segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Sem cristianismo os pagãos seriam humanistas?

Claro que houve uma Idade de Trevas que se seguiu ao declínio da velha civilização pagã (a queda do Império Romano do ocidente); mas não foi pela religião que a civilização caiu.

Pelo contrário, foi pela religião que essa idade foi iluminada. Muita gente afirma que sem "superstição" (ou seja, religião) teria havido sempre progresso; pelo contrário, sem "superstição" só haveria selvajaria.

Era como se os Hunos, se tivessem permanecido pagãos, fossem humanistas; pelo contrário, se os Hunos não se tivessem convertido seriam apenas Hunos.

G.K. Chesterton in 'Modern Doubt and Questioning'


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domingo, 30 de dezembro de 2018

O desaparecido seminário de Vicenza

Nesta imagem vemos os seminaristas da diocese de Vicenza (Itália) durante a aula de ginástica, na década de 50. No início dos anos 70 o seminário contava com 130 a 150 seminaristas maiores e cerca de 200 no seminário menor. Eram ordenados entre 20 a 25 sacerdotes por ano. Hoje em dia a diocese de Vicenza conta com 9 seminaristas.


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sábado, 29 de dezembro de 2018

O Magnum Mysterium

O Magnum Mysterium é um hino das Matinas do dia de Natal. Esta é a versão musical da autorida de Tomás Luis de Victoria, interpretada pelos Fieri Consort

O magnum mysterium, et admirabile sacramentum, ut animalia viderent Dominum natum, jacentem in praesepio! Beata Virgo, cuius viscera meruerunt portare Dominum Christum. Alleluia! 

Ó grande mistério, e admirável sacramento, que os animais viram o Senhor nascido, deitado numa manjedoura! Abençoada Virgem, cujas entranhas mereceram carregar o Senhor Cristo Aleluia!



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Natal passa a ser feriado nacional no Iraque

O Governo iraquiano decidiu que o dia de Natal passará a ser um feriado nacional no Iraque, e não apenas um feriado para os cristãos: 

"O Governo iraquiano anuncia que o Dia de Natal passará a ser um feriado no Iraque. Feliz Natal para os nossos cidadãos cristãos, todos os iraquianos e todos os que o estão a celebrar em todo o Mundo."

Cerca de 95% dos iraquianos são muçulmanos, na sua maioria Xiitas. Apesar do êxodo dos cristãos do Iraque nos últimos anos ainda lá existem mais de 300 mil. Em 2003, antes das perseguições, o número de cristãos naquele país era 1,4 milhões.


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sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

O Natal do Natal

Era o dia 25 de Março quando Deus humanado foi concebido, por virtude do Espírito Santo, no caminho para a Gruta Virginal da Imaculada Maria de Nazaré. No seu seio brilhou uma Luz fulgurante e imensa, que despedindo alegres luminosidades pelo mundo-universo as enviou a todos os recém gerados. A cada um deles apareceu uma multidão de Anjos jucundos e jubilosos entoando Glórias e Aleluias com exultações celebrativas. 

E de um modo só do Mistério conhecido anunciaram-lhes uma alegria desmedida, uma felicidade incomensurável: Foi concebido (nasceu no seio) o Salvador que o será para todos os concebidos, por nascer ou já nascidos. Ide depressa adorá-Lo; reconhecê-lo-eis porque sereis atraídos e o encontrareis na Gruta interior, a mais íntima e limpa de quantas houve ou haverá.

Uma multidão de miríades de miríades, de milhões de milhões, enfim, incontável, de recém concebidos viu-se num repente rodeando uma Santidade, coroada de estrêlas, revestida de Sol, tendo a Lua sob os pés, de cujo seio brotava uma Luz inefável, mais brilhante que o sol, puríssima, simplicíssima, claríssima, cristalina, suave, pacífica, castíssima Levantou-se então daquela multidão de congregados um alto clamor, um brado de grande dor: ai de nós que somos indignos de entrar na Gruta, fomos manchados da culpa de nossos primeiros pais. 

Então daquela Luz infinita esvoaçaram uns Serafins, a mais alta e nobre hierarquia angélica, duas asas alteavam-se sobre as suas cabeças, outras duas saíam das espáduas, e mais duas cobriam o resto de seus corpos celestes que aparentavam o Filho do Homem. De suas bocas sopraram um fogo poderoso e benigno que incendiou a todos os concebidos, sem os chamuscar nem consumir, antes purificandos, avivando-os e conduzindo-os, como faúlhas que não esmorecem, crepitando contentamentos e regozijos, à Presença da Luz minúscula-infinita. 

Ouviu-se então uma voz sonora – não para ouvidos já formados mas para organismos humanos, pessoais, já iniciados -, como a de um Homem já feito, brotando daquela Pesssoa miudinha, que assim Se apresentava e se punha, frágil, indefesa, vulnerável, ínfima, que dizia: Não tenham mêdo, meus filhos e irmãos mínimos, porque o Pai em Mim tem desígnios de Misericórdia sobre vós. A Misericórdia que nós somos cuidará de vós, de um modo que não é dado a conhecer às criaturas. Tende confiança, porque tanto a Justiça como a Misericórdia se cumprirão, pois são duas faces da mesma Realidade.

A inumerável multidão, depois de terem adorado o Infinito-ínfimo, regressou cheia de alegria, dividindo-se de modo a que cada um regressasse ao seu sítio. E foi nesse lugar: uns acolhidos com amor no ventre materno, outros congelados em laboratórios, aqueles despejados em sanitas, estes vítimas de experimentações letais, outros desfeitos, desmanchados, violentamente nessa habitação, que julgavam segura, outros ainda dela escorraçados, quimicamente, mecânicamente, por produtos que impedindo-os de se nutrir morriam à fome. 

Foi nesses lugares, dizia, que viram com os olhos de suas almas o Senhor da Glória, apresentar-se com todo o Seu poder e Majestade, colocando os pais destes concebidos, uns à Sua direita e outros à Sua esquerda; e olhando benignamente para os primeiros dizer-lhes: vinde benditos de Meu Pai porque o amor que destes ao mais pequenino e insignificante de todos, a Mim mesmo o destes; e de seguida com rosto severo e voz rigorosa dirá aos da sua esquerda: ide-vos malditos para o fogo do inferno, reservado para satanás e os seus anjos, porque todas as crueldades que praticastes com os mínimos entre todos, foram feitas a Mim mesmo.

Uma multidão jubilosa conclamou: Por fim, fez-se justiça! Essa mesma que nunca nos foi reconhecida na Terra, ser-nos-á concedida no Céu. Glória, honra e louvor ao Verdadeiro, o Amor imolado, a Misericórdia entregue em Sacrifício!! Amen. Amen. Pelos séculos dos séculos e eternamente. Amen.

E O Concebido apareceu irradiando lumes resplandecentes de Glória de dentro de Sua luminosa Mãe, que d’ Ele recebia todo o esplendor. E os concebidos impedidos de nascer, não osbtante a desmesurada felicidade de anteverem a Justiça realizada, uma vez que mantinham ainda réstias do fogo, em que foram abrasados para poder penetrar na Gruta Limpidíssima, perguntaram à Luz da Luz, com um ardor caritativo, se não seria possível, sem prejuízo da Justiça, resgatar e salvar os cabritos da esquerda. Ao que a Luz mostrou, em visão espiritual, que sim, que a Sua Misericórdia também era Infinita, ponto era que a quisessem receber e acolher, de modo que de cabritos, e mesmo lobos, se tornassem ovelhas. 

Ele, O Concebido, Luz da Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, Consubstancial ao Pai, por Quem todas as coisas foram criadas, que morreu na Cruz para nos Salvar, só pede que cooperemos com a Sua Graça, arrependendo-nos, com verdadeira dor espiritual e detestação mal, por mais abominável que tenha sido, façamos um firme propósito de emenda de vida de vida, e recebamos o perdão no Sacramento da Confissão ou Reconciliação. Os que assim procederem serão inteiramente renovados, e uma vez transfigurados por aquela Graça que superabunda onde abundou o pecado entrarão na Glória do Seu Senhor, porque terão o Presépio no coração.

Padre Nuno Serras Pereira


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quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Jesus nasceu em Belém ou em Nazaré?

S. Mateus disse, de maneira explícita, que Jesus nasceu em “Belém de Judá, no tempo do rei Herodes” (Mt 2, 1; cf. 2, 5.6.8.16) e o mesmo referiu S. Lucas (Lc 2, 4.15). O quarto evangelho menciona-o de uma maneira indirecta. Gerou-se uma discussão a propósito da identidade de Jesus e “uns diziam: «Este é verdadeiramente o Profeta». Outros diziam: «Este é o Messias». 

Alguns, porém, diziam: «Porventura é da Galileia que há-de vir o Messias? Não diz a Escritura que o Messias há-de vir da descendência de David e da aldeia de Belém, donde era David?»” (Jo 7, 40‑42). O quarto evangelista serve-se aqui de uma ironia: ele e o leitor cristão sabem que Jesus é o Messias e que nasceu em Belém. Alguns oponentes a Jesus querem demonstrar que Ele não é o Messias dizendo que, para sê-lo, teria nascido em Belém e, pelo contrário, eles sabem (pensam saber) que nasceu em Nazaré. Este procedimento é habitual no quarto evangelho (Jo 3, 12; 6, 42; 9, 40-1). 

Por exemplo, quando a mulher samaritana pergunta: “És Tu, porventura, maior do que o nosso pai Jacob?” (Jo 4, 12). Os ouvintes de João sabem que Jesus é o Messias, Filho de Deus, superior a Jacob, de modo que a pergunta da mulher era uma afirmação dessa superioridade. Portanto, o evangelista prova que Jesus é o Messias, inclusivamente com as afirmações dos seus oponentes.

Este foi o consenso comum entre crentes e investigadores durante mais de 1900 anos. Contudo, no século passado, alguns investigadores afirmaram que Jesus é considerado em todo o Novo Testamento como “o nazareno” (aquele que é, ou que provém de Nazaré) e que a referência a Belém como lugar do nascimento não passa de uma invenção dos dois primeiros evangelistas, que revestem Jesus com uma das características que, naquele momento, se atribuíam ao futuro Messias: ser descendente de David e nascer em Belém. O certo é que uma argumentação como esta não prova nada. 

No século I diziam-se bastantes coisas sobre o futuro Messias e que não se cumprem em Jesus, mas, tanto quanto sabemos – apesar do que possa parecer (Mt 2, 5; Jo 7, 42) – não parece que a do nascimento em Belém tenha sido umas das que se invocaram mais frequentemente como prova. É antes preciso pensar de modo contrário: é pelo facto de Jesus, que era Nazaré (ou seja, tendo sido criado lá), ter nascido em Belém que os evangelistas descobrem nos textos do Antigo Testamento que se cumpre n´Ele essa qualidade messiânica.

Todos os testemunhos da tradição confirmam, além disso, os dados evangélicos. S. Justino, nascido na Palestina por volta do ano 100 d.C., menciona, uns cinquenta anos mais tarde, que Jesus nasceu numa gruta próxima de Belém (Diálogo 78). Orígenes também dá testemunho disso (Contra Celso I, 51). Os evangelhos apócrifos testemunham o mesmo (Pseudo-Mateus, 13; Proto evangelho de Tiago,17ss; Evangelho da infância, 2-4).

Em resumo, o parecer comum dos estudiosos de hoje, é que não há argumentos fortes para ir contra o que afirmam os evangelhos e nos foi transmitido por toda a tradição: Jesus nasceu em Belém da Judeia no tempo do rei Herodes.

Bibliografia: A. Puig, Jesús. Una biografía, Destino, Barcelona 2005; J. González Echegaray, Arqueología y evangelios, Verbo Divino, Estella 1994; S. Muñoz Iglesias, Los evangelios de la infancia. IV, BAC, Madrid 1990.

in adtelevavi.blogspot.pt


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Visita guiada ao Presépio da Basílica da Estrela em Lisboa



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quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Carta do Papa Bento XVI ao Menino Jesus quando tinha 7 anos de idade




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Por que razão o Natal é no dia 25 de Dezembro?

Já no século I a Igreja celebrava a Anunciação do Anjo a Zacarias, pai de S. João Baptista, a 23 de Setembro, e o nascimento deste a 24 de Junho. A descoberta dos manuscritos do Mar Morto e as investigações subsequentes nas grutas circundantes que levaram ao achamento de rolos manuscritos em muito bom estado veio confirmar, com o livro dos jubileus, esta antiga tradição da Igreja. 

De facto, por este manuscrito ficamos a saber que a semana em que entravam de serviço, no Templo, os Sacerdotes da classe de Abias, à qual pertencia Zacarias, tinha o seu início a 23 de Setembro e terminava a 30 do mesmo mês. Acrescentando 9 meses temos o 24 de Junho. Ora, pelos Evangelhos, nós sabemos, que logo após a Anunciação do Anjo à sempre Virgem Maria, portanto da Encarnação do Verbo no seu seio, ela se dirigiu “à pressa” para auxiliar sua prima Santa Isabel, grávida de seis meses (“ … já está no sexto mês aquela que é tida por estéril” – Lc 1, 37), que vivia a três dias de jornada. 

Seis meses depois da última semana de Setembro é a última semana de Março. A Igreja celebra a Encarnação de Jesus, Deus filho, acontecida aquando da Anunciação do Anjo, por virtude do Espírito Santo, a 25 de Março. Ora 25 de Dezembro é 9 meses depois de 25 de Março. 

Pe. Nuno Serras Pereira


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terça-feira, 25 de dezembro de 2018

Paz na noite de Natal durante a Primeira Guerra Mundial

Na noite de Natal de 1914, nas trincheiras da I Guerra Mundial, aconteceu o impensável. Os soldados alemães entoaram o cântico natalíco: 'Stille Nacht, Heilige Nacht' ('Noite Feliz', em português). Os ingleses, reconhecendo a melodia, responderam com a versão na sua língua: 'Silent Night'.

Depois da cantoria, um soldado alemão arriscou sair da trincheira para cumprimentar o inimigo. Um inglês fez a mesma coisa. Estabelecidas as tréguas, deu-se um convívio natalício entre os homens que poucas horas antes se tentavam matar uns aos outros.

Conversaram, ultrapassando as barreiras linguísticas. Prepararam um autêntico banquete, comeram e beberam juntos. Trocaram lembranças. Um sacerdote inglês celebrou a Missa de Natal. Fizeram um jogo de futebol que os alemães venceram por 3 a 2.

Aqueles soldados perceberam que do outro lado estavam homens iguais a eles, criados por Deus, com família e mais vontade de amar do que matar.

Infelizmente a Guerra não acabou ali. Mas, de algum modo, aquelas tréguas no dia de Natal mostraram que o nascimento do Menino Jesus continua a conseguir trazer ao de cima o melhor de nós.

João Silveira


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segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

24 de Dezembro: A Gruta de Belém

Que terão dito os anjos vendo a divina Mãe entrar na gruta de Belém, afim de dar à luz o Filho de Deus? Os filhos dos príncipes nascem em quartos adornados de ouro; e ao Rei do céu prepara-se para nascer uma estrebaria fria, para cobri-lo uns pobres paninhos, para cama um pouco de palha e para colocar uma vil manjedoura? Oh, ingratidão dos homens! Oh, confusão para nosso orgulho que sempre ambiciona comodidades e honras!

I. Continuemos hoje a meditar na história do nascimento de Jesus Cristo. Vendo-se repulsos de toda parte, São José e a Bem-aventurada Virgem saem da cidade afim de achar fora dela ao menos algum abrigo. Os pobres viandantes (viajantes)caminham na escuridão, errando e espreitando; afinal deparasse-lhes ao pé dos muros de Belém uma rocha escavada em forma de gruta, que servia de estábulo para os animais. Disse então Maria: José, meu Esposo, não precisamos ir mais longe; entremos nesta gruta e deixemo-nos ficar aqui. – Mas como? responde São José; não vês, minha Esposa, que esta gruta é tão fria e húmida que a água escorre em toda parte? Não vês que não é uma morada para homens, senão uma estribaria para animais? Como queres passar aqui a noite e dar à luz? – Contudo é verdade, tornou Maria, que este estábulo é o paço real onde quer nascer na terra o Filho eterno de Deus.

Ah! Que terão dito os anjos vendo a divina Mãe entrar naquela gruta para dar à luz! Os filhos dos príncipes nascem em quartos adornados de ouro; preparam-se-lhes berços incrustados com pedras preciosas, e mantilhas preciosas; e fazem-lhe cortejo os primeiros senhores do reino. E ao Rei do céu prepara-se uma gruta fria e sem lume para nela nascer, uns pobres paninhos para cobri-lo, um pouco de palha para leito, e uma vil manjedoura para o colocar? Ubi aula, ubi thronus? Meu Deus, assim pergunta São Bernardo, onde está a corte, onde está o trono real deste Rei do céu, porquanto não vejo senão dois animais para lhe fazerem companhia, e uma manjedoura de irracionais, na qual deve ser posto?

Ó Gruta ditosa, que tiveste a ventura de ver o Verbo divino nascido dentro de ti! Ó presépio ditoso, que tiveste a honra de receber em ti o Senhor do céu! Ó palha ditosa, que serviste de leito àquele cujo trono é sustentado pelos serafins! Sim, fostes ditosos, ó Gruta, ó presépio, ó palha; mais ditosos, porém, são os corações que tenra e fervorosamente amam esse amabilíssimo Senhor, e que abrasados em amor o recebem na santa Comunhão. Oh, com que alegria e satisfação vai Jesus Cristo pousar no coração que o ama!

II. Um Deus que quer começar a sua infância num estábulo, confunde o nosso orgulho, e, segundo a reflexão de São Bernardo, já prega com exemplo o que mais tarde havia de pregar à viva voz: Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração. Eis porque ao contemplarmos o nascimento de Jesus Cristo e ao ouvirmos falar em gruta, em manjedoura, em palha, em leite, em vagidos, estas palavras deveriam ser para nós como que chamas de amor, e como que setas que nos ferissem os corações e nos fizessem amantes da santa humildade.

É verdade, ó meu Jesus, Vós, tão desprezado por nosso amor, com o vosso exemplo fizestes os desprezos excessivamente caros e amáveis aos que Vos amam. Mas como então é possível que eu, em vez de os abraçar, como Vós os abraçastes, ao receber algum desprezo da parte dos homens, me tenha mostrado tão orgulhoso, e tenha ainda chegado a ofender-Vos, ó Majestade infinita? Pecador e orgulhoso!

Ah, Senhor, já o compreendo: eu não soube aceitar com paciência as humilhações e as afrontas, porque não Vos soube amar. Se Vos tivera amor, ter-me-iam sido doces e amáveis. Mas visto que prometeis o perdão a quem se arrepende, de toda a minha alma arrependo-me de toda a minha vida desordenada, tão diferente da vossa. Quero emendar-me, e por isso Vos prometo que para o futuro aceitarei com paz todos os desprezos que me vierem, e que os sofrerei por vosso amor, ó Jesus meu, que por meu amor tendes sido tão desprezado. Compreendo que as humilhações são as minas preciosas por meio das quais quereis enriquecer as almas com tesouros eternos. 

Já sou digno de outras humilhações e de outros desprezos, porque desprezei a vossa graça. Mereço ser pisado aos pés do demônio. Mas os vossos merecimentos são a minha esperança. Quero mudar de vida; não quero mais causar-Vos desgosto; para o futuro não quero buscar senão a vossa vontade, e por isso Vos dou todo o meu coração. Possui-o, e possui-o para sempre, afim de que eu seja sempre vosso e todo vosso.

“E Vós, ó Pai Eterno, que cada ano nos alegais com a esperança de nossa Redenção, concedei-me que com confiança possa esperar a vinda do vosso Filho unigênito como Juiz, a quem agora recebo alegremente como Salvador (1)”. Fazei-o pelo amor do mesmo Jesus Cristo e de Maria Santíssima.

Referências:
(1) Or. fer. curr.

Santo Afonso Maria de Ligório in Meditações para todos os Dias e Festas do Ano (Tomo I: Desde o Primeiro Domingo do Advento até a Semana Santa)


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O Papa Bento XVI relembra que o centro do Natal é o Menino Jesus

"Que o Seu nascimento não nos encontre impreparados para festejar o Natal, esquecendo que o protagonista da Fé é precisamente Ele! Ajude-nos Maria a manter o recolhimento interior indispensável para viver a profunda alegria que o nascimento do Redentor traz. 

Dirijamo-nos agora a ela com a nossa oração, pensado sobretudo em quantos se preparam para transcorrer o Natal na tristeza e na solidão, na doença e no sofrimento: a todos a Virgem dê conforto e consolo."


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domingo, 23 de dezembro de 2018

Missa do Galo



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O que comiam os portugueses no Natal há 100 anos

Está a ver aquela posta alta e deliciosa de bacalhau cozido com couves, cenouras, batatas e muito azeite por cima? No início do século XX, isso era coisa que só existia no Norte do País. Do Porto para baixo, a véspera de Natal era passada no mais rígido e rigoroso jejum. A partir do início do Advento, as famílias faziam jejum de carne e, na véspera de Natal, no Sul do país, era jejum total até à Missa do Galo.

A tradição é recordada por Maria de Lourdes Modesto num artigo publicado no jornal Público. A maior especialista em comida portuguesa lembra-se que, na década de 30, depois da Missa tinha finalmente direito a comer qualquer coisa – e normalmente os pais serviam um doce para quebrar o jejum. No dia 25, então, era servido um almoço completo e, no Alentejo, onde vivia com a família, era sempre porco – peru nem vê-lo. 

No Funchal, a tradição também era a do jejum na véspera e a do porco no Dia de Natal. De madrugada, depois da Missa do Galo, era servida uma canja e um cálice de vinho. Na verdade, a festa só começava depois da Missa.

Hoje em dia, a ceia da véspera de Natal tem tanta importância como o almoço de dia 25. Mas, há 100 anos, era coisa que existia essencialmente no Norte do País, acima do Porto. Aí, sim, havia uma tradição de jantar em família, com bacalhau – cozido ou em pastéis –, polvo guisado, arroz de polvo ou outros pratos sem carne. Na véspera de Natal, a família reunia-se à mesa para celebrar a festa em conjunto. E a Missa do Galo não existia na região.

in casalmisterio.com


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sábado, 22 de dezembro de 2018

Um Conto de Natal numa empresa em crise

"Não percebo como é que consegues ser assim!" "Assim como?", respondeu André enquanto pousava o tabuleiro do almoço diante do Pedro, na mesa da cantina da empresa.

"És incrível! Tivestes uns bons cinco minutos a conversar com a velha da caixa como se nada estivesse a acontecer."

"Que mal tem conversar com a dona Adélia? O neto tem estado doente e ela fica contente por falar dele. Felizmente já está melhor. De que é que te queixas?"

"Esta empresa está a ir por água abaixo e tu tens cabeça para o neto da velha! Estamos a ser chamados, um a um, à administração para saber o que nos espera. Se nos reduzem o ordenado ficamos felizes, porque ainda o temos. Isto deixa-me maluco. E fico mais furioso ao ver que põem ali o Presépio, como se tudo estivesse bem. Bandidos!"

Os dois amigos comeram a sopa em silêncio alguns minutos, até que André disse: "Queres saber o segredo da minha calma? Queres saber como consigo não ficar desesperado? É que o meu Pai é dono disto!"

"O teu pai? Tás maluco. A empresa foi comprada por um fundo alemão que não tem nada a ver com a tua família. Não gozes!"

"Não estás a perceber. Não me estou a referir à empresa, nem falo do meu falecido pai. Estou a referir-me Àquele a quem digo todos os dias 'Paí Nosso', que é dono de tudo o que tenho e sou, de tudo o que vejo e existe no universo. Nada me preocupa porque Deus é dono da minha vida. A confiança em Deus é a melhor coisa da existência."

"Pode ser, mas isso não te livra de ires para a rua, porque a administração não deve rezar o Pai Nosso."

"Provavelmente, mas se isso acontecer, a vontade de Deus permanece e a minha confiança n'Ele não me deixará ter um segundo de medo ou zanga. Confesso que nem sempre tenho esta atitude e frequentemente me irrito e apavoro. Mas isso deve magoar muito a Nosso Senhor, porque é duvidar da Sua Providência e do carinho com que nos acompanha a cada momento."

Depois de um silêncio, continuou: "Sabes, esta crise tem me feito muito bem. Ao princípio assustou-me, mas um dia percebi que acima dela está Deus, que quer dar-nos o melhor mesmo assim. E desde que Lhe entreguei, mais uma vez, a minha vida senti uma liberdade e alegria profundas, que não dependem do que me acontecer. 'Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus' (Rm 8, 28)."

"Quer dizer que se fores para a rua, e os teus filhos tiverem fome, ficas contente?"

"Se for para a rua perguntarei que aventura maravilhosa o Senhor prepara para mim. Se perder o que tenho direi 'Saí nu do ventre da minha mãe e nu a ele voltarei. O Senhor mo deu, o Senhor mo tirou; bendito seja o nome do Senhor! (...) Se recebemos os bens da mão de Deus, não aceitaremos também os males?' (Job 1, 21; 2, 10). Aliás é bastante provável que venham aí tempos bem difíceis. Mas se ao Seu Filho Deus deixou que nós O crucificássemos, tudo o que eu sofrer é pouco. 'Estou convencido de que nem a morte nem a vida,nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem as potestades, nem a altura, nem o abismo, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus que está em Cristo Jesus, Senhor nosso' (Rm 8, 38-39). No fim ressuscitarei!"

"Devias dizer isso ao Matias. Ele, que se diz cristão, é o mais assustado e furioso de todos nós."

"Já falei muito com o Matias. Mas nunca lhe disse isto assim. Vou tentar. Mas quem me preocupa é o Ernesto."

"O Ernesto? Esse está óptimo. Vai ser promovido e anda na maior."

"Por isso mesmo. O pobre Ernesto só tem a carreira. Vive para o emprego e só depende disso. Já destruiu dois casamentos e está cada vez mais só. É o mais miserável de todos nós. Mas não sei como abordá-lo."

"O tipo é espantoso", riu Pedro. "Imagina que ontem, quando eu protestava por terem posto aquele Presépio hipócrita, respondeu que se deveria ter aproveitado para colocar lá publicidade. Imagina! Publicidade no Presépio! O tipo é incrível!"

"A sério? Ele disse isso? Ora aí está uma oportunidade para eu lhe falar."

"O quê! Vais falar-lhe da publicidade no Presépio?"

"Não, vou falar-lhe do burro do Presépio."

João César das Neves in DN


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sexta-feira, 21 de dezembro de 2018

São Tomé, o Apóstolo que duvidou

Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus. Só este discípulo estava ausente; e, ao voltar e ouvir contar o que acontecera, negou-se a acreditar no que ouvia. Veio outra vez o Senhor e apresentou ao discípulo incrédulo o seu lado para que lhe pudesse tocar, mostrou-lhe as mãos e, mostrando-lhe também a cicatriz das suas chagas, curou a ferida daquela incredulidade. Que pensais, irmãos caríssimos, de tudo isto? Julgais porventura ter acontecido por acaso que aquele discípulo estivesse ausente naquela ocasião, que ao voltar ouvisse contar, que ao ouvir duvidasse, que ao duvidar tocasse e que ao tocar acreditasse?

Tudo isto não aconteceu por acaso, mas por disposição da providência divina. A bondade de Deus actuou de modo admirável, a fim de que aquele discípulo que duvidara, ao tocar as feridas do corpo do seu Mestre curasse as feridas da nossa incredulidade. Mais proveitosa foi para a nossa fé a incredulidade de Tomé do que a fé dos discípulos que não duvidaram; porque, enquanto ele é reconduzido à fé porque pôde tocar, a nossa alma põe de parte toda a dúvida e confirma-se na fé. Deste modo, o discípulo que duvidou e tocou, tornou-se testemunha da realidade da ressurreição. Tocou e exclamou: Meu Senhor e meu Deus. Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, acreditaste. 

Ora, como o apóstolo Paulo diz: A fé é o fundamento dos bens que se esperam, a prova das realidades que não se vêem, torna-se claro que a fé é a prova da verdade daquelas coisas que não podemos ver. Pois aquilo que se vê já não é objecto de fé, mas de conhecimento directo. Então, se Tomé viu e tocou, porque é que lhe diz o Senhor: Porque me viste, acreditaste? É que ele viu uma coisa e acreditou noutra. A divindade não podia ser vista por um mortal. Ele viu a humanidade de Jesus e fez profissão de fé na sua divindade exclamando: Meu Senhor e meu Deus. Portanto, tendo visto acreditou, porque tendo à sua vista um homem verdadeiro, exclamou que era Deus, a quem não podia ver.

Muita alegria nos dá o que se segue: Felizes os que não viram e acreditaram. Por esta frase, não há dúvida que somos nós especialmente visados, pois não O vimos em sua carne, mas possuímo-l’O no nosso espírito. Somos nós visados, desde que as obras acompanhem a nossa fé. Na verdade só acredita verdadeiramente aquele que procede segundo a fé que professa. Pelo contrário, daqueles que têm fé apenas de palavras, diz São Paulo: Professam conhecer a Deus, mas negam-n’O por obras. A este respeito diz São Tiago: A fé sem obras é morta.

São Gregório Magno (Papa) in Hom. 26, 7-9: PL 76, 1201-1202 (Séc. VI)


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São Nicolau: o único e verdadeiro "Pai Natal"



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quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Quem salvará a Igreja?

Quem salvará a Igreja? Não serão os bispos nem os padres nem os consagrados. Cabe-vos a vós, o povo. Vós tendes as mentes, os olhos, os ouvidos para salvar a Igreja. A vossa missão é zelar para que os padres vivam como padres, os bispos como bispos e os consagrados como consagrados.

Arcebispo Fulton Sheen (1972)


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São Francisco de Assis iniciou o costume de fazer presépios vivos no Natal

A celebração da festa de Natal remonta aos primeiros séculos da Igreja, sendo uma comemoração especificamente católica. Desde o século IV as relíquias da manjedoura da gruta de Belém são veneradas na Basílica de Santa Maria Maior em Roma. Encontram-se num precioso relicário de ouro e cristal, onde podem ser admiradas e adoradas por todos. A liturgia própria da festa era chamada ad praecepe, de onde vem a palavra presépio, e que significa literalmente em volta do berço.
Em 1223, São Francisco de Assis criou o primeiro presépio vivo, com personagens reais, na sua igreja de Grecchio, em Itália. Os figurantes (o Menino Jesus numa manjedoura, Nossa Senhora, São José, os Reis Magos, os pastores e os anjos) eram representados por habitantes da aldeia. Os animais, o boi, o burrico, as ovelhas e outros, também eram reais. Este piedoso costume medieval espalhou-se rapidamente.

Os primeiros presépios em escala reduzida com imagenzinhas, entraram nas igrejas no século XVI por obra dos padres jesuítas. Nessa época os jesuítas eram heróis na luta contra o protestantismo seco e hirsuto que desconhece o presépio e os seus imponderáveis divinos que enchem as almas de gáudio. Por volta dos séculos XV e XVI ficaram famosos os presépios de Nápoles, Itália, pela proliferação de figurinhas.

No início do século XIX, após a anticatólica Revolução Francesa, em França parecia que o costume tinha morrido. Mas, os habitantes da região de Provence (sul) deram novo impulso a esta piedosa devoção a partir de 1803 em casas particulares e igrejas criando famosos santons (figurinhas de massa).
Na hora de montar o presépio, em geral, deixa-se a manjedoura vazia. Nela, o Menino Jesus será instalado na noite do dia 24 para o 25. Forma parte do costume colocar uma estrela no topo do presépio. Ela lembra-nos da estrela que no Céu guiou os três santos Reis de Oriente que foram venerar o Salvador do mundo.

Os três Reis Magos (Gaspar, Melchior e Balthazar), simbolizam o conjunto dos povos da terra. Em geral, são representados com camelos, ou até elefantes e dromedários que lhes teriam servido de montaria. É um costume muito praticado, colocá-los longe da gruta e, dia após dia, aproximá-los dela, até introduzi-los na gruta na festa da Epifania (6 de Janeiro). Epifania significa a irradiação da glória externa de Deus, precisamente posta em relevo pela adoração dos potentados de Oriente.

A presença dos anjos é de rigor, relembrando o cântico angélico “Glória a Deus nos Céus e paz na terra aos homens de boa vontade” de que nos falam as Escrituras.

Luis Dufaur in luzesdeesperanca.blogspot.com


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quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Dom Gregory surpreendido pela igreja com melhor acústica de França



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Bispo americano: A nossa missão é salvar almas não as alterações climáticas

Mons. Joseph Strickland, Bispo da Diocese de Tyler (Texas, EUA), volta a representar a ala "rebelde" do episcopado americano ao recordar que a razão de ser da hierarquia eclesiástica é a salvação das almas.

"Tudo o que se falou neste Verão foi: 'Temos de nos preocupar com o aquecimento global'. Mas esse não é o nosso trabalho", afirma o Bispo de Tyler numa entrevista concedida à Catholic News Agency. "Creio que percebemos tudo mal. Como Bispos a nossa prioridade é a santidade  do povo de Deus, a salvação das almas."

É como se a ordem do Vaticano de proibir que os Bispos Norte-Americanos, reunidos em Baltimore, votassem medidas para combater a crise dos abusos sexuais tivesse sido a gota de água que fez transbordar o copo, e entre os bispos mais determinados a travar o processo de transformação da Igreja americana em mais uma ONG está o Bispo Strickland.

Strickland que, após a divulgação do testemunho de Viganò no passado Verão, foi o primeiro a pedir que se investigassem as acusações feitas pelo ex-núncio, cuja integridade fez questão de enfatizar, referiu-se de forma indirecta, com este primeiro comentário, aos comentários do Cardeal Blaze Cupich, Arcebispo de Chicago, quando referiu publicamente que o Papa não podia perder tempo respondendo a Viganò porque tinha "outros assuntos na agenda".

Não foi a única referência indirecta a clérigos famosos. Na sua intervenção diante dos seus pares, referiu: "Há um sacerdote que agora anda por aí a dizer basicamente que não crê nos ensinamentos da Igreja", numa clara alusão ao mediático Padre Jesuíta James Martin, assessor do Vaticano para a Comunicação, autor e autodenominado "Apóstolo dos LGBT". "Temos de nos questionar e perguntar se deve ter presença nas nossas dioceses". Um grupo de Bispos aplaudiu a declaração.

Strickland pronunciou inclusivamente a palavra proibida, aquela da qual Roma e os Bispos tão habilmente fugiram desde o início da crise ao dizer: "Temos que nos perguntar como pôde acontecer o escândalo McCarrick. Temos que nos confrontar seriamente com a questão da homossexualidade no Clero. É parte do depósito da nossa fé crer que a actividade homossexual é imoral. Cremos ou não na doutrina da Igreja?"

Na entrevista à CNA, Strickland mostrou-se impaciente face à lentidão da investigação ao caso McCarrick que "está a levar demasiado tempo" e defende que a Igreja americana leve a cabo a sua própria investigação em simultâneo com a que supostamente está a ser conduzida por Roma: "Tem de existir arquivos", insiste Strickland. "Ele é americano, todo o seu sacerdócio foi exercido nos Estados Unidos. Certamente que o podemos fazer."

Voltou a referir-se ao testemunho de Viganò que, disse, "veio trazer à luz, de certa forma, questões de fundo dentro da Igreja, questões relativas à decadência moral no conjunto do Clero."

O Bispo de Tyler insistiu em que "a questão  central" está em procurar a salvação das almas "das vítimas dos perpetradores. Como Bispos temos de nos preocupar com a salvação da alma de Theodote McCarrick."

"Sou um pastor, tenho o meu rebanho", concluiu Strickland. "E as ovelhas estão a sangrar, estão a ser massacradas, estão a ser atacadas pelos lobos. Não podemos estar preocupados com a cor com que vamos pintar o redil."

Tradução: Senza Pagare


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terça-feira, 18 de dezembro de 2018

Cardeal Sarah reza diante do túmulo de São Filipe Néri

Chiesa Nova, Roma



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Estamos no tempo das Antífonas do Ó

A Liturgia das Horas a partir do dia 17 ao dia 23 de Dezembro expressa-se de forma poética a chegada do Senhor, nas antífonas das Vésperas, chamadas "Antífonas do Ó”. Mas esta forma poética vem desde a Idade Média e esta maneira de se exprimir tomou grande destaque porque foram solenemente cantadas como introdução ao Magnificat. Aparecem pela primeira vez no Responsório atribuído ao Papa São Gregório (+604).

Estas antífonas vêm de longe, tem atravessado séculos ressoando na voz orante da Igreja e ajudando o povo cristão a invocar a vinda do Senhor, isto é, ensinando o povo cristão quem é Aquele a quem deve esperar e do qual deve pedir a vinda.

Nos mosteiros, há muito tempo se costumavam cantar essas antífonas, como as suas melodias majestosas, com acompanhamento de órgão e com o toque dos sinos da igreja. O sacerdote, que entoa a antífona, usa alva e capa e incensa o altar durante o canto do Magnificat, e assim essas antífonas são significativas não só pelo seu texto e pela música, mas também pelo imponente cerimonial que as cerca. 

Pierre Journel, conhecido especialista francês em liturgia, escreveu:

«As grandes antífonas não são apenas uma síntese da mais pura esperança messiânica do Antigo Testamento: por meio das imagens da Bíblia, mas enumeram também os títulos divinos do Verbo encarnado e o seu Veni (vinde) exprime todo o anseio presente da Igreja. Nelas, a liturgia do Advento chega ao auge.» [1]

As grandes antífonas são usadas na Igreja romana desde o século VIII. O seu autor, cuja identidade é desconhecida, deveria ser versado na Escritura Sagrada, pois nessas composições entreteceu passagens do Antigo Testamento, e ao fazê-lo criou algo novo. Ao redor do texto abaixo, incluí as referências bíblicas: 

17 de Dezembro: Ó Sabedoria, que saístes da boca do Altíssimo (Eclo 24,3), e atingis até os confins de todo o universo e com força e suavidade governais o mundo inteiro (Sb 8,1): Ó, vinde ensinar-nos o caminho da prudência! (Is 40,14); 

18 de Dezembro: Ó Adonai, guia da casa de Israel (Mt 2,6), que aparecestes a Moisés na sarça ardente e lhe destes vossa lei sobre o Sinai: Vinde salvar-nos com seu braço poderoso! (Jr 32,21); 

19 de Dezembro: Ó Raiz de Jessé, ó estandarte levantado em sinal para as nações! (Is 11,10); ante vós se calarão os reis da terra e as nações implorarão misericórdia (Is 52,15): Vinde salvar-nos! Libertai-nos sem demora! (Hab 2,3); 

20 de Dezembro: Ó Chave de David, Ceptro da casa de Israel, que abris e ninguém fecha, que fechais e ninguém abre (Is 22,22): Vinde logo e libertai o homem prisioneiro, que, nas trevas e na sombra da morte, está sentado (Sl 106,10); 

21 de Dezembro: Ó Sol nascente justiceiro, resplendor da Luz eterna (Hab 3,4): Ó vinde e iluminai os que jazem nas trevas e, na sombra do pecado e da morte, estão sentados (Lc 1,78); 

22 de Dezembro: Ó Rei das nações, desejado dos povos (Ag 2,8): Ó Pedra angular, que os opostos unis (Ef 2,20): Ó vinde e salvai este homem tão frágil, que um dia criastes do barro da terra! (Gn 2,7);  

23 de Dezembro: Ó Emanuel: Deus-connosco, nosso Rei Legislador (Is 32,22), Esperança das nações e dos povos Salvador (Gn 49,10): Vinde enfim para salvar-nos, ó Senhor e nosso Deus! 

Sete antífonas que nos lembram a plenitude de Deus que é “tudo em todos”. 

Além disso, elas somam as letras que constituem o acróstico invertido: “ERO CRAS”, isto é, Estarei (aí) amanhã!

17 - S apientia 
18 - A donai 
19 - R adix Jesse 
20 - C lavis David 
21 - O riens 
22 - R ex Gentium 
23 - E mmanuel 

[1] 1 Apud. Ryan, 1992, p. 43. 

in norbal.org


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segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Parabéns Papa Francisco: 82 anos!

V. Orémus pro beatíssimo Papa nostro Francisco.
R. Dóminus consérvet eum, et vivíficet eum,
et beátum fáciat eum in terra,
et non tradat eum in ánimam inimicórum eius.

V. Oremos pelo nosso beatíssimo Papa Francisco.
R. Que o Senhor o conserve e vivifique, 
que o faça feliz na Terra, 
e não o entregue nas mãos dos seus inimigos.


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Cardeal Cerejeira celebra Missa na Sé de Lisboa (1968)

D. Manuel Gonçalves Cerejeira percorre a nave central; fiéis assistem à cerimónia; incensação; actuação de coro; durante a homilia Cardeal Patriarca profere algumas palavras sobre o culto da Imaculada Conceição de Maria, a crise na Igreja Católica, o afastamento do Concílio Vaticano II, a autodestruição da Igreja e o serviço controverso do Papa.


in RTP Arquivo


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domingo, 16 de dezembro de 2018

Domingo Gaudete: Alegrai-vos sempre no Senhor

Gaudete in Domino semper: iterum dico, gaudete. Modestia vestra nota sit omnibus hominibus: Dominus enim prope est. Nihil solliciti sitis: sed in omni oratione petitiones vestrae innotescant apud Deum.

Alegrai-vos sempre no Senhor: repito, alegrai-vos. Seja a vossa modéstia notada por todos os homens: pois o Senhor está próximo. Não temais: mas em todas as orações sejam as vossas petições conhecidas por Deus.

O Intróito da Missa de hoje lembra-nos que, enquanto o tempo do Advento é um de penitência e antecipação, também temos de parar e alegrar-nos com a proximidade de Nosso Senhor. O seguinte excerto vem do livro 'The Liturgical Year' por Dom Prosper Guéranger, um padre beneditino, Abade da Abadia de Solesmes:

«Hoje, novamente, a Igreja está cheia de alegria e a alegria é maior do que alguma vez foi. É verdade que o Seu Senhor ainda não chegou; mas Ela sente que Ele está mais próximo que antes e portanto pensa-o apenas para diminuir alguma da austeridade deste tempo penitencial através da alegria inocente dos Seus ritos sagrados.

Quão tocantes são todos estes usos e quão admirável é a condescendência da Igreja, na qual Ela mistura tão sublimemente a inalterável rigidez dos dogmas da fé e a graciosa poesia das formas da Sua liturgia.

Entremos no Seu espírito, e alegrar-nos neste terceiro Domingo do Seu Advento, pois o Nosso Senhor está agora tão próximo. Amanhã retornamos à nossa atitude de servos de luto pela ausência do Nosso Senhor e esperando por Ele; pois cada atraso, por mais pequeno que seja, é doloroso e torna o amor triste.»


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sábado, 15 de dezembro de 2018

Fotografias da 'Missa Rorate' em Lisboa

A igreja de São Nicolau, na baixa de Lisboa, encheu-se na madrugada deste Sábado, dia 15 de Dezembro, para a Missa Rorate.














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sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

Pedófilos, suicidas e viciados em drogas: estes são os pais da Ideologia de Género

É como se alguém tivesse aberto as portas de um hospício e as teorias dos loucos mais famosos se tornassem a matéria principal das melhores escolas e universidades do mundo. Não há nada de objectivo nas suas ideias, nem mesmo a diferença biológica entre os cromossomas XX e XY que determina os sexos masculino e feminino. Cada um é o que imagina ser!

Este é o argumento dos ideólogos de género e profetas do "pansexualismo", alguns deles divulgaram as suas teorias mesmo antes de terem sido postos em camisas de força. Muitos deles experimentaram a pedofilia, bestialidade, a toxicodependência de forma grave e, em alguns casos, o suicídio. Quem conseguiu ter uma vida tranquila entre eles foi uma excepção.

Entre eles não esteve apenas uma revolta contra a família dita "tradicional", em especial contra os pais (figura paterna), a imposição do relativismo e do politicamente correcto, mas principalmente uma guerra contra a natureza, ou seja: a realidade mais óbvia. Entre eles imperou o absolutismo do desejo, da vontade, das ideologias.

Não há nada fora de nós [de nossas mentes] que seja objectivo, disse Fiedrich Nietzsche, o filósofo a partir do qual todos os ideólogos de género [do sec. XX] deram início às suas teorias.

Terapia sexual

Deus está morto, disse o pensador alemão, e se Deus morreu, também morreu a natureza criada por Ele. Portanto, nada define o que sou, só eu posso definir isso. Nietzsche, aliás, acabou num hospital psiquiátrico durante os últimos anos da sua vida.

Ideólogos da sexualidade, alguns adeptos da filosofia nietzschiana, desenvolveram verdadeiras psicopatologias, terminando os seus dias como internos psiquiátricos da mesma forma que o "grande mestre". Este foi o caso do médico alemão Wilhelm Reich, ícone da Psicologia moderna por ter sido o idealizador da abordagem teórica conhecida como "Bioenergética", uma versão "científica" de concepções místicas milenares importadas do Oriente.

O médico Wilhelm Reich, após vários conflitos com a justiça, com a comunidade científica e de relatar ter travado uma "batalha interplanetária em larga escala" para defender a terra de alienígenas interessados numa máquina que criou, chamada 'cloudbuste', abusou de mulheres que participaram na sua 'terapia sexual'. Reich morreu de ataque cardíaco na penitenciária de Lewisburg, na Pensilvânia, EUA, em 1957, após ser diagnosticado com esquizofrenia paranóide e progressiva.

Ortodoxia comunista

Uma vida semelhante levou o filósofo francês Michel Foucault, considerado uma das maiores referências da ideologia de género. Homossexual, membro do Partido Comunista, teve uma juventude um pouco conturbada, durante a qual foi iniciado no sadomasoquismo e uso de drogas de todos os tipos durante seu tempo na União Soviética. Ele tentou o suicídio várias vezes e morreu de SIDA em 1984, aos 57 anos.

Outro filósofo comunista francês, Louis Althusser, não terminou muito bem. Em 1980 estrangulou a sua esposa Hélène, o que levou ao seu internamento num hospital psiquiátrico. Althusser escreveu a obra "Aparelhos Ideológicos do Estado", onde demonstra como uma ideologia é utilizada para subverter e controlar culturalmente uma nação, através de recursos (aparelhos) como as escolas, universidades, força policial, sindicatos, etc.

Planned Parenthood

A grande multinacional americana Planned Parenthood promove o aborto em vários países. Apenas nos Estados Unidos, 530 milhões de dólares eram usados para financiar cerca de 324 mil abortos - por ano - no país, dinheiro esse que foi cortado depois da tomada de posse do Presidente Donald Trump.

A fundadora da Parenthood, Margaret Sanger, abandonou os seus filhos por causa da sua ninfomania. Grande fã de eugenia e controle populacional, especialmente entre a população imigrante e as classes sociais mais pobres, chegou a ser próxima do Ku Klux Klan. Ela morreu em 1966, quando era uma alcoólatra incontrolável.

Para Shulamith Firestone, outra grande referência do feminismo radical e da ideologia de género, a maternidade foi "a opressão radical das mulheres." Ela passou vários anos numa clínica psiquiátrica devido ao tratamento da sua esquizofrenia, quando em 2012 foi encontrada morta em casa.

Além da iniciação sexual infantil, Firestone defende no livro "A Dialética do Sexo" a extinção total das diferenças sexuais, negando que a maternidade, por exemplo, seja exclusividade das mulheres e algo natural. Para isso ela propõe que novos métodos de reprodução sejam explorados, para que a mulher não precise mais de dar a luz.

"Assim também a meta final da revolução feminista deve ser, ao contrário da meta do primeiro movimento feminista, não apenas a eliminação do privilégio do homem, mas também da própria distinção sexual: as diferenças genitais já não significariam nada culturalmente", escreveu ela.

De resto, a contribuição da ideologia de género feminista tem sido muito activa. Outra conhecida pelo seu radicalismo era Kate Millet, de ideias maoístas, que "se converteu" ao lesbianismo não meramente por uma questão sexual, mas pelo ódio aos homens.

Grande defensora do totalitarismo, ainda disse que "o privado também é político". No final da sua vida foi internada num hospital psiquiátrico e pediu vigilância 24 horas, porque ela mesma estava ciente do seu desejo incontrolável pelo suicídio.

Margaret Mead disse que os papéis sexuais eram construídos culturalmente a partir da sua experiência na região de Samoa, na Polinésia Oceania. Mas em seguida mostrou que a ilha não era representativa em relação ao conjunto da Humanidade

Outra mulher e não menos importante do que Mead foi a filósofa feminista Simone de Beauvoir. A namorada do filósofo existencialista Jean Paul Sartre argumentou que ninguém nasce mulher, mas torna-se numa. Segundo ela, isso é uma "construção social".

A morte dela por causas naturais foi uma excepção entre a multidão de suicídios cometidos por outros autores. A sua grande contribuição para o progressismo e o marxismo cultural foi o conceito de género como uma construção social que seria introduzida na psicologia e sexologia dos anos 50.

Um refúgio do progressismo repressivo

Kinsey, um pedófilo e promotor do sadomasoquismo, havia reivindicado que 37% dos homens tinham experimentado prazer em experiências homossexuais; mas depois a fraude foi descoberta: fez a pesquisa apenas entre a população prisional.

O rigor científico não era a preocupação do sexólogo mais influente da Universidade de Indiana. As conclusões de Kinsey, alcançadas após a realização de 5300 entrevistas pessoais, foram na verdade manipuladas pelos seus métodos e intenções. Além de fazer as entrevistas em contextos discrepantes da realidade social comum, como entre a população prisional, mais tarde soube-se também que Kinsey e a sua equipa praticavam a pedofilia e promoviam o sadomasoquismo na Universidade de Indiana.

A autora responsável por grande parte dessas denúncias foi Judith Reisman. Para os interessados vale a pena procurar: "Kinsey: crimes e consequências".

Igualmente perturbado foi o antropólogo francês Georges Bataille. Embora inicialmente tenha estudado para o sacerdócio, muito cedo abandonou esse caminho afirmando que as suas verdadeiras igrejas eram os bordéis de Paris.

Ele foi um defensor do satanismo orgiástico e fundou uma sociedade secreta para a prática de sacrifícios - não foram realizados, embora tivessem surgido voluntários - e sexo ritual.

Comentário:

A ideologia de género possui raízes e autores mais antigas que os que foramcitados neste texto. A diferença está no delineamento e consolidação da concepção de "género" como uma ideologia. 

O francês Abel Jenniere, por exemplo, autor de "Antropologia Sexual", foi um dos primeiros a dar os contornos dessa ideologia, ao tentar explicar por meio do pensamento antropológico o comportamento sexual humano. Os argumentos desse autor são rasos, mas ilustra com precisão o que seria dito décadas depois da sua obra por alguns dos autores citados acima, como Shulamith Firestone.

O arqueologista Timothy Taylor, professor da Universidade de Viena, defende que já na era glacial havia a concepção de "signos sexuais", o que podemos entender como equivalente à ideia de "género". Todavia, ao contrário de hoje em dia, a noção de género no passado servia para reforçar as diferenças entre os sexos e não para as ignorar. 

Os autores referidos neste texto desenvolveram a questão de "género" apenas como uma ideologia e puseram-lhe uma maquilhagem "científica", motivo pelo qual se tornaram mais conhecidos, bem como pelo avanço globalizado dos meios de comunicação.

in opiniaocritica.com.br (com informações Actuall)


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