sexta-feira, 15 de julho de 2016

Papa Bento XVI e a Virgem Maria

Quando eu era jovem teólogo, antes e até mesmo durante as sessões do Concílio, como aconteceu e como acontecerá a muitos, eu alimentava uma certa reserva sobre algumas fórmulas antigas como, por exemplo, a famosa "De Maria nunquam satis" – “Sobre Maria jamais se dirá o suficiente”. Esta me parecia exagerada.

Encontrava dificuldade, igualmente, em compreender o verdadeiro sentido de uma outra expressão bastante famosa e difundida, repetida, na Igreja desde os primeiros séculos, quando, após um debate memorável, o Concílio de Éfeso, do ano 431, proclamara Nossa Senhora como Maria Theotokos, que quer dizer Maria, Mãe de Deus, expressão esta que enfatiza que Maria é “vitoriosa contra todas as heresias”.
 
Somente agora – neste período de confusão em que multiplicados desvios heréticos parecem vir bater à porta da fé autêntica –, passei a entender que não se tratava de um exagero cantado pelos devotos de Maria, mas de verdades mais do que válidas.
 
Cardeal Joseph Ratzinger – Entretiens sur la Foi*, Vittorio Messori – Fayard 1985
 
*Em Portugal este livro foi publicado com o título "Diálogo sobre a Fé", pela Verbo. Em inglês chama-se The Ratzinger Report. Foi o livro que parou um sínodo inteiro em 1985.


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