quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Missa Tradicional na Basílica de São Pedro



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O processo judicial e o corajoso martírio de Santa Luzia

Santa Luzia foi uma mártir dos primeiros séculos do Cristianismo (304 d.C.). Dotada de grande beleza física foi cobiçada por um jovem que também vivia em Siracusa (Sicília). Como não correspondesse aos intentos desse jovem, este denunciou Luzia ao Tribunal de Pascácio por ser cristã.

Pascásio citou a donzela perante o tribunal e intimou-a a sacrificar aos deuses e a cumprir a palavra dada ao cidadão. 

“Nem uma, nem outra coisa farei”, respondeu Luzia. “Adoro a um só Deus verdadeiro, a Ele prometi fidelidade e a mais ninguém”.

Pascásio, então, disse: “Devo exigir que respeites a ordem imperial: de prestar homenagem aos deuses e cumprir o que prometeste”.

Luzia: “Fazes bem em cumprir as ordens do Imperador[2]; eu cumpro as que Deus me deu. Se tens medo dos poderes de um homem mortal, eu temo os juízos de Deus; a Ele devo sujeitar-me”.

Pascásio: “Deixa de falar fanfarronices, se não queres que a tortura te ensine usar de outra linguagem.”

E ela: “Aos servos de Deus não faltará a palavra, porque Cristo disse: ‘Se estiverdes diante de reis e governadores, não cuideis como haveis de falar; porque não sereis vós quem fala, mas por vós falará o espírito de Deus’.”

Pascásio: “Está em ti o espírito de Deus?”

Luzia: “Quem vive casta e santamente, é templo do Espírito divino”.

Pascásio: “Se assim é, farei com que deixes de ser templo de Deus, e verás como te haverás com a castidade”.

Luzia: “Sem a minha vontade a virtude nada sofrerá: Podes à força pôr incenso em minhas mãos, para que o ofereça aos deuses; de nada vale, porque Deus, que conhece o coração, não me julgará pelo que fiz sob coação. Não poderei resistir à força, mas a minha virtude receberá dupla coroa”.

A ordem do governador foi posta logo em execução.

Luzia saiu do tribunal, entregue à vontade e brutalidade dos homens, mas cheia de confiança em Deus e invocando-Lhe o auxílio.

E eis como Deus lhe recompensou a Fé: Quando os verdugos puseram mãos à obra, para levar a donzela ao lugar determinado, força nenhuma foi capaz de fazê-la mover-se de onde estava. O facto causou grande estupefação. 

Mas em vez de reconhecer nisto o poder de Deus, que defende os seus, os pagãos viram uma obra de feitiçaria. Foram chamados os sacerdotes e magos, para desencantar o feitiço, mas nada conseguiram. Luzia resistiu heroica e superiormente a todas as tentativas dos inimigos. 

Pascásio idealizou outro plano. Ordenou que despejassem sobre a virgem: azeite, piche e resina, e ateassem uma grande fogueira ao redor. Outra maravilha! Subiram as labaredas, e a densa fumaça encobriu a figura da donzela, a qual, porém, ficou ilesa.

Lúcia foi então vítima de várias torturas, sendo que uma delas foi de arrancar os seus olhos, que foram colocados numa bandeja e entregues ao seu ex-pretendente. Mesmo assim, no dia seguinte os olhos de Luzia apareceram no seu rosto, intactos.

Ao ver isto, Pascásio, encolerizado e confuso, deu ordem a um soldado para que, com a espada, lhe cortasse a cabeça, atravessando a garganta daquela que, jubilosa e triunfante, exortava aos assistentes do espectáculo que abandonassem os falsos ídolos.

A ferida foi mortal. Luzia entregou o espírito a Deus, para receber a palma do vitorioso martírio.


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terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Nossa Senhora de Guadalupe responde aos aflitos e perturbados

As aparições de Nossa Senhora de Guadalupe estão envoltas em aura de mistério. O manto do indígena João Diogo é, ainda hoje, uma grande incógnita para a ciência. Mas, além disso, Nossa Senhora deixou-nos valiosos conselhos que são bastante úteis para os nossos tempos:

"Querido filho, não tenhas medo e não te aflijas. Não se perturbe o teu coração e não te preocupes com esta ou com qualquer outra doença. Não estou aqui, eu que sou sua mãe? Não estás sob a minha protecção? Não sou a fonte da tua alegria? Não estás presente na minha túnica, na cruz dos meus braços? O que mais queres? Nada te deve afligir nem perturbar."

Nossa Senhora de Guadalupe a São João Diogo


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Novo livro sobre Fátima: Milagre do Sol segundo testemunhas oculares

Poucos sabem que o Milagre do Sol é um dos milagres mais bem documentados da história da Igreja. Este novo livro é a publicação mais completa até hoje de testemunhos deste milagre. Pessoas que realmente observaram o que sucedeu em Fátima no dia 13 de Outubro de 1917. 

Dia 14 de Dezembro às 18h30 na Paróquia de Nossa Senhora de Fátima (Av. de Berna), em Lisboa. Este lançamento será uma óptima oportunidade para comprar um dos melhores presentes para este Natal.



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domingo, 10 de dezembro de 2017

Há 92 anos Nossa Senhora pediu à Irmã Lúcia a devoção dos primeiros Sábados

Há 92 anos, a 10 de Dezembro de 1925, Nossa Senhora apareceu à Irmã Lúcia em Pontevedra. A vidente tinha então 18 anos e vivia de maneira oculta, sob o nome de Maria das Dores, como postulante da Congregação de Santa Doroteia. Eis a aparição descrita pelas palavras da própria Irmã Lúcia:

«Em 10 de Dezembro de 1925, a Santíssima Virgem apareceu, tendo junto a Ela, levado por uma nuvem luminosa, o Menino Jesus. A Santíssima Virgem pôs a mão no seu ombro e mostrou, ao mesmo tempo, um Coração rodeado de espinhos que Ela segurava na outra mão. Nesse mesmo momento, o Menino disse: 

"Tem compaixão do Coração da tua Santíssima Mãe, coberto de espinhos com que homens ingratos O trespassam a todo o momento, sem que haja alguém que faça um acto de reparação para os tirar."

Então a Santíssima Virgem disse: "Olha, Minha filha, o Meu Coração, rodeado de espinhos com que homens ingratos O trespassam a todo o momento pelas suas blasfémias e ingratidões. Ao menos tu faz por Me consolar e anunciar em Meu nome que prometo assistir na hora da morte, com todas as graças necessárias para a salvação, a todos aqueles que, no primeiro Sábado de cinco meses seguidos, recebam o sacramento da Confissão, recebam a Sagrada Comunhão, rezem cinco dezenas do Rosário, e Me façam companhia durante quinze minutos, enquanto meditam nos quinze mistérios do Rosário, com a intenção de fazerem reparação ao Meu Imaculado Coração."»

Resumindo, as condições para ganhar o privilégio dos 5 primeiros Sábados são:
1 - Confissão. Pode ser feita uma semana antes ou depois do primeiro Sábado, contanto que se esteja em estado de graça (sem pecados mortais) no momento da comunhão reparadora;
2 - A Comunhão reparadora na Missa do primeiro Sábado.
3 - Rezar o terço nesse dia.
4 - Meditação durante 15 minutos os 15 mistérios do Rosário nesse dia.
Em todas estas quatro práticas, deve estar presente a intenção de desagravar o Imaculado Coração de Maria.


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Em Loreto está a casa onde o Verbo de Deus encarnou

A casa onde a Sagrada Família viveu, em Nazaré, foi transportada por Anjos até Loreto (Itália)
Vem-me à lembrança a viagem que fiz a Loreto, em 15 de Agosto de 1951, para visitar a Santa Casa por motivo muito íntimo. Celebrei lá a Santa Missa. Queria dizê-la com recolhimento mas não tinha contado com o fervor da multidão. Não tinha calculado que nesse grande dia de festa muitas pessoas dos arredores viriam a Loreto – com a bendita fé dessa terra e com o amor que têm à Madona. E a sua piedade, considerando as coisas – como diria? – só do ponto de vista das leis rituais da Igreja, levava-as a manifestações não muito correctas. 

E assim, enquanto eu beijava o altar, nos momentos prescritos pelas rubricas da Missa, três ou quatro camponeses beijavam-no ao mesmo tempo. Distraía-me mas estava emocionado. E também me atraía a atenção a lembrança de que naquela Santa Casa – que a tradição assegura ser o lugar onde viveram Jesus, Maria e José – na mesa do altar tinham gravado estas palavras: Hic Verbum caro factum est. Aqui, numa casa construída pelas mãos dos homens, num pedaço de terra em que vivemos, habitou Deus!

S. Josemaria Escrivá - Homilia pronunciada no dia 24 de Dezembro de 1963


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sábado, 9 de dezembro de 2017

Costumes, liturgia e igreja doméstica

O genuíno movimento litúrgico deve dar-se não só nas discussões teológicas e históricas acerca dos ritos e cerimónias, mas quando a liturgia começa a "falar" connosco e nos ajuda, mesmo nos pequenos actos da igreja doméstica, a caminhar rumo à santidade.

É por isso que muitas famílias como que transportam os tempos litúrgicos, as festas, as vigílias, para o dia-a-dia em casa, criando ou desenvolvendo costumes piedosos relacionados com a liturgia. Não se tratam, é verdade, de liturgias, mas de devoções pessoais ou tradições pessoais (de enfeites da casa, culinária, etc) que derivam daquelas.

Em nossa casa, a Aline e eu gostamos de fazer isso. Ajuda-nos a viver melhor o ritmo cristão da nossa existência, a andar no compasso do calendário da Igreja, a tornar a liturgia mais “nossa”. Desta forma é mais fácil participar da Missa e do Ofício.

Por exemplo, a partir do V Domingo da Quaresma, antigo I Domingo da Paixão, cobrimos as imagens e quadros com santos de nossa casa, como a Igreja recomenda que se faça nos templos e capelas. É um modo de nos associarmos ao que a Igreja Universal faz, e tornar nossa família realmente uma Igreja doméstica.

Outro costume que tenho, e agora já é algo mais meu do que de minha esposa, é recitar algumas ladainhas e orações conforme o dia. Recito, v.g., o Símbolo Atanasiano no Domingo da Santíssima Trindade, a Sequência do Espírito Santo na novena em preparação à Solenidade de Pentecostes, a Ladainha do Espírito Santo na sua oitava, o Stabat Mater na memória de Nossa Senhora das Dores, o Acto de Consagração do Género Humano ao Sagrado Coração de Jesus na Solenidade de Cristo Rei, o Acto de Reparação ao Sagrado Coração de Jesus na festa própria, a Ladainha do Sangue de Cristo no dia 1 de Julho, a Ladainha de São José nas festas josefinas etc.

Procuramos também acender uma vela à imagem de Nossa Senhora que temos na sala de visitas de nossa casa quando das festividades marianas, e duas velas no altar do nosso quarto nas solenidades principais. Quando algum dos santos de que temos quadros ou imagens é comemorado, incensamo-lo nesse dia e colocamos flores por perto. Se a festa, entretanto, é do Sagrado Coração de Jesus ou de Cristo Rei, honramos a imagem do Coração do Senhor num lugar de destaque, e colocamos flores.

Para a festa de Nossa Senhora de Guadalupe, é nosso costume também fazer um “jantar mexicano”, com receitas especiais da terra onde a Mãe de Deus apareceu a São João Diego.

Durante a Quaresma, outro costume é rezar, às sextas-feiras, a Ladainha dos Santos seguida dos Sete Salmos Penitenciais.

Após as I Vésperas do Domingo do Advento é a hora de montar a nossa árvore de Natal, colocar a guirlanda na porta, armar o presépio, e mudar o capacho da frente de casa por um tapete com decoração natalícia. Só removeremos os adereços na Solenidade da Epifania.

Um santo especialmente comemorado por nós é São Patrício. Além de padroeiro da Irlanda – de onde veio parte da família de minha esposa, Aline –, ele é o titular da paróquia itaquiense e patrono da cidade. No seu dia, fazemos um banquete especial, com velas, uma toalha mais solene, e bebemos cerveja irlandesa para acompanhar a comida.

Nas principais festas do calendário litúrgico, costumo assar um churrasco ou uma parrillada especiais também, abrindo um bom vinho ou uma cerveja melhor.

Em 2011, iniciamos uma outra actividade aqui em casa: o jantar especial de "enterro do aleluia", na Terça-Feira de Carnaval. A Aline prepara uma bela receita, tomamos um vinho bem escolhido e harmonizado, colocamos pratos, copos e talheres especiais (não os que usamos no dia-a-dia, mas alguns "de festa"), escolhemos uma toalha mais elegante, e enfeitamos a mesa com flores, velas, uma imagem da Sagrada Família e alguns ícones.

Há uma série de costumes familiares, gastronómicos, devocionais, que estão relacionados à liturgia. 

Rafael Vitola Brodbeck


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"A liturgia celebra-se para Deus, não para nós mesmos" Papa Bento XVI

"A liturgia celebra-se para Deus, e não para nós mesmos; é obra Sua; Ele é o sujeito; e nós devemos abrir-nos a Ele e deixar-nos guiar por Ele e pelo Seu Corpo, que é a Igreja." 

Papa Bento XVI, Audiência Geral (04/10/2012)


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sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

A Imaculada Conceição e o efeito dos Sacramentos

"Cantai ao Senhor um cântico novo, pelas maravilhas que Ele operou" (Sal 97, 1)

Sim, hoje cantamos ao Senhor com um novo júbilo ao contemplarmos, uma vez mais, as maravilhas que fez na sua Mãe. A Imaculada Conceição, pela qual "a bem-aventurada Virgem Maria foi preservada intacta de toda a mancha de pecado original no primeiro instante da sua conceição" [1], é uma dessas maravilhas que nós, unidos a milhões de cristãos de ontem, de hoje e de amanhã, agradecemos a Deus Todo-Poderoso. Agradecemos à Trindade que tenha decretado que a Virgem Santíssima recebesse este imenso dom.

No Evangelho (Lc 1, 26-38), unimo-nos ao Arcanjo S. Gabriel com a sua saudação: Ave, ó Cheia de Graça, o Senhor é convosco! Antes de ser a Mãe de Deus, já se encontra cheia da Graça de Deus!

Escreveu o Papa João Paulo II: "A afirmação do excepcional privilégio concedido a Maria mostra claramente que a acção redentora de Cristo não só liberta, como também preserva do pecado. (...)" [2]

Deixem-me propor uma comparação que ilustra as bonitas palavras de João Paulo II. No fundo, a Graça do Redentor não só cura do mal, mas, como vacina, imuniza contra os males futuros. Por isso, uma pessoa que recebeu com frequência os Sacramentos pode ter a certeza de que recebeu por eles muitas graças de Deus que o ajudaram a fazer o bem e a evitar o mal, permitindo que não caísse  na tentação. S. Josemaria respondia assim a uma pessoa que se queixava de não ver os frutos da comunhão diária: "Quantos anos a comungar diariamente! - Outro seria santo - disseste-me - e eu, sempre na mesma! - Filho - respondi-te - continua com a Comunhão diária, e pensa: que seria de mim, se não tivesse comungado?" [3]

Santa Teresinha do Menino Jesus, com toda a inocência, escrevia a uma das suas irmãs: "Asseguro-te que as palavras de Jesus a Madalena: 'Ao que mais se perdoa mais se ama', pode aplicar-se por maioria de razão aos casos em que Jesus perdoa os pecados de uma pessoa adiantadamente. Ele perdoou-me tudo pelo facto de não me ter deixado pecar!" [4] Na História de Uma Alma, a sua autobiografia espiritual, compara o que faz um médico com o seu filho quando trata a perna ferida ou quando evita a ferida afastando a pedra na qual o filho previsivelmente tropeçaria. Ela reconhece que a criança talvez não fique tão agradecida ao pai no segundo caso, quando não se dá conta do que iria suceder. "Mas - acrescenta -, e se descobrir a verdade? O seu amor não será ainda maior? Eu sou essa criança - conclui - (...). Ele quer que eu O ame porque me perdoou, não muito mas tudo." [5]

Assim, a Imaculada Conceição ajuda-nos a querer agradecer ao Senhor por todas as graças que nos concedeu, sobretudo através dos Sacramentos, muitas das quais nós desconhecemos: de quantas tentações não nos livrou o Senhor! De quantos perigos não nos terá protegido! Quantas derrotas nos evitou! E não apenas na nossa vida pessoal. A Santa Missa tem repercussão em todo o mundo. Quantos bens não terão chegado aos homens pela presença de Jesus entre nós! 

Saberemos, queridos irmãos e irmãs, avaliar as graças desta Missa solene em honra de Nossa Senhora? Que "quantidade" de Graça haverá hoje, aqui e agora? Sonhemos e confiemos em Deus!

Padre João Paulo Pimentel in 'Sacramentos e Vida Cristã' (Lucerna, 2011, pp. 109-115)

[1] Pio IX, Bula Ineffabilis Deus, cit. em Catecismo da Igreja Católica, n. 491.
[2] S. João Paulo II, Audiência geral, 5-6-1996, n. 4
[3] S. Josemaria Escrivá, Caminho, n. 534.
[4] in Ida Gorres, Teresa de Lisieux, ed. Aster, Lisboa, p. 291.
[5] Ibidem.


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Viva a Imaculada Conceição! Tota Pulchra es Maria!

Tota Pulchra es, Maria!
Tota Pulchra es, Maria!
Toda Bela sois, Maria!
Toda Bela sois, Maria!
Et macula originalis non est in te!
Et macula originalis non est in te!
E a mancha original não há em ti
E a mancha original não há em ti
Tu, Gloria Ierusalem!
Tu, Glória de Jerusalém!
Tu, Laetitia Israel!
Tu, Alegria de Israel!
Tu, honorificentia populi nostril!
Tu, Honra do nosso povo!
Tu, advocata peccatorum!
Tu, Advogada dos pecadores!
O Maria!
O Maria!
Ó Maria!
Ó Maria!
Virgo Prudentissima,
Virgem Prudentíssima,
Mater Clementissima,
Mãe Clementíssima,
Ora pro nobis.
Rogai por nós.
Intercede pro nobis
Intecedei por nós
ad Dominum Iesum Christum!
ao Senhor Jesus Cristo!


V. In Conceptione tua, Virgo, Immaculata fuisti.
V. Vós fostes, ó Virgem, Imaculada em vossa Conceição.
R. Ora pro nobis Patrem, cuius Filium peperisti.
R. Rogai por nós ao Pai, cujo Filho destes à luz.
Oremus. Deus, qui per immaculatam Virginis Conceptionem dignum Filio tuo habitaculum praeparasti, quaesumus, ut qui ex morte eiusdem Filii tui praevista eam ab omni labe praeservasti, nos quoque mundos eius intercessione ad te pervenire concedas. Per eumdem Christum Dominum nostrum.
Amen.

in 'Salvem a Liturgia'
Oremos. Ó Deus que preparastes uma digna habitação para o vosso Filho, pela imaculada conceição da Virgem Maria, preservando-a de todo pecado, em previsão dos méritos de Cristo, concedei-nos chegar até vós purificados também de toda culpa, por sua maternal intercessão. Pelo mesmo Cristo Senhor nosso.
Amém.



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quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

14 razões para Jerusalém ser uma capital cristã

Os momentos mais determinantes da vida adulta de Nosso Senhor Jesus Cristo - Deus feito Homem - aconteceram em Jerusalém. Nomeadamente, foi ali que fomos resgatados com o Seu Preciosíssimo Sangue e que a morte foi derrotada de uma vez por todas pela misericórdia de Deus. Vejamos outros episódios salvíficos sucedidos na Cidade Santa:

1 - Foi em Jerusalém que o Menino Jesus, aos 40 dias, foi apresentado no Templo (Lc 2, 22);

2 - Foi em Jerusalém que Jesus, aos 12 anos, esteve durante 3 dias à conversa com os doutores, que ficaram estupefactos com as respostas daquele rapaz (Lc 2, 41);

3 - Foi a Jerusalém que o Diabo conduziu Jesus, tentando-O para que se atirasse do pináculo do Templo (Lc 4, 9);

4 - Jesus disse que ia a caminho de Jerusalém porque não era admissível que um profeta não morresse naquela cidade (Lc 13, 33);

5 - Foi em Jerusalém que Jesus se lamentou de todas as vezes que o povo escolhido representado por aquela cidade rejeitou as graças de Deus (Lc, 13, 34-35);

6 - Foi em Jerusalém que Jesus fez a Sua entrada triunfal, tendo sido recebido como o Messias (Lc 19, 29-40);

7 - Jesus ensinou com Autoridade no Templo de Jerusalém, desafiando os sumos sacerdotes (Mt 21, 23-27);

8 - Jesus chorou sobre Jerusalém e profetizou as desgraças que ali haviam de suceder (Lc 19, 41-44);

9 - Foi em Jerusalém que Jesus expulsou os vendilhões do Templo (Lc 19, 45-48);

10 - Foi em Jerusalém que Jesus sofreu a Sua Paixão e nos salvou na Cruz (Lc 22 e 23);

11 - Foi em Jerusalém que Jesus ressuscitado apareceu a Santa Maria Madalena (Jo 20, 11-18);

12 - Foi em Jerusalém que Jesus ressuscitado apareceu diversas vezes aos Apóstolos (Jo 20, 19-28);

13 - Foi em Jerusalém que Jesus ascendeu aos Céus (Mc 16, 19-20);

14 - Foi em Jerusalém que o Espírito Santo desceu sobre Nossa Senhora e os Apóstolos, ficando completa a fundação e envio da Igreja para evangelizar o Mundo inteiro (At 2, 1-47).


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Cardeal Sarah estará em Fátima nos próximos dias

O Cardeal Robert Sarah vai estar em Fátima de 7 a 9 de Dezembro. O Cardeal Sarah é o Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, e ficou bastante famoso depois de escrever o livro 'Deus ou nada', em 2015. Entretanto escreveu também outro bestseller chamado 'A Força do Silêncio'.

O programa da sua visita é o seguinte:

Dia 7: O Cardeal Sarah reza o Terço das 18h30 na Capelinha das Aparições
Dia 8: O Cardeal Sarah reza o Terço das 16h00 na Capelinha das Aparições
Dia 8: O Cardeal Sarah celebra a Santa Missa às 19h45 na Basílica de N.S. Rosário de Fátima
Dia 9: O Cardeal Sarah celebra a Santa Missa às 09h30 na Capelinha das Aparições


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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

As minhas 3 histórias preferidas da vida de São Tomás de Aquino

S. Tomás de Aquino é um gigante teológico. As suas obras são imensas. O seu intelecto é incomparável. Era um filósofo profundo. Foi dos maiores exegetas bíblicos da Igreja. É raro o dia que passa em que eu não me refira às suas obras. No entanto, devemos lembrar que S. Tomás de Aquino foi um homem de enorme santidade. Tomás era um frade dedicado a santificar o seu trabalho diário. Para vos dar uma visão da sua vida santa, permitam-me partilhar três episódios que se destacam a este respeito.

Primeiro Episódio: O cinto angélico

Como sabem, a família de S. Tomás fechou-o na torre da família para o "dissuadir" de se tornar um frade dominicano. Eles queriam que ele se tornasse um Abade Beneditino. Deram entrada no seu quarto a uma prostituta e ele perseguiu-a com um tronco a arder (ver figura acima). O que se passou a seguir é impressionante. Com o tronco queimado ele desenhou uma cruz na parede do quarto e ajoelhou-se em veneração. Imediatamente dois anjos da pureza apareceram e colocaram um cinto angélico à volta da sua cintura. A partir deste dia ele nunca mais sofreu um pensamento ou acção de luxúria em toda a sua vida. Esta santa pureza é a chave para o enorme intelecto de S. Tomás.

Eu uso o cinto de São Tomás de Aquino. É um sacramental em que um sacerdote dominicano vos pode enrolar. É um sinal e uma oração pela santa pureza.

Segundo episódio preferido: Conversas com os Santos Pedro e Paulo

Os comentários de São Tomás às Epístolas de São Paulo são talvez os melhores de todos os tempos. Os seus comentários da Carta aos Romanos e Hebreus são do outro mundo. Poucos percebiam como é que São Tomás podia ter esta visão das Epístolas.

O secretário de São Tomás, Frei Reginald, ouvia-o às vezes a conversar com homens na sua cela. Quem eram estes homens misteriosos? Isto foi contado ao prior que ordenou sob santa obediência que São Tomás revelasse a natureza destas conversas.

Muito relutantemente, São Tomás revelou que São Pedro e São Paulo o visitavam na sua cela e explicavam-lhe o significado das suas palavras nas Epístolas! Não admira que São Tomás escrevesse comentários tão brilhantes! Ele estava a ser ensinado pelos próprios santos Apóstolos em relação ao seu significado.

Terceiro Episódio Preferido: A visão do dia de São Nicolau

Na festa de São Nicolau (6 de Dezembro) do ano antes de morrer, São Tomás teve uma visão enquanto celebrava o Santo Sacrifício da Missa. De seguida, contou a Frei Reginald que não ia continuar a escrever a sua Summa Theologiae, visto que tudo o que ele tinha escrito "parecia palha" comparado com o que tinha visto. O que é que ele viu naquele dia? Ninguém sabe. No entanto este episódio revela que São Tomás era um grande místico. Não se deixava levar pelo orgulho intelectual. Tinha um amor enorme e apaixonado por Cristo. Este tornava-se real no contexto da Sagrada Eucaristia.

Estes são apenas três dos muitos grandes episódios da vida de São Tomás de Aquino.
Taylor Marshall


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Vigília de Oração e Missa Rorate

Na próxima madrugada de Sexta-Feira para Sábado, na igreja de São Nicolau na Baixa de Lisboa, será celebrada uma Missa Rorate.

A Missa Rorate, que recebe o seu nome do introito da Missa votiva de Nossa Senhora durante o Advento ("Rorate, caeli, desuper, et nubes pluant justum, aperiatur terra, et germinet Salvatorem." Is, 45, 8), é uma tradicional devoção de Advento em que a Missa honrando especialmente Nossa Senhora é celebrada pela noite, exclusivamente à luz das velas. Este contracenar da luz e da escuridão relaciona-se especialmente com o significado do Advento e da vinda, por Nossa Senhora, da Luz do mundo. Por ser Missa em honra de Nossa Senhora o sacerdote veste os paramentos brancos em vez dos habituais roxos do Advento, antecipando a glória que há-de vir.

A Missa será celebrada no dia 9, pois já terá passado da meia-noite, pelo que não cumprirá o preceito do dia 8, dia de Missa obrigatória por ser dia da Imaculada Conceição, Rainha de Portugal.


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terça-feira, 5 de dezembro de 2017

A comunhão dos 'recasados' foi declarada Magistério pelo Papa Francisco?

Em Setembro de 2016 foi revelada uma carta escrita por um grupo de Bispos da Região Pastoral de Buenos Aires ao Papa Francisco com as directivas que planeavam usar para aplicar a Exortação Apostólica Amoris Laetita nas suas dioceses. No parágrafo 6 dessa carta encontrava-se contemplada a possibilidade de admitir aos sacramentos os 'divorciados recasados', nalguns "casos difíceis". 

Esta prática sempre foi considerada contra a doutrina da Igreja, e foi condenada explicitamente pelos dois Papas anteriores: João Paulo II e Bento XVI. Nessa altura foi também divulgada a resposta privada do Papa Francisco a essa carta, na qual o Papa congratulava os seus autores e dizia que aquele era o único modo de interpretar o polémico capítulo VIII da Amoris Laetita.


Em Agosto de  2017 a carta desses Bispos argentinos, juntamente com a resposta do Papa, foram publicados no site da Santa Sé. Isto causou um certo mal-estar entre muitos católicos. No entanto a situação não ficou por aí: há poucos dias veio a público que a dita carta e a resposta do Papa foram publicadas, em Outubro de 2016, na Acta Apostolicae Sedis, o boletim que regulamenta a promulgação e divulgação de leis e actos da Santa Sé. Além disso, esses dois documentos, por vontade do Papa, passariam a ser considerados "Magistério Autêntico". O que é que tudo isto quer dizer? Deixamos aqui a análise feita por um excelente canonista, Dr. Edward Peters, no seu site 'In the Light of Canon Law':


Há três meses eu previ que a carta do Papa Francisco aos bispos da Argentina, que aprova a sua implementação da Amoris Laetitia viria a encontrar lugar na Acta Apostolicae Sedis. Agora já o tem. Numa nota que a acompanha, escrita pelo Cardeal Parolin é-nos dito que o Papa deseja que o documento argentino tenha “autoridade magisterial” e que esta sua resposta, portanto, tem o estatuto de “carta apostólica”.  Muito bem, Vamos então analisar alguns pontos.

1. O Cânone 915. É essencial perceber que aquilo que hoje impede os ministros da Santa Comunhão de distribuírem a Eucaristia aos católicos “divorciados-e-recasados” é este Cânone 915 e a sua interpretação universal e unânime que este texto legislativo, que é baseado na lei divina, sempre teve. Este Cânone e os valores sacramentais e morais fundamentais em que está baseado podem ser esquecidos, ignorados ou ridicularizados, mesmo da parte de altas entidades na Igreja, mas a não ser e até que este Cânone seja revogado ou modificado por uma iniciativa legislativa papal ou que seja efectivamente anulada por uma “interpretação autêntica” (Código do Direito Canónico 1983, n.16) o Cânone mantém-se e, mantendo-se, obriga os ministros da Sagrada Comunhão.

Nem a carta do Papa aos bispos argentinos nem a carta dos bispos argentinos em si, e nem mesmo a Amoris Laetitia menciona o Cânone 915, nem tampouco nenhum destes documentos abroga, derroga ou interpreta autenticamente esta norma do Código do Direito Canónico. Tendo isto como certo, pouco ou nada nestes documentos se refere ao Cânone 915 e este silêncio que existe nestes dias sobre este Cânone, aparentemente táctico ou planeado, é causa de uma preocupação pastoral grave. No entanto, a lei não esmorece por ser deixada em silêncio.

2. Carta apostólica. Uma “carta apostólica” é uma espécie de mini-encíclica e, independentemente do valor que as encíclicas possam ter pelo seu valor exortativo ou doutrinal, elas não são (salvo raras excepções) textos legislativos usados para formular novas normas legais. Tipicamente as “cartas apostólicas” são escritas a pequenos grupos da Igreja e tratam questões mais limitadas – não questões de relevância para todo o mundo como a questão de admitir os católicos “divorciados-e-recasados” à Sagrada Comunhão. Mesmo no caso de “cartas apostólicas” especiais que são usadas para fazer alterações à lei – como o fez João Paulo II em Ad tuendam fidem (1998), Bento XVI em Omnium in mentem (2009) e Francisco em Magnum Principium (2007) – a “carta apostólica” usada nestes casos tem uma designação adicional, que é de “motu proprio” (que significa da iniciativa do Papa e não em resposta à acção de outrem) e as mudanças que são feitas à lei são aí expressamente identificadas pelo número do Cânone, não são simplesmente implícitas ou supostas, especialmente não o são pelo seu silêncio.

A carta do Papa aos bispos argentinos surge-nos simplesmente como uma “carta apostólica”, não como uma “carta apostólica motu proprio” e não faz qualquer referência a Cânones.

3. Magistério autêntico. Muita gente usa o termo “magistério” como se isso fosse o equivalente a dizer “a autoridade governante da Igreja”, mas no seu sentido canónico “magistério” é usado para referir para a autoridade da Igreja de emitir ensinamentos em questões de fé e moral, não para referir a autoridade da Igreja para compelir disciplina relativamente a questões de fé e moral.

Enquanto o Papa Francisco – ainda que da maneira mais indirecta possível (por uma nota a um funcionário de um dicastério relativa a uma carta escrita por uma conferência episcopal) – indica que a sua carta aos bispos argentinos e que a própria carta da conferência argentina em si são “magistério”, o facto mantém-se em que o conteúdo de qualquer documento da Igreja, para que seja considerado de maneira própria como “magistério” tem de ser relativa a declarações sobre fé e moral, não provisões para questões de disciplina relacionadas com a fé e a moral. Os documentos da Igreja podem ter ao mesmo tempo passagens “magisteriais” e “disciplinares”, está claro, mas geralmente apenas as partes relacionadas com o ensinamento, a doutrina desses mesmos documentos são considerados canonicamente como “magistério”, enquanto que as partes normativas desses documentos são consideradas “disciplinares”.

Na minha opinião, o Papa Francisco designou de forma muito lata outras das suas visões enquanto tendo “autoridade magisterial (lembremos os seus comentários sobre o movimento litúrgico), e ele não é o único a fazer, de tempos a tempos, comentários estranhos sobre o uso do poder papal (lembremos João Paulo II invocando “toda a (sua) autoridade Apostólica” para actualizar as leis de um grupo de trabalho pontifício em 1999).

Este uso inconsistente das palavras apenas destrói o princípio de que todos nós devemos tentar ler este tipo de documentos de acordo com a maneira como a Igreja normalmente os escreve (desejava que fosse sempre, mas contento-me com o normalmente) e perguntar: Há declarações “magisteriais” na Amoris Laetitia, na carta dos bispos de Buenos Aires e na resposta do Papa Francisco? Sim. Muitas, que se dividem em várias gamas, desde as que são obviamente verdadeiras, que são verdadeiras mas escritas-de-forma-estranha-ou-incompletamente-fraseadas, a umas poucas que, ainda que contendo a capacidade de serem entendidas num sentido ortodoxo, são formuladas de forma que se abrem a interpretações heterodoxas (e por esta razão devem ser clarificadas para o bem do bem comum eclesial).  

De qualquer das formas, estas declarações doutrinais, pelo facto de fazerem afirmações sobre fé e moral e virem de bispos e/ou Papas que estão a actuar enquanto bispos ou Papas têm já algum (muito pouco) nível de valor enquanto magistério ordinário, um valor que não é aumentado pelo facto de lhe colarmos a etiqueta “magistério”.

Segunda pergunta, há declarações “disciplinares” na Amoris Laetitia, no documento dos bispos de Buenos Aires e na carta de resposta do Papa Francisco a este documento? Sim, algumas. No entanto, como eu disse outrora, parece-me (n.ed.: enquanto canonista) que nenhuma destas declarações disciplinares é suficiente para revogar, modificar ou derrogar o Cânone 915, que como foi assinalado acima, proíbe a administração da Sagrada Comunhão para os católicos “divorciados-e-recasados”, mesmo aquelas declarações que são mais ambíguas e capazes de deixar a porta aberta para práticas inaceitáveis.

Conclusão. Eu desejaria que o Cânone 915 não fosse o único baluarte de defesa contra o abandono da Eucaristia ao arbítrio das consciências individuais, tantas vezes mal formadas. Eu desejaria que houvesse o um vivo sentimento movido pelo impulso pastoral quanto à premência libertadora do matrimónio cristão, quanto à necessidade universal da Confissão para a reconciliar aqueles que estão em pecado grave, quanto ao poder que tem a Eucaristia para alimentar as almas em estado de graça e quanto à condenação daqueles que a recebem irreverentemente. Tudo isto faria que fosse desnecessário invocar o Cânone 915 na prática pastoral, mas ao que parece em grande parte do mundo católico nos dias de hoje não é isso que observamos, pelo que o Cânone 915 tem de ser apontado como se fosse a única razão pela qual não é possível receber a Sagrada Comunhão nas situações apontadas.

Mas que poderemos então dizer? A não ser que o Cânone 915 seja directamente revogado, esvaziado ou tornado ineficaz ele obriga os ministros da Sagrada Comunhão que este augusto sacramento seja impedido àqueles que, entre outros, estejam na situação de católicos “divorciados-e-recasados” à excepção daqueles casais que vivem como irmãos sem causar escândalo à comunidade.

Nada do que vi até hoje, incluindo o facto de aparecer na Acta Apostolicae Sedis as cartas dos bispos argentinos e a resposta do Papa, faz-me pensar que o Cânone 915 tenha sofrido tal destino.

Tradução: Senza Pagare


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Peregrinação da Fraternidade de São Vicente Ferrer a Fátima

A Fraternidade de São Vicente Ferrer (Fraternité Saint-Vincent-Ferrier) - uma comunidade Tradicional de Dominicanos - fez uma peregrinação de uma semana a pé até Fátima. Juntamente com os frades dominicanos foi também um grupo de 30 jovens que costumam fazer os campos de férias dessa Fraternidade. Depois de Fátima visitaram também a cidade de Lisboa.


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segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Quando alguém se ajoelha para comungar e é visto como um excêntrico




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Carta de São Francisco Xavier a Santo Inácio de Loyola

Muitos cristãos se deixam de fazer nestas partes, por não haver pessoas que em tão pias e santas coisas se ocupem. Muitas vezes movem-me pensamentos de ir aos centros de estudos dessas partes – dando gritos, como alguém que tenha perdido o juízo – e principalmente à universidade de Paris, dizendo na Sorbonne aos que têm mais letras que vontade, para dispor-se a frutificar com elas. Quantas almas deixam de ir para a glória e vão para o inferno, pela negligência deles! 

Se, assim como vão estudando em letras, estudassem na conta que Deus Nosso Senhor lhes pedirá delas e do talento que lhes deu, muitos deles se moveriam, tomando meios e Exercícios Espirituais para conhecer e sentir dentro, em suas almas, a vontade divina, conformando-se mais com ela que com as suas próprias afeições, dizendo: «Senhor, aqui estou. Que queres que eu faça ? Envia-me aonde quiseres; e se convém, mesmo aos índios». 

Quanto mais consolados viveriam, e com mais esperança da misericórdia divina à hora da morte, quando entrassem no Juízo particular a que ninguém pode escapar, alegando a seu favor: «Senhor, entregaste-me cinco talentos, eis aqui outros cinco que eu ganhei com eles!» Receio de que muitos dos que estudam nas universidades, estudem mais para, com as letras, alcançarem dignidades, benefícios, bispados, que com desejo de conformar-se com a necessidade que as dignidades e estados eclesiásticos requerem. 

É costume dizerem os que estudam: Desejo saber letras para alcançar algum benefício ou dignidade eclesiástica com elas e, depois, com a tal dignidade, servir a Deus. De maneira que, segundo as suas desordenadas afeições, fazem as suas eleições, temendo que Deus não queira o que eles querem, não consentindo as suas desordenadas afeições deixar na vontade de Deus Nosso Senhor esta eleição. 

Estive quase movido a escrever à universidade de Paris, ao menos ao nosso Mestre de Cornibus e ao Doutor Picardo, quantos mil milhares de gentios se fariam cristãos se houvesse operários, para que (lá) fossem solícitos em buscar e favorecer as pessoas que não buscam os seus próprios interesses mas os de Jesus Cristo. 

É tão grande a multidão dos que se convertem à fé de Cristo, nesta terra onde ando, que, muitas vezes, me acontece sentir cansados os braços de baptizar; e não poder falar, de tantas vezes dizer o Credo e os Mandamentos, na sua língua, deles, e as outras orações, com uma exortação que sei na sua língua, na qual lhes declaro o que quer dizer cristão, e que coisa é paraíso, e que coisa inferno, dizendo-lhes quais são os que vão a um e quais a outro. Mais que todas as outras orações, digo-lhes muitas vezes o Credo e os Mandamentos. Há dia em que baptizo toda uma povoação e, nesta Costa onde ando, há trinta povoações de cristãos.

in Carta de 15 de Janeiro de 1544


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domingo, 3 de dezembro de 2017

Trump faz o discurso de Natal que Obama nunca fez


Legendas: Gospel Prime


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Imitação de Cristo: Desprezo de todas as vaidades do mundo

1. Quem me segue não anda nas trevas, diz o Senhor (Jo 8,12). São estas as palavras de Cristo, pelas quais somos advertidos que imitemos sua vida e seus costumes, se verdadeiramente queremos ser iluminados e livres de toda cegueira de coração. Seja, pois, o nosso principal empenho meditar sobre a vida de Jesus Cristo.

2. A doutrina de Cristo é mais excelente que a de todos os santos, e quem tiver seu espírito encontrará nela um maná escondido. Sucede, porém, que muitos, embora ouçam frequentemente o Evangelho, sentem nele pouco enlevo: é que não possuem o espírito de Cristo. Quem quiser compreender e saborear plenamente as palavras de Cristo é-lhe preciso que procure conformar à dele toda a sua vida.

3. Que te aproveita discutires sabiamente sobre a SS. Trindade, se não és humilde, desagradando, assim, a essa mesma Trindade? Na verdade, não são palavras elevadas que fazem o homem justo; mas é a vida virtuosa que o torna agradável a Deus. Prefiro sentir a contrição dentro de minha alma, a saber defini-la. Se soubesses de cor toda a Bíblia e as sentenças de todos os filósofos, de que te serviria tudo isso sem a caridade e a graça de Deus? Vaidade das vaidades, e tudo é vaidade (Ecle 1,2), senão amar a Deus e só a ele servir. A suprema sabedoria é esta: pelo desprezo do mundo tender ao reino dos céus.

4. Vaidade é, pois, buscar riquezas perecedoras e confiar nelas. Vaidade é também ambicionar honras e desejar posição elevada. Vaidade, seguir os apetites da carne e desejar aquilo pelo que, depois, serás gravemente castigado. Vaidade, desejar longa vida e, entretanto, descuidar-se de que seja boa. Vaidade, só atender à vida presente sem providenciar para a futura. Vaidade, amar o que passa tão rapidamente, e não buscar, pressuroso, a felicidade que sempre dura.

5. Lembra-te a miúdo do provérbio: Os olhos não se fartam de ver, nem os ouvidos de ouvir (Ecle 1,8). Portanto, procura desapegar teu coração do amor às coisas visíveis e afeiçoá-lo às invisíveis: pois aqueles que satisfazem seus apetites sensuais mancham a consciência e perdem a graça de Deus.”

Padre Tomás de Kempis in Imitação de Cristo


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