sábado, 31 de janeiro de 2026

A oração e a pureza estiveram sempre presentes na vida de D. Bosco

D. Bosco rezava sempre. Nele, a união com Deus era contínua. Quem se aproximava dele percebia logo estar diante de um serafim. Era-o tal quando rezava de joelhos; era-o ao celebrar a Santa Missa; era-o no caminhar grave e sereno; tal era quando nas conversações sabia elevar-se a Deus por mais comum que fosse o argumento sem que por isso se tornasse enfadonho ou aborrecido; fazia-o com uma naturalidade incrível. 

A sua palavra, os seus gestos, a sua atitude, em suma, qualquer acção de D. Bosco respiravam uma candura e um aroma tão virginal que arrebatava e edificava a quem quer que se aproximasse dele, fosse embora um desencaminhado. O ar angélico que lhe transparecia no rosto tinha um atractivo especial para conquistar os corações. Dos seus lábios jamais saiu uma palavra que se pudesse taxar de menos própria. 

No seu exterior evitava qualquer gesto ou qualquer movimento que parecesse mundano. Quem o conheceu nos momentos mais íntimos de sua vida, o que achou nele de mais extraordinário foi sem dúvida a suma atenção que sempre usou na prática dos mais vivos cuidados para não lesar a modéstia. 

"Estou absolutamente convencido – declara o Cónego Berrome – que D. Bosco conduziu à tumba a estola da inocência baptismal. Lia-se a virtude da castidade no seu olhar, na sua atitude, na sua palavra e em todos os seus actos; bastava fixá-lo para sentir o perfume desta virtude."

V. Sinistrero in 'Dom Bosco nos guia à Pureza' (Niterói: Escolas Profissionais Salesianas, 1940, pp. 120-124)


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sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Os 7 Domingos em honra de São José

Os 7 Domingos em honra de São José são uma tradição do séc. XVI que consiste numa especial devoção ao Patrono da Igreja, nos 7 Domingos que antecedem a sua Festa (dia 19 de Março). O primeiro desses Domingos é já o próximo, dia 1 de Fevereiro. O último será no Domingo dia 15 de Março.

Oração:

Pois sois santo sem igual e de Deus o mais honrado:

Sede, José, nosso advogado nesta vida mortal.
Antes que tivésseis nascido, já fostes santificado, e ao eterno destinado para ser favorecido: nascestes de linhagem e sangue real.

Sede, José, nosso advogado nesta vida mortal.
Vossa vida foi tão pura que, depois de Maria, o mundo não viu mais santa criatura; e assim foi a vossa ventura entre todos sem igual.

Sede, José, nosso advogado nesta vida mortal.
Vossa santidade declara aquele caso soberano, quando em vossa santa mão floresceu a seca vara; e para que ninguém duvidasse, fez o Céu esse sinal.

Sede, José, nosso advogado nesta vida mortal.
À vista desse milagre, todos vos respeitavam e felicitavam com alegria e contentamento pelo casamento com a Rainha Celestial.

Sede, José, nosso advogado nesta vida mortal.
Com júbilo recebestes a Maria por esposa, Virgem pura, santa, com a qual feliz vivestes, e por Ela conseguistes dons e luz celestial.

Sede, José, nosso advogado nesta vida mortal.
Ofício de carpinteiro exercitastes em vida, para ganhar a comida a Jesus, Deus verdadeiro, e para a vossa Esposa, luzeiro, companheira virginal.

Sede, José, nosso advogado nesta vida mortal.
A vós e Deus deram-se mutuamente com terno amor: Vós lhe destes o suor, e Ele vos deu a vida imortal.

Sede, José, nosso advogado nesta vida mortal.
Vós fostes a concha fina onde se conservou inteira a pureza daquela Pérola Divina, vossa Esposa e Mãe digna, a qual nos tirou do mal.

Sede, José, nosso advogado nesta vida mortal.

Primeiro Domingo

A dor: Quando estava disposto a repudiar a sua Imaculada esposa.
A alegria: Quando o Arcanjo lhe revelou o sublime mistério da encarnação.

Oh! castíssimo esposo de Maria, glorioso São José, que aflição e angustia a do vosso Coração na perplexidade em que estáveis sem saber se devíeis abandonar ou não a vossa esposa sem mancha! mas qual não foi também a vossa alegria quando o Anjo vos revelou o grande mistério da Encarnação!

Por essa dor e esta alegria vos pedimos consoleis o nosso Coração agora e nas nossas últimas dores, com a alegria de uma vida justa e de uma santa morte semelhante à vossa, assistidos por Jesus e de Maria.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória

Segundo Domingo

A dor: Ao ver nascer o menino Jesus na pobreza.
A alegria: Ao escutar a harmonia do coro dos Anjos e observar a glória dessa noite.

Oh! Bem-aventurado patriarca, glorioso São José, escolhido para ser pai adoptivo do Filho de Deus feito homem: a dor que sentistes vendo nascer o menino Jesus em tão grande pobreza transformou-se, por certo, em alegria celestial ao ouvir o harmonioso concerto dos Anjos e ao contemplar as maravilhas daquela noite tão resplandecente.

Por essa dor e esta alegria alcançai-nos que depois do caminho desta vida possamos ir escutar as adorações dos Anjos e a gozar dos resplandores da glória celestial.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória

Terceiro Domingo

A dor: Quando o sangue do menino Salvador foi derramado na sua circuncisão.
A alegria: Ao ouvir o nome de Jesus.

Oh! executor obedientíssimo das leis divinas, glorioso São José: o sangue preciosíssimo que o Redentor menino derramou na sua circuncisão trespassou-vos o coração; mas o nome de Jesus que então lhe deram, confortou-vos e encheu-vos de alegria.

Por essa dor e esta alegria alcançai-nos viver separados de todo pecado, a fim de expirar alegres, com o santíssimo nome de Jesus no Coração e nos lábios.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória

Quarto Domingo

A dor: A profecia de Simão, ao predizer os sofrimentos de Jesus e Maria.
A alegria: A profecia da salvação e gloriosa ressurreição de inumeráveis almas.

Oh! Santo fidelíssimo, que tivestes parte nos mistérios de nossa redenção, glorioso São José; ainda que a profecia de Simão acerca dos sofrimentos que deveriam passar Jesus e Maria vos tenha causado dor mortal; sem dúvida encheu-vos também de alegria, anunciando, ao mesmo tempo, a salvação e ressurreição gloriosa que dali se seguiria para um grande número de almas.

Por essa dor e por esta alegria consegui-nos de sermos do número dos que, pelos méritos de Jesus e a intercessão da bem-aventurada Virgem Maria, haverão de ressuscitar gloriosamente.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória

Quinto Domingo

A dor: No seu trabalho de educar e servir ao Filho do Altíssimo, especialmente na viagem para o Egipto.
A alegria: Ao ter sempre com ele a Deus verdadeiro, e vendo a queda dos ídolos do Egipto.

Oh! custódio vigilante, familiar íntimo do Filho de Deus feito homem, glorioso São José, quanto sofrestes tendo que alimentar e servir o Filho do Altíssimo, particularmente na vossa fuga ao Egipto, mas quão grande foi também a vossa alegria tendo sempre convosco o mesmo Deus e vendo derrubados os ídolos do Egipto.

Por essa dor e esta alegria, alcançai-nos afastar para sempre de nós o tirano infernal, sobretudo fugindo das ocasiões perigosas, e derrubar do nosso coração todos os ídolos de afecto terreno, para que, ocupados em servir a Jesus e Maria, vivamos tão somente para eles e morramos alegres no seu amor.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória

Sexto Domingo

A dor: Ao regressar a sua Nazaré por medo a Arquelau.
A alegria: Ao regressar com Jesus do Egipto a Nazaré e a confiança estabelecida pelo Anjo.

Oh! anjo da terra, glorioso São José, que pudestes admirar ao Rei dos céus, submetido aos vossos mais mínimos mandatos; ainda que a alegria ao trazer-lhe do Egipto se mudou por temor a Arquelau, sem dúvida, tranquilizado logo pelo Anjo, vivestes feliz em Nazaré com Jesus e Maria.

Por essa dor e esta alegria, alcançai-nos a graça de desterrar de nosso Coração todo o temor nocivo, possuir a paz de consciência, viver seguros com Jesus e Maria e morrer também assistidos por Eles.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória

Sétimo Domingo

A dor: Quando sem culpa perde Jesus e o procura com angustia durante três dias.
A alegria: Ao encontra-lo em meio aos doutores no Templo.

Oh! modelo de toda santidade, glorioso São José, que havendo perdido sem culpa vossa o menino Jesus, o buscastes durante três dias com profunda dor, até que, cheio de alegria, o achastes no templo, em meio dos doutores.

Por essa dor e esta alegria, vos suplicamos com palavras saídas do coração, intercedais em nosso favor para que jamais nos suceda perder a Jesus por algum pecado grave.

Mas, se, por desgraça, O perdermos, fazei com que O procuremos com tal dor que não achemos sossego até encontrá-l'O benigno, sobretudo na nossa morte, a fim de irmos para o Céu cantar eternamente convosco as Suas divinas misericórdias.

Pai-Nosso, Ave-Maria e Glória


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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Preparação para a morte por São Francisco de Sales

1. Considera a incerteza do dia de tua morte. Ah, minha alma! Sairás um dia deste corpo. Quando? No inverno ou no verão? Na cidade ou no campo? De dia ou de noite? De modo imprevisto ou avisado? Por doença ou acidente? Terás tempo de te confessar ou não? Terás a assistência do teu confessor e pai espiritual ou não? De tudo isso absolutamente nada sabemos. A única coisa certa é que morreremos, e sempre mais cedo do que julgávamos.

2. Considera que então o mundo acabará no que te diz respeito. Ele não existirá mais para ti, ele virará de cabeça para baixo à tua frente. Sim, pois então os prazeres, as vaidades, as alegrias mundanas, os afectos vãos parecerão como nuvens e fantasmas. Ah, miserável, por que ninharias ofendi ao meu Deus? Verás que abandonamos Deus pelo nada. Ao contrário, a devoção, as boas obras te parecerão tão desejáveis e doces! E por que não segui este belo e gracioso caminho? Então os pecados que pareciam pequenos parecerão grandes como montanhas e a tua devoção, bem pequena.

3. Considera o longo e langoroso adeus que a tua alma dirá a este baixo mundo. Dirá adeus às riquezas, às vaidades, às vãs companhias, aos prazeres, aos passatempos, aos amigos, aos vizinhos, aos pais, aos filhos, ao marido, à esposa, em suma, a toda criatura e por fim a seu corpo, que ela abandonará pálido, magro, acabado, medonho e infecto.

4. Considera os trabalhos que terão para erguer o teu corpo e enterrá-lo; e que, feito isso, o mundo quase não pensará mais em ti, como tu quase não pensaste nos outros.Que Deus o tenha, dirão, e acabou-se. Ó morte, como és desdenhada! Como és implacável!

5. Considera que ao sair do corpo, a alma segue ou para a direita ou para a esquerda. Aonde irá a tua? Que caminho tomará? O mesmo que ela começou a trilhar neste mundo.

Afeições

1. Reza a Deus e te lança entre os seus braços. Ai, Senhor, recebei-me em vossa protecção neste dia apavorante! Tornai-me feliz e favorável esta hora, e que todas as outras me sejam tristes e aflitivas.

2. Despreza o mundo. Como não sei a hora a hora em que terei de deixar-te, ó mundo, não quero apegar-me a ti. Ó meus caros amigos, minhas caras alianças, permitai que não me afeiçoe a vós mais do que por uma amizade santa, que possa durar eternamente; pois por que me unir a vós para depois deixar e romper tal laço?

Resoluções

Quero preparar-me para esta hora e tomar os cuidados necessários para fazer felizmente esta passagem. Quero examinar com toda atenção o estado da minha consciência e pôr ordem nestas e naquelas faltas.

Conclusão

Agradece a Deus por estas resoluções que Ele vos deu; oferece-as à Sua Majestade. Roga-lhe mais uma vez que Ela torne feliz a tua morte pelo mérito de seu Filho. Implora a ajuda da Santa Virgem e dos santos. Pater Noster. Ave Maria.


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quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

São Pedro Nolasco, fundador do Mercedários

São Pedro Nolasco nasceu em 1190. Os pais constatavam com muita satisfação, que ao desenvolvimento físico do filho, correspondia igual progresso moral. Era admirável a terna compaixão que Pedro, criança ainda, revelava pelos pobres. O aspecto da miséria causava-lhe tanta tristeza, que os pais, querendo consolá-lo, haviam de dar-lhe esmolas para os pobres. 

Mais tarde, quando estudante, repartia com os pobres tudo que dos pais recebia. Com o maior cuidado guardava o tesouro da pureza do coração, e todo o seu desejo era poder servir a Deus do modo mais perfeito. Daí a fuga de tudo que pudesse desagradar a Deus, ou ser um perigo para a sua alma. 

Pedro tinha 15 anos quando perdeu o pai. A mãe, desejando ter uma auxiliar no governo da casa, insistiu com Pedro para que estabelecesse família, ao que este se opôs terminantemente. Mais ainda: fez os votos de castidade e de pobreza, com o propósito de repartir os bens entre os pobres.

A França, naquela época, estava tomada por sérias desordens que infestavam todo o território sul, dentre as quais os abusos dos albigenses (facção maniqueísta que alastrou-se pelo país). Para evitar qualquer contato com os hereges, Pedro associou-se ao conde Simão Monfort, comandante do Exército Católico. Com ele mudou-se para a Espanha, onde lhe foi confiada a educação do príncipe Jaime de Aragão.

Ofereceu-se-lhe ocasião de observar a tristíssima sorte dos cristãos que tiveram a infelicidade de cair no poder dos muçulmanos, que corriam grande perigo de perder a fé. Diante disto Pedro aplicou toda a sua fortuna no resgate daqueles infelizes, mas como a quantidade de escravos era enorme, acabou tendo de recorrer à caridade de outras pessoas que, caridosamente contribuíram com elevadas somas para a redenção dos pobres cativos.

No primeiro de Agosto de 1223, Pedro teve uma revelação da Santíssima Virgem, a qual mostrando grande satisfação pelo bem que fizera aos cristãos, deu-lhe a ordem de fundar uma congregação com o fim determinado da redenção dos cativos. Pedro comunicou este facto a São Raimundo de Penaforte, seu confessor e ao Rei Jaime, e grande surpresa teve quando deles soube, que ambos, na mesma noite, haviam tido a mesma aparição. 

Tendo assim tão claramente a revelação da vontade divina, Pedro sem demora pôs mãos à obra e emitiu os três votos, de pobreza, castidade e obediência, acrescentando o quarto, de sacrificar os bens e a própria liberdade, se necessário fosse, pela redenção dos captivos. Do bispo Berengário, de Barcelona, recebeu estes seus votos.

São Raimundo de Penaforte, por sua vez, organizou as constituições da regra da nova ordem, e impôs a Pedro o hábito nomeando-o primeiro Superior. A nova instituição teve gratíssimo acolhimento da parte do povo e com Raimundo, mais dois fidalgos receberam o hábito.

A nova regra obteve, já em 1235, a aprovação da Santa Sé. Durante o espaço de trinta e um anos dirigiu os destinos da Ordem, e por milhares contaram-se os cristãos que lhe deveram a libertação do cativeiro mourisco.

Grande desejo tinha tinha de visitar o túmulo do apóstolo São Pedro, a quem dedicava especial devoção. Quando, na hora das matinas apresentou a Deus o pedido de ver realizado esse desejo, apareceu-lhe São Pedro, fazendo-lhe ver que não era a vontade de Deus que fizesse aquela viagem. Pedro contentou-se inteiramente com esta resposta.

Os últimos anos da sua vida foram-lhe amargurados pela impossibilidade de trabalhar. Sentindo-se ao fim da peregrinação terrena, reuniu todos os religiosos de sua Ordem, para lhes dar os últimos conselhos e a bênção. As últimas palavras que disse, foram: "Eu vos louvarei, Senhor, porque a salvação trouxestes ao povo". São Pedro Nolasco morreu a 25 de Dezembro de 1256.

in paginaoriente.com


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terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Conselhos de São João Crisóstomo aos Esposos

Nunca chameis por ela duma maneira seca, mas empregai, pelo contrário, palavras de veneração, ternas. Palavras de amor. Honrai-a, e o pensamento de procurar as homenagens de outros não aparecerá, pois não terá a ideia de ir mendigar fora a afeição que encontrará em vós. Colocai-a acima de tudo na beleza, e na sabedoria e dai-lhe testemunho disso. Introduzi-a no amor de Deus e a vossa casa transbordará de bens.

A tua mulher terá bens pessoais e dirá: ‘Quando comprei isto não gastei nada do que te pertence, gastei só dos meus próprios recursos’. O quê? Depois do casamento, já não sois dois! Sois um só e pensais que há ainda duas propriedades distintas? É lamentável! Depois do casamento não formais senão um só ser, uma só vida. Por que dizeis: o teu, o meu? Esta palavra abominável e degradante é uma invenção diabólica. O criador fez um bem comum de coisas seguramente necessárias. Ninguém pode dizer: o meu sol, a minha luz, a minha água. E vós dizeis: os meus bens? Eis um vício que é preciso combater acima de tudo. Mas é preciso fazê-lo com muita delicadeza.

Queres que a tua mulher seja submissa como a Igreja o é a Cristo? Tem para com ela a solicitude de Cristo pela sua Igreja. Em rigor, pode dominar-se um servo pelo medo. Mas a companheira da tua vida, a mãe dos teus filhos, a causa da tua felicidade e da tua alegria, não a podes encadear pelo medo e pelas ameaças. Deves prendê-la pelo amor e pela delicadeza. Que união pode existir quando a mulher treme diante do seu marido? Que alegria pode ter o marido quando trata a mulher como uma escrava? Mesmo se sofreste um pouco por ela, não lhe atires isso à cara. Cristo fez muito mais pela sua Igreja.

Mostra-lhe a felicidade que tens em viver na sua companhia e que preferes a vida de casa à da cidade. Ela ocupa um lugar antes dos amigos e antes dos filhos que te deu: faz-lhe compreender que é por causa dela que tu os amas. Quando ela fizer qualquer coisa de bem, felicita-a, e admira o seu talento. Se faz qualquer tolice, não a censures por isso. Fazei a vossa oração em comum. Aprendei a nada temer neste mundo, senão a ofensa a Deus. Se um homem se casa com este espírito, então o matrimónio está muito próximo da perfeição”.

adaptado de: ChurchPop


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domingo, 25 de janeiro de 2026

Conversão de São Paulo

Esta obra de Caravaggio encontra-se na igreja de Santa Maria, na famosa ‘Piazza del Popolo’ em Roma. Retrata a passagem dos Actos dos Apóstolos (26, 12-18) na qual se explica a vertiginosa mudança na vida daquele homem: de Saulo, impiedoso perseguidor dos cristãos, a Paulo, um dos maiores Apóstolos do cristianismo.

Caravaggio era exímio no “jogo de luzes”, o que se aplica perfeitamente a este episódio visto que Saulo caiu por terra quando viu uma grande luz vinda do céu e uma voz que perguntou: “Saulo, Saulo, por que Me persegues?”

Passando de um génio da pintura para um génio da literatura, eis como S. Agostinho descreveu este acontecimento:

“Paulo foi derrubado para ser cegado; foi cegado para ser mudado; foi mudado para ser enviado; foi enviado para que a verdade aparecesse.”

Que São Paulo nos ajude a proclamar as verdades da Fé cristã ainda que, por causa disso, tenhamos de sofrer perseguições.


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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Patriarcas da Terra Santa contra o "Sionismo Cristão"

Os Patriarcas e Chefes das Igrejas na Terra Santa afirmam perante os fiéis e perante o Mundo que o rebanho de Cristo nesta terra está confiado às Igrejas Apostólicas, que têm suportado o seu ministério sagrado ao longo dos séculos com devoção inabalável.

Actividades recentes levadas a cabo por indivíduos locais que promovem ideologias nocivas, como o sionismo cristão, extraviam o público, semeiam confusão e prejudicam a unidade do nosso rebanho. Estas empreendimentos têm encontrado favor junto de certos actores políticos em Israel e para além, que procuram impor uma agenda política que poderá lesar a presença cristã na Terra Santa e no Médio Oriente.

A Sagrada Escritura ensina-nos que «nós, embora muitos, somos um só corpo em Cristo, e individualmente membros uns dos outros» (Rom 12, 5). Pretender uma autoridade fora da comunhão da Igreja é ferir a unidade dos fiéis e sobrecarregar a missão pastoral confiada às Igrejas históricas precisamente na terra onde o nosso Senhor viveu, ensinou, padeceu e ressuscitou dos mortos.

Os Patriarcas e Chefes das Igrejas tomam ainda nota, com preocupação, que estes indivíduos têm sido acolhidos a nível oficial, tanto local como internacionalmente. Tais acções constituem uma intromissão na vida interna das Igrejas e um desrespeito pela responsabilidade pastoral confiada aos Patriarcas e Chefes das Igrejas em Jerusalém.

Os Patriarcas e Chefes das Igrejas em Jerusalém reiteram que só eles representam as Igrejas e o seu rebanho em matérias relativas à vida religiosa, comunitária e pastoral dos cristãos na Terra Santa.

Que o Senhor, Pastor e Guardião das almas, conceda sabedoria para a protecção do Seu povo e a salvaguarda do Seu testemunho nesta terra sagrada.


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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Padre John Berg no Vaticano

Hoje, 19 de Janeiro de 2026, o Papa Leão XIV recebeu em audiência o Padre John Berg, Superior-Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pedro (FSSP)

Foi a primeira vez que o Padre Berg foi recebido por um Sumo Pontífice desde a sua eleição como Superior-Geral da FSSP em Julho de 2024.

Em Setembro de 2024, a Santa Sé anunciou uma visita apostólica à FSSP, conduzida pelo Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. Nessa altura, o Padre Berg reuniu-se no Vaticano com o Prefeito do Dicastério.

O encontro de hoje entre o Papa e o Padre Berg deve ser lido precisamente neste quadro: uma etapa significativa do processo de acompanhamento e de avaliação da FSSP por parte da Santa Sé.


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sábado, 17 de janeiro de 2026

Santo Antão, Pai do Monaquismo Oriental

Um dia em que os monges estavam todos reunidos junto de António para ouvir as suas palavras, ele disse-lhes, com a segurança com que fala um profeta: «As Sagradas Escrituras são suficientes para a nossa instrução; no entanto, é bom encorajarmo-nos mutuamente na fé e estimularmo-nos uns aos outros com palavras. Portanto, vós trazeis filialmente ao vosso pai o que sabeis; e eu, vosso irmão mais velho, transmito-vos aquilo de que tenho alguma experiência.

Em primeiro lugar, esforcemo-nos, todos juntos, por não abrandar, depois de termos começado bem, por não desanimar diante das dificuldades, dizendo: já vivemos há muito tempo na ascese. Pelo contrário, aumentemos todos os dias o nosso ardor, como se estivéssemos a começar. Pois a vida do homem é muito curta, comparada com os séculos vindouros, e o tempo presente nada é, em comparação com a vida eterna. Neste mundo, tudo se vende pelo seu valor ou se troca por outra coisa do mesmo preço; mas a promessa da vida eterna compra-se por pouco.

Tendo lutado na Terra, não receberemos uma herança terrena, mas uma herança celestial; e, quando deixarmos este corpo corruptível, retomá-lo-emos, mas incorruptível. Portanto, filhos bem-amados, não desanimemos, nem achemos que ainda temos muito tempo, pensando que já fazemos muito, pois «os sofrimentos do tempo presente não têm comparação com a glória que há de revelar-se em nós» (Rm 8,18); mas permaneçamos firmes na ascese, fugindo da acédia, pois o Senhor colabora connosco, como está escrito: «Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam» (Rm 8,28).

Santo Atanásio in 'Vida de Santo Antão' 16-20


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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

O puritanismo da Lei Seca

Há 106 anos, nos Estados Unidos, entrava em vigor a “Lei Seca”, isto é a proibição da produção, venda, transporte, importação e exportação de bebidas alcoólicas. Esta lei é um reflexo da influência de certas correntes protestantes que não conseguem ver a justa medida das coisas e por isso vêem o mal onde ele não existe.

Beber um copo de vinho ou uma cerveja, à refeição por exemplo, não é errado, a não ser que se tenha feito algum voto de não consumir bebidas alcoólicas ou que aquela bebida influencie decisivamente a pessoa a perder a recta razão.

O abuso do álcool traz consequências graves para a própria pessoa e para o bem-comum. Mas esse abuso combate-se com a educação, desde pequeno, na virtude da temperança, que neste caso nos ajuda a decidir o que comer e beber na justa medida, e não tudo o que nos aparece à frente.

Claro que vai existir sempre quem se recuse a fazer o esforço de ser virtuoso, e enfie pela goela abaixo qualquer coisa que tenha o menor (ou o maior) teor alcoólico. Mas é impossível acabar com isso por decreto. É caso para dizer: “bêbados sempre os tereis”.


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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Uma breve história da violência budista contra os cristãos

Cruzadas! Queimas de bruxas! Inquisição! Sacerdotes pedófilos! Já ouvi tudo isto antes. Todo o católico ouviu.

Realidade Histórica

Contudo, se se conhece a realidade por detrás destes eventos históricos, aprende-se depressa que há mais hype da Lenda Negra, histeria ateísta e ignorância secularista do que realidade histórica nestas acusações. Pior ainda, aqueles que usam estas palavras contra os católicos enganaram-se a si próprios, pensando que nós recuamos de horror à sua menção, como um vampiro perante uma tigela de sopa de alho. Apesar de si mesmos, os ignoratti (i. é, os ignorantes da história) e os aliterati (i. é, os que esperam proteger a sua ignorância da história recusando ler livros de história) agraciam-nos com uma grande bênção ― eles nada sabem sobre estes eventos para além das mentiras de Dan Brown.

Inquisição Espanhola

Na realidade, só 3.000 pessoas morreram na Inquisição Espanhola, e nenhuma delas às mãos de sacerdotes católicos. Em vez disso, a tortura e as execuções eram tratadas por funcionários seculares a trabalhar para o governo espanhol. Na verdade, a maior parte dos inquisidores eram leigos a estudar para advogados seculares e a esperança de avançar nas suas carreiras.

Sacerdotes Pedófilos

Sacerdotes pedófilos? Mesmo um é um horror, mas, graças a Deus, só 0,004 por cento dos sacerdotes católicos nos últimos 70 anos foram correctamente acusados de pedofilia.

Causas das Guerras

Religião a principal causa de guerras? De modo nenhum. A Enciclopédia da Guerra de Gordon Martel diz que só 7 por cento das guerras foram travadas por razões religiosas. Isso significa que o secularismo e os dedicados a ele são responsáveis por 93 por cento das guerras.

Mortes por Não-Crentes

Quanto ao disparate sobre quem matou o maior número de pessoas, os “vencedores” são os não-crentes. O ateu Mao Zedong matou 80 milhões de pessoas com a ajuda dos seus assistentes ateus. O ateu Estaline matou outros 20 milhões de pessoas, maioritariamente deixando-os morrer de fome. O jihadista mais mau que o mundo alguma vez conheceu, Tamerlão, só matou 17 milhões de pessoas na sua vida. No total, os ateus mataram 275 milhões de pessoas nos últimos dois séculos, incluindo lançar o primeiro genocídio da Era Moderna ― o Massacre Vendeano ― contra católicos não-combatentes ― homens, mulheres, crianças, idosos e inválidos.

Mito Budista Pacífico

Mas o facto mais estúpido, pernicioso e risível nas mãos desajeitadas de ateus fundamentalistas intelectualmente deficientes é o mito de que os budistas são o povo mais pacífico do mundo. A actual atenção mediática ao genocídio/limpeza étnica contra os Rohingya pelos pacíficos budistas da Birmânia tem andado há muitos anos. A violência é orquestrada pelo monge budista U Wirathu ― o homem que os editores da revista Time em 2013 identificaram na capa com a headline, “A Cara do Terror Budista”. Foi este monge gentil quem comparou os muçulmanos à carpa africana ― uma espécie invasora ― insistindo que eles são inerentemente violentos, propensos a reproduzir-se depressa, e querem comer os da própria espécie.

Violência Budista em Sri Lanka

Recordemos também os igualmente pacíficos budistas do Bodu Bala Sena ou Força de Poder Budista (BBS) do Sri Lanka, que massacram cristãos e muçulmanos. O monge pacifista-chefe, Galagoda Aththe Gnanasara Thero, fala do seu budismo em termos de raça, alegando que os não-budistas (i. é, cristãos) são racialmente inferiores e alvos válidos para extermínio.

Budismo Violento Histórico

Mas argumenta-se entre os ignorantes que este budismo violento é uma perturbação moderna. Nada poderia estar mais longe da verdade. O príncipe Ashoka (272-232 a. C.), tendo adoptado o budismo, lançou o *putsch* militar/massacre da maior parte do subcontinente indiano, criando o primeiro império budista do mundo. Sem entrar em pormenores gore, poucos são tão estúpidos que pensem que o príncipe estava a libertar alguém pacificamente. O sangue de 100.000 soldados e civis mancha as mãos deste devoto e pacífico budista.

Budistas Japoneses na II Guerra Mundial

Recorde-se também que muitos dos japoneses que atacaram Pearl Harbor eram budistas, assim como os gentis, pacíficos e amantes da paz cientistas budistas que comandaram a Unidade 731 e os outros centros de investigação bio-química/campos de extermínio em que civis e POWs americanos, chineses, filipinos e coreanos foram torturados e submetidos a experiências médicas. Budistas também capitaneavam e tripulavam os navios da morte japoneses onde POWs aliados foram similarmente torturados até à morte.

Samurai Zen

Mas apesar dos livros de história estarem repletos de budistas e da sua violência, os anticristãos erguem-nos como o paradigma do “amor e compaixão”. Parece que se esqueceram que os samurais japoneses eram todos devotos do Zen Budismo ― a permutação mais “pacífica” do budismo pacífico. Mas os samurais dificilmente eram pacifistas ― eram guerreiros sedentos de sangue que matavam por ordem, se o preço fosse o certo.

Vítimas Católicas

Mas de todas as vítimas da violência budista nos últimos 500 anos, foram os católicos que sofreram o pior. O imperador vietnamita do século XVI Minh Mạng impôs grandes restrições ao catolicismo, condenando-o como uma “doutrina heterodoxa” simplesmente porque os católicos se aliaram a Duyệt, o seu rival ao trono. Minh Mạng emitiu um édito imperial que forçava todos os missionários a parar a evangelização e, uma vez Duyệt morto, ordenou a humilhação póstuma dele, a profanação do seu túmulo, a execução de 16 parentes católicos e as prisões dos seus colegas católicos. Mais de 300.000 cristãos morreram nas várias perseguições resultantes. Os 117 santos proclamados representam os muitos mártires desconhecidos.

Perseguições na Coreia

Os católicos coreanos não se saíram melhor contra os budistas. Houve quatro grandes perseguições lideradas por budistas na península coreana ― a Perseguição Ki-hae de 1839, a Perseguição Pyong-o de 1846, a Perseguição Pyong-in de 1866 e a actual opressão comunista. Antes dos horrores cometidos por ateus comunistas na Coreia do Norte, onde os católicos foram efectivamente exterminados nesse país, a perseguição anterior teve lugar em 1866, na qual 50 por cento de todos os católicos foram mortos.

Isso ascende a aproximadamente 10.000 católicos mortos às mãos de budistas coreanos ao longo de 100 anos. De todos estes mártires, 79 foram beatificados em 1925 e 24 mais em 1968. Todos juntos, 103 mártires foram canonizados pelo Papa S. João Paulo II a 6 de Maio de 1984. Ademais, o Papa Francisco beatificou Paulo Yun Ji Chung e 123 dos seus companheiros em Agosto de 2014. Actualmente, a Coreia tem o quarto maior número de santos no mundo católico.

Mártires no Japão

Os 26 Mártires Católicos do Japão foram crucificados pelos budistas de mente aberta nesse país a 5 de Fevereiro de 1597 em Nagasaki. Ao longo de um período de 15 anos, a perseguição continuou esporadicamente. Entre 1617 e 1632, 205 missionários e cristãos nativos foram executados pela sua fé. São conhecidos colectivamente como os 205 Mártires Católicos do Japão. O ensino cristão desintegrou-se até à chegada de missionários ocidentais no século XIX.

Os 16 Mártires do Japão (1633–1637) eram um grupo de missionários da Província Filipina da Ordem Dominicana que foram massacrados por recusarem negar Cristo. Os 188 Mártires do Japão (1603-1639) eram leigos e sacerdotes religiosos mortos porque acreditavam no Príncipe da Paz. Foram beatificados a 24 de Novembro de 2008 pelo Papa Bento XVI. Os Mártires Recoletos Agostinhos (1632) eram dois agostinhos espanhóis chegados ao Japão de Manila para evangelizar os japoneses. As autoridades budistas japonesas pacíficas descobriram e caçaram-nos. Foram presos e martirizados a 11 de Dezembro de 1632.

Rebelião Shimabara

Contudo, estes benditos mártires não são o número total de cristãos mortos às mãos de budistas japoneses. Os nomes da maior parte deles só são conhecidos por Deus. Por exemplo, em 1637 d. C., uma das piores perseguições da história cristã teve lugar na Rebelião de Shimabara. O líder era um devoto samurai católico de 15 anos chamado Amakusa Shiro Tokisada. Tokugawa Iemitsu, o pacífico shogun budista, queria erradicar o cristianismo e os cristãos do Japão e lançou um cerco de um ano a 40.000 católicos entrincheirados no Castelo de Hara. Perderam a guerra e todos os 40.000 foram torturados e crucificados. Felizmente, havia tantos budistas presentes no Japão, senão as coisas teriam corrido muito mal para os católicos ali.

Outros Mártires Asiáticos

Os Mártires de Songkhon foram massacrados pelo governo budista xenófobo da Tailândia a 16-26 de Dezembro de 1940. Foram beatificados pelo Papa S. João Paulo II a 22 de Outubro de 1989. Outras perseguições no reino produziram ainda mais mártires. Os Santos Mártires da China, também conhecidos como S. Agostinho Zhao Rong e os seus 119 companheiros, eram 87 católicos chineses e 33 missionários ocidentais, martirizados entre meados do século XVII até 1930 d. C. Adicionalmente, 30.000 convertidos chineses morreram na Rebelião dos Boxers quando budistas xenófobos massacraram missionários cristãos e outros estrangeiros.

A 15 de Janeiro de 1648, os manchus anticristãos invadiram a região de Fujian e torturaram e mataram o sacerdote dominicano S. Francisco Fernández de Capillas enquanto ele rezava o Rosário. É considerado o protomártir da China. Incontáveis outros cristãos foram massacrados desde então, incluindo cinco missionários espanhóis no século XVIII (1715–1747) como resultado das manobras do imperador budista Yongzheng e do seu sucessor, o imperador Qianlong.

Em 1748 d. C., dois bispos dominicanos e 4 sacerdotes foram mortos neste período, incluindo: Bispo Pedro Sanz, Bispo Francisco Serrano, Joaquim Royo, João Alcober e Francisco Diaz. No início do século XIX, mais 25 cristãos foram martirizados. Os Mártires de Shanxi (9 de Julho de 1900, também conhecido como Massacre de Taiyuan) eram frades franciscanos que incluíam dois bispos: S. Gregório Grassi e Francisco Fogolla. Os Mártires do Hunan do Sul eram mais 100 frades franciscanos e irmãs religiosas e vários salesianos mortos a 25 de Fevereiro de 1930 em Li-Thau-Tseul.

Os comunistas ateus são a mais recente permutação de ódio contra cristãos na China. Isto tem sido ininterrupto desde 1950 com o eclodir da Guerra da Coreia. O número total de mártires católicos na China é difícil de contar, mas uma estimativa é de aproximadamente 2-3 milhões nos últimos 500 anos.

Dalai Lama e Tibete

Mas e os Dalai Lamas? Até os pacíficos líderes xenófobos da escola Gelug ou “Chapéu Amarelo” do budismo tibetano têm sangue cristão nas mãos. O 13.º Dalai Lama ordenou aos seus monges massacrarem 500 famílias católicas tibetanas e arrasarem igrejas, orfanatos, escolas e hospitais em Março de 1905.

Resposta aos Críticos

Quando apresento esta informação a pessoas que têm uma visão Disney do budismo, elas insistem depressa que o número de cristãos mortos por budistas é incomparável ao número de budistas mortos por cristãos. Contudo, quando perguntadas pela fonte desta informação, elas caem apenas em disparate reaquecido da Lenda Negra, onde, magicamente, os sentimentos são de alguma forma mais importantes que os factos. As minhas recomendações de que leiam livros em vez de mentirem ao longo de uma conversa nunca caem bem a esta malta.

Angelo Stagnaro in National Catholic Register


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quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Uma entrevista histórica em memória de Alice Von Hildebrand

Alice Von Hildebrand morreu há exactamente quatro anos. Foi uma conhecida professora casada com o ainda mais conhecido professor Dietrich von Hildebrand, a quem o Papa Pio XII apelidou de 'Doutor da Igreja do séc. XX'. Vale a pena ler com atenção esta entrevista dada, em 2001, à 'Latin Mass Magazine':
 
TLM: Dra. von Hildebrand, no tempo em que o Papa João XXIII convocou o Concílio Vaticano Segundo, a senhora percebeu qualquer necessidade de reforma dentro da Igreja?
 
AVH: A maior parte da intuição sobre isso vem do meu marido. Ele sempre disse que os membros da Igreja, devido aos efeitos do pecado original e do pecado actual, se encontram sempre com necessidade de reforma. O ensinamento da Igreja, porém, vem de Deus. Nem um único acento deve ser modificado ou necessita de reforma.
 
TLM: Em termos da crise actual, quando é que percebeu que algo estava terrivelmente errado?
 
AVH: Fevereiro de 1965, estávamos num ano sabático em Florença. O meu marido lia um jornal teológico, e de repente, ouvi-o desatar em lágrimas. Corri até ele, temerosa de que o seu coração lhe houvesse causado dores. Perguntei-lhe se estava bem. Ele disse-me que o artigo que estava a ler lhe fez perceber que o Demónio havia entrado na igreja. O meu marido foi o primeiro alemão proeminente se pronunciar-se publicamente contra Hitler e o Nazismo. As suas intuições eram sempre prescientes.

TLM: O seu marido tinha falado sobre seu o temor pela situação da Igreja antes desse incidente?

AVH: Relatei na biografia do meu marido - The Soul of a Lion - que poucos anos após a sua conversão ao Catolicismo, nos anos 20, ele começou a ensinar na Universidade de Munique. Munique era uma cidade católica. A maioria dos Católicos da época ia à Missa, mas ele sempre disse que foi ali que começou a ficar preocupado com a perda do sentido de sobrenatural entre os Católicos. Houve um incidente, em especial, que lhe deu prova disso e o entristecia imensamente. Quando passava por uma porta, o meu marido sempre deixava passar primeiro os seus alunos que eram sacerdotes. Um dia, um dos seus colegas (um Católico) expressou a sua surpresa e desagrado: “Por que razão deixa os seus alunos entrar antes de si?” “Porque são sacerdotes”, respondeu o meu marido. “Mas eles não têm doutoramento”. O meu marido sentiu-se arrasado. Valorizar o doutoramento é uma reacção natural; estar ciente da sublimidade do sacerdócio é uma reacção sobrenatural. A atitude daquele professor provava que a sua reacção em relação ao sobrenatural se havia erodido. Isso foi muito antes do Vaticano II. Mas, até ao Concílio, a beleza e a sacralidade da liturgia Tridentina mascarava esse fenómeno.

TLM: O seu marido achava que o declínio do sentido do sobrenatural havia começado nessa época, e  como é que o explicava?

AVH: Não, ele acreditava que após a condenação da heresia do Modernismo pelo Papa Pio X, os seus proponentes retiraram-se para o subsolo. Ele dizia que eles tomaram uma abordagem muito mais sutil e prática. Espalhavam dúvidas simplesmente levantando questões sobre as grandes intervenções sobrenaturais ao longo da História da Salvação, tais como Nascimento Virginal e virgindade perpétua de Nossa Senhora, bem como a Ressurreição e a Sagrada Eucaristia. Eles sabiam que uma vez abalada a fé – a fundação – a liturgia e os ensinamentos morais da Igreja também desmoronar-se-iam. O meu marido intitulou um dos seus livros de 'The Devastated Vineyard' (A Vinha Devastada). Após o Vaticano II parece que um tornado havia atingido a Igreja.

O próprio Modernismo era fruto de calamidade do Renascimento e da Revolta Protestante, e foi um longo processo histórico até que se revelasse. Se fôssemos perguntar a um Católico típico da Idade Média o nome de um herói ou heroína certamente citaria um santo. O Renascimento começou a mudar isso. Ao invés de um santo, as pessoas pensariam num génio e, com a chegada da era industrial, as pessoas citariam um grande cientista. Hoje responderiam com o nome de um desportista ou personagens dos media. Por outras palavras, a perda do sentido do sobrenatural trouxe a inversão da hierarquia de valores.

Mesmo o pagão Platão estava aberto ao sentido do sobrenatural. Ele falou da fraqueza, fragilidade e covardia frequentemente evidenciadas na natureza humana. Foi-lhe perguntado por um crítico por que razão tinha a Humanidade em tal baixa estima. Platão respondeu que não denegria o homem, apenas o comparava a Deus. 

Com a perda do sentido de sobrenatural, houve uma perda do sentido da necessidade para o sacrifício. Quanto mais alguém se aproxima de Deus, maior é a sua consciência de ser pecador. Quando mais alguém se afasta de Deus, como hoje, mais escutamos a filosofia new age: “Estou bem, tu estás bem”. A perda da inclinação para o sacrifício leva ao obscurecimento da missão redentora da Igreja. Onde a Cruz é subestimada, a nossa necessidade de redenção é igualmente ignorada. A aversão ao sacrifício e redenção ajudou à secularização da Igreja no seu interior. Temos ouvido durante muitos anos dos sacerdotes e bispos falar sobre a necessidade da Igreja se adaptar ao mundo. Grandes Papas como S. Pio X disseram exactamente o oposto: o mundo deve adaptar-se à Igreja.

TLM: Da nossa conversa, devo concluir que a senhora não acredita que a perda acelerada do sentido do sobrenatural seja um acidente no percurso da História.

AVH: Não, não acredito. Houve dois livros publicados em Itália nestes anos que confirmam o que meu marido suspeitava há algum tempo: que tem havido uma infiltração sistemática da Igreja pelos inimigos diabólicos durante este século. O meu marido foi um homem muito esperançoso e optimista por natureza. Durante os dez últimos anos da sua vida, porém, testemunhei muitos momentos de grande tristeza, e frequentemente ouvia-o repetir: “Eles dessacralizaram a Santa Esposa de Cristo”. Referia-se à “abominação da desolação” da qual fala o profeta Daniel.

TLM: O seu marido foi chamado 'Doutor da Igreja do Século XX' pelo Papa Pio XII. Ele não teria acesso ao Vaticano para falar dos seus temores ao Papa Paulo VI?

AVH: Foi exactamente o que ele fez! Nunca esquecerei a audiência privada que tivemos com Paulo VI mesmo antes do fim do Concílio Vaticano II. Foi no dia 21 de Junho de 1965. Assim que o meu marido começou a apelar para que ele condenasse as heresias que se espalhavam, o Papa interrompeu-o com as palavras, “Lo scriva, lo scriva.” (“Escreva sobre isso.”). Momentos depois, pela segunda vez, o meu marido expôs a gravidade da situação ao Papa. A mesma resposta. Sua Santidade recebeu-nos em pé. 

Estava claro que o Papa se sentia muito inconfortável. A audiência durou apenas alguns minutos. Paulo VI deu imediatamente um sinal ao seu secretário, Pe. Capovilla, para nos trazer rosários e medalhas. Voltámos, então, a Florença onde o meu marido escreveu um longo documento (não publicado até hoje) que foi entregue a Paulo VI na véspera da última sessão do Concílio. Estávamos em Setembro de 1965. Após ler o documento do meu marido, Paulo VI disse ao sobrinho do meu marido, Dieter Sattler, que embaixador alemão da Santa Sé, que tinha lido o documento cuidadosamente, mas que “era um pouco áspero”. A razão era óbvia: o meu marido tinha, humildemente, solicitado uma clara condenação de afirmações heréticas.

TLM: Percebe, certamente, que, ao falar dessa essa ideia de infiltração, haverá aqueles que consideram tal coisa como uma teoria da conspiração.

AVH: Eu só posso dizer o que sei. Está registado publicamente públicamente que Bella Dodd, uma ex-comunista que se re-converteu à Igreja, falou abertamente da deliberada infiltração dos agentes do Partido Comunista nos seminários. Ela contou ao meu marido e a mim que, quando era membro activo do Partido, se encontrou com quatro cardeais dentro do Vaticano, “que trabalhavam para nós”. Muitas vezes ouvi os norte-americanos dizerem que os europeus “cheiram conspiração onde quer que vão”. Mas, desde o início, o Demónio tem conspirado contra a Igreja – e sempre procurou em particular destruir a Missa e destruir a fé na Real Presença de Cristo na Eucaristia. 

Por outro lado, eu, nascida na Europa, sinto-me tentada a afirmar que muitos americanos são ingénuos; vivendo num país que tem sido abençoado pela paz, e conhecendo pouco de História, são mais propensos que os europeus (cuja história é tumultuosa) a ser vítimas de ilusões. Rousseau tem tido enorme influência nos Estados Unidos. Quando Cristo disse aos Seus apóstolos na Última Ceia “um de vós Me trairá”, os apóstolos ficaram perplexos. Judas havia agido de tal modo que ninguém suspeitava dele, pois um conspirador astuto sabe como cobrir os seus traços com aparência de ortodoxia.

TLM: Os dois livros escritos pelos sacerdotes italianos que mencionou contêm evidências dessa infiltração?

AVH: Os dois livros que mencionei foram publicados em 1998 e 2000 pelo sacerdote italiano, Don Luigi Villa da diocese de Brescia, que, sob a pedido do Padre Pio, dedicou muitos anos da sua vida a investigae a possível infiltração dos Franco-Maçons e Comunistas na Igreja. O meu marido e eu encontrámo-nos com Don Villa nos anos sessenta. Ele disse-nos que não faz nenhuma afirmação que não possa comprovar. Quando o livro 'Paulo VI Beato?' foi publicado (1998), foi enviada uma cópia a cada um dos Bispos italianos. Nenhum deles fez um aviso de recepção, nenhum deles discutiu as alegações de Don Villa. 

Neste livro, ele conta algo que nenhuma autoridade eclesiástica refutou nem pediu para ser retratado – embora nomeie personalidades particulares. Trata do atrito entre Papa Pio XII e o então Bispo Montini (o futuro Paulo VI) que era seu Sub-Secretário do Estado. Pio XII, ciente da ameaça do Comunismo, que logo após a Segunda Guerra Mundial dominava quase metade da Europa, tinha proibido os funcionários do Vaticano de manter qualquer relação com Moscovo. Para sua decepção foi informado, um dia, através do Bispo de Upsala (Suécia) de que a sua ordem estrita havia sido contrariada. O Papa negou-se a dar crédito a esse rumor até receber evidências inegáveis de que Montini mantinha correspondência com várias agências Soviéticas. Durante todo esse tempo, o Papa Pio XII (assim como Pio XI) tinha enviado sacerdotes clandestinamente à Rússia para consolar os Católicos que viviam atrás da Cortina de Ferro. Cada um deles havia sido sistematicamente preso, torturado e mesmo executado ou enviado para o Gulag. Finalmente, um delator dentro do Vaticano foi descoberto: Alighiero Tondi, S.J., que era um conselheiro próximo de Montini. Tondi era um agente ao serviço de Estaline cuja missão era manter Moscovo informada sobre iniciativas tais como o envio de sacerdotes para a União Soviética. 

Acrescente-se a isso o modo como o Papa Paulo VI tratou o Cardeal Mindszenty. Contra a sua vontade, Mindszenty foi ordenado a deixar Budapeste. Como quase todos sabem, ele havia escapado aos Comunistas e encontrou  refúgio na embaixada norte-americana. O Papa tinha-lhe dado a sua promessa solene de que ele permaneceria primado [Primaz] de Hungria enquanto vivesse. Quando o Cardeal (que foi torturado pelos Comunistas) chegou em Roma, Paulo VI abraçou-o calorosamente, mas depois enviou-o em exílio para Viena. Logo depois, este santo Prelado foi informado que havia sido destituído e substituído por alguém mais agradável ao governo Húngaro Comunista. Mais intrigante e tragicamente triste é o facto de que, quando morreu Mindszenty, nenhum representante da Igreja esteve presente no seu enterro. 

Outra das alusões de infiltração de Don Villa é aquela relatada pelo Cardeal Gagnon. Paulo VI tinha pedido a Gagnon para encabeçar uma investigação acerca da infiltração da Igreja por parte de inimigos poderosos. Cardeal Gagnon (há época Arcebispo) aceitou essa tarefa desagradável e compilou um longo dossier, recheado de informações preocupantes. Quando o trabalho foi completado, solicitou uma audiência com o Papa Paulo a fim de discutir pessoalmente o manuscrito com o Pontífice. Esse pedido para um encontro foi negado. O Papa deu ordem para que o documento fosse colocado nos escritórios da Congregação para os Clérigos, especificamente num cofre com dupla fechadura. Isso foi feito, mas, no dia seguinte, a caixa foi arrombada e o manuscrito desapareceu misteriosamente. A política usual do Vaticano é assegurar-se que tais incidentes nunca vejam a luz do dia. Esse roubo foi noticiado até no L’Osservatore Romano (talvez sob pressão porque isto não foi noticiado na imprensa secular). Cardeal Gagnon, logicamente, possuía uma cópia, e, novamente, solicitou ao Papa uma audiência privada. O seu pedido foi novamente negado. Então decidiu deixar Roma e retornar à sua terra natal, Canadá. Mais tarde, foi chamado de volta a Roma pelo Papa João Paulo II e feito cardeal.
 
TLM: Por que razão o Padre Villa escreveu essas obras tendo como alvo das suas críticas Paulo VI?
 
AVH: Don Villa estava relutante em publicar os livros. Mas quando vários Bispos começaram a movimentar-se para a beatificação de Paulo VI, esse sacerdote percebeu que era necessário publicar as informações recolhidas ao longo dos anos. Assim fazendo, estava a seguir as orientações de uma Congregação Romana, informando aos fiéis que era o seu dever como membros da Igreja confiar à Congregação qualquer informação que pudesse obstruir as qualificações do candidato para a beatificação. Considerando o pontificado tumultuoso de Paulo VI, e os sinais confusos que fornecia, por exemplo, mencionando o “fumo de Satanás que entrou na Igreja”, e, entretanto, recusando-se a condenar oficialmente as heresias; a sua promulgação de Humanae Vitae (a glória do seu pontificado), mas a sua cuidadosa recusa em proclamá-la ex-cathedra; oferecendo o seu Credo do Povo de Deus na Praça São Pedro, em 1968, e novamente fracassando em declará-lo como unificador de todos os Católicos; desobedecendo as ordens estritas de Pio XII em não manter contacto com Moscovo, e agradando o governo Comunista Húngaro ao renegar a promessa solene que havia feito ao Cardeal Mindszenty; o seu tratamento com relação ao santo Cardeal Slipyj, que passou 17 anos num Gulag, para depois se tornar num prisioneiro virtual no Vaticano; e finalmente, solicitando ao Arcebispo Gagnon para investigar uma possível infiltração no Vaticano e depois recusar-lhe uma audiência quando o trabalho estava completo – tudo isso fala fortemente contra a beatificação de Paulo VI, ecoando em Roma: “Paolo VI, Mesto” (Paul VI, o triste). É inegável que o dever de publicar essa informação deprimente foi oneroso e custou grande sofrimento a Don Vila. Qualquer Católico rejubila quando pode levantar os olhos e contemplar com veneração irrestrita um Papa. Mas os Católicos sabem também que, embora Cristo não tenha prometido conceder líderes perfeitos, prometeu que as portas do Inferno nunca prevaleceriam. Não nos esqueçamos que muito embora a Igreja tenha tido alguns Papas muito maus, tem sido abençoada com grandes Papas. Oitenta deles foram canonizados e vários beatificados. Esta é uma história de sucesso sem paralelo no mundo secular.
 
Apenas Deus é juiz de Paulo VI. Mas não se deve negar que o seu pontificado foi muito complexo e trágico. Foi sob o seu pontificado que, num curso de 15 anos, mais mudanças foram introduzidas na Igreja que em todos os séculos precedentes juntos. O que é preocupante é que quando lemos o testemunho de ex-Comunistas como Bella Dodd, e estudamos documentos maçónicos (datados do século XIX, e geralmente escritos por sacerdotes dissidentes como Paul Rocca, podemos ver que, em larga extensão, a sua agenda foi implementada: o êxodo de sacerdotes e freiras após o Vaticano II, teólogos dissidentes não censurados, o feminismo, a pressão sobre a Roma para abolir o celibato sacerdotal, imoralidade entre os clérigos, liturgias blasfemas, as mudanças radicais que foram introduzidas na sagrada liturgia e um ecumenismo sem rumo. Apenas um cego poderia negar que muitos dos planos do Inimigo têm sido perfeitamente realizados.
 
Não devemos nos esquecer que o mundo foi abalado com o que fez Hitler. Pessoas como o meu marido, porém, perceberam o que estava de facto escrito em Mein Kampf. O plano estava ali. O mundo simplesmente optou por não acreditar. Ainda assim, por mais grave seja a situação, nenhum Católico deve esquecer que Cristo prometeu que estará com a Sua Igreja até ao fim do mundo. Devemos meditar sobre a cena relatada no Evangelho quando o barco dos apóstolos foi ameaçado por uma forte tempestade. Jesus dormia! Os apóstolos, assustados, acordaram-No: Ele disse uma única palavra e, de repente, tudo se acalmou. “Ó vós, que tendes pouca fé!”

TLM: Segundo os seus comentários sobre o ecumenismo, não concorda com a política actual de “convergência” ao invés de “conversão”?

AVH: Deixe-me contar um episódio que causou grande pesar ao meu marido. Em 1946, depois da II Grande Guerra, o meu marido ensinava na Universidade de Fordham, e apareceu nas suas aulas um estudante judeu que tinha sido oficial da Marinha durante a Guerra. Um dia confidenciou ao meu marido como era belo o pôr-do-sol no Oceano Pacífico e como isso o tinha levado à busca da verdade sobre Deus. Decidiu ir para a Universidade de Columbia (Estados Unidos da América) estudar filosofia, mas percebeu que não era isso que procurava. Um amigo sugeriu-lhe que fosse estudar filosofia para Fordham e mencionou o nome Dietrich von Hildebrand. 

Depois da primeira aula com o meu marido ele sabia que tinha encontrado o que procurava. Um dia, depois das aulas, o meu marido e o estudante foram dar um passeio a pé. Ele disse ao meu marido que estava surpreendido com o facto de que vários professores, depois de saberem que ele era judeu, lhe terem assegurado que não o tentariam converter ao Catolicismo. O meu marido, estupefacto, parou, virou-se para ele e disse: "Eles disseram o quê?!" O estudante repetiu a história e o meu marido disse-lhe: "Eu iria até ao fim do mundo e regressaria para fazer-te católico." Resumindo, o jovem converteu-se ao Catolicismo, entrou na única Cartuxa nos Estados Unidos (em Vermont) e foi ordenado Padre cartuxo!

TLM: A senhora passou muitos anos dando aulas em Hunter College.

AVH: Sim, e vários dos meus alunos tornaram-se Católicos. Oh, quantas e belas histórias de conversão poderia contar aqui se houvesse tempo – jovens que foram arrebatados pela verdade! Eu gostaria, entretanto, de deixar claro um ponto: não converti os meus alunos. O máximo que podemos fazer é rezar para sermos instrumentos de Deus. Para sermos instrumentos de Deus, devemos esforçar-nos para viver diariamente o Evangelho em todas as circunstâncias. 

Apenas a graça de Deus pode-nos conceder o desejo e capacidade para isso. Eis um dos temores que tenho em relação aos Católicos tradicionais. Alguns roçam o fanatismo. Um fanático é aquele considera a verdade como uma posse sua em vez de ser um dom de Deus. Somos servos da verdade, e é como servos que devemos procurar partilhá-la. Estou ciente de que há Católicos fanáticos que usam a Fé e a Verdade como um instrumento intelectual. Uma apropriação autêntica da verdade conduz sempre ao esforço para a santidade. A Fé, nesta crise actual, não é um jogo de xadrez intelectual. Para aqueles que não se esforçam para ser santos, a Fé reduzir-se-á a isso. Tais pessoas fazem mais mal à Fé, particularmente se estes são defensores da Missa Tradicional.

TLM: Então a senhora acha que o único cenário para uma solução da crise actual é a renovação de um esforço para a santidade?

AVH: Não nos podemos esquecer que estamos lutando não apenas contra a carne e o sangue, mas contra “potestades e principados”. Isto deveria provocar-nos suficiente temor para nos esforçarmos mais que nunca para a santidade e rezar fervorosamente para que a Santa Esposa de Cristo, que se encontra agora no Calvário, saia desta terrível crise mais radiante do que nunca. A resposta Católica é sempre a mesma: absoluta fidelidade aos santos ensinamentos da Igreja, fidelidade à Santa Sé, recepção frequente dos sacramentos, Terço, leitura espiritual diária, e gratidão por termos recebido a plenitude da Revelação de Deus: “Gaudete, iterum dico vobis, Gaudete.”

TLM: Não posso terminar a entrevista sem fazer uma pergunta já um tanto gasta. Há quem critique a Missa no Rito Romano Tradicional dizendo que a crise na Igreja se desenvolveu no tempo em que a Missa era assim celebrada oferecida no mundo inteiro. Por que razão faz sentido achar que o seu retorno é intrínseco à solução da crise?

AVH: O Diabo odeia a Missa Antiga. Ele odeia-a porque é a formulação mais perfeita de todos os ensinamentos da Igreja. Foi o meu marido que me deu essa visão sobre a Missa.
 
O problema que deu início à crise actual não foi a Missa Tradicional. O problema foi que os sacerdotes que a ofereciam já haviam perdido o sentido do sobrenatural e do transcendente. Apressavam-se nas orações, murmuraram e não as enunciaram. Isto é um sinal do que eles trouxeram para a Missa: o seu crescente secularismo. A Missa Antiga não suporta irreverência, e foi por isso que tantos sacerdotes ficaram satisfeitos ao vê-la desaparecer.


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