sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Benigna preferiu morrer a pecar contra a castidade

Benigna Cardoso da Silva, nascida em Santana do Cariri (Ceará, Brasil), no dia 15 de Outubro de 1928, filha de José Cardoso da Silva e Thereza Maria da Silva, ficou órfã de pai e mãe muito cedo, tendo sido adoptada juntamente com seus irmãos mais velhos pela família “Sisnando Leite”, proprietária do Oiti dos Cirineus, no Distrito de Inhumas.

Era uma jovem muito simples e cheia de humildade. De estatura média, Benigna era magra, de cabelos e olhos castanhos meio ondulados, morena clara, rosto arredondado e queixo afinado.Tinha um leve estrabismo em um dos olhos.

Modesta por natureza, tímida e reservada, não usava vestidos sem mangas, curtos nem com decotes. A sua generosidade, carisma e simpatia a fazia querida e cativada por todos. Em casa, desenvolvia bem todas as tarefas domésticas, com intuito de ajudar a sua família adoptiva. Era boa filha, sempre obediente e prestável.

Extremamente religiosa e temente a Deus, nutria um grande desejo de fazer a Primeira Comunhão, e depois desse sonho realizado, seguia à risca os seus mandamentos. Não perdia as Missas e fazia penitência nas primeiras sextas-feiras em devoção ao Sagrado Coração de Jesus; sempre na companhia da sua “madrinha Ozinha” e da “Tia Bezinha". Era assídua na participação eucarística.

Aos 12 anos de idade, já lendo e escrevendo, Benigna começou a ser assediada por um rapaz chamado Raul Alves com propostas de namoro, rejeitadas de forma categórica por ela, que nada queria com ele a esse respeito. Procurou imediatamente o Pe. Cristiano Coêlho, vigário da época, para pedir conselhos sobre o assunto da perseguição de Raul, e este lhe aconselhou a ir estudar para Santana, oferecendo-lhe uma Bíblia, que se tornou o seu livro de cabeceira, que guardava com esmero e carinho. Encantava-se com as gravuras e as histórias do Antigo e do Novo Testamento. Ela encontrou apoio na palavra de Deus para resistir às tentações de Raul.

A caminho da escola, mostrava-se sempre uma defensora da natureza, não deixando que os seus colegas maltratassem as plantinhas nem tirassem as suas flores ou galhos. Na sala de aula, era uma aluna exemplar; muito estudiosa, cuidadosa, pontual e colaboradora. Gostava sempre de ajudar os seus colegas para não vê-los punidos com a palmatória ou de joelhos nos caroços de milho, facto que a deixava bastante triste, e às vezes até chorava com os castigos aplicados aos outros.

Depois de várias tentativas sem sucesso, numa tarde fatídica de Sexta-Feira, dia 24 de Outubro de 1941, sabendo que Benigna ia buscar água numa cacimba próxima à sua casa, Raul ficou à espreita atrás do mato, observando-a, com os seus recém-completados 13 anos. Ao aproximar-se, abordou-a sexualmente. Ela recusou, ele insistiu tentando violentá-la. Ela disse “não” com veemência e lutou heroicamente para se defender do acto pecaminoso, que no seu entender cristão ofenderia o seu corpo .

Raul, ao perceber que Benigna nada aceitaria, foi tomado por um ódio feroz; sacou de um facão atroz e golpeou-a cortando-lhe os dedos da mão. Ela relutou de forma sobrehumana contra o seu algoz, preferindo morrer a pecar contra a castidade. Depois disso, foi atingida na testa, nas costas e por fim no pescoço, cujo golpe lhe deixou a cabeça quase decepada.

Ao vê-la morta, com o corpo estendido sobre as pedras e o sangue inocente se esvaindo pelo chão, Raul foge, sendo o corpo da vítima encontrado logo em seguida já sem vida.

O seu corpo foi sepultado na manhã do sábado, acompanhado de comoção geral. Os requintes de crueldade do bárbaro crime abalou todo a população. Desde essa data, começaram as visitas ao túmulo e ao local do martírio até o tempo presente. As rogativas feitas à “Santa de Inhumas”, assim como as promessas são geradoras de graças alcançadas por intercessão dessa memorável Jovem , que é tida por todos como “santa” e “Heroína da Castidade”.

O assassino foi preso, pagou pelo seu crime e, arrependido, voltou ao local 50 anos depois para chorar, elevar preces e pedir perdão a Benigna. Neste retorno, relatou a sua mudança de vida, e a sua conversão ao cristianismo. Fez penitências para salvar a sua alma, e pedindo a intercessão de Benigna, alcançou graças recorrendo sempre à sua inocente vítima, a quem sempre rogava nas horas de aflição. Segundo ele, o seu acto foi de loucura e “ela se mostrou virtuosa, quando resistiu para não pecar e não apenas para ver se escaparia.”

Sobre Benigna o Padre Cristiano deixou escrito ao lado do seu baptistério: ”Morreu martirizada, às 4 horas da tarde, no dia 24 de Outubro de 1941, no sitio Oiti. Heroína da Castidade, que a sua santa alma converta a freguesia e sirva de protecção às crianças e às famílias da Paróquia. São os votos que faço à nossa santinha.”

O processo diocesano foi terminado no dia 21 de Setembro de 2013 e entregue na Congregação para as Causas dos Santos no dia 7 de Outubro do mesmo ano. Agora é preciso esperar e rezar para que a Igreja reconheça o martírio de Benigna e possa beatificá-la. Seria a primeira beata mártir do Ceará.


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