sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Cardeal Müller estabelece uma relação estreita entre abusos sexuais e homossexualidade no clero

A entrevista que se segue é de leitura obrigatória porque vem esclarecer muita coisa que esteve escondida nas últimas décadas. Entrevista do Cardeal Gerhard L. Müller, 71 anos, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé entre 2012 a 2017, ao 'LifeSite News'.

Entrevistador - Uma parte importante da discussão durante a assembleia da Conferência Episcopal dos Estados Unidos foi dedicada ao escândalo do Cardeal McCarrick e como foi possível que alguém como McCarrick pudesse subir até os graus mais altos da Igreja Católica. Qual é a sua opinião sobre o caso McCarrick e o que a Igreja deve aprender com a existência desta rede de silêncio que cercou um homem que, praticando a homossexualidade, seduzindo seminaristas que dependiam da sua autoridade, levando-os para o pecado, e abusando de menores levou uma vida constantemente oposta às leis da Igreja?

Cardeal Müller - Eu não o conheço e por isso prefiro abster-me de julgar. Espero que em breve haja um processo canónico na Congregação para a Doutrina da Fé que traga luz sobre os crimes sexuais cometidos com jovens seminaristas. Quando eu era Prefeito da Congregação (2012-2017) nunca ninguém me disse nada sobre esse caso, provavelmente por causa do medo de uma reacção excessivamente "rígida" da minha parte. O facto de que McCarrick, junto com o seu círculo e uma rede homossexual, ter sido capaz de trazer estragos na Igreja com métodos semelhantes aos da máfia está ligado à subestimação do grau de depravação moral dos actos homossexuais entre os adultos. Se alguém em Roma tivesse ouvido algum rumor de acusações teria que investigar e verificar a veracidade dessas acusações, evitando que McCarrick fosse promovido ao episcopado de uma importante diocese como Washington, e também evitando que fosse nomeado cardeal da Santa Igreja Romana. E já que foram pagas indemnizações por baixo da mesa - com isso admitindo a responsabilidade por crimes sexuais com homens jovens - qualquer pessoa razoável pergunta como tal pessoa pode ter sido conselheira do Papa nas nomeações de bispos. Não sei se isso corresponde à verdade, certamente seria necessário esclarecer. Que um mercenário ajude a procurar bons pastores para o rebanho de Deus é algo incompreensível para qualquer um. Nesse caso, deve haver uma explicação pública sobre factos semelhantes e os vínculos entre as pessoas envolvidas, assim como o quanto é que as autoridades da Igreja envolvidas sabiam sobre cada nível da história.

Entrevistador - Durante os últimos 5 anos ouviu falar de casos em que o então Cardeal McCarrick recebeu ampla confiança, e lhe foram confiadas missões específicas pelo Papa ou pela Santa Sé?

Cardeal Müller - Como eu disse, não fui informado de nada. Dizia-se que a Congregação para a Doutrina da Fé era responsável apenas pelo abuso sexual de menores, não de adultos, como se as ofensas sexuais cometidas por um padre com outra pessoa consagrada ou com um leigo não fossem também uma violação grave da fé e da santidade dos sacramentos. Tenho repetidamente insistido que mesmo os actos homossexuais realizados pelos sacerdotes nunca foram tolerados e que a moralidade sexual da Igreja não foi relativizada pela ampla aceitação secular da homossexualidade. Também é necessário distinguir entre conduta pecaminosa em um caso isolado e uma vida passada em estado contínuo de pecado.

Entrevistador - Um dos aspectos problemáticos do caso McCarrick é que já em 2005 e 2007 houve acordos legais com algumas das suas vítimas, mas a Arquidiocese de Newark - então sob o arcebispo John J. Myers - não informou o público sobre isso e nem mesmo os seus próprios sacerdotes. Reteve, portanto, informações essenciais para aqueles que ainda trabalhavam com McCarrick e confiavam nele. O cardeal Joseph Tobin fez o mesmo quando, em 2017, se tornou arcebispo de Newark. Tanto quanto sei, nem Myers nem Tobin se desculparam por essas omissões e por traírem a confiança dos seus padres. Acha que a arquidiocese deveria ter tornado público esses acordos legais, especialmente depois que o "Acordo de Dallas" exigiu maior transparência em 2002?

Cardeal Müller - Noutras ocasiões acreditava-se que poderíamos resolver esses casos difíceis de maneira discreta e silenciosa. Mas desta forma o culpado foi colocado em posição de continuar a abusar da confiança do seu bispo. Na situação de hoje, os católicos e o público em geral têm o direito moral de conhecer esses factos. Não se trata de acusar alguém, mas de aprender com esses erros.

Entrevistador - Pode um problema moral desta magnitude ser resolvido adoptando novas directrizes ou uma profunda conversão de corações é necessária na Igreja?

Cardeal Müller - A origem de toda esta crise deve ser identificada na secularização da Igreja e na redução do padre ao papel de oficial. Em última análise, é o ateísmo que se espalhou para a Igreja. Esse espírito maligno diz que o Revelação (de Deus) sobre a fé e a moral deve ser adaptada ao mundo, independentemente de Deus, de modo que Ele não possa mais interferir numa vida conduzida por seus próprios desejos e necessidades. Apenas 5% dos perpetradores foram avaliados como pedófilos patológicos. A grande parte deles, por outro lado, deliberadamente espezinhou o sexto mandamento por causa de sua própria imoralidade, desafiando a santa vontade de Deus de maneira blasfema.

Entrevistador - O que lhe parece a ideia de instituir novas normas canónicas que prevejam a excomunhão de padres que sejam culpados de abuso?

Cardeal Müller - A excomunhão é uma sanção coerciva que é removida assim que o gerente se arrepende. Mas, no caso de sérios abusos e ofensas à fé e à unidade da Igreja, deve ser imposta a renúncia permanente do estado sacerdotal, isto é, a proibição permanente de agirem como sacerdotes.

Entrevistador - O antigo código de direito canónico de 1917 previa sentenças claras contra os padres envolvidos em abusos e até mesmo padres homossexuais activos. Essas sanções precisas foram amplamente removidas no código de 1983, que é mais vago e nem sequer menciona explicitamente os actos homossexuais. À luz da grave crise de abuso, acha que a Igreja deveria voltar a um sistema mais rigoroso de penalidades para tais casos?

Cardeal Müller - Foi um erro desastroso. As relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo contradizem completamente e directamente o significado e propósito da sexualidade estabelecido desde a criação. Eles são a expressão de instintos e desejos desordenados, da relação fragmentada entre o homem e o seu Criador, depois da queda do pecado original. O sacerdote celibatário, e o sacerdote casado no rito oriental devem ser modelos para o rebanho e, ao mesmo tempo, devem mostrar pelo seu exemplo como a redenção envolve o corpo e as paixões físicas. A doação física e espiritual, em "ágape", em relação à pessoa do sexo oposto, e não o desejo selvagem de satisfação, é esse o significado e propósito da sexualidade. Isso conduz a responsabilidades para com a família e filhos que Deus nos dá.

Entrevistador - Durante a recente assembleia de Baltimore, o cardeal Blase Cupich disse que é necessário "diferenciar" entre actos sexuais entre adultos consensuais e abuso infantil, implicando assim que as relações homossexuais de um padre com outros adultos não seriam um problema importante. O que esse tipo de configuração responde?

Cardeal Müller - É possível diferenciar qualquer coisa - até para considerar a si mesmo um grande intelectual - mas não um pecado grave que exclui uma pessoa do Reino de Deus, pelo menos não um bispo que tem como dever defender a verdade do Evangelho e não limitar-se a saborear o espírito do tempo. Parece ser chegada a hora "que não suportarão a sã doutrina, mas tendo comichão nos ouvidos amontoarão para si doutores para atender os seus próprios desejos, recusando-se a ouvir a verdade e voltando às fábulas." (2 Tim 4, 3ss)

Entrevistador - No seu trabalho como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, teve a oportunidade de ver numerosos casos de abuso por parte dos sacerdotes examinados pela congregação. É verdade que a maioria das vítimas desses casos eram adolescentes do sexo masculino?

Cardeal Müller - Mais de 80% das vítimas desses abusadores sexuais são adolescentes do sexo masculino. No entanto, não se pode concluir que a maioria dos sacerdotes são propensas a prostituição homossexual, mas sim que a maioria dos abusadores procuraram, segundo a desordem profunda das suas paixões, vítimas masculinas. A partir das estatísticas abrangentes do crime, sabemos que a maioria dos autores de abuso sexual são parentes das vítimas e até pais com os seus filhos. Mas a partir disso, não podemos inferir que a maioria dos pais é propensa a tais crimes. Devemos sempre ter cuidado para não fazer generalizações a partir de casos concretos, para não cair em slogans e preconceitos anticlericais.

Entrevistador - Se esta é a situação - e o estudo do abuso sexual conduzido pelos bispos alemães ou o Relatório John Jay dão números semelhantes - a Igreja não deveria abordar directamente o problema da presença de padres homossexuais?

Cardeal Müller - Na minha opinião não há homens homossexuais ou padres. Deus criou o homem e a mulher seres humanos. Mas pode haver homens e mulheres com paixões desordenadas. A união sexual tem o seu lugar apenas no casamento entre um homem e uma mulher. Fora disso só há fornicação e abuso da sexualidade, tanto com pessoas do sexo oposto quanto com o agravamento anti-natural do pecado com pessoas do mesmo sexo. Apenas aqueles que aprenderam a controlar-se satisfazem as condições prévias para receber a ordenação ao sacerdócio (cf. 1 Tm 3, 1-7).

Entrevistador - No momento, parece haver uma situação na Igreja em que não há consenso em reconhecer que os padres homossexualmente activos têm uma grande parcela de responsabilidade na crise do abuso. Mesmo alguns documentos do Vaticano falam de "pedofilia" ou "clericalismo" como problemas principais. O jornalista italiano Andrea Tornielli chegou a argumentar que McCarrick não tinha relações homossexuais, mas exercia o seu poder sobre os outros. Ao mesmo tempo, há aqueles, como o jesuíta James Martin, que viaja pelo mundo (mesmo convidado para o encontro mundial de famílias na Irlanda) para promover a ideia de "católicos LGBT" e até afirma que alguns santos eram provavelmente homossexuais. . Isso quer dizer que hoje há uma forte tendência na Igreja que leva à minimização do carácter pecaminoso das relações entre pessoas do mesmo sexo. Acha que é assim? E se sim, como poderia - e deveria - remediar?

Cardeal Müller - É parte da crise que não querer ver as causas reais e escondê-las com a ajuda das frases de propaganda do lobby homossexual. A fornicação com adolescentes e adultos é um pecado mortal e nenhum poder na Terra pode declarar isso moralmente neutro. É a obra do diabo - contra a qual o Papa Francisco frequentemente adverte - declarar que o pecado é bom. De facto é absurdo que, de repente, as autoridades eclesiásticas considerem slogans anticlericais, nazistas e comunistas anticlericais contra os padres sacramentalmente ordenados. 

Os sacerdotes estão investidos da autoridade para proclamar o Evangelho e administrar os sacramentos da graça. Se alguém abusa da sua jurisdição para alcançar objectivos egoístas ele não é clericalista, mas sim anti-clerical, porque nega que Cristo quer trabalhar através dele. O abuso sexual pelo clero deve, portanto, ser chamado de anticlerical no mais alto grau. Mas é óbvio - e poderia ser negado apenas por aqueles que querem ser cegos - que o pecado contra o sexto mandamento do Decálogo têm origem em inclinações desordenadas e por isso são pecados de fornicação que excluem do Reino de Deus, pelo menos até que haja arrependimento e expiação, e intenção firme de evitar tais pecados no futuro. Essa tentativa de ofuscar as coisas é um mau sinal de secularização da Igreja. Isso é pensar como o mundo, não de acordo com a vontade de Deus.

Entrevistador - Rumores do mesmo teor poderiam ser ouvidos no recente Sínodo sobre os jovens em Roma. O documento de trabalho utilizados pela primeira vez a fórmula "LGBT", enquanto o documento final enfatizou a necessidade de boas-vindas nos homossexuais da Igreja, rejeitando "todas as formas de discriminação" contra eles. Não seria esse tipo de afirmação realmente prejudicial à prática constante da Igreja de não empregar homossexuais activos, por exemplo, como professores em escolas católicas?

Cardeal Müller - A ideologia LGBT é baseada em uma falsa antropologia que nega a Deus como Criador. Como é essencialmente ateu ou, pelo menos, coloca o conceito cristão de Deus à margem, não pode ter lugar nos documentos da Igreja. Este é um exemplo da influência insidiosa do ateísmo na Igreja, responsável por mais de meio século da crise da Igreja. Infelizmente, essa ideologia está presente mente de alguns pastores que, na sua ingénua convicção de serem modernos, não percebem o veneno que bebem todos os dias e acabam por o dar de beber aos outros.

Tradução Senza Pagare



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Cardeal Sarah encontrou-se com o Papa Bento XVI

Na passada Quarta-Feira, dia 28 de Novembro, o Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, visitou o Papa Bento XVI no Mosteiro Mater Ecclesiae, no Vaticano. Um dos propósitos do encontro foi oferecer ao Papa Bento uma imagem de Nossa Senhora com o Menino Jesus ao colo, feita para comemorar os 50 anos da sua ordenação sacerdotal do Cardeal.




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quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Papa João XXIII na Sede Gestatória



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Novena da Imaculada Conceição

Rezar estas orações em cada um dos 9 dias da Novena, pedindo em cada um deles pelas intenções pelas quais a quer oferecer.

Avé Maria Puríssima, concebida sem pecado!

Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Ámen.

Louvemos e demos graças à Trindade Augusta de Deus que nos mostrou a Virgem vestida de sol, calçada de lua e coroada de doze estrelas (Pai-Nosso)

Louvemos e demos graças ao Pai Eterno que escolheu Maria para Filha (Glória ao Pai)

1. Louvado seja o Pai Eterno que predestinou Maria para Mãe do Seu Filho (Avé-Maria)
2. Louvado seja o Pai Eterno que preservou Maria de toda a culpa (Avé-Maria)
3. Louvado seja o Pai Eterno que adornou Maria com todas as virtudes (Avé-Maria)
4. Louvado seja o Pai Eterno que deu a Maria por esposo o puríssimo São José (Avé-Maria)

Louvemos e demos graças ao Filho de Deus, que escolheu Maria para Sua Mãe (Glória ao Pai)

5. Louvado seja o Filho de Deus que se encarnou e habitou em Maria Santíssima (Avé-Maria)
6. Louvado seja o Filho de Deus que nasceu de Maria sempre Virgem (Avé-Maria)
7. Louvado seja o Filho de Deus que deu a Maria todo o poder (Avé-Maria)
8. Louvado seja o Filho de Deus que nos deu Maria por Mãe (Avé-Maria)

Louvemos e demos graças ao Espírito Santo que escolheu Maria por sua esposa (Glória ao Pai)

9. Louvado seja o Espírito Santo por Quem Maria foi Virgem e Mãe (Avé-Maria)
10. Louvado seja o Espírito Santo por Quem Maria foi templo da Santíssima Trindade (Avé-Maria)
11. Louvado seja o Espírito Santo por Quem Maria foi assumpta ao Céu (Avé-Maria)
12. Louvado seja o Espírito Santo por Quem Maria foi medianeira de todas as graças (Avé-Maria)

V/ Bendita seja a Santa e Imaculada Conceição.
R/ Da Bem-aventurada Virgem Maria.

V/ Ó Maria concebida sem pecado.
R/ Rogai por nós que recorremos a Vós.

Oração (da Missa de 8 de Dezembro):
Ó Deus, que pela Imaculada Conceição da Virgem preparastes para Vosso Filho digna morada, nós Vos suplicamos humildemente que, assim como, em atenção aos merecimentos desse mesmo Filho, Vos dignastes preservá-la de toda mácula, nos concedais igualmente, por sua intercessão, a graça de chegarmos a Vós limpos do pecado. Pelo mesmo Jesus Cristo Nosso Senhor. Ámen

Oração (escrita por São Pio X):
Virgem santa que agradastes ao Senhor a ponto de vos tornardes Sua Mãe, Virgem Imaculada no corpo, na alma, na fé, no amor, olhai com bondade os infelizes que imploram a vossa poderosa protecção. A serpente infernal contra a qual foi lançada a primeira maldição continua a combater e a tentar os pobres filhos de Eva.

Vós, nossa Mãe abençoada, nossa Rainha, nossa advogada, vós que esmagastes a cabeça do inimigo desde o primeiro instante de vossa Conceição, recebei as nossas orações e, nós vos suplicamos, unidos num único coração, apresentai-as diante do trono de Deus, para que nunca nos deixemos cair nas armadilhas que nos são preparadas, mas que cheguemos todos ao porto da Salvação e que, no meio de tantos perigos, a Igreja e a sociedade cristã cantem mais uma vez o hino da liberdade, da vitória e da paz. Ámen


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quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Reportagem do "Messa in Latino" sobre a Missa Tradicional em Lisboa

Portugal, Lisboa: a Missa Tradicional está a ter bastante sucesso!

Como é facilmente constatável, viajando por aqui e por ali, os maiores obstáculos à Missa Tridentina encontram-se, ironicamente, nos países de língua latina: França, Itália, Espanha...Assim sendo, perguntámo-nos: e em Portugal como estão as coisas? A este respeito, propomos este breve resumo que nos foi enviado pelo nosso correspondente, que viajou até à capital de Portugal há poucos dias.

Boas notícias: a Missa Tradicional, que começou a ser celebrada recentemente de maneira estável na cidade, está a ter muito sucesso, especialmente entre jovens e famílias. Em Lisboa, até 2017, não existiam celebrações estáveis (NT: diariamente). Bem, por ocasião dos 10 anos do Motu Proprio (NT: Summorum Pontificum), algo mudou.

De facto, há cerca de um ano e meio, um jovem padre diocesano, vigário paroquial da Paróquia São Nicolau (na Baixa de Lisboa), decidiu começar a celebrar de maneira permanente. E assim, a partir de Julho de 2017, a Santa Missa Tridentina é celebrada todos os dias da semana às 19h (e no Sábado às 11h) na igreja de Nossa Senhora da Conceição Velha (na Rua da Alfândega), a poucos passos da Catedral. 

A iniciativa foi imediatamente um grande sucesso! Embora seja uma mera celebração ferial (de Segunda a Sábado) são muitos jovens e, em geral, os fiéis que nela participam.

Posteriormente, a partir do último mês de Julho de 2018, o vigário paroquial, apoiado por vários fiéis começou a celebrar regularmente aos Domingos de manhã, às 11 horas, na igreja paroquial de São Nicolau. 

Falando da Missa de Domingo, pode-se notar que, embora só tenha começado em Julho passado, a participação é muito significativa!  E, mais uma vez, são principalmente os jovens e as famílias com crianças que acorrem à celebração. 

Em última análise, para aqueles que visitam Lisboa, aqui estão as horas das Missas (atualizadas em Novembro de 2018):

Igreja de Nossa Senhora da Conceição Velha: Segunda a Sexta-Feira às 19h00; Sábado às 11 horas. 
Igreja Paroquial de São Nicolau: Domingo às 11 horas.

Por fim, deve acrescentar-se que estas não são as únicas Missas Tradicionais celebradas na cidade. No passado Sábado, 17 de Novembro, visitando (casualmente!) a impressionante igreja do mosteiro de São Vicente de Fora, deparámo-nos com uma Missa ocasional, celebrada por um aniversário, que não pudemos identificar, referente a um dos últimos Reis lusitanos (NT: Tratava-se de uma Missa pela alma do Rei D. Miguel, por ocasião dos 152 anos da sua morte).

in blog.messainlatino.it


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terça-feira, 27 de novembro de 2018

A Medalha Milagrosa e a conversão de Afonso Ratisbonne

Este é um pequeno resumo da inesperada e súbita conversão do austríaco Afonso Ratisbonne. Afonso era judeu e maçon. Nutria pela Igreja Católica, e tudo o que estivesse relacionado com o catolicismo, um profundo ódio e desdém. Poucos dias antes da sua conversão, tinha aceitado usar no bolso uma medalha de Nossa Senhora das Graças (medalha milagrosa) para provar que não tinha qualquer efeito.

20 de Janeiro de 1842: Ratisbonne encontrava-se em Roma. Saindo de um café onde acabara de conversar com dois amigos, encontra a carruagem do Barão de Bussière que o convida para dar um passeio. Afonso, sem muito entusiasmo, mas para não fazer uma descortesia àquele do qual pouco antes tinha sido hóspede, aceita o convite. Acharam-se logo diante da igreja de Sant'Andrea delle Fratte. O piedoso conde de Laferronays devia receber as honras fúnebres e o Barão de Bussière fora encarregado de reservar uma tribuna para a família do defunto.

“Será coisa de dois minutos", diz ele a Afonso que, durante este tempo resolve visitar a igreja. Tenta Afonso descrever o que então se passou na sua alma: “Esta igreja é pobre e deserta; creio que nela me achei mais ou menos só… Nenhum objecto de arte atraiu a minha atenção… Subitamente nada mais vejo… ou antes, ó meu Deus, vejo uma só coisa! Como seria possível falar do que vi? Oh! não, a palavra humana não deve tentar exprimir o que se não pode exprimir; toda descrição, por sublime que seja, não seria mais que uma profanação da inefável realidade…”

Tornando à igreja, o Barão de Bussière não encontra Afonso onde o havia deixado, mas ajoelhado diante da capela de São Miguel Arcanjo e de São Rafael, submergido em profundo recolhimento.

“A esta vista, pressentindo um milagre - depõe o barão - apoderou-se de mim um frémito religioso. Dirijo-me a ele, agito-o várias vezes sem que ele dê conta da minha presença. Finalmente, voltando para mim o seu rosto banhado de lágrimas, junta as mãos e me diz: “Oh! como este senhor rezou por mim!”

Compreendi logo que se tratava do falecido Conde de Laferronays. Amparado, quase levado por mim, sobe à carruagem. Onde quereis ir? pergunto-lhe eu.

“Levai-me para onde quiserdes. Depois do que vi, obedeço”.

Declara-me em seguida que só falará com o consentimento de um padre, porque "o que eu vi – acrescenta ele – só o posso dizer de joelhos”.

Conduzido à igreja do Gesú, dos padres jesuítas, ao lado do padre Villefort que o convida a explicar-se, tira Afonso a medalha, abraça-a, mostra-a e exclama: “Eu vi-A! Eu vi-A!… Havia uns instantes que eu estava na igreja, quando repentinamente me senti dominado por uma turbação inexprimível. Ergui os olhos; todo o edifício desparecera à minha vista; só uma capela tinha, por assim dizer, concentrada toda a luz; e, no meio desta irradiação, apareceu, em pé sobre o altar, grande, brilhante, cheia de majestade de doçura a Virgem Maria, tal qual está na minha medalha; uma força irresistível atraiu-me para ela. A Virgem com a mão fez-me sinal para que me ajoelhasse. Pareceu dizer-me: “Está bem! Não me falou nada, mas eu compreendi tudo”.

Mais tarde dirigiu-se Afonso à Basílica de Santa Maria Maior a fim de agradecer à sua celeste benfeitora o grande benefício recebido.

Ao entrar na capela de Nossa Senhora, exclamou: “Oh! como estou bem aqui! Gostaria de ficar aqui para sempre: parece-me que já não estou na Terra!”

Ao fazer a visita ao Santíssimo Sacramento, por pouco não desfaleceu. Apavorado, exclamou: “que coisa horrível estar na presença do Deus vivo sem ser baptizado!”

Afirma o Padre Roothan, geral da Companhia de Jesus, que “depois da sua conversão o senso da fé nele se manifestava de modo tão intenso que lhe fazia sentir, penetrar e reter tudo o que lhe era proposto, tanto que em pouco tempo o julgaram suficientemente instruído para receber o santo Baptismo”.

Ratisbonne recebeu sem dúvida uma assistência toda especial de Deus e da Santíssima Virgem.

A 31 de Janeiro, 11 dias após a aparição, Afonso Ratisbonne abjura solenemente à maçonaria e recebe o baptismo na igreja do Gesú das mãos do cardeal Patrizzi. O vasto e sumptuoso templo estava repleto. Ali se encontrava o escol da sociedade romana e estrangeira. Acompanhado pelo Padre Villefort e pelo seu padrinho, o barão de Bussière, Afonso foi levado à porta da igreja. Vestido de uma longa túnica de damasco branco, trazia o Terço e a medalha de Nossa Senhora nas mãos.

– Que pedes à Igreja de Deus? pergunta-lhe o oficiante.
– A fé!

Ah! diz uma testemunha ocular dessa cena majestosa, já tinha a fé católica aquele a quem a Estrela da Manhã iluminara com os seus raios.

Afonso beija a terra e fica prostrado até ao fim dos exorcismos.

Levanta-se e, guiado pelo pontífice, encaminha-se para o altar entre as bênçãos de uma imensa multidão que respeitosamente se abre à sua passagem.

Perguntam-lhe qual é o seu nome.

– Maria! responde num arrebatamento de amor e de gratidão.
– Que desejas?
– O baptismo.
– Crês em Jesus Cristo?
– Creio!
– Queres ser baptizado?
– Quero!

Com um sorriso de celeste beatitude levantou sua cabeça ainda humedecida da água baptismal. Acabava de transpor um abismo: era cristão.

Afonso, cheio de Deus, radicalmente transformado pela graça, deixa o mundo e entra na Companhia de Jesus. Nela viveu dez anos vida exemplar e só a deixou, desfeito em lágrimas, para fazer a vontade de Deus que o queria ao lado do seu irmão, o Padre Teodoro, para com ele trabalhar numa obra tão grata ao mesmo Deus e de tanta relevância: a conversão dos judeus.

O piedoso Padre Maria Afonso Ratisbonne nunca se esqueceu da sua Mãe amantíssima que o arrancou das trevas da incredulidade para os esplendores da verdadeira fé.

Inclinava-se profundamente sempre que ouvia no canto das ladainhas a invocação: “Refúgio dos pecadores, rogai por nós!”

Os que o ouviam falar da sua Mãe Celeste adivinhavam o que se passava no seu coração; o seu olhar fulgurante parecia que ainda contemplava a mais bela e a mais pura das virgens.

A medalha milagrosa, que exercera papel preponderante na sua conversão, era o seu mais caro tesouro. Julgou um dia que a havia perdido; a sua aflição foi extrema; parecia-lhe que fora abandonado pela Virgem misericordiosíssima. As suas lágrimas não cessaram de correr até que a encontrou.

Maria Santíssima foi a sua consolação em todas as penas e o seu grande motivo de esperança em todas as provações. Dizia que Maria Santíssima não é outra coisa que uma mão de Deus, não a mão que castiga, mas a mão das misericórdias.

Dizem os historiadores que quando o Padre Ratisbonne pregava sobre Nossa Senhora, todos os ouvintes se comoviam, muitos pecadores se convertiam. 

Padre Élcio Murucci in Fratres in Unum


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segunda-feira, 26 de novembro de 2018

Oração pelas Almas do Purgatório



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Morreu o Bispo Robert Morlino

Morreu o Bispo de Madison, Robert Morlino. Tinha 71 anos e era Bispo de Madison há 15 anos. Morreu 3 dias depois de ter tido uma crise cardíaca. 

O Bispo Morlino era um grande apoiante da Missa Tradicional e das vocações sacerdotais. Quando o Bispo chegou à diocese, em 2003, o seminário contava apenas com 6 seminaristas. Hoje em dia existem cerca de 50 seminaristas naquela diocese.

Roberto Morlino foi também dos Bispos mais activos contra a crise dos abusos sexuais na Igreja americana, tendo escrito recentemente uma dura carta em relação a esse assunto: http://www.madisoncatholicherald.org/bishopsletters/7730-letter-scandal.html

Rezemos pelo descanso eterno deste corajoso Sucessor dos Apóstolos:

Da nobis, Dómine, ut ánimam fámuli tui Roberti Epíscopi, quam de hujus sáeculi eduxisti laborióso certámine, Sanctórum tuórum tríbuas esse consortem. Per Christum, Dóminum nostrum. R. Amen.


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domingo, 25 de novembro de 2018

Qual é a utilidade de ter gente fechada em celas a rezar?

A Ordem dos Cartuxos, fundada por São Bruno, tem como base uma vida de solidão, silêncio e oração. É assim que nos próprios Estatutos a Ordem define a sua missão no Mundo:

Quanta utilidade e gozo divino trazem consigo a solidão e o silêncio do deserto a quem os ama, só o sabe quem o experimentou. Mas esta melhor parte não a elegemos unicamente para nosso próprio proveito. Ao abraçar a vida oculta não abandonamos à família humana, senão que, consagrando-nos exclusivamente a Deus cumprimos uma missão na Igreja onde o visível está ordenado ao invisível, a acção à contemplação.

Se realmente estamos unidos a Deus, não nos encerramos em nós mesmos, pelo contrário, a nossa mente abre-se e o nosso coração dilata-se; de tal forma que possa abarcar o universo inteiro e o mistério salvador de Cristo. Separados de todos unimo-nos a todos para, em nome de todos, permanecer na presença do Deus vivo. Esta forma de vida que, quanto o permite a condição humana, orienta-se a Deus de forma directa e contínua, põe-nos num contacto peculiar com a bem-aventurada Virgem Maria, à que costumamos chamar Mãe singular dos Cartuxos.

Tendendo pela nossa Profissão unicamente para Aquele que é, damos testemunho perante um mundo demasiado implicado nas coisas terrenas, de que fora d'Ele não há Deus. A nossa vida manifesta que os bens celestiais estão presentes já neste mundo, preanuncia a ressurreição e antecipa de algum modo a renovação do mundo.

Por fim, pela penitência tomamos parte na obra redentora de Cristo, que sobretudo com a oração ao Pai e a Sua imolação salvou o género humano cativo e oprimido pelo pecado. Assim, procurando associar-nos a este aspecto mais profundo da Redenção de Cristo, apesar de nos abstermos da actividade exterior, exercemos o apostolado de maneira eminente.

Por isso, entregando-nos à quietude da cela e o trabalhando oferecemos a Deus um culto incessante em Seu louvor, para o qual foi especialmente instituída a Ordem eremítica da Cartuxa, a fim de que, santificados na verdade, sejamos os verdadeiros adoradores que o Pai pretende.

in Estatutos da Ordem dos Cartuxos, 34


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O Mito da Superpopulação e a Nova Moralidade

Muitos dos que viveram os anos 60 recordam claramente a publicação de “A Bomba Populacional”, de Paul Ehrlich, em 1968, que assustou o público e influenciou os media no que diz respeito à percepção da demografia. Ehrlich reavivou a já desacreditada teoria de Thomas Malthus, do século dezoito, que defendia que a população mundial iria sobrepor-se sempre aos recursos alimentares a não ser que fosse drasticamente reduzida. Ehrlich avisou que na década de 70 se iriam fazer sentir grandes fomes e que até ao fim do século XX centenas de milhões morreriam de subnutrição, a Índia ia colapsar e a Inglaterra desapareceria.

O livro de Ehrlich não foi o primeiro passo no pânico geral sobre a superpopulação, tendo sido antecedida por medidas da administração Johnson. Num discurso nas Nações Unidas em 1965 Johnson disse que “cinco dólares investidos no controlo da população valem cem dólares investidos no crescimento económico”. O Presidente insistiu ainda que fossem implementados programas de esterilização na Índia como condição para apoio alimentar americano.

O controlo populacional tornou-se finalmente um dogma político quando o Memorando de Estudo da Segurança Nacional sobre as “Implicações do Crescimento Populacional Mundial para os Interesses Externos e Segurança dos Estados Unidos”, foi formalmente adoptado como política externa americana. Em 1976 um memorando pedia aos Estados Unidos que “usassem o apoio alimentar para impor o controlo populacional à escala global”.

Esta política mantém-se. Os fundos designados para apoio externo dependem do controlo populacional. Contraceptivos, e não comida ou medicamentos, são frequentemente os principais produtos entregues em áreas estratégicas. Stephen Mosher, autor de Population Control: Real Costs, Illusory Benefits, [Controlo Populacional: Custos Reais, Benefícios Imaginários] cita esta queixa de um obstetra queniano:

“O nosso sistema de saúde está em ruptura. Milhares de quenianos vão morrer de Malária, cujo tratamento custa poucos cêntimos, em clínicas cujas prateleiras estão repletas de comprimidos [contraceptivos], DIU, Norplant, Depo-Provera e por aí fora, no valor de milhões de dólares, a maioria dos quais fornecidos com dinheiro americano.”

Este desejo alargado de diminuir a população mundial é, à primeira vista, algo estranho. É que o mundo não está propriamente a ficar sem espaço. Em 2007 o site www.populationmyth.compublicou um mapa dos Estados Unidos que mostrava como os 6,5 mil milhões de pessoas então vivas no planeta conseguiam caber em cada um dos Estados do país. É verdade que em Rhode Island só se ficava com pouco mais de um metro quadrado por pessoa, mas no Texas dá quase 350 metros quadrados.

Mais recentemente o Instituto de Pesquisa Populacional (www.pop.org) deu seguimento ao exemplo do Texas e publicou no YouTube um cartoon que mostra que se todas as sete mil milhões de pessoas pudessem ser transportadas para o Texas, cada família teria espaço para ter uma casa com jardim (presumivelmente a construção de prédios daria para melhorar a média de metros quadrados por pessoa). Um engenheiro foi ainda mais longe e mostrou no seu blog www.simplyshrug.com que seria possível fornecer água e comida pelo Rio Columbia e terreno agrícola para sustentar esta migração hipotética.


O problema, portanto, não é de falta de espaço. Então o que se quer dizer por superpopulação? Evidentemente o problema é o excesso de pobres, associado à ideia de que se de alguma maneira fosse possível evitar que os pobres se reproduzissem, seriam capazes de escapar à pobreza.

Mas digamos que conseguíamos diminuir a população mundial num terço. Isso significaria a diminuição automática da percentagem de pobres? Não necessariamente. A percentagem poderia até crescer de forma astronómica. Pais envelhecidos, sem a ajuda de um número cada vez menor de filhos e parentes, dependendo do Estado; economias em ruínas devido à falta de trabalhadores, rebeldes a tomar o poder e a criar novas versões de escravatura, líderes políticos a atribuírem mais poder a si mesmos sem quaisquer restrições constitucionais, e por aí fora.

Por outras palavras, aquilo a que se chama “superpopulação” no fundo não passa do problema milenar económico-político de uma justa administração dos recursos mundiais. Trata-se de um problema político e geopolítico complexo que nunca se pode resolver com soluções simplistas como reduzir o número de pessoas no mundo. De facto, a aplicação desta “solução” levou ao perigo de um “Inverno demográfico” entre europeus, russos, japoneses e outras comunidades políticas que, por causa da descida do número de nascimentos, caminham para a “não-renovação” e possibilidade de deixarem de existir dentro de algumas gerações.

A encíclica Humane Vitae, de Paulo VI, sobre a contracepção, surgiu no mesmo ano que o livro de Ehrlich e deu lugar imediatamente a uma tempestade de protestos entre os católicos, começando por uma declaração assinada por 200 teólogos católicos e publicado no New York Times no dia 30 de Julho de 1968, que assegurava todas as pessoas com dúvidas de consciência de que se podia discordar legitimamente do Magistério quando este entrava em conflito com o “sentido dos Fiéis”. As consciências católicas, já formadas pela ortodoxia “científica” de que o mundo já estava muito sobrepovoado, passaram a justificar a sua dissensão no tema da contracepção nesta base.

Surgiram então novos conceitos de virtude. Os casais que usavam contraceptivos podiam-se orgulhar do facto de não estar a contribuir para um problema mundialmente conhecido. Não ter filhos podia ser entendido como a mais alta medida de preocupação social! Os educadores e políticos que ensinavam “sexo seguro” podiam respirar fundo, aliviados pelo facto de estarem a cumprir o seu papel em limitar o número de pobres nas cidades.

Mesmo os pró-vida podiam promover os contraceptivos como forma de diminuir o número de abortos. Governos ditatoriais, como a China, podiam impor políticas do “filho único”, enquanto os Governos de tradição mais democrática, como os Estados Unidos, podiam simplesmente exigir às seguradoras que cobrissem os custos de contraceptivos e processos de esterilização, na esperança de poder chegar a algo do género da política do “filho único” eventualmente, quando se tornasse mais aceitável para os cidadãos.

A desgraça dos grandes problemas é a tentação de recorrer a soluções simplistas para os ultrapassar. A preocupação com o acesso a, refinação ou cultivo de, e distribuição de, recursos humanos é um problema global e político interminável e perene. Mas é um problema que não pode ser resolvido, e até pode ser piorado, pelos movimentos que tentam combater a superpopulação com contraceptivos.

Howard Kainz in 'The Catholic Thing' via 'Actualidade Religiosa'


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sábado, 24 de novembro de 2018

Poema de São João da Cruz cantado pelas Carmelitas de Fátima

Embora seja noite 
(uma referência à noite espiritual)

Bem eu sei a fonte que mana e corre
Embora seja noite.

Aquela eterna fonte está escondida
mas sei bem d’onde é suprida
Embora seja noite.

A sua origem desconheço, pois não a tem
mas sei que toda origem dela vem,
Embora seja noite.

Sei que não pode haver coisa tão bela
e que céus e terra bebem dela,
Embora seja noite.

Sei bem que fundo nela não se acha,
e que ninguém pode atravessá-la,
Embora seja noite.

A sua claridade não é nunca escurecida
e sei que a sua luz toda já é vinda,
Embora seja noite.

Sei ser tão caudalosas suas correntes
que regam céus, infernos e as gentes,
Embora seja noite.

A corrente que nasce desta fonte
sei que é forte e omnipotente,
Embora seja noite.

E das duas a corrente que procede
sei que nenhuma delas a precede,
Embora seja noite.

E esta eterna fonte está escondida
neste vivo Pão para dar-nos vida,
Embora seja noite.

Aqui ela está chamando as criaturas
e se fartam desta água, ainda que às escuras
porque é de noite.

Esta viva fonte que desejo
neste Pão de vida a vejo,
Embora seja noite.

São João da Cruz, doutor da Igreja e reformador carmelita


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11 pensamentos de S. João da Cruz muito úteis para fazer meditação

1. "O amor consiste em despojar-se e desapegar-se, por Deus, de tudo o que não é Ele."

2. "Para buscar a Deus, requer-se um coração despojado e forte, livre de tudo o que não é puramente Deus."

3. "Que felicidade o homem poder libertar-se da sensualidade! Isto não pode ser bem compreendido, a meu ver, senão por quem o experimentou. Só então verá claramente como era miserável a escravidão em que se estava."

4. "Adquire-se a sabedoria através do amor, do silêncio e da mortificação; grande sabedoria é saber calar e não inserir-se em ditos ou fatos e na vida alheia."

5. "O amor não consiste em sentir grandes coisas, mas em despojar-se e sofrer pelo Amado."

6. "Quem não busca a cruz de Cristo não busca a glória de Cristo."

7. "Quando tiveres algum aborrecimento e desgosto, lembra-te de Cristo crucificado e cala-te."

8. "A alma que busca a Deus e permanece nos seus desejos e comodismo, procura-O de noite, e, portanto, não o encontrará. Mas quem o busca através das obras e exercícios da virtude, deixando de lado os seus gostos e prazeres, certamente o encontrará, pois procura-O de dia."

9. "A mosca que pousa no mel não pode voar; a alma que fica presa ao sabor do prazer sente-se impedida em sua liberdade e contemplação."

10. "Por causa de prazeres passageiros, sofrem-se grandes tormentos eternos."

11. "Quem se queixa ou murmura não é cristão perfeito, nem mesmo bom cristão."


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sexta-feira, 23 de novembro de 2018

O sacrifício da Missa sempre foi oferecido virado para Deus

O sacerdote coloca-se diante do altar do sacrifício, não atrás. O mesmo fazia o sacerdote entre os pagãos. No santuário, o seu olhar se dirigia para a representação da divindade a quem se oferecia o sacrifício. 

O mesmo se fazia no Templo de Jerusalém, onde o sacerdote encarregado de oferecer a vítima se colocava diante da “mesa do Senhor” (cf. Ml 1,12), como se chamava o grande altar dos holocaustos situado no centro do Templo, de frente para o templo interior, que guardava a arca da aliança no Santos dos Santos, lugar onde habita o Altíssimo (cf. Sl 16,15). 

O celebrante está separado da multidão e põe-se diante desta, diante do altar e voltado para a divindade. Sempre as pessoas que oferecem um sacrifício estão voltadas para aquele a quem se destina o sacrifício e, nunca, para os que participam na cerimónia.

Klaus Gamber in 'Voltados para o Senhor' (pág. 27 - tradução de Luís A. R. Domingues, ARS)


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Algo não está bem quando os animais têm mais direitos do que os seres humanos



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quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Quem rezar salva-se, quem não reza não se salva

Quem reza salva-se, quem não reza não se salva. Todos os santos, excepto as crianças (antes da idade da razão), se salvaram com a oração. Todos os que se condenaram condenaram-se por não rezar, se tivessem rezado não se teriam perdido. E este é, e será, o seu maior desespero no inferno: que poderiam ter-se salvado com tanta facilidade; bastava pedir a Deus as graças, e agora já não é possível pedi-las.

Resumindo, salvar-se sem rezar é dificílimo, diria até impossível; mas rezando, a salvação é segura e facílima.

Santo Afonso Maria de Ligório in 'Del Gran Mezzo della Preghiera'


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Reabertura da esplendorosa Ópera Margrave, obra-prima do barroco



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Santa Cecília, padroeira dos músicos e artistas

Santa Cecília nasceu provavelmente no ano 150, em Roma. Era filha de um senador romano, da nobre família dos Metelos. Era cristã, e desde pequena fez voto de castidade para viver o amor de Deus e de Cristo. Como cristã, numa época tão antiga, e em Roma, certamente herdou a Fé dos discípulos de São Paulo, que levou a Fé até Roma, e de São Pedro, o primeiro Papa. Cecília herdou a Fé desses santos homens e de tantos outros que foram martirizados exatamente em Roma. O Cristianismo que Cecília recebeu em sua formação, era o Cristianismo dos mártires, dos heróis da Fé. Cecília foi cristã numa Igreja perseguida, numa Igreja que ainda era minoritária, porém, cheia de profunda fé, esperança e coragem.

No transcorrer normal da sua vida, quando jovem, Santa Cecília foi prometida e dada em casamento a um jovem chamado Valeriano. No dia do casamento, ela estava muito triste. Então, chamou o seu noivo e contou-lhe toda verdade sobre sua Fé. Disse que tinha feito um voto de castidade para Deus, e começou a falar das glórias de Deus e de Jesus Cristo ao jovem, que a ouvia boquiaberto com a força das suas palavras e a convicção que vinha do seu coração. Tal foi o poder das palavras de Cecília que, após ouvi-la, ele se converteu, entendeu a promessa da sua noiva e disse que iria respeitar a sua decisão. Naquela mesma noite ele recebeu o Batismo. Valeriano contou ao seu irmão Tibúrcio o que acontecera e este também, impressionado, se converteu. Ambos eram pagãos.

Santa Cecília, então, vendo a maravilha que Deus fazia através dela, agradecida, cantou para Deus: "Senhor, guardai sem manchas o meu corpo e minha alma, para que não seja confundida". Foi um canto inspirado e emocionante, que tocou profundamente o coração de todos. 

O prefeito de Roma, Turcius Almachius, teve conhecimento da conversão dos dois irmãos e ambicionou o tesouro (património) dos dois, visto serem nobres e ricos. Estes, no entanto, já tinham distribuído todos os seus bens aos pobres. O prefeito de Roma exigiu, então, sob pena de morte, que os dois abandonassem a nova Fé. Mas eles, alimentados com a força do Cristianismo nascente e cheios do poder de Deus, não renegaram a sua Fé. Assim, foram condenados à morte e decapitados. 

Santa Cecília foi chamada ao conselho romano logo em seguida. Isso aconteceu provavelmente no ano 180. O conselho exigiu primeiro que ela revelasse onde estaria o tesouro dos dois irmãos. Ela disse que tudo já tinha sido distribuído aos pobres.O prefeito, furioso, exigiu que ela renunciasse a Fé Cristã e adorasse aos deuses romanos. Cecília negou-se mostrando muita coragem e serenidade diante de todos. Condenaram-na à tortura. Mas, estando diante dos soldados romanos para ser torturada, ela falou-lhes sobre as maravilhas de Deus, sobre a verdadeira Religião, sobre sentido da vida, que é o seguimento de Jesus Cristo. Os soldados, maravilhados com uma mensagem que nunca tinham ouvido, ficaram do lado de Cecília, dizendo que iriam abandonar o culto aos deuses. Essas inúmeras conversões foram milagres que Deus operou através de Santa Cecília, para que essas pessoas alcançassem a felicidade e a salvação.

O prefeito, então, aborrecido e furioso, deu ordens para outros algozes trancarem Santa Cecília no balneário de águas quentes do seu próprio castelo, logo na entrada dos vapores. Ali, ela seria asfixiada pelos vapores ferventes que aqueciam as águas. Ninguém conseguia ficar ali por mais de alguns minutos. Era morte certa. Porém, para surpresa de todos, milagrosamente ela foi protegida e nada lhe aconteceu. Todos ficavam impressionados com a Fé daquela jovem, frágil, que enfrentava a morte sem receio por causa da grande Fé que tinha em seu coração. 

Mas o prefeito, irredutível, mandou que ela fosse morta com três golpes de machado em seu pescoço. O algoz obedeceu, mas não conseguiu arrancar a sua cabeça, coisa que ele estava acostumado a fazer com apenas uma machadada. Santa Cecília permaneceu viva ainda por 3 dias, conversando e dando conselhos a todos que corriam para vê-la e rezar por ela.  

Por fim, pressentindo sua morte iminente, Santa Cecília pediu ao Papa que entregasse todos os seus bens aos pobres e transformasse a sua casa numa igreja. Antes da sua morte, durante os seus últimos momentos neste mundo, ao sentir que a sua missão estava cumprida, mesmo sendo ainda tão jovem, Cecília conseguiu cantar louvando a Deus, cantando as maravilhas de Deus. Por isso, ela é a padroeira dos músicos e da música sacra. 

Depois disso, a fisicamente frágil e interiormente forte jovem romana que desafiou os poderes deste mundo entregou o seu espírito ao Pai Celestial. Após a sua morte foi sepultada pelos cristãos na catacumba de São Calisto e desde então passou a ser venerada como mártir. 

O túmulo de Santa Cecília ficou desaparecido por muitos séculos. No século IX, Santa Cecília apareceu ao Papa Pascoal I (817-824). Logo depois, o seu túmulo foi encontrado e lá estava o caixão com as relíquias da Santa. O corpo dela estava intacto, na mesma posição em que ela fora enterrada. Ao lado da Santa estavam também os corpos de Valeriano e Tiburcio.  No ano de 1599, o Cardeal Sfondrati mandou abrir o túmulo de Santa Cecília, e o seu corpo foi encontrado na mesma posição que estava quando o Papa Pascoal I a encontrou.

in farfaline.blogspot.com

Oração a Santa Cecília

Ó Virgem e mártir, Santa Cecília, pela fé viva que vos animou desde a infância, tornando-vos tão agradável a Deus e ao próximo, merecendo-vos a coroa do martírio, convertendo pagãos ao Cristianismo, alcançai-nos a graça de progredir cada vez mais na Fé e a professá-la através do testemunho das boas obras, especialmente servindo aos irmãos necessitados. 

Alcançai-nos também a graça de sempre louvar a Deus com canções espirituais. Gloriosa Santa Cecília, que os vossos exemplos de Fé e virtude sejam para todos nós um brado de alerta, para que estejamos sempre atentos à vontade de Deus, na prosperidade como nas provações, no caminho do Céu e da salvação eterna. 

Santa Cecília, padroeira dos músicos e artistas, rogai por nós. 


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