quarta-feira, 28 de março de 2018

Carta inédita da Irmã Lúcia sobre a tibieza dos católicos

J.M.J.
Tuy, 1-12-1940

Revmo. Senhor Padre Superior,

Muito obrigada pela carta que fez o favor de me escrever de Braga. Gostei muito da inspiração que teve para a renovação da consagração de todas as dioceses e freguesias ao Imaculado Coração de Maria. Isso é muito agradável ao Nosso bom Deus e ao Coração da nossa tão querida Mãe do Céu. 

Mas, apesar de tudo, o Coração do nosso bom Deus e da nossa boa Mãe do Céu continuam tristes e amargurados. Portugal, na sua maioria, não corresponde às suas graças, nem ao seu amor. Lamentam-se com frequência da vida pecaminosa da maioria do povo, mesmo daqueles que se dizem católicos práticos. Mas sobretudo queixam-se muito da vida tíbia, indiferente e comodista da maioria do clero, religiosos e religiosas. 

É pequenino, muito limitado o número das almas com quem se encontra no sacrifício e na vida íntima no amor. Estas confidências rasgam-me o coração, sobretudo por ser eu do número dessas almas infiéis. Nosso Senhor não se retrai de me aí pôr, mostrando-me a montanha das minhas imperfeições, que eu reconheço com imensa confusão...

Apesar de tudo isto, Nosso Senhor continua a comunicar-se à minha alma. Parece preocupado com a sorte de algumas nações e deseja salvar Portugal. Mas ele é também muito culpado. Se me não engano, dizia-me Nosso Senhor na quinta-feira, às 11 da noite: Se o Governo português, em união com o Episcopado, ordenasse, para os próximos dias de carnaval, dias de oração e penitência, com preces públicas pelas ruas, suprimindo as festas pagãs, atrairiam sobre si e sobre a Europa graças de paz.

Se V. Rev.ª puder fazer alguma coisa neste sentido, aí vai, se para isso precisar fazer algum uso desta carta, o meu consentimento. Desculpe-me tanta maçada.

De V. Rev.ª ínfima serva,
Maria Lúcia de Jesus, R. S. D


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Santa Cruz



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terça-feira, 27 de março de 2018

Satanás explicado pelo Catecismo da Igreja Católica

Por detrás da opção de desobediência dos nossos primeiros pais, há uma voz sedutora, oposta a Deus (Gn 3,1-5), a qual, por inveja, os faz cair na morte (Sb 2,24). A Escritura e a Tradição da Igreja vêem neste ser um anjo decaído, chamado Satanás ou Diabo (Jo 8,44; Ap 12,9). Segundo o ensinamento da Igreja, ele foi primeiro um anjo bom, criado por Deus. «O Diabo e os outros demónios foram por Deus criados naturalmente bons; mas eles, por si, é que se fizeram maus» (Concílio de Latrão).

A Escritura fala dum pecado destes anjos (2Pe 2,4). A queda consiste na livre opção destes espíritos criados, que radical e irrevogavelmente recusaram Deus e o Seu Reino. Encontramos um reflexo desta rebelião nas palavras do tentador aos nossos primeiros pais: «Sereis como Deus» (Gn 3,5). O Diabo é «pecador desde o princípio» (1 Jo 3, 8), «pai da mentira» (Jo 8,44). É o carácter irrevogável da sua opção, e não uma falha da infinita misericórdia de Deus, que faz com que o pecado dos anjos não possa ser perdoado. «Não há arrependimento para eles depois da queda, tal como não há arrependimento para os homens depois da morte» (São João Damasceno).

A Escritura atesta a influência nefasta daquele a que Jesus chama «assassino desde o princípio» (Jo 8,44), e que chegou ao ponto de tentar desviar Jesus da missão recebida do Pai (Mt 4,1-11). «Foi para destruir as obras do Diabo que apareceu o Filho de Deus» (1 Jo 3,8). Dessas obras, a mais grave em consequências foi a mentirosa sedução que induziu o homem a desobedecer a Deus.

No entanto, o poder de Satanás não é infinito. Satanás é uma simples criatura, poderosa pelo facto de ser puro espírito, mas criatura: impotente para impedir a edificação do Reino de Deus. (§§ 391-395)


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segunda-feira, 26 de março de 2018

Ajudar os outros em vez de os julgar

Ouvi alguns falarem mal do seu próximo e repreendi-os. Para se defenderem, esses operários do mal replicaram: «É por caridade e por solicitude que falamos assim!» Mas eu respondi-lhes: Deixai de praticar tal caridade, pois estaríeis a chamar mentiroso ao que diz: «Afasto de Mim quem denigre em segredo o seu próximo» (Sl 100,5). 

Se amas essa pessoa como afirmas, reza em segredo por ela e não te rias do que faz. É essa maneira de amar que agrada ao Senhor; não percas isto de vista e esforça-te cuidadosamente por não julgar os pecadores. Judas pertencia ao número dos apóstolos e o ladrão fazia parte dos malfeitores, mas que espantosa mudança se deu nele num só instante! 

Responde, pois, ao que diz mal do seu próximo: «Pára, irmão! Eu próprio caio todos os dias em faltas mais graves; como poderei condenar essa pessoa?» Obterás assim um duplo proveito: curar-te-ás a ti mesmo e curarás o teu próximo. Não julgar é um atalho que conduz ao perdão dos pecados, pois está dito: «Não julgueis e não sereis julgados.» 

Alguns cometeram grandes faltas à vista de todos mas realizaram em segredo os maiores actos de virtude, de tal maneira que os seus acusadores se enganaram, dando atenção ao fumo sem verem o sol. Os críticos diligentes e severos caem nessa ilusão porque não guardam a memória nem a preocupação dos seus próprios pecados. 

Julgar os outros é usurpar sem vergonha uma prerrogativa divina; condená-los é arruinar a nossa própria alma. Tal como um bom vindimador come as uvas maduras e não colhe as verdes, assim também um espírito benevolente e sensato anota cuidadosamente todas as virtudes que vê nos outros; mas o insensato perscruta as faltas e as deficiências.

São João Clímaco (c. 575-c. 650), monge do Monte Sinai in 'A Escada Santa' (10.º degrau) 


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Domingo de Ramos na igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém



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domingo, 25 de março de 2018

Procissão de Ramos em Roma










Paróquia: Trinità dei Pellegrini 


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Quando um protestante descobriu que a Missa é a renovação do Sacrifício do Calvário

Durante a Semana Santa, que começa hoje, a liturgia católica leva-nos a viver uma Páscoa judaica surpreendente. Recordo a perplexidade de Scott Hahn, hoje um grande biblista católico, no tempo em que ele ainda era protestante. Um dia, ao fio dos Evangelhos, o pregador da sua comunidade protestante foi seguindo os passos da Última Ceia, conforme o cânone habitual da Páscoa judaica. 

Até dada altura, tudo decorria da forma habitual, ainda que num clima de extraordinária intensidade. A minúcia dos preparativos, da sala e da celebração, anunciava algo especial e Cristo começou por alertar os discípulos para a importância do momento: «Desejei ardentemente comer esta Páscoa convosco, antes de padecer».

A celebração judaica começa com as abluções rituais. O mais novo da família leva uma jarra e uma bandeja, deitando a água da purificação sobre as pontas dos dedos de cada um. Neste caso, não foi o menos importante – foi o próprio Cristo! – Quem fez a ablução. E não derramou água sobre os dedos: pôs uma toalha à cintura e lavou os pés a cada um dos discípulos. Pedro recusa uma coisa dessas! Depois, é tal a insistência de Cristo, que aceita...

Seguiram-se os salmos do costume e vários cálices rituais, em acção de graças, como símbolo da Aliança do Povo com Deus, etc., até que Cristo altera o sentido de tudo ao estabelecer uma Aliança nova: «Este cálice é a nova Aliança no meu Sangue, derramado por vós». Neste momento, Cristo coloca-Se a Si próprio como novo centro da acção litúrgica: «todas as vezes que o beberdes, fazei isto em memória de Mim».

Há outros elementos revolucionários naquela celebração pascal, mas o que mais surpreendeu Scott Hahn e a sua congregação protestante foi que, imediatamente antes do momento culminante, que seria o cálice da Consumação, Cristo interrompe a cerimónia. Não só interrompe, como o declara solenemente, como se fizesse de propósito: «não tornarei a beber o fruto da videira, até àquele dia em que o beberei de novo no Reino de Deus». Levantaram-se, pois, e saíram para o Monte das Oliveiras. A comunidade de Scott Hahn não sabia o que pensar. Talvez Jesus estivesse perturbado pela iminência da morte, talvez se tivesse esquecido de concluir a cerimónia da Páscoa...

Hahn decidiu reler os Evangelhos de uma ponta à outra, à procura do cálice que faltava, o cálice da Consumação. A conclusão imediata é que não tinha havido esquecimento, quase se diria que Jesus não pensava noutra coisa. Jesus sai do cenáculo da Última Ceia a falar do cálice que faltava: «Meu Pai, se é possível, passe de Mim este cálice! Mas não se faça a minha vontade mas a tua». «Pai, se este cálice não pode passar sem que Eu o beba, faça-se a tua vontade!...». Chegam Judas e os soldados, Pedro pega numa espada e corta a orelha de Malco, um criado do Sumo Sacerdote. Jesus cura milagrosamente o ferido e diz a Pedro «Mete a tua espada na bainha. Eu não havia de beber o cálice que o Pai Me deu?».

Aquele cálice, vinha inclusivamente de muito antes. Ao pedido da mãe de Tiago e João, responde com um desafio misterioso: «Podeis beber o cálice que Eu hei-de beber, ou ser baptizados no baptismo com que Eu vou ser baptizado?» – qual cálice, tão singular? Qual baptismo, se Jesus já tinha sido baptizado no Jordão?

No final da Paixão, pendurado da Cruz, momentos antes de morrer, ressurge a referência à consumação da Aliança. «Sabendo Jesus que tudo estava consumado, para se cumprir a Escritura, disse “tenho sede”. Havia ali um vaso de vinagre...» e um dos que estavam ali «correu a tomar uma esponja, ensopou-a, pô-la sobre uma cana e deu-Lhe de beber»... «Deram-Lhe a beber vinho misturado com fel. Tendo-o provado, não quis beber». Não, aquele vinho misturado com fel não era o cálice esperado; aquele «tenho sede» não era a pedir aquele vinho. Imediatamente a seguir, Jesus exclama «Tudo está consumado!» e, inclinando a cabeça, expirou.

De repente, Scott Hahn percebeu que a Última Ceia só terminava no Calvário, no momento em que se estabelece a nova Aliança «no sangue derramado por Cristo». A Última Ceia é uma unidade com todo o oferecimento de Cristo na Paixão. Participar na Missa é participar no Sacrifício de Cristo na Cruz. Como diz S. Paulo aos de Corinto, «porventura o cálice de bênção que abençoamos não é comunhão com o sangue de Cristo?». Cristo é, como diz S. Paulo a seguir, «a vítima imolada no altar». S. Paulo recorda como o próprio Jesus tinha avisado os discípulos, na Última Ceia, de que aquele vinho consagrado apontava para a sua morte no Calvário: «Todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que Ele venha».

Um dia, na universidade protestante em que dava aulas, Scott Hahn apresentou esta sua investigação e ouviu um comentário de um aluno que tinha tido catequese católica em pequeno: «Isso faz todo o sentido, mas recorda-me o catecismo de Baltimore!». Scott nunca tinha ouvido falar de um «catecismo de Baltimore», porque era um livrinho elementar, o primeiro catecismo das crianças católicas da época, e por isso ainda acusou mais o toque. Então, os católicos, esses heréticos, ensinam às crianças que a Missa é a renovação do Sacrifício do Calvário?! Algo que ele só tinha descoberto ao fim de tanto esforço de investigação?!

Primeiro, Scott ficou furioso, despeitado. Depois, continuou a investigar e fez-se católico.

José Maria C.S. André in Correio dos Açores, 25-III-2018


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sábado, 24 de março de 2018

9 orações para saber em latim

1. Sinal da Cruz

In nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti. Amen

2. Credo

Credo in unum Deum, Patrem omnipotentem, factorem caeli et terrae, visibilium omnium et invisibilium.
Et in unum Dominum Jesum Christum Filium Dei unigenitum. Et ex Patre natum ante omnia saecula. Deum de Deo, lumen de lumine, Deum verum de Deo vero. Genitum, non factum, consubstantialem Patri : per quem omnia facta sunt. Qui propter nos homines, et propter nostram salutem decendit de caelis. Et incarnatus est de Spiritu sancto ex Maria Virgine : Et homo factus est. Crucifixus etiam pro nobis : sub Pontio Pilato passus, et sepultus est. Et resurrexit tertia die, secundum Scripturas. Et ascendit in caelum : sedet ad dexteram Patris. Et iterum venturus est cum gloria, judicare vivos et mortuos : cujus regni non erit finis.
Et in Spiritum sanctum, Dominum, et vivificantem : qui ex Patre Filioque procedit. Qui cum Patre et Filio simul adoratur, et conglorificatur : qui locutus est per Prophetas. Et unam, sanctam, catholicam, et apostolicam Ecclesiam. Confiteor unum baptisma in remissionem peccatorum. Et expecto resurrectionem mortuorum. Et vitam venturi saeculi.

3. Pai Nosso

Pater noster, qui es in caelis, sanctificetur nomen tuum. Adveniat regnum tuum. Fiat voluntas tua, sicut in caelo et in terra. Panem nostrum quotidianum da nobis hodie, et dimitte nobis debita nostra sicut et nos dimittimus debitoribus nostris. Et ne nos inducas in tentationem, sed libera nos a malo. Amen.

4. Avé Maria

Ave Maria, gratia plena, Dominus tecum. Benedicta tu in mulieribus, et benedictus fructus ventris tui, Iesus. Sancta Maria, Mater Dei, ora pro nobis peccatoribus, nunc, et in hora mortis nostrae. Amen.

5. Glória ao Pai

Gloria Patri, et Filio, et Spiritui Sancto. Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in saecula saeculorum. Amen.

6. A oração de Fátima 

Domine Iesu, dimitte nobis debita nostra, salva nos ab igne inferiori, perduc in caelum omnes animas, praesertim eas, quae misericordiae tuae maxime indigent.

7. Salve Regina

Salve Regina, Mater misericordiae. Vita, dulcedo, et spes nostra, salve. Ad te clamamus exsules filii Hevae. Ad te Suspiramus, gementes et flentes in hac lacrimarum valle. Eia ergo, Advocata nostra, illos tuos misericordes oculos ad nos converte. Et Iesum, benedictum fructum ventris tui, nobis post hoc exsilium ostende. O clemens, o pia, o dulcis Virgo Maria.
V. Ora pro nobis, Sancta Dei Genitrix. R. Ut digni efficiamur promissionibus Christi.

8. Angelus

V. Angelus Domini nuntiavit Mariae. R. Et concepit de Spiritu Sancto.
Ave Maria...

V. Ecce ancilla Domini, R. Fiat mihi secundum verbum tuum.
Ave Maria...

V. Et Verbum caro factum est, R. Et habitavit in nobis.
Ave Maria...

V. Ora pro nobis, sancta Dei Genetrix, R. Ut digni efficiamur promissionibus Christi.

Oremus. Gratiam tuam, quaesumus, Domine, mentibus nostris infunde; ut qui, Angelo nuntiante, Christi Filii tui incarnationem cognovimus, per passionem eius et crucem ad resurrectionis gloriam perducamur. Per eumdem Christum Dominum nostrum. R. Amen.

9. Oração a São Miguel Arcanjo

Sancte Michael Archangele, defende nos in proelio, contra nequitiam et insidias diaboli esto praesidium. Imperet illi Deus, supplices deprecamur: tuque, Princeps militiae caelestis, Satanam aliosque spiritus malignos, qui ad perditionem animarum pervagantur in mundo, divina virtute, in infernum detrude. Amen.


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A oração e a pureza estiveram sempre presentes na vida de D. Bosco

D. Bosco rezava sempre. Nele, a união com Deus era contínua. Quem se aproximava dele percebia logo estar diante de um serafim. Era-o tal quando rezava de joelhos; era-o ao celebrar a Santa Missa; era-o no caminhar grave e sereno; tal era quando nas conversações sabia elevar-se a Deus por mais comum que fosse o argumento sem que por isso se tornasse enfadonho ou aborrecido; fazia-o com uma naturalidade incrível. 

A sua palavra, os seus gestos, a sua atitude, em suma, qualquer acção de D. Bosco respiravam uma candura e um aroma tão virginal que arrebatava e edificava a quem quer que se aproximasse dele, fosse embora um desencaminhado. O ar angélico que lhe transparecia no rosto tinha um atractivo especial para conquistar os corações. Dos seus lábios jamais saiu uma palavra que se pudesse taxar de menos própria. 

No seu exterior evitava qualquer gesto ou qualquer movimento que parecesse mundano. Quem o conheceu nos momentos mais íntimos de sua vida, o que achou nele de mais extraordinário foi sem dúvida a suma atenção que sempre usou na prática dos mais vivos cuidados para não lesar a modéstia. 

"Estou absolutamente convencido – declara o Cónego Berrome – que D. Bosco conduziu à tumba a estola da inocência baptismal. Lia-se a virtude da castidade no seu olhar, na sua atitude, na sua palavra e em todos os seus actos; bastava fixá-lo para sentir o perfume desta virtude."

V. Sinistrero in 'Dom Bosco nos guia à Pureza' (Niterói: Escolas Profissionais Salesianas, 1940, pp. 120-124)


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sexta-feira, 23 de março de 2018

Que bem se vive junto à Cruz de Jesus

Como se vive bem no coração de Cristo! Quem se pode queixar por sofrer ? Só o insensato, que não adora a Paixão de Cristo, a cruz de Cristo, o coração de Cristo, pode sentir-se desesperado com o seu próprio sofrimento.Que bem se vive junto à cruz de Jesus! 


Cristo Jesus, mostra-me essa sabedoria que consiste em amar o desprezo, as injúrias, o opróbrio; ensina-me a sofrer com a alegria humilde e sem clamor dos santos; ensina-me a ser manso com aqueles que não me amam ou que me desprezam; mostra-me esse conhecimento que Tu, no alto do calvário, mostras ao mundo inteiro. 

Eu sei: uma voz interior, muito suave, explica-me tudo; sinto em mim uma coisa que vem de Ti e que não sei definir, que me decifra muitos mistérios que o homem não pode compreender. Eu, Senhor, à minha maneira, entendo tudo. É o amor. É só isso. Vejo-o, Senhor, não preciso de mais nada. É o amor! Quem pode explicar o amor de Cristo?

Que os homens e as outras criaturas se calem; calemo-nos, para que, no silêncio, escutemos os sussurros do amor, do amor humilde, do amor paciente, do amor imenso, infinito, que Jesus nos oferece, pregado à sua cruz, com os braços totalmente abertos. O mundo, na sua loucura, não O escuta.

São Rafael Arnaiz Baron in Escritos espirituais, 07/04/1938


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Nós Vos adoramos e Vos bendizemos, Senhor Jesus

Porque pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo


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quinta-feira, 22 de março de 2018

O dever de odiar a heresia

O Pe. Frederick William Faber (1814-1863), nascido em Inglaterra, foi anglicano, mas, graças a Deus, converteu-se à Verdade. É considerado um dos maiores escritores espirituais do século XIX. No trecho abaixo, do livro ''The Foot of the Cross'', o Pe. Faber fala do ódio que um católico tem de nutrir contra a heresia, qualquer que seja:

Amemos as almas por amor de Jesus e não Jesus por amor das almas. Há ocasiões nas quais temos de passar deste instinto de amor divino para um outro, do amor às almas ao ódio da heresia. Este último sentimento ofende o mundo de modo particular, pois é tão contrário ao espírito do mundo que, mesmo no coração do bom fiel, o pouco de mundano que ele ainda conserva se levanta contra o ódio da heresia. 

É um fermento que irrita mesmo os caracteres mais doces. Muitos convertidos, com os quais Deus queria fazer grandes coisas, caminham para o túmulo como um 'aborto espiritual', visto que não quiseram odiar a heresia. O coração que hesita em odiar a heresia ainda não se converteu. Nele Deus ainda não reina com uma soberania indivisa, e os caminhos que levam à mais elevada santidade estão fechados àquele coração. Conforme o parecer do mundo e dos cristãos mundanos, o ódio à heresia é exagero, aspereza, indiscrição, está fora de moda, absurdo, retrógrado, estreito, estúpido, imoral. Que podemos dizer em sua defesa? Nada que esses possam compreender! O melhor que podemos fazer, portanto, é calar-nos. 

Se entendemos a Deus e Ele nos compreende, não é assim tão difícil percorrer a estrada, suspeitos, incompreendidos e até odiados. A opinião adocicada de certa gente boa, sem discernimento espiritual, adopta a opinião do mundo e condena-nos, porque a bondade tímida tem uma segurança e uma aparência de doçura que estão longe de Deus e os seus instintos de caridade inclinam-se de preferência para aqueles que são menos corajosos por Deus, enquanto que a sua timidez é bastante ousada para censurar sem piedade. 

Não se pode, se se está na plena posse das próprias faculdades, pôr-se a demonstrar ao mundo, a este inimigo de Deus, que um ódio completo e católico da heresia é próprio de um espírito recto. Poderíamos, por ventura, obrigar um cego a escolher entre diversas cores? O amor divino põe-nos num outro nível de vida, de motivos, de princípios que não apenas não são deste mundo, mas inimigos jurados dele.


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Chesterton comprou um revólver no dia do casamento

No dia do meu casamento, a certa altura do caminho, parei para beber um copo de leite numa loja e comprar um revólver com cartuchos noutra. Alguns tomaram isto como singulares presentes de casamento que um noivo se dava a si mesmo; e se a noiva não o conhecesse como conhecia, poderia talvez tomá-lo por um suicida ou por um assassino, ou, o que é ainda mais grave, por um abstémio.

Todavia aqueles objectos parecem-me a coisa mais natural desta vida. Não comprei a pistola para matar-me ou à minha mulher. Nunca fui um personagem assim muito moderno. Comprei-a porque era aquele o primeiro dia da maior aventura da minha juventude e eu ligava a isso uma vaga ideia de protecção devida a minha mulher contra os piratas que infestavam Norfolk Broads.

G. K. Chesterton na sua Autobiografia


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quarta-feira, 21 de março de 2018

Querida Mãe, um vídeo sobre Síndrome de Down

Uma Mãe de esperanças descobriu que seu o filho sofria de Síndrome de Down. Perturbada, escreveu uma carta para a associação CoorDown, que lida com pessoas que sofrem desta doença. Na carta diz que está assustada com a doença do filho, que está para nascer, e que não sabe o que fazer. A resposta da associação italiana foi esta:


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A opção beneditina pode salvar a nossa sociedade da ruína

Pelo final do século V, o Império Romano estava em ruínas. Enfraquecida desde dentro pela corrupção, pela opulência, pela luxúria e pelo comodismo, a cidade de Roma foi, durante boa parte do século, violentamente invadida por povos estrangeiros.

O Império foi à falência, tanto moral quanto financeiramente, e, por volta do ano 500, Bento — um jovem nobre da cidade de Núrsia — decidiu que a melhor coisa que poderia fazer era subir para as montanhas e tornar-se eremita. Primeiro, ele foi a Subiaco e viveu em uma caverna, onde foi orientado por um monge mais velho. Finalmente, mudou-se para o sul, em Monte Cassino, onde estabeleceu pequenas comunidades de homens e mulheres que pudessem seguir uma vida simples e digna de trabalho, estudo e oração.

G. K. Chesterton diz que cada século é salvo pelo santo que lhe é mais contrário. A simplicidade monástica de São Bento era justamente a resposta de que a corrupção e a opulência do decadente Império Romano precisavam. Ele respondeu à luxúria com a pureza, à avareza com a simplicidade, à ignorância com a sabedoria, à decadência com a diligência e ao cinismo com a fé. Suas comunidades nas montanhas se tornaram faróis em uma época de trevas e um refúgio para as tempestades que estavam prestes a cair.

Vale a pena lembrar o exemplo de Bento hoje, quando muitos veem aproximar-se as mesmas tempestades do que parece ser a derrocada da civilização ocidental. Quando consideramos o fim que levou a Roma pagã, os paralelos são sensivelmente similares.

Também a nossa cultura está enfraquecida desde dentro por incríveis opulência, luxúria e sensualidade. Como os antigos romanos, a nossa sociedade mata os seus filhos que ainda não nasceram em um nível alarmante e também investe grandes montantes em máquinas militares para dominar o mundo. Nossos ricos “patrícios” reinam de seus templos de poder sem nenhuma preocupação com o povo, enquanto os “plebeus” comuns rangem os dentes com descontentamento cada vez maior. Também nós nos sentimos ameaçados por bárbaros desconhecidos que vêm do outro lado do mundo e também nós nos preocupamos em defender-nos das hordas que cruzam as nossas fronteiras.

Por que Bento escolheu simplesmente retirar-se? Acredito que ele o fez porque percebeu que a civilização romana não tinha salvação, ela já tinha chegado ao fim de sua vida útil. O primeiro capítulo da Epístola de São Paulo aos Romanos explica como Deus entrega as pessoas aos seus desejos pecaminosos e, por isso, as suas mentes ficam obscurecidas. Elas se tornam viciadas e cegas pelo pecado e são incapazes de pensar retamente. Bento subiu para as montanhas porque percebeu que com os romanos não havia diálogo. Não havia argumento possível porque os seus corações e mentes estavam obscurecidos. Eles tinham perdido a capacidade de raciocinar e a habilidade de escutar e amar a verdade.

Essa é cada vez mais a situação do mundo de hoje. Já há muito tempo que a nossa civilização virou as costas para a verdade, para a beleza e a para a bondade da fé cristã; que temos nos sujeitado ao comodismo, entregando-nos a grandes pecados de luxúria, crueldade e assassinato. Como sociedade, nós destruímos o matrimónio, abusamos de nossas crianças, matamo-nos uns aos outros, travamos guerras e roubamos dos mais pobres. Nossos corações e mentes estão agora obscurecidos. Atingidos pelo cancro intelectual do relativismo, não somos capazes nem de ouvir a razão nem de produzir argumentos. Fomos abandonados ao turbilhão de nossas emoções, agitados pela raiva, pelo ódio irracional e pela frustração demoníaca.

O que podemos fazer? Como católicos, nós viveremos cada vez mais a “opção beneditina”. Há quem pense que terminaremos nos escondendo em nossos próprios enclaves, como sobreviventes de um holocausto nuclear, mais ou menos como uma volta às catacumbas. Eu não seria tão pessimista. Acredito que a “opção beneditina” pode ser simplesmente uma percepção de que precisamos retornar à essência da nossa fé e vivê-la em nossas comunidades paroquiais já existentes. Nossas paróquias podem tornar-se refúgios de paz, centros de cultura, educação e razão. Elas podem tornar-se lugares onde a oração, o trabalho e o estudo são valorizados.

Sem formar novas comunidades monásticas, nossas famílias e paróquias podem transformar-se em “mosteiros domésticos”, onde nós viveremos com simplicidade e cultivaremos com consciência a nossa fé, refugiando-nos do dilúvio que devasta a nossa sociedade.

Para tanto, nós precisaremos reavaliar a nossa relação com a cultura que nos rodeia. Precisaremos simplificar as nossas vidas. Será que realmente precisamos de todas essas coisas materiais que nos puxam para baixo e nos atolam nas dívidas e no estresse? Será que realmente precisamos correr tão freneticamente, com tanta pressa, o tempo todo? Temos realmente que nos conformar com a sociedade agitada, vaidosa e avarenta em que vivemos? Realmente precisamos de todo esse entretenimento e distração que nos leva à destruição? Acho que não.

Contra tudo isso, a “opção beneditina” colocará o nosso foco nos votos que estão no coração da Regra de São Bento: estabilidade, obediência e conversão de vida. A estabilidade nos ajudará a desenvolver raízes profundas em nossa fé, em nossas famílias e em nossa Igreja. Encontraremos aí a nossa segurança, e não em nosso trabalho, em nosso dinheiro ou em nossas realizações. A obediência significa que procuraremos submeter-nos constantemente às Sagradas Escrituras, aos ensinamentos da Igreja, a Deus e uns aos outros. A conversão de vida significa que tudo o que fizermos e dissermos, e toda decisão que tomarmos, será determinada por nosso desejo de sermos completamente transformados na imagem de Cristo. Ou, como São Bento põe em sua regra, “Nada antepor a Cristo”.

As simples e humildes comunidades beneditinas tornaram-se na fundação da maior civilização que o mundo já viu. Durante mil anos, a Europa cristã esteve enraízada na singela intuição de São Bento de Núrsia. Se os católicos fizerem essa opção, ainda podemos forjar uma fundação forte e vigorosa para o futuro da nossa sociedade.

in National Catholic Register 
(Tradução: ChurchPOP)


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segunda-feira, 19 de março de 2018

A famosa carta de Bento XVI, agora em português

Na semana passada, o prefeito do Secretariado para as Comunicações, Mons. Dario Viganò, publicou parte de uma carta que o Papa Bento lhe enviou, sobre a obra teológica do Papa Francisco. 

Lamentavelmente, os excertos foram publicados fora do contexto e distorceram o sentido original da carta para parecer quase o sentido oposto da carta. Por essa razão, e porque muitos estranharam a carta do Papa Bento, o Gabinete de Imprensa da Santa Sé (um outro órgão do Vaticano), decidiu publicar a carta na íntegra.

A versão integral da carta sugere que o primeiro parágrafo é uma resposta específica à carta que fora enviada originalmente a Bento XVI, num formato de repetição das ideas da pessoa a quem se dirige, e não um parágrafo inovador. Esses vêm a seguir.

O envelope onde se encontrava a carta dizia que era apenas para uso pessoal, e todas as circunstâncias levam a crer que o Papa Bento nunca planeou tornar esta carta pública. Por questões de transparência e amor à Verdade publicamos aqui uma tradução para português. 

7 de Fevereiro de 2018
Reverendíssimo Monsenhor,

Muito obrigado pela sua amável carta do dia 12 de Janeiro e pelo presente em anexo dos onze volumes editados por Roberto Repole. Aplaudo esta iniciativa que quer opor-se e reagir ao tonto preconceito de que o Papa Francisco seria apenas um homem prático privado de particular formação teológica ou filosófica, enquanto que eu seria apenas unicamente um teórico da teologia que teria percebido pouco da vida concreta de um cristão de hoje. Os pequenos volumes mostram com razão que o Papa Francisco é um homem de profunda formação filosófica e teológica e ajudam-nos assim a ver a continuidade interior entre os dois pontificados, mesmo com todas as diferenças de estilo e temperamento.

No entanto não vou escrever sobre eles "uma breve e densa página teológica". Sempre foi claro em toda a minha vida que escreveria e expressar-me-ia apenas sobre livros que verdadeiramente li. Infelizmente, também por razões físicas, não estou em estado de ler os onze volumes no futuro próximo, ainda para mais porque tenho outras tarefas com as quais já me comprometi.

Só uma nota, gostaria de mostrar a minha surpresa pelo facto de que entre os autores está o professor Hünermann, que durante o meu pontificado se destacou por ter liderado iniciativas anti-papais. Ele participou de forma significativa no lançamento da "Kölner Erklärung" que, em relação à encíclica Veritatis splendor, atacou de modo hostil a autoridade magisterial do Papa, especialmente sobre questões de teologia moral. Também a "Europaische Theologengesellschaft", que ele fundou, inicialmente foi pensada como uma organização em oposição ao magistério papal. Seguidamente, o sentir com a igreja de muitos teólogos impediu esta orientação, tornando essa organização num instrumento normal de encontros entre teólogos.

Estou certo que compreenderá a minha negação e saúdo-o cordialmente.

Seu,
Bento XVI


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domingo, 18 de março de 2018

Bênção com o Véu de Verónica na Basílica de São Pedro

As estações quaresmais na cidade de Roma são uma tradição que remonta ao século IV. Criou-se o costume que o Papa visitasse uma basílica ou igreja diferente em cada dia da Quaresma, por isso ainda hoje em dia se celebra a estação (statio) numa igreja de Roma. Há muitas igrejas que estão fechadas durante o todo o ano e apenas são abertas para esta celebração.

No quinto Domingo da Quaresma, Domingo da Paixão, a estação é na Basílica de São Pedro. Centenas de relíquias, que se encontram normalmente guardadas naquela Basílica, são expostas em cima do altar de São Pedro.

A cerimónia começa com uma procissão dentro da Basílica enquanto se canta a a Ladainha dos Santos, na qual se lembram os que derramaram o seu sangue por causa de Nosso Senhor Jesus Cristo. O nome de São Pedro é invocado 3 vezes por ali se encontrar o seu túmulo e por ser o Príncipe dos Apóstolos.

Seguem-se as Vésperas Solenes e depois uma curta procissão até à 'loggia' (uma espécie de varanda) onde é exposto o Véu de Verónica, usado para limpar o rosto de Jesus durante a Via-Sacra. De seguida é feita uma bênção com o Véu sobre quem se encontra presente.











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O exame de consciência à noite é essencial

"Viveremos bem quando decidirmos fazer um exame de consciência todas as noites." 

São João Maria Vianney, o Cura d'Ars

Exemplo de: Breve exame de consciência


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sábado, 17 de março de 2018

Quando ser baptizado implica correr risco de vida

Para baptizar os seus filhos, os pais andam 3 horas a pé e fazem uma perigosa escalada de 400 metros até à igreja.



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sexta-feira, 16 de março de 2018

Oração, misericórdia e jejum andam sempre de mão dada

Há três actos, meus irmãos, em que a fé se sustenta, a piedade consiste e a virtude se mantém: a oração, o jejum e a misericórdia. A oração bate à porta, o jejum obtém, a misericórdia recebe. Oração, misericórdia e jejum são uma só coisa, dando-se mutuamente a vida. 

Com efeito, o jejum é a alma da oração e a misericórdia é a vida do jejum. Que ninguém os divida, pois não podem ser separados. Quem pratica apenas um ou dois deles, esse nada tem. Assim, pois, aquele que reza tem de jejuar, e aquele que jejua tem de ter piedade, escutando o homem que pede e que, ao pedir, deseja ser escutado. Pois aquele que não se recusa a ouvir os outros quando lhe pedem alguma coisa, esse faz-se ouvir por Deus. 

Aquele que pratica o jejum tem de compreender o jejum; isto é, tem de ter compaixão do homem que tem fome, se quer que Deus tenha compaixão da sua própria fome. Aquele que espera obter misericórdia tem de ter misericórdia; aquele que quer beneficiar da bondade tem de praticá-la; aquele que quer que lhe deem tem de dar.

Sê pois a norma da misericórdia a teu respeito: se queres que tenham misericórdia de ti de certa maneira, em certa medida, com tal prontidão, sê tu misericordioso com os outros com a mesma prontidão, a mesma medida e da mesma maneira. 

A oração, a misericórdia e o jejum devem, pois, constituir uma unidade, para nos recomendarem diante de Deus; devem ser a nossa defesa, pois são uma oração a nosso favor com este triplo formato.

São Pedro Crisólogo in 'Homilia sobre a oração, o jejum e a esmola' (Pl 52,320) 


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Os 12 degraus da humildade

S. Tomás de Aquino, na Suma Teológica (II-IIae, q.161, a.6), resume os 12 degraus de humildade que se encontram na Regra de S. Bento, o pai do monaquismo ocidental:

1) Ter os olhos sempre baixos, manifestando humildade interior e exterior; 
2) Falar pouco e sensatamente, em voz baixa;
3) Não ser de riso pronto e fácil;
4) Manter-se calado, enquanto não for interrogado;

5) Observar o que prescreve a regra comum do mosteiro;
6) Reconhecer-se e mostrar-se o mais indigno de todos;
7) Julgar-se, sinceramente, indigno e inútil em tudo;
8) Confessar os próprios pecados;

9) Por obediência suportar, pacientemente, o que é duro e difícil;
10) Submeter-se, obedientemente, aos superiores;
11) Não se comprazer na vontade própria;
12) Temer a Deus e ter presente tudo o que ele mandou.

A humildade está, essencialmente, no apetite, na medida em que alguém refreia os impulsos do seu ânimo, para que não busque, desordenamente, as coisas grandes. Mas a regra da humildade está no conhecimento que impede que alguém se julgue melhor do que é. E o princípio e raiz dessas duas atitudes é a reverência que se presta a Deus. 

Por outro lado, da disposição interior do homem procedem alguns sinais exteriores de palavras, actos e gestos, que revelam o que está oculto no íntimo, como também ocorre com as outras virtudes, pois, "pelo semblante se reconhece o homem; pelo aspecto do rosto, a pessoa sensata". (Ecl. 19, 26), diz a Escritura. 

Por isso, nos alegados graus de humildade figura um que pertence à raiz dela, a saber, o 12º: "temer a Deus e ter presente tudo o que nos mandou". 

Mas nesses graus há também algo que pertence ao apetite, como o não buscar, desordenadamente, a própria superioridade, o que se dá de três modos. Primeiro, não seguindo a própria vontade (11º); depois, regulando-a pelo juízo do superior (10º) e, em terceiro lugar, não desistindo em face de situações duras e difíceis (9º).

Aparecem também graus relativos à estima em que alguém deve ter ao reconhecer os próprios defeitos. E isso de três modos: primeiro, reconhecendo e confessando os próprios defeitos (8º). Depois, em vista desses defeitos, julgando-se indigno de coisas maiores (7º). Em terceiro lugar, considerando os outros, sob esse aspecto, superiores a si (6º).

Finalmente, nessa enumeração já também graus relativos à manifestação externa. Um deles, quanto às acções, de modo que, em suas obras, não se afaste do caminho comum (5º). Outros dois referem-se às palavras, quer dizer, que não se fale fora do tempo (4º), nem se exceda no falar (2º). 

Por fim, há os graus ligados aos gestos exteriores, como, por exemplo, reprimir o olhar sobranceiro (1º) e coibir risadas e outras manifestações impróprias de alegria (3º).


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quinta-feira, 15 de março de 2018

Domingo na Santissima Trinità dei Pellegrini

Estas fotografias foram feitas no Domingo Laetare na igreja da Santissima Trinità dei Pellegrini, em Roma. Esta igreja foi fundada por São Filipe Néri para receber e ajudar os peregrinos que se deslocavam a Roma. A paróquia está entregue à Fraternidade Sacerdotal de São Pedro e celebra exclusivamente a Missa Tradicional.











Fotografias: Elvir Tabaković, Can.Reg.


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A continência como acto de amor é possível

A nota do Senhor Patriarca sobre o capítulo VIII da Amoris Laetitia gerou muita perplexidade ao dizer que, às pessoas casadas pela Igreja e que depois de uma separação se juntam a outra em casamento civil, se deve propor a continência. A meu ver, o valor desta proposta não está tanto, ou só, na apresentação de uma norma justa, mas no facto de testemunhar a convicção de que a graça de Deus não é um sonho, mas uma ajuda real. 

Para se perceber de que se está a falar, lembremos que a continência está ligada à virtude da castidade e que, como recordava o Papa Francisco na Amoris Laetitia, a Igreja está ciente de que “é necessário lembrar a importância das virtudes. Dentre elas –  continua o Papa – resulta ser condição preciosa para o crescimento genuíno do amor interpessoal a castidade.” (AL 206) Neste contexto, a palavra continência, longe de ser uma violência à natureza, apresenta-se como uma proposta positiva que ajuda a viver bem o amor.

É essa a experiência de quem se consagra. Os padres e religiosos(as) não são continentes porque há uma regra que os impede de seguir os instintos, mas porque respondem a um chamamento de amor e para o amor que a graça de Deus torna possível e belo seguir. A Igreja, remando contra a maré, também propõe a continência antes do casamento, não para preservar uma imagem, mas porque está certa do grande valor da comunhão de vida que uma relação sexual pressupõe e gera e que só é completa dentro do casamento.

Além disso, muitos casais, no âmbito da regulação da fertilidade, aceitam viver períodos de continência. Quando se seguem os métodos naturais como a Igreja ensina, e se o casal considera naquele momento não ser conveniente ficar à espera de um filho, há dias em que é necessário abster-se de ter relações sexuais. Também aqui a continência tem um valor positivo. É uma proposta que une a sexualidade ao diálogo e ao amor, e leva os dois a sentirem-se protagonistas de um projecto de vida totalizante, capaz de vencer os egoísmos que ainda estejam presentes. É isso que faz com que não ter relações sexuais nesses dias seja um sim de amor ao outro e à comunhão dos dois.

É neste contexto que se pode perceber que, numa situação em que duas pessoas recasadas, cuja separação poderia ter consequências complicadas para si e para outros – especialmente para filhos que tenham nascido desta segunda união – mas em que há um desejo real de viver na fidelidade a Deus se deve propor que vivam como irmãos.

Sim, é verdade que a Igreja sabe que está a propor algo de exigente a pessoas frágeis. Somos todos frágeis! Mas a Igreja não propõe aos seus filhos coisas estranhas! Ela faz propostas que têm em vista o bem maior de todos. Ela vê através da fé que o amor aprendido em Jesus Cristo e tornado possível com a Sua Páscoa renova a pessoa e torna-a mais feliz.

O Senhor Patriarca, além disso, explica justamente que, porque nem sempre conseguimos ser fiéis ao que sabemos ser bom e que decidimos sinceramente seguir, se depois desta decisão se cai na tentação e se têm relações sexuais, é possível pedir perdão através do sacramento da confissão. A mim isso parece completamente correcto, e não tem nada a ver com hipocrisia. Tem a ver com a certeza que o ideal cristão é bom para todos e liga-se à consciência da fragilidade da pessoa. Um paradoxo que só a misericórdia de Deus consegue resolver.

Acontece o mesmo quando num casal um dos esposos cai na tentação do adultério; ou um padre é infiel ao celibato; ou um namorado tem relações sexuais com a namorada. Quando alguém tem fé na misericórdia de Deus, sabe e acredita que depois de realizar um acto errado, se se dá conta do mal feito a si e aos outros e se arrepende, não está condenado porque olha para Deus como um Pai. Confiar no perdão não conduz ao relativismo que tudo desculpa, mas abre ao horizonte da reconciliação e da santidade.

Pela fé, não se vive a continência como uma castração ou uma distração do instinto, mas como um sinal concreto do amor e da vida em Cristo. A proposta da continência, por isso, parecerá sempre impossível a quem só raciocina com o intelecto ou se limita a seguir a mentalidade dominante e não se dá conta da potência da graça de Deus. Mas quem vive com Deus e, mais ainda, vive em Deus – e muitos casais vivem assim, e muitos divorciados querem viver assim – experimenta na continência uma paz e uma serenidade que o “mundo” não conhece. A Igreja, na fidelidade a Jesus Cristo, acredita que esta proposta seja boa e possível, mas não se limita a fazer um discurso, ela é companhia, presença, apoio contínuo que torna presente o próprio Deus.

Uma última palavra para agradecer o facto de esta proposta não se dirigir apenas a uns poucos que se pensam capazes de chegar aos ideais. O Senhor Patriarca mostra bem que confia que a graça de Deus está disponível para todos os que se abrem a ela.

Mons. Duarte da Cunha in 'A Voz da Verdade'


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