quarta-feira, 11 de setembro de 2013

É pecado fumar Marijuana? Uma análise Tomista

500px-Cannabis_sativa_(Köhler)Fumar marijuana é pecado? Estou agora no fantástico estado do Colorado e sim, os nativos estão a fumar. Como sabem, a marijuana está tornar-se legal em certos estados. Mais uma vez, as éticas da Marijuana estão de volta à mesa.

Se fumar marijuana já não é ilegal, existe alguma razão moral pela qual os Cristãos a devam evitar? São Paulo disse-nos para obedecer às leis arbitrárias da nossa nação para o bem comum (ex: limites de velocidade em zonas de escola).

"Todo o homem esteja sujeito às autoridades superiores, porque não há autoridade que não venha de Deus, e as que existem foram instituídas por Deus." (Rom 13, 1-2)
Normalmente acontecia os pastores e ministros da juventude dizerem aos adolescentes, "É ilegal. Respeitem a lei." Não era o argumento mais convincente, mas ao menos era alguma coisa. Agora, se vivem no Colorado ou em Washington, o argumento cai por água abaixo.

Mas a Marijuana é pecado?

A marijuana (Cannabis sativa, Cannabis indica, Cannabis ruderalis) não é pecado em si mesma. Sigam a linha de raciocínio. Deus criou a marijuana. É uma erva com objectivos medicinais. Quando Deus criou as ervas da criação, Ele disse que eram todas boas, cannabis incluída.

Ora, de acordo com São Tomás de Aquino, uma coisa pode ser essencialmente boa mas usada de forma errada. O chumbo é essencialmente bom. No entanto, se eu envenenar a vossa água com chumbo, isso não é bom. Se eu disparar um projéctil pontiagudo de chumbo (uma bala) para o vosso peito isso não é bom.

Deus criou a cicuta. É boa. Mas se a beberem como bebeu Sócrates, irão morrer. Não é bom. Portanto, o nosso argumento sobre a marijuana não se pode centrar no facto de que "Deus a criou, por isso é moralmente boa."

Marijuana e a Racionalidade Humana

São Tomás de Aquino e a tradição Cristã identificam o intelecto racional do homem como o que nos faz "à imagem de Deus." Os humanos usam a lógica. Nós somos racionais. Temos um intelecto. Os humanos jogam xadrez. Seguem as regras da gramática. Constroem pontes de suspensão. Pintam quadros. Viajam à lua e regressam. Escrevem romances. Isto é o que faz os humanos à semelhança de Deus e dos anjos. O nosso intelecto lógico e racional é o maior dom que Deus deu à nossa espécie.

Assim, o Judaísmo e o Cristianismo tradicionalmente identificam o ofuscamento deste grande dom (o intelecto) como pecado. Estar intoxicado com álcool  sempre foi condenado pela Escritura e Tradição - desde os tempos de Moisés. Eis uma amostra:
"As invejas, a embriaguez, as orgias e coisas semelhantes, sobre as quais vos previno, como já vos disse, que os que as praticam não possuirão o Reino de Deus." (Gal 5, 21)
O Novo Testamento enumera os "pecados que impedem o reino de Deus" historicamente identificados como "pecados mortais" pela Igreja Católica. Não temos tempo para olhar para a teologia dos pecados mortais, mas eu passei um bom bocado a explicar a doutrina de S. Paulo sobre os pecados mortais no meu livro sobre São Paulo

A embriaguez é má porque desfoca e turva a nossa maior faculdade - a racionalidade. Pensem nisto. Quando uma pessoa está bêbada, recorre a actos animais. As pessoas bêbadas recorrem a actos irracionais.

As pessoas bêbadas não usam a linguagem de forma própria. Não pensam com lógica. O seu compasso moral apaga-se. Às vezes falham ao controlar as suas funções corporais. Não conseguem guiar carros ou máquinas porque o seu intelecto perdeu a sua facilidade. Quanto mais bêbados se tornam, menos agem como humanos. Já agora, é assim que se sabe quando passaram a linha entre estar "alegre" ou estar "podre de bêbado". Se não conseguem fazer tarefas racionais, passaram a linha.

Marijuana e a Racionalidade

Vou abrir já o meu jogo. Nunca fumei marijuana. Não sei como sabe. No entanto, já observei várias vezes fumar erva (sim, já fui a espectáculos dos Phish e já tive a minha parte de concertos de Willie Nelson). A Marijuana também inibe o intelecto. Não se limita a provocar um burburinho (como beber duas cervejas). A Marijuana inibe o intelecto. Admito que possa não ser tão mau como ficar em coma alcoólico, mas não deixa de ser uma droga que inibe o intelecto.

Do ponto de vista da antropologia Cristã, é afundar-se. Fumar marijuana é pecado por inibir a mais alta função da alma. Isto aplica-se também à cocaína, heroína, metanfetamina ou outra drogas. O álcool é diferente porque os seus efeitos podem ser controlados.

Então e a Marijuana medicinal?

Se vão tirar uma bala do meu braço e não têm nenhum analgésico, fico bêbado. Nesse caso não há problema. O mesmo serve para o uso medicinal da cocaína, do ópio, da codeína e marijuana. Claro, tem que haver uma causa medicinal verdadeira. Não penso que "ter uma dor de cabeça" ou uma "ansiedade"  seja causa para fumar marijuana. Mas deixo os detalhes para especialistas médicos.
A marijuana medicinal deve cair no preceito de Provérbios 31, 6:
"Dá cerveja àqueles que perecem, vinho aos que estão em ângustia.”
Há alturas em que o álcool ou outras drogas são permitidas para um bem maior. No entanto, não penso que a prescrição que o Snoop Dogg faz para fumar erva todos os dias enquanto bebe gin e sumo encaixem no critério médico. Qualquer substância que iniba a funcionalidade racional não deve ser tolerada.

Se estiverem interessados em conhecer mais sobre a estrutura da alma humana e como se relaciona com o vício e a virtude, por favor façam download do meu ebook GRÁTIS sobre a filosofia de Tomás de Aquino entitulado: Thomas Aquinas in 50 Pages – A Quick Layman’s Guide to Thomism. Taylor Marshall


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1 comentário:

Paulo Subbotin disse...

Achei algumas controvérsias, mas em si,é interessante o texto todo.