quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

D. Bosco recomendava a Missa diária

"Tende grande cuidado em ir à Santa Missa, mesmo nos dias da semana, ainda que para isso tenhais que sofrer algum incómodo. Pois com isso obtereis do Senhor toda a espécie de bênçãos."

São João Bosco


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Dia do grande São João Bosco



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terça-feira, 30 de janeiro de 2018

D. Athanasius Schneider fala sobre a Fraternidade de São Pio X

O vaticanista Edward Pentin, do National Catholic Register, entrevistou D. Athanasius Schneider. A entrevista pode ser lida aqui. Publicamos, por agora, a resposta de D. Athanasius sobre a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X (FSSPX) porque é um assunto bastante recorrente nos nossos dias e que levanta muitas questões. Vale a pena recordar que D. Athanasius Schneider foi enviado pela Santa Sé aos seminários da FSSPX como visitador, por isso está bem informado em relação a esta matéria.

Edward Pentin: Qual é o seu ponto de vista sobre a Fraternidade Sacerdotal de São Pio X? Tem simpatia pela sua posição?

D. Athanasius Schneider: O Papa Bento XVI e o Papa Francisco falaram, em várias ocasiões, com bastante compreensão em relação à FSSPX. Foi particularmente enquanto Cardeal de Buenos Aires que o Papa Francisco ajudou a FSSPX a resolver algumas questões administrativas. O Papa Bento XVI disse uma vez sobre o Arcebispo Marcel Lefebvre: "Ele foi um grande Bispo da Igreja Católica". O Papa Francisco considera a FSSPX Católica e expressou-o várias vezes publicamente. 

Portanto, o Papa procura uma solução pastoral, e fez generosas providências pastorais, concedendo aos padres da FSSPX a faculdade ordinária de ouvir confissões e as faculdades condicionais para celebrar canonicamente o casamento. Quanto mais a confusão doutrinal, moral e litúrgica cresce na vida da Igreja, mais compreenderemos a missão profética do Arcebispo Marcel Lefebvre num tempo extraordinariamente tenebroso de uma generalizada crise na Igreja.

Talvez um dia a História lhe venha a aplicar as seguintes palavras de Santo Agostinho: 

“Por vezes, permite a própria divina Providência que homens justos sejam desterrados da Igreja Católica por causa de alguma violência partidária muito turbulenta da parte de homens carnais. Se as vítimas dessas injustiças ou injúrias suportarem com paciência, pela paz da Igreja, sem introduzir movimentos cismáticos ou heréticos, ensinarão a todos, com que verdadeiro afecto e sincera caridade se deve servir a Deus. 

A intenção de tais homens é o regresso, uma vez passada a tempestade. Ou, se não lho permitirem - por não ter cessado o temporal ou por haver ameaça de que se enfureça ainda mais com o seu retorno - mantenham-se na firme vontade de prover o bem dos próprios agitadores a cuja sedição e turbulência tiveram de ceder. Defendam até morrer e sem suscitar divisões, ajudem com seu testemunho a manter aquela Fé que sabem ser pregada pela Igreja católica.” (De vera religione 6, 11).

Tradução: Miguel Pereira da Silva


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A impunidade do Comunismo



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segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

3 frases de São Francisco de Sales que mudaram muitas vidas

São Francisco de Sales foi um grande Bispo e Doutor da Igreja. Combateu a heresia protestante na Suiça, tendo sido bastante perseguido por isso. É por causa dele que a obra de D. Bosco se chama 'Salesianos'.

São Francisco de Sales foi um mestre da vida espiritual. O seu livro "Filoteia, Introdução à vida devota" é um dos livros espirituais mais estudados de sempre. Ali encontramos verdadeiras pérolas de sabedoria como as que se seguem:

1. "A reputação raramente é proporcional à virtude." 

2. "É essencial meia hora de oração, a não ser quando se está muito ocupado, nesse caso é necessário uma hora."

3. "Deves ter verdadeira dor dos pecados que confessas, por mais leves que sejam, e fazer um firme propósito de emenda para o futuro. Muitos perdem grandes bens e muito aproveitamento espiritual porque, confessando-se dos pecados veniais por costume e mero cumprimento, sem pensar em emendar-se, permanecem durante toda a vida com eles."


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D. Jorge Ortiga manda a doutrina da Igreja às urtigas

O documento "Construir a Casa sobre a Rocha", da Arquidiocese de Braga, vai directamente contra os ensinamentos de Cristo e da Igreja. O Arcebispo Jorge Ortiga apresenta com todo o orgulho a "solução" para os 'recasados': É possível viver em adultério e aceder aos sacramentos. Realmente tudo é possível quando se põe de lado a Fé e a Razão.

Os Bracarenses têm muito com que se orgulhar nas longas páginas da sua história, mas infelizmente as recentes décadas têm manchado a Arquidiocese, culminando na recente tragédia: o lançamento de um texto que arrisca ser considerado um dos piores documentos jamais visto no universo católico. O documento ataca directamente o primeiro e o sexto mandamento da lei de Deus, colocando explosivos em toda a doutrina católica, porque indirectamente mina toda a lei de Deus.

O documento da Arquidiocese de Braga que tenta conciliar a doutrina da Igreja com o enorme número de divórcios que as últimas décadas produziu, falha em todas as frentes. É teologicamente medíocre, não tem bases que suportem a nova doutrina e é pastoralmente injusto. Braga afirma contra tudo e contra todos que quem se encontra em adultério pode comungar, sim: o pecado deixou de ser um obstáculo para o comungante. Para além de ir contra tudo o que a Igreja sempre ensinou, contra o magistério recente e também vai contra tudo o que Nosso Senhor Jesus Cristo disse em relação ao casamento. E as injustiças não são menos graves.

Imaginemos um casal que se separou: O Sr. António apaixona-se pela menina Madalena e larga a Sra. Joana que é sua esposa. O Sr. António casa pelo civil com a Sra. Madalena pouco querendo saber se está em adultério ou não, mas a Sra. Joana, sabendo que arranjar outro homem vai contra a lei de Deus, segue uma vida de castidade, rezando pelo marido e vendo com tristeza que ele arranjou outra mulher. Segundo o Arcebispo de Braga o Sr. António passados 5 anos de adultério pode passar a comungar se assim o seu discernimento pessoal o permitir. Esta situação é altamente injusta para a Sra. Joana e coloca em causa a própria credibilidade da Igreja. Ou imaginemos o caso do devoto Sr. Joaquim que vive em abstinência há quarenta anos, depois da sua esposa o ter trocado por um guitarrista de cabelo comprido. Que tipo de nova justiça é esta que deixa mal o abandonado e premeia o autor do mal sem que este mude de vida.

Tudo isto acerta bem no centro de três sacramentos da Igreja: o Matrimónio fica a parecer dissolúvel e perde a qualidade sagrada, relativizando-se as promessas e abolindo-se as obrigações; a Confissão não é mais necessária para a absolvição de um pecado, neste caso o de adultério; com a Eucaristia comete-se sacrilégio e a banalização, torna-se em mercadoria para quem se sentir apto a comprar. 

Viver com alguém fora do casamento viola o sexto mandamento da lei de Deus, é mais grave que roubar e encontra-se entre o mandamento de não matar e do mandamento de não roubar, exactamente porque provoca os dois crimes: mata e rouba. Comungar tendo cometido este grave pecado, sem contrição e sem vontade de mudança vai contra o primeiro mandamento da lei de Deus.

E quais são as bases para tal revolução? Como pode um adúltero sair do seu estado de adultério sem arrependimento e conversão? O Matrimónio na Igreja é indissolúvel, sempre o foi e quem disser o contrário corre o risco de excomunhão definida pelo Concílio de Trento. A absolvição dos pecados só existe se o pecador estiver arrependido do seu pecado, tiver intenção de não o voltar a repetir, e se o confessar a um Padre. Comungar em pecado é um sacrilégio e quem trocar esposa(o) por outra(o) comete adultério, definido pelo próprio Nosso Senhor Jesus Cristo: "quem repudia a sua mulher e casa com outra comete adultério em relação à primeira; e se uma mulher repudia o seu marido e casa com outro, comete adultério": Mc 10, 11-12.

Para não nos alongarmos aqui em citações bastará citar o Catecismo número 1650: “A Igreja mantém, por fidelidade à palavra de Jesus Cristo que não pode reconhecer como válida uma nova união, se o primeiro Matrimónio foi válido. Se os divorciados se casam civilmente, ficam numa situação objectivamente contrária à lei de Deus. Por isso, não podem aproximar-se da comunhão eucarística, enquanto persistir tal situação.”

O Arcebispo de Braga Jorge Ortiga atira às urtigas a doutrina da Igreja e tem de ser corrigido por isso. O ofício de Bispo não lhe dá o direito de criar ou alterar a doutrina. O ofício de Bispo é para preservar o Depósito de Fé que lhe foi entregue. A Revelação acabou com a morte dos Apóstolos e a Igreja tem o dever de a preservar.

Para além do Arcebispo estar a fazer mal aos seus fiéis, também está a minar aquilo que é a rocha onde a Igreja tem os seus apoios: a continuidade e a fidelidade à perene doutrina. Qual é o impedimento que um fiel bracarense tem para não acatar as ordens do seu Bispo, se este mesmo Bispo não acata as ordens dos anteriores Bispos? Pode um Bispo entrar em contradição com outro Bispo sem lapidar parte do Corpo de Cristo, Aquele que é a Verdade? A Arquidiocese perdeu o norte, parecendo um catavento em vez de um barco. 

Talvez seja apropriado dizer que, no contexto da imagem usada pelo Papa Bento XVI o ano passado sobre o barco em que entra água por todos os lados: Braga está já submersa. O modernismo tem destas coisas e o homem moderno padece de várias patologias. Uma delas é a de ter uma mente aberta, tão aberta que a mioleira sai para fora da cabeça. A razão e a simples lógica são colocadas de lado devido a uma suposta misericórdia que em vez de salvar condena e que tenta esconder a verdade debaixo do tapete.

Fazem parte das obras de misericórdia entre outros: dar bons conselhos, ensinar os ignorantes e corrigir os que erram. Nos tempos que correm a Igreja está muito necessitada de almas que corrijam os erros, porque eles são muitos e levam à perdição de muitas boas almas. Infelizmente cabe ao fieis corrigir os seus superiores naquilo que parecem ser erros doutrinais crassos. Fico feliz se estiver errado e agradecia que me corrigissem.

Miguel Pereira da Silva


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domingo, 28 de janeiro de 2018

O Cura d'Ars contra os respeitos humanos

Ó, maldito respeito humano! Como tu arrastas almas para o inferno! Não há nada de mais glorioso e de mais honrável para um cristão do que carregar o nome sublime de filho de Deus, de irmão de Jesus Cristo. Da mesma forma, não há nada de mais infame do que ter vergonha de manifestar isso todas as vezes que surge a ocasião.

in 'Sermons du vénérable serviteur de Dieux, Jean-Baptiste-Marie Vianney, curé d’Ars'


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Domingo de Septuagésima

Este Domingo, 28 de Janeiro, é o Domingo de Septuagésima (ou simplesmente "Septuagésima") no calendário antigo (pelo qual se rege a forma extraordinária do Rito Romano). É o nono Domingo antes da Páscoa, e o terceiro antes da Quarta-feira de Cinzas.

Apesar de se chamar Septuagésima, não é o 70º dia antes da Páscoa (assim como o Domingo seguinte, Sexagésima, não é o 60º dia antes da Páscoa), pelo que ainda se debate a origem da nomenclatura. Septuagésima tomou um sentido místico, relacionando-se com os 70 anos de cativeiro do povo judeu na Babilónia. Também se dá o nome de Septuagésima ao período de 17 dias que se estende até ao início da Quaresma, e é considerado como uma “pré-Quaresma”, ou seja, um período de preparação para a Quaresma. Este período é equivalente ao Triódion bizantino e não existe no calendário novo do Rito Romano.

Crê-se que a sua observação deve-se à existência de dias de não-observação do jejum quaresmal, o que levava a que não se chegasse aos 40 dias de jejum. É muito provável que o período de Septuagésima seja um exemplo de “polinização” mútua de ritos, sendo uma prática adoptada da Igreja bizantina (não era costume nesta jejuar aos sábados; e a não-observação do jejum aos domingos era, e é, prática universal). Atribui-se a sua instituição na Igreja latina ao Papa S. Gregório Magno (+604), que compilou as orações e leituras para estes domingos pré-quaresmais. Todavia, enquanto que os bizantinos iniciam logo o período de jejum com o Triódion (embora faseado), o período de Septuagésima apenas afecta a liturgia.

Com o início deste período passam a existir algumas mudanças na liturgia. A partir das Completas do Domingo de Septuagésima deixa-se de incluir o “Aleluia” nas orações; e em certos lugares existe até uma cerimónia de “enterro do Aleluia”. A substituir o "Aleluia", a seguir ao “Gradual” aparece o “Tracto”. A doxologia maior, “Glória”, e o hino Ambrosiano, “Te Deum”, deixam de ser ditos com o começo deste período. Os paramentos litúrgicos passam a púrpura (a não ser em dias de festa), antecipando assim o período penitencial que se aproxima.



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sábado, 27 de janeiro de 2018

Cardeal Eugenio Pacelli, futuro Papa Pio XII




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Conselhos de São João Crisóstomo sobre como escolher uma esposa

1) Portanto, quando fordes escolher uma esposa, não examineis somente as leis do Estado, mas, antes, examineis as leis da Igreja. Deus não vos julgará no último dia segundo as leis do Estado, mas segundo as Suas leis.

2) Não é mesmo uma tolice? Quando estamos sob ameaça de perder dinheiro, tomamos todos os cuidados possíveis, mas quando a nossa alma está sob risco de ser eternamente punida, nem ao menos prestamos atenção.

3) Tu sabes que tem duas escolhas. Se tu escolheres uma má esposa, terás de enfrentar aborrecimentos. Se não aceitares enfrentá-los, serás culpado de adultério por te divorciares dela. Se tivesses investigado as leis do Senhor e as conhecesse bem antes de te casares, terias tomado muito cuidado e escolhido uma esposa decente e compatível com teu carácter desde o início. Se te  tivesses casado com uma esposa assim, terias ganho não apenas o bem de não te divorciares dela como o benefício de amá-la intensamente, conforme Paulo ordenou. Pois quando ele diz: "Maridos, amem vossas esposas", ele não pára por aí, mas fornece a medida deste amor, "como Cristo amou a Igreja".

4) Vejamos, porém, se a beleza e a virtude da alma da noiva atraiu o Noivo. Não, ela não era atraente nem pura, conforme estas palavras de Paulo: Ele se entregou por ela para a santificar, purificando-a com a lavagem da água (Efésios 5,25-26). [...] Apesar disso, Ele não abominou a sua feiúra, mas neutralizou sua repulsividade, remoldando-a, reformando-a e remindo os seus pecados. Tu deves imitá-Lo. Mesmo que a tua esposa peque contra ti mais vezes do que possas contar, tu deves perdoá-la em tudo.

5) Quando surge uma infecção nos nossos corpos, não cortamos o membro, mas tentamos curar a doença. Devemos fazer o mesmo com uma esposa.

6) Mesmo que ela não apresente melhoras em função dos nossos ensinamentos, ainda assim receberemos uma grande recompensa de Deus pela nossa paciência e por termos mostrado tanto auto-domínio em temor a Ele. Nós conseguimos suportar as maldades dela com nobreza, sem cortar o membro fora. Pois uma esposa é como se fosse um membro nosso, e por causa disso devemos amá-la. É precisamente isto que ensina Paulo: Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos…Porque nunca ninguém odiou a sua própria carne; antes a alimenta e sustenta, como também o Cristo à Igreja; porque somos membros do Seu corpo, da Sua carne, e dos Seus ossos (Efésios 5,28-30).

7) Devemos amar a nossa esposa também porque Deus estabeleceu uma lei a esse respeito quando disse: Por isso deixará o homem seu pai e sua mãe, e se unirá a sua mulher; e serão os dois numa carne (Génesis 2,24; Efésios 5,31).

8) Assim como o noivo deixa a casa de seu pai e junta-se à noiva, assim também Cristo deixou o trono de Seu Pai e juntou-se à Sua noiva.

9) De maneira geral, a vida é composta de duas esferas de actividade: a pública e a privada. Quando Deus a dividiu assim, Ele designou a administração da vida doméstica à mulher, mas ao homem designou todas as tarefas relativas à cidade, às questões comerciais, judiciais, políticas, militares e assim por diante. [...] De facto, o que quer que o marido pense sobre questões domésticas, a esposa o saberá melhor que ele. Ela é incapaz de administrar as questões públicas competentemente, mas ela é capaz de cuidar bem dos filhos, que é o maior dos tesouros. [...] Se Deus tivesse dotado o homem para administrar ambas as esferas de actividade, teria sido fácil aos homens dispensar o género feminino. [...] 

10) Assim sendo, eis o que tu deves buscar em uma esposa: virtude de alma e nobreza de caráter, para que desfrutes de tranquilidade, para que luxuries em harmonia e amor duradouro.

11) O homem que se casa com uma mulher rica casa-se com um chefe, e não com uma esposa. Porém, o homem que se casa com uma esposa em iguais condições ou mais pobre se casa com uma ajudante e aliada, trazendo inúmeras bênçãos para dentro de casa. A sua pobreza força-a a cuidar do seu marido com muito cuidado, obedecendo-lhe em tudo. [...] Portanto, o dinheiro é inútil quando se trata de encontrar um parceiro de boa alma.

12) Assim sendo, deixemos de lado as riquezas da esposa, mas examinenos o seu caráter e a sua piedade e recato. A esposa recatada, gentil e moderada, mesmo que seja pobre, irá transformar a pobreza em algo muito melhor do que a riqueza.

13) Antes de mais nada, tu deves aprender qual o propósito do casamento, e por que ele foi introduzido em nossas vidas. Não te perguntes mais nada. Qual seria, então, o objectivo do casamento, e por que Deus o criou? Ouve o que Paulo diz: Mas, por causa da tentação à imoralidade, cada um tenha a sua própria mulher (I Coríntios 7,2). [...] Portanto, não despreza o maior nem busca o menor. A riqueza é muitíssimo inferior ao recato. É somente por este motivo que devemos buscar uma esposa: para evitarmos o pecado, para nos libertarmos de toda imoralidade.

14) A beleza do corpo, se não estiver aliada à virtude da alma, será capaz de atrair o marido somente por uns vinte ou trinta dias, mas não conseguirá ir além disto antes que a perversidade da esposa destrua toda sua atractividade. Quanto àquelas que irradiam beleza de alma, quanto mais o tempo passa e sua nobreza se evidencia, tanto mais aquecido será o amor do marido e tanto mais ele sentirá afeição por ela.

15) É por meio do recato que o marido conseguirá atrair à sua família a boa vontade e a protecção de Deus. É assim que os homens de bem dos velhos tempos se casavam: buscando nobreza de alma em vez de riqueza monetária.

16) Quando te decidires por uma esposa, não corras atrás de ajuda humana. Volta-te para Deus, pois Ele não se envergonhará de ser vosso casamenteiro. Foi Ele mesmo quem prometeu: Buscai primeiro o Reino de Deus, e todas estas coisas vos serão acrescentadas (Mateus 6,33). Não te perguntes: “Como posso ver a Deus? Afinal, Ele não falará nem conversará comigo de maneira explícita, e portanto não conseguirei Lhe fazer perguntas”. Estas são palavras de uma alma de pouca fé. Deus pode facilmente organizar tudo da maneira que Ele quiser, sem o uso da voz.

17) A castidade é algo maravilhoso, mas é mais maravilhoso ainda quando está aliada à beleza física. As Escrituras falam-nos sobre José e a sua castidade, mas antes mencionam a beleza de seu corpo: José era formoso de porte, e de semblante (Génesis 39,6). Em seguida, as Escrituras versam sobre sua castidade, deixando claro, assim, que a beleza não levou José à licenciosidade. Pois nem sempre a beleza causa imoralidade ou a feiura causa recato. Muitas mulheres que resplandecem em beleza física resplandecem ainda mais em recato. Outras que são feias em aparência são ainda mais feias de alma, manchada por inúmeras imoralidades. Não é a natureza do corpo mas a inclinação da alma que produz recato ou imoralidade.

Trechos da homilia 'Como escolher uma esposa' de São João Crisóstomo (347-407 d.C.), publicada em 'On Marriage & Family Life'


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sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

'Marche pour la vie' lança vídeo comovente sobre o aborto



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Acto de petição

Acto de petição para ser rezado depois da comunhão ou quando for preciso:

"Senhor Jesus, vós conheceis a minha fraqueza e as necessidades da minha alma: concedei-me a graça de me tornar melhor. Socorrei a vossa santa Igreja. Abençoai os meus pais, superiores, amigos e inimigos, e dai-nos a todos a graça de estar reunidos um dia no Céu."


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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Não há reforma sem conversão de vida - Padre Fernando António


Queremos reformar a Cúria Romana, queremos reformar os outros e esquecemo-nos da nossa própria reforma de vida…

Esquecemo-nos que só se pode ser realmente cristão num caminho de conversão e de santidade...

Esquecemo-nos da luta espiritual... e ignorámos o poder sedutor do mal dizendo que o Diabo não existia... Ora aí está ele, a esfregar as mãos de contente! Temos agora várias gerações de cristãos que não foram minimamente iniciados à vida cristã, à luta espiritual.

Andaram dez anos na catequese para aprender que "Jesus é nosso amigo"... e basta. E depois admiramo-nos e escandalizamo-nos com o pecado... E as palavras de Jesus são muito claras: 

«Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta, e espaçoso, o caminho que conduz à perdição, e são muitos os que entram por ela… e estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz à vida, e são poucos os que acertam com ela» (Mateus 7, 13-14). 

Não há reforma sem conversão de vida… 

Esta é uma verdade fundamental que, para nosso mal, está esquecida há meio século... 

Quando vemos os irmãos cair apontamos o dedo… mas nós vamos pelo mesmo caminho… 

De facto, continuamos a seguir cegamente as mesmas cartilhas ideológicas por onde estudaram aqueles que agora aparecem nas páginas dos jornais… padres, bispos, cardeais e outros cristãos, que pelos seus pecados são causa de escândalo… simplesmente porque se fascinaram com o “mundo”, e se esqueceram de que não há reforma sem conversão e santidade de vida.

Padre Fernando António


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Conversão de São Paulo

"Paulo foi derrubado para ser cegado;
foi cegado para ser mudado;
foi mudado para ser enviado;
foi enviado para que a verdade aparecesse.”
Santo Agostinho
'Conversão de São Paulo' - Michelangelo Caravaggio - Santa Maria del Popolo, Roma


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quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Curta entrevista ao exorcista Padre Duarte Sousa Lara



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Amar os pobres e a pobreza

As coisas que possuímos não são nossas. Deus deu-no-las para que as cultivemos e quer que as tornemos frutuosas e úteis. Prescindi sempre, portanto, de uma parte dos vossos meios e dai-a aos pobres de bom coração. É verdade que Deus vo-lo devolverá, não só no outro mundo, mas também já neste, porque não há coisa que mais nos faça prosperar do que a esmola; mas, enquanto esperais que Deus vo-lo torne, estareis já mais pobres daquilo que destes, e como é santo e rico o empobrecimento que advém de se ter dado esmola!

Amai os pobres e a pobreza, porque por este amor tornar-vos-eis verdadeiramente pobres, tal como está dito nas Escrituras: tornamo-nos naquilo que amamos (cf. Os 9,10). O amor torna os amantes iguais: «Quem é fraco, sem que eu o seja também?», diz São Paulo (2 Co 11,29). Poderia ter dito: «Quem é pobre, sem que eu o seja também?», porque o amor tornava-o igual a quem amava. 

Portanto, se amais os pobres, sereis verdadeiramente participantes da sua pobreza, e pobres como eles. Assim, se amais os pobres, ide com frequência para o meio deles: tende prazer em os receber em vossas casas e em visitá-los; conversai voluntariamente com eles, ficai felizes por eles se aproximarem de vós na igreja, na rua ou em qualquer outro local. Sede pobres de língua para com eles, falando-lhes como amigo, mas sede ricos de mãos, largamente lhes dando dos vossos bens, pois vós os tendes em muito maior abundância. 

Quereis fazer mais, ainda? Tornai-vos servos dos pobres; ide servi-los com as vossas próprias mãos e a expensas vossas. Maior triunfo há neste serviço do que o que há na realeza.

São Francisco de Sales in 'Introdução à vida devota', parte 3, cap. 15


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terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Assim foram martirizados os Apóstolos e Evangelistas




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Mãe, o nome que enche o mundo

O Padre Américo foi o fundador da 'Casa do Gaiato', na qual acolheu muitos jovens órfãos ou abandonados pela Família. É sobre um desses jovens que o Padre Américo fala neste testemunho:

Temos cá em Casa um dos espigados que fala às vezes na sua Mãe. Ele tem Mãe algures. Longe. Muito longe de Paço de Sousa. Esteve ontem comigo aqui no escritório a falar no caso. «Gostava de ver a minha Mãe», disse-me. Eu respondi que sim, unicamente aconselhei a Primavera. Será melhor na Primavera. Temos agora distância. Temos o frio. «Tu és doente». O rapaz acede. 

Olha-me na face, resignado e fala de si para si: «eu só queria dizer Mãe. chamar-lhe Mãe. Ó Mãe. Ó minha Mãe». Eu estava silencioso, a escutar estas grandezas da alma. O rapaz, continua na sua meiga e santa fraseologia: «como será dizer agora Mãe? Eu era pequenino quando saí de ao pé dela!». E murmurava: «Mãe, Mãe!». 

Mas isto encerra um mundo de Beleza e Verdade! Andamos todos à procura das coisas grande e não vemos a verdadeira grandeza das pequenas. Este rapaz, que era ontem lixo das montureiras, prega hoje ao mundo sábio o conceito verdadeiro e divino da Família. Tem-no escrito na alma: «Mãe, ó Mãe!». O nome que enche o mundo!

O rapaz deixa-se ficar. Não tem pressa de sair do escritório. Pois se ele vê em mim a ponte por onde há-de ir até junto de sua Mãe! Quando colhe a certeza de que virá, a seu tempo, visitar quem deseja, continua a expor: «mas olhe que eu não quero ir sozinho. V. há-de ir comigo para me tornar a trazer». 

Oh medo! Oh fraqueza! Forças estas que, sendo sinceras, não há nada que as vença nem ninguém que lhes resista! Sim. Eu vou com ele. eu sou o servo destes rapazes. Eu quero ser testemunha; ver a que sabe e como soa na boca deste filho saudoso, o doce nome de Mãe.

Padre Américo in 'Isto é a Casa do Gaiato' - Vol II, 1951


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segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Ordenação sacerdotal no Rito Tradicional

Trecho do filme "O Cardeal"


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Apenas há repouso em Jesus Cristo Crucificado

Tu que descanso buscas com cuidado
neste mar do mundo tempestuoso
não esperes de achar nenhum repouso
senão em Cristo Jesus Crucificado.

Se por riquezas vives desvelado,
em Deus está o tesouro mais precioso;
se estás de fermosura desejoso,
se olhas este Senhor ficas namorado.

Se tu buscas deleites ou prazeres,
nele está o dulçor dos dulçores
que a todos nos deleita com vitória.

Se porventura glória ou honra queres,
que maior honra poda ser nem glória
que servir ao Senhor grande dos senhores?

Luiz Vaz de Camões in 'Obras de Luiz de Camões' - Vol. II


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domingo, 21 de janeiro de 2018

Bênção dos cordeiros em Roma


Hoje aconteceu a tradicional bênção dos cordeiros em Roma, na Basílica de Santa Inês fora dos muros. O gesto está carregado de significado por ser dia de Santa Inês, que vem do latim 'Agnes', que por sua vez significa cordeiro. Como é costume, dois cordeiros foram adornados: um com flores brancas, em homenagem à virgindade de Santa Inês, e o outro com flores encarnadas, em homenagem ao seu martírio. Depois da bênção os dois animais são transportados para o mosteiro beneditino de Santa Cecilia, em Trastevere, onde recebem os melhores cuidados. 

Alguns dias antes da Páscoa são tosquiados e a lã entregue ao Papa. Essa lã servirá para a tecelagem dos pálios, que são faixas com seis cruzes pretas de seda que simbolizam a jurisdição dos arcebispos metropolitas nas suas igrejas e nas da sua província eclesiástica. 

Finalmente, no dia 29 de Junho, dia de São Pedro e São Paulo, os pálios são entregues pelo Papa aos arcebispos metropolitas nomeados durante esse ano.


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Quando Santa Inês sobreviveu à bomba atómica...na ONU

Recentemente visitei os escritórios principais da ONU em Manhattan, Nova Iorque. Numa visita guiada aprendemos sobre a história da ONU e as suas várias missões no mundo e visitámos algumas das salas principais de conferências, com lugares específicos para cada país membro. É impressionante visitar uma instituição tão famosa e com um factor tão grande de decisão no mundo de hoje como esta.

Infelizmente, muitas das missões que a ONU tem não correspondem àquilo que as pessoas esperam dela. Muitas incluem a promoção da ideologia de género ou propaganda de planeamento familiar com imposição dos métodos contraceptivos em países subdesenvolvidos. Claro que isto não anula o bem que a ONU traz às relações diplomáticas entre os países, mas não deixa de ser assustador.
Nos largos corredores das salas de assembleia, onde poucos visitantes costumam ir, há obras de arte relacionadas com as missões da ONU. Há obras sobre a paz e a união dos povos, mas também sobre as várias religiões. Há até uma réplica de um grande templo budista com relíquias do próprio Buda lá dentro. Surpreendentemente, quase não há símbolos cristãos nestes corredores. O que encontrámos foi uma imagem de uma grande mulher Cristã, mas não estava lá pelas razões que esperávamos.

Uma das partes estava dedicada à explosão das bombas atómicas no final da II Guerra Mundial e pretendia mostrar o efeito destruidor das armas de destruição maciça. Era precisamente neste sítio que se encontrava uma imagem de pedra de Santa Inês, uma das mártires mais importantes na história do Cristianismo. Mas a estátua não estava lá por ser uma imagem de uma Santa, mas por ser um exemplar que sobreviveu à explosão de Nagasaki.

As imagens de Nagasaki depois da explosão mostram que a explosão foi total - nenhuma parede ficou de pé. No entanto, a imagem de Santa. Inês permaneceu intacta, ficando apenas com as costas danificadas.

A placa da estátua diz que "esta estátua de pedra de Santa Inês foi encontrada virada para baixo nas ruínas de Urakami Tenshudo, uma Catedral Católica que foi totalmente destruída quando a bomba atómica explodiu em Nagasaki, no Japão. A carbonização e manchas na parte de trás da estátua foram causadas pelo intenso calor e radiação. A catedral localizava-se a meio quilómetro do epicentro da explosão a 9 de Agosto de 1945."

Quando perguntei ao guia porque é que a estátua estava ali em exposição ele disse que era para mostrar os efeitos da explosão. Eu disse que era impressionante a estátua ter-se mantido incólume quando tudo se tinha destruído. Mas ele respondeu que não era assim tão impressionante, dado que a catedral tinha sido toda destruída. E continuámos a visita.

Nuno CB







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sábado, 20 de janeiro de 2018

March for Life 2018: a multidão contra o aborto que os 'media' insistem em ignorar



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O Relatório Final do Sínodo Extraordinário dos Bispos de Outubro de 1985 sobre o Concílio Vaticano II (2ª parte)

Depois da 1ª parte, concluo assim com a publicação desta 2ª parte dos excertos do Relatório Final (RF), à qual acrescentei um Posfácio, o artigo com o título acima.

II. Temas Particulares do Sínodo

«[…] uma atenção especial deve ser prestada ao Fenómeno do secularismo. Sem qualquer dúvida o Concílio afirmou a legítima autonomia das realidades temporais (GS, 36 e noutra parte). Neste sentido, uma secularização correctamente entendida deve ser admitida. Mas nós estamos a falar de algo totalmente diferente: do secularismo que consiste numa visão autonomista do homem e do mundo e que deixa de lado a dimensão do mistério, de facto negligencia-a e nega-a. Este imanentismo é uma redução da visão integral do homem, uma redução que leva não à sua verdadeira libertação, mas a uma nova idolatria; à escravidão das ideologias; a uma vida em redutoras e frequentemente opressivas estruturas deste mundo» (RF, II, A 1).

«A primeira missão da Igreja, sob o impulso do Espírito Santo, é pregar e testemunhar as boas e alegres notícias da eleição, da misericórdia e da caridade de Deus que se manifestam na história da salvação, a qual, através de Jesus Cristo, atingem o seu cume na plenitude dos tempos e que se comunicam e oferecem a salvação ao homem por virtude do Espírito Santo. Cristo é a luz da humanidade!» (RF, II, A 2).

«Toda a importância da Igreja deriva da sua conexão com Cristo. […] Nós não podemos substituir uma visão falsa e unilateral da Igreja como puramente hierárquica por uma nova concepção sociológica também ela unilateral» (RF, II, A 3).

«[…] o Concílio proclamou a vocação de todos os fieis à santidade (cf. LG 5). […] Nos nossos dias, sobretudo, quando tantas pessoas sentem um vazio interior e uma crise espiritual, a Igreja tem de preservar e energicamente promover o sentido da penitência, da oração, da adoração, do sacrifício, da entrega de si, da caridade e da justiça. […] Hoje, temos uma tremenda necessidade de santos, através de quem precisamos de implorar a Deus assiduamente» (RF, II, A 4).

«[…] a pregação do Evangelho está entre os principais deveres da Igreja, e de modo especial dos bispos, e hoje em dia isto assume a maior importância (cf. LG 25)» (RF, II, B a) 1).

«Para esta Constituição [a Dogmática Dei Verbum] também é necessário evitar uma leitura parcial. Em particular, a exegese do significado original da Sagrada Escritura, muito altamente recomendada pelo Concílio (cf. DV 12), não pode ser separada da tradição viva da Igreja (cf. DV 10). A falsa oposição entre responsabilidades doutrinais e pastorais tem de ser evitada e ultrapassada. De facto, a verdadeira intensão do trabalho pastoral consiste em realizar a verdade da salvação e torná-la concreta, a qual é, em si mesma, válida para todos os tempos. Como verdadeiros pastores, os bispos devem indicar o caminho certo ao rebanho; fortalecer a fé do rebanho; manter os perigos longe dele» (RF, II, B a) 1).

«Assim, os bispos são não apenas os únicos mestres dos fieis, mas arautos da fé que leva novos discípulos a Cristo (cf. LG 25). A evangelização é o primeiro dever não só dos bispos, mas também dos padres e dos diáconos; realmente, de todos os cristãos. Hoje, por toda a parte na Terra a transmissão da fé e dos valores morais aos jovens, derivados do Evangelho, está em perigo. Frequentemente, o conhecimento da fé e a aceitação da ordem moral são reduzidas ao mínimo. Em consequência, é requerido um novo esforço na evangelização e numa integral e sistemática catequese» (RF, II, B a) 2).

«Com alegria reconhecemos o que foi feito pelos teólogos para elaborar os documentos do Concílio Vaticano II e para ajudar no sentido da sua fiel interpretação e frutuosa aplicação no período pós-conciliar. Mas por outro lado, lamentamos que as discussões teológicas dos nossos dias tenham ocasionado por vezes confusão entre os fieis. Por conseguinte, a comunicação e o diálogo recíproco entre os bispos e os teólogos são necessários para a edificação da fé e sua mais profunda compreensão» (RF, II, B a) 3).

«Muitos [dos bispos sinodais] expressaram o desejo de que fosse composto um catecismo ou compêndio de toda a doutrina Católica respeitante tanto à fé como à moral, que pudesse ser, como [sempre] foi, um ponto de referência para os catecismos ou compêndios que são preparados nas várias regiões. A apresentação da doutrina deve ser bíblica e litúrgica. Tem de ser uma sólida [sound, no original] doutrina, adaptada à vida presente dos cristãos» (RF, II, B a) 4).

«A renovação litúrgica não pode ser limitada a cerimónias, ritos, textos, etc. A participação activa, tão aumentada, felizmente, depois do Concílio, não consiste apenas na actividade exterior, mas acima de tudo na participação interior e espiritual, em vívida e frutuosa participação no mistério pascal de Jesus Cristo (cf. SC 11). É evidente que a liturgia tem de favorecer o sentido do sagrado, realçando-o com brilho. Tem de estar permeada pelo espírito de reverência, adoração e glória de Deus» (RF, II, B b) 1).

«Os bispos deveriam não meramente corrigir os abusos, mas deveriam também explicar claramente a toda a gente o fundamento teológico da disciplina sacramental e da liturgia. A catequese deve novamente tornar-se uma via que leva à vida litúrgica (catequese mistagógica), como era o caso nos começos da Igreja. Os futuros padres deveriam aprender a vida litúrgica de uma maneira prática, assim como saberem teologia litúrgica» (RF, II, B b) 1).

«[…] a eclesiologia de comunhão não pode ser reduzida a puras questões organizacionais ou a problemas simplesmente relacionados com poderes. Não obstante, a eclesiologia de comunhão é também o fundamento da ordem na Igreja e especialmente de um correcto relacionamento entre unidade e pluriforma [pluriformity no original] na Igreja» (RF, II, C 1).

«[…] mas é necessário distinguir pluriforma de pluralismo puro. Quando a pluriforma é verdadeiro enriquecimento e com ela transporta plenitude, constitui verdadeira catolicidade. O pluralismo de posições opostas [em questões] fundamentais, ao contrário, leva à dissolução, destruição e perda de identidade» (RF, II, C 2).

«O espirito colegial é a alma da colaboração entre os bispos ao nível regional, nacional e internacional. Acção colegial, no sentido estrito, implica a actividade de todo o Colégio, junto com a sua Cabeça, sobre toda a Igreja. Na sua máxima expressão encontra-se num Concílio Ecuménico. Em toda a questão teológica respeitante à relação entre o Primado [do Pontífice Romano] e o Colégio dos bispos, não pode fazer-se uma distinção entre o Pontífice Romano e os bispos considerados colectivamente, mas antes entre o Pontífice Romano [«só»] e o Pontífice Romano junto com os bispos (LG, Nota Explicativa Prévia, 3), porque o Colégio existe com a sua Cabeça e nunca sem ela - o sujeito do supremo e pleno poder em toda a Igreja (LG 22)» (RF, II, C 4).

«Nós os bispos, desejamos ardentemente que a comunhão incompleta já existente com as Igrejas não-Católicas e comunidades, possa, com a graça de Deus, chegar ao ponto da plena comunhão» (RF, II, C 7).

«O diálogo [ecuménico] deve ser espiritual e teológico. O movimento ecuménico é favorecido de modo especial pela oração mútua. O diálogo é autentico e frutuoso se apresentar a verdade com amor e fidelidade com respeito à Igreja. Neste caminho, o diálogo ecuménico leva a que a Igreja seja vista mais claramente como sacramento da unidade» (RF, II, C 7).

«[…] nós afirmamos a grande importância e oportunidade da Constituição Pastoral Gaudium et Spes. Ao mesmo tempo, contudo, nós notamos que os sinais do nosso tempo são, em parte, diferentes dos do tempo do Concílio, com maiores problemas e angústia» (RF, II, D 1).

«[…] a relação entre a história humana e a salvação é para ser explicada à luz do mistério pascal. Certamente a teologia da cruz não exclui de todo a teologia da criação e incarnação, mas como é claro, pressupõe-na. Quando nós cristãos falamos da cruz, não merecemos ser rotulados de pessimistas, mas antes fundamentamo-nos sobre o realismo da esperança cristã» (RF, II, D 2).

«A partir desta perspectiva pascal que afirma a unidade da cruz e da ressurreição, descobre-se o significado verdadeiro - e o falso - do assim chamado “aggiornamento”. Uma fácil acomodação [adaptação ou compromisso: accomodation, no original] que poderia levar à secularização da Igreja é de excluir. Também de excluir, é um fechamento imóvel sobre si mesma da comunidade dos fieis. Afirmada em vez disso, é uma abertura missionária para a salvação integral do mundo. […] Mas a salvação integral é obtida só se estas realidades humanas forem purificadas e depois elevadas pela graça e familiaridade com Deus, através de Jesus Cristo, no Espírito santo» (RF, II, D 3).

«A partir desta perspectiva nós descobrimos também o princípio teológico para o problema da inculturação. Porque a Igreja é comunhão, a qual junta diversidade e unidade estando presente através do mundo, ela toma de cada cultura tudo o que encontra de valor positivo. Contudo a inculturação é diferente de uma simples adaptação exterior, porque significa a íntima transformação de autênticos valores culturais pela sua integração no Cristianismo de variadas culturas humanas» (RF, II, D 4).

«O Concilio Vaticano II afirmou qua Igreja Católica não recusa nada do que é verdadeiro e santo nas religiões não-Cristãs. […] O Concílio também afirmou que Deus não nega a possibilidade de salvação a ninguém de boa-vontade (LG 16)» (RF, II, D 5).

«As possibilidades concretas de diálogo nas várias regiões dependem de muitas circunstâncias concretas. Tudo isto é também verdade para o diálogo com os não-crentes. O diálogo não deve opor-se à missão. O diálogo autêntico tende a trazer a pessoa humana a abrir-se e a comunicar a sua inferioridade [inferiority no original; gralha em vez de interiority, interioridade?] àquele com quem ele está falando. Mais ainda, todos os Cristãos receberam de Cristo a missão de fazer de todos os povos discípulos de Cristo (Mt 28,18). Neste sentido Deus pode usar o diálogo entre Cristãos e não-Cristãos e entre Cristãos e não-crentes como caminho para comunicar a plenitude da graça» (RF, II, D 5).

«A Igreja deve profeticamente denunciar toda a forma de pobreza e opressão e por toda a parte defender e promover os fundamentais e inalienáveis direitos da pessoa humana. Isto é sobretudo o caso onde esteja em questão a defesa da vida humana desde o momento do seu início exacto; da sua protecção de agressores em cada circunstância; e da sua promoção efectiva em todos os aspectos» (RF, II, D 6).

«O Sínodo expressa a sua comunhão com aqueles irmãos e irmãs que sofrem perseguição por causa da sua fé e que sofrem devido à promoção da justiça; o Sínodo eleva orações a Deus por eles» (RF, II, D 6).

«A missão salvífica da Igreja relativamente ao mundo deve ser entendida como um todo integral. Embora seja espiritual, a missão da Igreja envolve a promoção humana, mesmo em aspectos temporais. Por esta razão a missão da Igreja não pode ser reduzida a um monismo, não importando como este é entendido. Nesta missão existe certamente uma clara distinção – mas não uma separação – entre os aspectos naturais e os sobrenaturais. Esta dualidade não é um dualismo. É assim necessário pôr de lado as falsas e inúteis oposições entre, por exemplo, a missão espiritual e a “diaconia” [13] pelo mundo» (RF, II, D 6).

«Na conclusão desta assembleia, o Sínodo, das profundezas do nosso coração, dá graças a Deus Pai, por Seu Filho, no Espírito Santo pela maior graça deste século [XX], isto é o Concílio Vaticano II» (RF, II, D 7).

«Nós bispos, todos nós, juntamente com Pedro e sob a sua chefia, esforçámo-nos por compreender mais profundamente o Concílio Vaticano II e por o implementar correctamente na Igreja. Foi esse o nosso objectivo durante este Sínodo. […] A mensagem do Concílio Vaticano II já foi bem-vinda com grande acordo pela Igreja inteira, e permanece a “Magna Carta” para o futuro» (RF, II, D 7).

«Finalmente, possa chegar nos nossos dias aquele “novo Pentecostes” de que o Papa João XXIII já tinha falado e de que nós, com todos os fieis, esperamos do Espírito Santo» (RF, II, D 7).

Posfácio

Poder-se-á comentar que ao divulgar (14) este documento dos Bispos de 1985 sobre o CV II, eu estarei a procurar ser conciliador. Concordo! De facto, procuro. No ano que findou (2017) e durante o qual, obviamente sem precedentes na história da Igreja, esta se permitiu, ao mais alto nível, celebrar (sic) a rotura operada no século XVI, chamada Reforma, julgo ser da máxima importância todo e qualquer cuidado e esforço postos na manutenção e até acréscimo da unidade católica, universal, de todos os baptizados na Santíssima Trindade!

Com efeito, a túnica «sem costura, tecida de uma só peça» que revestiu o Corpo de Cristo – do qual a Igreja é misticamente uma concretização - e que os soldados que repartiram as outras suas roupas, após o pregarem na cruz, não ousaram rasgar (cf. Jo 19,23-24) não deverá manter-se assim? Não a romperam os próprios carrascos de Cristo. Efectivamente, diz São João que assim «foi o que fizeram os soldados» (Jo, 19,24). Ora, quanto mais nós, não devemos rasgar ainda mais a túnica, se não desejarmos comportarmo-nos ainda pior que os carrascos de Jesus, mas antes como Seus fieis discípulos!

Mais: penso que não podemos separar uns dos outros - com hermenêuticas da rotura, independentemente de quem as aplica e do lado de onde provêm - os 21 Concílios ecuménicos que fazem parte da história da Igreja (15), ocorridos desde o ano 325 até 1965. Todos eles foram legítimos, confirmados ou pelo menos aceites pelo Sucessor de Pedro; todos ocorreram naturalmente em diversos contextos históricos; com documentos, afirmações ou condenações de diverso peso, natureza e força dogmática, pastoral ou disciplinar.

Penso que a interpretação de todos os 21 Concílios ecuménicos, só pode fazer-se segundo uma «hermenêutica da reforma, da renovação na continuidade». Penso que ou se aceitam todos os 21 Concílios, em bloco, embora tendo em conta tudo o que teologicamente os distingue entre si; ou se rompe com todos, ao infligir entre tal e tal Concílio uma descontinuidade fatal. Penso que não há alternativa, segundo a lógica racional mais elementar, mas, sobretudo, segundo a fé católica e apostólica, da qual o legítimo Sucessor de Pedro, como Cabeça visível, e com ele os Bispos, cum Petro et sub Petro, são os garantes ao longo da História.

Nem devemos privilegiar um qualquer Concílio em relação a outro: «A Igreja é uma e a mesma através de todos os Concílios» (cf. RF, I,5).

E concluo com uma exortação: uma vez que estamos na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos - já em 1894, Leão XIII encorajava a pratica de uma Oitava de Oração pela Unidade - rezemos pelo incremento da visibilidade da unidade católica, na mesma e única fé, nos mesmos sete sacramentos, na mesma hierarquia! (cf. Catecismo da Igreja Católica, nº 813-816).

Janeiro de 2018, durante a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

João Duarte Bleck, médico e leigo Católico

Referências (da 2ª parte)

13. Diaconia, palavra de origem grega que significa o serviço que se presta.

14. Recordo que a 1ª parte das duas que constituem este artigo, foi já anteriormente publicada.

15. cf. o respectivo Sumario, pp 8-29, em: Heinrich Denzinger, Peter Hünermann, El Magisterio de La Iglesia Enchiridion Symbolorum Definitionum et Declarationum de Rebus Fidei et Morum, Version castellana de la 38ª edición alemana, Segunda edición corregida: julio de 2000, Empresa Editorial Herder, S.A., Barcelona. 


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