sábado, 29 de agosto de 2015

O Summorum Pontificum nos Estados Unidos

Mons. Slattery visita a paróquia do Pe. Davison

1 – É difícil encontrar melhores palavras do que as do Pe. Timothy Davison para expressar a atracção que a missa tradicional exerce sobre um tão grande número de sacerdotes: “feitos” para celebrarem o santo sacrifício, os sacerdotes, no seio da liturgia nova, acabam por se sentir sem rito – no sentido mais nobre do termo, segundo o qual ele é expressão visível e invisível desse acontecimento sagrado de que, no altar, eles são ministros. O Pe. Tim diz-nos ainda, como o faz um grande número de sacerdotes diocesanos que começaram a celebrar segundo o rito tradicional, que a atracão da forma extraordinária é contagiosa: os outros sacerdotes vêem a alegria de quem a celebra e os frutos que daí se retira, e vem-lhes a vontade de os imitar.

2 – De acordo com o Pe. Tim, desde 2007 e da publicação do Summorum Pontificum, houve já 2000 sacerdotes americanos que antes só celebravam na forma ordinária, entretanto também já aprenderam a celebrar na forma extraordinária. Não é possível louvar o suficiente a importância do Motu Proprio de Bento XVI no que diz respeito ao lento mas profundo movimento que ele pôs em marcha. Cabe também sublinhar o papel notável desempenhado pelas comunidades com capacidade de levarem a cabo uma pedagogia litúrgica, neste caso a dos Cónegos da São João de Câncio e da Fraternidade de S. Pedro (mas nos Estados Unidos, podíamos ainda citar o Instituto de Cristo-Rei e os mosteiros tradicionais). É bem sabido como são importantes, em todo o processo de educação restauradora, este tipo de apoios.

3 – O bispo do Pe. Davison, Mons. Edward Slattery, mostrou ser particularmente acolhedor. Convém lembrar que a situação nos Estados Unidos é bem diferente da que se vive no velho continente, e em especial da que se vive em França e em Portugal, já que nos Estados Unidos não é a ideologia que impera. Enquanto que na Europa – descrita há pouco tempo pelo Papa Francisco como uma periferia envelhecida já sem sacerdotes e sem religiosas (2) –, muitos bispos preferem ver diminuir, cada ano que passa, o número de vocações e o número de fiéis, em vez de abrirem o seu coração e as suas igrejas à forma extraordinária, já do outro lado do Atlântico, a maioria dos bispos, mesmo os que não são ligados à tradição, mostram uma atitude pragmática, e por isso, vendo que a liturgia tradicional atrai os fiéis e gera novas vocações, não hesitam em dar-lhe um espaço adequado para que se possa desenvolver, e nem sequer o fazem de má cara. Que bom exemplo!

4 – A respeito dessa paz paroquial que nos é descrita pelo Pe. Tim, fica claro que ela vem, em primeiro lugar, da paz litúrgica que enche o coração deste pároco. Sem dúvida que, estando assim as coisas, não tem de lidar com esses comités de leigos transformados em “clérigos substitutos” que se encontram em redor da nova liturgia. Resta pois sublinhar a naturalidade com que, desta maneira, a forma tradicional readquire o seu lugar próprio na vida da Igreja, da qual, em certo sentido, esta pequena paróquia do Oklahoma constitui um microcosmos.

(1) Dom Mark Kirby é o prior do mosteiro de Nossa Senhora do Cenáculo, que se dedica à adoração perpétua do Santíssimo Sacramento. Erigido a princípio na Diocese de Tulsa logo depois do Ano da Eucaristia instituído por João Paulo II (2004-2005), ele encontra-se agora em Silverstream, no condado de Meath, na Irlanda. A liturgia ordinária do mosteiro segue a forma extraordinária.

(2) Por ocasião do encontro com os novos bispos de Propaganda Fide, a 20 de Setembro de 2014.

in Paix Liturgique


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