quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Álbum de canto gregoriano bate recordes de vendas

"Requiem", assim se chama o álbum de canto gregoriano que ocupa há 13 semanas o top na lista de 'música clássica'. As músicas foram gravadas no seminário da Fraternidade Sacerdotal de São Pedro, no Nebraska (Estados Unidos). Os cantores são todos Padres e seminaristas. Vale a pena ouvir, é uma beleza.


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Santo André, o primeiro Apóstolo chamado por Jesus

Santo André nasceu em Bethsaida de Galilea e morreu em Patras (Grecia), por volta do ano 60 d.C. Ao Apóstolo André cabe o título de "Primeiro chamado". E é comovente que, no Evangelho, tenha sido até anotada a hora (4 da tarde) do seu primeiro encontro e primeiro compromisso com Jesus. Depois, foi André comunicar ao seu irmão Simão (Pedro) a descoberta do Messias e a conduzi-lo rapidamente até Ele. 

A sua presença é ressaltada de modo particular no episódio da multiplicação dos pães.  Sabemos também que foi a André que se dirigiram os gregos que queriam conhecer a Jesus, e ele conduziu-os ao Divino Mestre.  Segundo os antigos escritores cristãos, o Apóstolo André evangelizou a Ásia Menor e as regiões ao longo do Mar Negro, chegando até ao rio Volga, sendo por isso honrado como Padroeiro na Roménia, Ucrânia e Rússia. 

Comovente é a Passio - ainda que tardia - que narra a morte do Apóstolo, que teria ocorrido em Partas, em Acaia: condenado ao suplício da cruz, ele próprio pediu para ser pendurado em uma cruz particular, feita em X (cruz que desde então leva o seu nome) e que evoca, em sua própria forma, a inicial do nome grego de Cristo. 

A 'Legenda Aurea' refere que o Apóstolo Santo André foi ao encontro da sua cruz com esta esplêndida invocação nos lábios: "Salve Cruz, santificada pelo Corpo de Jesus e enriquecida pelas gemas preciosas de Seu Sangue... Venho a ti cheio de segurança e alegria, para que tu recebas o discípulo d'Aquele que sobre ti morreu. Cruz boa, há tempos desejada, que os membros do Senhor revestiram de tanta beleza! Desde sempre te amei e desejei abraçar-te... Acolha-me e leva-me até o meu Mestre". 

Patronato: Pescadores 
Etimologia: André = viril, forte, do grego
Emblema: Cruz decussada (em forma de X), rede de pescador 

Entre os Apóstolos, é o primeiro que encontramos nos Evangelhos: o pescador André, nascido em Bethsaida da Galileia, irmão de Simão Pedro. O Evangelho de João (cap. 1) no-lo mostra com um amigo enquanto segue a pregação do Baptista; o qual, vendo passar Jesus por ele baptizado um dia antes, exclama: "Eis o cordeiro de Deus!" Palavras que imediatamente impelem André e o seu amigo até Jesus: Falam com Ele e André corre, depois, para informar o irmão: "Encontrámos o Messias!" Pouco depois, eis também Simão diante de Jesus; o qual "fixando o olhar sobre ele, disse: 'Tu és Simão, filho de João: chamar-te-ás Cefas'." Esta é a apresentação. Depois vem o chamamento. Os dois irmãos haviam voltado ao seu ofício de pescadores no "mar da Galileia": mas deixam tudo para trás quando chega Jesus e diz: "Segui-me, far-vos-ei pescadores de homens" (Mt. 4, 18-20).

Encontramos, depois, André no grupo restrito - com Pedro, Tiago e João - que, no monte das Oliveiras, "à parte", interroga Jesus sobre os sinais dos últimos tempos: e a resposta é conhecida como o "discurso escatológico" do Senhor, que ensina como devemos nos preparar para a vinda do Filho do Homem, "com grande potência e glória" (Mc 13). O nome de André aparece também no primeiro capítulos dos Actos dos Apóstolos com os dos outros Apóstolos que se dirigiam a Jerusalém depois da Ascensão. 

E depois a Escritura nada mais diz sobre ele, mas dele falam alguns textos apócrifos, ou seja, não canónicos. Um desses, do século II, publicado em 1740 por L. A. Muratori, afirma que André encorajou João a escrever o seu Evangelho. E um texto copto contem esta bênção de Jesus a André: "Tu serás uma coluna de luz no Meu reino, em Jerusalém, a minha cidade predilecta. Amém". 

O historiador Eusébio de Cesarea (ca. 265-340) escreve que André pregou o Evangelho na Ásia Menor e na Rússia meridional. Depois, indo para a Grécia, guiou os cristãos de Patras. E aqui sofre o seu martírio por crucifixão: pendurado com cordas, de cabeça para baixo, em uma cruz em forma de X; aquela dita depois "cruz de Santo André". Isto ocorreu por volta do ano 60 d.C., no dia 30 de novembro.  

Em 357 d.C., os seus restos foram levados para Constantinopla; mas a cabeça, menos um fragmento, continuou em Patras. Em 1206, durante a ocupação de Constantinopla (Quarta Cruzada), o Legado Pontifício Cardeal Capuano, de Amalfi transferiu aquelas relíquias para Itália. E, em 1208, são acolhidas solenemente pelos amalfitanos na cripta de sua Catedral. Quando, em 1460, os Turcos (muçulmanos) invadem a Grécia, a cabeça do Apóstolo é levada de Patras para Roma, onde foi guardada na Basílica de São Pedro, durante cinco séculos.  Isto é até que o Papa Paulo VI, em 1964, tenha devolvido a relíquia à Igreja de Patras. 

in Pale Ideas


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quarta-feira, 29 de novembro de 2017

O Concílio Vaticano II e a Mensagem de Fátima

Rorate Coeli, Corrispondenza Romana (Senza Pagare) e outras publicações católicas reproduziram uma valiosa intervenção de D. Athanasius Schneider sobre a “interpretação do Concílio Vaticano II e a sua relação com a actual crise da Igreja”. De acordo com o Bispo Auxiliar de Astana, o Vaticano II foi um Concílio pastoral e os seus textos devem ser lidos e julgados à luz do ensinamento perene da Igreja.

"Do ponto de vista objectivo, os pronunciamentos do Magistério (Papas e concílios) de carácter definitivo têm mais valor e mais peso frente aos pronunciamentos de carácter pastoral, os quais são, por natureza, mutáveis e temporários, dependentes de circunstâncias históricas ou respondendo às situações pastorais de um determinado tempo, como é o caso com a maior parte dos pronunciamentos do Vaticano II."

Ao artigo de D. Schneider seguiu-se um equilibrado comentário do Padre Angelo Citati, FSSPX, segundo o qual a posição do Bispo alemão se assemelha àquela reafirmada constantemente por D. Marcel Lefebvre: “Dizer que avaliamos os documentos do Concílio ‘à luz da Tradição’ significa, evidentemente, três coisas inseparáveis: que aceitamos aqueles que estão de acordo com a Tradição; que interpretamos segundo a Tradição aqueles que são ambíguos; que rejeitamos aqueles que são contrários à tradição” (Mons. M. Lefebvre, Vi trasmetto quello che ho ricevuto. Tradizione perenne e futuro della Chiesa, editado por Alessandro Gnocchi e Mario Palmaro, Sugarco Edizioni, Milão 2010, p. 91).

Tendo sido publicado no site oficial do Distrito italiano, o artigo do Padre Citati também nos ajuda a compreender qual poderia ser a base para um acordo visando regularizar a situação canónica da Fraternidade São Pio X. Devemos acrescentar que, no plano teológico, todas as distinções podem e devem ser feitas para interpretar os textos do Concílio Vaticano II, que foi um Concílio legítimo: o vigésimo primeiro da Igreja Católica. Dependendo do respectivo teor, esses textos poderão então ser classificados como pastorais ou dogmáticos, provisórios ou definitivos, conformes ou contrários à Tradição.

Nas suas obras mais recentes, Mons. Brunero Gherardini dá-nos um exemplo de como um juízo teológico, para ser preciso, deve ser articulado (Il Concilio Vaticano II un discorso da fare, Casa Mariana, Frigento 2009 e Id., Un Concilio mancato, Lindau, Turim 2011). Para o teólogo, cada texto tem uma qualidade diferente e um grau diverso de autoridade e cogência. Portanto, o debate está aberto.

Do ponto de vista histórico, contudo, o Vaticano II é um bloco inseparável: tem a sua unidade, a sua essência, a sua natureza. Considerado nas suas raízes, no seu desenvolvimento e nas suas consequências, pode ser definido como uma Revolução na mentalidade e na linguagem que mudou profundamente a vida da Igreja, iniciando uma crise religiosa e moral sem precedentes.

Se o juízo teológico pode ser matizado e indulgente, o juízo histórico é implacável e inapelável. O Concílio Vaticano II não foi apenas um Concílio malogrado ou falido: foi uma catástrofe para a Igreja.

Uma vez que este ano marca o centenário das aparições de Fátima, convém debruçar sobre a seguinte questão: quando, em Outubro de 1962, foi inaugurado o Concílio Vaticano II, os católicos de todo o mundo esperavam a revelação do Terceiro Segredo e a Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria. O Exército Azul de John Haffert (1915-2001) liderou durante anos uma maciça campanha nesse sentido.

Haveria melhor ocasião para João XXIII (falecido em 3 de Junho de 1963), Paulo VI e os cerca de 3000 bispos reunidos em torno deles, no coração da Cristandade, corresponderem em uníssono e solenemente aos desejos de Nossa Senhora? A 3 de Fevereiro de 1964, D. Geraldo de Proença Sigaud entregou pessoalmente a Paulo VI uma petição assinada por 510 bispos de 78 países, na qual se implorava que o Pontífice, em união com todos os bispos, consagrasse o mundo, e de maneira explícita a Rússia, ao Imaculado Coração de Maria. O Papa e a maioria dos Padres Conciliares ignoraram o apelo. Se a consagração pedida tivesse sido feita, uma chuva de graças teria caído sobre a humanidade. E um movimento de volta à lei natural e cristã teria iniciado.

O comunismo teria caído com muitos anos de antecedência, de maneira não fictícia, mas autêntica e real. A Rússia ter-se-ia convertido e o mundo teria conhecido uma era de paz e de ordem, como Nossa Senhora prometera. A consagração omitida concorreu para que a Rússia continuasse a espalhar os seus erros pelo mundo, e para que esses erros conquistassem as cúpulas da Igreja Católica, atraindo um castigo terrível para toda a Humanidade. Paulo VI e a maioria dos Padres Conciliares assumiram uma responsabilidade histórica, cujas consequências bem podemos hoje medir.

Roberto de Mattei in 'Corrispondenza Romana' (Tradução: Fratres In Unum)


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terça-feira, 28 de novembro de 2017

Papa Francisco na Birmânia




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Carta dirigida por dezenas de fiéis ao Sínodo Diocesano

Há 1 ano estava prestes a começar o Sínodo Diocesano 2016 do Patriarcado de Lisboa. Aproveitando a recomendação que a Igreja faz para que os leigos apresentem propostas concretas aos seus Pastores, um grupo de fiéis escreveu uma carta dirigida ao Sínodo. O grupo era constituído por várias dezenas de pessoas, das mais variadas profissões como diplomatas, médicos, professores, advogados, engenheiros, e também muitos estudantes de diversas áreas. 

Na esperança que esta carta possa servir para o bem espiritual dos católicos em geral fica aqui publicada 'ad perpetuam rei memoriam'.


Lisboa, 27 de Novembro de 2016

Eminência Reverendíssima, Senhor D. Manuel Cardeal Clemente, Patriarca de Lisboa,
Excelências Reverendíssimas, Senhores Bispos Auxiliares de Lisboa,
Reverendos Padres,
Excelentíssimos Senhores,

Laudetur Iesus Christus!

Começam neste dia 27 de Novembro do ano de 2016, primeiro Domingo do Advento, os trabalhos do Sínodo Diocesano da nossa diocese de Lisboa. É uma data que não chega imprevista, e que vem sendo preparada com a oração de todos. Fruto dessa oração, e procurando corresponder àquilo que o Senhor Jesus suscita nas nossas vidas, este grupo de fiéis decidiu dirigir ao Venerando Sínodo as palavras que se seguem.

Cumpre, primeiro, uma introdução sobre os subscritores desta carta. Somos mulheres e homens leigos, jovens e adultos, solteiros ou casados, de várias paróquias do Patriarcado de Lisboa, que têm em comum o facto de fazerem uma experiência de Fé comprometida, iluminada pela Tradição da Igreja.

Foi em atitude de esperança orante que recebemos o Documento de Trabalho (doravante, “DT”), datado de Julho de 2016, que expõe as principais conclusões dos grupos de trabalho preparatórios do Sínodo e, como tal, determinará o tom dos trabalhos conclusivos. Escrevemos esta carta movidos por grande amor à Igreja Universal, e à nossa Igreja de Lisboa, e cientes da grande responsabilidade que como leigos também temos no destino desta, em particular conscientes da permissão canónica dada aos leigos de «expor aos Pastores da Igreja as suas necessidades, sobretudo espirituais, e os seus anseios» e do «direito e mesmo por vezes [d]o dever, de manifestar aos sagrados Pastores a sua opinião acerca das coisas atinentes ao bem da Igreja». Escrevemos, por isso, com filial devoção ao Senhor Patriarca, aos seus Bispos Auxiliares, ao Cabido e Presbiterado da Diocese, e com fraterna caridade para com todos os nossos irmãos em Cristo Jesus.

O Sínodo decorre sob o mote «O sonho missionário de chegar a todos», retirado da exortação apostólica Evangelii Gaudium do Santro Padre, o Papa Francisco. É certamente louvável e cristão sonhar com a verdadeira catolicidade da Igreja, isto é, que a Santa Madre, Nossa Mãe, tenha no seu seio todos os homens à face da Terra. Mas mais ainda, corresponde à esperança cristã a ideia certa de converter toda a Terra, mandada por Jesus quando disse aos discípulos «Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo» (Mt 28, 19). Por isso, bem entendido, o sonho missionário de chegar a todos é o desejo sincero de dar a conhecer a todos Cristo, para que se salvem.

Assim se há de «escutar o mundo e olhar a Igreja» (DT, I.). Escutar o mundo para auscultar as suas necessidades, os seus gritos de desespero pela distância face a Deus e pela ignorância da invencível misericórdia que é a conversão à vida da graça. Jesus avisou-nos que no mundo haverá tribulações (Jo 16, 33), daí almejarmos o Céu e sermos peregrinos na Terra, exilados enquanto não chegamos à Jerusalém celeste. É por isso fundamental que fique em tudo sempre claro que «os cristãos habitam no mundo, mas não são do mundo». Haverá então que escutar o mundo para o resgatar para Cristo, e não para nos mundanizarmos. Foi aliás este estar no mundo sem ser do mundo que permitiu aos Cristãos, ao longo dos séculos, conviver com todas as culturas e tradições, instaurando tudo em Cristo.

Esse grupo de peregrinos é, de facto, a Igreja numa das suas manifestações clássicas, de Igreja Militante. Não se pode, portanto, olhar a Igreja sem esquecer a Igreja Triunfante que por nós vela no Céu, e a Igreja Padecente que conta com os nosso méritos e intercessão para abreviar o tempo de purga. As três Igrejas – se assim se pode dizer – são no conjunto o Corpo de Jesus, do qual Cristo é a cabeça. Somos por isso constantemente convidados a tornar visível esse Corpo através de uma unidade real, com a Verdade como cabeça, que expresse uma própria catolicidade, unidade que não se há de verificar apenas no agora, mas que contempla unidade com todo o passado eclesial e com o futuro. Destarte, não podemos chamar-nos Igreja Corpo de Cristo se formos uma comunidade irreconhecível para os nossos antepassados, e que julga possível tornar--se irreconhecível aos futuros cristãos. 

É por isso fundamental que pulse neste Corpo uma identidade eficaz em fazer reconhecer, aos cristãos, que comungam todos da mesma Fé. Tal nunca foi problemático para a Igreja: a Tradição, unida ao Magistério e à Escritura, sempre foi a forma privilegiada de garantir sem dúvidas que os cristãos trilham o mesmo caminho que foi trilhado pelos seus antepassados, numa cadeia cronologicamente referenciada a’O Caminho, como de Si próprio disse ser Cristo. Parece-nos por isso de grande relevância que o Sínodo contemple qual o valor dado hoje à Tradição na nossa diocese.

Estamos em crer que o alheamento da Tradição provocou as reconhecidas, entre os fiéis, «debilidades quanto à sua iniciação à oração e à vida sacramental» ou «dificuldades em passar da catequese de infância a uma opção de vida cristã assumida e amadurecida; fragilidades em comunicar a alegre experiência do seguimento de Cristo» (DT, §17). A Tradição da Igreja é rica em formas de enraizar hábitos de oração, como o Santo Rosário, e em criar uma rica vida sacramental, pela activa e devota participação na Santa Missa. Com efeito, a experiência tem provado que é necessário incrementar uma activa adesão espiritual aos Mistérios Sagrados, que ultrapassa em muito a actividade física dos leigos envolvidos na Eucaristia, e que propõe a cada vez maior identificação com Cristo.

Outrossim, a Tradição da Igreja contém um manancial de doutrina formadora e conformadora da alma. Apoiando-nos no projecto patriarcal de conferir a Crisma na idade púbere, convém que a administração deste sacramento signifique uma verdadeira idade adulta da alma. Ora, como tal, a catequese tem de ser o móbil desse amadurecimento, pelo que será bom ponderar até onde é útil manter um estilo catequético infantil e que priva as crianças e jovens das verdades da Fé.

É por isso incompreensível que soluções testadas para problemas de sempre sejam negligenciadas, e por isso pedimos ao Venerando Sínodo que tenha em devida conta o valor da Tradição na vida da Igreja.

Em particular, não nos podemos esquecer da espiritualidade litúrgica que formou tantos santos e incontáveis gerações de cristãos, a qual o Papa Emérito Bento XVI restaurou ao seu devido lugar pelo Motu Proprio Summorum Pontificum (2007), que está ainda longe de realizar na nossa diocese. Em toda a Europa se tem assistido a um revitalizar da devoção eucarística e da frequência dos sacramentos, aliadas a um compromisso efectivo com a vida da graça e concretizadas em copiosos frutos de famílias santas e vocações abundantes, pelo convívio das duas formas do Rito Romano. 

Assim, gostaríamos de propor ao Sínodo que considerasse a possibilidade de, generosamente, concretizar os desejos do Papa Emérito, especialmente aos Domingos, o dia do Senhor. É especialmente relevante que, numa diocese com a vastidão geográfica do Patriarcado, a Santa Missa na Forma Extraordinária do Rito Romano possa estar disponível em algumas igrejas facilmente acessíveis pelos fiéis, e em horários que respeitem os ritmos próprios da vida familiar, de trabalho e de estudo.

Mais ainda, julgamos crucial escutar os apelos do Santo Padre Francisco, e tornar o sacramento da confissão mais disponível em toda a diocese, ministrado por sacerdotes com recta formação moral e humana, e com provada vida espiritual, que sejam imagem de Cristo, Rei de Misericórdia.

Finalmente, é importante salientar que apenas construindo a ponte entre o que sempre foi a Igreja, na sua liturgia, na doutrina entregue aos e pelos apóstolos e transmitida pela sucessão do depósito da fé, e na moral, podemos fazer Cristo reinar no coração de todos. Assim, poderemos actualizar a Igreja naquilo que ela sempre foi. Como diz o DT, «Só encontrando-se com a verdade do que é e tem sido a sua ação poderá esta “porção do Povo de Deus” encetar os caminhos novos que os desafios atuais lhe pedem e a que o Espírito de Deus a quer conduzir».

Asseguramos todos os que participam no Sínodo das nossas constantes orações pelos bons frutos.


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segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Nossa Senhora das Graças e a Medalha Milagrosa

A aparição de Nossa Senhora das Graças ocorreu no dia 27 de Novembro de 1830 a Santa Catarina Labouré, irmã de caridade (religiosa de S.Vicente Paulo). A santa encontrava-se em oração na capela do convento, em Paris (rua du Bac), quando a Virgem Santíssima lhe apareceu.

Tratava-se de uma "Senhora de mediana estatura, o seu rosto tão belo e formoso... Estava de pé, com um vestido de seda, cor de branco-aurora. Cobria-lhe a cabeça um véu azul, que descia até os pés... As mãos estenderam-se para a terra, enchendo-se de anéis cobertos de pedras preciosas ..." A Santíssima Virgem disse: "Eis o símbolo das graças que derramo sobre todas as pessoas que mas pedem...".

Formou-se então em volta de Nossa Senhora um quadro oval, em que se liam em letras de ouro estas palavras: "Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós". Nisto voltou-se o quadro e eu vi no reverso a letra M encimada por uma cruz, com um traço na base. Por baixo, os Sagrados Corações de Jesus e Maria - o de Jesus cercado por uma coroa de espinhos e a arder em chamas, e o de Maria também em chamas e atravessado por uma espada, cercado de doze estrelas. 

Ao mesmo tempo ouvi distintamente a voz da Senhora a dizer-me: "Manda, manda cunhar uma medalha por este modelo. As pessoas que a trouxeram por devoção hão de receber grandes graças.

O Arcebispo de Paris Dom Jacinto Luís de Quélen (1778-1839) aprovou, dois anos depois, em 1832, a medalha pedida por Nossa Senhora; em 1836 exortou todos os fiéis a usarem a medalha e a repetir a oração gravada em torno da Santíssima Virgem: "Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós."

Esta piedosa medalha - segundo as palavras do Papa Pio XII - "foi, desde o primeiro momento, instrumento de tão numerosos favores, tanto espirituais como temporais, de tantas curas, protecções e sobretudo conversões, que a voz unânime do povo lhe chamou desde logo Medalha Milagrosa". 

in EAQ


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Somos a geração pró-vida!



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domingo, 26 de novembro de 2017

"Separar o Estado da Igreja é um erro pernicioso" São Pio X, Papa

Separar o Estado da Igreja é um erro pernicioso

6. Que seja preciso separar o Estado da Igreja é esta uma tese absolutamente falsa, um erro perniciosíssimo. Com efeito, baseada nesse princípio de que o Estado não deve reconhecer nenhum culto religioso ela é, em primeiro lugar, em alto grau injuriosa para com Deus; porquanto o Criador do homem também é o Fundador das sociedades humanas, e conserva-as na existência como nos sustenta nelas. Devemos-lhe, pois, não somente um culto privado, mas um culto público e social para honrá-lo.

7. Além disto, essa tese é a negação claríssima da ordem sobrenatural. De feito, ela limita a acção do Estado à simples demanda da prosperidade pública durante esta vida, a qual não passa da razão próxima das sociedades políticas; e, como que lhe sendo estranha, de maneira alguma se ocupa da razão última delas, que é a beatitude eterna proposta ao homem quando esta vida, tão curta, houver findado. E, no entanto, achando-se a ordem presente das coisas, que se desenrola no tempo, subordinada à conquista desse bem supremo e absoluto, não somente o poder civil não deve obstar a essa conquista, mas deve ainda ajudar-nos nela.

8. Essa tese subverte igualmente a ordem muito sabiamente estabelecida por Deus no mundo, ordem que exige uma harmoniosa concórdia entre as duas sociedades. Essa duas sociedades, a sociedade religiosa e a sociedade civil, têm, com efeito, os mesmos súbditos, embora cada uma delas exerça na sua esfera própria a sua autoridade sobre eles. Daí resulta forçosamente que haverá muitas matérias que elas ambas deverão conhecer, como sendo da alçada de ambas. Ora, venha a desaparecer o acordo entre o Estado e a Igreja, e dessas matérias comuns pulularão facilmente os germes de contendas, que se tornarão agudíssimos dos dois lados; a noção da verdade será, com isso, perturbada, e as almas ficarão cheias de grande ansiedade.

9. Finalmente, essa tese inflige graves danos à própria sociedade civil, pois esta não pode prosperar nem durar muito tempo quando não se dá nela o seu lugar à religião, regra suprema e soberana senhora quando se trata dos direitos do homem e dos seus deveres.

Os Pontífices sempre condenaram a separação entre a Igreja e o Estado

10. Por isto, não têm os Pontífices romanos, segundo as circunstâncias e segundo os tempos, cessado de refutar e de condenar a doutrina da separação entre a Igreja e o Estado. Notadamente o Nosso ilustre Predecessor Leão XIII várias vezes e magnificamente expôs o que, consoante a doutrina católica, deveriam ser as relações entre as duas sociedades. Entre elas, disse ele, "cumpre necessariamente que uma sábia união intervenha, união que se pode, não sem justeza, comparar à que reúne no homem a alma e o corpo." (Quaedam intercedat necesse est ordinata colligatio inter illas, quae quidem conjunctioni non immerito comparatur, per quam anima et corpus in homine copulantur)

E acrescenta ainda: "As sociedades humanas não podem, sem se tornarem criminosas, comportar-se como se Deus não existisse, ou recusar preocupar-se com a religião, como se esta lhes fosse coisa estranha ou que de nada lhes pudesse servir... Quanto à Igreja, que tem por autor o próprio Deus, excluí-la da vida activa da nação, das leis, da educação da juventude, da sociedade doméstica, é cometer um grande e pernicioso erro." (Civitates non possunt, citra scelus, gerere se tanquam si Deus omnio non esset, aut curam religionis velut alienam nihilque profuturam, abjicere... Ecclesiam vero, quam Deus ipse constituit, ab actione vitae excludere, a legibus, ab institutione adolescentium, a societate domestica, magnus et perniciosus est error) - Immortale Dei, 1. XI. 1885. D. P. 14, n. 19, 11 e 39)

São Pio X, Papa in Carta Encíclica 'Vehementer Nos'


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Que se estabeleça o Reinado de Cristo na nossa Pátria

A festa de Cristo Rei foi estabelecida para que Cristo volte a reinar na vida pública e social dos povos. Porque faz cerca de três séculos os abandeirados do laicismo vêm trabalhando para suprimir Cristo da vida pública e social das nações. E por desgraça vão conseguindo muito, até o ponto de que as legislações, os governos e as instituições dos povos se abstêm de reconhecer a supremacia de Cristo.

De uma maneira especial no nosso país o laicismo tem alcançado fortes e grandes vitórias. Afastaram Cristo das leis, das escolas, dos parlamentos, das cátedras, da imprensa, da via pública, em uma palavra, de todos os pontos dominantes da vida pública e social. E hoje se trata de restabelecer o reinado público de Cristo, sobre os despojos do laicismo totalmente fracassado como sistema de vida, de política, de governo e de orientação para os povos.

O importante da festa de Cristo Rei não consiste somente em que se proclama - como se vai proclamar - Rei soberano da vida pública e social. Não, porque se a proclamação da realeza de Cristo é coisa soberanamente importante, mais importante ainda é que nós católicos entendamos nossas responsabilidades diante do reinado de Cristo.

Porque Cristo não necessita de nós para fundar o seu reinado e para expandi-lo por todo o mundo; mas se não necessita de nós, nem de nossos esforços, sem dúvida, tem querido estabelecer o seu reinado por meio dos nossos esforços, das nossas lutas e das nossas batalhas. E isto temos que reforçá-lo hoje. Porque se nós católicos seguimos desorientados neste ponto corremos o perigo de que jamais se estabeleça o reinado de Cristo na nossa Pátria.

Devemos, pois, ter entendido que Deus, que Cristo, pede, exige, quer que cada um de nós, na medida das suas forças, trabalhe veementemente para estabelecer o reinado de Cristo na vida pública. E isto não se conseguirá acastelado dentro das nossas igrejas e dentro dos nossos lares. O reinado público de Cristo exige que nós católicos façamos sentir a acção do nosso pensamento, da nossa palavra, da nossa caneta, dos nossos trabalhos de organização e propaganda. E isto deve ser feito na vida pública, em pleno sol, em plena via pública, até os quatros ventos e deve ser feito por todos.

Porque todos, absolutamente todos os católicos podemos e devemos fazer algo para restabelecer o reinado de Cristo; uns de uma forma, outros de outra; uns com seu talento, outros com seu esforço; mas todos devemos procurar desde hoje fazer algo sério, constante e coordenado para o restabelecimento público de Cristo.

Hoje proclamamo-lo Rei, reconhecemo-lo como Rei; mas necessitamos jurar que deixaremos as nossas velhas atitudes de múmias de sacristia e de enterrados vivos nos nossos lares; a partir deste dia glorioso faremos com que todas as forças católicas desemboquem na via pública para que Cristo reine na imprensa, no livro, na escola, nas organizações, nas instituições, em uma palavra: na metade do coração do povo e na metade de todas as correntes de nossa vida pública e social.

Beato Anacleto González Flores in 'El plebiscito de los mártires'


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sábado, 25 de novembro de 2017

Milícias cristãs na Síria veneram Nossa Senhora do Perpétuo Socorro



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S. Tomás de Aquino, a vida em Sociedade e os deveres do Rei

Os seres humanos agrupam-­se para que juntos vivam bem, algo que cada um isoladamente não poderia conseguir. Ora, a boa vida é aquela segundo a virtude. A vida virtuosa é, portanto, o fim em virtude do qual os seres humanos passam a viver conjuntamente. Isso é comprovado pelo facto de que somente aqueles que se auxiliam mutuamente no bem viver são participantes da colectividade. 

Caso os seres humanos se associassem unicamente para o viver, os animais também integrariam a comunidade civil. Se a associação fosse apenas para a obtenção de riquezas, todos os comerciantes pertenceriam a uma única cidade. Agora, vemos que somente podem ser computados numa mesma colectividade aqueles que sob as mesmas leis e governo são dirigidos ao bem viver.

Entretanto, ao viver de acordo com a virtude, o ser humano é ordenado a um fim superior, que consiste na fruição divina, como acima mostramos. Ora, é preciso que o fim para a colectividade seja o mesmo que para o indivíduo. Portanto, o fim da colectividade não pode ser o viver de acordo com a virtude, mas, através da vida virtuosa, alcançar a fruição divina. 

Ora, dado que o fim da vida que aqui bem vivemos é a beatitude celeste, então pertence ao dever do Rei buscar as coisas necessárias à boa vida da colectividade e que estão de acordo com a beatitude celeste. Assim, ele deve, dentro do possível, incentivar o que conduz à beatitude celeste e proibir o contrário.

São Tomás de Aquino in 'De Regno' (Civitas Editions, 2010)


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sexta-feira, 24 de novembro de 2017

A Missa Tradicional atrai os jovens à Igreja



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Quando um Papa veio do Purgatório pedir orações a uma Santa

Muitos cristãos passarão primeiro pelo Purgatório, a fim de serem purificados e poderem entrar sem mácula na presença santíssima de Deus.

O Papa Inocêncio III, pontífice de 1198 até 1216, foi um dos papas mais influentes da História. Foi ele que concedeu a São Francisco de Assis e ao seu pequeno grupo de seguidores a permissão para fundar a Ordem dos Frades Menores. Foi ele que convocou o IV Concílio de Latrão, no qual foi definida dogmaticamente a doutrina da transubstanciação (embora já fosse uma verdade de fé desde o início da Igreja). Desenvolveu ainda grandes esforços para combater as heresias na Europa e repelir a invasão das hordas muçulmanas. Em parte, a sua grande energia devia-se a ter sido eleito Papa com 37 anos de idade.

No entanto, após 18 anos como pontífice, ele morreu de repente. E esta não foi a última notícia que se teve dele.

No dia no que o Papa Inocêncio III morreu, ou pouco depois, ele apareceu a Santa Lutgarda de Aywieres, na Bélgica. Santa Lutgarda é considerada uma das grandes místicas do século XIII, conhecida pelos seus milagres, visões, levitação e grande talento para ensinar.

Quando o Papa Inocêncio apareceu agradeceu-lhe orações oferecidas durante a sua vida e explicou que não tinha ido directamente para o Céu. Estava no Purgatório, a sofrer a purificação por três faltas específicas que tinha cometido durante a sua vida. Inocêncio III pediu a Santa Lutgarda que orasse por ele e, a respeito do Purgatório, disse:

“É terrível! A minha pena durará o equivalente a séculos se não me ajudares. Em nome de Maria, que me obteve o favor de recorrer a ti, ajuda-me!”

Quando um um católico morre pode ir directamente para o Céu se não tiver nenhuma pena a pagar pelos seus pecados. Muitos, porém, passarão primeiro pelo Purgatório, a fim de serem purificados e poderem entrar sem mácula na presença Santíssima de Deus.

As almas que chegam ao Purgatório já não podem conseguir pelos próprios méritos livrar-se da pena da purificação. Mas nós, que ficamos neste mundo, podemos oferecer orações e penitências para aliviar o seu sofrimento. Quanto tempo devemos rezar e fazer sacrifícios por uma alma em particular? Não sabemos, mas Santo Agostinho escreveu nas suas Confissões, 10 a 15 anos depois da morte da sua mãe, Santa Mónica, que ainda pedia orações por ela.

Não existe o tempo no mundo espiritual, mas o Purgatório pode “durar” o equivalente a muitos anos do mundo material, até que a alma repare as consequências dos seus pecados já perdoados. Oremos sempre a Deus Pai para que tenha em conta as nossas orações e sacrifícios de modo a abrandar as penas das almas do Purgatório.

adaptado de Aleteia


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Mais de 50 mil seguem a página Senza Pagare

E eis que ultrapassámos os 50 mil likes/gostos/curtidas no facebook! Para quem não conhece, a página é esta: https://www.facebook.com/senzapagare

Agradecemos a todos os nossos seguidores por todo o carinho que demonstram em relação ao nosso trabalho (sim, o Senza dá trabalho) e especialmente por rezarem por nós. Contem também com as nossas orações e com o nosso trabalho constante nesta página para que amemos Deus acima de todas as coisas e, por causa d'Ele, aos outros como a nós mesmos. 

 Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo!


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quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Milagre: Bispo português fala sobre Liturgia

Estamos habituados a que os nossos amados Bispos se pronunciem contra o aquecimento global, contra o desemprego, contra a pobreza, contra a crise económica, contra a banca, contra os empresários e em relação a todo o mainstream das causas sociais, mas muito dificilmente ouvimos qualquer mensagem sobre a glória que deve ser dada a Deus e a importância da salvação das almas, que afinal de contas são as duas missões primeiras da Igreja Católica. 

Não que as causas sociais não sejam importantes, mas de vez em quando fazia-nos bem que os nossos amados Bispos nos ensinassem também a importância da saúde da alma (confissão regular), a vida de oração (diária e a obrigação da Missa Dominical), vida de penitência (que Nossa Senhora pediu em Fátima há 100 anos), entre outras coisas com que os Bispos se ocuparam a falar aos fiéis ao longo dos séculos.

Parêntesis para referir uma honrosa excepção de seu nome D. Nuno Brás, que se pronuncia sobre vários temas que os outros Bispos calam. Não nos esquecemos que D. Nuno foi o único Bispo português a denunciar a viagem da freira "contemplativa" Teresa Forcades a Portugal para apresentar o seu livro 'A Teologia Feminista na História', que conta com o prefácio do Pe. Tolentino Mendonça. Convém mencionar que a Irmã Forcades defende publicamente o aborto, o "casamento" entre pessoas do mesmo sexo, o sacerdócio feminino entre outras ideias incompatíveis com a doutrina da Igreja.

Voltando ao tema, quem ousou afrontar o tema da Liturgia foi D. Manuel Linda, Bispo das Forças Armadas. O texto encontra-se na revista da inevitável Agência Ecclesia (que se deu ao luxo de usar uma fotografia nossa sem permissão) e refere-se do seguinte modo à Missa Tradicional celebrada pelo Cardeal Burke no Santuário de Fátima:

"(...)uma notória involução, a um evidente revanchismo, a um comovedor conservadorismo que está a grassar por determinadas franjas da Igreja e cuja expressão mais patética aconteceu, há dias, onde seria mais imprevisível.

Latins e latinórios, rendinhas e rendilhados, vénias e salamaleques, por si sós, nem aquecem nem arrefecem. Mas a celebração a que me reporto terá feito mais mal à Igreja do que muitas conjuras subterrâneas ou certas orquestrações noticiosas. 

É que, enquanto nós os que nos esforçamos por caminhar «com Pedro e sob Pedro», falamos em «descer» ao nível dos fiéis, em Igreja como hospital de campanha, lama agarrada aos sapatos para percorrer os caminhos do mundo, cheiro das ovelhas, princípio da misericórdia, casa do acolhimento e do lava-pés…, andam por aí uns pavões de cauda armada que, invocando a mesma Igreja, só conhecem a linguagem dos gestos barrocos e bacocos, os rituais mais esotéricos e uma indumentária de circo composta por capas magnas estapafúrdias, caudatários e vimpas, cáligas e alamares, luvas e chirotecoes, ouro e diamantes. Tudo para maior honra e glória… deles. Que não de Nosso Senhor Jesus Cristo."

Se alguém considerar que esta forma de um Bispo falar de um Cardeal é incorrecta pode enviar um email para a Nunciatura Apostólica: nuntius@nunciatura.pt . 


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quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Será o Celibato uma vida de repressão sexual?

Recentemente, um "ex-Padre" Católico apareceu no programa da Oprah para defender a sua escolha de deixar o seu ministério para se casar. Este padre combateu o seu desejo por esta mulher durante vários anos e finalmente decidiu que as suas únicas opções eram casar-se com ela ou reprimir os seus desejos sexuais. De facto, como anunciou à audiência internacional, a “repressão” é a única escolha para quem permanece celibatário.

Será isto verdade? Será que as nossas únicas opções no que diz respeito ao desejo sexual são “ceder” ou “reprimir”? De certeza que para um mundo dominado pela luxúria sexual, o celibato vitalício parece absurdo. A atitude geral do mundo em relação ao celibato Cristão pode resumir-se a isto: “Olhem, o casamento é a única hipótese “legítima” que vocês, os Cristãos, têm de satisfazer os vossos desejos sexuais. Porque diabo haviam de desperdiçar isso? Iriam condenar-se a uma vida de repressão sem esperança.”

A diferença entre casamento e celibato, no entanto, nunca deve ser entendida como a diferença entre ter uma saída legítima para o desejo sexual por um lado e ter de o reprimir por outro. Cristo chama todos – independentemente da sua vocação particular – à experiência da redenção pelo domínio da concupiscência. Apenas nesta perspectiva é que as vocações cristãs (casamento e celibato) fazem sentido. Ambas as vocações – se forem vividas como Cristo pretende – decorrem da mesma experiência da redenção da sexualidade.

Em primeiro lugar, o casamento não é uma saída legítima para satisfazer os desejos sexuais. Como o Papa João Paulo II uma vez realçou, os esposos podem cometer “adultério no coração” um com o outro se se tratam um ao outro apenas como um escape para a auto-gratificação. Sei que é um cliché mas porque é que tantas mulheres se queixam de dores de cabeça quando os seus maridos querem sexo? Será porque se sentem usadas em vez de amadas? É a isto que a luxúria conduz: à utilização das pessoas, não a amá-las.

A libertação do domínio da concupiscência – essa desordem dos afectos causada pelo pecado original – é essencial, ensina-nos João Paulo II, se queremos viver as nossas vidas “na verdade” e experimentar o plano divino para o amor humano. De facto, o ethos sexual cristão “está sempre associado… com a libertação do coração do domínio da concupiscência”. E essa libertação é igualmente essencial para os que vivem o celibato consagrado, os solteiros ou os casados. 

É precisamente essa liberdade que nos permite descobrir o que João Paulo II chamou a “pureza amadurecida”. Na pureza amadurecida “O homem apercebe-se dos frutos da vitória sobre a concupiscência”. Esta vitória é gradual e certamente permanece frágil aqui na terra, mas não deixa de ser real. Para os que são agraciados com os seus frutos, um mundo novo abre-se – uma nova forma de ver, pensar, viver, falar, amar, rezar. 

O acto conjugal torna-se uma experiência de contacto com o sagrado, impregnada de graça, em vez de uma grosseira satisfação do instinto. E o celibato cristão torna-se uma forma libertadora de viver a sexualidade como “um dom total de si” por Cristo e pela Sua Igreja.

João Paulo II observou que o celibatário tem de submeter “a tendência para o pecado da sua humanidade aos poderes que fluem do mistério da redenção do corpo… tal como qualquer outra pessoa faz”. É por esta razão, indica ele, que a vocação ao celibato não é apenas uma questão de formação, mas de transformação. A pessoa que vive esta transformação não está dominada pela necessidade de ceder aos seus desejos. Está livre com o que João Paulo II chamou a “liberdade do dom”. Isto significa que os desejos não controlam a pessoa; mas é a pessoa que controla os seus desejos.

Resumindo, a verdadeira liberdade sexual não é a liberdade de ceder às compulsões, mas liberdade da compulsão de ceder. Apenas uma pessoa com essa liberdade é capaz de fazer de si um dom livre no amor… tanto no casamento, como numa vida de devoção consagrada a Cristo e à Igreja. Porque a pessoa que é livre desta forma, sacrificando a expressão genital da sua sexualidade por um bem tão grande como as Núpcias Eternas de Cristo com a Igreja, não só se torna uma possibilidade, mas até bastante atraente.

Christopher West


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A vida e martírio de Santa Cecília, padroeira dos músicos



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terça-feira, 21 de novembro de 2017

Nossa Senhora de Fátima pediu o Terço todos os dias mas...e a Missa diária?

A Irmã Lúcia responde a uma pergunta que lhe foi feita muitas vezes desde que Nossa Senhora lhe apareceu em Fátima: 

Qual terá sido o motivo por que Nossa Senhora nos mandou rezar o Terço todos os dias, e não mandou ir todos os dias assistir e tomar parte na Santa Missa?

Trata-se de uma pergunta que me tem sido feita muitas vezes, e à qual gostava de dar resposta agora. Certeza absoluta do porquê não a tenho, porque Nossa Senhora não o explicou e a mim também não me ocorreu de Lho perguntar. Digo, por isso, simplesmente o que me parece e me é dado compreender a este respeito. Na verdade, a interpretação do sentido da Mensagem deixo-a inteiramente livre à Santa Igreja, porque é a Ela que pertence e compete; por isso, humildemente e de boa vontade me submeto a tudo o que Ela disser e quiser corrigir, emendar ou declarar.

A respeito da pergunta acima feita, penso que Deus é Pai; e como Pai acomoda-se às necessidades e possibilidades dos Seus filhos. Ora, se Deus, por meio de Nossa Senhora, nos tivesse pedido para irmos todos os dias participar e comungar na Santa Missa, por certo haveria muitos a dizerem, com justo motivo, que não lhes era possível. Uns, por causa da distância que os separa da igreja mais próxima onde se celebra a Eucaristia; outros, porque não lho permitem as suas ocupações, os seus deveres de estado, o emprego, o seu estado de saúde, etc. Ao contrário, a oração do Terço é acessível a todos, pobres e ricos, sábios e ignorantes, grandes e pequenos.

Todas as pessoas de boa vontade podem e devem, diariamente, rezar o seu Terço. E para quê? Para nos pormos em contacto com Deus, agradecer os Seus benefícios e pedir-Lhe as graças de que temos necessidade. É a oração que nos leva ao encontro familiar com Deus, como o filho que vai ter com o seu pai para lhe agradecer os benefícios recebidos, tratar com ele os seus assuntos particulares, receber a sua orientação, a sua ajuda, o seu apoio e a sua bênção.

Dado que todos temos necessidade de orar, Deus pede-nos, digamos como medida diária, uma oração que está ao nosso alcance: a oração do Terço, que tanto se pode fazer em comum como em particular, tanto na igreja diante do Santíssimo como no lar em família ou a sós, tanto pelo caminho quando de viagem como num tranqüilo passeio pelos campos. A mãe de família pode rezar enquanto embala o berço do filho pequenino ou trata do arranjo de casa. O nosso dia tem vinte e quatro horas...não será muito se reservarmos um quarto de hora para a vida espiritual, para o nosso trato íntimo e familiar com Deus!

Por outro lado, eu creio que, depois da oração litúrgica do Santo Sacrifício da Missa, a oração do santo Rosário ou Terço, pela origem e sublimidade das orações que o compõem e pelos mistérios da Redenção que recordamos e meditamos em cada dezena, é a oração mais agradável que podemos oferecer a Deus e de maior proveito para as nossas almas. Se assim não fosse, Nossa Senhora não o teria recomendado com tanta insistência.

Ao dizer Rosário ou Terço, não quero significar que Deus necessite que contemos as vezes que Lhe dirigimos as nossas súplicas, os nossos louvores ou agradecimentos. Certamente Deus não precisa que os contemos: n''Ele tudo está presente! Mas nós precisamos de os contar, para termos a consciência viva e certa dos nossos actos e sabermos com clareza se temos ou não cumprido o que nos propusemos oferecer a Deus cada dia, para preservarmos e aumentar o nosso trato de directa convivência com Deus, e, por esse meio, conservarmos e aumentarmos em nós a fé, a esperança e a caridade.

Direi ainda que, mesmo aquelas pessoas que têm possibilidade de tomar parte diariamente na Santa Missa, não devem, por isso, descuidar-se de rezar diariamente o seu Terço. Bem entendido que o tempo apropriado para a oração do Terço não é aquele em que toma parte na Santa Missa. Para estas pessoas, a oração do Terço pode considerar-se uma preparação para melhor participarem da Eucaristia, ou então como uma ação de graças pelo dia afora.

Não sei bem, mas do pouco conhecimento que tenho do trato directo com as pessoas em geral, vejo que é muito limitado o número das almas verdadeiramente contemplativas que mantêm e conservam um trato de íntima familiaridade com Deus que as prepare dignamente para a recepção de Cristo, na Eucaristia. Assim, também para estas, se torna necessária a oração vocal, o mais possível meditada, ponderada e reflectida, como o deve ser o Terço.

Há muitas e belas orações que bem podem servir de preparação para receber Cristo na Eucaristia e para manter o nosso trato familiar de íntima união com Deus. Mas não me parece que encontremos alguma mais que se possa indicar e que melhor sirva para todos em geral, como a oração do Terço ou Rosário. Por exemplo, a oração da Liturgia das Horas é maravilhosa, mas não creio que possa ser acessível a todos, nem que alguns dos salmos recitados possam ser bem compreendidos por todos em geral. É que requer uma certa instrução e preparação que a muitos não se pode pedir.

Talvez por todos estes motivos e outros que nós não conhecemos, Deus, que é Pai e compreende melhor do que nós as necessidades dos Seus filhos, quis pedir a reza diária do Terço condescendendo até ao nível simples e comum de todos nós para nos facilitar o caminho do acesso a Ele.

Enfim, tendo presente o que nos tem dito, sobre a oração do Rosário ou Terço, o Magistério da Igreja ao longo dos anos - alguma coisa vos recordarei mais adiante -, e o que Deus, por meio da Sua Mensagem, tanto nos recomenda, podemos pensar que aquela é a fórmula de oração vocal que a todos, em geral, mais nos convém, e da qual devemos ter sumo apreço e na qual devemos pôr o melhor empenho para nunca a deixar. Porque melhor do que ninguém, sabem Deus e Nossa Senhora aquilo que mais nos convém e de que temos mais necessidade. E será um meio poderoso para nos ajudar a conservar a fé, a esperança e a caridade.

Mesmo para as pessoas que não sabem ou não são capazes de recolher o espírito a meditar, o simples ato de tomar as contas na mão para rezar é já um lembrar-se de Deus, e o mencionar em cada dezena um mistério da vida de Cristo é já recordá-los, e esta recordação deixará acesa nas almas a terna luz da fé que sustenta a mecha que ainda fumega, não permitindo assim que se extinga de todo.

Pelo contrário, os que abandonam a oração do Terço e não tomam diariamente parte no Santo Sacrifício da Missa, nada têm que os sustente, acabando por se perderem no materialismo da vida terrena.

Assim, o Rosário ou Terço é a oração que Deus, por meio da Sua Igreja e de Nossa Senhora, nos tem recomendado com maior insistência para todos em geral, como caminho e porta de salvação: «Rezem o Terço todos os dias» (Nossa Senhora, 13 de Maio de 1917).

Irmã Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado in 'Apelos da Mensagem de Fátima' (Edição: Secretariado dos Pastorinhos, Fátima - Portugal - 2000, págs. 115-124


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Apresentação de Nossa Senhora no Templo

Bendita a Vossa Pureza!
Eternamente bendita!
Que até Deus Se delicia
Com tão graciosa beleza!
A Vós, celeste Princesa
Sagrada Virgem Maria
Vos ofereço neste dia
Alma, vida e coração!
Olhai-me com compaixão!
Não me deixeis, ó Maria!


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segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Ordenações Sacerdotais na Fraternidade de São Pedro

A Fraternidade Sacerdotal de São Pedro (FSSP), um Instituto que celebra exclusivamente o Rito Tradicional, pode contar com novos sacerdotes nas suas fileiras. A ordenação foi feita na Alemanha pelo Arcebispo de Vaduz (Liechtenstein), Mons. Wolfgang Haas. Louvado seja Deus!










Para ver o resto das fotografias: Ordenações FSSP


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