quinta-feira, 5 de junho de 2014

Confissões de um antigo maçom (Maurice Caillet)

Notas prévias:

1. A incompatibilidade entre maçonaria e Fé Católica é entre o pensamento maçónico e o pensamento católico, muito antes de ser um choque entre formas de agir. (cfr. o breve artigo em anexo "Igreja e maçonaria" do Cardeal Paul Poupard).

2. No dia 26 de Novembro de 1983 a Congregação para a Doutrina da Fé publicou uma "Declaração sobre a Maçonaria", onde se diz:

"Permanece portanto imutável o parecer negativo da Igreja a respeito das associações maçónicas, pois os seus princípios foram sempre considerados inconciliáveis com a doutrina da Igreja e por isso permanece proibida a inscrição nelas. Os fiéis que pertencem às associações maçónicas estão em estado de pecado grave e não podem aproximar-se da Sagrada Comunhão."

Maurice Caillet, venerável de uma loja maçónica durante 15 anos, revela segredos da Maçonaria num livro chamado "Yo fui mazón" (Eu fui maçom). Rituais, normas de funcionamento interno, juramentos e a influência na política desta organização secreta saem agora à luz, em particular as implicações do juramento que obriga a defender outros "irmãos" maçons. 

O livro revela também a influência decisiva da Maçonaria na elaboração e aprovação de leis, como a do aborto em França, na qual ele, como médico, participou activamente. 

Caillet, nascido em Bordéus (França) em 1933, especializado em Ginecologia e Urologia, praticou abortos e esterilizações antes e depois de serem legais no seu país. Membro do Partido Socialista Francês, chegou a cargos de relevância na área da saúde pública. 

Quando entrou oficialmente na Maçonaria?
Maurice Caillet: No início de 1970 convocaram-me para uma possível iniciação. Eu ignorava praticamente tudo acerca do que me esperava. Tinha 36 anos, era um homem livre e nunca me havia afiliado a nenhum sindicato ou partido político. Assim, uma tarde, numa discreta rua da cidade de Rennes, bati à porta do templo, cuja frente estava adornada por uma esfinge de asas e um triângulo que rodeava um olho. Fui recebido por um homem que me disse: «Senhor, solicitou ser admitido entre nós. A sua decisão é definitiva? Está disposto a submeter-se às provas? Se a resposta for positiva, siga-me». Fiz um gesto de acordo com a cabeça. Colocou-me então uma venda preta sobre os olhos, segurou-me pelo braço e fez-me percorrer uma série de corredores. Comecei a sentir certa inquietude, mas antes de poder formulá-la, fechava-se a porta detrás de nós...

No seu livro "Yo fui mazón", explica que a maçonaria foi determinante na introdução do aborto livre em França, em 1974. 
Maurice Caillet: A eleição de Valéry Giscard d'Estaing como presidente da República francesa em 1974 levou Jacques Chirac a ser eleito primeiro-ministro, tendo este como conselheiro pessoal Jean-Pierre Prouteau, Grão-Mestre do Grande Oriente da França, principal ramo maçom francês, de tendência laicista. No Ministério de Saúde colocou Simone Veil, jurista, antiga deportada de Auschwitz, que tinha como conselheiro o Dr. Pierre Simon, Grão-Mestre da Grande Loja da França, com o qual eu mantinha correspondência. Os políticos estavam bem rodeados pelos que chamávamos os nossos "Irmãos Três Pontos", e o projecto de lei sobre o aborto foi elaborado com rapidez. Adoptada pelo Conselho de Ministros no mês de Novembro, a lei Veil foi votada em Dezembro. Os deputados e senadores maçons de direitas e esquerdas votaram como um só homem!

Disse que entre os maçons há obrigatoriedade de ajudar-se entre si. Ainda é assim?
Maurice Caillet: Os "favores" são comuns em França. Certas lojas procuram ser virtuosas, mas o segredo que reina nestes círculos favorece a corrupção. Na Fraternal dos Altos Funcionários, por exemplo, negociam certas promoções, e na Fraternal de Construções e Obras Públicas distribuem os contratos, com conseqeências financeiras consideráveis. 

Já beneficiou destes favores? 
Maurice Caillet: Sim. O Tribunal de Apelação presidido por um "irmão" pronunciou-se sobre o meu divórcio, ordenando custos compartilhados, ao invés de dirigir todos a mim, e reduziu a pensão alimentícia à ajuda que devia prestar a meus filhos. Algum tempo depois, após ter um conflito com os meus três sócios da clínica, outro "irmão maçom", Jean, director da Caixa do Seguro Social, ao saber deste conflito, propôs-me assumir a direcção do Centro de Exames de Saúde de Rennes. 

O abandono da maçonaria afectou a sua carreira profissional?
Maurice Caillet: Desde então não encontrei trabalho em nenhuma administração pública ou semi-pública, apesar de meu rico currículo. 

Em algum momento recebeu ameaças de morte? 
Maurice Caillet: Após ter sido despedido do meu cargo na administração e começar a lutar contra esta decisão arbitrária, recebi a visita de um "irmão" da Grande Loja da França, catedrático e secretário regional da Força Operária, que me disse, com a maior frieza, que se eu recorresse à magistratura trabalhista eu «colocaria em perigo a minha vida» e ele não poderia fazer nada para me proteger. Nunca imaginei que poderia estar ameaçado de morte por conhecidos e honoráveis maçons da nossa cidade. 

Era membro do Partido Socialista e conhecia muitos de seus "irmãos" que se dedicavam à política. Poderia me dizer quantos maçons havia no governo de Mitterrand?
Maurice Caillet: Doze. 

E no de Sarkozy? 
Maurice Caillet: Dois. 

Para um ignorante como eu, poderia dizer quais são os princípios da maçonaria?
Maurice Caillet: A maçonaria, em todas as suas obediências, propõe uma filosofia humanista, preocupada antes de tudo pelo homem e consagrada à busca da verdade, mesmo afirmando que esta é inacessível. Rejeita todos os dogmas e defende o relativismo, que coloca todas as religiões no mesmo nível, enquanto desde 1723, nas Constituições de Anderson, ela se erige a um nível superior, como "centro de união". Daí se deduz um relativismo moral: nenhuma norma moral tem em si mesma uma origem divina e, como consequência, definitiva, intangível. A sua moral evolui em função do consenso das sociedades. 

E como Deus se encaixa na maçonaria?
Maurice Caillet: Para um maçom, o próprio conceito de Deus é especial, como nas obediências chamadas espiritualistas. No melhor dos casos, é o Grande Arquitecto do Universo, um Deus abstracto, mas somente uma espécie de "Criador-mestre relojoeiro", como o chama o pastor Désaguliers, um dos fundadores da maçonaria especulativa. A este Grande Arquiteto se reza, se me permite a expressão, para que não intervenha nos assuntos dos homens, e nem sequer é citado nas Constituições de Anderson. 

E o conceito de salvação? 
Maurice Caillet: Como tal, não existe na maçonaria, salvo no plano terreno: é o elitismo das sucessivas iniciações, ainda que estas possam considerar-se pertencentes ao âmbito do animismo, segundo René Guenon, grande iniciado, e Mircea Eliade, grande especialista em religiões. É também a busca de um bem que não se especifica em nenhuma parte, já que a moral evolui na sinceridade, a qual, como todos sabemos, não é sinónimo de verdade. 

Qual é a relação da maçonaria com as religiões? 
Maurice Caillet: É muito ambígua. Em princípio, os maçons proclamam com firmeza uma tolerância especial para com todas as crenças e ideologias, com um gosto muito marcado pelo sincretismo, ou seja, uma coordenação pouco coerente das diferentes doutrinas espirituais: é a eterna gnose, subversão da fé verdadeira. Por outro lado, a vida das lojas, que foi a minha durante 15 anos, revela uma animosidade particular contra a autoridade papal e contra os dogmas da Igreja Católica. 

Como começou o seu descobrimento de Cristo? 
Maurice Caillet: Eu era racionalista, maçom e ateu. Nem sequer era baptizado, mas a minha mulher Claude estava doente e decidimos ir a Lourdes. Enquanto ela estava nas piscinas, o frio obrigava-me a refugiar na Cripta, onde assisti, com interesse, à primeira Missa da minha vida. Quando o padre, ao ler o Evangelho, disse: «Pedi e vos será dado: buscai e achareis; chamai e se vos abrirá», aconteceu um choque tremendo em mim porque ouvi esta frase no dia de minha iniciação no grau de Aprendiz e costumava-a repetir quando, já Venerável, iniciava os profanos. 

No silêncio posterior – pois não havia homilia – ouvi claramente uma voz que me dizia: «Pedes a cura de Claude. Mas o que ofereces?». Instantaneamente, e seguro de ter sido interpelado pelo próprio Deus, só tinha a mim mesmo para oferecer. No final da Missa, fui à sacristia e pedi imediatamente o baptismo ao padre. Este, estupefacto quando lhe confessei a minha pertença maçónica e minhas práticas ocultistas, disse-me que fosse ver o arcebispo de Rennes. Esse foi o início de meu itinerário espiritual.

in Zenit


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6 comentários:

Anónimo disse...

http://www.esferadoslivros.pt/livros.php?id_li=%20150

João Silveira disse...

Esgotado, dizem.

Miguel Lima disse...

Um testemunho muito interessante que tem de ser o mais divulgado possível, a fim de acabar com as muitas dúvidas que existem em muitas cabecinhas, Católicas ou não!

João Silveira disse...

Força!

Anónimo disse...

Este é um grande traidor e mentiroso,para os que não sabem,para ser Iniciado Maçom,precisa antes de tudo, crer em DEUS.

João Silveira disse...

Sem dúvida, crer num deus que não existe, no deus relojoeiro de Descartes.

Isso é dito na entrevista.