quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

A Igreja Católica sempre foi perita em Marketing

Poucos países sofreram tanto as consequências do pós-concílio quanto o Brasil, onde o número de católicos caiu 35% ao longo dos últimos trinta anos. Há alguns anos, preocupados com a hemorragia dos fiéis, os bispos brasileiros contrataram uma importante empresa de marketing (ALMAP), cujo presidente, Alex Periscinoto, é tido como o “melhor gestor de marketing” do Brasil.

Os membros do Comité Executivo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil esperavam de Periscinoto conselhos sobre como definir uma pastoral para Igreja, oferecendo uma melhor imagem da instituição, a fim de parar a "fuga" de fiéis que, na sua maior parte, estão indo para a comunidade evangélica.

O resultado foi surpreendente. Perissinotto apresentou os resultados do seu estudo a duzentas pessoas, entre bispos e padres ligados à pastoral. Dizer que ficaram chocados com o discurso do especialista em marketing seria pouco. Talvez esperassem ser aconselhados a pintar igrejas com cores vivas, a introduzir mais música pop, mais liturgias modernas e assim por diante. Mas, aos invés disso…

A primeira ferramenta de marketing na história do mundo foi o sino – disse Periscinoto logo de início – e era a melhor. Quando tocava, não só atingia 90% dos habitantes de uma cidade, mas mudava o comportamento pessoal deles. Vocês inventaram uma ferramenta que ainda é usada em marketing comercial. É o chamado display. O ecrã é algo que usamos para enfatizar, propor algo com força para o público. Quando todas as casas eram baixas, vocês construíam igrejas com torres seis vezes maiores. Isso permitia o reconhecimento imediato da igreja: ali está! 

Vocês inventaram o primeiro logotipo da História. O logotipo é um símbolo usado para garantir que uma marca seja facilmente reconhecível. O vossa era o melhor: a Cruz. Este logotipo foi sempre colocado sobre o ponto mais alto e visível do display. Ninguém poderia confundir: aquela era a Igreja Católica! Este logotipo inventado por vocês foi tão eficaz que até mesmo Hitler o utilizou, com pequenas modificações, para mobilizar as massas. E quase ganhou a guerra. 

Vocês também inventaram a campanha promocional. O que é uma procissão religiosa? Para uma cidade, ou mesmo para um bairro de uma cidade grande, nada é mais promocional do que uma procissão, por exemplo, em honra de Nossa Senhora. Quando nós, especialistas em marketing, organizamos um evento promocional, usamos muito do que a Igreja inventou. Nós desfraldamos bandeiras e banners, nós vestimos os nossos representantes com trajes especiais de modo que eles possam ser facilmente reconhecidos. Procuramos criar uma mística comercial. Mas a nossa mística nunca será tão rica quanto a vossa. 

Infelizmente, vocês mudaram a maneira como a Missa é celebrada. Hoje em dia a Missa já não é em latim e 'de costas' para o fiel. Vocês pensavam que estavam a fazer algo de bom. Em vez disso, tenho uma má notícia. A minha Mãe nunca pensou que o Padre estava de costas. Sempre pensou que todos, fiel e celebrante, estavam voltados para Deus. Ela gostava do latim, mesmo quando não entendia muito.

Para a minha Mãe, o latim era a língua mística com o qual os ministros da Igreja falavam com Deus. Ela sentia-se privilegiada e recompensada por assistir de joelhos a uma cerimónia tão importante. Na minha opinião, a mudança feita na liturgia da Missa foi um erro terrível. Posso estar errado. Eu não sou um teólogo. Analiso o problema do ponto de vista do marketing. E a partir deste ponto de vista, a mudança foi um desastre. 

Abandonaram o vosso traje particular, a batina, que identificava os vossos representantes comerciais, os sacerdotes. Ao fazê-lo, deitaram fora uma marca. 

Vocês desnaturaram o vosso 'display', tornando as igrejas cada vez mais parecidas com prédios civis. 

Tudo o que se inventa contém uma oferta, algo que se quer vender. O vosso produto é chamado Fé. Mas eu também tenho uma boa notícia: esta, hoje em dia, é uma procura crescente. O mercado, talvez, nunca tenha sido tão favorável para a Fé. Vocês, no entanto, falam mais de política do que Fé. Sendo assim, como se podem queixar que as igrejas estão cada vez mais vazias, enquanto que os salões de grupos evangélicos estão cada vez mais cheios? 

Julio Loredo in atfp.it


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2 comentários:

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
francisco disse...

Temos um tesouro que está escondido. Porque não mostram esta beleza tão simples?
Lembra-me a passagem «O Reino do Céu é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem encontra. Volta a escondê-lo e, cheio de alegria, vai, vende tudo o que possui e compra o campo.», se não mostram o tesouro aos Homens como querem evangelizar?