "sacrosanctum" se pode referir a pessoas que são ou "santas" ou "amaldiçoadas". Por exemplo, ser "sacrílego" tem as mesmas conotações.

Tudo isto se relaciona com as coisas "reservadas para Deus" e isto pode ser ou uma benção ou uma maldição. Por exemplo, o Santíssimo Sacramento é a maior benção para aquele que O recebe em estado de graça, mas é também a maior maldição para aquele que o recebe em estado de pecado original ou mortal. A "sacrosantidade" é cortante para ambos os lados.

De volta a S. João Damasceno. Ele consagra-se a Maria desta forma usando o termo “anathémenoi.” Isto significa que ele está totalmente e completamente entregue e guardado para a Santíssima Virgem Maria. (isto devia lembrar-nos o Beato João Paulo II, cujo motto era dirigido a Maria: "Totus tuus" ou "Todo teu.") Ai dele se falhar na sua devoção a ela. E no entanto este "anátema Mariano" também inclui as maravilhosas e brilhantes graças que ele receberá de Cristo através dela.

Mais ainda, esta consagração a Maria sob a forma de um "anátema" é Cristocêntrica (centrada em Cristo) ou, como eu prefiro dizer, Cristotélica (conduzindo a Cristo). Vejam como S. João Damasceno conclui a sua consagração a Maria: "Desta forma podemos mostrar melhor a nossa ligação ao nosso Mestre." O nosso Mestre é Cristo Senhor.

O ponto principal da consagração a Maria não é exaltar Maria ao nível da divindade ou colocá-la numa competição com Cristo. A verdadeira consagração a Maria (também defendida por S. Luís de Montfort e S. Maximiliano Kolbe) leva a um maior amor e serviço a Cristo.

Querem consagrar-se ao Imaculado Coração nesta forma? Se sim, eu recomendo de coração a consagração a S. Luís de Montfort, mas especialmente a de S. Maximiliano Maria Kolbe.

Para usar a consagração de Kolbe de uma forma solene, escolham uma festa Mariana. Façam jejum no dia anterior (uma refeição), rezem o Terço, confessem-se e vão à Santa Missa nesse dia de festa Mariano, e depois recitem a oração de consagração a Maria. Renovem a consagração anualmente.

Nossa Senhora Imaculada, Mãe da Igreja, rogai por nós.

Taylor Marshall


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domingo, 26 de março de 2017

Jovem de 16 anos responde ao infeliz texto da revista 'Teen Vogue'



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Se vir o seu pároco de cor-de-rosa não se choque

Na antiguidade cristã, o dia de hoje era o “dia das rosas”, no qual os cristãos se presenteavam mutuamente com as primeiras rosas do Verão. Ainda hoje o Santo Padre benze, neste dia, uma rosa de ouro e a oferece a uma pessoa, ou instituição em sinal de particular atenção. 

A flor dourada que brilha reflecte a majestade de Cristo, com uma simbologia muito apropriada porque os profetas O chamaram "flor do campo e o lírio dos vales". A fragrância da rosa, de acordo com o Papa Leão XIII, "mostra o odor doce de Cristo que deve ser difundido extensamente pelos seus seguidores fiéis” (Acta, vol. VI, 104), e os espinhos e o matiz vermelho relembram a Sua paixão". 
A Santa Igreja, como o faz no Advento, interrompe também na Quaresma a sua penitência. Demonstra alegria pelo toque do órgão, pelo enfeite dos altares e pelo rosa dos paramentos. Esta alegria é expressa de igual modo pela própria denominação deste Domingo, chamado de 'Laetare', que significa 'Alegra-te', e que corresponde ao início da antífona deste IV Domingo da Quaresma:

"Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos todos os que amais; entregai-vos à alegria, vós que estivestes na tristeza para que exulteis e vos sacieis na abundância de vossa consolação. Ps. Alegrei-me com o que me foi dito: iremos à casa do Senhor."




D. B. Keckeisen, OSB in Missal Quotidiano, 1947


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sábado, 25 de março de 2017

26º Aniversário da morte de Mons. Lefebvre

Nesta solenidade da Anunciação do Anjo à Santíssima Virgem, que com o seu fiat acolheu o Verbo encarnado no seu seio, passam 26 anos da morte de Mons. Marcel Lefebvre, fundador da Fraternidade Sacerdotal São Pio X.
Requiem aeternam dona ei, Domine, et lux perpetua luceat ei. 
Requiescat in pace. Amen.

Rezemos pela alma do Arcebispo Lefebvre e pelo bom desfecho das conversações entre a FSSPX e a Santa Sé.


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O que é o 'Angelus' e como rezar?

Angelus (1857-1859) de Jean-François Millet, Musée d’Orsay

O Angelus é uma prática religiosa, realizada em devoção à Imaculada Conceição, repetida três vezes ao dia, de manhã, ao meio dia e ao entardecer. A oração é constituída de três textos que descrevem o mistério da Encarnação, respondidos com uma Avé Maria e uma oração final. O nome "Angelus Domini nuntiavit Mariæ", foi retirado da Antífona de Nossa Senhora: "Alma Redemptoris".

Não se sabe ao certo a origem do Angelus, mas no séc. XIV já era comum em toda a Europa rezar, ao anoitecer, em louvor da Virgem Maria. Nessa época, os versículos não eram os actuais. Eram assim (só encontrei em latim e inglês):

Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum (Hail Mary, full of grace, the Lord is with thee)
Dulcis instar mellis campana vocor Gabrielis (I am sweet as honey, and am called Gabriel's bell)
Ecce Gabrielis sonat hæc campana fidelis (Behold this bell of faithful Gabriel sounds)
Missi de coelis nomen habeo Gabrielis (I bear the name of Gabriel sent from heaven)
Missus vero pie Gabriel fert læta Mariæ (Gabriel the messenger bears joyous tidings to holy Mary)
O Rex Gloriæ Veni Cum Pace (O King of Glory, Come with Peace)

O som dos sinos associado ao Angelus vem de São Boaventura, que determinou à Ordem dos Frades Menores, em 1269, que se tocassem os sinos no lusco-fusco, enquanto se rezava a Avé Maria. 

A prática de rezar também ao meio-dia, por sua vez, é posterior (séc. XV) e foi estimulada por Louis XI (1475), como uma oração pela paz, na medida em que a cristandade se encontrava ameaçada pelo domínio dos turcos. Em 1318, o Papa João XXII oficializou o Angelus ao conceder indulgências para quem a praticasse. Em 1724, o Papa Bento XIII, determinou cem dias de indulgência para cada oração do Angelus, com uma plenária uma vez por mês. Era necessário que o Angelus fosse dito de joelhos, (excepto aos Domingos e aos Sábados, quando se devia permanecer de pé) ao som do sino. Essas circunstâncias foram modificadas pelo Papa Leão XIII em 1884. 

Actualmente, é necessário apenas que a oração seja feita nas horas apropriadas, de manhã, ao meio-dia e à noite. A indulgência é concedida mesmo para aqueles que não sabem recitá-la, bastando para isso que digam 5 Avé-Marias em seu lugar.

V. O Anjo do Senhor anunciou a Maria
R. E Ela concebeu pelo Espírito Santo
Avé Maria...

V. Eis a escrava do Senhor.
R. Faça-se em mim, segundo a Vossa palavra.
Avé Maria...

V. E o Verbo Divino encarnou.
R. E habitou entre nós.
Avé Maria...

V. Rogai por nós, santa Mãe de Deus.
R. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo

Oremos:
Infundi, Senhor, a vossa graça, em nossas almas, para que nós, que, pela anunciação do Anjo, conhecemos a encarnação de Cristo, vosso Filho, pela Sua paixão e morte na cruz, sejamos conduzidos à glória da Ressurreição. Pelo mesmo Cristo Senhor nosso. Ámen.


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sexta-feira, 24 de março de 2017

A Paixão de Jesus aconteceu à hora do pecado de Adão

Havia uma árvore no meio do paraíso e a serpente serviu-se dela para enganar os nossos primeiros pais. Reparai nesta coisa espantosa: para iludir o homem, a serpente vai recorrer a um sentimento inerente à sua natureza. 

Com efeito, ao modelar o homem, o Senhor tinha colocado nele, para além de um conhecimento geral do universo, o desejo de Deus. Logo que o demónio descobriu esse desejo ardente, disse ao homem: «Sereis como deuses (Gn 3,5). Agora sois apenas homens e não podeis estar sempre com Deus; mas, se vos tornardes como deuses, estareis sempre com ele».

Foi precisamente na hora em que Adão acabava de comer que o Senhor sofreu a sua paixão, nessas horas marcadas pelo pecado e pelo julgamento, isto é, entre a sexta e a nona hora. Na hora sexta, Adão comeu, de acordo com a lei da natureza; em seguida, escondeu-se. E ao cair da tarde, Deus veio até ele. 

Adão tinha desejado tornar-se Deus: tinha desejado uma coisa impossível. Mas Cristo realizou esse desejo. «Quiseste tornar-te», disse Ele, «o que não podias ser; mas Eu desejo tornar-Me homem, e posso sê-lo. Deus faz o contrário do que tu fizeste ao deixares-te seduzir: tu desejaste o que estava acima de ti e Eu tomo o que está abaixo de Mim. Tu desejaste ser igual a Deus e Eu quero ser igual ao homem.

Tu desejaste tornar-te Deus e não pudeste, e Eu faço-Me homem para tornar possível o que era impossível.» Sim, foi realmente para isso que Deus veio. Deus desceu ao cair da tarde e disse: «Adão, onde estás?» (Gn 3,9). Aquele que veio para sofrer é o mesmo que desceu ao Paraíso.

Severino de Gabala in 6ª Homilia sobre a criação do mundo, 5-6


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Quaresma: como e porquê

Na preparação para a Páscoa, surgiu já nos primeiros tempos do cristianismo um período voltado a preparar melhor os fiéis para o mistério central da Redenção de Cristo. Esse período era de um dia apenas. Com o tempo foi-se alongando, até chegar à duração de 6 semanas. Quaresma, do latim quadragesimae, refere-se aos 40 dias de preparação para o mistério pascal. 

A Quaresma, para os fiéis, envolve duas práticas religiosas principais: o jejum e a penitência. O jejum na antiga Igreja latina abrangia 36 dias. No século V, foram adicionados mais quatro, exemplo que foi seguido em todo o Ocidente com excepção da Igreja ambrosiana. 

Os antigos monges latinos faziam três quaresmas: a principal, antes da Páscoa; outra antes do Natal, chamada de Quaresma de São Martinho; e a terceira, a de São João Baptista, depois do Pentecostes. 

Se havia bons motivos para justificar o jejum de 36 dias, havia também excelentes razões para explicar o número 40. Observemos em primeiro lugar que este número nas Sagradas Escrituras representa sempre a dor e o sofrimento.

Durante 40 dias e 40 noites, caiu o dilúvio que inundou a terra e extinguiu a humanidade pecadora (cf. Gn. 7,12). Durante 40 anos, o povo escolhido vagou pelo deserto, em punição por sua ingratidão, antes de entrar na terra prometida (cf. Dt 8,2). Durante 40 dias, Ezequiel ficou deitado sobre o próprio lado direito, em representação do castigo de Deus iminente sobre a cidade de Jerusalém (cf. Ez 4,6). Moisés jejuou durante 40 dias no monte Sinai antes de receber a revelação de Deus (cf. Ex 24, 12-17). Elias viajou durante 40 dias pelo deserto, para escapar da vingança da rainha idólatra Jezabel e ser consolado e instruído pelo Senhor (cf. 1 Reis 19, 1-8). O próprio Jesus, após ter recebido o baptismo no Jordão, e antes de começar a vida pública, passou 40 dias e 40 noites no deserto, rezando e jejuando (cf. Mt 4,2).

No passado, o jejum começava com o primeiro Domingo da Quaresma e terminava ao alvorecer da Ressurreição de Jesus. Como o Domingo era um dia festivo, e por tal não lhe cabia o jejum quaresmal, o Dia do Senhor passou a ser excluído da obrigação. A supressão desses 4 dias no período de jejum demandava que o número sagrado de 40 dias fosse recomposto, o que trouxe o início do jejum para a Quarta-Feira anterior ao primeiro Domingo da Quaresma.

Este uso começou nos últimos anos da vida de São Gregório Magno, que foi o Sumo Pontífice de 590 a 604 d.C. A mudança do início da Quaresma para a Quarta-Feira de Cinzas pode ser datada, por isto, nos primeiros anos do século VII, entre 600 e 604. Aquela Quarta-Feira foi chamada justamente 'caput jejunii', ou seja, o início do jejum quaresmal, ou 'caput quadragesimae', início da Quaresma. 

O cristianismo primitivo dedicava o período da Quaresma a preparar os catecúmenos, que no dia da Páscoa seriam baptizados e recebidos na Igreja. A prática do jejum, desde a mais remota antiguidade, foi imposta pelas leis religiosas de várias culturas. Os livros sagrados da Índia, os papiros do antigo Egipto e os livros do Pentateuco contêm inúmeras exigências relativas ao jejum. 

Na observância da Quaresma, os orientais são mais severos do que os cristãos ocidentais. Na igreja ortodoxa-grega (cismática), o jejum é estrito durante todos os 40 dias que precedem a Páscoa. Ninguém pode ser dispensado, nem mesmo o Patriarca. Os primeiros monges do cristianismo, ou cenobitas, praticavam o jejum lembrando Jesus no deserto. Os cenobitas do Egipto comiam pedaços contados de pão por dia, metade pela manhã e metade à noite, com um copo d’água.

Houve um tempo em que não era permitida mais que uma única refeição por dia durante a Quaresma. Esta refeição única, no século IV, realizava-se após ao pôr-do-sol. Mais tarde, foi autorizada a meio da tarde. 

No início do século XVI, a autoridade da Igreja permitiu que se adicionasse à principal refeição a chamada 'colatio, uma pequena refeição. Suavizando-se cada vez mais os rigores, a carne, que antes era absolutamente proibida durante toda a Quaresma, passou a ser admitida na refeição principal até três vezes por semana. As taxativas exigências do jejum quaresmal eram publicadas todos os anos em Roma no famoso Édito sobre a Observância da Quaresma. 

A prática do jejum, no passado, era realmente obrigatória, e quem a violasse assumia sérias consequências. Os rigores eram tais que o VIII Concílio de Toledo, em 653, ordenou que todos os que tinham comido carne na Quaresma sem necessidade se abstivessem durante todo o ano e não recebessem a comunhão no dia da Páscoa. 

Giovanni Preziosi in Zenit


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quinta-feira, 23 de março de 2017

O que causou a guerra no Líbano causará também na Europa?



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Papa Francisco autoriza a canonização dos Pastorinhos

O segundo milagre necessário para a canonização dos Pastorinhos, Francisco e Jacinta, foi reconhecido pela Congregação para as Causas dos Santos e o respectivo decreto foi promulgado pelo Papa Francisco. A informação, que ja tinha sido avançada há mais de 1 mês, foi hoje tornada oficial através do boletim da Santa Sé:

"O Santo Padre Francisco recebeu em audiência Sua Eminência o Cardeal Angelo Amato, S.D.B., Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. Durante a audiência, o Santo Padre autorizou a Congregação para as Causas dos Santos a promulgar o decreto que diz respeito a um milagre atribuído à intercessão do Beato Francesco Marto, que nasceu a 11 de Junho de 1908 e morreu a 4 de Abril de 1919, e da Beata Jacinta Marto, que nasceu a 11 de Março de 1910 e morreu a 20 de Fevereiro de 1920, os pastorinhos de Fátima."

A data e o local da canonização serão decididos no consistório dos Cardeais, marcado para o próximo dia 20 de Abril. 

Esperemos que esta canonização seja mais uma confirmação do triunfo do Imaculado Coração de Maria e que os Pastorinhos de Fátima continuem a interceder por Portugal e pelo Mundo inteiro, junto de Nossa Senhora.


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quarta-feira, 22 de março de 2017

Rezemos pelas vítimas e pelo fim do terrorismo




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O “Leão de Münster”: a luta de um bispo contra o nazismo

21 de Fevereiro de 1946, Basílica de São Pedro. No seu trono, S.S. o Papa Pio XII, cercado de altos prelados. Atmosfera de grande gala, presentes o corpo diplomático e personalidades vindas do mundo inteiro. O longo cortejo de 32 novos Cardeais estende-se ao longo da nave central. Dentre eles, um sobressai pela sua estatura muito elevada e arrebata o entusiasmo dos fiéis, que começam a aplaudir e a bradar: "Viva o Conde de Galen!"(1)

O Papa havia elevado, em 23 de Dezembro de 1945, ao cardinalato o Bispo de Münster (Alemanha), merecidamente célebre por verberar, já nos primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, os crimes nazis, especialmente a perseguição à Igreja e a prática abominável da eutanásia contra doentes e idosos.(2)

Quem foi essa personalidade arrebatadora, entusiasticamente aplaudida pelos fiéis romanos? Por que foi tão importante a sua oposição ao nazismo? Alguns breves dados biográficos esclarecerão essas questões.(3)

Tradição católica, ilustre passado, nobre origem

Clemens August conde von Galen (1878-1946) nasceu em 16 de Março no Castelo de Dinklage em Oldenburg, Alemanha, como décimo-primeiro de 12 irmãos. Os seus pais foram o Conde Ferdinand Heribert e Elisabeth, nascida Condessa von Spee. A família, de antiga cepa católica, deu à Igreja almas de escol como arcebispos, bispos, clérigos e numerosas freiras.(4) E também ardorosos defensores dos seus direitos no campo temporal. O Conde Heribert foi um destacado deputado católico do Zentrumspartei (Partido do Centro) no Reichstag (Parlamento alemão).

No seu lar túmido de virtudes cristãs, recebeu o jovem Clemens August uma esmerada educação. Frequentou de 1890 a 1894 a escola jesuítica Stella Matutina em Feldkirch.

Altas virtudes sacerdotais e humanas

Nos dois anos seguintes estudou em Vechta, onde concluiu a escola. Em 1897, acompanhado pelo seu irmão Franz, frequentou a Faculdade de Fribourg, na Suíça. Foi ali que resolveu tornar-se sacerdote. Em 1899 ingressou no seminário jesuíta de Innsbruck. Ordenado em 28 de Maio de 1904 na Catedral de Münster, foi nomeado no mês seguinte vigário capitular e capelão do seu tio, bispo-auxiliar de Münster, Mons. Maximilian von Galen. Em 1906 foi transferido para Berlim, onde se tornou capelão da paróquia de São Matias. Além dos seus cuidados pastorais, dava aulas de Religião.

No dia 5 de Setembro de 1933, Pio XI(5) elevou-o ao episcopado, designando-lhe a sede ocupada anteriormente pelo seu tio. No dia da sua sagração episcopal, 28-10-1933, escreveu dele o Cardeal Schulte: “Aussi Clement, qu´Auguste” (Igualmente Clemente e Augusto). O novo bispo de Münster adoptou como lema do seu brasão as palavras “Nec laudibus nec timore” (Não me movo nem por louvores nem por temor), indicando destarte a firmeza de seu carácter. A seu respeito escrevia o “Münstersche Anzeiger” de 12-9-1933: “Assinalam o novo bispo altas virtudes sacerdotais e humanas. Como cura de almas em Berlim, [...] levantou continuamente a sua voz contra a crescente secularização da vida, exigindo um retorno aos claros princípios da Igreja Católica.”(6)

Oito meses antes havia o Partido Nacional Socialista (nazista) galgado o poder. Com sua doutrina pagã da raça ariana pura, o nazismo iria entrar necessariamente em choque com a Igreja, a qual começou a perseguir, de início discreta, mais tarde aberta e ferozmente.

Bispo heróico, apelidado “Leão de Münster”

Mons. von Galen logo percebeu os erros contidos na obra 'Mito do Século XX', de Rosenberg, o ideólogo do partido nazis. E combateu-os rijamente na sua Carta Pastoral de 19 de Março de 1935, denunciando o “mito do sangue” de Rosenberg como uma nova religião pagã.

Empolgados com a coragem do seu bispo, os católicos deram-lhe a alcunha de “Leão de Münster”. Isso se deve não apenas às suas críticas constantes aos erros nazis, mas sobretudo por três famosos sermões(7) que proferiu nos dias 13 e 20 de Julho e 3 de Agosto de 1941 na igreja de São Lamberto, de cujas torres se podem ver ainda hoje penduradas as gaiolas nas quais apodreceram os restos mortais dos chefes anabatistas.

Desafiando os nazis, condena a eutanásia

A “vitória final” não houve. Com a capitulação da Alemanha em Maio de 1945 e o processo de Nuremberga, que julgou os crimes dos principais chefes nacional-socialistas, o nazismo desapareceu ingloriamente do cenário mundial, deixando atrás de si, a exemplo do comunismo: morte, escombros e miséria.

No sermão do dia 13 de Julho, criticou o confisco de mosteiros e conventos, apontando para um “ódio profundo contra o Cristianismo, o qual querem exterminar”. Dia 20 de Julho, empregou a figura da bigorna e do martelo: “Actualmente não somos martelo, mas bigorna. A bigorna não pode e nem precisa rebater. Ela precisa apenas ser firme e dura“. No dia 3 de Agosto, denunciou o crime da eutanásia, praticado em pessoas idosas, paralíticas e com doenças incuráveis. 

A reacção suscitada por este sermão foi imensa. Altos funcionários do partido nazi exigiam que se movesse um processo contra o bispo e o enforcassem numa praça pública de Münster. Goebbels, o ladino ministro da propaganda, percebeu que tal medida alienaria do esforço de guerra os católicos de toda a Alemanha. E recomendou a Hitler que deixasse o “acerto de contas” para depois da “vitória final”. Ele teve de viver com essa espada de Dâmocles sobre a sua cabeça e a aceitou heroicamente, sem recuar.

O alemão ideal, orgulho da Alemanha

Depois de receber o chapéu cardinalício, Mons. von Galen ficou ainda alguns dias em Itália, visitando soldados alemães em diversos campos de concentração. Em meados de Março esperava-o em Münster uma acolhida triunfal. Deus, porém, tinha outros planos para o seu “Leão”. Acometido por uma apendicite aguda, faleceu na tarde do dia 22 de Março de 1946.

No sermão fúnebre, o Cardeal Frings salientou que, enquanto houvesse uma diocese em Münster, Mons. von Galen seria o seu adorno. E acrescentou: “Enquanto houver uma história do povo alemão, ele será apontado como o alemão ideal, o orgulho da Alemanha”.

A 9 de Outubro de 2005, o Cardeal von Galen foi beatificado pelo Papa Bento XVI, que na ocasião enalteceu a luta do novo bem-aventurado contra a eutanásia.

Após 60 anos da queda do nazi, muitos se perguntarão talvez que importância tem, para os nossos dias, a resistência do bispo de Münster ao nazismo. Na Praça de São Pedro, milhares de fiéis — só da diocese de Münster compareceram cerca de cinco mil — acompanharam nos ecrãs a cerimónia que se desenrolava no interior da Basílica, também ela repleta de convidados especiais, entre os quais se encontrava a Condessa Johanna von Westfalen, sobrinha do novo Beato e destacada líder anti-abortista na Alemanha.

O desassombro de Mons. von Galen ao condenar o crime da eutanásia é mais actual do que nunca. Numa época como a nossa, em que mundialmente dezenas de milhões de nascituros são abortados, em que a eutanásia vai entrando na legislação de muitos países, é preciso ter coragem para defender a vida inocente. Mesmo com perigo de morte, o “Leão de Münster” não se acovardou. Magnífico exemplo a ser seguido.

Renato Murta de Vasconcelos in Revista 'Catolicismo'

Notas:

1. Um “applauso trionfale”, escreveram os jornais italianos. O secretário de Mons. von Galen, P. Heinrich Portmann, fala de “um verdadeiro furacão”. O Pe. Portmann é autor da excelente biografia Kardinal von Galen – Ein Gottesmann seiner Zeit (Cardeal von Galen – Um homem de Deus de seu tempo). São também de sua lavra: Bischof von Galen spricht (Sermões do Bispo von Galen) e Dokumente um den Bischof von Galen (Documentos relativos ao Bispo von Galen)
2. Integravam igualmente o conjunto de novos cardeais dois heróis da resistência anticomunista: Mons. Mindszenty, Arcebispo de Eztergom e Primaz da Hungria, que se tornaria mais tarde famoso por sua inflexibilidade diante dos títeres comunistas húngaros; o prelado croata Mons. Stepinac, também ele intrépido opositor do regime vermelho, falecido em 1960 em conseqüência dos maus tratos sofridos nas enxovias comunistas. Mons. Stepinac foi beatificado em 1998 e seus restos mortais repousam incorruptos num escrínio de cristal diante do altar-mor da catedral de Zagreb.
3. Catolicismo publicou, em sua edição de fevereiro de 1984, matéria a respeito, sob o título Cardeal von Galen, indômito adversário do nazismo.
4. Entre essas destaca-se a figura ímpar da Condessa Maria Droste zu Vischering, prima-irmã do Cardeal von Galen e Superiora do Convento do Bom Pastor na cidade do Porto. Falecida em 1899, foi beatificada por Paulo VI em 1975.
5. Pio XI nutria especial simpatia pelo Bispo de Münster. Certo dia, após recebê-lo em audiência, comentou com Mons. Ruffini: “Gigas est corpore, sed non tantum corpore” (Ele é gigante de corpo, mas não só de corpo).
6. Citado por Lothar Groppe SJ, Zur Seligssprechung von Kardinal Graf von Galen, Katholische Bildung, Oktober 2005, p. 7
7. A respeito dos sermões de fogo de Mons. von Galen, escreveu o protestante e antigo Ministro do Reich, Conde Schwerin v. Krosigk, em seu livro Es geschah in Deutschland: “Os sermões do Conde Galen, bispo católico de Münster, vão entrar para todo o sempre na história da resistência interna (ao nazismo). Os sermões e comunicados do Bispo eram difíceis de ser incriminados, porque se abstinham de entrar na política; não atacavam ninguém pessoalmente; [...] apenas apontavam o pecado, aquilo que segundo a concepção cristã é pecado”.


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terça-feira, 21 de março de 2017

Fala 4 idiomas, toca violino, dá conferências...tem Trissomia 21

Tem 20 anos. Fala inglês e espanhol na perfeição e domina o francês e o latim com fluência. Sendo ainda um adolescente, a sua destreza com o violino é memorável, tendo já protagonizado concertos com orquestras sinfónicas. Chegou a dar também conferências nos EUA e outros países.

O seu nome é Emmanuel Joseph Bishop e, atentando na sua história, é possível dizer que está por certo num patamar elevado quando comparado com a maioria dos jovens da sua idade. Este jovem talento tem síndroma de Down. Em vários países, a lei permite abortar casos como este, eliminando-os antes do seu nascimento: abortável por Down.

A sua história causa um impacto tal, que tem dado a volta ao mundo através das redes sociais.

Um talento em perigo de extinção

Na actualidade será bastante complicado encontrar um talento como o de Emmanuel, uma vez que não o iriam deixar nascer por ter síndroma de Down. Simplesmente por não cumprir os requisitos que, alegadamente, são necessários para ser digno desta vida. Tudo isto é suportado pela lei.

No entanto, a história de Emmanuel aparece como um vendaval que destrói todas estas falácias que justificam o aborto de milhares e milhares de bebés que não são considerados aptos. Este adolescente americano veio demonstrar todas as suas potencialidades, provando ao mundo do que era capaz.

Um católico devoto

Emmanuel é ainda um católico muito devoto, segundo o próprio afirma orgulhoso. Para além disso, realiza as suas orações em latim. Dirigiu o Terço em várias ocasiões, assim como orações comunitárias.

Neste sentido, o jovem pretende utilizar o dom com que Deus o brindou para um fim maior. Os seus esforços estão destinados a mostrar àqueles com diferenças nas capacidades que são igualmente dotadas de habilidades para mostrar ao mundo. Definitivamente, convence-los que são igualmente úteis, contrariamente ao que o mundo os tenta convencer.

Um talento precoce

Emmanuel nasceu a 21 de Dezembro de 1996 na cidade norte americana de Grafton. Cedo começou a surpreender todos em seu redor. Aos dois anos já lia e aos três já era capaz de ler cartões em francês num colégio do Ilinóis.

Com seis anos apenas leu o discurso de boas vindas da conferência anual da Sociedade Nacional do Síndroma de Down. Fê-lo em três idiomas perante um auditório de mais de 600 pessoas. Já com essa idade aprendia a tocar violino, uma das suas grandes paixões.

A vida de Emmanuel evoluía a um ritmo vertiginoso. Aos 8 anos andava de bicicleta e já era medalhista nas Olimpíadas Especiais do seu Estado tanto em Golf como em Natação, onde ganhou os 200 e 400m livres. Dois anos mais tarde marcava vários recordes na categoria de juniores em diferentes provas de natação.

O violino: a sua arma e o seu escudo

Aos 12 anos deu um recital em violino no décimo congresso mundial de síndroma de Down celebrado na Irlanda em 2009. Para além disso, no mesmo evento, realizou uma apresentação numa das sessões de trabalho.

Um ano de pois passou a ser auxiliar na sua paróquia e aos 14 anos recebia o sacramento da Confirmação. Em 2010 cumpria um dos seus sonhos quando no dia mundial do síndroma de Down foi convidado a tocar na Turquia com uma orquestra sinfónica.

O seu objectivo de ajudar outras crianças

Emmanuel foi educado em casa com os seus pais, que nunca duvidaram das suas capacidades. Com esforço e perseverança, este rapaz viria a sobrepor-se às limitações da sua condição. Assim, a principal função de Emmanuel era que o seu exemplo de superação movesse mais rapazes e raparigas.

Nas suas apresentações fala, no fundo, da sua vida, um adolescente com síndroma de Down e com interesses, que gosta de desporto, de música, que vai frequentemente  nadar e andar de bicicleta.

Os seus objectivos dividem-se me quatro pontos:

1. Destacar as habilidades, talentos e potencial das crianças na mesma condição
2. Quebrar o mito das baixas expectativas atribuídas aos jovens com síndroma de Down
3. Demonstrar que a alegria de viver não se opõe a estas pessoas
4. Alertar para a incidência de que tudo o que está dito e escrito acerca do síndroma de Down tem origem em pessoas que não possuem esta condição.

Um exemplo para todos

O resultado de toda esta dinâmica foi efectivado na reunião anual sobre Trissomia 21 em Houston (Texas). Ali, Emmanuel iluminou todos com os testemunhos das aventuras das suas viagens pelo mundo, bem como dos seus estudos e do seu violino. Falou inclusivamente em francês, comentando as obras de arte que havia admirado na sua passagem por Paris. De seguida respondeu a perguntas que lhe foram feitas acerca da sua vida e esclareceu outras dúvidas que o público lhe colocou.

A educação que recebeu em casa deixou muitos perplexos, bem como a sua alfabetização precoce. Exemplos concretos ajudam visivelmente a luta contra a corrente. O seu testemunho, mais pela sua capacidade de superação que pelas suas habilidades adquiridas, é um estímulo, uma força tanto para crianças com síndroma de Down como para as suas famílias. Nenhum deles está só. Todos são úteis em sociedade, por vezes mais até do que podem imaginar. 

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