sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Cristo nasceu há 2016 anos! A cronologia de Josefo estava errada

Como sabem, a.C. refere-se a "antes de Cristo" e portanto é confuso ouvir os académicos dizer que Cristo nasceu a 4 a.C. Isto significaria que Cristo nascera quatro anos antes de Cristo. No entanto, estudos cronológicos recentes e mais precisos validaram a data tradicional do nascimento de Cristo a 25 Dezembro do ano 1 a.C. [i]

Revendo os fundamentos, a datação de a.C. (antes de Cristo) e d.C. (depois de Cristo) vem dos cálculos de Dionísio 'Exiguus'. 'Exiguus' significa pequeno, por isso ele é muitas vezes chamado de Dionísio o pequeno. Dionísio era um monge que vivia em Roma. Morreu por volta de 544 d.C. 

Em Roma, Dionísio trabalhava com os melhores registos romanos e documentos da Igreja para calcular o nascimento de Cristo. Este novo cálculo dividia o tempo em antes e depois de Cristo. Dionísio não incluía um ano zero. 31 de Dezembro do ano 1 a.C. devia passar para 1 Janeiro do ano 1 d.C. 

Dionísio identificou a Anunciação de Gabriel à Virgem e a Encarnação de Cristo no ventre da Santíssima Virgem Maria a 25 de Março do mesmo ano 1 a.C. Ele reconheceu o nascimento de Cristo a 25 de Dezembro do ano 1 a.C. A circuncisão de Cristo, oito dias depois do Seu nascimento, foi a 1 de Janeiro de 1 d.C. A Sua crucifixão foi no ano 33 d.C. 

Beda, o Venerável, pegou no esquema de datas de Dionísio, o pequeno, na sua Ecclesiastical History of the English People, e o resto é história. Continuamos a usar o seu sistema de datação até hoje: a.C. e d.C.

Dúvidas sobre o ano de nascimento de Cristo surgiram nos anos 1600. Os académicos souberam da cronologia feita pelo historiador judeu Josefo. Josefo coloca a data do Rei Herodes, o Grande, onde Dionísio chamou 4 a.C. Visto que Herodes tentou matar Cristo menino, seria necessário que Cristo já tivesse nascido antes da morte de Herodes. Se Herodes morreu em 4 a.C., então Cristo teria que ter nascido antes de 4 a.C. Assim, desde o século XVII, as pessoas têm dito que Dionísio se enganou e que Cristo nasceu quatro anos antes de Cristo.

O que é que podemos dizer disto? Bem, ou Josefo está certo ou Dionísio está certo. Não podem estar ambos. Até recentemente a maior parte dos académicos concordava com Josefo porque: A) Josefo viveu no século de Cristo, B) Josefo era judeu, e C) Josefo era um historiador profissional. Dionísio era apenas um monge que vivia em Roma mais de quinhentos anos mais tarde.

No entanto, existem agora boas razões para acreditar que Josefo se enganou. Vários estudos sobre Josefo revelam que ele de certeza que não era consistente ou preciso a datar variados acontecimentos chave na história judaica e romana. De facto, Josefo contradiz história confirmada, a Bíblia, e mesmo a sua própria cronologia cerca de uma centena de vezes. As suas datas não são muito precisas. O arqueólogo, jurista e historiador francês Theodore Reinarch foi um dos primeiros a documentar os muitos erros factuais e cronológicos de Josefo. A tradução de Reinarch de Josefo é constantemente interrompida por comentários tais como "isto é um erro" ou "noutro livro as suas personagens são diferentes." [ii]

De seguida está um exemplo da má cronologia de Josefo. Josefo regista na sua Guerra judaica que Hyrcanus reinou durante trinta e três anos. No entanto, na sua Antiguidades dos judeus, que Hyrcanus reinou trinta e dois anos. [iii] Ainda assim noutro local da sua Antiguidades, Josefo diz que Hyrcanus reinou apenas trinta anos. Isto são três alegações contraditórias - duas no mesmo livro!

Na sua Guerra judaica, Josefo regista que Aristobulus colocou o diadema na sua cabeça 471 anos depois do exílio. No entanto na sua Antiguidades, ele diz que foi 481 anos, uma diferença de dez anos. Já agora, os historiadores modernos agora sabem que foram 490 anos. Josefo está errado em todas as contas.

Podiam ser dados mais exemplos. O facto é que Josefo era desleixado com as datas, especialmente no que tocava a reis. Por isso vejamos as datas que ele dá para o Rei Herodes. Descobrimos que Josefo na verdade dá duas datas contraditórias para a morte de Herodes - 4 a.C. e 7 ou 8 d.C.

Josefo escreve que Herodes capturou Jerusalém e começou a reinar naquilo que Dionísio chama 37 a.C., e que Herodes viveu mais 34 anos depois disto. Se fizerem as contas, isto significa que Herodes morreu no ano 4 ou 3 a.C. Os académicos citam isto como a prova de autoridade de que Jesus nasceu antes de 4-3 a.C.

Ainda assim, Josefo regista uma datação diferente para a morte de Herodes noutro lado. Na sua Antiguidades, Josefo escreve que Herodes tinha quinze anos naquilo que chamaríamos 47 a.C., quando César escolheu Hyrcanus como etnarca.[iv] Mas, duas vezes noutros sítios, Josefo diz que Herodes tinha setenta anos quando morreu. Portanto se Herodes tinha 15 em 47 a.C., isso significa que morreu aos 70 de idade em 7 ou 8 d.C.

Temos uma discrepância séria nas datas de Josefo - um janela de mais de dez anos. Mais ainda, quem é que sabe realmente se ambos os números são precisos dados os seus erros noutras datas históricas?

Porque é que isto é tão importante? Revela que não devíamos deixar Josefo ter a última palavra na cronologia de Cristo. A datação de Josefo da morte de Herodes a 4 a.C. é verdadeiramente só uma versão dos seus cálculos. Porque não usar a sua data de 7 ou 8 d.C.? É um pouco arbitrário os historiadores modernos defenderem a data de 4 a.C.

A melhor maneira de datar a morte de Herodes é concentrando-nos no testemunho de que Herodes morreu poucos meses depois de um eclipse da lua bem observado. Com modelos astronómicos modernos, sabemos que um eclipse da lua como este ocorreu em Jerusalém antes do pôr do Sol de 29 de Dezembro de 1 a.C. Isto significaria que Herodes morreu pouco tempo depois de 1 d.C. Isto alinha-se perfeitamente com a cronologia de Dionísio, o pequeno. Isto significa que Cristo nasceu a 25 de Dezembro de 1 a.C. e que foi circuncidado a 1 de Janeiro de 1 d.C. 

O nosso calendário é perfeitamente preciso! 

Taylor Marshall

[i] Hugues de Nanteuil, Sur les dates de naissance et de mort de Jésus, Paris: Téqui editions, 1988. Translated by J.S. Daly and F. Egregyi. Paris, 2008.
[ii] de Nanteuil, 2008.
[iii] Josephus, Antiquities, 12.
[iv] Josephus, Antiquities, 14.


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D. Gina, uma vida ao serviço da Capela da Universidade Católica

Foi das primeiras pessoas que conheci quando entrei para a Universidade Católica e estará para sempre ligada às vidas de dezenas e dezenas de professores, funcionários e alunos. Conhecia-a na mesma capela onde vi pela primeira vez o meu marido, e acompanhou a nossa história de perto.

Sempre presente, bem vestida, perfumada, as mãos cuidadas e delicadas, reflexo pálido da delicadeza e amor que punha em tudo quanto fazia, e que bem escondiam muitos trabalhos pesados que fez ao longo de muitos anos de serviço àquela instituição. Sempre de coração aberto, verdadeiramente boa, foi com a D. Gina que aprendi a rezar o terço da misericórdia, que sempre rezava às três da tarde. 

Cuidava de todos nós como se de um filho se tratasse -incluindo o capelão. Hoje, o sacerdote na Missa referia os “enxovais” que preparava para os seminaristas, por quem tinha especial carinho – também nós, quando nos casámos, recebemos um enxoval da D. Gina, cheio do seu amor. A sua presença maternal, a sua voz sempre amável, as suas palavras bondosas - tudo isto deu, de tudo teremos saudades.

Morreu na capela que era “sua”, a fazer o que fez tão bem, toda a vida, a tratar de Jesus. Estava por perto quando soube da notícia e não resisti a ir lá para rezar naquele local que tanto nos diz. Estava lá o presépio, tão bonito, que todos os anos fazia, as flores arranjadas, as alfaias litúrgicas polidas e engomadas, a casa do Senhor que brilha como aquela alma. 

Ajoelhada, rezei e agradeci profundamente o dom da sua Vida, e procurando algum consolo, dirigi-me a um pequeno cesto na entrada, com frases de Santos para o Advento. Calhou-me esta, de S. Adalberto:

“Não estejais tristes. Sabeis que sofremos pelo nome do Senhor, cujo poder esta acima de todo o poder, cuja beleza supera toda a formosura, que tem autoridade inexprimível e bondade inefável. Na verdade, que há de mais belo e mais delicioso que dar a vida pelo dulcíssimo Jesus?”

A D. Gina sabia isto melhor do que ninguém.

Catarina Nicolau Campos


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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

O regresso à reverência pelo Santíssimo Sacramento




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A Igreja Católica condenou o "desumano mercado dos negros"

Elevados à suprema dignidade do apostolado e representando, ainda que sem nenhum mérito, a pessoa de Jesus Cristo Filho de Deus, que por sua desmedida caridade se fez homem e se dignou morrer pela redenção do mundo, sentimos que pertence à nossa solicitude pastoral esforçar-nos para dissuadir completamente os fiéis do desumano mercado dos negros e de quaisquer outros homens. 

Por essa razão nós, querendo fazer desaparecer o mencionado crime de todos os territórios cristãos, após madura consideração, recorrendo também ao conselho de nossos veneráveis irmãos cardeais da santa Igreja de Roma, seguindo as pegadas de nossos predecessores, com a nossa apostólica autoridade, admoestamos e esconjuramos energicamente no Senhor todos os fiéis cristãos de qualquer condição que, doravante, ninguém ouse fazer violência, desapropriar de seus bens ou reduzir seja quem for à condição de escravo, ou prestar ajuda ou favorecer àqueles que cometem tal delito ou querem exercitar o indigno comércio por meio do qual os negros são reduzidos a escravos – como se não fossem seres humanos, mas pura e simplesmente animais, sem nenhuma distinção, contra todos os direitos de justiça e humanidade -, são comprados, vendidos e constrangidos a trabalhos duríssimos. 

Nós, julgando as mencionadas acções indignas do nome cristão, condenamo-las com nossa apostólica autoridade. Proibimos e vetamos com a mesma autoridade a qualquer eclesiástico ou leigo defender como lícito o tráfico dos negros, qualquer seja o escopo ou pretexto, e de presumir ensinar de outro modo, pública e privadamente, contra aquilo que com a presente carta apostólica expressamos.

Papa Gregório XVI in Carta Apostólica 'In Supremo Apostolatus' (03.XII.1839)


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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Padre Nicola Bux: “O rito romano antigo não é uma excepção”

Entrevista conduzida por Bruno Volpe ao Padre Nicola Bux, professor de teologia sacramentária, especialista em liturgia e um colaborador próximo do Papa Bento XVI.

Padre Nicola, o rito romano antigo é uma excepção?

Não é isso que diz o Motu Próprio do Papa Bento XVI, Summorum Pontificum. Aliás, no texto lê-se explicitamente que os dois ritos têm igual dignidade. Quem o diz é o Papa, não eu. Portanto, considerando o documento, não podemos dizer que seja uma excepção, a não ser que queiramos chegar a uma conclusão que seja contrária ao documento do Papa.

Então de onde surge este dito carácter de “excepção”?

Não sei. Provavelmente estamos ao nível das interpretações, mas que no entanto não encontram confirmação, como dizia, no documento do Papa Bento XVI, que é a base textual.

Sobre o rito romano antigo: muitos jovens nos últimos anos estão a aproximar-se com interesse. Porquê?

Posso confirmar que existe um renovado interesse, especialmente entre os jovens. Creio que isto dependa do facto de ser precisa mística, que é uma qualidade que o rito antigo tutela e encoraja, pela própria maneira como é estruturado. Claro, é preciso dizer que este rito não tem nem o monopólio da mística e que também no rito antigo é possível celebrar desleixadamente.

Quanto à homilia, podemos dizer que se trate de um discurso “político”, como disse o Papa Francisco?

Esta definição parece-me ambígua e é preciso dar-lhe mais precisão. Se nos estamos a referir a, depois de comentar as leituras do dia, evocar factos da actualidade e da vida concreta, é lícito falar de política. Isto é, se colocarmos as leituras na vivência dos nossos dias. No entanto, a homilia não deve entrar agressivamente na vida política no sentido da luta dos partidos. Isso não. 

Enquanto Teólogo: Existem castigos divinos, isto depois da polémica desenrolada pelo Padre Cavalcoli?[1]

Nas Sagradas Escrituras, tanto no Antigo como no Novo Testamento, encontramos vários momentos onde falamos abertamente de castigos de Deus. No Evangelho, por exemplo, temos o episódio da Torre de Siloé e os massacres de Pilatos. A síntese que temos é esta: “se não vos converterdes perecereis todos da mesma maneira”. 

Uma calamidade natural ou um acto violento feito por homens não é visto necessariamente como um castigo pelo pecado, também porque se pode abater sobre pessoas inocentes, mas antes como uma advertência para nos convertermos. Como dissera Jesus, o Pai faz chover sobre os bons e sobre os maus. A questão é que muitos hoje pensam que Deus, se existe, não tem nada a ver com a vida, mesmo se depois estão prontos a lamentar-se quando vem uma catástrofe, perguntando-se onde estava Deus.

in lafedequotidiana.it


[1] Nota do editor: Depois dos terramotos de Itália deste ano, o Padre Cavalcoli foi duramente criticado por interpretar os acontecimentos enquanto castigo divino pelas políticas contrárias à lei natural adoptadas pelo país.


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Quem são os Santos Inocentes?

Hoje é dia dos Santos Inocentes, as crianças recém-nascidas que foram mandadas matar pelo rei Herodes na tentativa de matar o menino Jesus. 


Não podemos deixar passar este dia sem nos lembrarmos dos bebés inocentes que são abortados em todo o mundo. Desde 1980 foram mais de mil e trezentos milhões (1.300.000.000).

Rezemos pelos que os mataram e pelo fim do aborto no mundo inteiro.

Nota: Se no holocausto nazi foram mortas 6 milhões de pessoas, o número de abortos nos últimos 30 anos é o equivalente a 217 holocaustos nazis.

João Silveira


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terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Pai desabafa emocionado: "O Síndrome de Down foi a melhor coisa que me aconteceu"

Perante a crueldade dos números: 90% de bebés com Síndrome de Down abortados, um Pai explica que ter um filho com Síndrome de Down mudou a sua vida.


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A obra prima de São João

São João evangelista começou o seu evangelho com um texto que encantou todas as gerações. O prólogo é duma beleza e profundidade tais que é lido no final de todas as Missas em Rito Romano Antigo. Vale a pena ler e rezar.



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O que é o 'Boxing Day' e como surgiu?

Em Inglaterra todos os anos acontece um feriado especial, no dia seguinte ao feriado de Natal. É o chamado Boxing Day, que acontece dia de Santo Estevão, morto pela fé cristã e cujo martírio se encontra descrito nos Actos dos Apóstolos.


A origem do Boxing Day remonta há, pelo menos, 800 anos. Nessa época, no dia seguinte ao do aniversário de Jesus, algumas Igrejas promoviam a abertura de uma caixa (“box”, em inglês), na qual acumulavam dinheiro doado pelos fiéis e o distribuíam aos necessitados. Assim, aqueles que tinham poucos bens podiam aproveitar o dia seguinte ao Natal para celebrar com a família, com uma refeição mais farta. 

Com esse carácter caritativo, o dia de abertura das caixas de donativos e a sua distribuição aos menos favorecidos tornou-se o feriado Boxing Day no Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, já que estar com a família é (ou era) algo inestimável em qualquer nação.

Com o passar do tempo, o comércio resolveu transformar o Boxing Day num grande dia de descontos, com ofertas irrecusáveis aos consumidores. As filas dos “menos favorecidos” deixaram de ser uma possibilidade de reunir a família com mais e melhor comida, para se tornarem numa ajuda ao escoamento dos "stocks" das lojas, depois das compras de Natal.

E o significado pelo qual morreu Santo Estevão, de defender os ensinamentos de Jesus de amor à Humanidade, desprendimento e generosidade foi-se perdendo nos meandros da sociedade de consumo.

adaptado de portalvilamariana 


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domingo, 25 de dezembro de 2016

A noite de Natal descrita pelo venerável Fulton Sheen

Uma noite sobressaiu na quietude da brisa da noite, por cima daqueles montes calcários de Belém, o choro de um bebé recém-nascido. O Verbo Se fez carne e habitou entre nós. A Terra não ouviu o choro, porque a Terra dormia; os homens não ouviram o choro, pois não sabiam que um Menino podia ser maior do que um homem; os reis não ouviram o choro, pois não sabiam que um Rei poderia nascer num estábulo; os impérios não ouviram o choro, pois os impérios não sabiam que um Infante poderia segurar as rédeas que dirigem sóis e mundos nos seus percursos. 

Mas os pastores e os filósofos ouviram o choro, pois só os muito simples e os muito instruídos sabem que o coração de um Deus pode gritar no choro de uma Criança. E eles vieram com presentes - e adoraram, e tão grande era a majestade sentada na testa do Menino, tão grande era a dignidade do bebé, tão poderosa era a luz daqueles olhos que brilhavam como sóis celestiais, que eles não podiam deixar de  gritar: Emanuel, Deus está connosco.

Arcebispo Fulton Sheen in 'The Life of All Living'


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sábado, 24 de dezembro de 2016

Natal, empresários e astronautas que não andam na lua

Há uns anos, um pai, com um diagnóstico fatal a curto prazo, quis prevenir os filhos e explicar-lhes que Jesus estava à espera, para o receber em breve. Um dos pequenos perguntou como é que o pai sabia que Jesus o ia receber no Céu: «Meu filho, há tantos anos que eu O recebo na Eucaristia e Ele, agora, não me ia receber?».

Preparar o Natal é caminhar intensamente para o encontro com Cristo. O passo em que o Papa tem insistido mais é a Confissão sacramental; outra etapa é participar na Eucaristia em que, de uma forma imediata, recebemos o próprio Cristo.

Recordo que, nos anos 80, o CEO de uma marca muito conhecida de «blue jeans» veio a Lisboa em negócio. No meio da agenda apertada de reuniões, já sabia onde ia assistir à Missa cada dia, porque tinha encarregado a secretária de telefonar antecipadamente a informar-se dos horários de várias paróquias. Para um lisboeta da época aquilo era surpreendente. Em primeiro lugar, pela capacidade de ultrapassar obstáculos, porque aquele empresário não falava português e provavelmente a secretária teve dificuldade em se fazer entender e obter a informação. Depois, pelos recursos, porque naqueles anos as chamadas internacionais a partir de Portugal eram caríssimas, embora fosse barato telefonar de outros países. Recordo que alguns engenheiros da EDP, que souberam da lista, resolveram ampliar a ideia: assim nasceu uma listagem completa, para toda a cidade de Lisboa, que circulou por muitas mãos, em fotocópias. Anos mais tarde, com o aparecimento da internet, a lista ficou «online», cada vez mais exaustiva e actualizada, e, em época mais recente, o «site» do Patriarcado encarregou-se de disponibilizar a informação.

A caminho do encontro do Natal, pergunto-me como se comportaria, nas minhas circunstâncias, o CEO de uma multinacional de «blue jeans».

À falta de informação sobre a estrela do Natal, vale a pena navegar nas páginas pessoais de alguns astronautas, por exemplo https://twitter.com/astroillini, para ver fotografias de cometas deslumbrantes no céu estrelado, planetas vibrantes, a Terra muito ao longe e a Lua muito ao perto... Além das imagens, no meio dos «tweets», encontram-se testemunhos mais pessoais. Dennis Sadowski, reuniu no «Catholic News Service» de Abril deste ano declarações de bastantes astronautas. A beleza do céu é tão impressionante que é comum eles sentirem o impulso de se referir a Deus. Muitos rezam o terço dentro da «cúpula» da nave, uma sala forrada de janelas, por onde se vê o Universo a 360º. Outros vão ler a Bíblia para a cúpula. Está no «Youtube» a célebre mensagem dos astronautas da Apollo 8, na noite de Natal de 1968, que consistiu em lerem em voz alta a parte do Génesis que descreve a Criação.

A propósito do Natal, chamou-me a atenção o empenho de alguns astronautas para não perderem a Eucaristia. Por exemplo, em 2013, Mike Scott Hopkins, que se convertera uns anos antes, conseguiu autorização para levar a Eucaristia para o espaço, para poder comungar durante os longos meses da sua missão na ISS (International Space Station). Na cúpula, rodeado de estrelas, sentia-se verdadeiramente numa catedral. «Quando se contempla a Terra deste observatório único e se admira toda a beleza natural que existe, é difícil não se sentar ali e perceber que tem de haver um poder maior que fez isto». Pelos vistos, não é pouco comum os astronautas terem acesso à Comunhão durante as missões espaciais.

Uma das mordomias que a NASA oferece aos astronautas durante o voo é a possibilidade de terem uma vídeo-conferência com a personalidade que escolherem. Recentemente, o astronauta Mark Vande Hei pediu para conversar com o Papa Francisco. Vamos ver o que a NASA consegue. Pode ter sorte, porque a NASA já conseguiu que em 2011 o Papa Bento XVI falasse durante 20 minutos com a tripulação da ISS (a vídeo-conferência pode ver-se aqui ).

José Maria C.S. André in Correio dos Açores, 4-XII-2016


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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Educação sexual nas escolas? Sou contra! Absolutamente contra!

Uma hora depois, entro na redação e apanho a correspondência. Ao abrir o primeiro envelope, apanho um susto. Era um leitor irritadíssimo. Lera algumas "Confissões" e vira em mim um brutal reacionário. Não queria, porém, ser injusto. Por isso, pedia ou exigia que eu me definisse sobre a Educação Sexual. Sou contra ou a favor? 

Bem. Vou ser o mais taxativo possível: - Sou contra. E, para evitar qualquer dúvida, ou sofisma, direi com a maior ênfase: - "Absolutamente contra". Não sei se me entendem. A Educação Sexual devia ser dada por um veterinário a bezerros, cabritos, bodes, cães e gatos vadios. 

No ser humano, sexo é amor. Portanto, os meninos, as meninas deviam ser preparados, educados no amor. Se o meu leitor progressista ainda não está satisfeito, direi algo mais. O homem está triste porque, um dia, separou o Sexo do Amor. Nada mais vil do que o desejo sem amor. A partir do momento da separação, começou o processo de aviltamento que ainda não chegou ao fim. E, assim, o homem tornou-se um impotente do sentimento e, portanto, o anti-homem, a anti-pessoa.

Nelson Rodrigues in 'O Reacionário'


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A melhor coisa que se pode oferecer a Jesus neste Natal é a confissão




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Candla

É uma nova App Portuguesa que permite acender uma vela real na sua Igreja ou Santuário à distância quando não o pode fazer fisicamente.

O Papa Bento XVI foi o grande dinamizador do uso das redes sociais na Igreja, classificando-as mesmo como portais de verdade e de fé, e o nosso querido Papa Francisco seguiu essa tendência, ou, se quisermos, essa onda jovem e popular que aproxima cada vez mais Católicos por todo o mundo.  

Foi em 2002, que o Papa João Paulo II publicou pela primeira vez uma mensagem oficial sobre o impacto da internet na Igreja Católica. Passados quase 15 anos deste primeiro passo, e após o lançamento em 2014 do « Click to Pray » Portugal volta em 2016 a estar na vanguarda da inovação com a CANDLA (www.candla.org) que é uma App que permite acender uma vela real numa Igreja ou Santuário à distância, através do seu telemóvel.

Num mundo em que as fronteiras estão cada vez mais abertas e os intercâmbios culturais são facilitados pelas plataformas digitais, com este conceito inovador, a APP Candla quer acrescentar uma nova dimensão aos gestos da fé e à expressão popular.

A inovadora APP Candla, permite assim às comunidades emigrantes, e a todos os que por motivos de saúde ou profissionais não podem estar presentes na sua Igreja ou Santuário, ou que num momento especifico da sua vida querem estar mais perto do Santo da sua devoção e não o consigam fazer presencialmente, consigam esbater essas barreiras pela relação entre a APP Candla e o velário ou lampadário implementado na Igreja ou Santuário.

No entanto, este gesto não se esgota no acender de uma vela. A APP Candla, remete aos utilizadores em tempo real uma pagela com a oração do Santo ao qual acendemos a nossa vela, permitindo assim a oração ao Santo da nossa devoção.    

Já aderiram a este Projeto, muitas das Igrejas de Lisboa, como o Mosteiro dos Jerónimos ou a Igreja de Santo António ou Nossa Senhora de Fátima e agora está à distância de um toque acender uma vela nestas Igrejas. Para isso, basta apenas selecionar qual a igreja em que quer acender a vela, o Santo, a data e quantas velas quer e clicar em “acender vela”.

Para este conceito inovador, o acender de uma simples vela não é apenas uma simples prática de devoção popular com carácter sentimental, é uma expressão da essência da experiência cristã, e mesmo que tenha uma dimensão virtual, apontamos sempre para o mundo real e uma vela real irá acender-se. 


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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

A árdua tarefa de iluminar a Basílica de S. Pedro para o Natal

Nestas imagens dos anos 30, percebemos a dificuldade, e os perigos, que os "sanpietrini" corriam para acender as 900 tochas e 5000 lanternas no exterior da Basílica de S. Pedro, no Vaticano. Faziam-no por devoção.


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A Ordem dos Pregadores (Dominicanos) faz hoje 800 anos

No dia 22 de Dezembro de 1216, com a bula 'Religiosam Vitam', o Papa Honório III, aprovou a Ordem dos Pregadores. Esta é uma ordem mendicante fundada por S. Domingos de Gusmão, daí que os seus membros sejam conhecidos como 'Dominicanos'.

Como ordem mendicante, além da pobreza, adoptou desde o início um estilo de vida itinerante, de modo a melhor evangelizar, pregar e administrar os sacramentos. Além disso, os dominicanos sempre tiveram como características um carácter combativo e a prioridade dada ao estudo e à intelectualidade.

A prova disso é que o maior teólogo de sempre foi dominicano: S. Tomás de Aquino. S. Tomás é chamado o "Doutor Comum" porque não se pode fazer teologia sem fugir ao seu pensamento, de tal maneira foi profunda, e verdadeira, a sua doutrina.

Ao longo destes oito séculos, a Ordem dos Pregadores deu ao mundo muitos santos, como: S. Alberto Magno, Santa Catarina de Sena, S. Vicente Ferrer, S. Pio V (Papa), S. Martinho de Porres ou Santa Rosa de Lima.

Que todos estes santos, e especialmente o fundador S. Domingos, possam interceder para que a Ordem dos Pregadores volte a defender integralmente a doutrina e a tradição católica, tal como aconteceu ao longo dos séculos.

Aqui ficam algumas imagens do Rito Dominicano, que vem directamente de S. Domingos, e que é bastante parecido com o Rito Romano (Antigo):




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quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

A noiva e as carmelitas

Enquanto crescia, Maria Teresa sempre foi com a sua família à Missa ao Carmelo de Barquisimeto (Venezuela). Por isso considera as irmãs carmelitas como parte da sua família. Quando ficou noiva pediu às irmãs que lhe fizessem o ‘bouquet’ para o seu casamento. As irmãs incluíram no ‘bouquet’ dois escapulários: um para cada um dos noivos.

Maria Teresa quis partilhar a alegria pelo seu matrimónio visitando o Carmelo e as suas queridas carmelitas.


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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Os católicos de hoje são tão abertos ao mundo que quase se afogam no secularismo - Cardeal Avery Dulles, SJ

O Cardeal Avery Dulles, SJ, foi criado presbiteriano, mas quando estudava em Harvard já era mais agnóstico que presbiteriano. As suas dúvidas religiosas foram diminuídas durante um momento pessoal profundo em que saiu para um dia chuvoso e notou uma árvore a começar a florescer próxima do Charles River; após esse momento nunca mais "duvidou da existência de um Deus omnipotente e bom". Ele notou como o seu teísmo depressa se tornou numa conversão ao catolicismo: "Quanto mais examinava, mais impressionado ficava com a consistência e sublimidade da doutrina Católica." Converteu-se ao catolicismo no Outono de 1940, tornando-se depois jesuíta e feito em 2001 Cardeal pelo Papa João Paulo II.

«(…) nos anos noventa os problemas mudaram novamente. Os católicos hoje têm menos razões para se sentirem sobrecarregados pela bagagem acumulada dos séculos passados. Deixaram de ser forçados a aderir aos rígidos padrões estabelecidos pelos seus antepassados. Em países como os Estados Unidos, a gente nova não pode sequer imaginar o que teria sido viver na Igreja Católica de há cinquenta anos atrás. Estes celebram normalmente em igrejas ou auditórios despojados, sem altares nem imagens. Não sabem nada sobre as respostas do catecismo que os seus pais e avós memorizavam. Praticamente não sabem orações de cor, e são, talvez, incapazes de rezar o Angelus ou o Terço. Eles são tão abertos ao mundo que quase se afogam no secularismo. Tudo o que lhes é familiar veio à existência ontem e vai provavelmente desaparecer amanhã. Nas suas vidas nada parece estável e seguro. Não surpreende que muitos deles tenham de novo fome da riqueza e estabilidade de uma tradição católica a que eles quase perderam o acesso.

A recuperação da tradição estável não será fácil, mas os sinais dos tempos nos anos noventa são, em alguns aspectos, mais favoráveis às “tradições” do que os dos anos sessenta. Quatro considerações podem ser aqui propostas: 

1. O historicismo do passado recente exagerou a transitoriedade de todas as coisas humanas. As estruturas profundas da natureza, incluindo a natureza humana, são surpreendentemente resistentes à mudança. Quando lemos Homero ou Sófocles, o Êxodo ou os Provérbios, somos surpreendidos pelo pouco que as coisas realmente mudam. As tradições religiosas fornecem símbolos que expressam, de forma viva e concreta, a situação permanente e universal do ser humano diante da alteridade transcendente de Deus. Gestos como curvar-se e ajoelhar-se, o uso de velas e incenso, água e óleo, e a manutenção de espaços sagrados em lugares de culto – estes e mil outros costumes põe os fiéis em contacto com as estruturas profundas da realidade e promovem uma autêntica experiência religiosa. Nada na situação contemporânea convida a que estas ajudas para a celebração da liturgia sejam abandonadas. 

2. As tradições religiosas, precisamente porque não seguem a última moda, prestam um importante serviço, dispondo os crentes à comunhão com o sagrado e com o divino. Não devemos esquecer a importância do canto, dos ícones e das antigas línguas sacrais – como são para os cristãos, o hebraico, o grego e o latim. Mesmo o vernáculo usado no culto, se se quer evocar reverência para com o divino, deve ser distinto do jargão usado habitualmente no mercado. 

3. Nas religiões históricas, tal como o cristianismo, a tradição tem ainda outra função. Esta liga o crente contemporâneo aos eventos fundadores nos quais se alicerça a comunidade. Os dias de festa tradicionais, as leituras e rituais reactualizam de uma forma poderosa as experiências do Êxodo, do Sinai, da conquista da Terra Santa, do retorno do exílio babilónico e, para os cristãos, as acções redentoras de Jesus Cristo. Os actos comuns, tal como a bênção e efusão da água, ou a consagração do pão e do vinho, ultrapassam as próprias potencialidades simbólicas da natureza. Estes permitem-nos participar nos acontecimentos salvíficos que se encontram nas próprias fontes da nossa existência religiosa. 

4. As tradições são necessárias para iniciar e integrar os indivíduos em qualquer comunidade que exija lealdade e compromisso por parte dos seus membros. Para uma nação, a bandeira, feriados nacionais, hinos, e promessas de lealdade, são uma grande ajuda para estabelecer solidariedade entre os cidadãos. A Igreja precisa de tradições semelhantes. Sem o uso de crucifixos, de dias de festa, de hinos e profissões de fé, o Catolicismo dificilmente se poderia manter como uma sociedade mundial duradoura. Muitas dessas tradições foram severamente abaladas nos anos que se seguiram ao Vaticano II. Hoje precisam de ser reconstituídas e reforçadas. Sem uma integração mais efectiva na Igreja, pode acontecer que os fiéis deixem de ter a possibilidade de aceitar ou de interpretar correctamente as Escrituras, os símbolos normativos, e as afirmações de fé que vêm do passado». 

Avery Dulles, The Craft of Theology. From Symbol to System, (1992), 101-103


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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

O oximoro

Qual a palavra, qual é ela, tão estranha, que não pertence à sua própria língua (já nasceu estrangeira) e não significa o que diz, nem o seu contrário?

Os gregos tinham a palavra «oxi», para significar agudo, vivo, atiçado («oxi» subsiste nas línguas modernas na raiz da palavra oxigénio) e tinham também a palavra «moros» como sinónimo de tonto. A inventiva que lhes faltou para juntar «oxi-moros» tiveram-na os latinos medievais, que cunharam o conceito de «vivaço tonto». A língua inglesa inspirou-se nesta conjunção impossível, popularizou-a e utilizou-a para designar as figuras de retórica baseadas na contradição. 

São oximoros as expressões «silêncio ensurdecedor» (em inglês, «thunderous silence» ou «deafening silence»), «mortos-vivos» (em inglês «living death» ou «walking dead») e várias das expressões bem-humoradas da tecnologia moderna, como «luz escura» («dark light») e «realidade virtual» («virtual reality»).

O Natal é a festa de combinações que ultrapassam a lógica humana e, por isso, perdemos-lhe o sabor quando o reduzimos a comércio, ou a ficção, ou promessa de êxito. O Natal é mais fascinante que o oximoro mais estranho, porque foi pensado pela mente de Deus e se tornou realidade graças ao seu poder.

Um colega da universidade estreou-se na carreira de investigação, ainda muito criança, com um estudo sobre a logística do Pai Natal. Partiu da suspeita de que era impossível um Pai Natal entregar presentes em todas as chaminés do mundo à meia-noite do mesmo dia e, com esse argumento, avançou para a desconfiança de que o Pai Natal não existia. Pegou num mapa, para confirmar a premissa, mas reparou: os fusos horários! Por causa dos fusos horários, o Pai Natal não teria de colocar os presentes simultaneamente em todas as chaminés, porque, ao longo de 24 horas, ia sendo meia-noite, gradualmente, na superfície do Planeta. 

Que felicidade, para uma criança, compreender o segredo da logística natalícia! Entretanto, a tal criancinha cresceu, a sua carreira científica evoluiu para outras áreas, mas não precisou de um doutoramento para descobrir que o Pai Natal, de facto, não existe. Não por uma questão técnica. Simplesmente, não existe. O Pai Natal não é uma contradição, é uma banalidade.

O Natal é diferente. Fala-nos do impossível aos homens, da vitória daquilo a que o Papa chamou a «debilidade omnipotente». Só Deus reconcilia extremos tão opostos e lhes dá sentido real.

Disse o Papa Francisco: «a única força capaz de conquistar o coração dos homens é a ternura de Deus. Aquilo que encanta e atrai, aquilo que dobra e vence, aquilo que abre e liberta das cadeias não é a força dos instrumentos ou a dureza da lei, mas a debilidade omnipotente do amor divino, que é a força irresistível da sua doçura e a promessa irreversível da sua misericórdia» (Fevereiro de 2016).

Se não fosse tão infinito, Deus não seria tão irresistível e tão amável. Por isso, no Natal, no contraste mais extremado, refulge tão profundamente a grandeza de Deus.

No longínquo 1937, em que o comunismo continuava aliado a Hitler (até Junho de 1941) e as forças russas, protegidas por este aliado aparentemente invencível, avançavam de vitória em vitória, Paul Vaillant-Couturier dava rédea solta à sua veia poética: «Somos a juventude ardente // que vem escalar o céu // num cortejo fraterno // unamos as mãos palpitantes // saibamos proteger o nosso pão // construiremos um amanhã que cante» («Nous sommes la jeunesse ardente // Qui vient escalader le ciel // Dans un cortège fraternel // Unissons nos mains frémissantes // Sachons protéger notre pain // Nous bâtirons un lendemain qui chante.» – Paul Vaillant-Couturier, Jeunesse, 1937). Esta poesia foi citada por tantos autores marxistas que a expressão «amanhãs que cantam» se tornou um lugar-comum.

A questão é saber quais são os amanhãs que cantam. Em 1937, Vaillant-Couturier estava eufórico com a anexação da Finlândia, a que se seguiria a dos países Bálticos e todos os outros avanços imparáveis do comunismo no Leste europeu. Passados somente 5 anos, um outro marxista, Gabriel Péri, morria às mãos dos nazis prometendo uma nova versão de amanhãs que cantam. E, depois dele, uma catadupa de amanhãs cantantes sucedeu-se na literatura e na política.

Um futuro melodioso não é um oximoro e qualquer DJ promete música. O Natal é mais radical que os DJs, marxistas ou burgueses. É uma mensagem tão acima de todo o cálculo humano que inverte os critérios do poder e da glória, e empalidece o brilho das armas. O coração humano fica desarmado perante a «debilidade omnipotente».

Aquele bebé nos braços da mãe convoca a humanidade a uma verdadeira revolução. Um Natal sem Jesus ao colo é só um Pai Natal burguês ou um DJ a prometer um amanhã marxista. A velha profecia de Isaías vaticinava esta revolução impossível aos homens: «O povo que andava nas trevas viu uma grande luz... porque um Menino nasceu para nós, um filho nos foi dado: (...) Deus forte, Príncipe da Paz». Um bebé que dorme nos braços da sua mãe é o Deus forte, o Príncipe da Paz: «O seu poder será engrandecido numa paz sem fim», dizia Isaías.

O oximoro por excelência torna-se realidade. «Porque nada é impossível a Deus», explicou o Anjo a Nossa Senhora. É quase simples. – Deus fez-Se carne e habitou entre nós.

José Maria C.S. André in Correio dos Açores, 18-XI-2016


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domingo, 18 de dezembro de 2016

O que é o milagre de S. Januário e qual a sua importância?

No passado dia 16 de Dezembro, ao contrário do habitual, não aconteceu o milagre da liquefação do sangue de S. Januário, em Nápoles. Este milagre acontece 3 vezes por ano:

- 19 de Setembro, dia de S. Januário;
- 16 de Dezembro, porque nesse dia, em 1631, foi feita uma procissão com as relíquias de S. Januário que impediu a iminente erupção do vulcão Vesúvio;
- no Sábado que antecede o primeiro Domingo de Maio, dia da primeira trasladação do corpo do santo.

As datas da liquefação do sangue de São Januário são celebradas com grande pompa e esplendor.

As relíquias são expostas ao público, e se a liquefação não se verifica imediatamente. iniciam-se preces colectivas. Se o milagre tarda, os fiéis convencem-se de que a demora se deve aos seus pecados. Rezam então orações penitenciais, como o salmo “Miserere".

Quando o milagre ocorre, o Clero entoa um solene Te Deum, a multidão irrompe em vivas. os sinos repicam e toda a cidade rejubila.

Entretanto, sempre que nas datas costumeiras o sangue não se liquefaz, isso significa o aviso de tristes acontecimentos vindouros, segundo uma antiga tradição nunca desmentida.

O sangue de São Januário está recolhido em duas ampolas de vidro, hermeticamente fechadas, protegido por duas lâminas de cristal transparente. A ampola maior possui 60 cm cúbicos de volume; a menor tem capacidade de 25 cm cúbicos. Em geral, o sangue endurecido ocupa até a metade da ampola maior; na menor, encontra-se disperso em fragmentos.

A liquefação do sangue produz-se espontaneamente, sob as mais variadas circunstâncias, independentemente da temperatura ou do movimento, o sangue passa do estado pastoso ao fluido e, até, fluidíssimo. A liquefação ocorre da periferia para o centro e vice-versa. Algumas vezes, o sangue liquefaz-se instantânea e inteiramente, ou, por vezes, permanece um denso coágulo em meio ao resto liquefeito. Varia o colorido: desde o vermelho mais escuro até o rubro mais vivo. Não poucas vezes surgem bolhas e sangue fresco e espumante sobe rapidamente até o topo da ampola maior.

Trata-se verdadeiramente de sangue humano, comprovado por análises espectroscópicas.

Há algumas peculiaridades, que constituem outros milagres dentro do milagre liquefação, há uma variação do volume: algumas vezes diminui e outras vezes aumenta até o dobro. Varia também quanto à massa e quanto ao peso. Em Janeiro de 1991, o Professor G. Sperindeo fazendo uso, com o máximo cuidado, de aparelhos de alta precisão, encontrou uma variação de cerca de 25 gramas. O peso aumentava enquanto o volume diminuía. Esse acréscimo de peso contraria frontalmente o princípio da conservação da massa e é absolutamente inexplicável, pois as ampolas encontram-se hermeticamente fechadas, sem possibilidade de receber acréscimo de substâncias do exterior.

A notícia escrita mais antiga e segura do milagre consta de uma crónica do século XIV. Desde 1659, estão rigorosamente anotadas todas as liquefações, que já perfazem mais de dez mil!

S. Januário, rogai por nós.

adaptado de sangennaro.org.br


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sábado, 17 de dezembro de 2016

500 vozes cantam músicas de Natal para felicitar o Papa



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Hoje faz anos o Papa Francisco!

V. Oremus pro Pontifice nostro Francisco.
R. Dominus conservet eum, et vivificet eum, et beatum faciat eum in terra, et non tradat eum in animam inimicorum eius.





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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Pode um Pai ser misericordioso e severo ao mesmo tempo?

Durante uma entrevista feita pela ACI Stampa, o Cardeal Gerhard Müller foi questionado sobre a possibilidade de ser misericordioso ao corrigir os erros doutrinais. O Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé respondeu: 

“Pode um pai ser misericordioso e severo ao mesmo tempo? Na verdade, se um pai não corrige os seus filhos e, ao invés disso, justifica ou minimiza os seus erros, não os ama e envia-os directamente para a sua perdição. Um pai que não ajuda os seus filhos a reconhecer seus erros, não os ama de verdade e não confia na possibilidade de que eles mudem. Porque a misericórdia contém em si, de forma indelével e inseparavelmente, o amor e a verdade. Pertence à tradição cristã, desde as Escrituras até ao Magistério dos últimos Papas, que amor e verdade estão juntos: não existe amor sem verdade e não existe verdade autêntica sem amor. E isto não deveria ser válido também para a doutrina?”

A misericórdia, explica o Cardeal, “é o contrário do laissez faire (deixar fazer)… esta não é a atitude de Deus frente ao Homem. Basta ler os evangelhos e ver como se comportava Jesus: era bom mas ao mesmo tempo não ocultava a verdade. E a doutrina tem o mesmo objectivo de ajudar-nos a conhecer a verdade, nos ajuda a aceitá-la na sua integridade e não enganar a verdade”.

“A doutrina, para os cristãos, não tem como última referência as ideias (que temos) sobre Deus ou sobre a salvação que nos oferece, mas a vida mesma de Deus e sua irrupção na vida do homem. É uma ajuda para compreender quem é Deus e o que está em jogo com a salvação que Deus oferece à vida concreta do Homem”.

Entretanto, “para compreender tudo isto, é necessária uma razão humilde, que não se coloca presunçosamente como a medida de todas as coisas. Infelizmente, o pensamento que surge da modernidade, que nos deixou também uma herança de muitas coisas belas, privou-nos desta humildade.”

O Cardeal alemão disse ainda que “a misericórdia por meio da qual Jesus reveste o nosso coração, às vezes com força, outras vezes com doçura, é uma onda de bem e de verdade com a qual nos urge mudar a nossa vida e abrir-nos àqueles que vivem ao nosso lado, fazendo que se sintam próximos, perto.”

“A misericórdia ajuda-nos a conhecer sempre mais aquele Deus que se revela em Jesus e nos revela sempre mais a nós mesmos. E nos ensina a olhar, a amar-nos a nós mesmos e aos outros nessa perspectiva de bem e de verdade através da qual Jesus mesmo nos vê.”

Neste sentido, continuou o Cardeal, “para mim, é paradigmático da misericórdia o gesto da confissão sacramental. Cada vez que nos confessamos, aproximamo-nos do Senhor com o olhar sobre os nossos pecados e podemos sair aliviados, contagiados pelo Seu olhar sobre nós, algo justo e bom ao mesmo tempo, não faz concessões fáceis, mas não nos abandona ante nossas misérias”. 

“Espero para a Igreja e para todos nós que sigamos Jesus sempre com mais fidelidade e amor, a fim de não permanecermos prisioneiros de nossas fragilidades e misérias. Assim, poderemos servir sempre melhor aos nossos irmãos e irmãs, na Igreja ou fora dela, porque o mundo inteiro necessita de Cristo, precisa ser aliviado e renovado pelo Seu amor.” 

in acidigital


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Novena de Natal



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Procissão de Nossa Senhora de Fátima em Roma com Mons. Georg Gänswein











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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Uma carta ao 'Canal Panda' que todos os pais devem ler

Ao CEO da Dreamia, Produtora dos canais temáticos Panda e Panda Biggs, Pedro Mota Carmo

Caro Pedro,

(Desculpe o tratamento pelo primeiro nome, não o tome como falta de respeito. Não é. Se um dia me responder a este e-mail, terei todo o gosto em ser tratado apenas como Bernardo)

O meu nome é Bernardo do Valle de Castro, tenho 34 anos, casado e pai de três filhos.

Muitas vezes vou a casa de amigos e, para poder estar à conversa com eles, os filhos deles ficam a ver televisão. É um alívio, um sossego!

Sempre que passo os olhos pelos bonecos que estão a dar, no entanto, dá-me aquela sensação de nostalgia: “Os desenhos animados que eu via em pequeno é que eram bons! Desenhos bem-feitos, histórias calmas, giras.” Mas enfim, como não sou dado a nostalgias, não me interesso em continuo à conversa.

Uma vez por outra, quando tenho um bocadinho mais de paciência, fico a ver um bocado os desenhos animados e de quase-nostálgico, fico preocupado: não só os desenhos animados não são nada como os que eu via em pequeno (nem têm que ser, claro!), como são, a meu ver, feios, com personagens parvas, ridículas, com histórias absurdas, com diálogos maus, deseducativos, graves. Não percebo nada de “como é que se capta a atenção dos espectadores infantis”, mas a sensação que dá ao observador comum é que aquilo é realmente mau…e os miúdos comem com aquilo sem qualquer critério.

Naturalmente, em nossa casa, não temos televisão. Os meus filhos vêm o que eu os deixo ver: o critério sou eu quem lhes dá. Ainda são pequenos. Mais velhos, verão outras coisas, conversando comigo e com a minha mulher, e quando já souberem pensar por eles, verão o que quiserem, claro. Não temos televisão mas temos computador e internet e facebook e alguns amigos com televisão atentos aos programas de dois dos seus canais: Panda e Panda Biggs – o tal da diversão, que os filhos dos meus amigos vêem muito.

Ultimamente tenho visto excertos destes dois canais, que me têm chegado por facebook. Digo sem exagero que, quem tenha bom senso, não pode ficar senão horrorizado com aquilo. Na verdade, não é horrorizado com aquilo: é horrorizado com a hipótese de miúdos de 4, 5 e 6 anos verem aquilo sem qualquer critério, só porque os pais, coitados, querem estar a descansar. Pergunto-lhe, sem ser em tom de provocação (não é mesmo essa a minha intenção. Não me conhece, mas garanto-lhe.), se já alguma vez viu aqueles canais? É assustador.

Fui, então, ver quem era a entidade responsável pelos canais Panda e percebi que era uma empresa chamada Dreamia. A partir daí foi fácil: linked in e cheguei ao nome do CEO da empresa – o seu, desde há 2 anos e 10 meses.

Não sei quais são as funções de um CEO de uma empresa responsável por estes canais. Provavelmente não é sua a função da escolha da programação, mas imagino que seja seu o papel de supervisão geral, nem que seja pelas pessoas responsáveis pela escolha dos conteúdos dos seus canais. Por isso é a si que dirijo esta carta, para lhe expor a minha preocupação e algumas dúvidas que tenho.

Penso nas motivações que o levaram a aceitar este cargo: teria uma ideia para os seus canais? Uma linha orientadora? Um conteúdo que gostava de apresentar? Talvez fosse mais empresarial, o seu propósito, e tenha querido apenas assegurar que os seus canais seriam cada vez mais líderes de audiências, no matter what!

Duvido sinceramente que alguém no seu lugar nunca se tenha posto a questão: “Qual a função da televisão? Dado o incrível poder deste aparelho, interessará questionar-me sobre se a televisão tem ou deve ter alguma função, já que é tão espectacularmente influenciadora? Tudo se deve resumir, realmente, ao descartar absoluto da responsabilidade no «só vê quem quer?»”. Pergunto-me se alguma vez o Pedro se terá feito alguma destas perguntas. Sendo ou não sua a responsabilidade da escolha da programação, o Pedro lidera a entidade responsável por ela. Que poderosa responsabilidade, a sua!

Sei que também tem outros canais – não apenas os vocacionados para crianças. E se, aí sim, me aprece mais claro o “só vê quem quer, seja bom ou mau o conteúdo”, no que toca aos canais infantis penso que a questão não pode deixar de se colocar. Apetecia-me ilustrar algumas passagens dos desenhos animados que passam nos dois Pandas, mas quero manter o nível desta carta e não o baixar ao nível perverso dos desenhos animados infantis que infinitas crianças vêem pelo nosso país fora, formando os critérios de futuros portuguesinhos, formação essa para a qual, em parte, obviamente, o Pedro contribuiu.

Já lhe perguntei antes se o Pedro alguma vez viu aqueles canais. Quero acreditar que sim. Por isso, pergunto-me também se deixaria um filho seu ver aquilo. Espero sinceramente que não. É realmente mau demais para ser verdade.

Tenho curiosidade para, um dia, me sentar numa mesa das vossas, onde estão a decidir que programas comprar para serem reproduzidos nos canais Panda: não consigo mesmo perceber qual o critério que é usado para decisões dessas. Não que a televisão tenha que ter carácter educativo para as crianças, e que esse seja o critério com base no qual compram os vossos programas: só os vê quem quer, por isso podem pôr lá o lixo inteiro, que, no limite, a responsabilidade é dos pais. Agora, o conteúdo daqueles desenhos animados é propositadamente deseducativo! Parece que, nessa tal mesa redonda onde essas coisas são decididas, os seus colegas assumem o direito de colocarem o que querem como uma obrigação de subserviência ao lixo que vos chega.

Se, por hipótese meramente académica, fizéssemos um teste, e colocássemos uma criança a ver exclusivamente os canais Panda durante vários dias, nos seus tempos livres em casa, o resultado seria certamente uma criança perturbada: os seus comportamentos adaptar-se-iam aos dos seus heróis, aos dos seus exemplos, aos dos seus pequenos ídolos animados.
Ups! Isto não é uma hipótese meramente académica: esta é a realidade diária de milhares de crianças portuguesas que estão presas ao lixo que vêem durante duas horas. (Desculpe a linguagem, mas sou mais pela verdade que pelos eufemismos).

Se calhar, afinal, sou saudosista, porque gostava muito mais dos desenhos animados que eu via quando era pequenino, porque recebi com as suas personagens critérios que me acompanharam à medida que cresci: a procura da beleza, da história bem contada, das personagens exemplares com quem nos queremos identificar, do bem e do mal, do certo e do errado, dos crescidos que estão lá para nos ajudar e são referência. Enfim, tudo, absolutamente tudo o contrário do que hoje é possível ver nos desenhos animados que os meus filhos não vêm mas que os filhos de pessoas de quem gosto vêm.

Caro Pedro, não me tome a mal este meu desabafo: é o de alguém naturalmente preocupado com o mundo no qual os seus filhos crescerão, e onde tanta coisa é o contrário absoluto do que lhes quero ensinar. Se faz favor, perceba que não podia ficar calado!

Com amizade,

Bernardo do Valle de Castro


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