quarta-feira, 22 de maio de 2013

O frade que não se confessava - Rodrigo Hogendoorn Haimann, ofs

O sacramento da confissão é a certeza da salvação. Infelizmente muitas pessoas abandonaram os confessionários porque são orgulhosas e arrogantes. Dizem que não precisam de padres, que se confessam directamente a Deus, entre outras desculpas esfarrapadas. Outros confessam-se apenas uma vez por ano, que é o mínimo prescrito pela Igreja. A confissão precisa ser frequente. Devemos confessar os pecados graves, mas também os pecados veniais.

Havia um frade nos tempos de São Francisco que vivia uma falsa vida de santidade. E por isso fez um voto de silêncio e não queria nem sequer confessar-se. Claro, se ele se confessasse, o seu vigário saberia o quão pecador ele era, saberia que aqueles ares de santidade eram falsos e que na verdade o frade estava-se a esconder no convento. Ele não se confessava porque era orgulhoso e arrogante, não tinha humildade para reconhecer-se pecador e tentar mudar de vida. Ao invés preferia ocultar seu rosto com uma máscara de santidade e acolher os aplausos de todos.

Existem muitas pessoas assim hoje em dia, aparentam ser santas por causa de suas atitudes exteriores. São elogiadas por todos e tidas como santas, mas no fundo não são nada disso. Mas o seráfico Pai Francisco de Assis, só de olhar para o frade percebeu a farsa. Francisco tinha espírito profético e com isso conseguiu ver além das aparências do frade, conseguiu ver o que ninguém via. Enquanto todos o louvavam e elogiavam, o poverello comentou: “Deixai-vos disso, irmãos, não louveis o seu diabólico fingimento. Podeis ficar sabendo que isso é uma tentação do demónio e engano. Tenho certeza, e o facto de não querer confessar-se é uma prova”. O homem de Deus tinha certeza do que estava a dizer porque o Senhor o tinha revelado.

Pobres de nós, míseros pecadores, que por pouca intimidade com Deus nos deixamos enganar por tantos falsos profetas, tantos falsos pastores que são lobos com pele de cordeiro e usam da palavra de Deus para usurpar, para extorquir o povo tão necessitado, tão sofrido e tão desenganado.

Sejamos como Francisco, prudentes como as serpentes e simples como as pombas, para não nos deixarmos levar por qualquer vento de doutrina estranha e reconhecer que apenas um católico de verdade pode ser verdadeiramente santo, sustentar a sua santidade até o fim, e tê-la reconhecida por Deus e pela sua Igreja ao contrário destes charlatões que retornam ao seu vómito, duplicando os seus crimes e afastando-se cada vez mais da graça de Deus. Que assim seja, amém. Paz e bem!


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1 comentário:

Maria de Fátima disse...

Muito lúcido.