quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

O sexo selvagem e o género querem destruir a família e criar uma nova ordem mundial

Entrevista à critíca literária e socióloga Gabriele Kuby, autora de Gender Revolution.

A alemã Gabriele Kuby, nascida em Constanza em 1944, é socióloga de formação e autora de ensaios dedicados à educação e à sexualidade.

Mãe de três rapazes, dedicou-se durante mais de 20 anos a traduzir textos ingleses das áreas do esoterismo e da psicologia.

Comprometida durante muito tempo com os movimentos estudantis alemães, Gabriele Kuby converteu-se à fé católica e entrou na Igreja, recebendo o sacramento do Baptismo em 12 de Janeiro de 1997, festa do Baptismo de Jesus (tinha 53 anos).

O seu primeiro livro Mei Weg zu Maria - Von der Kraft lebendigen Glaubens, O meu caminho para Maria - Sobre a força da fé viva foi um êxito de vendas.

Como jornalista concentra o seu interesse nos "becos sem saída" em que a sociedade moderna se meteu, indicando que a forma de sair é formar uma nova consciência da experiência cristã.

O seu livro Gender Revolution (ainda não publicado em Portugal) representa um grito de alarme dirigido a todos os Estados membros da União Europeia: em cada âmbito da vida pública, há que reconhecer, como fundamento da família, a diferença sexual entre homem e mulher.

O seu último livro publicado na Alemanha é A revolução sexual global. Destruição da liberdade em nome da liberdade (ainda não publicado em português).

"Foi no dia 30 de Setembro de 2012 - recorda Gabriele Kuby - que tive o privilégio de entregar pessoalmente uma cópia do livro a Bento XVI . Para mim foi um grande estímulo ouvi-lo dizer: 'Damos graças a Deus pelo que diz e escreve'".

 - Drª Kuby, qual é o motivo que a impulsionou a escrever o seu último livro?

A Constatação de que a liberalização das normas sexuais representa a linha da frente da batalha cultural dos nossos dias.

Eu pertenço à geração do Maio de 68 e participei activamente nesse movimento. Depois da minha conversão caíram as vendas que tapavam os meus olhos.

E depois do livro de 2006, dedicado à revolução do género", continuei  a recolher material; de seguida senti necessidade de apresentar a evolução desta ideologia, porque todos percebem os efeitos da reviravolta dos valores, como a destruição da família, mas são poucos os que estão conscientes que por detrás desta reviravolta está a construção de uma estratégia das elites de poder, desde a ONU à União Europeia, passando pelos grandes grupos económicos.

 - Portanto, qual é a mensagem que quer transmitir?

A desordem das normas sexuais conduz à destruição da cultura. A Declaração Universal dos Direitos do Homem, de 1948, estabelece que a família é o núcleo da sociedade e que necessita uma ordem moral para existir.

Com tudo o que assalta as crianças nos meios de comunicação social, internet e na educação sexual obrigatória, é difícil, para as crianças, converterem-se em adultos maduros, isto é, em grau de assumir a responsabilidade se serem mães e pais.

 - Porque é que escolheu acentuar no subtítulo a questão da liberdade?

 A exaltação filosófica do individualismo que teve lugar ao longo do século XX levaram a considerar como valor mais importante a liberdade, ou melhor, a liberdade absoluta, que neste mundo tão condicionado pelos seus próprios limites, não existe. A desordem das normas sexuais transmite-se hoje ao ser humano como parte dessa liberdade.

Mas o que acontece realmente quando já não se controla o impulso sexual? O outro é considerado simplesmente como objecto da própria satisfação sexual. As estatísticas de que, na sociedade ocidental, uma em cada quatro meninas e um em cada dez meninos sofrem de abusos sexuais, revelam o que acontece como consequência de já não se ensinar o auto-controlo.

O caos social que deriva da falta de auto-controlo só pode ser dominado por uma maior intervenção do Estado; e uma situação deste tipo leva à tirania, como indicou Platão, na República, há 2400 anos.

 - Porque é que no seu livro cita com frequência o romance de Aldous Huxley Admirável Mundo Novo, publicado em 1932?

É fascinante ler hoje essa obra profética, na qual os homens são produzidos em laboratório e formados pelos meios de comunicação e os psicofarmacos que permitem ser felizes. E onde as crianças se divertem com o sexo como os adultos e tudo é controlado por "Ford", "nosso senhor".

Originalmente, Huxley pensava que a sua profecia se realizaria nuns 600 anos, mas já em 1949 esse futuro foi por ele reduzido para uns 100 anos. À época não era possível tudo o que é permitido hoje (selecção pré-natal,  barrigas de aluguer, manipulação genética, progenitor 1 e progenitor 2), mas Huxley era muito consciente de que a verdadeira revolução acontece no coração e na mente da pessoa.

 - Na sua opinião, quais são os motivos da crise da nossa civilização?

O salto definitivo foi a revolução cultural de 68. Promovida por estudantes aborrecidos e filhos da burguesia, essa revolução fundava-se em três impulsos: esses jovens deixaram-se seduzir pelas teorias marxistas (apesar do Muro de Berlim e dos tanques soviéticos em Praga contra a democracia); em segundo lugar, o feminismo radical, que pretendia libertar a mulher da "escravidão da maternidade" (no dizer de Simone de Beauvoir); o terceiro impulso era o da "liberalização sexual".

As palavras de ordem a este propósito eram: quando a tua sexualidade for libertada, quer dizer, quando tiveres abatido qualquer tipo de condicionamento moral, então poderás construir uma sociedade livre da opressão.

Essa geração, a minha, ao ver fracassada a tentativa de envolver o "proletariado", levou a cabo uma verdadeira "marcha dentro das instituições", tanto que, o que ontem era um movimento de oposição, hoje representa a política oficial das grandes organizações internacionais, de muitos governos nacionais e não só das esquerdas. E os meios de comunicação que determinam a cultura dominante seguem esta "agenda".

 - Outra referência interessante para as suas considerações foi o livro da estudiosa belga Marguerite A. Peeters, A globalização da revolução cultural ocidental…

Não é somente interessante, mas fundamental, porque me abriu os olhos. Da minha parte concentrei-me na questão a nu: a desordem das normas morais que regulam a sexualidade. A revolução sexual global é promovida pelas elites do poder. Já nomeei a ONU e a União Europeia, mas com elas deve-se entender toda a rede de impenetraveis suborganizações: destas fazem parte grupos industriais globalizados, grande fundações como Rockefeller y Guggenheim, pessoas muito ricas como Bill e Melinda Gates, Ted Turner e Warren Buffet, ou grandes ONG como a International Planned Parenthood Federation ou a ILGA. Todos estes sujeitos trabalham nos níveis superiores da sociedade e têm à sua disposição recursos económicos.

Todos têm um interesse comum: reduzir o crescimento da população no planeta. O aborto, o controlo da natalidade com o uso de contraceptivos, a destruição da família: tudo isto serve o seu objectivo, que é a criação de uma nova ordem mundial.

 - Qual é, portanto, o papel do "Gender Mainstreaming" neste contexto "revolucionário" globalizado?
       
O conceito de "género" pressupõe que qualquer orientação sexual - heterossexual, homossexual, bissexual e transsexual - é equivalente e deve ser aceite pela sociedade. O objectivo é a superação da "heterossexualidade forçada" e a criação de um homem novo, ao qual deixa-se a liberdade de escolha e gozar da própria identidade sexual, independentemente do seu sexo biológico.

Quem se contraponha a isto, sejam pessoas individuais ou estados, é descrito como "homofóbico". Trata-se de um ataque mundial à ordem da criação e, por fim, a toda a humanidade. Isto destrói o fundamento da família e, deste modo, entrega aos déspotas do momento a pessoa, que já não consegue reconhecer-se homem ou mulher

 - No seu último livro ataca duramente a pornografia e quem a tolera.

Sim, porque a pornografia é uma droga e como tal cria dependência. Uma droga que destrói a capacidade de amar e de assumir a responsabilidade de ser pai e mãe.

Aliás, constitui um plano inclinado no qual é fácil resvalar para o abismo da criminalidade sexual que acaba também por envolver crianças e muitos jovens. No caso da Alemanha existem dados alarmantes: 20% dos jovens entre os 12 e os 17 anos "consomem" diariamente pornografia; 42% pelo menos uma vez por semana. Que pessoas podem formar-se nestas condições? E é difícil entender o motivo pela qual a União Europeia se demonstra tão agressiva contra o tabaco e não faz nada para impedir o embrutecimento provocado pela pornografia.

 - Nesta situação de "revolução sexual global", qual é a tarefa dos cristão?

Trata-se, obviamente, de uma tema que diz respeito a cada um de nós. Gostemos ou não, devemos, antes de tudo, pôr em ordem a nossa vida sexual, para que assim a vocação humana esteja à altura do verdadeiro amor, o amor que dá felicidade. Se não for assim, não será possível nem sequer encontrar as motivações para enfrentar uma batalha deste tipo, que é pela dignidade do homem, pela família, pelos nossos filhos, pelo futuro. in tempi.it


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3 comentários:

Anónimo disse...

Desculpem-me mas esta senhora tem um pensamento muito idiota e quadrado. O problema é que ela fala como se as suas palavras fossem o que está certo, como se aquilo que diz fosse aquilo que tem de ser obedecido.

Quem diz que a família e o género têm de prevalecer como ela diz?? Tudo o que aqui ela diz deviam ser opiniões pessoais e ter o respeito por aqueles que querem ser diferentes. Aquele argumento de que não se deve seguir certos caminhos porque não são naturais e vão contra a ordem da natureza enjoam-me bastante. Eu posso-me considerar até bastante "normal" segundo os padrões, mas aqueles que não se identificam irão ter que viver segundo os padrões normais? e serem infelizes? Não estamos cá neste mundo para sermos felizes, independentemente do que os outros pensam? E qual o problema das pessoas só quererem sexo sem amor? Se estão bem, o que importa mais? Desde que sejam boas pessoas. Conheço muita gente viciada em sexo e que são óptimas pessoas também capazes de amar. A destruição da família é um conceito apenas, que por mim, pouco importa, as sociedades transformam, e se é isto que está a acontecer então que aconteça.
É tudo uma questão de adaptação. Isto que essa senhora fala chamo-lhe um medo, ela está a lutar contra algo que não lhe tem muito a haver. Ela podia sim comentar em relação a estes assuntos e dar a sua opinião, mas agora lutar contra a felicidade de uns porque não se encontram com os seus padrões? Ela que se preocupe com a sua família, os seus filhos, e que viva segundo os seus padrões que ninguém se irá meter e chatea-la.
Realmente existem cabeças que não acompanham os tempos..

João Silveira disse...

Se não deve prevalecer o que diz esta senhora porque é que há-de prevalecer o que diz o/a caro/a anónimo/a?

A moralidade não é relativa, senão Hitler tinha sido um santo. A moralidade tem uma objectividade e imagine-se lá...também incluí o sexo.

Podemos fazer como a avestruz, ou podemos fazer o contrário. Esta senhora fez o contrário.

Anónimo disse...

Não, eu apenas penso que cada um deva fazer aquilo que o faz feliz, não seguindo padrões de felicidade, porque isso é irrelevante pois há quem se sinta que os seus padrões para obter a felicidade sejam diferentes. Com esta felicidade tentaremos não desrespeitar ou magoar os outros. Imaginemos dois paneleiros que adoram sodomia, e vivem num estado em que adopção por casais gays é admitido, e eles educam um filho que é feliz e está bem consigo próprio e tem uma vida tão boa como uma outra criança que cresceu num meio "normal".
Vamos reprimir estas pessoas de serem felizes porque o que fazem não é normal?

Aqui o que prevalece é apenas que eu não estou a obstruir ninguém de ser aquilo que quer. Cada um que viva como quiser, para si próprio, sem se meter nas vidas dos outros. A moralidade é relativa sim, para mim, Hitler se calhar foi um santo para alguns (contra a minha opinião). Quem diz que a moral certa é aquela que pensamos? eu acho que a única moral certa que existem neste mundo é sermos felizes independentemente de o que quer que seja, com a exclusão de magoar o outro. Se eu fosse feliz a matar inocentes, já me tava a meter na vida de outros, portanto os outros já tinham razão para contra-atacar. Mas se vivermos todos em harmonia, todos felizes cada um com os seus pensamentos perversos. Este para mim é o mundo bom (e digo isto tudo sempre sendo apenas a minha opinião, se não concordas que desejamos ser felizes, ou apenas tenhamos de ser felizes segundo os padrões impostos, epa olha.. tenho pena).

Esta senhora não está bem porque existem por aí pessoas a viverem vidas que não lhe agradam, eu não percebo.. são vidas que ela não tem qualquer razão para se meter. Ela que se preocupe com a sua vida.

Passei a ser uma pessoa muito mais feliz e em maior controlo da minha felicidade quando deixei de ser crente e passei a ser agnóstico. Pensamentos que estão impostos na sociedade como, casar e ter filhos e viver com a mulher que ama até ao final das vidas são agora pensamentos que já não me assistem. Já não tenho intenções de casar, já me deixei da ideia de viver com uma mulher para o resto da vida. Mas quero ter filhos, e educa-los. Se um dia aquela mulher que amei deixei de amar, então sigo em frente. Quem nos diz que temos de estar com alguém, ou que exista alguém certo quando existem biliões de pessoas no mundo? Nesta minha vida vou e estou a fazer o máximo para agradar os outros e ser boa pessoa, quem me conhece sabe que sou óptima pessoa e respeitadora. Por acaso até sou bastante "normal", mas há quem seja "anormal" mas é ainda melhor pessoa que eu.

Agora diz-me com honestidade, o que faz uma pessoa ser feliz? É acreditar em Deus e seguir a sua doutrina? Se hoje encontrar uma rapariga e leva-la para o quarto, temos uma boa sessão de sexo, tamos os dois felizes, não houve aquele "amor" que se fala, e nunca mais nos vemos? São coisas minhas e ninguém tem que me julgar. Ou este meu acto causou-te a perda de um subsídio ou uma doença?
Vocês estão a ligar demasiado a coisas que não vos dizem respeito, a sério..