sábado, 5 de setembro de 2015

Em Harvard... quando Madre Teresa encontrou Tennessee Williams

Inesperadamente abençoado: Um encontro com Madre Teresa de Calcutá

Tennesse Williams, um dos maiores escritores de teatro americano e autor de Um Eléctrico Chamado Desejo e Gata em Telhado de Zinco Quente, fazia parte de um grupo de 11 pessoas a quem foram atribuídos doutoramentos honoris causa nas cerimónias de graduação em Harvard em 1982.
Tennessee Williams
Entre os distinguidos estava a Madre Teresa de Calcutá, vencedora do Prémio Nobel da paz. Robert Kiely, actualmente professor jubilado de inglês e durante 26 anos, até 1999, superior da Adams House de Harvard, estava encarregue de acompanhar Williams durante as cerimónias académicas.

Na segunda parte das memórias dos seus anos como Master de Adams, recentemente publicadas pela revista online The Gold Coaster dos antigos alunos da casa, Robert Kiely revela este episódio que testemunhou:
«No jantar de gala para os homenageados na véspera das cerimónias de graduação, Williams (um homem baixo e tímido) estava nervoso e um pouco impressionado com a formalidade de Harvard, mas depois da sobremesa e de algum vinho, quando um grupo de estudantes entrou para cantar, ele sorriu e, mais descontraído, pegou na minha mão e na da senhora de idade que estava ao lado dele, dizendo (ao jeito de uma das suas personagens): “Apenas quero estar rodeado de belas pessoas”. 

Na manhã seguinte, quando fui ter com ele à Johnston Gate para o cortejo académico, parecia outra vez ansioso, porque vestia um casaco desportivo, não tinha traje académico e sentia-se deslocado em Harvard. Tentei sossegá-lo mas ele ficou ainda mais tenso quando nos disseram para entrar no Massachusetts Hall onde os homenageados assinariam um livro de honra.

Dentro da sala de recepções, um verdadeiro rodopio de trajes vermelhos e gente “importante” em pé e a conversar, como se num cocktail académico. Pensei que Williams estaria a ponto de bater em retirada quando ele e eu vimos duas freiras muito pequenas (ignoradas por toda a gente) sentadas num sofá do outro lado da sala a rezar o Rosário. “Meu Deus!”, sussurrou Williams, agarrando o meu braço, “é a Madre Teresa!” 

Eu tinha feito parte da comissão dos graus honorários e sabia que ela viria, apesar de não ter estado presente no jantar. Tennesse (naquela fase já era “Tennessee” para mim) pediu-me: “Pode apresentar-nos?” Respondi-lhe que não a conhecia, mas “Sim, claro” isso é o que é suposto os Masters fazerem: apresentarem toda a gente a todos os outros. E assim atravessámos a multidão de cor encarnada e eu – na mais insólita apresentação que jamais fiz – disse respeitosamente à minúscula e enrugada freira, “Madre Teresa, este é Tennessee Williams”. Ela ergueu o olhar amavelmente, obviamente sem fazer ideia de quem fosse Tennessee Williams. E então algo extraordinário aconteceu que eu tenho quase a certeza absoluta de que mais ninguém naquela sala se apercebeu. Tennessee caíu de joelhos e pôs a cabeça no colo dela. E ela acariciou a cabeça dele e abençoou-o. Depois disso e durante todo o resto do dia, ele resplandecia.

Durante o cortejo, disse-me, “Agora sei por que vim a Harvard”. (E eu tenho para mim que isso foi um factor decisivo para ele deixar parte do seu espólio à Houghton Library)»

in Harvard Magazine


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2 comentários:

Regina Botas disse...

A grandeza das pessoas esta na sua capacidade de entrega aos outros. Tambem eu cairia de joelhos diante da madre Teresa. O amor que ela demonstrou pelos mais desfavorecidos e um sinal da presenca de Cristo neste mundo.

João Silveira disse...

:)