sábado, 4 de janeiro de 2014

A nova forma de perseguição anti-cristã no Ocidente

Cientistas discriminados pela sua pertença, Bispos denunciados porque são contra o aborto, livros e rádio censurados: eis um mapa dos ataques à liberdade religiosa.


Aquilo que parecia simplesmente inconcebível está a acontecer. No mundo ocidental, estão a nascer confrontos contra os cristãos - em particular os católicos e os protestantes menos "secularizados" - com novas formas de discriminação, quando não mesmo, de perseguição. Basta ler algumas notícias recentes para encontrar sinais claros nesta direcção. 

Um exemplo. Margaret Somerville, uma famosa e experiente académica do Canadá, escreveu um editorial sobre "The Globe and Mail", onde denuncia o facto que, cada vez mais, no debate público, as suas ideias são postas de lados simplesmente porque é católica. Margaret Somerville é fundadora e directora do "McGill Centre for Medicine, Ethics and Law" e ensina na McGill, uma das principais universidades americanas. "Estive presente no debate púbico mais de trinta anos e apresentei análises éticas e legais sobre os problemas que trato e em momento algum fui atacada pela minha pertença religiosa. Então, porque surge agora esta apressada necessidade de me rotular como católica?". Segundo a estudiosa, "definir uma pessoa como religiosa é, agora, altamente depreciativo. Esta estratégia permite eliminar os argumentos do adversário sem entrar na substância do assunto". Conta ainda que tornou-se recorrente algumas importantes revistas mundiais de medicina, "de maneira surpreendente e incompreensível", pedirem aos autores dos artigos para declararem a sua "filiação religiosa".

Em direcção análoga, nos Estados Unidos, temos a promulgação da ENDA (Employment Non-Discrimination Act, ndr), a lei que queria, em teoria, impedir a discriminação nos postos de trabalho em geral. É, porém, na realidade, uma das maiores formas de difusão da ideologia de género, bem como da limitação da liberdade daqueles que a ela se opõem. E, afirmam os Bispos americanos, limita também a liberdade religiosa. Bispos esses que foram denunciados junto dos tribunais - por uma associação que diz defender a liberdade individual - com o argumento que "as posições anti-aborto põe em risco a vida das mulheres grávidas".

Os exemplos deste tipo podeiam continuar. Não menos importante é o caso de Constanza Miriano. Em Espanha, a publicação do seu livro "Sposati e sii sottomessa" deu origem ao primeiro pedido de censura editorial desde os tempos do regime de Franco (este livro, envolto em polémica, tanto em Itália como em Espanha, pelo seu título - inspirado na frase de S. Paulo, "As mulheres sejam submissas aos maridos, como ao Senhor", Ef. 5, 22 - ainda não foi editado em Portugal).

Há dias, na Universidade Urbaniana de Roma, Paul Marshall, expoente do Center for Religious Freedom do Hudson Institute, disse: "a secularização ocidental tem vindo a crescer nos últimos decénios. Permitam-me sublinhar que os modelos de que estamos a falar não são semelhantes aos do mundo comunista ainda existente, ou do Médio Oriente. Não se trata de uma perseguição nesse sentido, mas está a tornar-se muito preocupante."

"São correntes muito minuciosas - continuou Marshall - e penso que temos de nos tornar mais conscientes dos ataques e discriminações no emprego, na capacidade de exprimir o que pensamos, ou da possibilidade de viver a própria fé. As coisas estão, realmente, a piorar no Ocidente."

Marshall citou alguns exemplos já conhecidos, como o da inglesa que foi despedida por usar um fio com um crucifixo. Referiu, também, um estudo da Pew Forum - uma entidade de grande prestígio em estatística - onde se considera que "o grau de hostilidade religiosa na Europa ocidental é tão alta como no Médio Oriente".

Ainda há umas semanas um tribunal inglês proibiu uma rádio cristã de publicar um anúncio que convidava os cristãos discriminados no emprego a contarem a sua história. O pretexto do tribunal é que se tratava de um anúncio de propaganda política.

Em vez de uma sociedade aberta, onde os laicos são livres, os cristãos são livres, e os hindus são livres, a mais recente versão de sociedade secularizada, segundo Marshall, é aquela "onde o Estado encarna uma ideologia particular e pede que cada um se adapte a ela". Trata-se de uma mudança de uma "sociedade pluralista para uma sociedade ideologicamente secularizada. E isto é preocupante." Marco Tosati in Vatican Insider


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