sábado, 27 de junho de 2015

O Proto-homossexual

Por que há tantas pessoas heterossexuais a favor da homossexualidade?
Porque a normalização da homossexualidade é a realização da ideologia heterossexual. “Gay” e “homossexual” não são taxonomias mas ideologias. Não são orientações mas desorientações: bi-, homo-, ou hétero-, sexualidade hifenizada faz-nos perder o nosso sentido de direção para o verdadeiro sexual e as vítimas desta ideologia são as crianças.

As palavras “homossexual” e “heterossexual” são neologismos do século XIX feitos para separar o romance da responsabilidade e o sexo da fecundidade. “A heterossexualidade foi feita para servir este fantasioso quadro de regulação de ideais”, escreve Michael Hannon, resumindo Foucault, “preservar a proibição social contra a sodomia e outros desenfreios sexuais sem a necessidade de recorrer à natureza procriadora da sexualidade humana”. O mito tornou-se um facto, e é por isso que tantos heterossexuais são a favor da homossexualidade. A homossexualidade ratifica a heterossexualidade.

Os mesmos princípios e práticas que ajudam e estimulam a ideologia homossexual só validam a ideologia heterossexual: a coabitação, o divórcio sem culpa, o sexo estéril, a exultação do amor romântico, a história banal do casal que se revolta contra o mundo para que possam fugir juntos para o pôr-do-sol, a suposição que ter filhos é um estilo de vida opcional, ou até mesmo algo que se pode comprar através da adoção ou da fertilização “in vitro”. Heterossexualidade, eu diria, é na verdade proto-homossexualidade.

O Proto-homossexual
Quem é o Proto-homossexual? É o trovador poeta de França do século XII idealizando romance e paixão sexual, o Cavaleiro da lenda do Rei Artur que se compromete a servir a sua senhora com verdade e cortesia como se ela fosse uma deusa digna de adoração. Ele acredita que o amor erótico é uma elevada experiência espiritual, a experiência mais elevada. O manual de Andreas Capellanus diz que o secretismo e o suspense vão reavivar a chama da paixão; que obrigações familiares e filhos vão sufocá-la. Lancelot e Guinevere traem o Rei Artur, Tristen e Iseult infringem a lei, Romeu e Julieta ficam malucos e em nome do “amor”, cada nova aventura, causa uma dor não merecida aos outros. Tudo isto, claro, matéria-prima para filmes de sucesso e para romances bestseller na América, hoje em dia.

A verdadeira falha em todo o sistema do Amor Cortês é a sua tendência inerente para a anarquia e o narcisismo. Encontrando-se sozinhos no escuro, longe das responsabilidades diárias e dos constrangimentos sociais, os casais não se tentam conhecer realmente um ao outro. O suposto amor um pelo outro é auto absorvido, a sua vida amorosa é pouco mais do que masturbação mútua. Com a imagem lisonjeira que vêm nos olhos um do outro, eles imaginam-se idênticos. O heterossexual, que é o proto-homossexual, olha para a sua amada como se estivesse a ver o seu reflexo na água.

O narcisismo proto-homossexual, o seu sentimento elevado de si mesmo, leva-o a acreditar que a força irresistível a que chama “amor” é intrinsecamente enobrecedor e que as suas relações não precisam de nada a não ser de consentimento mútuo. Mas a sua paixão só o impulsiona ao engano é à crueldade não intencionada- para a sua amada, para a própria família e para a dela, para os filhos que eles possam ter e para ele próprio.

Apaixonados que se levantam contra o mundo para se poderem casar é um cliché muito visto. No entanto, “casamento como revolta” e “sexo como realização pessoal” mantém-se o estádio inquestionável sobre quem cortejar, casar ou divorciar. Esta é a casa que construímos para conceber e criar crianças.

É um “castelo de cartas”. Tendo já derrubado as pressões sociais e morais da sociedade e erigido um sistema de namoro parecido com a guerra civil, tendo já privatizado o casamento e tendo-o transformado numa declaração sobre a liberdade e a preferência erótica- “é a minha escolha, o meu amor!”- o proto-homossexual fecha as cortinas do seu quarto para encontrar apenas mais um obstáculo à sua felicidade: a fertilidade.

Muito antes de alguém ter sonhado em normalizar a sodomia, a ideologia heterossexual sustentou que o sexo devia ser, em primeiro lugar, recriação. O único problema disto é que o sexo é naturalmente criativo. Mas, tal como a ideologia heterossexual, a tecnologia também evoluiu: com o latex, os procedimentos cirúrgicos certos e os químicos, foi-se tornando possível acreditar que o sexo é essencialmente recriação, uma crença muito acelerada pela pornografia. Duma simulação da realidade, como a sodomia, a pornografia tira, muito astutamente, de cena, a fertilidade. O sexo não é sobre um futuro florescimento mas sobre uma diversão imediata.

(Tem de ser mencionado que a contracepção artificial foi considerada imoral pelos Cristãos, Protestantes e Católicos do mesmo género, em todos os sítios e em todos os tempos até à Conferência de Lambeth em 1930. Dentro de uma única geração a universal e inquebrável ética cristã foi coberta, sufocada e apagada. A condenação do que Martin Luther King considerava como um acto “muito mais atroz do que o incesto ou o adultério” é agora visto como um equívoco católico.)

A pornografia é o desvio, o controlo da natalidade, a cortina de fumo e o aborto o último recurso. Mas há outro problema. Depois de fazer as suas declarações e de se ter divertido, o proto-homossexual percebe que entrou num vínculo indissolúvel.

A ideologia heterossexual levanta uma questão: se o casamento não é, antes de tudo, uma compreensiva união conjugal, se é um vínculo sentimental com a tua Pessoa Número Um, porque é que deve ser permanente? E assim encontramo-nos cara-a-cara com a ideia dos anos 70, o divórcio sem culpa. Se o teu esposo ganhou peso, se o espirro dele te envergonha, se o sexo é tépido, se a tua realização pessoal ou a tua felicidade estão em jogo, podes largá-lo num piscar de olhos. O divórcio sem culpa dá uma ventilação completa aos valores heterossexuais.

A evolução lenta do heterossexual é, de facto, a urgência do homossexual. Com a imagem lisonjeira reflectida nos olhos do amado, a heterossexualidade é só outra versão do Amor de Cortesia. A aceitação cultural da sodomia, tão obviamente estéril e infrutífera, só legitima a crença de que o sexo é pura recriação. O “casamento” entre pessoas do mesmo sexo reforça o sistema do divórcio sem culpa afirmando que o casamento não é, em primeiro lugar, sobre o compromisso e os filhos, mas sobre a felicidade. Junta-se, simplesmente, à tradição heterossexual de ver o casamento como uma forma de revolta.

A alegação de que o comportamento homossexual está errado seria a realização de outros para um padrão moral ao qual o próprio comportamento heterossexual não está em conformidade. Bi-, homo-, hétero-, qualquer forma de sexualidade hifenizada quer a mesma coisa: sexo sem limites morais ou generativos, relações sem constrangimentos culturais ou familiares. Quem é o proto-homossexual? És tu e sou eu.

A verdadeira vítima
O proto-homossexual coloca o casal contra a sociedade, até contra a família. Ele faz contraceptivos e pornografia, ele legaliza o aborto e legisla sobre o divórcio sem culpa e o “casamento” entre homossexuais e quando acaba com o seu terceiro casamento sente que foi vítima, entre todas as coisas, de preconceito religioso! Mas quem é a verdadeira vítima da sexualidade hifenizada?
As verdadeiras vítimas da sexualidade hifenizada não são as 'lobistas' lésbicas ou os gays. As verdadeiras vítimas são os mais novos e os mais inocentes entre nós. O amor livre tem custos e quem os paga são as crianças.

O debate sobre o “casamento” gay não é sobre a homossexualidade mas sobre o casamento. Não é sobre quem se pode casar mas sobre o significado de casamento. O significado do casamento depende do que realmente é uma pessoa humana e a verdade é que cada um de nós nasceu de uma mulher e de um homem. O casamento e os filhos estão inevitavelmente ligados.

Se os humanos não se reproduzissem sexualmente e se os bebés nadassem simplesmente para fora das mães como os tubarões, então a instituição do casamento nunca teria sido estabelecida. Historicamente, as leis sobre o casamento foram feitas para reforçar a ligação entre pais e filhos, especialmente entre o pai e os filhos. O verdadeiro tema são os direitos das crianças.

Num esforço para desviar a atenção dos direitos das crianças vai-se argumentar que o casamento foi redefinido antes. Quantas mulheres teve Jacob? O casamento não foi já entre um homem adulto e uma adolescente? As leis contra a mistura de raças estavam escritas nos livros há menos de 60 anos. Enquanto a nossa sociedade redefine quem conta e quem interessa, vai ser argumentado, o casamento muda. Para além disto, se casais heterossexuais podem adoptar crianças, porque é que os casais homossexuais não podem?

Mas a poligamia não é um argumento para o "casamento" gay. Nem sequer o facto de haver exemplos de poligamia na história, é um argumento para a poligamia. A excepção não prova a regra: a excepção quebra a regra. As leis contra a mistura de raças não foram uma redefinição do casamento conjugal mas a imposição de preconceitos racistas contra a instituição do casamento. A única altura em que homens com mais de 18 anos puderam casar-se com raparigas com menos de 18 anos não desafia, de todo, a definição tradicional de casamento; quanto muito, desafia a definição contemporânea de adulto.

A questão não está em se uma mulher que se sinta atraída por outra mulher possa ser mãe, mas se duas mães fazem um casamento e se o acoplamento de duas mulheres é uma maneira saudável de criar filhos. A adopção existe por causa da tragédia que é o abandono ou a morte. Mesmo assim, todas as crianças têm o direito de ter um pai e uma mãe. Só porque acontecem tragédias, tal não nos dá permissão para, preventivamente, privar as crianças do direito de ter um pai e uma mãe.

A questão não se prende com o facto de saber se uma pessoa que se identifique como homossexual conta ou importa. A questão está em saber se uma relação homossexual constitui um casamento. A questão está em saber, dado o facto de que o ser humano se reproduz sexualmente e que os nossos filhos não nascem auto-suficientes, se o casamento continua a ser o meio natural de florescimento humano. O sexo foi artificialmente separado da procriação, a família, o propósito natural (biológico) do nosso corpo, e os filhos pagaram o preço.

No fim de contas, todos pagam o preço. Nós não somos pavões. Nós não nos limitamos a acasalar. Nós casamos. Nós ansiamos por relações de confiança e duradouras, pela totalidade e por uma vida séria e profunda- e pelo nosso futuro. O parto, o lar e os filhos, a preocupação com o futuro, com a linhagem, tudo isto está em jogo com a revolta contra a sexualidade humana. O espasmo utópico da sexualidade hifenizada é prejudicial para o homem, para a mulher e, especialmente, para as crianças. Eles são a prova da civilização avançada.

As crianças têm direito à vida. As crianças têm direito a ter um pai e uma mãe. As crianças têm o direito a ser educadas em casamentos fiéis e comprometidos. Quem somos nós para privá-las disso?

Nós estamos orientados
Falando em orientação sexual, eu sinto-me quase um revolucionário (no sentido de um círculo voltando ao seu principio, ao seu sítio certo). Estou a tentar expor a orientação sexual em cada um de nós- a orientação que é tão boa que dói. Nós vingamo-nos chamando-lhe Atracção ou Desejo Sexual. É a orientação sexual que não podemos ignorar ou que não podemos admitir mas que no entanto queremos fazer os dois. Não podemos admiti-la porque ameaça todo o falso programa dentro do qual temos vivido. No entanto, não podemos ignorá-lo porque está escrito nos nossos próprios corpos ou no mais profundo do nosso coração. Eu gostava de lançar a ideia de que nós não somos nem hetero nem homossexuais, somos simplesmente (agora parece inacreditável) sexuais. Como homens e mulheres somos, todos, orientados.

E isto persegue-nos. Nós fingimos que a ligação entre o sexo e a fecundidade é uma barbaridade da idade mais escura. Nós esterilizamo-nos a nós próprios, tomamos comprimidos que suprimem a nossa fertilidade, como último recurso abortamos e comportamo-nos como se tivéssemos resolvido o assunto. Mas tudo isto é um estratagema. Sob as taxonomias sexuais e os subterfúgios tecnológicos permanece a inegável orientação sexual para a reprodução sexual. O ciclo menstrual, a erecção, o útero e os seios, tudo nos lembra dessa orientação. Nem um preservativo consegue esconder o facto do que o que está a ser derramados é uma semente. A biologia e a natureza humana lembram-nos que a sexualidade humana é orientada para os filhos e para o futuro.

Esta orientação tem sido deformada e desumanizada por toda a nossa tecnologia e manipulação. Mas para além de tudo o que possamos ser, como homens e mulheres, nós somos sexualmente complementares e mutuamente envolvidos na geração. Isto não é uma construção social. Esta é a permanente e irreduzível verdade sobre a biologia e a natureza humana. Esta é a nossa herança e o nosso futuro. Esta é a nossa destruição. Nós dependemos desta orientação para o florescimento do nosso próprio futuro.

Nós somos, cada um de nós, orientados para o sexual. A sexualidade sem o artifício de um prefixo ideológico é a profunda reserva de vida, de geração, de filhos. E como os filhos humanos requerem uma quantidade incalculável de cuidado físico e moral, o sexo e o casamento estão, como sempre estiveram, ligados.

A história de Ovid serve de aviso: o Narciso apaixona-se pelo seu próprio reflexo na água, recusa o afecto de Echos e morre porque o amor sem o outro é estéril e sem esperança. Como o amor sexual é naturalmente criativo, seria um erro esperar, como o Narciso, que um amante espelha-se exactamente quem somos. Os apaixonados não estão ligados por sentimentos (como o trovador poeta pensava), mas pela ligação matrimonial, que deve ser aberta à vida e à responsabilidade pelo outro. O casamento é a correlação social para o facto biológico da fecundidade humana.

A definição tradicional de casamento não tem raízes na religião nem na homofobia mas na natureza biológica e humana. O “casamento” gay pode fazer sentido numa ideologia pessoal, mas não faz sentido para a sociedade. O casamento não foi estabelecido porque os humanos são românticos e gostam de intimidade mas porque os humanos reproduzem-se sexualmente e as crianças precisam de um pai e de uma mãe para serem concebidos e criados. Todos têm o direito de se casarem, mas isso não faz com que nenhuma relação romântica ou sexual seja um casamento, apesar da ideologia heterossexual dizer que assim é.

A heterossexualidade é, na verdade, proto-homossexualidade: a diferença entre a heterossexualidade e a homossexualidade é uma questão de preferência, mas os valores e os objectivos são os mesmos. No entanto, o casamento lembra-nos que estamos orientados para o sexual, e é por isso que se tornou num campo de batalha. É por isso que tantas pessoas hétero são a favor da homossexualidade.

Tyler Blanski in Crisis Magazine


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