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terça-feira, 14 de abril de 2026

O notável diálogo de São Justino antes de ser martirizado

Aqueles homens santos foram presos e levados ao prefeito de Roma, chamado Rústico. Estando eles diante do tribunal, o prefeito Rústico disse a Justino: «Primeiramente, manifesta a tua fé nos deuses e obedece aos imperadores». Justino respondeu: «Não podemos ser acusados nem presos por obedecer aos mandamentos de Jesus Cristo, nosso Salvador».

Rústico perguntou: «Que doutrinas professas?». Justino disse: «Procurei conhecer todas as doutrinas, mas acabei por abraçar a doutrina verdadeira dos cristãos, embora ela não agrade àqueles que vivem no erro».

O prefeito Rústico inquiriu: «Que verdade é essa?». Justino explicou: «Adoramos o Deus dos cristãos, a quem consideramos como o único criador, desde o princípio, e artífice de toda a criação, das coisas visíveis e invisíveis; e adoramos o Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, de quem foi anunciado pelos Profetas que viria ao género humano como mensageiro da salvação e mestre da boa doutrina. E eu, porque sou homem e nada mais, considero insignificante tudo o que digo para exprimir a sua divindade infinita, mas reconheço o valor das profecias, que previamente anunciaram Aquele que afirmei ser o Filho de Deus. Sei que eram inspirados por Deus os Profetas que vaticinaram a sua vinda para o meio dos homens».

Rústico perguntou: «Portanto, tu és cristão?». Justino confirmou: «Sim, sou cristão».

O prefeito disse a Justino: «Ouve, tu que és tido por sábio e julgas conhecer a verdadeira doutrina: se fores flagelado e decapitado estás convencido de que subirás ao Céu?». Justino respondeu: «Espero entrar naquela morada, se tiver de sofrer o que dizes, pois sei que a todos os que viverem santamente lhes está reservada a recompensa de Deus até ao fim dos séculos».

O prefeito Rústico perguntou: «Então, tu supões que hás-de subir ao Céu, para receber algum prémio em retribuição?». Justino disse: «Não suponho, sei-o com toda a certeza».

O prefeito Rústico retorquiu: «Bem, deixemos isso e vamos à questão de que se trata, à qual não podemos fugir e é urgente. Aproximai-vos e todos juntos sacrificai aos deuses». Justino respondeu-lhe: «Não há ninguém que, sem perder a razão, abandone a piedade para cair na impiedade».

O prefeito Rústico continuou: «Se não fizerdes o que vos é mandado, sereis torturados sem compaixão». Justino disse: «Desejamos e esperamos chegar à salvação através dos tormentos que sofremos por amor de Nosso Senhor Jesus Cristo. O sofrimento garante-nos a salvação e dá-nos confiança perante o tribunal de nosso Senhor e Salvador, que é universal e mais terrível que o teu».

E os outros mártires disseram o mesmo: «Faz o que quiseres; porque nós somos cristãos e não sacrificamos aos ídolos».

O prefeito Rústico pronunciou então a sentença, dizendo: «Os que não quiseram sacrificar aos deuses e obedecer à ordem do imperador, sejam flagelados e conduzidos ao suplício, segundo as leis, para sofrerem a pena capital». Glorificando a Deus, os santos mártires saíram para o lugar do costume; e ali foram decapitados e consumaram o seu martírio, dando testemunho da fé no Salvador.

Das Actas do martírio de São Justino e dos seus companheiros, Cap. 1-5: cf. PG 6, 1566-1571 (Séc. II)


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quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Os mártires de Marrocos, enviados por São Francisco para converterem os muçulmanos

Em 1219, São Francisco de Assis enviou em missão para Marrocos seis dos seus mais destemidos frades menores, apaixonados do Evangelho, precursores de todos os missionários portugueses, lançados ao mar tenebroso e à conquista dos povos para Cristo obedecendo ao mandato do Infante de Assis em serviço do Rei dos reis, Jesus Cristo:

"Meus Filhos, o Senhor disse-me que vos mande aos sarracenos a lhes pregar a fé e a combater a lei de mafoma. Eu vou também a outras terras trabalhar na salvação dos infiéis. Sede prestos a cumprir a vontade do Senhor. Entre vós conservai a paz, a concórdia e a caridade. Sede humildes na tribulação e imitai a Jesus Cristo na pobreza na castidade de na obediência. Ponde as vossas esperanças em Deus, ele vos sustentará e vos guiará. Aquele que vos envia, Ele mesmo velará por vós vos inspirará o que houverdes de dizer." Ajoelharam e S. Francisco concluiu: “Desça sobre vós a benção de Deus Pai, como desceu sobre os Apóstolos Ele vos acompanhe e fortifique nas tribulações. Não temais nada porque Deus está convosco. Ide em Nome do Senhor."

E lá foram os obedientes frades de origem italiana: Vital, Berardo, Otão (sacerdotes), Pedro (Diácono), Acúrsio e Adjuto (Leigos). 

Foram recebidos em Coimbra pela rainha D. Urraca, mulher de Afonso II que então reinava em Portugal. Continuaram para Alenquer onde se apresentaram à infanta D. Sancha, filha de D. Sancho primeiro e irmã do rei D. Afonso II, fundadora do primeiro convento franciscano em Portugal. Seguiram viagem e depois de passarem em Lisboa, chegaram a Sevilha. Aí ficaram uma semana, finda a qual foram à mesquita, precisamente no dia em que os mouros festejavam Maomé e começaram a pregar a doutrina de Jesus e denunciando que o profeta Maomé não passava de uma idolatria. Corridos à pancada para fora da mesquita, passaram a Marrocos, onde começam a percorrer as ruas pregando o nome de Jesus e, quando vêem aproximar-se o Miramolim Aboidil, com mais ânimo continuaram a proclamar a mensagem cristã. 

O Miramolim mandou-os prender e ficaram numas masmorras vinte dias sem comer nem beber. Uma vez libertos, apressaram-se em retomar a sua missão. Decretada mais uma vez a sua morte, o Sultão encarrega o seu filho Abosaide de os prender e decapitar. É chegado então, e definitivamente o momento tão desejado por estes frades, finalmente o martírio pelo nome de Jesus iria por fim acontecer. Foi realmente uma morte violenta a destes cinco frades. 

São açoitados e, atados de mãos e pés, arrastam-nos de um lado para o outro com cavalos e em seguida, sobre seus corpos descarnados deixam cair azeite a ferver, continuando depois a arrastá-los pelo chão mas desta vez sobre vidros e cacos espalhados pelo chão. O Miramolim ainda os tentou com dinheiro e mulheres. Mas não havia nada a fazer e o Miramolim dizia então que só a espada poderia calar aqueles homens decididos e firmes no que diziam. “O nossos corpos miseráveis estão nas tuas mãos sob a tua autoridade, mas as nossas almas estão nas mãos de Deus. 

Com a sua ira no limite, o Miramolim pegou na sua cimitarra a acabou com a vida daqueles cinco frades, rachando-lhes o crânio ao meio e depois decepando-lhes as cabeças. Era o ano de 1220. Dia 16 de Janeiro. Cedo acabou a tarefa missionária daqueles cinco frades, mas a sua voz continua a ecoar por toda a terra e a sua mensagem até aos confins do mundo. Os Mártires de Marrocos foram canonizados pelo Papa Sisto IV em 1481.


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terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Dia dos Mártires de Marrocos

Berardo, Otão, Pedro, Acúrsio e Adjuto foram os primeiros missionários enviados por São Francisco às terras dos sarracenos. Naturais de Narni (Itália), abraçaram o exemplo de vida de Francisco de Assis e ingressaram na Ordem dos Frades Menores. Partindo de Assis em 1219, passaram por Coimbra, onde tiveram a possibilidade de conhecer o Cónego Regrante Fernando de Bulhões (o futuro Santo António).

De passagem por Sevilha, desprezando o perigo, começaram a pregar a fé de Cristo nas mesquitas. Conduzidos perante o sultão, foram encarcerados e, depois, transferidos para Marrocos com a ordem de não pregar mais o nome de Cristo.Eles, porém, continuaram com grande coragem a anunciar o Evangelho. Por isso, foram presos e cruelmente torturados e, finalmente, decapitados em Marraquexe, a 16 de Janeiro de 1220.

Os restos mortais (as relíquias) dos Santos Mártires trazidos pelo Infante D. Pedro para o Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, foram acolhidos por grande multidão de fiéis, que lhes atribuiu uma singela veneração. Foi o corajoso exemplo de fé destes irmãos que motivou Santo António a mudar de vida e a ingressar na nascente Ordem franciscana.

Ao receber o anúncio do glorioso martírio, São Francisco exclamou: “Agora posso dizer com certeza que tenho cinco verdadeiros frades menores”. Os mártires foram canonizados pelo Papa Sisto IV, em 1481.

Franciscanos em Coimbra

Seis anos após a sua conversão, São Francisco obteve, do Papa Inocêncio IX, a aprovação verbal da fraternidade dos Frades Menores. Inflamado pelo desejo de dar a vida pelo Evangelho, decidiu ir à Síria para pregar a fé e a penitência aos muçulmanos, mas as primeiras tentativas não tiveram êxito. Entretanto, em 1217, enviou os seus frades em missão para todas as principais nações europeias. No Pentecostes de 1219, Francisco enviou também os frades Vidal, Berardo, Otão, Pedro, Acúrsio e Adjuto, para pregar o Evangelho aos sarracenos marroquinos, enquanto ele optou por se juntar aos cruzados que se dirigiam à Palestina, a fim de visitar os lugares sagrados e pregar o Evangelho ao Sultão do Egipto.

Os seis missionários chegaram a Espanha. Entrados no reino de Aragão, Vidal, líder da expedição, ficou doente e teve que interromper a sua viagem. Todavia os outros, chefiados agora por frei Berardo, prosseguiram a viagem. Chegados a Coimbra, a rainha D. Urraca, esposa de D. Afonso II, recebeu-os com carinho. Nesta cidade, tiveram a oportunidade de visitar o Mosteiro de Santa Cruz e de conhecer Santo António, então cónego Regrante de nome Fernando Martins de Bulhões.

A caminho de Marrocos

Prosseguindo a viagem, ficaram hospedados no convento de Alenquer, beneficiando da ajuda da Infanta Sancha, irmã do rei, que lhes forneceu roupas para facilitar o seu trabalho apostólico entre os muçulmanos.

Assim vestidos, eles embarcaram para a cidade de Sevilha, na época a capital dos reis mouros. Destemidos, eles foram logo para a mesquita principal e começaram a pregar o Evangelho e a conversão das pessoas. Tidos por tolos, foram presos, espancados e conduzidos ao palácio do Sultão que os escutou com relutância; mas, quando ouviu falar de Maomé como um falso profeta, ficou furioso e ordenou que fossem metidos na prisão. Depois de alguns dias, o Sultão mandou-os chamar e, ouvindo que eles queriam ir para Marrocos, satisfez o seu pedido e fê-los embarcar para lá.

Pregação e Martírio

Chegados a Marrocos, menosprezando os conselhos do Infante D. Pedro, os frades começaram logo a pregar a fé cristã e a criticar Maomé e o Alcorão, o livro sagrado dos muçulmanos. O rei Miramolim expulsou-os da cidade, ordenando que fossem enviados de volta às terras cristãs. Mas os frades, assim que foram libertados, voltaram prontamente à cidade e retomaram a pregação na praça pública. O rei ficou enfurecido e mandou-os lançar numa cela escura para perecerem de fome e sofrimento. Aconteceu, porém, que, após três semanas de jejum, eles foram soltos em melhores condições do que antes. O próprio Miramolim ficou deveras surpreendido. Entretanto, providenciou, pela segunda vez, para que fossem enviados de volta para Espanha, mas eles conseguiram novamente escapar e voltaram a pregar, até que o Infante português os deteve na sua residência sob vigilância, temendo que o seu zelo excessivo pudesse afetar os outros membros cristãos da sua comitiva.

Porém, apesar da proibição do rei, os frades continuaram a pregar o Evangelho. Então, foram novamente presos e açoitados. Depois, foram entregues à populaça, para vingar os insultos que tinham proferido contra Maomé; em seguida, foram flagelados nas encruzilhadas das ruas e arrastados sobre pedaços de vidro e cacos de vasos partidos. Nas feridas abertas, foram deitados sal e vinagre misturados com óleo a ferver; mas eles suportaram todos esses suplícios com tanta força de ânimo, que pareciam impassíveis. Então, Miramolim, admirado por tanta paciência e resignação, tentou convencê-los a abraçar o Islão, prometendo riquezas, honras e prazeres. Mas os cinco frades rejeitaram também as cinco raparigas, oferecidas como esposas, e continuaram destemidos a exaltar a religião cristã.

A este ponto, Miramolim não aguentou mais tanta aversão e, cheio de raiva, puxou da sua cimitarra e decapitou os cinco intrépidos confessores da fé: era o dia 16 de Janeiro de 1220.

As relíquias são trazidas para Santa Cruz, em Coimbra

Os corpos e as cabeças dos mártires foram arrastados pelas ruas da cidade e finalmente lançados nomonturo da cidade, presa de cães e pássaros. Uma tempestade providencial, no entanto, levou os animais a fugir e permitiu que os cristãos recuperassem os restos dos frades e os transportassem para a residência do Infante D. Pedro. De regresso a Portugal, o Infante trouxe consigo as preciosas relíquias destinadas ao Mosteiro de Santa Cruz, em Coimbra.

Ao ouvir a notícia do martírio de seus cinco confrades, São Francisco exclamou: “Agora posso dizer que tenho verdadeiramente cinco frades menores”.

O fruto mais saboroso do seu martírio foi, porém, a mudança de vida que provocaram no monge Fernando Martins de Bulhões que, animado pelo mesmo zelo, decidiu seguir o seu exemplo, entrando na Ordem dos Frades Menores.

Os mártires foram canonizados pelo Papa Sisto IV em 1481, enquanto frei António (de Lisboa, de Coimbra, de Pádua e de todo o mundo) logo depois da sua morte, ocorrida em Pádua a 13 de Junho de 1231, foi proclamado santo, a 30 de maio de 1232.

in santoantonio.live


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domingo, 23 de abril de 2023

A audácia de São Jorge no Senado Romano

Os primeiros séculos do cristianismo foram caracterizados por fortes perseguições, especialmente por parte do Império Romano. Decorria uma sessão do Senado Romano, na presença do Imperador Diocleciano, cujo propósito era encontrar a maneira mais eficaz de perseguir os Cristãos. São Jorge, cavaleiro ilustre e cristão desde criança, levantou-se e proferiu uma intervenção que espantou todo o Senado. O texto encontra-se nas actas martiriais do Santo.

São Jorge: “Por que razão, invencibilíssimo Imperador, Ilustre Senado, Generosos e Nobres Cavaleiros, mudando o vosso costume de obedecer e manter as Leis, agora ordenais uma Lei tão injusta e perniciosa contra os Cristãos, que são gente virtuosa, santa, justa e digna de toda veneração e respeito. Quereis, vós, talvez, que eles adorem os vossos ídolos. E se estes não são deuses, por que quereis que eles os adorem? Aqueles que os adoram são cegos; não sabem que apenas Jesus Cristo, com o Seu Eterno Pai e com o Espírito Santo, é o verdadeiro Deus que se deve adorar, pelo qual todas as coisas são feitas e governadas. Muito melhor faríeis se, deixando a vossa cegueira, abrísseis os vossos olhos e adorásseis Jesus Cristo do que perseguir os Cristãos e querer fazê-los adorar à força os vossos falsos deuses”.

Magnezio (Cônsul): “Quem és tu? E qual é o teu nome?”

São Jorge: "O meu principal Nome é Cristão, e aqueles que me conhecem me chamam Jorge. Nasci na Capadócia e sou Nobre e tenho por ofício ser Tribuno dos cavalos do Exército do Imperador."

Magnezio: “Quem te autorizou a falar assim livremente e com tanta audácia?” 

São Jorge: “A Verdade.”

Magnezio: “O que é a Verdade?”, perguntou o Cônsul. 

São Jorge: “A Verdade é Cristo, que vós, idólatras, perseguis.” 

Magnezio: “Então, és Cristão”, disse Magnezio. 

São Jorge: “Eu sou Servo de Jesus Cristo, e, confiando n’Ele, quis dar testemunho da Verdade, no meio deste famoso Colégio.”

Imperador Diocleciano: “Eu não sei, ó Jorge, que loucura é esta tua de me contradizer, sabendo aquilo que fiz por ti, porque, conhecendo eu a Nobreza do teu sangue, e vendo a tua graça e destreza, te honrei fazendo-te Tribuno, e pensava de te dar ofícios maiores, coisas que tu alteraste todas presentemente. Eu te aconselho, como pai, e te advirto, como senhor, que deixes a tua má opinião e adores a nossos deuses, se não quiseres perder tudo aquilo que ganhaste até agora, e, junto, a vida.”

São Jorge: “Quisera Deus que tu, Imperador, tomasses conselho que para teu bem te dá o teu fiel servo, o qual é este: que, deixando de adorares aos falsos deuses, adorasses Jesus Cristo, verdadeiro Deus, o que seria salutar para o Império e para as almas também”.

Depois de várias torturas e maus-tratos, São Jorge acabou por ser martirizado enquanto o Santo pedia a Deus que perdoasse os que lhe viriam a cortar a cabeça.

Por ser o Santo onomástico do Papa Francisco (Jorge Mario Bergoglio), hoje é feriado no Vaticano.

São Jorge, rogai por nós.


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sábado, 4 de fevereiro de 2023

São João de Brito, missionário jesuíta português e mártir

São João de Brito ficou conhecido é muitas vezes chamado "o São Francisco Xavier Português". Foi canonizado em 22 de Junho de 1947, pelo Papa Pio XII.

Nascido em Lisboa, Portugal, no ano de 1647. Seu pai, Salvador Pereira de Brito; sua mãe, D. Brites Pereira. O seu pai foi enviado pelo rei Dom João IV para ser governador no Brasil, lugar onde faleceu.

Ordenado Padre na Companhia de Jesus em 1675, João de Brito iniciou a sua missão apostólica em Malabar, na Índia. Desde o início procurou fazer igual aos nativos em tudo o que fosse possível. Andava descalço por enormes distâncias, apenas com uma simples manta de algodão e livros cristãos. Um dos maiores missionários portugueses na Índia, chegou a converter várias comunidades hindus à Fé Católica. 

A pedido do Rei Dom Pedro II voltou para Portugal. Aí, recebeu um convite irrecusável para muitos: o de ser conselheiro do Rei o mestre do seu filho. O Padre João de Brito, porém, recusou esta honraria e voltou para a Índia.

Quando São João de Brito pisou em Malabar, voltando de Portugal, deparou-se com um cenário devastador: os cristãos tinham sido mortos; as casas e as igrejas saqueadas e incendiadas. Tratava-se de uma revolta dos líderes religiosos hindus, conhecidos como brâmanes. 

Por isso, São João de Brito foi igualmente preso e decapitado. Aconteceu no dia 4 de Fevereiro de 1693. Antes de ser executado, São João de Brito obteve permissão para rezar. No mesmo local onde foi executado, o seu corpo teve os membros decepados e foi exposto. O Papa Pio XII canonizou-o em 1947 e determinou que a sua festa litúrgica fosse celebrada no dia da sua morte.

Daniel Jorge Marques Filho


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sexta-feira, 21 de janeiro de 2022

Papa Pio VI sobre a execução de Luís XVI, Rei de França

Passam hoje 229 anos do assassinato do Rei Luís XVI na guilhotina, por parte dos revolucionários franceses. O Papa Pio VI proferiu um discurso sobre esse evento dramático no consistório secreto de 17 de Junho de 1793, do qual publicamos uma parte:

Ah França, França, tu a quem os nossos predecessores chamavam o espelho do cristianismo, e com o apoio imutável da Fé! Tu que pelo teu zelo na crença cristã, e a tua piedade filial à Sé Apostólica, não te encontras a par das outras nações, mas as precedes a todas. Como nos és contrário hoje em dia! De que espírito de hostilidade te apresentas animada contra a verdadeira religião! Quanto já supera a fúria, que manifestas aos excessos de todos aqueles que têm mostrado até agora os seus perseguidores mais implacáveis! 

E, no entanto, não podes ignorar, mesmo se o quiseres, que a religião é a guarda mais segura e a base mais sólida dos Impérios; pois também reprime os abusos de autoridade dos Príncipes, que governam, e os defeitos da licença dos súbditos, que obedecem. Oh! É por isso que todos os facciosos antagonistas das prerrogativas reais buscam o modo de aniquilá-las, esforçando-se por derrubar a Fé Católica.

Ah França, repito novamente! Tu mesmo pedias um Rei Católico. Disseste que as leis fundamentais do Rei não permitiam que reconhecer um Rei que não fosse católico. E vê agora que, tendo aquele Rei Católico, acabaste de o assassinar, presumivelmente porque ele o era. A tua raiva contra este Monarca foi tal que nem mesmo a sua própria tortura foi capaz de a satisfazer ou apaziguá-la. Mesmo depois da sua morte nos seus despojos tristes ordenaste que o seu cadáver fosse levado e enterrado sem qualquer provisão de um enterro honroso. Oh! Pelo menos a Majestade Real foi respeitado em Maria Stuart depois da sua morte. O seu corpo foi embalsamado, levado para a cidadela e depositado num lugar preparado para esse fim. Foi ordenado aos seus oficiais que ficassem, juntamente com a família, perto do caixão, com todas as insígnias de suas dignidades, até que ele destinasse a esta Princesa um enterro conveniente. 

O que ganhaste tu entregando-te a um movimento de ódio e raiva, não te conseguiste satisfazer mas apenas atrair mais ignomínia e infâmia, e causar ressentimento e indignação geral dos Soberanos, muito irritados contra ti, que eles nunca o foram contra Isabel de Inglaterra.

Ó dia de triunfo de Luís XVI, a quem Deus deu paciência nas tribulações e vitória no meio da tortura! Temos a firme confiança de que ditosamente foi substituída uma Coroa Real, cujas as cores em breve iriam desaparecer, por um diadema eterno, que os Anjos teceram com lírios imortais.



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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

O martírio cristão é um anúncio ao Mundo


O próprio significado gramatical (etimológico) da palavra "mártir" deita por terra a noção da religião ser apenas do foro privado. Os martírios cristãos foram mais do que demonstrações; foram anúncios.

Nos dias de hoje, a nova moral do espiritual politicamente correcto pretende alterar tudo isso. Permitiria que Cristo fosse crucificado se tal fosse necessário, mas, em nome da boa educação, deveria ser crucificado num quarto particular. 

Declara que o facto de um mártir ser trucidado por um leão é, em si mesmo, comum e sensacional, desde que, claro, ele seja trucidado pelo leão na sala de estar destes intelectuais, rodeados pelos seus amigos íntimos.

Chesterton in 'The Defendant' (1901)


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domingo, 2 de junho de 2019

Os 7 Bispos mártires do Comunismo na Roménia

Em visita apostólica à Roménia, o Papa Francisco beatificou 7 Bispos que foram perseguidos e martirizados entre 1950 e 1970 por se terem recusado a colaborar com o regime comunista. Que o seu exemplo nos encha de fortaleza para lutar contra essa ideologia diabólica: 

1. Valeriu Traian Frentiu, primeiro Bispo de Oradea, e depois Administrador Apostólico da Arquidiocese de Alba Iulia e Fagaras, foi preso em 28 de Outubro de 1948 pelo regime comunista. Ele ficou prisioneiro no campo de concentração de Dragoslavele, depois no Monastério de Caldarusani - que se tornou um centro de detenção - e, desde 1950, na penitenciária de Sighetul Marmatiei. Ele não suportou as duras condições desta última prisão e morreu a 11 de Julho de 1952. O seu corpo foi enterrado sem um caixão numa vala comum.

2. Vasile Aftenie era bispo de Ulpiana. Ele foi preso em 28 de Outubro de 1948 pelas autoridades comunistas e transferido primeiro para Dragoslavele e depois para o campo de concentração construído no Mosteiro de Caldarusani, onde foi torturado e mutilado. Por fim, ficou detido na prisão de Vacaresti, onde morreu em 10 de Maio de 1950.

3. Ioan Suciu foi bispo auxiliar de Oradea Mare e posteriormente Administrador Apostólico da Arquidiocese de Alba Iulia e Fagaras, juntamente com o Bispo Valeriu Traian Frentiu. Ele foi detido em 28 de Outubro de 1948 e seguiu o mesmo caminho que os outros bispos: primeiro ficou preso em Dragoslavele e depois no Monastério de Caldarusani. Em 1950 foi transferido para a prisão de Sighetul Marmatiei, onde foi torturado e abandonado entre a doença e a fome. Morreu em 27 de Junho de 1953 e foi enterrado numa vala comum.

4. Tit Liviu Chinezu foi preso em 28 de Outubro de 1948 juntamente com outros padres e bispos e transferido para o Mosteiro de Neamt. Foi então transferido para a prisão Caldarusani onde, a 3 de Dezembro de 1949, recebeu a sagração episcopal de outros bispos presos. Quando a notícia da ordenação chegou às autoridades comunistas, o novo bispo foi transferido para o centro penitenciário de Sighetul Marmatiei. Lá sofreu uma doença grave devido ao trabalho forçado, fome e frio. Morreu em 15 de Janeiro de 1955 e foi enterrado numa vala comum.

5. Ioan Balan foi sagrado bispo de Lugoj em 1936 e mais tarde foi nomeado bispo metropolitano. Ele foi preso em 28 de Outubro de 1948 e aprisionado em Dragoslavele e depois no Mosteiro de Caldarusani. Em Maio de 1950 foi transferido para a penitenciária de Sighetul Marmatiei. Em 1956 foi transferido para o Mosteiro de Ciorogarla, onde ficou seriamente doente. Morreu a 4 de Agosto de 1959.

6. Alexandru Rusu foi bispo de Maramure e Metropolita. Em 28 de Outubro de 1948, as autoridades comunistas levaram-no para Dragoslavele e, como outros bispos católicos, depois para o Mosteiro de Caldarusani e o Centro Penitenciário de Sighetul Marmatiei. Mais tarde foi transferido para outras prisões. Ficou doente e morreu em 9 de Maio de 1963.

7. Iuliu Hossu foi bispo da Eparquia greco-católica de Gerla, na Transilvânia. Em 28 de Outubro de 1948 foi preso pelo governo comunista e deportado para Dragoslavele. Foi então transferido para o Mosteiro de Caldarusani e depois para a prisão de Sighetul Marmatiei. Depois de passar por outros centros de detenção, foi transferido de volta para o Mosteiro de Caldarusani. Aí permaneceu encarcerado até sua morte em 28 de Maio de 1970.



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quarta-feira, 26 de setembro de 2018

Perguntavam o nome aos cristãos perseguidos e eles respondiam: Cristianus

Ao estudar as actas dos interrogatórios feitos aos cristãos, nas perseguições do Império Romano, percebemos que muitos deles, quando lhes perguntavam o nome respondiam: Cristianus! Numa época em que ser cristão era motivo suficiente para ser assassinado, dizer logo à partida que se é cristão, sem tentar esconder isso para tentar salvar a pele, é uma enorme prova de coragem. E de Fé em Nosso Senhor Jesus Cristo.

João Silveira


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domingo, 25 de fevereiro de 2018

Coliseu ficou vermelho para lembrar o sangue dos cristãos

O Coliseu, um dos monumentos mais emblemáticos de Roma, ficou hoje tingido de vermelho durante algumas horas. Esta iniciativa da Ajuda à Igreja que Sofre teve o propósito de alertar o mundo para o sangue que hoje em dia é derramado pelos cristãos perseguidos no mundo inteiro. Os cristãos continuam a ser o grupo mais perseguido nos nossos dias, nos continentes Asiático e Africano.

Rezemos pelos nossos irmãos perseguidos por professarem a Fé em Jesus Cristo.


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sábado, 21 de fevereiro de 2015

D. Óscar Romero, novo mártir e futuro Beato da Igreja

O Santo Padre Francisco autorizou a Congregação para as Causas dos Santos a promulgar o decreto relativo ao martírio do servo de Deus Óscar Arnulfo Romero y Galdámez, juntamente com outros futuros beatos. D. Óscar Romero (El Salvador, 1917-1980) foi Arcebispo de São Salvador, assassinado por ódio à fé no dia 24 de marco de 1980, enquanto celebrava a Santa Missa.

"Os mártires interpelam-nos a todos, crentes e não crentes, mas são sobretudo um farol luminoso para os que têm a sua esperança posta em Deus. Estou certo de que D. Óscar Romero vai ser um Santo muito querido."

"Conheci D. Óscar Romero – explica o Prelado do Opus Dei – por ocasião de alguma das visitas que fez a S. Josemaria, em Roma, em 1970. Era um homem piedoso, desprendido de si mesmo e entregue ao seu povo. Notava-se que lutava pela santidade. D. Óscar Romero foi um dos primeiros Bispos que, após a morte de S. Josemaria em 1975, escreveu ao Beato Paulo VI para pedir a abertura da sua causa de canonização. Estou certo de que agora, do Céu, continuará a interceder com o seu amigo S. Josemaria por esta porção do povo de Deus".

S. Josemaria e D. Óscar Arnulfo Romero conheciam-se desde 1955. O Arcebispo de São Salvador estimou o espírito do Opus Dei e manteve contactos frequentes com o trabalho apostólico dos fiéis da Prelatura em El Salvador. Em 1970 foi a Roma e teve várias conversas com S. Josmaria. Como relata o sacerdote Antonio Rodríguez Pedrezuela no seu livro "Um mar sem margens", o fundador do Opus Dei conseguiu que D. Óscar Romero descansasse durante aqueles dias romanos, porque conhecia bem a situação de tensão que se vivia em El Salvador.

O carinho era mútuo e, ao falecer o fundador do Opus Dei, D. Óscar Romero,na carta postulatória para a causa de canonização de S. Josmaria, expressava o seu agradecimento por ter recebido "alento e fortaleza de São Josemaría Escrivá para ser fiel à doutrina inalterável de Cristo e para servir com afã apostólico a Santa Igreja Romana".
Na mesma carta escreveu: "Soube unir na sua vida um diálogo contínuo com o Senhor e uma grande humanidade: notava-se que era um homem de Deus e o seu trato estava cheio de delicadeza, carinho e bom humor. São muitíssimas as pessoas que desde o momento da sua morte, lhe estão a pedir privadamente pelas suas necessidades". Como manifesta uma carta que lhe dirigiu o Beato Álvaro del Portillo meses antes da sua morte, esse afeto continuou depois do falecimento do fundador do Opus Dei.
Unia-o uma profunda amizade a Mons. Fernando Sáenz, que foi vigário do Opus Dei no país e, mais tarde, sucessor de D. Óscar Romero como Arcebispo de São Salvador. Esta amizade durou até ao próprio dia do seu assassinato, no dia 24 de março de 1980. Precisamente, nesse duro dia, D. Óscar Romero tinha participado, como noutras ocasiões, num convívio para sacerdotes organizado por sacerdotes do Opus Dei. Anos mais tarde, D. Fernando Sáenz relatou neste artigo como tinha sido o último dia do futuro Beato.
in opusdei.pt


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