segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

3 ideias a não perder em Star Wars Rogue One

O novo Star Wars já estreou. Vale muito a pena verem o filme com amigos. Vão-se divertir imenso, mas também porque há ideias boas para retirar do filme. 

(Atenção: no fim há spoilers que contam o fim do filme)

1. Divina Providência

Chirrut, um dos personagens mais importantes, é um guardião das minas de cristais de sabres de luz. Apesar de não ser Jedi, Chirrut tem uma relação muito próxima com a Força que lhe dá grande agilidade em combate e uma enorme segurança. Chirrut é cego mas, pela confiança que tem na Força, consegue ver muito mais do que qualquer outro personagem.

Isto lembra a confiança dos Cristãos na Divina Providência. Os Cristãos sabem que Deus sustenta continuamente o Universo e que os protege mesmo nas piores adversidades. Por isso é que, mesmo numa situação difícil, é possível viver em paz, sabendo que Deus está a ver. Os Cristãos que vivem assim, como foi o caso dos Santos, vêem muito mais longe do que os outros, pois vêem o mundo com um olhar sobrenatural. 

É verdade que há momentos de muita dor e que não passam, ao ponto de quem sofre pensar que Deus não existe. Mas confiar em Deus não é fácil, apesar de simples. Na verdade, no filme, Chirrut também sabe que confiar na Força não é fácil, por isso é que ele está constantemente a repetir para si que confia na Força (“I am one with the Force, the Force is with me.”) Ele repete isto não para se unir mais à Força mas para confiar mais, para se convencer a si mesmo disso. Os Cristãos também usam há séculos truques não para que Deus os proteja, mas para se lembrarem da presença de Deus. Os Santos repetiam continuamente jaculatórias (como “Jesus, eu confio em Vós”) para confiarem mais em Deus. Como mostra a história de Chirrut neste Star Wars, a repetição vocal e contínua de uma pequena oração é útil para a vida espiritual e tem grandes efeitos na vida real.

2. Coisas pequenas

Este novo Star Wars, ao contrário dos outros, não pertence a uma trilogia. É um filme sobre uma história secundária que conta como a Aliança Rebelde roubou os planos da Estrela da Morte, essenciais para o episódio IV. Sem esta história, nunca o Luke Skywalker, a Princesa Leia e o Han Solo se teriam tornado amigos e mudado a história do universo (e do cinema). Este filme dá voz a membros da Aliança Rebelde que nem sequer sabíamos que existiam. Estas pessoas tinham vidas valiosas que ganharam forma através de decisões complicadas que tiveram de tomar ao longo do filme. 

Todas os grandes sucessos têm sempre coisas aparentemente pequenas, mas muito valiosas, por trás. Uma grande construção torna o arquitecto famoso, mas por trás há imensas pessoas envolvidas: engenheiros, construtores, empresas de materiais, os professores que ensinaram todas estas pessoas, ... Isto é especialmente verdade na vida Cristã. Quando Jesus diz em Lc 16, 10 que “quem é fiel no pouco, também é fiel no muito”, está a demonstrar a importância das coisas pequenas para uma vida grande. O caminho de santidade ensinado por Santa Teresinha é inteiramente feito de coisas pequenas. E São Josemaria ensinou que quem não souber viver os pequenos sacrifícios do dia-a-dia, nunca conseguirá ser verdadeiramente Santo e vencer os grandes obstáculos que a vida lhe porá à frente. Como Cristãos gostamos de ver o louvor das coisas pequenas precisamente porque isso nos mostra que mesmo as coisas que parecem mais pequenas têm um fruto muito grande. E este novo Star Wars mostra isso. 

3. Esperança

O filme acaba de uma forma totalmente inesperada. Todos os heróis do filme morrem, mas nenhuma das suas mortes foi em vão. No filme, cada personagem morre imediatamente depois de completar a sua missão. Mas o interessante é que nenhum deles sabe se o que fez foi bem sucedido ou não. Todos os Rebeldes que foram roubar os planos da Estrela da Morte morrem sem nunca saber se a Aliança Rebelde recebeu os planos. Pior ainda, o que eles viam era que tudo parecia falhar. Mas, ainda assim, eles fizeram o que tinham a fazer. Porquê? Porque estavam alimentados pela esperança de que iam conseguir.

A Igreja Católica ensina que a Esperança é a virtude pela qual temos a certeza da Ressurreição. Tal como disse Nossa Senhora em Fátima, no fim, “o meu Imaculado Coração Triunfará.” Todas as acções dos Cristãos devem ser animadas pela certeza de que, se forem fiéis, no fim da vida vão para o Céu. Vemos isso na ousadia dos Santos que fizeram coisas impensáveis aos olhos do mundo e que mesmo assim sucederam. Um Cristão fiel é um verdadeiro rebelde contra as modas do mundo. Como diz Jyn Erso, a personagem principal do filme, “we have hope. Rebellions are built on hope.” E o filme a seguir a este chama-se “Uma Nova Esperança.” Também pelos mártires e pelos santos, vê-se que a esperança de um Cristão, dá esperança a muitos outros por gerações fora.

Nuno CB


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