terça-feira, 26 de abril de 2016

A guerra dos mitos - Guerra dos Tronos vs. Senhor dos Anéis

A imersão na corrupção e no mal são mesmo a marca da boa literatura?

"Chegou a altura de espetar uma faca no coração de J.R.R. Tolkien e de O Senhor dos Anéis". Foi isto que disse Dana Jennings em 2011 no New York Times, a frase mais explícita numa guerra literária que já há muito tempo fugiu dos caminhos normais do mundo da fantasia para a consciência popular.

"Mr. Martin [não é] o Tolkien americano, como alguns dizem", continua Jennings, "Ele é muito melhor que isso." Quem é que lidera a voz autêntica da fantasia moderna: J.R.R. Tolkien ou George R. R. Martin? O grito de guerra, "Tolkien está morto, longa vida a George Martin", diz muito sobre o estado da nossa cultura e o papel da fantasia na sociedade.

Martin tem sido aclamado pelos críticos como um novo paradigma cultural. Como escreveu Anne Hobson no The American Spectator, Martin "está a iniciar um género de neo-fantasia para milhões de leitores". Apesar de ter publicado pela primeira vez em 1976, Martin tornou-se verdadeiramente famoso na década passada com a publicação da sua série de fantasia A Song of Ice and Fire e a sua posterior transformação nos fenómenos de sucesso da série Game of Thrones da HBO TV.

A acção passa-se em Westeros, um mundo mitológico envolvido numa guerra feroz. Na cultura popular dos dias de hoje, tornou-se tão familiar como a Terra Média. Quando nasceu o Príncipe de Cambridge, o filho do Príncipe Harry e de Kate Middleton, o Twitter encheu-se com nomes como Joffrey e Tyrian, duas das personagens de Martin que são respectivamente detestadas e amadas.

Passagens dos livros, como as palavras assustadores de Ned Stark, "winter is coming", tornaram-se tão conhecidas no léxico moderno como as palavras de Gandalf "You shall not pass". O Iron Throne, a sé de poder do mundo de Martin, tornou-se um símbolo de tirania e crueldade, usado em críticas e sátiras ao governo em editoriais por todo o mundo. O Game of Thrones é a série de TV com mais downloads na história e está agora a caminho da quarta temporada, assegurando a Martin uma audiência de milhões [NT: confirma-se].

E ele ainda nem acabou a série nos livros! Com uma indústria por trás dele e um culto que o segue, Martin é o mais invejado no mundo literário.

Apesar de Martin saber contar uma boa história, tecendo brilhantemente os seus complexos enredos com histórias familiares (sem se tornar simplório), o seu apelo depende de mais coisas do que simplesmente uma prosa de qualidade. Crueldade brutal, sexo e infidelidade são as grandes marcas do mundo de Martin. Isto torna-o, dizem, bem mais realista do que Tolkien. Como diz Lev Grossman, o autor de fantasia que chamou pela primeira vez a Martin "o Tolkien americano", 

"O que ... distingue Martin, e o marca como uma força principal na evolução da fantasia, é a sua recusa em abraçar a visão do mundo como a luta maniqueia entre o Bem e o Mal. A obra de Tolkien tem uma força imaginativa enorme, mas têm que ir procurar a outro lado para encontrar uma complexidade na moral."

Claramente que não há "bonzinhos" em Westeros. As personagens ou são honráveis ou traiçoeiras conforme o dia da semana. Os bons ficam em último e os que se regem por princípios nobres são manipulados e/ou decapitados. Simpatizamos com os personagens imorais como os incestuosos Lannisters, Varys o Eunuco e uma variedade de assassinos, violadores e sadistas. Nada é tabu.

A narrativa de Tolkien permitida para pais e filhos, dizem os críticos, sobrecarregou o género da fantasia com uma "Disneyland da Idade Média". Martin é mais significativo porque é moralmente ambíguo.

Apesar de ser um admirador de Tolkien, Martin nota que "todo o conceito de Dark Lord, e dos tipos bons a lutar contra os tipos feios, o Bem versus Mal ... tornou-se uma espécie de desenhos animados." A fantasia não precisa mais de Dark Lords ou inimigos terríveis, porque "na vida real, o aspecto mais difícil da batalha entre o bem e o mal é determinar qual é qual."

"Sempre gostei de personagens cinzentas", disse Martin numa entrevista em 2001, "E quanto aos deuses, nunca fiquei satisfeito por nenhuma das respostas que são dadas. Se de facto existe mesmo um Deus que é amor, porque é que o mundo está cheio de corrupção e violência? Porque é que nós até temos dor? ... Porque é que a agonia é uma boa forma de lidar [com a morte]?"

A "guerra dos tronos" é uma visão cínica da política com os seus ataques pelas costas, luxúria desenfreada, aliados inconstantes e famílias traiçoeiras. O mundo anárquico de Westeros é fundamentalmente definido pela escada para o poder. "A alguns é dada a oportunidade de subir mas agarram-se ao seu mundo ou aos deuses ou ao amor - ilusões! Só a escada é que é real; a subida é tudo o que existe", diz o imoral e calculista supremo Lord Baelish.

Neste nevoeiro moral não há espaço para a nobreza e a beleza. "De todas as bonitas mentiras cruéis que vos dizem, a mais cruel de todas é a que se chama amor", escreveu Martin na sua short story "Meathouse" em 1976. Mas a fantasia "realista" está limitada às dimensões mais básicas da experiência humana. É como ler um jornal que só tem artigos sobre Ariel Castro, o violador de Cleveland, os bombistas suicidas da al-Qaeda e as torturas de Guantanamo. É difícil de imaginar alguém a querer viver para sempre no Westeros brutal e sádico.

Mas será que Tolkien é mesmo menos realista?

Tolkien zangava-se com a ideia de que as suas Free Peoples [NT: os seres que se opuseram a Sauron] eram inequivocamente boas e sem falhas: "preguiça e estupidez entre os Hobbits, orgulho... entre os Elfos, rancor e cobiça nos corações dos Anões e loucura e maldade entre os "reis dos Homens", e traição e desejo de poder mesmo entre os 'Feiticeiros'", disse ele.

Nem sequer a vitória é sempre certa. Existe uma tristeza assombrosa em O Senhor dos Anéis que, com a queda de Beleriand em o Silmarillion, foi mal interpretada pelos críticos como sendo derrotista. De facto, a sua obra até inclui tortura e brutalidade, assim como indícios de violação e chacinas, especialmente na saga Os Filhos de Húrin. Eu diria que a sua representação do mal está entre as melhores na literatura fantástica, mesmo sendo discreta. Enfeitar o mal com selvajaria e depravação não o faz necessariamente mais assustador ou até mais convincente.

A Terra Média mostra "a beleza contra um horror cruel, a tirania contra a dignidade dos reis, uma liberade moderada com um consentimento contra a compulsão que há muito perdeu qualquer finalidade a não ser o mero poder"; ela cobre todo o tipo de experiências de vida, incluindo a nobreza, a bondade e a lealdade.

Na verdade, chamar "maniqueu" ao tratamento que Tolkien faz do mal é uma tolice. 

Tolkien estava profundamente preocupado com a questão das qualidades corruptoras e viciantes do mal e do poder. "O bem e o mal não mudaram desde o ano passado; nem são uma coisa entre os elfos e os anões e outra entre os homens. Compete ao homem distingui-los" diz Aragorn, a quem Eomer responder "como é que um homem pode decidir o que fazer em tais alturas?".

Martin e Tolkien divergem porque a fantasia não é apenas um género de literatura, mas uma visão da vida. O propósito da literatura é revelar os segredos do coração humano. As histórias míticas ajudam-nos a perceber a mortalidade do homem e as suas limitações. Quais são os segredos de Martin? Que o mal é mais "realista" que o bem? Martin defende que a fantasia é "escrita na linguagem dos sonhos" - mas quais são exactamente os sonhos de Martin?

Tolkien, que perdeu os seus melhores amigos na carnificina de Somme, na 1ª Guerra Mundial, percebeu bem melhor a complexidade moral do que o seu duplicado americano imagina. Ao contrário de Martin, Tolkien consegue cantar a escala toda, desde os baixos aos sopranos. Criar um mal convincente não é mais difícil do que ler os jornais todos os dias; criar um bem convincente é bem mais difícil. Tolkien foi capaz de encher as suas obras com um objectivo transcendente - algo que é raro na literatura.

Mais importante, este desejo [do bem] não é um fraco encanto pós-moderno, mas pode mesmo ser satisfeito. A fantasia de Tolkien está centrada neste final feliz a que ele chamou "eucatástrofe", uma "alegria súbita". O Senhor dos Anéis, como exemplo mais conhecido, é conduzido pela esperança - uma negação de uma "derrota final universal", dando "um vislumbre de alegria, alegria por trás das paredes do mundo, cheias de tristeza". Martin é um materialista, cuja maior proximidade com a guerra e a depravidade humana são os jogos de computador e livros de banda-desenhada. O seu enredo e personagens são complexos e cheios de viravoltas sangrentas e sexuais, mas arrastam-se como uma telenovela negra e desesperante. Mas será que, sem a bondade e a beleza, o seu mundo é realista?

Toda a literatura que permanece é realista, porque reflecte a verdade da condição humana geração atrás de geração. O meu palpite é que Tolkien, independentemente do que disserem os críticos, vai estar sentado no trono da fantasia daqui a cem anos enquanto que George Martin vai ser despedido como um praticante de uma moda de um pessimismo sujo do início século XXI.

Originalmente da Terra Média (Nova Zelândia), Rowan Light está a estudar história na Universidade de Sydney.

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7 comentários:

João Castedo disse...

Julgo que grande parte das críticas que têm sido atiradas contra a Guerra dos Tronos são fundamentadas. O excesso de violência e nudez etc, é de facto um ponto facto na obra, muito preocupante tendo em conta a faixa etária que acompanha a série. No entanto tecer comparações com o Senhor dos Anéis e as criticas à essência de GDT é muitas vezes fortemente exagerado e leva a que as preocupações inicialmente referidas sejam descartadas.
Quer queiramos quer não o Senhor dos Anéis passa uma visão moralista, e de certa forma metaforica da luta entre o bem e o mal. A obra é muito bem conseguida, e são interessantíssimas até de um ponto de vista de paralelismo com a bíblia. Em GDT temos uma coisa nem pior nem melhor mas completamente diferente, é no fundo uma visão bruta da realidade sem tirar nem por. Acho em particular exagerado quando se critica de forma muito superficial, dizendo que em GDT as personagens são todas más ou sem qualquer moral. Acho que qualquer critica do género mostra que a pessoa em questão não leu de facto a obra. De facto a interpretação é totalmente errada, GDT não pretende transmitir qualquer ideologia ou moralidade ao contrario do senhor dos anéis. Vamos ser realistas, na vida real nenhuma pessoa é um Sauron, uma criatura completamente perversa, totalmente virada para o mal. Nem uma pessoa totalmente pura quer nas suas acções ou pensamentos. Na verdade essa luta entre os dois extremos acontece precisamente dentro de TODOS nós, e é exactamente isso que GDT representa. Talvez seja mais fácil uma análise dos livros, entrando na "cabeça das personagens" sendo assim uma história bastante mais rica do que a série. ( Tal igual como o Senhor dos Anéis) Com este comentário não pretendo de alguma forma atacar o autor do texto até porque em geral concordo com a sua visão, queria apenas alertar que o nudismo e a violência podem ter levado a uma desvalorização imediata e precipitada de uma obra que a meu ver tem muito valor.

Nuno CB disse...

Caro João,

Muito obrigado pelo seu comentário.

Completo-o com alguns comentários:

1. O excesso de violência e nudez é preocupante *independentemente* da faixa etária que acompanha a série. Mesmo se fosse só para pessoas de 30 anos para cima seria preocupante porque é algo tão pouco humano.
Não sejamos ingénuos, a questão sensual não está presente nos filmes e séries por acaso. De facto, é raro o filme em Hollywood que não tem nada de exageradamente sensual. A verdade é que também há muito $$ envolvido, porque estes temas atraem muitas pessoas.

2. Eu, pessoalmente, não li nem vi a GDT. Mas o autor do texto acima parece claramente ter lido pelo menos os livros. E não só os livros da GDT, mas também outras obras do autor, algumas entrevistas que ele deu e muitos artigos de opinião sobre ele.
Na verdade, a posição (ou confusão?) moral do GRR Marin foi bem explicitada pelo próprio em 2001, como se vê no texto acima:

‹‹"Sempre gostei de personagens cinzentas", disse Martin numa entrevista em 2001, "E quanto aos deuses, nunca fiquei satisfeito por nenhuma das respostas que são dadas. Se de facto existe mesmo um Deus que é amor, porque é que o mundo está cheio de corrupção e violência? Porque é que nós até temos dor? ... Porque é que a agonia é uma boa forma de lidar [com a morte]?"››

3. O mais impressionante do Senhor dos Anéis não é ser uma visão moralista da Bíblia, mas uma visão moralista (usando as suas palavras) da humanidade em geral.
Estou totalmente convencido que Tolkien teria escrito a mesma obra se não houvesse um livro como a Bíblia. Mais, é bem sabido que a principal fonte de inspiração de Tolkien é a cultura nórdica (que pouco tem a ver com a Sagrada Escritura).
Tolkien conseguiu mostrar que por mais erros e falhas que uma pessoa tenha (qual é a personagem totalmente pura em o SdA...?), *é possível* atingir uma bondade inimaginável.
E sim, existem pessoas assim neste mundo. Basta pensar por exemplo no Santo de hoje: S. Josemaria Escrivá. Mas também no Papa João Paulo II ou em S. Francisco de Assis. Ou já para não falar nAquele que lançou o exemplo a mostrar que era possível *de facto* vencer o mal: Jesus.

NCB

João Castedo disse...

Caro Nuno

De facto concordo que o factor da rentabilidade terá infelizmente influenciado de forma negativa a série em particular. Reconheço ainda que o que move muita gente a apreciar positivamente a obra são no fundo os factores mais negativos da mesma. Relativamente à apreciação pessoal do autor, com a qual não me identifico, tento normalmente distanciar-me da mesma quando analiso uma obra. Estando esta de forma indirecta reflectida na obra.
Mesmo relativo às questões de fé que George Martin apresenta, são questões que eu próprio já me interroguei, e que estou certo muito boa gente se interroga. Pode fazer parte de um crescimento na fé que muitos de nós temos na nossa vida.

Acho o seu ponto 3 particularmente arrojado, é muito complicado admitir que Tolkien teria escrito a mesmo obra se a Bíblia não existisse. Sendo a Biblia o conjunto de livros que nos permitiu conhecer Deus, e a vida de Jesus actualmente, sem duvida responsável pela difusão do cristianismo. A inexistência da biblia poria em causa a existência da igreja nos moldes de hoje e da difusão dos valores cristãos, diria mesmo que sem a Biblia toda a história seria completamente diferente. Mesmo argumentando pela Lei Natural, dizendo que mesmo sem a difusão dos valores cristãos estes estariam presentes em nós mesmos, é estar a dizer que sem a igreja teríamos exactamente os mesmos valores hoje, é desvalorizar o papel da igreja nas nossas vidas. Porque a verdade é que não é isso que se verifica na realidade.

Relativamente à última parte claro que Jesus na sua natureza divina, nunca peca na sua vida. Mas relativamente aos Santos, acho que até que GDT consegue de uma forma bem mais realista relatar a sua vida. Porque como sabe os santos não são os que nunca pecaram, mas os que se arrependem verdadeiramente dos seus pecados, e que lutam contra a tentação constante. Nesse sentido acho ainda que em GDT temos alguns exemplos de conversão e que a meu ver retratam bem melhor os desafios da nossa vida. Acho que até no Senhor dos Anéis o herói e muitas vezes confundido com um santo. Porque na realidade não vivemos rodeados heróis, na conquista de uma missão para salvar o mundo. Na verdade os santos batalham muitas vezes em questões muito mais quotidianas e triviais, vivendo num mundo depravado muitas vezes não reconhecidos e esquecidos. "Os bons ficam em último" é dito de forma depressiativa no texto, mas a verdade é que em Senhor dos Anéis passa uma ideia a meu ver infantil que os que fazem uma coisa boa serão logo recompensados e reconhecidos. Mas é simplesmente este ponto que eu acho genial em Guerra dos Tronos. É a total ausência de glória e reconhecimento em vida para os santos. Fazer as boas escolhas não significa triunfo, muitas vezes significa a humilhação e o sofrimento no imediato.

Talvez até concorde que a mensagem global na obra, acaba por ficar marcada por todos os aspectos negativos. Mas gostei tanto deste aspecto realista da obra que achei por bem que frisar aqui neste blog. Muito obrigado pela resposta e pela atenção

João Castedo

M.Levi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
M.Levi disse...

Gostei bastante, sou suspeito, acho heresia e sem demagogia comparar Tolkien ao Martin. Tem questões bem bobas q demonstram o tamanho do Tolkien, e só acho válido pela postura d Martin e da galera q cresceu num culto exacerbado. Digo isso pq cito aqui q aos 14 anos, sem internet ou mesmo sem sua obra eu já estava dentro d obra do Tolkien, eu por exemplo, não entendia pq os anões odiavam os elfos, anos depois, descobri q o Tolkien havia semeado essa discórdia décadas antes do meu nascimento e mesmo em grande parte a mitologia q guiou meus passos até os 20 anos quando li a obra, numa euforia conduzida por meus grandes amigos Alessandro Garcia e Daniel Senra de Lima. Putz, entao é daqui, era um descobrimento maravilhoso. D alguma forma meu vislumbre só foi aumentando pela complexidade e pelas maravilhas q conhecia nesse mundo totalmente novo. Mais tarde, descobri q os autores q eu cultuava em parte viveram uma realidade nua, crua, terrível, devastadora, viram o fim do mundo d cara, transformaram isso em ficção, afinal, Tolkien e C.S.Lewis estavam numa das maiores batalhas d Primeira Guerra Mundial e curiosamente quem estava no exército inimigo? Sim, ele o Sauron hehe era Hitler, olha q coisa, os caras q mais curto ao escreverem (salvo Chesterton q estava perto rs) estavam ali, em Mordor rs. É inadmissível dizer q obra do Tolkien é um maniqueísmo puro e infantil, é falta de conhecimento e ainda é pueril dizer q é uma obra fantasiosa demais, ora aqui gostaria d citar a frase d grande Chesterton “Contos de fadas são mais que verdade, não por que nos dizem que dragões existem, mas por que eles nos dizem que dragões podem ser derrotados.” E fazer comparação nesse sentido é descabido mesmo, ambos são ficções fantasiosas, sério q tem gente q acha Got mais crível hauahua, só pode ser louco, SÃO fantasias, não é esse o objetivo, pode ter ali vários ensinamentos, boas ideias, uma moral, etc. No entanto, não precisa estar contido numa ficção como o SdA ou mesmo em Got fantasiais elementos q posso dizer nisso eu acredito, naquilo não, ou vc acredita q os dragões d Got são mais reais q os de o Hobbit???
Se essa frase é mesmo do Martin isso sim é pueril “Se de facto existe mesmo um Deus que é amor, porque é que o mundo está cheio de corrupção e violência? Porque é que nós até temos dor? ... Porque é que a agonia é uma boa forma de lidar [com a morte]?" Tolkien e Lewis iam brincar, não no sentido escroto e sim no sentido d dizer, senta aqui meu filho, vou t contar uma história rs!!!
Enfim....queria dizer mil....e olha q gosto d Martin rs

Nuno CB disse...

M. Levi,

Muito obrigado pelo seu comentário!

João Castedo,

Obrigado pela resposta. Concordo com muitas partes do que disse, em particular a possível conversão de George Martin - fantástico!

Deixe-me só completar resumidamente.

Claramente que foi um exagero dizer que Tolkien escrevia SdA mesmo se não houvesse Bíblia. Mas era uma metáfora para dizer que o ponto moral da obra de Tolkien é o coração humano. Quase toda a Moral é possível descobrir somente pela razão, a Bíblia é apenas uma ajuda!
No fundo, os homens são iguais em todas as partes do mundo e é isso que Tolkien conseguiu perceber e passar aos leitores no SdA.

Em relação aos Santos vale a pena dizer isto.
Os exemplos do Frodo e, especialmente, do Sam têm um papel extraordinário no SdA. No entanto nunca estão livres de dificuldades. A quantidade de vezes que lhes apetece desistir e que até chegam mesmo a voltar para trás é muita. Simplesmente há momentos em que se apercebem e regressam ao caminho certo. Até Gandalf passa por tentações: lembro-me por exemplo quando o Frodo tenta que seja o Gandalf a levar o anel, logo no primeiro livro. É impressionante como o Gandalf se recusa veementemente a fazê-lo, bem consciente das suas debilidades, de como podia ser corrompido se tivesse o anel.

A mensagem que Tolkien passa é que mesmo com mil dificuldades, é possível vencê-las TODAS. E essa é a mensagem mais real de todas. Ao olharmos para a vida dos Santos vemos que com todas as suas misérias eles foram verdadeiramente heróis, "impecáveis". Consegue dizer-me um defeito do Papa João Paulo II, por exemplo? E mesmo que conseguisse (até porque o Papa confessava-se semanalmente) esses defeitos são mínimos que em nada impediram a sua missão.

Neste mundo é mesmo possível ser como os heróis dos contos de fadas, e é para isso que a literatura (e toda a arte) serve, para nos lembrar disso e levantar o nosso coração para algo inimaginável. É que vivemos mesmo rodeados de heróis. Perceber isto é o primeiro passo para a conversão de muitas pessoas!

E Tolkien também estava bem consciente de que as pessoas cedem às suas limitações e corrompem-se. Compare-se Gandalf a Saruman, o feiticeiro "branco"…

Bom fim-de-semana!,
NCB

Carmen Arroyo Flores disse...

Muito bom post, obrigado, ancho que é uma série com grande história. Na última temporada eu amei, e fiquei emocionada para got season 7 eu estava animado em todos os momentos, me desespero longa espera tanto tempo para ver o próximo, mas já próxima estreia, partilho horários e data de lançamento para esta nova etapa, tenho certeza de que, depois de Então, espere, Game of Thrones vai cumprir as nossas expectativas.