terça-feira, 7 de novembro de 2006

Mais aborto

Não sou jurista, médica, psiquiatra, nem sequer cientista. Sou apenas uma cidadã que procura orientar a sua conduta pelas normas éticas que a sociedade em que está inserida impõe. As normas da minha sociedade, baseadas numa cultura milenar, ensinam-me que matar é errado; então, quem mata deverá ter uma punição adequada ao seu acto. Há pessoas que matam em legítima defesa? Claro que sim. Há pessoas que matam fora das suas plenas capacidades intelectuais? Claro que sim. Têm que ir todos para a prisão? (Os juristas perdoem-me a minha ousadia…) Não, deverão ir para a prisão as pessoas perigosas para a sociedade, os outros deverão ser acompanhados noutro tipo qualquer de programa criado para o efeito. Não obstante, poderá a lei permitir que se mate? Nunca! A lei deverá prever as excepções, mas deverá ser reguladora dos comportamentos.

Posto isto, observemos a questão do aborto. A interrupção voluntária da gravidez é um tipo de morte. Poderá a lei permitir que se aborte livremente? Claro que não! Deverão ir todas as mulheres que abortam para a prisão? Pois, acho que não… Há mulheres que o fazem em legítima defesa, em estados mentais alterados, em situações de total desespero! Mais culpados do que elas são os carniceiros que lhes matam os filhos! Essas mulheres precisam de AJUDA! Precisam de mangas arregaçadas que lutem por elas! Precisam de sorrisos! Precisam que sejamos sinal de esperança, a sua força e o seu refúgio. Eu vou votar NÃO no referendo. Mas sei que isso não é suficiente para salvar estas mães. Quero fazer mais por estas mulheres, cuja culpa carregarão no seu íntimo durante o resto da sua vida, mesmo que não sejam presas. Já me dispus a isso? Não. Sou hipócrita? Um bocadinho.


O meu discurso poderá parecer contraditório, mas para mim faz todo o sentido. Se a lei não permite o aborto, nenhum hospital, nenhum médico poderá fazê-lo. E esses, que agem conscientemente, é que deverão ser punidos se infringirem a lei. Quando defendo as mulheres, não falo de todas, pois não me compadeço das que abortam por desporto, apenas daquelas, - que julgo serem a maioria-, que abortam porque não aparece um anjo que as envolva nas suas asas!
Aceito todas as vossas opiniões, debate é o que se quer.


blogger

3 comentários:

Maria Ana disse...

Existe uma associação que em 1998 se dedicou na campanha do NÃO e desde então promove o voluntariado em lares de Mães solteiras, ou orfanatos? Essa Associação é o Vida Norte! Até agora tem visto as suas actividades financiadas e tem ajudado muitas Mães a tomar outras opções!
E eu, fiz alguma coisa neste sentido? Não, tb eu fui um bocadinho hipocrita principalmente sabendo q era simples...
Porque divulgo? Porque acho q é a maneira d demonstrar q o NÃO, não baixou os braços, há quem tenha posto mãos à obra!
A Nossa Hora de ajudar chegará, e nessa altura não vamos dizer NÃO, mas SIM, um SIM à vida!

J disse...

obrigado pelo seu texto que me fez pensar, a nossa sociedade devia ter uma politica pro-vida, e apoiar a gravidez dessas mulheres em vez de as "aliciar " com hipoteses mais hipocritas.

Beijinhos

João Silveira disse...

Apoiado, cardosa, é tudo verdade!! E já agr parabéns, pelos 23 anos (mais 9 meses)