sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Confissões atrás da grade: mais do que uma preferência

Desvantagens da confissão "Cara a Cara"

1) A maior e mais óbvia é a falta de anonimato. A confissão dos pecados, desde o início da Idade Média, tem sido sempre anónimo (nos tempos patrísticos era pública, diante da congregação, algo que eu penso que ninguém esteja ansioso em voltar). Saber que agora o sacerdote é capaz de ligar uma cara aos pecados que está a confessar torna mais difícil trazer tudo para fora.


2) Cria uma atmosfera de sala de encontros ou de escritório de psiquiatra. O formato cara a cara promove a discussão; afinal de contas, em sociedade, estamos sempre cara a cara quando discutimos coisas. Assim sendo, do hábito, tendemos mais a querer "discutir" os nossos pecados em vez de os confessar. Atrás da grade é mais fácil dizer, "Perdoe-me Padre, porque pequei. Passaram seis semanas desde a minha última confissão. Confesso que fiz..." É esquisito repetir esta fórmula quando está sentado cara a cara diante do sacerdote. Ao contrário disto, a confissão tende a soar como "Oh Padre. Estou a ter com cada problema com a minha filha! Deixe-me contar-lhe..." Este é um dos maiores problemas da confissão cara a cara; em vez da confissão dos pecados torna-se numa discussão dos problemas.

3) Na sequência da tendência de cima, da confissão se transformar numa discussão, a consequência é que a confissão demora muito mais tempo; demora muito mais a discutir as coisas com um sacerdote cara a cara do que simplesmente fazer uma confissão atrás da grade. Confissões cara a cara normalmente demoram 20 minutos cada. A média de confissões ao S. Padre Pio era menos de dois minutos.

4) Falha em dar alguma sensação do facto de que o pecado o põe fora da graça de Deus; i.e, o sacramento cara a cara tem muito pouco valor simbólico. Dá é a sensação de uma conversa junto à lareia.

Benefícios de "Atrás da Grade"

1) É mais fácil lembrar os pecados devido à ausência de ter um sacerdote a olhar para si enquanto tenta fazê-lo, tornando assim a confissão mais completa e, assim, mais frutuosa.

2) Preserva o anonimato, outra vez tornando mais fácil lembrar e confirmar os pecados. O anonimato também simboliza, de alguma forma, a natureza gratuita da graça de Deus, que dá sem distinção de pessoas. O facto de o sacerdote não o ver é de simboliza de alguma forma o facto de que para Deus todos os homens são iguais e que Ele julga pelo coração.

3) Torna as confissões mais curtas; é mais difícil entrar numa "discussão" atrás da grade.


4) Valor simbólico: colocar-se a si mesmo atrás da grade com o sacerdote, a agir in persona Christi, lembra-nos que o pecado de facto põe uma barreira entre nós e Deus.


5) Maior humildade: quando estamos visíveis para outra pessoa, especialmente um sacerdote, vamos tentar parecer bem no nosso comportamento e expressões faciais. Atrás da grade (especialmente se houver um genuflectório), estamos mais propícios a esquecer a nossa imagem e a verdadeiramente nos humilharmos. Esta é a disposição própria do sacramento e assim torna-a mais frutuosa.


De certeza que há muitas outras razões, e isto é sem ter em conta as palavras e rúbricas concretas do próprio rito! Desta forma conseguimos ver que a confissão atrás das grades ajuda a infundir maior humildade, torna mais fácil ao penitente lembrar os seus pecados, preserva o anonimato, mantém o tempo da confissão mais curto (tornando-a mais prática) e, se as disposições próprias estiverem todas lá, facilita maior recepção de graça ex opere operantis ao penitente. Não é uma questão de mero gosto. Se um sacerdote levasse a sério a sua obrigação de tornar a máxima quantidade de graça disponível para o seu rebanho, parece que ele devia recomendar fervorosamente a confissão atrás da grade.

in unamsanctamcatholicam


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