domingo, 28 de maio de 2017

A ditadura do Estado moderno e a liberdade religiosa

O Estado [moderno], que nasceu na Europa para pôr fim às guerras de religião, foi fundado sobre a tolerância, desinteressado do bem e do mal e, por isso mesmo, neutro em relação à religião e à consciência privada. 

Mas, com o tempo, ao tornar a espada do poder [político] independente da autoridade espiritual, foi assentando as bases de uma 'moralidade' estritamente estatal. Daí resulta a política estatal como a única ordem possível e o único modo de viver humanamente, isto é, com segurança. Repare-se que enquanto a ordenação pressupõe liberdade política, a organização cria segurança em detrimento de liberdade: o Estado, como artifício, tende a afirmar-se pela força, despersonalizando as relações de poder e afastando a Igreja e a sua moralidade de base religiosa.

Isto tem sido visto com clareza com o correr dos séculos e, em especial, no hodierno, quando os paradigmas modernos se dissolvem no niilismo. O Estado, convertido em Estado liberal, descristianiza precisamente através da liberdade religiosa, que conduz, afinal, a considerar o Estado como a fonte única da moralidade. O Papa Leão XIII insistiu que vem a ser ateísmo que o Estado conceda os mesmos direitos a todas as religiões.


Miguel Ayuso Torres. ''Estado, Ley y Conciencia''. Edit. Marcial Pons Ediciones Jurídicas y Sociales, Madrid, 2010, pp., 20-21


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