segunda-feira, 30 de abril de 2018

Um irmão muito especial que escapou ao aborto

Neste vídeo podemos testemunhar o amor entre dois irmãos. Um deles, por causa da sua deficiência, poderia ter sido abortado como acontece a mais de 90% das crianças com aquela doença. Felizmente não foi. Os outros também não deveriam ter sido.





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Corte Pontifícia acompanha o Papa João XXIII

A Corte Pontifícia assistiu o Sucessor de Pedro durante séculos até ter sido suprimida pelo Papa Paulo VI com o Motu Proprio 'Pontificalis domus' (28/03/1968), e substituída pela "Prefeitura da Casa Pontifícia".

A Corte Pontifícia era constituída pela Capela Pontifícia e a Família Pontifícia. A primeira auxiliava o Sumo Pontífice nas suas funções de chefe espiritual da Igreja Católica, especialmente na celebração dos sacramentos; a segunda assistia o Papa nas suas funções de chefe de Estado e estavam relacionadas com o poder temporal e nas actividades do dia-a-dia.



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domingo, 29 de abril de 2018

Catarina: de analfabeta a conselheira do Papa e Doutora da Igreja

Santa Catarina nasceu em Sena no ano de 1347. Ainda muito jovem, ingressou na Ordem Terceira de São Domingos, sobressaindo pelo seu espírito de oração e penitência. Levada pelo seu amor a Deus, à Igreja e ao Romano Pontífice, trabalhou incansavelmente pela paz e unidade da Igreja nos tempos difíceis do desterro de Avignon. Foi a esta cidade e pediu ao Papa Gregório XI que voltasse quanto antes para Roma, de onde o Vigário de Cristo na terra deveria governar a Igreja. “Se morrer, sabei que morro de paixão pela Igreja”, declarou uns dias antes da sua morte, ocorrida no dia 30 de abril de 1380.

Escreveu inúmeras cartas, das quais se conservam cerca de quatrocentas, algumas orações e elevações, e um só livro, oDiálogo, que relata as conversas íntimas da Santa com o Senhor. Foi canonizada por Pio II e o seu culto estendeu-se rapidamente por toda a Europa. Santa Teresa diz que, depois de Deus, devia a Santa Catarina, muito singularmente, o progresso da sua alma. Pio IX nomeou-a segunda padroeira da Itália e Paulo VI declarou-a Doutora da Igreja.

I. SEM PARTICULAR INSTRUÇÃO, aprendeu a escrever quando já era bastante crescida, e numa existência muita curta, Santa Catarina teve uma vida cheia de frutos, “como se tivesse pressa de chegar ao eterno tabernáculo da Santíssima Trindade”(1). Para nós, é um modelo de amor à Igreja e ao Romano Pontífice, a quem chamava “o doce Cristo na terra”(2), e de clareza e valentia para se fazer ouvir por todos.

Os Papas residiam naquela altura em Avignon, e Roma, o centro da cristandade, ia-se transformando numa grande ruína; como é evidente, tal situação acarretava inúmeras dificuldades à Igreja universal. E o Senhor fez com que Santa Catarina compreendesse a necessidade de que os Papas voltassem à sede romana para darem início à ansiada e imprescindível reforma. E ela correspondeu: orou incansavelmente, entregou-se à penitência, escreveu ao Papa, aos cardeais, aos príncipes cristãos...

Ao mesmo tempo, proclamou por todo o mundo a obediência e o amor ao Romano Pontífice, acerca do qual escreve: “Quem não obedece a Cristo na terra, àquele que está no lugar de Cristo no Céu, não participa do fruto do sangue do Filho de Deus”(3).

Com enorme vigor, dirigiu prementes exortações a cardeais, bispos e sacerdotes, implorando-lhes a reforma da Igreja e a pureza dos costumes. E não deixou de censurá-los gravemente, embora sempre com humildade e respeito pela dignidade de que estavam revestidos, pois “são ministros do sangue de Cristo”(4(. Estava convencida de que da conversão e do exemplo dos pastores da Igreja dependia a saúde espiritual do rebanho.

Pedimos hoje a Santa Catarina de Sena que saibamos alegrar-nos com as alegrias da nossa Mãe a Igreja e sofrer com as suas dores. E nos perguntamos como é a nossa oração pelos pastores que a governam, se oferecemos diariamente algum sacrifício, horas de trabalho, contrariedades suportadas com serenidade... pelas intenções do Santo Padre, desejosos de ajudá-lo a enfrentar essa imensa carga que Deus colocou sobre os seus ombros. Pedimos também a Santa Catarina que nunca faltem bons colaboradores ao lado do “doce Cristo na terra”.

“Para tantos momentos da história, que o diabo se encarrega de repetir, parece-me uma consideração muito acertada aquela que me escrevias sobre lealdade: «Trago o dia todo, no coração, na cabeça e nos lábios, uma jaculatória: Roma!»”(5) Esta única palavra é suficiente para nos ajudar a manter a presença de Deus durante o dia e a manifestar a nossa unidade com o Romano Pontífice e a nossa oração por ele.

II. SANTA CATARINA revelou sempre uma requintada sensibilidade, foi profundamente feminina(6). Ao mesmo tempo, foi extraordinariamente enérgica – como são as mulheres que amam o sacrifício e permanecem junto da Cruz de Cristo –, e não permitia desfalecimentos e fraquezas no serviço de Deus. Estava convencida de que, tratando-se da salvação própria e da salvação das almas, resgatadas por Cristo com o seu Sangue, não tinha cabimento algum enveredar por caminhos de excessiva indulgência, adotar por comodismo ou covardia atitudes de débil filantropia, e por isso gritava: “Basta de unguentos! Pois com tanto ungüento estão-se apodrecendo os membros da Esposa de Cristo!”

Foi sempre fundamentalmente otimista, e não desanimava se, depois de ter feito o que estava ao seu alcance, os assuntos não se resolviam à medida dos seus desejos. Durante toda a sua vida, foi uma mulher profundamente delicada. Os seus discípulos recordaram sempre o seu sorriso aberto e o seu olhar franco; andava sempre bem arrumada, amava as flores e costumava cantar enquanto caminhava. Quando um personagem da época, incitado por um amigo, a procurou para conhecê-la, esperava encontrar uma pessoa de olhar oblíquo e sorriso ambíguo. Teve a grande surpresa de encontrar uma mulher jovem, de olhar claro e sorriso cordial, que o acolheu “como a um irmão que voltava de uma longa viagem”.

Pouco tempo depois de ter retornado a Roma, o Papa morreu. E com a eleição do sucessor iniciou-se o cisma que tantos rasgões e tantas dores havia de produzir na Igreja. Santa Catarina falou e escreveu a cardeais e reis, a príncipes e bispos... Tudo em vão. Exausta e cheia de pena, ofereceu-se a Deus como vítima pela Igreja. Num dia do mês de Janeiro, quando rezava diante do túmulo de São Pedro, sentiu sobre os seus ombros o imenso peso da Igreja, como aconteceu com outros santos. Mas o tormento durou poucos meses: no dia 29 de abril, por volta do meio-dia, Deus a chamou para a sua glória.

Do leito de morte, dirigiu ao Senhor esta comovente oração: “Ó Deus eterno!, recebe o sacrifício da minha vida em benefício deste Corpo Místico da Santa Igreja. Não tenho outra coisa para oferecer-te a não ser aquilo que me deste”(7). Uns dias antes, tinha dito ao seu confessor: “Asseguro-lhe que, se morrer, a única causa da minha morte será o zelo e o amor à Igreja que me abrasa e me consome...”

Os nossos dias são também de provas e dor para o Corpo Místico de Cristo. Por isso, “temos de pedir ao Senhor, com um clamor que não cesse (cfr. Is LVIII, 1), que os abrevie, que olhe com misericórdia para a sua Igreja e conceda novamente a luz sobrenatural às almas dos pastores e às de todos os fiéis”(8). Ofereçamos a nossa vida diária, com as suas mil pequenas incidências, pelo Corpo Místico de Cristo. O Senhor haverá de abençoar-nos e Santa Maria – Mater Ecclesiae – derramará a sua graça sobre nós com particular generosidade.

III. SANTA CATARINA ensina-nos a falar com clareza e valentia quando se debatem assuntos que afetam a Igreja, o Sumo Pontífice ou as almas. Não serão poucos os casos em que teremos a grave obrigação de esclarecer a verdade, e, nessas ocasiões, poderemos aprender de Santa Catarina, que nunca retrocedeu diante do fundamental, porque tinha a sua confiança posta em Deus.

Diz-nos o Apóstolo S. João: "Eis a mensagem que ouvimos de Jesus e vos anunciamos: Deus é luz e nele não há nenhuma espécie de trevas"(9). Aqui estava a origem da força dos primeiros cristãos, bem como da dos santos de todos os tempos: não ensinavam uma verdade própria, mas a mensagem de Cristo que nos foi transmitida de geração em geração. É o vigor de uma Verdade que está por cima das modas, da mentalidade de uma época concreta. Devemos aprender cada vez mais a falar das coisas de Deus com naturalidade e simplicidade, mas ao mesmo tempo com a segurança que Cristo pôs na nossa alma.

Perante a campanha sistematicamente organizada para obscurecer a verdade ou silenciar tudo o que sejam obras boas e retas, que às vezes quase não têm eco nos grandes meios de comunicação, nós, cada um no seu ambiente, temos de atuar como porta-vozes da verdade. Alguns Papas falaram da conspiração do silêncio(10), que se tece em torno das boas obras – literárias, cinematográficas, religiosas, de benemerência social – promovidas por bons católicos ou por instituições organizadas por católicos. São silenciadas ou deixadas na penumbra pelo facto de serem promovidas por católicos, enquanto se orquestram louvores a obras ou iniciativas que atentam contra os valores humanos, que pregam uma falsa liberdade e a anti-solidariedade, ou que cancelam do horizonte do homem as ânsias de Deus.

Nós podemos fazer muito bem neste apostolado da opinião pública. Às vezes, não conseguiremos esclarecer senão os vizinhos, os amigos que visitamos ou nos visitam, os colegas de trabalho... Noutros casos, poderemos ir um pouco mais longe por meio de uma carta aos jornais, de uma chamada telefônica a uma emissora de rádio ou de televisão, não nos furtando a responder ao questionário de uma pesquisa de opinião pública... Devemos afastar a tentação do desalento, o sentimento de que “pouco podemos fazer”. Um rio caudaloso é alimentado por pequenos regatos que, por sua vez, se formaram talvez gota a gota. Que não falte a nossa. Assim começaram os primeiros cristãos.

Peçamos hoje a Santa Catarina que nos comunique um pouco do seu amor à Igreja e ao Sumo Pontífice, e que tenhamos ânsias de dar a conhecer a doutrina de Cristo em todos os ambientes, por todos os meios ao nosso alcance, com imaginação e com amor, com sentido otimista e positivo, sem negligenciar uma única oportunidade. E, com palavras da Santa, peçamos também a Nossa Senhora: “A ti recorro, Maria! Ofereço-te a minha súplica pela doce Esposa de Cristo e pelo seu Vigário na terra, a fim de que lhe seja concedida luz para governar a Santa Igreja com discernimento e prudência”(11).

(1) João Paulo II, Homilia em Sena, 14-X-1980; (2) Santa Catarina de Sena, Cartas, III; (3) idem, Carta 207, III; (4) cfr. Paulo VI, Homilia na proclamação de Santa Catarina de Sena como Doutora da Igreja, 4-X-1970; (5) Josemaría Escrivá, Sulco, n. 344; (6) cfr. João Paulo II,Homilia, 29-IV-1980; (7) Santa Catarina de Sena, Carta 371, V; (8) Josemaría Escrivá, Amar a Igreja, Prumo-Rei dos Livros, Lisboa, 1990, pág. 59; (9) 1 Jo 1, 5; (10) cfr. Pio XI, Enc. Divini Redemptoris, 10-III-1937; (11) Santa Catarina de Sena, Oração, XI.

Pe. Francisco Fernández Carvajal in hablarcondios.org


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O problema da Liberdade segundo o Bispo Fulton Sheen

A liberdade está plantada no espírito. Só as criaturas espirituais e racionais são livres. Só o homem tem determinação própria. Porque, dotado de razão, pode assentar os seus próprios projectos e propósitos e escolher os meios de usá-los. Sua suprema liberdade é obtida quando age dentro da lei de seu ser e escolhe dentre as boas coisas com o fim de alcançar o mais completo enriquecimento e a plenitude de sua personalidade em Deus.

A base de nossa liberdade, bem sabemos, é nossa alma racional. Mas existe uma garantia externa de nossa liberdade, já que não somos puramente espirituais, mas porque somos compostos de corpo e alma, matéria e espírito, necessitamos de algum sinal visível e externo de nossa invisível liberdade espiritual. Ou, se o homem é livre porque tem uma alma espiritual, não deverá haver um sinal externo para essa liberdade interna, algo que possa chamar de seu no mundo exterior, assim como chama a sua alma propriedade dentro de si?

Liberdade significa responsabilidade ou domínio de seus actos. Como pode, porém, esta responsabilidade interna melhor revelar-se externamente do que por meio da posse de alguma coisa material sobre a qual se possa exercer controle? O homem é mais livre em seu íntimo, quando possui alguma coisa no mundo exterior que possa chamar de seu, que possa dar cunho a sua personalidade.

Se o homem não possuísse nenhuma coisa que se pudesse tornar responsável, não seria livre nem dentro, nem fora de si. Deem-lhe, porém, alguma coisa que possa afeiçoar à sua própria imagem e semelhança, assim como Deus o fez à sua imagem e semelhança e o homem será economicamente livre. Tal coisa é a propriedade privada.

A propriedade privada, então, é a garantia económica da liberdade, tal como a alma é sua garantia espiritual -- a prova de que é tão livre em seus actos externos quanto em seu foro íntimo; a garantia de que é a fonte da responsabilidade não apenas no que se refere ao que ele é, mas também ao que possui.

O direito à propriedade privada baseia-se na dignidade da pessoa humana e não num privilégio do Estado. O Estado pode confirmar o direito natural, mas em nenhum sentido o cria. O direito à propriedade está, portanto, fundado na natureza humana. Não é o Estado que nos dá este direito. O homem tem esse direito antes do Estado e o Estado não pode destruí-lo sem destruir a natureza do homem.

Pelo facto de a propriedade em suas relações externas ser o sinal da liberdade, é que a Igreja tem feito da larga distribuição da propriedade privada a pedra angular de seu programa social. 'A riqueza, constantemente aumentada pelo progresso económico e social, deve ser distribuída por entre os vários indivíduos e classes de modo tal que seja alcançado o bem comum de todos' (Quadragesimo Anno).

A Igreja, por saber que a propriedade privada é a garantia económica de uma pessoa ou família, luta por ela. Porque renunciar à propriedade é ficar alguém sujeito a outrem. Se renunciar ao meu direito à propriedade, ficarei sujeito, quer:

1 - Ao Estado ou coletividade, como no comunismo;
2 - Ao próximo, como o capitalismo selvagem o quer;
3 - A Deus, como no voto de pobreza (neste caso, ele tudo possui, mas a tudo renuncia, pois nada tem a desejar).

Porque a abolição da propriedade é o começo da escravidão, opõe-se a Igreja ao capitalismo selvagem que encerra a propriedade nas mãos de poucos e ao comunismo, que confisca inteiramente em nome da colectividade.

Profundamente interessada na liberdade do homem, recorre a Igreja a um meio eficaz: sugere-lhe aquilo que o fará livre, isto é, dá-lhe alguma coisa que ele possa chamar de seu.''

Bispo Fulton Sheen in 'O Problema da Liberdade'


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sábado, 28 de abril de 2018

Quaeritur: Um frade dominicano pode andar de skate? Pelos vistos sim!

Vídeo filmado pela 'Catholic Community at Stanford'


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Não é só o interior que conta, não podemos esquecer as práticas exteriores

Embora o essencial desta devoção (a Nossa Senhora) consista no interior, ela não deixa de ter várias práticas exteriores que não devemos esquecer: «É preciso fazer isto sem omitir aquilo»; quer porque as práticas exteriores, bem feitas, ajudam as interiores, quer porque elas recordam ao homem, que é conduzido pelos sentidos, aquilo que ele fez ou deve fazer; até porque elas são próprias para edificar o próximo que as vê, o que não acontece com as puramente interiores.

Que nenhum mundano, portanto, critique, ou meta aqui o nariz a dizer que a verdadeira devoção está no coração, que é preciso evitar o que é exterior, onde pode entrar a vaidade, que se deve esconder esta devoção, etc. 

Respondo-lhes com o Mestre: "Que a vossa luz brilhe diante dos homens, para que eles vejam as boas obras que fazeis e louvem o vosso Pai que está nos Céus"; não queremos dizer, como observa São Gregório, que façamos as nossas devoções e acções exteriores para agradar aos homens e conseguir louvor, o que seria vaidade; mas fazem-se, por vezes, diante dos homens, para agradar a Deus e para que Ele seja glorificado por isso, sem qualquer preocupação com o desprezo ou louvor dos homens. 

São Luís Maria Grignon de Monfort in Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria


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Funcionários da Basílica de São Pedro limpam o baldaquino de Bernini




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sexta-feira, 27 de abril de 2018

São Pedro Canísio SJ: Martelo dos hereges

São Pedro Canísio foi um sacerdote jesuíta holandês, nascido no ano 1521. Foi um forte combatente contra a revolução protestante, especialmente na Alemanha, Áustria e Suiça. O seu trabalho foi especialmente importante na Alemanha, onde se diz que a Fé católica permaneceu graças a este santo. Foi declarado Doutor da Igreja em 1925, pelo Papa Pio XI.

Dele disse o Papa Bento XVI (09.II.2011):

"São Pedro Canísio transcorreu boa parte da sua vida em contacto com as pessoas socialmente mais importantes da sua época e exerceu uma influência especial com os seus escritos. Foi editor das obras completas de São Cirilo de Alexandria e de São Leão Magno, das Cartas de são Jerónimo e das Orações de São Nicolau de Flüe. Publicou livros de devoção em várias línguas, biografias de alguns santos suíços e muitos textos de homilética. Mas os seus escritos mais divulgados foram os três Catecismos, compostos de 1555 a 1558. 

O primeiro Catecismo destinava-se aos estudantes capazes de entender noções elementares de teologia; o segundo, aos jovens do povo para uma primeira instrução religiosa; o terceiro, aos jovens com uma formação escolar a nível de escolas secundárias e superiores. A doutrina católica era exposta com perguntas e respostas, brevemente, em termos bíblicos, com muita clareza e sem comentários polémicos. Só durante a sua vida houve 200 edições deste Catecismo! E sucederam-se centenas de edições até ao século XX. 

Assim na Alemanha, ainda na geração do meu pai, as pessoas chamavam o Catecismo simplesmente o Canísio: foi deveras o Catequista da Alemanha, formou a Fé de pessoas durante séculos."


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quinta-feira, 26 de abril de 2018

Terço nas mãos de Nossa Senhora de Pompeia balança miraculosamente

Centenas de pessoas ficaram espantadas quando o Terço que se encontra nas mãos da estátua de Nossa Senhora do Rosário de Pompeia começou, de repente, a abanar sem que nada o fizesse prever. 

Estava um dia perfeitamente tranquilo, sem vento nem nenhum fenómeno atmosférico que pudesse fazer com que o objecto baloiçasse. Os habitantes de Pompeia dizem que nem no Inverno, em dias de tempestade, costuma o Terço balançar daquele modo porque é bastante pesado.

Para muitos Nossa Senhora terá feito este milagre a fim que as pessoas prestem atenção aos seus insistentes pedidos para que se reze o Terço todos os dias.






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A primeira Missa no Brasil: 26 de Abril do ano 1500

Viu um deles umas contas de rosário, brancas; acenou que lhas dessem, folgou muito com elas, e lançou-as ao pescoço. Depois tirou-as e enrolou-as no braço e acenava para a terra e de novo para as contas e para o colar do Capitão, como dizendo que dariam ouro por aquilo. (...)

Quando saímos do batel, disse o Capitão que seria bom irmos direitos à Cruz, que estava encostada a uma árvore, junto com o rio, para se erguer amanhã, que é sexta-feira, e que nos puséssemos todos de joelhos e a beijássemos para eles verem o acatamento que lhe tínhamos. E assim fizemos. A esses dez ou doze que aí estavam, acenaram-lhe que fizessem assim, e foram logo todos beijá-la. Parece-me gente de tal inocência que, se homem os entendesse e eles a nós, seriam logo cristãos, porque eles, segundo parece, não têm, nem entendem em nenhuma crença. (...)

Enquanto a ficaram fazendo, ele com todos nós outros fomos pela Cruz abaixo do rio, onde ela estava. Dali a trouxemos com esses religiosos e sacerdotes diante cantando, em maneira de procissão. Eram já aí alguns deles, obra de setenta ou oitenta; e, quando nos viram assim vir, alguns se foram meter debaixo dela, para nos ajudar. Passamos o rio, ao longo da praia e fomo-la pôr onde havia de ficar, que será do rio obra de dois tiros de besta. Andando-se ali nisto, vieram bem cento e cinquenta ou mais.

Chantada a Cruz, com as armas e a divisa de Vossa Alteza, que primeiramente lhe pregaram, armaram altar ao pé dela. Ali disse Missa o padre frei Henrique, a qual foi cantada e oficiada por esses já ditos. Ali estiveram connosco cinquenta ou sessenta deles, assentados todos de joelhos, assim como nós.

E quando veio ao Evangelho, que nos erguemos todos em pé, com as mãos levantadas, eles se levantaram connosco e alçaram as mãos, ficando assim, até ser acabado; e então tornaram-se a assentar como nós. E quando levantaram a Deus, que nos pusemos de joelhos, eles se puseram assim todos, como nós estávamos com as mãos levantadas, e em tal maneira sossegados, que, certifico a Vossa Alteza, nos fez muita devoção.

Estiveram assim connosco até acabada a comunhão, depois da qual comungaram esses religiosos e sacerdotes e o Capitão com alguns de nós outros. 

Alguns deles, por o sol ser grande, quando estávamos comungando, levantaram-se, e outros estiveram e ficaram. Um deles, homem de cinquenta ou cinquenta e cinco anos, continuou ali com aqueles que ficaram. Esse, estando nós assim, ajuntava estes, que ali ficaram, e ainda chamava outros. E andando assim entre eles falando, lhes acenou com o dedo para o altar e depois apontou o dedo para o Céu, como se lhes dissesse alguma coisa de bem; e nós assim o tomamos. 

Acabada a missa, tirou o padre a vestimenta de cima e ficou em alva; e assim se subiu junto com altar, em uma cadeira. Ali nos pregou do Evangelho e dos Apóstolos, cujo dia hoje é, tratando, ao fim da pregação, deste vosso prosseguimento tão santo e virtuoso, o que nos aumentou a devoção. 

Esses, que à pregação sempre estiveram, quedaram-se como nós olhando para ele. E aquele, que digo, chamava alguns que viessem para ali. Alguns vinham e outros iam-se. E, acabada a pregação, como Nicolau Coelho trouxesse muitas cruzes de estanho com crucifixos, que lhe ficaram ainda da outra vinda, houveram por bem que se lançasse a cada um a sua ao pescoço. Pelo que o padre frei Henrique se assentou ao pé da Cruz e ali, a um por um, lançava a sua atada em um fio ao pescoço, fazendo-lha primeiro beijar e alevantar as mãos. Vinham a isso muitos; e lançaram-nas todas, que seriam obra de quarenta ou cinquenta. 

Pêro Vaz de Caminha, escrivão da armada de Pedro Álvares Cabral, em carta escrita a El-Rei D.Manuel


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quarta-feira, 25 de abril de 2018

A Beleza faz-nos ver a Deus



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A Bíblia tão perto e tão longe de nós...

A única forma de compreendermos correctamente a Bíblia e termos acesso à sua verdadeira essência é lendo-a à luz da tradição sagrada.

Quando lemos a Bíblia Sagrada, estamos a ler algo dito ou escrito (inspirado) por Deus? A resposta é: depende! Se abrirmos uma Bíblia em português, inglês, francês, alemão, espanhol etc., certamente encontrar-nos-emos a centenas de quilómetros de distância do que Deus realmente falou ou revelou pelas Escrituras. Fiquemos só com o Novo Testamento. E se soubermos grego? Bem, se formos capazes de dominar o grego bíblico ou koiné, língua na qual foi escrito o Evangelho, então, estaremos apenas a quilómetros de distância do que Deus quis revelar, porque Jesus não se exprimia em grego, mas em aramaico.

Mesmo que soubéssemos perfeitamente o grego e o aramaico antigos, ainda assim, haveria uma distância considerável entre a revelação divina e nosso entendimento dela. Por quê? Porque os hagiógrafos, vale dizer, são Mateus, são Marcos, são Lucas e são João também interpretaram a mensagem soteriológica de Jesus e, segundo o adágio, tradutore traditori (cada tradutor é um traidor).

Como sair desse aparente labirinto? A única forma de compreendermos correctamente a Bíblia e termos acesso à sua verdadeira essência é lendo-a à luz da Sagrada Tradição. Tem de haver uma simbiose perfeita entre essas duas vertentes da palavra de Deus: a Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura.

Bem. Tranquilizemo-nos. Na prática, podemos sim saborear lindos versículos Bíblicos no nosso próprio idioma. Mas temos de contar com edições autorizadas pela Igreja Católica, com o imprimatur e, principalmente, providas de bons comentários.

Ah! Não fosse a Igreja católica, ao ler a Bíblia, sujeitar-nos-íamos aos devaneios da nossa imaginação. O catolicismo encurta a distância quilométrica entre o leitor da Bíblia e a mensagem autêntica de Jesus. Isto acontece porque a Igreja Católica recebeu esta missão do próprio Deus. O Magistério da Igreja apresenta ao Mundo o modo correcto de entender e ler a Bíblia. 

Edson Sampel in Zenit


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terça-feira, 24 de abril de 2018

Discórdias familiares e não só

Quantas discórdias familiares, e também não familiares dependem, sobretudo, da falta de caridade e poderiam ser solucionadas apenas com um sincero acto de amor, no qual poderia desaparecer o orgulho e o egoísmo? 

O verdadeiro servo de Deus é aquele que usa a caridade para com o seu próximo, que está decidido a fazer a vontade de Deus a todo custo, que vive em profunda humildade e simplicidade.

Padre Pio de Pietrelcina


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Terá sido profética a primeira homilia do Papa Bento?

Foi há 13 anos a primeira Missa pública do Papa Bento XVI. A Santa Missa com a "imposição do Pálio e entrega do Anel do Pescador para o início do Ministério Petrino" foi celebrada no dia 24 de Abril de 2005 na Praça de São Pedro. 

Na homilia o Papa Bento optou por um discurso pela positiva, com grande entusiasmo sobre a vivacidade da 'Barca de Pedro' naquele momento, e como não havia motivo para preocupação porque os santos intercedem por nós e é Nosso Senhor que guia a Igreja.

No entanto houve um momento que causou alguma estranheza na homilia. Uma frase enigmática que deu muito que falar durante vários anos: "Rezai por mim, para que eu não fuja, por receio, diante dos lobos."

Que devemos rezar pelo Papa todos sabemos, e a Igreja sempre recomendou muito que os fiéis o fizessem. Mas rezar para que não fuja? Fugir para onde? Sabemos que quando se é Papa se é Papa até à morte, por isso não há muito por onde fugir. E fugir dos lobos? Que lobos são esses? Estão dentro ou fora da Igreja? Se estiverem dentro são do clero ou leigos? 

As respostas a estas perguntas talvez nunca as venhamos a ter. Mas sabemos que o Papa Bento viria a renunciar ao ministério petrino no dia 11 de Fevereiro de 2013, numa decisão completamente inesperada e praticamente inédita na história da Igreja. Terá sido a homilia de há 13 anos uma homilia profética?

João Silveira


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segunda-feira, 23 de abril de 2018

Nossa Senhora que corre ao encontro de Jesus ressuscitado


Páscoa 2018. Foi mais uma vez cumprida a tradição na cidade de Sulmona (Itália): Nossa Senhora correu ao encontro do Seu Filho quando O viu pela primeira vez depois da Ressurreição. 

Este evento foi fotografado pela primeira vez em 1861, existindo ainda essa fotografia na Confraternidade de Santa Maria do Loreto. Mas existem relatos que provam que remonta ao Séc. XVII, há cerca de 400 anos.

Quando Nossa Senhora chega perto de Jesus, os membros da confraternidade abraçam-se jubilosamente, simbolizando a imensa alegria que uniu Mãe e Filho naquele encontro histórico.


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A audácia de São Jorge no Senado Romano

Os primeiros séculos do cristianismo foram caracterizados por fortes perseguições, especialmente por parte do Império Romano. Decorria uma sessão do Senado Romano, na presença do Imperador Diocleciano, cujo propósito era encontrar a maneira mais eficaz de perseguir os Cristãos. São Jorge, cavaleiro ilustre e cristão desde criança, levantou-se e proferiu uma intervenção que espantou todo o Senado. O texto encontra-se nas actas martiriais do Santo.

São Jorge: “Por que razão, invencibilíssimo Imperador, Ilustre Senado, Generosos e Nobres Cavaleiros, mudando o vosso costume de obedecer e manter as Leis, agora ordenais uma Lei tão injusta e perniciosa contra os Cristãos, que são gente virtuosa, santa, justa e digna de toda veneração e respeito. Quereis, vós, talvez, que eles adorem os vossos ídolos. E se estes não são deuses, por que quereis que eles os adorem? Aqueles que os adoram são cegos; não sabem que apenas Jesus Cristo, com o Seu Eterno Pai e com o Espírito Santo, é o verdadeiro Deus que se deve adorar, pelo qual todas as coisas são feitas e governadas. Muito melhor faríeis se, deixando a vossa cegueira, abrísseis os vossos olhos e adorásseis Jesus Cristo do que perseguir os Cristãos e querer fazê-los adorar à força os vossos falsos deuses”.

Magnezio (Cônsul): “Quem és tu? E qual é o teu nome?”

São Jorge: "O meu principal Nome é Cristão, e aqueles que me conhecem me chamam Jorge. Nasci na Capadócia e sou Nobre e tenho por ofício ser Tribuno dos cavalos do Exército do Imperador."

Magnezio: “Quem te autorizou a falar assim livremente e com tanta audácia?” 

São Jorge: “A Verdade.”

Magnezio: “O que é a Verdade?”, perguntou o Cônsul [10]. 

São Jorge: “A Verdade é Cristo, que vós, idólatras, perseguis.” 

Magnezio: “Então, você é Cristão”, disse Magnezio. 

São Jorge: “Eu sou Servo de Jesus Cristo, e, confiando n’Ele, quis dar testemunho da Verdade, no meio deste famoso Colégio.”

Imperador Diocleciano: “Eu não sei, ó Jorge, que loucura é esta tua de me contradizer, sabendo aquilo que fiz por ti, porque, conhecendo eu a Nobreza do teu sangue, e vendo a tua graça e destreza, te honrei fazendo-te Tribuno, e pensava de te dar ofícios maiores, coisas que tu alteraste todas presentemente. Eu te aconselho, como pai, e te advirto, como senhor, que deixes a tua má opinião e adores a nossos deuses, se não quiseres perder tudo aquilo que ganhaste até agora, e, junto, a vida.”

São Jorge: “Quisera Deus que tu, Imperador, tomasses conselho que para teu bem te dá o teu fiel servo, o qual é este: que, deixando de adorares aos falsos deuses, adorasses Jesus Cristo, verdadeiro Deus, o que seria salutar para o Império e para as almas também”.

Depois de várias torturas e maus-tratos, São Jorge acabou por ser martirizado enquanto o Santo pedia a Deus que perdoasse os que lhe viriam a cortar a cabeça.

Por ser o Santo onomástico do Papa Francisco (Jorge Mario Bergoglio), hoje é feriado no Vaticano.

São Jorge, rogai por nós.


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domingo, 22 de abril de 2018

Fim do “Catolicismo romano”?

Este artigo, assim mesmo intitulado pelo próprio Autor e do qual apresento abaixo a tradução em português, apareceu no blog Settimo Cielo, no dia 13 de Abril passado, sob um outro provocador título dado por Sandro Magister: La riforma di Bergoglio l'ha già scritta Martin Lutero / A reforma de Bergoglio já a escreveu Martinho Lutero [1].

O Autor é Roberto Pertici: tem sessenta e seis anos de idade e é actualmente professor de história contemporânea na Universidade de Bergamo [2]. Um académico exactamente da minha idade; o que, pela contemporaneidade da vida, me ajudou à melhor compreensão deste ensaio.

Este, é de facto notável e algo invulgar pela «agudeza e amplitude de horizonte da análise», como diz Magister, e pela lógica do raciocínio que conjuga os factos examinados, relevando a sua unitária coerência com um “projecto” ou “operação”.

Para quem partilhe de uma visão conservadora ou tradicional da Igreja, parece-me obviamente muito perturbador.... mas há que ter presente que a Fé católica e apostólica não se conjuga jamais com qualquer espécie de desespero!

As notas assinaladas entre […], são todas da minha autoria.

22 de Abril de 2018

João Duarte Bleck, médico e leigo Católico 
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1. Neste momento do pontificado de Francisco, creio que se possa razoavelmente sustentar que este marca o ocaso dessa imponente realidade histórica definível como “catolicismo romano”.

Isto não significa, bem entendido, que a Igreja Católica esteja no fim, mas que está a chegar ao fim o modo como historicamente se estruturou e se apresentou a si mesma nos últimos séculos.

De facto, parece-me evidente que é este o projecto conscientemente seguido pelo “brain trust” que rodeia Francisco: um projecto que se pretende quer uma resposta extrema / radical à crise das relações entre a Igreja e o mundo moderno, quer como premissa para um renovado percurso ecuménico, comum às outras confissões cristãs, especialmente aquelas Protestantes.

2. Por “catolicismo romano” entendo aquela grande construção histórica, teológica e jurídica que se iniciou com a helenização (para o aspecto filosófico) e com a romanização (para o aspecto político-jurídico) do cristianismo primitivo e que se baseia sobre o primado dos sucessores de Pedro; tal como ela emerge da crise do mundo tardo-antigo e da sistematização teórica da idade gregoriana (“Dictatus Papae”) [3].

Nos séculos sucessivos, a Igreja, do mesmo modo, dotou-se de um Direito interno próprio, o Direito canónico, olhando para o Direito romano como modelo. E este elemento jurídico contribuiu para gradualmente plasmar uma complexa organização hierárquica, com precisas normas internas que regulam a vida, seja da “burocracia dos celibatários” (a expressão é de Carl Schmitt [1888-1985]) que a gere, seja dos leigos que dela fazem parte.

O outro momento decisivo da formação do “catolicismo romano” é, finalmente, a eclesiologia elaborada no Concílio de Trento [1545-1563], que reafirmou a centralidade da mediação eclesiástica em vista da salvação, em contraste com a tese luterana do “sacerdócio universal”, e que assim fixa o carácter hierárquico, unitário e centralizado da Igreja; o seu direito de controlar e, caso ocorra, condenar as posições que contrastem com a formulação ortodoxa das verdades de fé; o seu papel na administração dos sacramentos.

Esta eclesiologia foi selada no dogma da infalibilidade pontifícia proclamado no Concílio Vaticano I [1869-1870], colocado à prova oitenta anos depois, na afirmação dogmática da Assunção de Maria ao Céu (1950), a qual, juntamente com a precedente proclamação dogmática da sua Imaculada Conceição (1854), reafirma a centralidade do culto mariano.

Seria, todavia, redutor se nos limitássemos a quanto dissemos até agora. Porque existe, ou melhor existia, também um difuso “sentir católico”, assim constituído:

- uma atitude cultural que se baseia sobre um realismo, a propósito da natureza humana, por vezes desencantado, mas disposto a “tudo compreender” como premissa do “tudo perdoar”;
- uma espiritualidade não-ascética, compreensiva de certos aspectos materiais da vida e não disposta a desprezá-los;
- empenhado numa caridade quotidiana para com os humildes e os necessitados, sem precisar de os idealizar ou deles fazer quase um ídolo;
- disposto a representar-se também na própria sumptuosidade, portanto não surdo à razão de ser da beleza e das artes, enquanto testemunhos de uma Beleza suprema à qual o cristão deve tender;
- indagador subtil das moções mais recônditas do coração, da luta interior entre o bem e o mal, da dialéctica entre “tentação” e a resposta da consciência.

Poder-se-ia então dizer que naquilo a que chamo de “catolicismo romano” entrelaçam-se três aspectos, além, obviamente, do religioso: o estético, o jurídico e o político. Trata-se de uma visão racional do mundo que penetra numa instituição visível e compacta e que entra fatalmente em conflito com a ideia de representação que emergiu com a modernidade, baseada no individualismo e numa concepção do poder que, vinda de baixo, acaba por colocar em discussão o princípio da autoridade.

3. Este conflito foi considerado de diversos modos, muitas vezes opostos, por aqueles que o analisaram. Carl Schmitt olhava com admiração para a “resistência” do “catolicismo romano”, considerado como a última força com capacidade de conter as aniquiladoras forças da modernidade. Outros criticaram-no duramente: nesta luta, a Igreja católica teria desastrosamente enfatizado os seus traços jurídico-hierárquicos, autoritários, exteriores.

Para além destas opiniões opostas, certo é que nos últimos séculos o “catolicismo romano” foi constrangido a uma postura defensiva. A colocar progressivamente em discussão a sua presença social, esteve sobretudo o nascimento da sociedade industrial e o consequente processo de modernização, que inaugurou uma serie de mudanças antropológicas ainda agora em curso. Quase como se o “catolicismo romano” fosse “orgânico” (para dizê-lo numa expressão vétero-marxista) a uma sociedade agrária, hierárquica, estática, baseada na penúria e sobre o medo e não encontrasse relevância numa sociedade “afluente”, dinâmica, caracterizada pela mobilidade social.

Uma primeira resposta a esta situação de crise, foi dada pelo Concílio Ecuménico Vaticano II (1962-1965), o qual, nas intenções do Papa João XXIII [papa de 1958 a 1963] que o tinha convocado [em Janeiro de 1959], devia proceder a um “aggiornamento pastorale”, olhar com novo optimismo para o mundo moderno, em suma baixar finalmente a guarda: não se tratava mais de prosseguir um duelo secular, mas de abrir um diálogo e operar um encontro.

O mundo era percorrido naqueles anos por mudanças extraordinárias e por um inédito desenvolvimento económico: provavelmente a mais sensacional, rápida e profunda revolução da condição humana de que há vestígios na história (Eric J. Hobsbawm [1917-2012]). O evento Concílio contribuiu para esta mudança, mas foi, por sua vez, tomado por ela: o ritmo dos “aggiornamenti” – também favorecido pela vertiginosa transformação ambiental/cultural e pela convicção geral cantada [em 1964] por Bob Dylan, de que “the times they are a-changin’” – foge da mão da hierarquia, ou, pelo menos daquela sua parte que desejava operar uma reforma e não uma revolução.

Assim, entre 1967 e 1968 assiste-se à “viragem” de Paulo VI [papa de 1963 a 1978] a qual se expressa na análise preocupada das turbulências de 68 e, depois da “revolução sexual”, na encíclica “Humanae vitae” de Julho de 1968. Tanto era o pessimismo a que chegava aquele grande Pontífice nos anos 70, que, conversando com o filósofo Jean Guitton [1901-1999], se interrogava e lhe perguntava, ecoando um passo inquietante do evangelho de Lucas: “[Mas] quando o Filho do Homem regressar, encontrará ainda a fé, sobre a terra?” [Lc 18,8]. E acrescentava: “O que me magoa, quando observo o mundo católico, é que no interior do catolicismo parece às vezes predominar um pensamento de tipo não-católico e pode acontecer que este pensamento de tipo não-católico se torne amanhã o mais forte no interior do catolicismo” [4].

4. Sabe-se qual foi a resposta dos sucessores de Paulo VI a esta situação: conjugar mudança e continuidade; realizar – sobre algumas questões – as correcções oportunas (memorável, deste ponto de vista, a condenação da “teologia da libertação”); procurar um diálogo com a modernidade que fosse ao mesmo tempo um desafio: sobre temas da vida, da racionalidade do homem, da liberdade religiosa.

Bento XVI [papa de 2005 a 2013] naquele que foi o verdadeiro texto programático do seu pontificado (o discurso à Cúria romana de 22 de Dezembro de 2005 [5]), reiterou então um princípio firme: que as grandes orientações do Vaticano II deviam ser lidas e interpretadas à luz da tradição precedente da Igreja, portanto também à luz da eclesiologia saída do Concílio de Trento e do Vaticano I. Até mesmo pela simples razão de que não se pode realizar uma negação formal da fé acreditada e vivida desde há gerações e gerações, sem introduzir um “vulnus” [6] irreparável na auto-representação e na percepção pública de uma instituição como a Igreja.

Sabe-se também como esta linha causou uma rejeição generalizada, não apenas “extra ecclesiam”, onde se manifestou através de uma agressão mediática e intelectual contra o Papa Bento absolutamente inédita, mas – com este modo nicodemitico [7] e de murmúrio congénito no mundo eclesial – também no corpo eclesiástico, o qual, substancialmente, deixou sozinho aquele Papa nos momentos mais críticos do seu pontificado. Daqui, creio, a sua renúncia de Fevereiro de 2013, a qual – para além de reconfortantes interpretações – aparece como um evento histórico, do qual as razões e as implicações de longo-prazo permanecem ainda todas por aprofundar.

5. Foi esta a situação herdada pelo Papa Francisco [papa desde 13 de Março de 2013]. Limito-me apenas a mencionar os aspectos biográficos e culturais que tornavam “ab initio” Jorge Mário Bergoglio em parte estranho àquilo que designei de “cattolicesimo romano”:

- o carácter periférico da sua formação, profundamente radicada no mundo latino-americano, que lhe dificulta encarnar a universalidade da Igreja ou, pelo menos, o impele para vivê-la de um modo novo, deixando de lado a civilização europeia e a norte-americana;
- a pertença a uma Ordem, como a Companhia de Jesus, que no último meio século realizou um dos mais clamorosos reposicionamento político-cultural de que se tem notícia na história recente, passando de uma posição “reaccionária” a uma “revolucionária” com variações, dando assim prova de um pragmatismo por muitos aspectos digno de reflexão;
- a estranheza ao elemento estético que é próprio do “cattolicesimo romano”, a sua ostensiva renúncia a toda a representação da dignidade do cargo (os aposentos no Palácio Apostólico, a mozeta vermelha [8] e o costumeiro aparato pontifício, os automóveis de representação, a residência [de Verão] de Castel Gandolfo) e aqueles a que chama “hábitos de príncipe Renascentista” (a começar pelo atraso e depois ausência num concerto de música clássica em sua honra, nos inícios do pontificado).

Prefiro tentar sublinhar o que me parece poder constituir o elemento unificante das múltiplas mudanças que o Papa Francisco está introduzindo na tradição católica.

Faço-o baseando-me num pequeno livro de um eminente homem de Igreja, que vem geralmente considerado como o teólogo de referência do actual pontificado, citado eloquentemente por Francisco logo no seu primeiro Angelus, de 17 de Março de 2013, quando disse: “Nestes dias, pude ler o livro de um Cardeal – o Cardeal Kasper, um teólogo estupendo, um bom teólogo – sobre a misericórdia. Aquele livro fez-me muito bem. (Não julgueis que estou a fazer publicidade dos livros dos meus Cardeais, porque não é isso…!) É que [o livro] me fez mesmo bem, muito bem...” [9].

O livro de Walter Kasper a que me refiro tem por título: “Martinho Lutero. Uma perspectiva ecuménica” [10] e é a versão reelaborada e ampliada de uma conferência feita pelo Cardeal no dia 18 de Janeiro de 2016, em Berlim. O capítulo sobre o qual quero chamar a atenção é o sexto: “Actualidade ecuménica de Martinho Lutero”.

Todo o capítulo é construído sobre uma argumentação binária, segundo a qual Lutero foi induzido a aprofundar a rotura com Roma principalmente devido à recusa do Papa e dos bispos de proceder a uma reforma. Foi apenas perante a surdez de Roma – escreve Kasper – que o reformador alemão “com base na sua compreensão do sacerdócio universal, se viu obrigado a contentar-se com uma organização [ou sistema] de emergência. Ele, porém, continuou a confiar no facto de que a verdade do Evangelho se imporia por si só e assim deixou a porta fundamental aberta para um possível futuro entendimento”.

Mas também da parte católica, nos inícios do século XVI, muitas portas permaneciam abertas; a situação era, por assim dizer, fluida. Escreve Kasper: “não havia uma eclesiologia católica harmonicamente estruturada, mas unicamente aproximações, que eram mais uma doutrina sobre a hierarquia do que uma verdadeira e própria eclesiologia. A elaboração sistemática da eclesiologia terá lugar somente na teologia da contra-Reforma como antítese à polémica da Reforma contra o papado. O papado torna-se assim, de uma maneira até então desconhecida, o sinal distintivo do catolicismo. As respectivas teses e antíteses confessionais condicionaram-se e bloquearam-se mutuamente”.

Portanto, hoje é preciso – se considerarmos o sentido global da argumentação de Kasper – proceder a uma “desconfessionalização” seja das Confissões reformadas, seja da Igreja Católica, não obstante esta jamais se tenha sentido uma “Confissão”, mas sim como a Igreja universal. É preciso regressar a qualquer coisa de semelhante à situação que precedeu o eclodir dos conflitos religiosos do século XVI.

Enquanto que no campo luterano esta “desconfessionalização” esteja, hoje, já amplamente cumprida (com a secularização forçosa daquelas sociedades, para as quais os problemas que estavam na base das controvérsias confessionais se tornaram irrelevantes para a esmagadora maioria dos cristãos “reformados”), no campo católico, ao invés, há ainda muito por realizar, precisamente por causa da supervivência [ou permanência] de aspectos e estruturas daquilo a que chamei o “catolicismo romano”. É, portanto, sobretudo ao mundo católico que é dirigido o convite à “desconfessionalização”. Kasper invoca-a como “uma redescoberta da catolicidade originária, não limitada por um ponto de vista confessional”.

Para tal finalidade, é assim necessário levar a bom termo, uma vez por todas, a superação da eclesiologia tridentina e a do Vaticano I. Segundo Kasper o Concílio Vaticano II abriu a estrada, mas a sua recepção foi controversa e nada linear. Daqui o papel do actual Pontífice: “o Papa Francisco inaugurou uma nova fase no referido processo de recepção. Ele sublinha a eclesiologia do povo de Deus, o povo de Deus em caminho, o sentido da fé do povo de Deus, a estrutura sinodal da Igreja, e para a compreensão da unidade coloca em jogo uma abordagem nova, interessante. Descreve a unidade ecuménica não mais com a imagem de círculos concêntricos ao redor do centro, mas com a imagem do poliedro, ou seja, de uma realidade com muitas faces, não um puzzle unificado do exterior, mas um todo e, tal como uma pedra preciosa, um todo que reflecte a luz que a atinge de modo maravilhosamente múltiplo. Referindo-se a Oscar Cullman [1902-1999] [11], o Papa Francisco retoma o conceito da diversidade reconciliada”.

6. Se relermos brevemente a esta luz as atitudes de Francisco que suscitaram mais celeuma, compreendemos melhor a sua lógica comum:

- o acentuar, desde o dia da eleição, da sua função de bispo de Roma, mais que de Pontífice da Igreja universal;
- a destruturação da figura canónica do Pontífice Romano (o celebérrimo “quem sou eu para julgar?”), a base da qual - no seu âmago - não se explica apenas por motivos da seu temperamento a que se aludiu primeiramente, mas por um motivo mais profundo, de carácter teológico;
- o enfraquecimento prático de alguns sacramentos, entre os mais característicos do “sentir católico” (a confissão auricular, o matrimónio indissolúvel, a eucaristia), realizado por razões pastorais de “misericórdia” e “acolhimento”;
- a exaltação da “parrésia” [12] dentro da Igreja, da confusão presumivelmente criativa, à qual se liga uma visão da Igreja quase como uma federação de Igrejas locais, dotadas de amplos poderes disciplinares, litúrgicos e até doutrinais.

Há quem se escandalize pelo facto de que na Polónia acabará por vigorar uma interpretação da [Exortação Apostólica] “Amoris Laetitia” diversa da que se fará na Alemanha ou na Argentina, relativamente à comunhão dos divorciados recasados. Mas Francisco podia responder que se trata de facetas diversas daquele poliedro que é a Igreja Católica, ao qual se poderia juntar, tarde ou cedo – porque não? – também as Igrejas reformadas pós-luteranas, num espírito justamente de “diversidade reconciliada”.

Por este caminho, é fácil de prever que os próximos passos serão uma nova concepção da catequese e da liturgia, num sentido ecuménico, também aqui com o caminho a percorrer pela parte católica muito mais exigente que o da parte protestante, considerando os diversos pontos de partida, bem como um enfraquecimento do sacramento da Ordem nos seus aspectos mais “católicos”, isto é, no celibato eclesiástico, com o que a hierarquia católica cessará também de ser a “burocracia dos celibatários”, da expressão de Carl Schmitt.

Compreende-se então melhor, a verdadeira e própria exaltação da figura e da obra de Lutero que se produziu nos vértices da Igreja Católica por ocasião do quinto centenário de 1517, até ao discutido selo comemorativo que lhe foi dedicado pelos correios do Vaticano, com ele e Melanchthon [1497-1560] aos pés de Jesus crucificado.

Pessoalmente não tenho dúvidas que Lutero seja um dos gigantes da “história universal”, como antes se gostava de dizer, mas «est modus in rebus» [13]: sobretudo as instituições devem ter uma espécie de moderação ao realizarem viragens desta dimensão, sob pena de cair no ridículo: o mesmo ridículo que o século vinte nos infligiu, quando os comunistas reabilitavam em uníssono e de volta ao poder os “heréticos” condenados e encarniçadamente combatidos até à véspera: a “contra-ordem, camaradas!” dos [famosos] cartoons de Giovannino Guareschi [1908-1968] [14].

7. Se, portanto, ontem o “catolicismo romano” era considerado como um corpo estranho da modernidade, estranheza que não lhe era perdoada, é natural que o seu ocaso [ou declínio] seja hoje saudado com alegria pelo “mundo moderno” nas suas instituições políticas, mediáticas e culturais e que o Pontífice actual seja visto como aquele que cura aquela ruptura entre os vértices eclesiásticos e o mundo da informação, das organizações e dos “think tank” internacionais, ruptura essa que – aberta em 1968 com a [Encíclica] “Humanae Vitae” – se aprofundou nos pontificados seguintes.

E é também natural que grupos e ambientes eclesiásticos que já nos anos sessenta auspiciavam a ultrapassagem da Igreja tridentina e que, nesta perspectiva, leram o Vaticano II, depois de terem vivido na sombra estes últimos quarenta anos, tenham hoje saído à luz do dia e se reencontrem, com os seus herdeiros leigos e eclesiásticos, entre os que constituem aquele “brain trust” que referi no início [cf. terceiro parágrafo do nº 1].

No entanto permanecem em aberto algumas questões que mereceriam ulteriores e não-fáceis reflexões.

A operação levada avante pelo Papa Francisco e pela sua “entourage” conhecerá um sucesso duradouro ou acabará por encontrar resistências, no interior da hierarquia e do que resta do povo católico, maiores do que aquelas, definitivamente marginais, que já emergiram no seio da hierarquia?

A que tipo de nova realidade “católica” na sociedade ocidental, dará vida a referida operação?

E em termos mais gerais: que consequências essa operação poderá ter sobre o património cultural global, político e religioso do mundo ocidental, o qual, embora tenha atingido um nível de secularização generalizado, repousa em parte sobre o “catolicismo romano”?

Mas é preferível que os historiadores não façam profecias e se contentem por compreenderem qualquer coisa, se conseguirem, dos processos em curso.
  
Notas do tradutor:

1. Pode ler-se em italiano, inglês, espanhol e francês, em:

2. Para saber quem é, pode ler-se, por exemplo:

3. Ver em:

4. Da última conversa que o referido filósofo francês teve com Paulo VI, dia 8 de Setembro de 1977. Cf. J. Guitton, Paolo VI segreto, 1977.

5. Pode ler-se em:

6. Vulnus: ferida, ofensa.

7. Nicodemitico, no original italiano: em referência a Nicodemos, o fariseu membro do Sinédrio que se aproximava de Jesus, pela noite. Cf.: Jo 3,1-21; Jo 7,50-52; e Jo 19,39.

8. «Capa curta e com pequeno capuz, aberta ou abotoada à frente, usada, durante o Inverno, nos ofícios de coro, sobre a sotaina ou, eventualmente sobre a sobrepeliz ou o roquete, por determinados clérigos (Papa, cardeais, bispos, abades, cónegos) como sinal de jurisdição» (Thesaurus, vocabulário de objectos do culto católico, edição da Fundação da Casa de Bragança, Vila Viçosa, 2004, entrada nº 860, p. 174).

9. A alocução do Papa Francisco neste Angelus, pode ler-se em:

10. Para saber mais sobre o desenvolvido deste tema pelo Cardeal Walter Kasper, pode ler-se, em português do Brasil, a seguinte transcrição, em:
ou, melhor ainda, o artigo subscrito pelo próprio Cardeal Kasper, sob o título Una prospettiva ecuménica. Sguardo su Lutero alla vigilia del quinto centenario della Riforma, publicado no L’Osservatore Romano, dia 18 de Maio de 2016, em:

11. Sobre este teólogo luterano, pode ler-se em:

12. Parrésia: liberdade oratória; afirmação corajosa; liberdade de linguagem, franqueza; confissão, espécie de confissão (Cf. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa).

13. Est modus in rebus: há um limite nas coisas. Frase com que Horácio aconselha a moderação em tudo.

14. O célebre criador da figura de Don Camillo; ver em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Giovannino_Guareschi


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