sexta-feira, 29 de julho de 2016

Marta e Maria - Santo Ambrósio

A virtude não tem apenas um rosto. O exemplo de Marta e de Maria mostram-nos a devoção activa nas obras de uma, e a atenção religiosa do coração à palavra de Deus na outra. Se a tal atenção estiver unida uma fé profunda, ela é preferível às obras: «Maria escolheu a melhor parte, que não lhe será tirada». Esforcemo-nos portanto, também nós, por possuir aquilo que ninguém nos poderá tirar, escutando com ouvido atento e não distraído; porque por vezes acontece que o grão da palavra vinda do céu é tirado, se for semeado à beira do caminho (Lc 8, 5.12).

Anima-te pois pelo desejo de sabedoria, como Maria: essa é uma obra maior, mais perfeita. Que as preocupações com o serviço não te impeçam de acolher a palavra vinda do céu. Não critiques nem tenhas por ociosos os que vires ocupados em adquirir a sabedoria, pois Salomão, esse homem de paz, convidou-a para sua casa para que ficasse com ele (Sb 9,10). Não se trata, porém, de reprovar a Marta os seus bons serviços: Maria tem preferência porque escolheu uma parte melhor. Jesus tem múltiplas riquezas, e distribui-as com prodigalidade; a mulher mais sábia reconheceu e escolheu o que é mais importante. 


Também os apóstolos entenderam que era preferível não abandonar a palavra de Deus para servir às mesas (Act 6,2). Mas ambas as coisas são obras de sabedoria: Estêvão foi escolhido como servo, como diácono, e estava cheio de sabedoria (Act 6,5.8). Com efeito, o corpo da Igreja é um, e se os seus membros são diversos, têm necessidade uns dos outros: «Não pode o olho dizer à mão: «não tenho necessidade de ti», nem tão-pouco a cabeça dizer aos pés: «não tenho necessidade de vós» (1Cor 12,21). Se alguns membros são mais importantes, os outros são todavia necessários. A sabedoria reside na cabeça; a actividade, nas mãos.


in Comentário ao Evangelho de São Lucas, 7, 85-86; SC 52


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1 comentário:

Anónimo disse...

Jesus disse a Santa Faustina: “Mesmo a fé mais forte de nada serve sem obras”, por isso pergunto-me: “Se a tal atenção estiver unida uma fé profunda, ela é preferível às obras”. Acho que nós, tal como Marta, muitas vezes nos agitamos com coisas menos importantes, ocupados com serviços que não centram o nosso coração n’Ele por isso Jesus teria dito : “Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas”. Não via no sentido da preferência da fé às obras, mas da importância de O termos sempre como centro das nossas acções: uma só coisa é necessária, Ele, em tudo o que façamos…