domingo, 26 de janeiro de 2014

Obrigada, meu Deus - Santa Bernadette, vidente de Lourdes

Pela extrema pobreza em que viveram o paizinho e a mãezinha, pelo pão da amargura e da fadiga, pela ruína do moinho, pelas ovelhas sarnentas...obrigado meu Deus! 

Pela boca a mais para alimentar que eu já era, pelas crianãas a que se acudiu e pelas ovelhas guardadas, obrigado! Dou-Te gracas, meu Deus, pelo procurador, pelo comissário, pelos polícias e pelas duras palavras do padre Peyramable! 

Não saberei agradecer-te senão no Paraíso, Virgem Maria, pelos dias em que vieste e pelos outros em que naã vieste! Pela bofetada da senhora Pailhasson, pela troca e pelas ofensas, por aqueles que me tinham por louca ou mentirosa e pelos que me julgavam ambiciosa...obrigado, minha Mãe!

Pela ortografia que nunca aprendi, pela má memoria que sempre tive, pela minha ignorância e pela minha patetice, obrigado! Agradeço-te, porque se tivesse existido na terra uma rapariga mais ignorante e mais parva, Tu a terias escolhido... 

Pela minha mãe, que morreu longe de mim, pela dor que senti quando o meu pai, em vez de abraçar a sua pequena Bernardette, me chamou 'Irmã Marie-Bernard', obrigado Jesus! Agradeço-te por teres enchido de amargura este coração demasiado sensível! 

Pela madre Josefina, que disse que não sirvo para nada, obrigado! Pelo desprezo da madre mestra, pela sua dura voz, severidade e ironia e pelo pão da humilhação, obrigada! Graças por ter sido como sou, e de a Madre Maria Teresa ter podido dizer de mim "Não há nenhuma como tu".

Obrigado por ter sido tão privilegiada na censura dos meus defeitos, de modo que as outras irmãs tenham podido dizer: "Que sorte eu não ser a Bernadette!". Obrigado por ter sido a Bernadette, aquela que ameaçavam de prisão, por te ter visto, Virgem Sanrissima..., por ter sido essa Bernadette tão insignificante e vulgar que, ao verem-me, as pessoas me diziam: "Ela é isto!", a Bernadette que as pessoas olhavam como a um animal raro!

Por este pobre corpo de meter dó, por esta doença que queima como fogo, pela minha carne apodrecida, os meus ossos cariados, suores e febre, pelas terríveis dores que sinto...obrigado, meu Deus! 

E, por esta alma que me deste, pelo deserto das securas interiores, pelas Tuas noites e pelos Teus fulgores; os Teus silêncios e os Teus raios, por tudo, por Ti ausente ou presente, obrigado, Jesus!


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1 comentário:

Rute disse...

Uau! gostava de conseguir perceber do fundo do coração. Tenho absoluta admiração por quem no sofrimento, se entrega e agradece totalmente a Deus. Deus me permita ser capaz de entregar o meu.