Entre os antigos e veneráveis Ritos que a Igreja Romana celebra no Tempo Pascal, um dos primeiros lugares cabe certamente à bênção e distribuição dos chamados 'Agnus Dei'. São estes uns medalhões de cera benzidos pelo Papa, que trazem impressa de um lado um Agnus Dei, que lhes dá o nome, e do outro outra imagem sagrada, muitas vezes um santo canonizado pelo Pontífice que os benze. Podem considerar-se o mais poderoso sacramental (no sentido de objecto benzido) que existe no Mundo.
A história dos 'Agnus Dei' é muito antiga e deriva do costume de distribuir aos fiéis pedaços do círio pascal. Desde uma época remotíssima até cerca do século IX, em Roma o Arcediago benzia ao Sábado Santo a cera humedecida com óleo, com impressa a imagem do Cordeiro pascal, e distribuía-a aos fiéis no Domingo 'in albis', depois da comunhão. Pouco mais tarde, tal bênção tornou-se um rito especial do Papa.
Outrora, os 'Agnus Dei' tinham várias formas, além da de medalhão que se tornou clássica: quadrados, redondos, em estrela ou mesmo em forma de cordeiros, com a imagem prevalentemente do Baptista. O cuidado de os fabricar era outrora dos subdiáconos apostólicos, depois do Sacristão pontifício. Finalmente, Clemente VIII deu o encargo e o privilégio aos Cistercienses de Santa Pudenciana, privilégio transmitido depois ao mosteiro de Santa Cruz em Jerusalém e ao das Três Fontes.
A bênção dos 'Agnus Dei', outrora feita ao Sábado Santo (por analogia com os baptismos), tornou-se depois habitual nos dias da semana 'in albis'. O Papa realizava-a no ano da sua eleição e, depois, a cada sete anos, com um rito imutável pelo menos desde o século XV.
Don Mauro Tranquillo
Sem comentários:
Enviar um comentário