quinta-feira, 30 de abril de 2015

S. Pio V - Um Santo para os nossos dias?

S. Pio V, grande Papa do século XVI, foi um incrível homem de oração e piedade, mas que também primou pela autoridade e excelentes qualidades de governo, juntamente com muito sacrifício e humildade. Apesar disto, é um Santo que por vezes é mal visto nos dias de hoje. 

Em parte, a má fama de S. Pio V vem por estar associado à forma da Missa que desde 2007 chamamos a Forma Extraordinária do Rito Romano. Esta forma da Missa é muitas vezes conhecida por "Missa tridentina", "Missa antiga" ou, simplesmente, "Missa de S. Pio V". No entanto, o que muitos não percebem é que também devemos a S. Pio V a forma mais comum da Missa a que estamos hoje habituados.

O que é que quero dizer com isto? Até meados do século XVI, a liturgia na Europa parecia uma confusão: cada região tinha a sua própria liturgia para a Santa Missa e, para quem viajava pelo Norte e pelo Sul, algo muito frequente na Idade Média, tornava-se difícil acompanhar as cerimónias. Isto era especialmente verdade para o caso dos sacerdotes que tinham que se adaptar aos vários ritos conforme o local onde estavam. Para fomentar maior unidade e devoção, S. Pio V formalizou um rito para toda a liturgia da Igreja Católica no Ocidente - aquele que conhecemos como o Rito Romano.

É importante deixar claro que as diferenças entre os diferentes ritos eram mínimas [1], mas através de pequenas coisas a Igreja não só ficava mais una na sua liturgia como também aumentava a devoção do povo ao saber que estava a celebrar a mesma Missa que todos os Católicos do mundo celebravam e que o próprio Santo Padre celebrava.

Esta unidade da Igreja, criada e promovida por S. Pio V, é precisamente a que encontramos na Igreja Católica do século XXI, de modo que em qualquer país por onde andarmos a Missa vai ser exactamente a mesma. Com a nova forma da Missa instaurada, não no Concílio Vaticano II, mas numa reforma de 1968, a língua já não é sempre a mesma em cada país e o número de orações opcionais aumentou, o que torna as celebrações um bocado diferentes mesmo dentro da mesma cidade. No entanto é sempre o rito romano que se celebra por todo o mundo, em união ao Papa.

S. Pio V foi nomeado Bispo de Roma três anos depois da conclusão do Concílio Trento. Um pouco como com S. João Paulo II e o Vaticano II, foi sob o seu pontificado que os frutos do Concílio de Trento tomaram efeito na Igreja. Isto aconteceu não só com a publicação de um Catecismo, mas também com uma série de medidas que tomou: aumentou o nível de austeridade na corte papal, banindo qualquer tipo de luxo que pudesse existir, obrigou os sacerdotes a serem fiéis às suas dioceses e suplicou aos cardeais que vivessem vidas simples e piedosas.

Apesar dos enormes esforços e ansiedades que suportava no seu cargo, manteve-se fiel às suas práticas de piedade, fazendo pelo menos duas meditações de joelhos em frente ao Santíssimo Sacramento todos os dias. Nos primeiros anos de pontificado, começou por dar muitos bens aos pobres, por visitar os hospitais, lavar os pés dos sem-abrigo, abraçar os leprosos, ... É conhecida a história de um nobre que se converteu ao ver o Santo Padre beijar os pés de um pedinte cheio de úlceras. Será que isto nos faz lembrar alguém? 

Além do mais, S. Pio V era dominicano e, como qualquer filho de S. Domingos, tinha uma grande devoção a Nossa Senhora e ao Terço. A invocação "Auxílio dos Cristãos" foi acrescentada por ele à Ladainha a Nossa Senhora, na sequência da vitória que os Cristãos alcançaram contra o turcos, na Batalha de Lepanto. Esta vitória ocorreu no dia 7 de Outubro de 1571, que ainda hoje a Igreja celebra como o dia de Nossa Senhora do Rosário.

Nuno CB

[1] Pelo menos desde o século VI, com S. Gregório Magno, a liturgia da Missa tem a mesma forma. O Cânon Romano, onde se encontra a Consagração, é igual desde então. O Cânon Romano corresponde hoje à Oração Eucarística I.


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Catarina: de analfabeta a conselheira papal e a Doutora da Igreja

Santa Catarina nasceu em Sena no ano de 1347. Ainda muito jovem, ingressou na Ordem Terceira de São Domingos, sobressaindo pelo seu espírito de oração e penitência. Levada pelo seu amor a Deus, à Igreja e ao Romano Pontífice, trabalhou incansavelmente pela paz e unidade da Igreja nos tempos difíceis do desterro de Avignon. Foi a esta cidade e pediu ao Papa Gregório XI que voltasse quanto antes para Roma, de onde o Vigário de Cristo na terra deveria governar a Igreja. “Se morrer, sabei que morro de paixão pela Igreja”, declarou uns dias antes da sua morte, ocorrida no dia 30 de abril de 1380.

Escreveu inúmeras cartas, das quais se conservam cerca de quatrocentas, algumas orações e elevações, e um só livro, oDiálogo, que relata as conversas íntimas da Santa com o Senhor. Foi canonizada por Pio II e o seu culto estendeu-se rapidamente por toda a Europa. Santa Teresa diz que, depois de Deus, devia a Santa Catarina, muito singularmente, o progresso da sua alma. Pio IX nomeou-a segunda padroeira da Itália e Paulo VI declarou-a Doutora da Igreja.

I. SEM PARTICULAR INSTRUÇÃO, aprendeu a escrever quando já era bastante crescida, e numa existência muita curta, Santa Catarina teve uma vida cheia de frutos, “como se tivesse pressa de chegar ao eterno tabernáculo da Santíssima Trindade”(1). Para nós, é um modelo de amor à Igreja e ao Romano Pontífice, a quem chamava “o doce Cristo na terra”(2), e de clareza e valentia para se fazer ouvir por todos.

Os Papas residiam naquela altura em Avignon, e Roma, o centro da cristandade, ia-se transformando numa grande ruína; como é evidente, tal situação acarretava inúmeras dificuldades à Igreja universal. E o Senhor fez com que Santa Catarina compreendesse a necessidade de que os Papas voltassem à sede romana para darem início à ansiada e imprescindível reforma. E ela correspondeu: orou incansavelmente, entregou-se à penitência, escreveu ao Papa, aos cardeais, aos príncipes cristãos...

Ao mesmo tempo, proclamou por todo o mundo a obediência e o amor ao Romano Pontífice, acerca do qual escreve: “Quem não obedece a Cristo na terra, àquele que está no lugar de Cristo no Céu, não participa do fruto do sangue do Filho de Deus”(3).

Com enorme vigor, dirigiu prementes exortações a cardeais, bispos e sacerdotes, implorando-lhes a reforma da Igreja e a pureza dos costumes. E não deixou de censurá-los gravemente, embora sempre com humildade e respeito pela dignidade de que estavam revestidos, pois “são ministros do sangue de Cristo”(4(. Estava convencida de que da conversão e do exemplo dos pastores da Igreja dependia a saúde espiritual do rebanho.

Pedimos hoje a Santa Catarina de Sena que saibamos alegrar-nos com as alegrias da nossa Mãe a Igreja e sofrer com as suas dores. E nos perguntamos como é a nossa oração pelos pastores que a governam, se oferecemos diariamente algum sacrifício, horas de trabalho, contrariedades suportadas com serenidade... pelas intenções do Santo Padre, desejosos de ajudá-lo a enfrentar essa imensa carga que Deus colocou sobre os seus ombros. Pedimos também a Santa Catarina que nunca faltem bons colaboradores ao lado do “doce Cristo na terra”.

“Para tantos momentos da história, que o diabo se encarrega de repetir, parece-me uma consideração muito acertada aquela que me escrevias sobre lealdade: «Trago o dia todo, no coração, na cabeça e nos lábios, uma jaculatória: Roma!»”(5) Esta única palavra é suficiente para nos ajudar a manter a presença de Deus durante o dia e a manifestar a nossa unidade com o Romano Pontífice e a nossa oração por ele.

II. SANTA CATARINA revelou sempre uma requintada sensibilidade, foi profundamente feminina(6). Ao mesmo tempo, foi extraordinariamente enérgica – como são as mulheres que amam o sacrifício e permanecem junto da Cruz de Cristo –, e não permitia desfalecimentos e fraquezas no serviço de Deus. Estava convencida de que, tratando-se da salvação própria e da salvação das almas, resgatadas por Cristo com o seu Sangue, não tinha cabimento algum enveredar por caminhos de excessiva indulgência, adotar por comodismo ou covardia atitudes de débil filantropia, e por isso gritava: “Basta de unguentos! Pois com tanto ungüento estão-se apodrecendo os membros da Esposa de Cristo!”

Foi sempre fundamentalmente otimista, e não desanimava se, depois de ter feito o que estava ao seu alcance, os assuntos não se resolviam à medida dos seus desejos. Durante toda a sua vida, foi uma mulher profundamente delicada. Os seus discípulos recordaram sempre o seu sorriso aberto e o seu olhar franco; andava sempre bem arrumada, amava as flores e costumava cantar enquanto caminhava. Quando um personagem da época, incitado por um amigo, a procurou para conhecê-la, esperava encontrar uma pessoa de olhar oblíquo e sorriso ambíguo. Teve a grande surpresa de encontrar uma mulher jovem, de olhar claro e sorriso cordial, que o acolheu “como a um irmão que voltava de uma longa viagem”.

Pouco tempo depois de ter retornado a Roma, o Papa morreu. E com a eleição do sucessor iniciou-se o cisma que tantos rasgões e tantas dores havia de produzir na Igreja. Santa Catarina falou e escreveu a cardeais e reis, a príncipes e bispos... Tudo em vão. Exausta e cheia de pena, ofereceu-se a Deus como vítima pela Igreja. Num dia do mês de Janeiro, quando rezava diante do túmulo de São Pedro, sentiu sobre os seus ombros o imenso peso da Igreja, como aconteceu com outros santos. Mas o tormento durou poucos meses: no dia 29 de abril, por volta do meio-dia, Deus a chamou para a sua glória.

Do leito de morte, dirigiu ao Senhor esta comovente oração: “Ó Deus eterno!, recebe o sacrifício da minha vida em benefício deste Corpo Místico da Santa Igreja. Não tenho outra coisa para oferecer-te a não ser aquilo que me deste”(7). Uns dias antes, tinha dito ao seu confessor: “Asseguro-lhe que, se morrer, a única causa da minha morte será o zelo e o amor à Igreja que me abrasa e me consome...”

Os nossos dias são também de provas e dor para o Corpo Místico de Cristo. Por isso, “temos de pedir ao Senhor, com um clamor que não cesse (cfr. Is LVIII, 1), que os abrevie, que olhe com misericórdia para a sua Igreja e conceda novamente a luz sobrenatural às almas dos pastores e às de todos os fiéis”(8). Ofereçamos a nossa vida diária, com as suas mil pequenas incidências, pelo Corpo Místico de Cristo. O Senhor haverá de abençoar-nos e Santa Maria – Mater Ecclesiae – derramará a sua graça sobre nós com particular generosidade.

III. SANTA CATARINA ensina-nos a falar com clareza e valentia quando se debatem assuntos que afetam a Igreja, o Sumo Pontífice ou as almas. Não serão poucos os casos em que teremos a grave obrigação de esclarecer a verdade, e, nessas ocasiões, poderemos aprender de Santa Catarina, que nunca retrocedeu diante do fundamental, porque tinha a sua confiança posta em Deus.

Diz-nos o Apóstolo S. João: "Eis a mensagem que ouvimos de Jesus e vos anunciamos: Deus é luz e nele não há nenhuma espécie de trevas"(9). Aqui estava a origem da força dos primeiros cristãos, bem como da dos santos de todos os tempos: não ensinavam uma verdade própria, mas a mensagem de Cristo que nos foi transmitida de geração em geração. É o vigor de uma Verdade que está por cima das modas, da mentalidade de uma época concreta. Devemos aprender cada vez mais a falar das coisas de Deus com naturalidade e simplicidade, mas ao mesmo tempo com a segurança que Cristo pôs na nossa alma.

Perante a campanha sistematicamente organizada para obscurecer a verdade ou silenciar tudo o que sejam obras boas e retas, que às vezes quase não têm eco nos grandes meios de comunicação, nós, cada um no seu ambiente, temos de atuar como porta-vozes da verdade. Alguns Papas falaram da conspiração do silêncio(10), que se tece em torno das boas obras – literárias, cinematográficas, religiosas, de benemerência social – promovidas por bons católicos ou por instituições organizadas por católicos. São silenciadas ou deixadas na penumbra pelo facto de serem promovidas por católicos, enquanto se orquestram louvores a obras ou iniciativas que atentam contra os valores humanos, que pregam uma falsa liberdade e a anti-solidariedade, ou que cancelam do horizonte do homem as ânsias de Deus.

Nós podemos fazer muito bem neste apostolado da opinião pública. Às vezes, não conseguiremos esclarecer senão os vizinhos, os amigos que visitamos ou nos visitam, os colegas de trabalho... Noutros casos, poderemos ir um pouco mais longe por meio de uma carta aos jornais, de uma chamada telefônica a uma emissora de rádio ou de televisão, não nos furtando a responder ao questionário de uma pesquisa de opinião pública... Devemos afastar a tentação do desalento, o sentimento de que “pouco podemos fazer”. Um rio caudaloso é alimentado por pequenos regatos que, por sua vez, se formaram talvez gota a gota. Que não falte a nossa. Assim começaram os primeiros cristãos.

Peçamos hoje a Santa Catarina que nos comunique um pouco do seu amor à Igreja e ao Sumo Pontífice, e que tenhamos ânsias de dar a conhecer a doutrina de Cristo em todos os ambientes, por todos os meios ao nosso alcance, com imaginação e com amor, com sentido otimista e positivo, sem negligenciar uma única oportunidade. E, com palavras da Santa, peçamos também a Nossa Senhora: “A ti recorro, Maria! Ofereço-te a minha súplica pela doce Esposa de Cristo e pelo seu Vigário na terra, a fim de que lhe seja concedida luz para governar a Santa Igreja com discernimento e prudência”(11).

(1) João Paulo II, Homilia em Sena, 14-X-1980; (2) Santa Catarina de Sena, Cartas, III; (3) idem, Carta 207, III; (4) cfr. Paulo VI, Homilia na proclamação de Santa Catarina de Sena como Doutora da Igreja, 4-X-1970; (5) Josemaría Escrivá, Sulco, n. 344; (6) cfr. João Paulo II,Homilia, 29-IV-1980; (7) Santa Catarina de Sena, Carta 371, V; (8) Josemaría Escrivá, Amar a Igreja, Prumo-Rei dos Livros, Lisboa, 1990, pág. 59; (9) 1 Jo 1, 5; (10) cfr. Pio XI, Enc. Divini Redemptoris, 10-III-1937; (11) Santa Catarina de Sena, Oração, XI.

Pe. Francisco Fernández Carvajal in hablarcondios.org


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quarta-feira, 29 de abril de 2015

Carta ao filho da jovem de 12 anos que foi violada

Bebé, 

Não, não tiveste culpa de nada. E a tua Mãe também não. E, no entanto, querem eliminar-te. Como se alguma vez pudesses ser esquecido.

Como se, morto ou vivo, não tivesses que sair da tua Mãe como saem os bebés das barrigas das Mães. Como se não te doesse a ti também. Eu sei que dói. Tu que achavas que estavas no sítio mais seguro do mundo para viver e chuchar o dedo.

Podias ser a reviravolta de toda esta triste situação. Podias ser a alegria da tua Mãe, a luz no meio da escuridão. Sim, a felicidade é sempre possível. Ou podias ser o filho daquele casal que esperava há tanto tempo por ti.

Podias ser alguém inteligente, descoberto a cura para o cancro. Ou podias escrever poemas para a tua Mãe, e pintado quadros de uma beleza sem fim. Podias ser disléxico, Presidente da República ou mendigo. Não lhes interessa, ninguém sabe nem quer saber.

De qualquer forma és muito amado, sabes Bebé? Mas muitos não acreditaram no poder do Amor. No poder que transforma o mundo, que do mal faz nascer o bem. De que vale querer salvar o mundo se não te salvamos a ti, meu Bebé? 

Quero que saibas que lutamos por ti e pela tua Mãe. Que muitas pessoas querem ajudar-vos

Bem sei que, porque não falas, porque estás escondido, é mais fácil fingir que não estás aí. Mas quero que saibas também que és uma Pessoa e que a tua Vida é um tesouro. Nós nunca te esqueceremos. 

Catarina Nicolau Campos


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terça-feira, 28 de abril de 2015

O Terço é uma oração poderosa

10 dias depois, chegamos ao fim da comemoração dos 10 anos Senza, juntamente com os 10 anos da eleição do Papa Bento XVI. Para o ano há mais!


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segunda-feira, 27 de abril de 2015

As duas formas do Rito Romano - Cardeal Ratzinger

Dez anos depois da publicação do Motu Proprio Ecclesia Dei, que tipo de balanço se pode elaborar? Penso que esta é, sobretudo, uma ocasião para mostrar a nossa gratidão e dar graças. As comunidades diversas que nasceram graças a este texto pontifício têm dado à Igreja um grande número de vocações sacerdotais e religiosas que, zelosamente, com alegria e profundamente unidas com o Papa, deram o seu serviço ao Evangelho em nosso tempo presente da história.

Através deles, muitos fiéis foram confirmados na alegria de ser capaz de viver a liturgia, e confirmados em seu amor pela Igreja, ou talvez eles tenham redescoberto ambos. Em muitas dioceses – e seu número não é tão pequeno – eles servem à Igreja, em colaboração com os bispos e em união fraterna com os fiéis que se sentem em casa com a forma renovada da nova liturgia.

No entanto, não seria realista se tivéssemos de deixar passar em silêncio as coisas que não são boas. Em muitos lugares as dificuldades persistem, e estas continuam porque alguns bispos, sacerdotes e fiéis consideram esse apego à antiga liturgia como um elemento de divisão que só atrapalha a comunidade eclesial e que dá origem à suspeitas sobre uma aceitação do Concílio feita “com reservas” e, mais geralmente, sobre a obediência para com os legítimos pastores da Igreja.

Devemos agora fazer a seguinte pergunta: como podem estas dificuldades sejam superadas? Como alguém pode construir a confiança necessária para que esses grupos e comunidades que amam a liturgia antiga possam ser facilmente integrados na vida da Igreja? Mas há outra pergunta subjacente à primeira: quais são as razões mais profundas para essa desconfiança ou até mesmo para esta rejeição de uma continuação das antigas formas litúrgicas?

As duas razões que são mais ouvidas são a falta de obediência ao Concílio, que queria os livros litúrgicos reformados, e a quebra de unidade, que deve necessariamente seguir se diferentes formas litúrgicas são deixadas em uso.

É relativamente simples refutar esses dois argumentos no plano teórico. O próprio Concílio não reformou os livros litúrgicos, mas ordenou a sua revisão e, para isso, estabeleceu algumas regras fundamentais. Antes de tudo, o Concílio deu uma definição do que é a liturgia e esta definição dá um critério valioso para toda a celebração litúrgica.

É à luz destes critérios que as celebrações litúrgicas devem ser avaliadas, sejam elas de acordo com os livros antigos ou os novos. É bom lembrar aqui o que o Cardeal Newman observou: que a Igreja, ao longo de sua história, jamais aboliu nem proibiu formas litúrgicas ortodoxas, o que seria bastante estranho ao espírito da Igreja. Uma liturgia ortodoxa, isto é, aquela que expressa a verdadeira fé, nunca é uma compilação feita de acordo com os critérios pragmáticos de cerimónias diferentes, tratadas de uma forma positivista e arbitrária, de uma forma hoje e amanhã de outra forma.

As formas ortodoxas de um rito são realidades vivas, nascidas do diálogo de amor entre a Igreja e seu Senhor. Elas são expressões da vida da Igreja, em que são destiladas a fé, a oração e a vida de gerações inteiras, e que encarnam em formas específicas tanto a acção de Deus quanto a resposta do homem. Tais ritos podem morrer se aqueles que os usaram em uma determinada época desaparecerem ou se a situação de vida dessas mesmas pessoas mudar.

Ritos Latinos

A autoridade da Igreja tem o poder de definir e limitar o uso de tais ritos em diferentes situações históricas, mas nunca apenas pura e simplesmente proibir. Assim, o Concílio ordenou uma reforma dos livros litúrgicos, mas não proibiu os livros anteriores. O critério estabelecido pelo Concílio é tanto muito maior e mais exigente que convida a todos para a autocrítica. Mas nós vamos voltar a este ponto.

Devemos agora examinar o outro argumento, que afirma que a existência de dois ritos pode prejudicar a unidade. Aqui, uma distinção deve ser feita entre o aspecto teológico e o aspecto prático da questão. No que diz respeito àquilo que é teórico e básico, deve-se afirmar que várias formas de rito latino sempre existiram, e só foram retiradas lentamente como resultado da união de diferentes partes da Europa.

Antes do Concílio existia lado a lado com o rito romano o rito ambrosiano, o rito mozárabe de Toledo, o rito de Braga, o rito cartuxo, o rito carmelita, e o mais conhecido de todos, o rito Dominicano, e talvez ainda outro ritos de que eu não estou ciente. Ninguém jamais ficou escandalizado que os dominicanos, muitas vezes presentes em nossas paróquias, não celebravam como os padres diocesanos, mas tinham seu próprio rito. Nós não temos qualquer dúvida de que seu rito era tão católico quanto o rito romano, e que estávamos orgulhosos da riqueza inerente a estas várias tradições.

Além disso, deve-se dizer o seguinte: que a liberdade que o novo ordinário da Missa dá a criatividade é muitas vezes levada a extremos. A diferença entre a liturgia segundo os livros novos, como ela é realmente praticada e celebrada em lugares diferentes, é muitas vezes maior do que a diferença entre uma missa antiga e uma missa nova, quando ambas são celebradas de acordo com os livros litúrgicos prescritos.

Um cristão médio sem formação litúrgica especializada teria dificuldade para distinguir entre uma missa cantada em latim segundo o Missal antigo e uma missa em latim cantada segundo o Missal novo. No entanto, a diferença entre uma liturgia celebrada fielmente de acordo com o Missal de Paulo VI e a realidade de uma liturgia vernácula celebrada com toda a liberdade e criatividade possíveis – essa diferença pode ser enorme.

Com estas considerações nós já cruzamos o limiar entre teoria e prática, um ponto em que as coisas naturalmente ficam mais complicadas, porque elas dizem respeito às relações entre as pessoas que vivem. Parece-me que os desgostos que mencionamos são tão grandes porque as duas formas de celebração são vistas como uma indicação de duas atitudes espirituais diferentes, duas maneiras diferentes de perceber a Igreja e a vida cristã. As razões para isso são muitas.

A primeira é esta: alguém julga as duas formas litúrgicas a partir de suas aparências e, assim, chega-se à seguinte conclusão: há duas atitudes fundamentalmente diferentes. O cristão comum considera essencial para a liturgia renovada ser celebrada em vernáculo e de frente para o povo, que haja uma grande dose de liberdade para a criatividade e que os leigos exerçam um papel activo. Por outro lado, considera-se essencial para a celebração de acordo com o rito antigo ser em latim, com o sacerdote voltado para o altar, estrita e precisamente de acordo com as rubricas e que os fiéis sigam a missa em oração particular com nenhum papel activo.

A partir deste ponto de vista, um determinado conjunto de factores externos é visto como essencial para esta ou aquela liturgia, ao invés do que a própria liturgia afirma ser essencial. Devemos esperar pelo dia em que os fiéis irão apreciar a liturgia com base em formas concretas visíveis, e serão espiritualmente imersos nessas formas. Os fiéis não mergulham facilmente nas profundezas da liturgia.

As contradições e oposições que acabamos de enumerar se originam nem do espírito nem a letra dos textos conciliares. A Constituição actual sobre a Liturgia não fala nada sobre a celebração de frente para o altar ou de frente para as pessoas. Sobre o tema da linguagem, ela diz que o latim deve ser mantido, ao dar um lugar maior para o vernáculo “acima de tudo em leituras, instruções, e em certo número de orações e cantos”.

Quanto à participação dos leigos, o Concílio antes de tudo insiste em um ponto geral, que a liturgia é essencialmente a preocupação de todo o Corpo de Cristo, Cabeça e membros, e por este motivo ela pertence a todo o Corpo da Igreja “e que, portanto, ela [a liturgia] está destinada a ser celebrada em comunidade, com a participação activa dos fiéis”. E o texto especifica: “Nas celebrações litúrgicas cada pessoa, ministro, ou leigos, ao cumprir o seu papel, deve realizar apenas e inteiramente o que diz respeito a ele, em virtude da natureza do rito e as normas litúrgicas” (SL 28) . “Para promover a participação activa, aclamações por parte das pessoas são favorecidas, as respostas, o canto dos salmos, antífonas, cânticos, também acções ou gestos e posturas corporais. Deve-se também observar um período de silêncio sagrado em momento oportuno”.

Estas são as directrizes do Concílio, pois eles podem proporcionar a todos um material para reflexão.

Dentre vários liturgistas modernos não é, infelizmente, uma tendência a desenvolver as ideias do Concílio em uma única direcção. Ao agir assim, eles acabam invertendo as intenções do Concílio. O papel do sacerdote é reduzido, por alguns, para o de um mero funcionário. O fato de que o Corpo de Cristo como um todo é o tema da liturgia é muitas vezes deformado ao ponto em que a comunidade local se torna o sujeito auto-suficiente na liturgia e distribui entre si as várias funções da liturgia.

Existe também uma tendência perigosa de se minimizar o carácter sacrificial da Missa, fazendo com que o mistério e o sagrado desapareçam sob o pretexto, um pretexto que afirma ser absoluto, que desta forma fazem as coisas mais bem compreendidas. Finalmente, observa-se a tendência de fragmentar a liturgia e, para destacar de forma unilateral seu carácter comunitário, dando a própria assembleia o poder de regular a celebração.

Felizmente, porém, há também certo desencanto com um racionalismo muito banal, e com o pragmatismo de certos liturgistas, sejam eles teóricos ou práticos, e pode-se observar um retorno ao mistério, à adoração e ao sagrado e para o carácter cósmico e escatológico da liturgia, como evidenciado em 1996 pela “Declaração de Oxford sobre a Liturgia”.

Por outro lado, deve-se admitir que a celebração da liturgia antiga havia se desviado muito longe em um individualismo privado, e que a comunicação entre o sacerdote e o povo era insuficiente. Eu tenho grande respeito por nossos antepassados que na Missa Rezada diziam as “Orações durante a Missa” contidas nos seus livros de oração, mas certamente não se pode considerar isso como o ideal da celebração litúrgica. Talvez essas formas reducionistas de celebração sejam a verdadeira razão para explicar por que o desaparecimento dos livros litúrgicos antigos não teve importância em muitos países e não tenha causado tristeza. Ninguém estava em contacto com a própria liturgia.

Movimento Litúrgico

Por outro lado, nos lugares onde o movimento litúrgico tinha criado um certo amor pela liturgia, onde o Movimento tinha antecipado as ideias essenciais do Concílio como, por exemplo, a participação orante de todos na acção litúrgica, foi nesses lugares onde havia mais angústia quando confrontado com uma reforma litúrgica realizada precipitadamente e, muitas vezes limitada a factores externos.

É por isso que é muito importante observar os critérios essenciais da Constituição sobre a Liturgia, que citei acima, inclusive quando se celebra de acordo com o antigo Missal. O momento em que esta liturgia verdadeiramente tocar os fiéis com sua beleza e sua riqueza, então ela será amada, então ela deixará de ser irremediavelmente contra a nova liturgia, desde que esses critérios sejam de fato aplicados como o Concílio desejava.

Se a unidade da fé e a unicidade do mistério aparecem claramente nas duas formas de celebração, isso só pode ser uma razão para que todos possam se alegrar e agradecer ao bom Deus. Na medida em que todos nós acreditamos, viver e agir com estas intenções, que devem também poder persuadir os bispos de que a presença da antiga liturgia não perturba ou quebra a unidade da sua diocese, mas é antes um dom destinado a construir o Corpo de Cristo, do qual todos nós somos os servos.

Palestra do Cardeal Ratzinger no 10º aniversário do Motu Proprio Ecclesia Dei


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Para que servem as palavras na oração? Santo Agostinho responde

Na oração, as palavras servem para nos estimular e nos fazer compreender melhor o que pedimos ; não pensemos que são necessárias para informar o Senhor ou forçar a sua vontade. Quando dizemos: «Santificado seja o vosso nome», estimulamo-nos a desejar que o nome de Deus, que é sempre santo em Si mesmo, seja também honrado como santo entre os homens, e nunca desprezado; e isto não é para benefício de Deus, mas dos homens.

Quando dizemos: «Venha a nós o vosso reino» – que há-de vir certamente, quer queiramos, quer não –, excitamos a nossa aspiração por aquele reino, para que ele de facto venha a nós e mereçamos reinar nele. Quando dizemos: «Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu», pedimos ao Senhor que nos dê a virtude para que se cumpra em nós a sua vontade, como os anjos a cumprem no Céu. 

Quando dizemos: «Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido», tomamos consciência do que pedimos, e do que devemos fazer para merecermos receber o perdão. Quando dizemos: «Livrai-nos do mal», recordamos que ainda não estamos naquele sumo bem onde já não é possível sofrer qualquer mal. E estas últimas palavras da oração dominical têm um significado tão amplo, que o cristão, seja qual for a tribulação em que se encontre, pode com elas exprimir os seus gemidos ou lamentações, dar início, continuar ou terminar a sua oração.

Tínhamos necessidades destas palavras para gravar na memória todas estas realidades. Quaisquer outras palavras que possamos usar na oração nada mais dizem para além do que se encontra já na oração do Senhor, se de facto oramos como convém.

in Carta 130, a Proba, sobre a oração, 11-12


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domingo, 26 de abril de 2015

Lição do Papa Bento XVI sobre Justiça, Razão e Cristianismo

Como se reconhece o que é justo? Na história, os ordenamentos jurídicos foram quase sempre religiosamente motivados: com base numa referência à Divindade, decide-se aquilo que é justo entre os homens. 

Ao contrário doutras grandes religiões, o cristianismo nunca impôs ao Estado e à sociedade um direito revelado, nunca impôs um ordenamento jurídico derivado duma revelação. Mas apelou para a natureza e a razão como verdadeiras fontes do direito; apelou para a harmonia entre razão objectiva e subjectiva, mas uma harmonia que pressupõe serem as duas esferas fundadas na Razão criadora de Deus.

in Palácio Reichstag de Berlim (Parlamento Federal Alemão) - 22/IX/2011


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Pecadores sim, corruptos não: Papa recusa embaixador francês

Já é a terceira vez em poucos anos. Nos momentos menos inspirados da galhofa política, o Governo francês entretém-se a brincar com o Vaticano.

Nicolas Sarkozy escolheu para embaixador no Vaticano um divorciado, recasado. Fartou-se de insistir, até se convencer de que o Papa nunca o aceitaria. Escolheu em alternativa um homem que vivia com o seu marido (devo pôr aspas?). Fartou-se outra vez de esperar… Até que, finalmente, compreendeu que era melhor seguir uma estratégia diferente.

Agora, o Governo de François Hollande volta ao jogo, nomeando um homossexual para embaixador junto do Papa. Os jornais franceses noticiaram que o núncio em Paris teve uma conversa pessoal com o indigitado, pedindo-lhe para desistir. Passaram 4 longos meses e o impasse já é escândalo nos jornais de todo o mundo. Inclusivamente, alguns jornalistas asseguram que o próprio Papa Francisco recebeu o nomeado, num encontro muito discreto, para lhe fazer ver a situação. Perante as críticas, o Governo francês louva o currículo do indigitado e informa que ele é muito recatado acerca das suas tendências. O facto é que o Papa terá diligenciado aquele contacto reservado com ele, mas não recebe as suas cartas credenciais.

Não se sabe quanto tempo é que o Governo francês precisa para resolver o impasse, nem sabemos em que medida aprendeu alguma coisa. Com três episódios em poucos anos, tem material abundante para estudo e revisão de matéria.

O Papa Francisco tem sido muito claro a explicar a diferença entre «pecadores e corruptos», entre aquele mal que devemos ajudar a superar e aquele outro que, mantendo o respeito por todos, não podemos aceitar.

Fraquezas, todos temos. Por isso, em vez de nos acusarmos mutuamente, devemos apoiar-nos. Às vezes, a amizade pode consistir em elogiar, outras vezes requer a coragem de dizer uma verdade incómoda. Em qualquer caso, os outros têm direito a ser estimados, com as suas qualidades e os seus defeitos. Deus não nos pede para os julgar, mas para os amar e, se for preciso, para perdoar. Deus e os outros têm muito que nos perdoar… oxalá não nos falte a humildade de o reconhecer.

Ser corruptos, como diz o Papa Francisco, é outra coisa. É organizar-se para fazer o mal, gostar de estar errados e trabalhar para isso. Um ladrão pode ser um pecador que sucumbe ao vício, mas gostaria de não ser fraco. Um explorador da injustiça, com regulamentos em dia e contabilidade organizada, está mais próximo da figura do corrupto. Analogamente, um marido infiel ou um sujeito violento podem ser aquele tipo de pecadores que o Papa não quer julgar, mas compreender e ajudar. O dono de uma clínica de aborto, ou um vendedor de armas ou de drogas, correspondem provavelmente ao conceito de corrupto, que o Papa classifica como uma degradação mais terrível.

Jesus também fazia esta distinção. Chegou a dizer que as prostitutas iam chegar primeiro ao Céu (Mt 21, 31) e há casos desses, bem documentados no Evangelho.

Por outro lado, não poupou uns certos justos, aparentemente certinhos, mas contentes com o mal. «Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas! Pagais o dízimo da hortelã, do endro e do cominho e desprezais os preceitos mais importantes da lei: a justiça, a misericórdia, a fidelidade» (Mt 23, 23).

O nosso Papa Francisco tem sido exemplar a abrir-nos os olhos e o coração para acolher todos os que precisam de apoio. Instituiu mesmo um Ano de Misericórdia, para nos reconciliarmos uns com os outros e sobretudo com Deus, em particular por meio do Sacramento da Confissão. Ao mesmo tempo, é firme. Não admite ligeirezas a brincar com o mal. Todos recordam aquele «quem sou eu para julgar?» e a continuação dessa frase: «O problema não é ter essa "orientação" [homossexual]. Devemos ser irmãos. O problema é fazer lóbi por essa orientação, ou lóbis de avarentos, lóbis políticos, lóbis maçons, tantos lóbis. Esse é o pior problema». De vez em quando, o Papa recorda o Inferno e a realidade do Demónio, para percebermos aonde vai parar a reinação.

José Maria C.S. André in «Correio dos Açores», 26-IV-2015


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sábado, 25 de abril de 2015

Papa Francisco visitará Portugal em 2017

O Papa Francisco confirmou a D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima, que visitará Portugal em 2017


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Imagens inéditas da festa de 88 anos do Papa Bento XVI

Aparecem as primeiras imagens da celebração dos 88 anos do Papa Bento XVI, no Vaticano.

O aniversariante mostrou-se bem disposto e bem-humorado. As imagens do Papa a beber cerveja com o grupo que veio da sua terra, a Baviera, percorreram o mundo.

O Papa Bento fez um pequeno discurso de agradecimento aos seus conterrâneos:

"Fico muito contente que estejam aqui com a beleza das vossas roupas tradicionais, que estão plenamente de acordo com o belo dia de hoje. Não sei quantos mais aniversários poderei festejar, mas vivo dia após dia...incluindo dias tão belos como este."


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sexta-feira, 24 de abril de 2015

Sem verdade, a caridade cai no sentimentalismo - Papa Bento XVI

Sem verdade, a caridade cai no sentimentalismo. O amor torna-se um invólucro vazio, que se pode encher arbitrariamente. 

É o risco fatal do amor numa cultura sem verdade; acaba prisioneiro das emoções e opiniões contingentes dos indivíduos, uma palavra abusada e adulterada chegando a significar o oposto do que é realmente. 

A verdade liberta a caridade dos estrangulamentos do emotivismo, que a despoja de conteúdos relacionais e sociais, e do fideísmo, que a priva de amplitude humana e universal.


in Caritas in Veritate, 3


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Compreender a homossexualidade e a "re-orientação sexual"

Richard Cohen falará a 28 de Abril, em Lisboa, sobre como COMPREENDER A HOMOSSEXUALIDADE 
e se é possível uma "re-orientação sexual"
Dará uma Conferência Pública a 28 Abril às 19h, no Hotel Sana Malhoa, em Lisboa
Em Abril o Presidente Obama juntou-se a uma petição online, endereçada à Casa Branca, para proibir tratamentos psiquiátricos e terapias para alterar a "orientação sexual" de jovens gays, lésbicas e transexuais. Essa coincidência mostra como é de importância actual conhecer a visão de Richard Cohen.
Como especialista em terapias de "orientação sexual", falará sobre se continuam a existir pessoas que procuram essa ajuda, e como essa ajuda pode ser dada.
Richard Cohen oferece não só o saber acumulado pela experiência como psicoterapeuta mas também o testemunho do seu percurso de vida, tendo passado, nos anos 80, de homossexual a heterossexual.



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quinta-feira, 23 de abril de 2015

Por que devem os Sacerdotes seguir o Missal? - Cardeal Ratzinger

Não só jovens padres, mas por vezes também bispos têm a sensação de não serem fiéis ao Concílio se rezam tudo tal como vem no Missal. Deve haver pelo menos uma fórmula «criativa», por mais banal que seja. 

E a saudação «civil» dos presentes, possivelmente também as cordiais saudações à despedida, tornaram-se já partes obrigatórias da acção sagrada a que quase ninguém ousa subtrair-se.

Se o grupo se celebra a si mesmo, celebra na realidade um nada, porque o grupo não é motivo para celebrar. E é por isso que o agir de todos produz aborrecimento: na realidade, nada acontece, se permanece ausente Aquele que todos esperam.

in Liturgia e Música Sacra (Conferência proferida na abertura do VIII Congresso de Música Sacra) - 17/XI/1985
Papa Francisco celebra a Missa ad orientem, orientado para Deus



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A Família e o Sofrimento

Casados há 17 anos e com 4 filhos recebemos no Verão passado, sem aviso prévio ou antecedentes familiares, a notícia de que um dos nossos filhos, então com 6 anos, tinha um cancro. Nestas linhas tentamos partilhar alguns pontos da nossa experiência em família da vivência desta situação.
Não nos parece que a questão que mais nos tenha ocupado tenha sido “porquê o nosso filho?”. Ao entrarmos no IPO demos de caras com todo um mundo novo, com uma concentração de sofrimento por metro quadrado que tornaria redutora e egoísta a pergunta “porquê o nosso filho?”. A fazer alguma pergunta seria “porquê a todos estes miúdos?”. Não tivemos (não temos) uma resposta a essa pergunta e nem sabemos se está ao alcance do entendimento do homem. Mas a experiência de sofrimento que atravessámos deu-nos muitas outras respostas, alertou-nos para outras perguntas, trouxe-nos luzes, abriu-nos horizontes, fez-nos redescobrir o nosso filho e reinventar a nossa relação com ele… É difícil sintetizar tudo o que a experiência nos trouxe e, na verdade, ainda estamos lentamente a tomar consciência daquilo que vivemos (passaram 9 meses, o nosso filho terminou tratamentos, estando agora sob vigilância, mas ainda estamos na descoberta do impacto em nós de tudo o que vivemos).

Durante estes meses de doença do nosso filho chegou-nos às mãos o livro de Pablo D´Ors “Viver, Amar, Morrer” sobre a doença de África Sendino. Nesse livro encontrámos esta frase: “Por fim, compreendo que a providência divina não é uma simples formulação, mas uma realidade quotidiana que me aguarda no rosto dos meus amigos. E vejo, como num espetáculo grandioso, até onde pode chegar a bondade de quem me rodeia”. Talvez aquilo que mais de fundo temos para partilhar é que, apesar de tudo o que vemos à nossa volta, a bondade anda espalhada pelo mundo. 

A nós chegou-nos das mais variadas formas. Recordamos, vamos recordar sempre, os que continuamente nos enviaram mensagens, os que tomaram conta das nossas outras filhas, os que nos visitaram, os que nos revezaram no IPO para que pudéssemos descansar ou jantar, os que rezaram (muitos nem sabemos os seus nomes), os que nos abraçaram, os que connosco choraram e riram, os que nos ajudaram em alterações logísticas em casa, os que enviaram medicamentos e presentes do estrangeiro, os que nos substituíram no trabalho, os que gastaram tempo a estudar e a pedir informações médicas, os que fizeram traduções, os que nos acolheram em férias, os que prestaram cuidados médicos, de enfermagem ou de apoio no IPO… 

No meio de uma situação muito complicada e envolvidos num ambiente em que vimos situações muito duras ficou para nós uma experiência muito grande da bondade. E o suporte que recebemos da nossa família, dos nossos amigos e da comunidade de que fazemos parte permitiu que o nosso filho tenha passado por momentos muito bons e que seja globalmente boa a sua perceção deste tempo.

O tempo que passámos no IPO permitiu-nos também fazer uma experiência única de proximidade com pessoas que até então nos eram totalmente desconhecidas, ver corações a alegrarem-se e a sofrerem com as alegrias e os sofrimentos dos outros, ver como é possível estar em comunhão quando a fragilidade humana faz cair as barreiras (culturais, sociais, intelectuais, financeiras, religiosas, …) que normalmente nos separam. 

Quando vemos o nosso filho deitado numa cama ao lado de outros, quando vemos o olhar ansioso de uns pais enquanto aguardam os resultados de um exame do seu filho, ou quando vemos um avô a cuidar de um neto como se fosse pai segunda vez, damo-nos conta de que somos todos parecidos, todos frágeis mas também todos preciosos, com uma grande capacidade de amar, todos filhos do mesmo Deus.

Inês e Miguel Madeira in Voz da Verdade


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quarta-feira, 22 de abril de 2015

Os "bastidores" da humildade de Bento XVI

Quem diria que aquele velhinho que diariamente, com a sua maleta, fazia a pé o trajecto do seu apartamento até ao trabalho, iria tornar-se o 265º Papa da Igreja Católica? 

Creio que para muitos, especialmente para os que moravam em Roma, foi uma surpresa vê-lo na sacada central da Basílica de São Pedro no dia 19 de Abril de 2005, após um dos Conclaves mais rápidos da História, tão rápido quanto o do nosso Papa Francisco.

Ratzinger disse, numa entrevista, nunca ter almejado cargos na Igreja e nem mesmo visado os “holofotes”, mas afirmou também estar à disposição desta mesma Igreja diante duma necessidade. No entanto mal sabia que tamanha disposição e desapego o levaria à Sé de Pedro.

Um Papa que na sua infância e adolescência viu os horrores da guerra, foi obrigado a deixar o seminário para alistar-se e, nesse tempo tão doloroso, foi alvo de chacota entre os soldados de Hitler, porque alimentava um imutável e concreto desejo: ser padre.

O Pontífice que ainda cardeal, ao ser chamado por João Paulo II para trabalhar no Vaticano, sentiu a dor de deixar sua terra natal, a ponto de querer expressar visivelmente uma vida de simplicidade e renúncia: “Tudo o que tinha era apenas uma mala, alguns livros e o necessário”, ressaltou.

Um homem que fez questão de cumprimentar cada um dos vizinhos do modesto apartamento que habitava antes de transferir-se para o Palácio Apostólico, a residência oficial do Santo Padre.

Um Sumo Pontífice que, ao ver uma criança com cancro numa das suas primeiras catequeses, fez o sinal da cruz também no ursinho que ela tinha nos braços, demonstrando que um Papa também é capaz de se baixar para entrar no universo dos pequenos – tal gesto levou um jornalista judeu a mudar a sua opinião sobre o Bento XVI. 

Um papa que escolheu ser simplesmente Bento, o santo que no silêncio dum mosteiro devolveu à Europa a identidade perdida. 

O pastor que, achando-se no fim da sua peregrinação terrestre afirmou em 2012 que uma certeza o motivava a ir em frente: “Deus é, Deus está”. 

O Sucessor de Pedro que usou um relógio cobiçado por colecionadores mas que, para ele, tinha um valor que não poderia ser calculado por ninguém: era o relógio da sua irmã, que no leito de morte lhe tinha oferecido esta lembrança. 

Um Papa que pouco antes de ser eleito, por causa da sua entrega à Igreja, não tinha tempo para fazer algo que gostava muito: passear por Roma. “Eu gostaria de ter uma qualidade de vida mais leve, raramente consigo chegar até à cidade”, disse. 

Ele, apesar de ter feito tanto, não hesitou em sair de cena para que a Igreja pudesse seguir adiante, mesmo que isso lhe custasse a falta de reconhecimento de muitos católicos com falta de memória. 

Bento XVI foi alguém que viveu uma humildade muitas vezes não captada pelas potentes câmeras de televisão, mas demonstrou aquilo que, um dia, o apóstolo das nações fez questão de frisar: “Convém que Cristo cresça e eu diminua”. 

Rezamos por ti Bento XVI, o nosso Bento XVI.

Mirticeli Medeiros in Canção Nova


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Cristãos na Síria cantam a música mais antiga do mundo

Alguns dos muitos cristãos que tiveram de deixar as suas casas por causa da perseguição do Estado Islâmico juntaram-se para a Missa. Consigo levaram a música litúrgica que lhes foi entregue pela tradição, música cristã inspirada em hinos do Império Assírio, que começou 2000 anos antes de Cristo.

O próprio Jesus estava familiarizado com a língua siríaca usada nestes cânticos. 



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terça-feira, 21 de abril de 2015

Já todos têm director espiritual? O Papa Bento XVI gosta disto

Como nunca deixou de fazer, ainda hoje a Igreja continua a recomendar a prática da direcção espiritual, não apenas a quantos desejam seguir o Senhor de perto, mas a todos os cristãos que quiserem viver com responsabilidade o próprio Baptismo, ou seja, a vida nova em Cristo. 

Com efeito, cada um e de modo particular quantos responderam ao chamamento divino e a uma sequela mais próxima, têm necessidade de ser acompanhados pessoalmente por um guia seguro na doutrina e perito nas realidades de Deus; ele pode ajudar a evitar fáceis subjectivismos, pondo à disposição a própria bagagem de conhecimentos e experiências vividos no seguimento de Jesus. 

Trata-se de instaurar esta mesma relação pessoal que o Senhor mantinha com os seus discípulos, aquele vínculo especial com o qual Ele os conduziu, atrás de si, a abraçar a vontade do Pai, ou seja, a abraçar a cruz. 



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Dentro ou fora do útero um bebé não se dá, aluga ou vende

Eduardo Sá - Investiga a gravidez e o feto, e garante que não é indiferente o útero em que se cresce. Nem para a mãe ter um filho dentro de si. Explica porque é contra “barrigas de aluguer”.

O feto tem uma vida emocional e mental?

O feto tem uma vida emocional desde muito cedo e, em consequência disso, tem uma vida mental. Não podemos dizer que o nascimento psíquico de um bebé se dê ao fim dos nove meses de uma gestação. Ele é, substancialmente, mais precoce. Tem uma individualidade e uma identidade próprias, a que não é estranha a relação privilegiada com a mãe. Para o feto não há como não distinguir um útero da mulher com quem comunica 24 horas por dia.

O mesmo embrião será um bebé diferente conforme o útero em que cresceu?

Os inúmeros estímulos que chegam ao bebé de forma bioquímica e sensorial ajudam a formatar um embrião de forma singular, dependendo da pessoa com quem se relaciona durante nove meses. A relação com a mãe arquitecta as competências sensoriais, emocionais e mentais de um feto. Por mais que as suas competências genéticas sejam iniludíveis, é a relação com a mãe que as formata e as torna expressivas.

Faz sentido a ideia de um útero como se fosse um cacifo?

Não, não faz de todo. Primeiro, porque uma barriga não é uma realidade estranha ao corpo e ao psiquismo de que faz parte. Depois, porque se corre o risco de legalizar a exploração de pessoas que alugam a terceiros uma parte do corpo a troco de dinheiro. Desconsiderando os direitos de um feto que, quer se queira quer não, já é um bebé.

As novas propostas de lei prevêem essa possibilidade através daquilo a que chamam um negócio jurídico gratuito. O facto de ser gratuito justifica-o?

Não, não justifica. Porque, como todos sabemos, esse é um argumento que sossega a consciência de quem legisla quando, na verdade, a questão fundamental é outra: será legítimo que uma pessoa crie um bebé, dentro de si, que aprofunde laços e vínculos e que, depois, os fracture, sem se estimarem os custos incalculáveis que isso tem para uma mulher que aluga o seu útero e para um filho que resulta dessa transacção? Como se pode sentir uma criança quando concluiu, anos mais tarde, que resultou de um negócio jurídico gratuito em vez de ser a consequência de uma relação vinculativa? E, supondo que a mulher que condescende com esse negócio fractura toda a realidade de uma gravidez (consultas de obstetrícia, movimentos fetais, sintonia mãe/feto, etc.), do útero onde, supostamente, de forma hermética, está um bebé, será que o legislador tem noção que estará a acarinhar danos emocionais com custos exorbitantes no pós-parto?

Quando os políticos falam do Superior Interesse da Criança fazem sentido estas propostas?

Se a noção de Estado se funda numa ideia de Direito não se compreende que promova maus-tratos em nome da Justiça! Nem que aja de maneira diferente, consoante legisle sobre crianças fora e dentro do corpo da mãe.

Ninguém é insensível ao sofrimento de quem não pode ter filhos, mas há limites para aquilo que se pode dar, ou pedir?

Os limites nos nossos actos são aquilo que, depois de compreendido com sabedoria, nos torna mais e melhores pessoas. Não compreendo que um Estado não entenda que, embora uma criança exista dentro do corpo da mãe, ela não é um património que se alugue, se doa ou se venda. O Direito da Criança hoje, supunha eu, não se assemelha ao Direito Romano e que tudo isso era permitido. Mas não percebo onde estão todos aqueles que tinham o dever moral de se insurgirem contra uma realidade como esta! Não compreendo porque é que as mesmas pessoas que falam de crise de valores sejam aquelas que aprovem que uma criança seja objecto num negócio... jurídico ou do aluguer de uma parte do corpo por outra.

O que leva uma mulher a sujeitar-se a tudo isto. Generosidade, narcisismo, ingenuidade?

Não, não é generosidade. É negócio. Salvo em circunstâncias excepcionais em que uma familiar, por exemplo, viabiliza uma gravidez de alguém que, por qualquer motivo, não pode ter filhos. No entanto, as confusões relacionais que daí derivam podem ser tão graves que os custos emocionais não compensam os ganhos que se espera obter.

Em que difere da mulher que dá um filho para adoptar?

Na adopção, uma mulher é surpreendida pela gravidez e, quer por choque quer por pânico, hesita a ponto de não ter como deixar de ter um bebé e, ao mesmo tempo, não ter como o conseguir para si. Numa barriga de aluguer, uma mulher, de forma calculada, decide ter um filho quando jamais o quis para si.

Isabel Stilwell in Destak


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segunda-feira, 20 de abril de 2015

11 grandes citações do Papa Bento XVI sobre a Liturgia e a Missa

Ratzinger sobre os reformadores litúrgicos a criar uma "fabricação", um "produto banal"
"A reforma litúrgica, na sua realização concreta, distanciou-se a si mesma ainda mais da sua origem. O resultado tem sido não uma reanimação, mas devastação. Em vez da liturgia, fruto dum desenvolvimento contínuo, puseram uma liturgia fabricada. Esvaziaram um processo vital de crescimento para o substituir por uma fabricação. Não quiseram continuar o desenvolvimento, a maturação orgânica de algo vivo através dos séculos, e substituíram-na, à maneira da produção técnica, por uma fabricação, um produto banal do momento." 
(Revue Theologisches, Vol. 20, Fev. 1990, pgs. 103-104)

Ratzinger sobre aqueles que apreciam a [antiga] Missa em Latim serem tratados erradamente como "leprosos"
"Para promover uma verdadeira consciência em matérias litúrgicas, é também muito importante que a proibição contra a forma da liturgia em uso válido até 1970 (a antiga Missa em Latim) seja levantada. Qualquer pessoa que hoje em dia defenda a existência contínua desta liturgia ou que participe nela é tratada como um leproso; toda a tolerância acaba aqui. Nunca houve nada como isto na história; ao fazer isto estamos a desprezar e a proibir o passado inteiro da Igreja. Como é que uma pessoa pode confiar nela no presente se as coisas são assim?" 
(Introdução ao Espírito da Liturgia, 2000)

Ratzinger sobre a degeneração da liturgia e os "fabricantes litúrgicos"
"Temos uma liturgia que degenerou a ponto de se tornar num espectáculo que, com sucesso momentâneo para o grupo de fabricantes litúrgicos, se esforça para tornar a religião interessante na sequência das frivolidades da moda e das máximas sedutoras da moral. Consequentemente, a tendência é a cada vez maior diminuição do mercado daqueles que não procuram a liturgia para um espectáculo espiritual mas para um encontro com o Deus vivo diante do Qual todo o 'fazer' se torna insignificante, visto que apenas este encontro é capaz de nos garantir acesso à verdadeira riqueza do ser." 
(Prefácio do Cardeal Ratzinger à tradução francesa de Reform of the Roman Liturgy por Monsignor Klaus Gamber, 1992).


Ratzinger sobre a "desintegração da liturgia"
"Estou convencido que a crise que a Igreja está a experimentar hoje é, em grande parte, devida à desintegração da liturgia.
(Autobiografia)

Ratzinger contra a "liturgia caseira"
"Também vale a pena observar aqui que a 'criatividade' envolvida nas liturgias fabricadas tem um alcance muito restrito. É pobre em comparação com a riqueza da liturgia recebida nas centenas e milhares de anos de história. Infelizmente, os autores das liturgias caseiras são mais lentos a aperceber-se disto do que os seus participantes..." 
(The Feast of Faith, p. 67-68)

Ratzinger sobre a [antiga] Missa em Latim como  a "mais Santa e Elevada posse"
"Sou da opinião, para ser sincero, que o Rito Antigo devia ser concedido muito mais generosamente a todos aqueles que o desejam. É impossível ver o que poderia ser perigoso ou inaceitável nisso. Uma comunidade está a pôr o seu próprio ser em questão quando subitamente declara aquilo que até era a sua mais santa e elevada posse como estritamente proibida, e quando declara os desejos por ela absolutamente indecentes." 
(Sal da Terra, 1997)

Ratzinger sobre o perigo dos criativos que "presidem" à Missa
"Na realidade o que se passou foi que uma clericalização sem precedentes entrou em cena. Agora o sacerdote - o que 'preside', como agora o preferem chamar - torna-se o verdadeiro ponto de referência para toda a Liturgia. Tudo depende dele. Temos que o ver a ele, responder-lhe a ele, estar envolvidos naquilo que ele está a fazer. A sua criatividade sustém a coisa toda."
(Introdução ao Espírito da Liturgia, Cap. 3)

Ratzinger sobre o perigo do "planeamento criativo da liturgia"
"De forma não surpreendente, as pessoas tentam reduzir este novo papel criado ao atribuir todos os tipos de funções litúrgicas a indivíduos diferentes e confiando o planeamento 'criativo' da Liturgia a grupos de pessoas que gostam de o fazer, e que devem 'dar a sua própria opinião'. Cada vez menos e menos Deus é o centro. Cada vez é mais e mais importante o que é feito pelos seres humanos que se encontram aqui e não gostam de se sujeitar a um padrão pré-determinado." 
(Introdução ao Espírito da Liturgia, Cap. 3)

Ratzinger sobre porque é que o sacerdote não devia estar voltado para o povo durante a Missa
"O facto de o sacerdote se ter virado para o povo tornou a comunidade num círculo fechado sobre si próprio. Na sua forma exterior já não se abre ao que está à frente e por cima, mas está fechado para si mesmo. O comum voltar-se para Oriente não era uma celebração virada para a parede; não significava que o sacerdote tinha as suas costas voltadas para o povo: o próprio sacerdote não era visto como tão importante. Porque tal como a assembleia na sinagoga olhava junta para Jerusalém, também na liturgia cristã a assembleia olhava junta para o Senhor." 
(Introdução ao Espírito da Liturgia, Cap. 3)

Ratzinger sobre o sacerdote e o povo voltados para a mesma direcção
"Por outro lado, o comum voltar-se para o Oriente durante a Oração Eucarística continua a ser essencial. Isto não é uma questão de acidentes mas de essências. Olhar para o sacerdote não tem importância nenhuma. O que importa é olhar juntos para o Senhor." 
(Introdução ao Espírito da Liturgia, Cap. 3)

Ratzinger sobre o "fenómeno absurdo" de substituir o crucifixo pelo sacerdote
Mover a cruz do centro do altar para o lado do altar, para dar uma visão sem obstáculos do sacerdote é algo que eu vejo como um dos fenómenos mais absurdos das décadas recentes. A cruz é um obstáculo durante a Missa? O sacerdote é mais importante que Nosso Senhor? 
(Introdução ao Espírito da Liturgia, Cap. 3)

Taylor Marshall


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