terça-feira, 19 de julho de 2016

S. Francisco de Sales, um santo sacerdote


Quando viu aproximar-se o dia em que seria elevado ao sacerdócio, preparou com fervor celestial, e recebeu, com a imposição das mãos, a plenitude do espírito sacerdotal. Obrigou-se a oferecer todos os dias o Santo Sacrifício da Missa, e fazia-o com piedade verdadeiramente angelical. Todos se sentiam penetrados da mais terna devoção, ao vê-lo no altar. Os olhos e o rosto brilhavam-lhe visivelmente, tão grande era a atividade do fogo divino que lhe ardia o coração.

Após a Missa, que costumava dizer de manhãzinha, ouvia as confissões de quantos se lhe apresentassem. Gostava de percorrer as aldeias, para instruir aquela parte do rebanho de Jesus Cristo que vive, geralmente, numa profunda ignorância dos seus deveres; a sua piedade, o desinteresse, a caridade para com os enfermos e os pobres o faziam querido nos lugares pelos quais passava, e lhe atraíam a confiança do povo.

Os pobres aldeões, cuja rudeza repugna às almas comuns, considerava-os filhos; vivia com eles, como se lhes fora pai, compadecia-se das suas necessidades, e a todos dispensava auxílio. Nada, porém, lhes conquistava os corações como a inalterável doçura. Nascera vivo e colérico. À força de estudar a doçura na escola de Jesus Cristo, tornou-se o mais meigo dos homens.

O remédio melhor que conheço contra as súbitas emoções de impaciência, disse ele, é o silêncio doce e sem fel. Por poucas que sejam as palavras proferidas, esgueira-se nelas o amor-próprio, e escapam coisas que lançam por vinte e quatro horas o coração na amargura. Quando não dizemos uma palavra, e sorrimos de coração despreocupado, passa a tormenta; afasta-se a cólera e a indiscrição, e desfruta-se uma alegria pura e duradoura. Foi particularmente por tal doçura sobrenatural que ele converteu setenta e dois mil hereges.

Pe. René François Rohrbacher in 'Vidas dos Santos'


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