sábado, 13 de dezembro de 2014

Então os animais vão ou não vão para o Céu?

O Diário de Pernambuco publicou recentemente uma um artigo com o título: «Cães e gatos podem ir ao céu? Frase do Papa Francisco reabre discussão»; lê-la é uma daquelas experiências que nos dão alguma dimensão de o quanto o homem moderno está perdido, sem fazer a mais remota ideia daquilo do que fala.
nonsense perpassa a reportagem inteira. Logo no subtítulo, é possível ler que o «[t]ema é controverso na Igreja Católica, com opiniões contrárias e a favor». Ora, isso é um completo disparate: não há e nem pode haver controvérsia alguma com relação a isso, que envolve aspectos tão básicos do Cristianismo  que qualquer conhecimento mínimo seu revela, de maneira cabal e evidente, o quanto a discussão é embaraçosamente estapafúrdia e sem lógica.
“Céu”, no sentido estrito, é o estado de amizade definitiva com Deus do qual gozam os Bem-Aventurados. Amizade, na medida que envolve uma relação entre duas pessoas, pressupõe e exige uma natureza racional: dotada de inteligência e vontade, capaz de conhecer o outro e querê-lo. Não tem lógica absolutamente nenhuma perguntar-se, por exemplo, se uma pedra ou uma árvore pode “gozar da amizade de Deus” (!): tais seres não possuem a natureza necessária ao estabelecimento de uma relação interpessoal – e, por conseguinte, nem muito menos podem “ir ao Céu”, que é a realidade relacional por excelência.
Os únicos seres capazes do Céu são, portanto, por definição de «Céu», aqueles que possuam natureza racional: que sejam dotados de inteligência e de vontade. A única possibilidade, assim, de “animais irem ao Céu”, para que essa pergunta fizesse algum sentido, seria se os animais fossem seres espirituais, capazes de estabelecer uma relação pessoal com os seres que lhes são externos. E, embora haja de facto quem queira atribuir inteligência a – e.g. – golfinhos, o facto totalmente indiscutível é que, no âmbito da filosofia católica, semelhante hipótese jamais foi  aventada. Nenhum santo, Papa ou mesmo teólogo católico afirmou, nunca, que os animais possuíssem alma racional. O tema não é controverso: é ponto pacífico mesmo entre as mais distintas correntes heterodoxas que a História viu surgirem em vinte séculos de Cristianismo. Ninguém, no Oriente ou no Ocidente, na antiguidade ou no mundo contemporâneo, entre os protestantes ou os ortodoxos orientais, ninguém jamais pretendeu que os animais possuíssem alma como a do homem!
Fiz questão de destacar alma racional e como a do homem acima porque (e isso é também ponto pacífico na filosofia católica) todos os seres vivos possuem alma. As pedras, por exemplo, são seres inanimados; mas as plantas possuem alma vegetativa, os animais, sensitiva, e, o homem, intelectiva (também dita racional, ou espiritual). Isso é outra coisa sobre a qual ninguém discute; confira-se a Summa, I-a Pars, q.78. Não é, portanto, verdade que o «Papa João Paulo II causou "frisson" em 1990 ao dizer que os animais possuíam alma», como afirmou o Diário de Pernambuco: quem disse isso foi Santo Tomás na Idade Média, repetindo o que Aristóteles já dissera na Antiguidade Clássica, e tal jamais provocou “frisson” algum – porque é óbvio!
São, portanto, três coisas bastantes simples, fáceis de entender e sobre as quais não há nem nunca houve controvérsia alguma na Igreja:
  • todos os seres vivos – as plantas e os animais inclusive – possuem “alma”;
  • apenas os seres humanos possuem alma racional;
  • “pecado”, “salvação” e “Céu” são realidades somente aplicáveis aos seres racionais.
A conclusão, evidente, é que não existe sentido nenhum em perguntar se os cães e gatos podem “ir para o Céu”, e muito menos em rematar uma matéria nonsense sobre o assunto afirmando que «[o] Papa Francisco está a escrever uma encíclica sobre questão (sic) ambientais, mas não se sabe se vai tocar no assunto». Ora, não há um “assunto” aqui para ser tocado. Ler uma coisa destas dá vergonha.
E o pior é que haveria espaço para se escrever alguma coisa lógica sobre o tema. Por exemplo, “Paraíso” é uma expressão multívoca, que designa tanto o estado de visão beatífica das almas que morrem na amizade de Deus quanto o próprio mundo material criado que se há de transformar após o Juízo Final: os «novos céus e nova terra» de que fala o Apocalipse. Sobre estes, ensina o Catecismo (cf. até o parágrafo 1060):
1046. Quanto ao cosmos, a Revelação afirma a profunda comunidade de destino entre o mundo material e o homem:
Na verdade, as criaturas esperam ansiosamente a revelação dos filhos de Deus […] com a esperança de que as mesmas criaturas sejam também libertadas da corrupção que escraviza […]. Sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade. E não só ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente, esperando a adopção filial e a libertação do nosso corpo» (Rm 8, 19-23).
1047. Assim, pois, também o universo visível está destinado a ser transformado, «a fim de que o próprio mundo, restaurado no seu estado primitivo, esteja sem mais nenhum obstáculo ao serviço dos justos», participando na sua glorificação em Jesus Cristo ressuscitado.
Algumas perguntas poderiam ser colocadas aqui: como será esse cosmos «restaurado no seu estado primitivo»? De que maneira se dará essa transformação do «universo visível»? De modo mais específico: o quê, exatamente, haverá nos «novos céus e nova terra»? Árvores? Plantas? Rios e cachoeiras? Animais…?
Note-se que a pergunta sobre se haverá animais após a Ressurreição da Carne é completamente diferente da primeira, se os «cães e gatos podem ir para o Céu»! Nesta, eles seriam sujeitos da Redenção, o que é um completo absurdo e nonsense; naquela, pergunta-se qual o papel do mundo visível (incluídos aí os animais, mas também as plantas e o mundo inorgânico) no mundo futuro que Deus tem planeado para os que O amam. E, não, perguntar se ainda haverá praias e montanhas após o Juízo Final não é o mesmo que perguntar se as montanhas e praias “vão para o Céu” quando deixam de existir. Ser incapaz de separar uma coisa da outra não é se não um sinal de que não se sabe (mais) o que é o Homem, o que o mundo, o que é o Paraíso – e, mesmo assim, tem-se a pretensão de informar os outros sobre o assunto.
in deuslovult.org


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sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Errar é canídeo



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Carta de Madre Teresa de Calcutá a uma irmã doente

Minha querida Filha,

Obrigada pela consoladora carta de dia 14. Continue a buscar o Sagrado Coração. Por que se preocupa com a possibilidade de ser ou não tuberculose? A Irmã é Dele e isso é um presente que Ele lhe dá, a si que é Sua esposa. A Madre não lhe ensinou a dizer na profissão: "Desejo tornar-me Esposa de Jesus Crucificado? Não é Jesus glorificado nem no presépio mas na Cruz, sozinho, despido, sangrando, sofrendo, morrendo na Cuz. 

Por isso se for a primeira da Sociedade que Ele escolhe para estar sozinha na cama da Cruz, pois minha filha temos de dar graças a Deus por tudo, por este amor especial que Ele demosntra ter po si, por mim e pela Sociedade. A Irmã ainda é uma criança e a vida é bela - mas o caminho que Ele escolheu para si é o caminho verdadeiro. Por isso sorria, sorria à Mão que lhe bate, beije a Mão que a prega na Cruz. 


Não me parece que a Irmã tenha tuberculose, mas deixe-os fazerem-lhe tudo o que quiserem. Seja como um cordeirinho, sorrindo a toda a gente. Não se preocupe que eu vou arranjar dinheiro e vou vê-la logo que tenha notícias mais concretas da Irmã.

"Que eles ergam os olhos e só vejam Jesus." Prometi a Nossa Senhora 25000 Memorare's pela sua cura e havemos de os dizer ao longo destes 9 dias. Por favor agradeça à M. Rose a simpatia que tem tido para consigo. Sinto-me muito feliz com o que Deus bem quiser fazer com todas vós, sois todas Dele.

Ame a Jesus e mantenha um coração sorridente para Ele. Todos esses pensamentos perturbadores vêm do demónio, ignore-os a todos. Deus a abençoe, minha filha.

Madre

in Madre Teresa, Vem, Sê a Minha Luz (Aletheia)


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quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Colóquio Tradição e Revolução (entrada livre)



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WhatsApp: ajuda ou obstáculo na relação com Deus?

WhatsApp é um programa que utiliza a Internet principalmente para enviar mensagens instantâneas e fotografias. É usado especialmente em telemóveis.

Em meados de Novembro de 2014, a empresa desenvolveu um sistema que permite saber se o destinatário das mensagens enviadas leu ou não: se o remetente vê no telefone dois “certos” significa que o receptor leu a mensagem.

Já em 2013, um estudo da "Cyberpsychology: Journal of Psychosocial Research on Cyberspace" mostrava que o WhatsApp tinha sido motivo para a ruptura de 28 milhões de casais. As pessoas enviavam mensagens, mas também esperavam uma resposta imediata. Com a nova modalidade de comprovar a leitura das mensagens essa "expectativa de resposta" fica ainda mais acentuada.

Sabe-se que, como sugerido por alguns psicólogos (p.ex. Henry Echeburúa da Universidade do País Vasco) o WhatsApp pode gerar o mesmo vício de uma droga. Uma droga que apresenta sintomas externos, como a incapacidade de não só ver permanentemente o telefone durante o dia, mas também durante a noite; droga que incapacita para relacionar-se e olhar nos olhos do outro; droga que faz experimentar sensações como a impressão de que o telefone vibra sempre ou que cria a necessidade de estar sempre conectado, disponível e reagindo imediatamente aos estímulos que vêm "do outro lado" do telefone. De acordo com o estudo "A Comunicação dos estudantes por meio do WhatsApp”, um a cada três estudantes de 15 a 19 anos usa o WhatsApp em média durante seis horas por dia.

Em geral, as redes sociais e serviços de mensagens instantâneas como o WhatsApp criaram uma forma mentis nova nos modos e tempos de interacção humana. Sendo estes estímulos sincrónicos e intempestivos exigem, para muitos, uma forma de resposta nas mesmas categorias.

Que isso passe depois para o campo dos sentimentos é apenas um reflexo de que as experiências digitais supõem também reacções afectivas que suscitam rejeição ou reforçam laços humanos porque, em última análise, as tecnologias são o que são os seres humanos que as usam.

De acordo com dados do WhatsApp, até Agosto de 2014 esse serviço tinha 600 milhões de usuários. Em Abril do mesmo ano tinha superado os 500 milhões. Números como estes mostram claramente não só a penetração que esses serviços têm nos seres humanos, mas também que as relações humanas mudam nas suas formas. Sendo as relações humanas o ponto de partida (em quanto que são a nossa primeira experiência de alteridade, ou seja, de tratamento com outros) é compreensível que, consequentemente, condicionem para bem ou para o mal a nossa capacidade de relacionar-nos com Deus.

Consideremos um exemplo simples, mas profundo: a oração. Em termos claros supõe o diálogo entre duas pessoas: a própria pessoa e Deus. Nesse diálogo, na maioria das vezes, somos nós que formulamos uma petição e esperamos a resposta. A era das tecnologias é também a era da impaciência: espera-se respostas e soluções imediatas. Mas na vida da Fé esse não é normalmente o caminho pedagógico que Deus usa para nos ajudar de forma mais profunda. Não é verdade que existe o risco de não saber esperar também na vida de união com Deus, de nos cansarmos e alimentarmos uma espécie de apatia religiosa ante a falta de respostas imediatas?

"Se não te respondo é porque estou a fazer uma pausa”, era um dos cartazes da marca KitKat após a implementação do sistema de WhatsApp em Novembro de 2014. No fundo mostrava algo bastante real: o homem não está feito só para respostas imediatas a estímulos inesperados, mas também para refletir nas suas respostas. E isso leva-nos a pensar como as respostas que não contam com o apoio da reflexão, que tantas vezes está unida à pausa e ao silêncio, dificilmente dão os melhores resultados.

Na mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, em 2012, Bento XVI escreveu um texto que parecia profeticamente antecipar os dois “certos” do WhatsApp e que coloca no centro essa virtude também esquecida na comunicação hodierna, o silêncio:

"O silêncio é parte integrante da comunicação e, sem ele, não há palavras densas de conteúdo. No silêncio, escutamo-nos e conhecemo-nos melhor a nós mesmos, nasce e aprofunda-se o pensamento, compreendemos com maior clareza o que queremos dizer ou aquilo que ouvimos do outro, discernimos como exprimir-nos. Calando, permite-se à outra pessoa que fale e se exprima a si mesma, e permite-nos a nós não ficarmos presos, por falta da adequada confrontação, às nossas palavras e ideias. 

Deste modo abre-se um espaço de escuta recíproca e torna-se possível uma relação humana mais plena. É no silêncio, por exemplo, que se identificam os momentos mais autênticos da comunicação entre aqueles que se amam: o gesto, a expressão do rosto, o corpo enquanto sinais que manifestam a pessoa. No silêncio, falam a alegria, as preocupações, o sofrimento, que encontram, precisamente nele, uma forma particularmente intensa de expressão. 

Por isso, do silêncio, deriva uma comunicação ainda mais exigente, que faz apelo à sensibilidade e àquela capacidade de escuta que frequentemente revela a medida e a natureza dos laços. Quando as mensagens e a informação são abundantes, torna-se essencial o silêncio para discernir o que é importante daquilo que é inútil ou acessório. 

Uma reflexão profunda ajuda-nos a descobrir a relação existente entre acontecimentos que, à primeira vista, pareciam não ter ligação entre si, a avaliar e analisar as mensagens; e isto faz com que se possam compartilhar opiniões ponderadas e pertinentes, gerando um conhecimento comum autêntico. Por isso é necessário criar um ambiente propício, quase uma espécie de «ecossistema» capaz de equilibrar silêncio, palavra, imagens e sons."

in Zenit


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quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Procissão com Nossa Senhora de Fátima em Roma








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Tertuliano descreve o Matrimónio

Ambos são filhos do mesmo Pai, servos do mesmo Senhor, formando uma só carne, um só espírito. Oram juntos, adoram juntos, jejuam juntos, ensinam-se um ao outro, encorajam-se um ao outro, apoiam-se um ao outro. 

Encontramo-los juntos na igreja, juntos no banquete divino. Partilham por igual a pobreza e a abundância, as perseguições e as consolações. Não há segredos entre eles, nenhuma falsidade: confiança inviolável, solicitude recíproca, nenhum motivo de tristeza. Não têm de se esconder um do outro para visitar os doentes, para dar assistência aos indigentes; a sua esmola não é motivo de disputa, os seus sacrifícios não conhecem escrúpulos, a observância dos seus deveres quotidianos é sem entraves. 

Entre eles não há sinais da cruz furtivos, nem saudações inquietas, nem acções de graças mudas. Da sua boca, livre como o seu coração, elevam-se hinos e cânticos; a sua única rivalidade é a de ver quem celebra melhor os louvores do Senhor. Cristo alegra-Se com tal união; a tais esposos Ele envia a sua paz.

in Ad Uxorem


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terça-feira, 9 de dezembro de 2014

O Prós e Contras tem futuro?

O infeliz tema do infeliz programa Prós e Contras de ontem era: Deus tem futuro?

Lá se encontrava o inevitável Pe. Anselmo Borges, que tem lugar cativo onde houver uma câmara de filmar. Qualquer semelhança entre o que defende o Pe. Anselmo e a doutrina católica é pura coincidência, no entanto continua a ser o único representante que temos nestas coisas. Na prática não temos representante, mais valia assumirem que não querem saber dos católicos e deixavam a cadeira vazia.

Joshua Ruah, judeu, falou duma ética comum a todos, sem conseguir explicar do que consta. Disse que a ética evolui (para melhor), quando apenas há 70 anos o seu povo foi massacrado, como nunca antes, em plena Europa. Seria de esperar um séc.XX um pouco mais ético, depois de toda essa “evolução”. Não fez o mínimo esforço para defender a fé judaica, falou como teria falado qualquer ateu.

Sheik Munir, muçulmano, tentou convencer-nos que o Corão não induz à violência e que todas as violações da dignidade humana nos estados islâmicos acontecem por causa do próprio Estado e não do Islão. 

Pedro Cabrita Reis, artista, o mais proeminente porta-voz dos ateus não trouxe qualquer valor acrescentado ao programa. Estava claramente a jogar numa divisão acima da sua e a sua presença apenas serviu para ficarmos a saber que existe alguém extremamente parecido com o Daniel Sampaio. 

A apresentadora, Fátima Campos Ferreira, teve uma performance muito fraquinha. Não conseguiu gerir as conversas de modo a que tivessem princípio meio e fim, fez comentários completamente despropositados e mostrou-se mais como uma interveniente, apesar de pouco saber do assunto, do que uma moderadora.

Quem perdeu tempo a ver o programa fez apenas isso: perder tempo. Não se aprendeu nada durante aquele tempo, o que é uma pena porque o nosso tempo aqui é limitado.

Não deixa de ser irónico que no dia da Imaculada Conceiçao se tenha feito todo um programa, a começar pelo tema, que foi um hino ao pecado original: o Homem que se tenta pôr no lugar de Deus.

Pessoas que falam de Deus como se Ele não existisse ou como se nunca Se tivesse revelado. Pessoas que falam do Homem como se fosse todo-poderoso, o Senhor do universo.

Tudo isto é um puro engano. Deus existe, usando a razão percebemos isto. Contemplando a criação percebemos isto. Deus é o único Senhor. Deus é criador. Deus criou-nos. Deus falou-nos. Deus escolheu um homem para começar um povo. Deus escolheu uma mulher no meio do seu povo para poder Ele próprio vir até nós, a isso chamamos Natal. 

Deus viveu como um de nós, oculto durante 30 anos. Sendo inocente foi condenado por nós. Sofreu e morrer na cruz para salvar os próprios assassinos. Para salvar a todos! Ressuscitou, mostrando que a morte tinha sido vencida. O amor venceu! A misericórdia triunfou! 

Deus já nos falou e continua a falar. Em vez de nos fazermos deuses por que é que não nos calamos para O ouvir?

João Silveira



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Quando o Papa Francisco conheceu a Madre Teresa de Calcutá

O Papa Francisco esteve há umas semanas na Albânia, país de origem da família de Madre Teresa de Calcutá.

Durante a sua viagem o Papa tinha um intérprete, que era um sacerdote que traduzia tudo ao Papa, para ele perceber. O Papa disse ao intérprete que a Madre Teresa não se intimidava com nada e "dizia sempre o que pensava", mesmo diante de um Sínodo inteiro.

Esta história foi confirmada pelo director da Sala de Imprensa da Santa Sé, o Pe. Federico Lombardi, numa conferência de imprensa em Tirana.

Ao descrever as circunstâncias do seu encontro com a Beata Teresa de Calcutá, a freira que entregou a vida para ajudar os pobres dos mais pobres, o Papa Francisco explicou que a conhecera, a Madre Teresa, no Sínodo de 1994.

"Ela estava sentada mesmo atrás de mim durante as sessões. Eu admirava a sua fortaleza, a determinação com que falava, sem nunca se deixar intimidar pela assembleia de bispos. Ela dizia o que queria dizer…"

"Se ela fosse minha superiora eu assustava-me!" brincou o Papa Francisco.

in vaticaninsider.lastampa.it


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Seminário de Ciudad del Este - Paraguai

Numa só diocese do Paraguai, pelo menos 200 seminaristas:



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segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Oração do Papa Francisco a Nossa Senhora

Ó Maria, Mãe nossa, hoje o povo de Deus em festa venera-te, Imaculada, preservada desde sempre do contágio do pecado. Acolhe a homenagem que te ofereço em nome da Igreja que está em Roma e no mundo inteiro.

Saber que tu, que és nossa mãe, és totalmente livre do pecado dá-nos grande conforto. Saber que sobre ti o mal não tem poder enche-nos de esperança e de fortaleza na luta quotidiana que nós devemos realizar contra a ameaça do maligno.

Mas nesta luta não estamos nós, não somos órfãos, porque Jesus, antes de morrer na cruz, deu-nos a ti como mãe. Nós, por isso, ainda que sendo pecadores, somos teus filhos, filhos da Imaculada, chamados àquela santidade que em ti resplandece pela graça de Deus desde o início.

Animados por esta esperança, nós hoje invocamos a tua materna proteção por nós, pelas nossas famílias, por esta cidade, pelo mundo inteiro. O poder do amor de Deus, que te preservou do pecado original, por tua intercessão livre a humanidade de toda a escravidão espiritual e material, e faça vencer, nos corações e nos acontecimentos, o desígnio de salvação de Deus.

Faz com que também em nós, teus filhos, a graça prevaleça sobre o orgulho e possamos tornar-nos misericordiosos, como é misericordioso o nosso Pai celeste. Neste tempo que nos conduz à festa do Natal de Jesus, ensina-nos a andar contracorrente: a despojarmo-nos, a abraçarmo-nos, darmo-nos, a escutar, a fazer silêncio, a descentrarmo-nos de nós mesmos, para deixar espaço à beleza de Deus, fonte da verdadeira alegria.

Ó Maria nossa Imaculada, ora por nós!

Praça de Espanha (Roma), 08/XII/2014


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domingo, 7 de dezembro de 2014

Unisex: a criação do homem sem identidade

"Unisex - A criação do homem sem identidade" é o título do ensaio escrito por Gianluca Marletta e Enrica Perucchietti. Um título interessante para explicar o que é realmente essa ideologia de género que está a ser imposta cada vez mais e esclarecer quais são os seus objectivos e que tipo de mundo ela está preparando para as novas gerações. Conversamos com um dos autores, Gianluca Marletta, professor de literatura, estudante de antropologia e autor de inúmeros ensaios de sucesso.

Profº Marletta, estamos a caminhar para a criação de um novo homem "sem identidade"?

Marletta: "A caminhar" talvez não seja a frase mais exacta: não estamos a caminhar, mas sim "a ser empurrados"... Não há muito de espontâneo em alguns processos culturais. Aqui temos simplesmente o envolvimento gigantesco de poderes, autoridades políticas e, especialmente, colossos económicos que, dia após dia, nos empurram para uma "reformulação" da própria ideia de humanidade. Uma humanidade que eles querem que seja desestruturada e desprovida de toda a forma de identidade. 

O que estão tentando criar é uma redefinição de homem, o mais desprovido possível de pontos de referência e de apoio, como a religião, a família, mais do que a identidade sexual... É por esta razão que é tão forte, em certos círculos, uma ideologia como a de género, que propõe a aniquilação da identidade, uma sexualidade fluida, ambígua e polimórfica, a negação do dado objectivo da natureza.

Como é que nasceu a ideologia de género e quais são as etapas desse projecto de aniquilar as diferenças?

Marletta: A ideologia de género nasceu nos Estados Unidos nas décadas de 1950 e 1960 e, pelo menos inicialmente, não era nada mais que a ideologia de referência de alguns grupos de feministas e do nascente movimento homossexual. A ideologia de género afirma que não existe uma identidade sexual definida no ser humano, mas que os chamados "géneros" (masculino, feminino, gay, lésbica, transgénero) são apenas manifestações de uma sexualidade "fluida" e naturalmente "polimorfa" (não é por acaso que John Money, o verdadeiro pai da ideologia de género, também era cirurgião especializado em operações de "mudança de sexo", que ele recomendava e fazia inclusive em pacientes menores de idade e até mesmo em crianças). 

Até a década de 1970, a ideologia ficou restrita a nichos, mas começou a “colonizar” os “andares superiores” da política norte-americana no governo de Bill Clinton. Dali ela entrou na ONU como ideologia de referência das grandes “quermesses” internacionais de saúde reprodutiva (não é coincidência que, naquele período, o termo "sexo" foi expurgado dos documentos oficiais e substituído pelo termo "género").

Estamos a assistir hoje a uma campanha social, antropológica e mediática destinada a reforçar a ideologia de género. Quem orquestra tudo isso e com que estratégias?

Marletta: No Ocidente, a mobilização em prol da ideologia de género é impressionante hoje em dia: é uma operação de manipulação em massa sem precedentes, realizada com todos os meios disponibilizados pelos media, pela propaganda e pela política. Os grandes financiadores são, com certeza, a Fundação Rockefeller (que já era a principal financiadora de todas as campanhas pró-aborto nas décadas de 1970 e 1980), os grupos ligados ao magnata George Soros, além de grandes fundos e institutos económicos do mundo ocidental, entre os quais a Motorola, a Kodak, o Goldman Sachs, o JP Morgan, a Fundação Ford. Na nossa opinião, o objectivo desta mobilização sem precedentes é o projecto de uma "nova ordem mundial", tão caro aos poderes ocidentais, que, necessariamente, implica uma redução ou dissolução das identidades tradicionais. Destruir as identidades (religiosas, humanas, sociais) para criar um perfeito "melting pot": parece que é este o objectivo de certas elites.

Há relações entre a ideologia de género e a pedofilia?

Marletta: De acordo com John Money e com os ideólogos do género, a pedofilia é apenas uma expressão particular de uma sexualidade polimorfa, que deve ser "experimentada em todos os níveis e em todas as idades", e, portanto, deveria ser aceite. Os actuais promotores da ideologia de género não dizem isso em público, acho eu, apenas por uma questão de "oportunidade" e porque, do ponto de vista deles, os tempos ainda não estão “maduros”... De resto, na América do Norte, há anos que uma organização declaradamente pró-pedofilia, a NAMBLA (North America Man​​/Boy Love Association) desfila nas paradas do orgulho gay. E até hoje, o clube mais importante de "cultura homossexual" de Roma é dedicado a um certo Mario Mieli, que, nos seus livros, defendia a pedofilia a ferro e fogo como "expressão de liberdade".

E qual é o propósito do vosso livro?

Marletta: Essencialmente, informar as pessoas sobre um tema de grande actualidade e, infelizmente, pouco conhecido. É preciso entender o que é a ideologia de género, o que ela procura, quais são os seus objectivos, para entendermos que tipo de mundo está a ser preparado para nós e para os nossos filhos.

in Zenit


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O pequeno caminho - Santa Teresinha do Menino Jesus

Bem sabeis, minha Madre, que sempre desejei ser santa. Mas, ai de mim!, sempre verifiquei, ao comparar-me com os Santos, que há entre eles e eu a mesma diferença que existe entre uma montanha, cujo cume se perde nos céus, e o obscuro grão de areia pisado pelos pés dos caminhantes. 

Em vez de desanimar, disse para comigo: «Deus não pode inspirar desejos irrealizáveis. 

Posso, portanto, apesar da minha pequenez, aspirar à santidade. Fazer-me crescer a mim mesma é impossível; tenho de suportar-me tal como sou, com todas as minhas imperfeições. 

Mas quero procurar a maneira de ir para o Céu por um caminhito muito direito, muito curto, um caminhito completamente novo. 

in Manuscrito autobiográfico C, 2 v°-3 r°


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sábado, 6 de dezembro de 2014

Até que a morte nos separe

Com 25 anos de idade, 8 meses depois de casar, Sofia viu o seu marido de 30 anos ter um grave acidente de bicicleta e ficar com grandes limitações físicas e mentais. Veja o que aconteceu depois disso e como leva Sofia a sua vida.



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Frase do dia

"Quando um homem começa a renovar-se espiritualmente, começa também a ser vítima das más-línguas dos difamadores. Quem não sofreu esta prova não começou ainda a progredir. E quem não está disposto a sofrê-la é por que não está decidido a converter-se."

Santo Agostinho


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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Nova férula papal divide opiniões entre liturgistas


in eyeofthetiber.com


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Bento XVI desautoriza o professor Ratzinger a respeito da comunhão dos divorciados

Há alguns meses, o Card. Kasper começou a fazer alvoroço em público com as suas teses a respeito da admissibilidade dos divorciados recasados à comunhão eucarística. Conhecemos a história: num artigo publicado no início do ano, o prelado apresentava as suas ideias e coligia os fundamentos que julgava possível apresentar em sua defesa.

O passo do prelado, contudo, foi maior do que as pernas. Poderia ter apenas defendido a sua posição particular nesta seara; para angariar maior força de persuasão, contudo, julgou preferível trazer para junto de si a opinião abalizada de um dos maiores teólogos da atualidade. Resolveu defender «la práctica de la tolerancia pastoral, de la clemencia y de la indulgencia» baseando-se em ninguém mais, ninguém menos do que Joseph Ratzinger.

À época, Kasper desenterrou um artigo publicado em 1972 pelo então prof. Ratzinger, e o apresentou aos seus leitores da seguinte maneira:
A Igreja dos primórdios dá-nos uma indicação que pode servir como caminho para escapar a este dilema, ao qual o professor Joseph Ratzinger já fez menção em 1972. […] Nas Igrejas locais havia um direito consuetudinário, de acordo com o qual os cristãos que viviam um segundo vínculo [matrimonial], mesmo que o primeiro cônjuge ainda estivesse vivo, depois de um tempo de penitência tinham à sua disposição […] não um segundo matrimónio, mas – através da participação da comunhão [eucarística] – uma tábua de salvação. […]
[…]
J. Ratzinger sugeriu [em 1972] retomar de maneira nova essa posição de [São] Basílio. Pareceria uma solução apropriada, solução esta que está na base das minhas reflexões.
As conclusões agora apresentadas por Kasper apoiavam-se, de facto, em um nome vultoso. A solução que ele ressuscitava agora tinha o inegável mérito de ter sido já defendida, na década de 70, pelo académico Joseph Ratzinger. O arranjo fora muito bem preparado. Kasper só não contava com um pequeno detalhe: Bento XVI ainda estava vivo, lúcido e não gostou nem um pouco da maneira como o seu artigo (de há mais de quatro décadas) fora citado.

A honestidade intelectual é uma virtude delicada; ela exige que não utilizemos as palavras de terceiros de modo a apresentar um retrato do seu pensamento com o qual eles próprios não concordariam. E, após ter já publicado – enquanto cardeal e enquanto Papa – diversos trabalhos nos quais concluía a respeito da inadmissibilidade da comunhão eucarística aos recasados, Bento XVI não se reconheceu nos textos que escrevera no início dos anos 70, agora requentados para defender uma bandeira com a qual, em absoluto, o antigo Papa não concorda.

E a resposta veio nos últimos dias: o Bispo Emérito de Roma republicou o seu artigo de 1972, com uma retractatio em sua parte final redigida agora em 2014, onde revisa a sua posição anterior. A atitude me surpreendeu por diversos motivos.

Primeiro porque tal não seria a rigor necessário, uma vez que a posição de Bento XVI a respeito do tema era já suficientemente clara a partir dos seus textos posteriores (entre os quais merece menção, para ficar somente em um exemplo, esta carta assinada de próprio punho pelo Card. Ratzinger em 1994). Mas parece que o acadêmico sentiu-se particularmente ofendido com a mera possibilidade de ter o seu nome associado às teses de Kasper e, portanto, julgou oportuno fazer a retratação.

Segundo porque penso que o facto é inédito. Não me recordo de nenhuma outra ocasião em que Bento XVI tenha rechaçado explicitamente as posições que assumira nos anos anteriores ao cardinalato e à presidência da Congregação para a Doutrina da Fé; pelo contrário, já o ouvi até dizer que foi a revista Concilium (de cuja fundação o jovem Ratzinger participou e que se consagrou mais tarde como um famoso veículo de doutrinas pouco católicas) quem mudou de orientação, e não ele próprio. O gesto abre um importante precedente (que era óbvio, mas a respeito do qual não se pode mais, agora, alegar dúvidas): não é possível transpôr acriticamente os antigos escritos do teólogo Ratzinger para os dias atuais, passando por cima dos debates teológicos que se travaram ao longo das últimas décadas e em cujo cerne o autor – primeiro como prefeito do Santo Ofício e, depois, como Papa – ocupou muitas vezes um lugar de indiscutível proeminência.

Terceiro, por fim, porque a decisão de Bento XVI coloca o seu conterrâneo numa verdadeira saia justa. Rompendo o silêncio do seu pontificado emérito, ele desautoriza simultaneamente as teses de Kasper e os expedientes do qual este lançou mão para as fazer valer: tomando importante partido nesta importantíssima discussão contemporânea, não faltou quem dissesse que Bento XVI, agora, provoca uma reviravolta e passa a pautar o Sínodo da Família. Não me parece que tenha sido a atitude mais deferente do mundo; contudo, parece que estamos em uma daquelas situações em que se exige que a defesa categórica da Fé seja colocada acima da polidez política. Que seja bem-vindo o auxílio do Pontífice do passado.

E isso sem falar da humildade necessária para se fazer assim, já no fim da vida, uma retratação pública de repercussão tão ampla: Bento XVI é realmente uma personalidade assombrosa, cuja envergadura intelectual não pode ser posta em dúvida. Nem a sua dedicação à Igreja…! Nem sequer o amor à Verdade que o levou a grafar aquele Cooperatores Veritatis no seu brasão episcopal. Sim, há homens para os quais a Verdade está acima de sua imagem e prestígio pessoais. Que as novas gerações o aprendam deste ancião admirável.

in deuslovult.org


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quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Eu não perdi a virgindade quando me casei

Eu não perdi a minha virgindade quando me casei

Eu nunca dei um murro na cara a alguém, mas há alturas em que desejava poder ignorar a virtude do auto-controlo e deixar o meu punho voar.

Alguns meses antes do meu casamento, alguém me perguntou (sabendo que eu tinha 29 anos e era virgem por opção própria): “Então, o teu noivo também é virgem?” Eu respondi “Não”. Ela respondeu, “Bem, ao menos alguém sabe o que é preciso fazer”. Eu fingi não me importar com esta afirmação ridícula e mudei de assunto rapidamente.

Mas...a sério? A sério?! O meu cérebro estava a andar às voltas de raiva e irritação, enquanto a minha vontade fez tudo o que conseguiu para prevenir que a Jackie Francois se tornasse em Jackie Chan.

Aquela resposta estúpida irritou-me a vários níveis.

Primeiro, a Humanidade tem relações sexuais há milhares e milhares de anos. Não é que o mecanismo do sexo seja difícil de dominar, mesmo quando são duas pessoas virgens, que Deus nos livre (note-se o sarcasmo)!

Segundo, pensas mesmo que estou feliz pela primeira experiência de sexo do meu marido ter sido com outra pessoa, permitindo-lhe “praticar”? Hum, vamos aqui pensar por um segundo... NÃO! Eu não conheço nenhuma mulher que só deseja e espera que o seu marido tenha memórias com outra rapariga (ou raparigas) com quem tenha tido uma relação sexual ou um harém de estrelas pornográficas que o tenha excitado. As memórias simplesmente não desaparecem quando se começa a namorar alguém ou quando se põe o anel no dedo ou quando se fazem os votos de casamento. É preciso graça, oração, tempo e às vezes conselho para curar memórias. 

Terceiro, se o meu marido estivesse estado lá para ouvir esta ridícula, insensível e rude “inspiração”, ele teria ficado ainda mais ofendido (e talvez tentado a dar um murro, também). A sua perda de virgindade nunca foi uma coisa de que ele gabasse. De facto, ele partilha o seu testemunho (aqui) e nas conferências que damos juntos sobre o arrependimento e a vergonha que ele sentiu depois daquele momento de fraqueza e luxúria. 

Enquanto que a cultura diz que o sexo não é nada de especial e que às pessoas deve ser feito um “test-drive” antes do casamento, existem muitos bons homens e mulheres católicos que sabem que o sexo é santo e belo e que só merece ser dado ao seu esposo. Aqueles homens e mulheres que tiveram sexo antes do casamento sentiram claramente que perderam a sua virgindade. 

Uma mulher descreveu-o como a perda da inocência. Outra descreveu-o como a perda de uma ideia sobre o é que deveria ter sido ter sexo pela primeira vez quando disse, “Não foi como nos filmes. O meu namorado nem me abraçou depois.” Outras disseram, “Eu senti-me usada.” Outras sentiram a perda do orgulho; eram aquelas que «nunca» iriam cometer o pecado da fornicação. Outras sentiram que tinham perdido a sua dignidade, porque se deram só para ouvirem as palavras “Eu amo-te”, ou “Tu és gira”. A virgindade nunca existiu para ser “perdida”. O sexo não foi criado para ser um erro ou um acto superficial.

Enquanto que o mundo à nossa volta nas televisões, filmes e músicas faz a virgindade parecer ridícula, eu sabia no meu coração que nunca quereria “perder” a minha virgindade com um namorado nalgum dormitório nojento de uma universidade, ou em casa dos pais dele, ou no apartamento dele, só para ter alguma prática para o meu futuro marido. 

Não me foi ensinada a visão 'puritana' de que "o sexo é mau". De facto, aprendi a visão Católica de que o sexo é bom, belo e santo. O sexo é a consumação dos votos de casamento e o corpo está a cumprir a promessa desses votos (mesmo que tu não estejas). Os votos que faz com o coração e a voz no dia do casamento – amar livre, total, fiel e frutuosamente – são expressos mais tarde, nessa noite, com os corpos. O sexo torna os votos encarnados. Logo, tecnicamente, não estás casado se não consumares o matrimónio sacramental, porque os votos ainda não foram plenamente cumpridos com o corpo.

É por isso que na minha noite de núpcias eu não «perdi» a minha virgindade. Eu livremente escolhi dar-me – corpo, mente, coração e alma – ao meu marido que prometeu amar-me “até que a morte nos separe”. Definitivamente não senti vergonha nem perda. Não me senti mal nem conspurcada. Eu senti-me bela e santa e inocente como uma criança. E o meu marido? Aposto que sentiu o mesmo. Mesmo que a virgindade tenha sido «perdida» no passado, continua a ser possível, com a Reconciliação e a graça de Deus, conseguir pela primeira vez, dar-se livre, total, fiel e frutuosamente. E acredite: quando o sexo inclui todas estas coisas, é quando se sabe realmente o que se está a fazer.

Jackie Angel in jackieandbobby.com



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terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Felizes os pobres de espírito

«Felizes os pobres de espírito porque é deles o reino dos céus» (Mt 5,3). Poderíamos perguntar-nos a que pobres quereria a Verdade referir-se se, ao dizer «Felizes os pobres», não tivesse acrescentado nada sobre o tipo de pobres de que falava. Pensar-se-ia então que, para merecer o Reino dos Céus, bastaria a indigência de que muitos sofrem devido a uma necessidade penosa e dura. Mas ao dizer: «Felizes os pobres de espírito», o Senhor mostra que o Reino dos Céus deve ser dado aos que são recomendados mais pela humildade da alma, do que pela penúria dos recursos. 

No entanto, não podemos duvidar de que os pobres adquirem mais facilmente do que os ricos o bem que é esta humildade, pois a doçura é uma amiga da sua indigência, ao passo que o orgulho é o companheiro da opulência dos ricos. Porém, também se encontra entre muitos ricos esta disposição de alma que os leva a servirem-se da sua abundância, não para se encherem de orgulho, mas para praticarem a bondade, e que encaram como grande lucro o que gastaram para aliviar a miséria e a infelicidade dos outros. 

A todos os tipos e classes de homens é dada a oportunidade de participarem nesta virtude, porque podem ser simultaneamente iguais em intenção e desiguais em fortuna; e pouco importam as diferenças entre os recursos terrenos que encontramos entre os homens que são iguais em bens espirituais. Feliz esta pobreza que não está agrilhoada pelo amor das riquezas materiais; ela não deseja aumentar a sua fortuna neste mundo, antes aspira a tornar-se rica dos bens dos céus.

S. Leão Magno in Sermão 95


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Vida contemplativa: É possível? - Beato Álvaro del Portillo

Há muita gente que, quando ouve falar da vida contemplativa, se imagina como umas boas monjinhas ou uns bons frades que passam o dia a fazer oração com as mãos juntas, esquecidos de todos os afazeres materiais. Não, não é assim! Também eles têm que trabalhar. Vejam como se cansava Santa Teresa de Jesus, uma alma profundamente contemplativa, a quem o nosso Fundador [São Josemaria] tinha tanto carinho. Ia de um lado ao outro, com os meios daquele tempo, preocupada em obter o necessário para fundar novos mosteiros e, depois, ocupada em pôr ordem em cada um. Custou-lhe muito trabalho, muitas penas, muitos sacrifícios. Mas isso não a afastava de Deus, porque agia com rectidão de intenção, porque todo esse trabalho externo - viajar, comprar casas, formar as novas religiosas que chegavam -, fazia-o por amor ao Senhor.

Os cristãos comuns e correntes compreendiam que não tinham a vocação de Maria, entendida no sentido de procurar a união com Deus fugindo do mundo. Mas também não tinham a vocação de Marta, tal como a viam aplicada na Igreja, com matizes religiosas: frades e monjas que trabalhavam - muitas vezes heroicamente - em hospitais e obras de beneficiência. E fora dessas margens a vida de um cristão reduzia-se com demasiada frequência a trabalhar e a cansar-se, por motivos nobres mas humanos, sem se lembrar da finalidade de todo o trabalho, que é a glória de Deus. A grande maioria das pessoas - todos os que tinham vocação de fiéis cristãos correntes - não se viam reflectidos em nenhum desses dois modelos. Isso da santidade - pensavam - era para frades e monjas; eu, se me salvar, já me posso dar por satisfeito.

‹‹Uma só coisa é necessária›› (Lc 10, 42): a união com Deus, a santidade pessoal, que é inseparável do afã apostólico, do desejo eficaz de cooperar com Deus para a salvação do mundo.

Meditação em San Felice d'Ocre (Aquila, Italia), 20-VII-1986
in Orar como sal y como luz, Álvaro del Portillo (2013)


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segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Deus ama os homossexuais?



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Sonhámos uma família dedicada ao combate à pobreza e à exclusão

Paula e Javier Calderón, ambos do Opus Dei, estão casados há dezanove anos e têm sete filhos: Maria, Mónica, David, Rodrigo, Marta, Pablo e Clara. A Maria tem 18 anos e a Clara tem 3. Licenciados em Direito, trabalham numa Instituição Privada de Solidariedade Social por eles fundada. 

– Como se conheceram?

PAULA: Foi no Verão de 1991. Tínhamos os dois 21 anos. Conhecemo-nos numa acção de voluntariado no Centro de Deficientes Profundos João Paulo II, em Fátima. Tratávamos das crianças, jovens e adultos internados nesse Centro. O Javi vinha através de um centro do Opus Dei de Sevilha com mais 8 rapazes. Eu, que atravessava um período de crise existencial, aceitara a sugestão de um irmão meu, numerário do Opus Dei, para fazer voluntariado durante duas semanas. No final de um Verão cheio de aventuras, com inter-rail pela Europa fora, depois de um exame na Faculdade, em Setembro, peguei na mochila e arranquei para a solidariedade.

Conheci o Javi e digamos que foi “amor à primeira conversa e às primeiras gargalhadas”. Passados três dias começámos a namorar. Por motivos logísticos e económicos só casámos cinco anos depois. Desde o princípio soube que ele era o homem da minha vida. Foi um longo namoro com 600 km de distância pelo meio.

JAVIER: Era a primeira vez que ia a Fátima. Nunca pensei que a Virgem me tivesse preparado este presente. Casámo-nos onde nos conhecemos, na bonita Igreja paroquial de Fátima e desde então vivemos em Lisboa. Trabalhamos naquilo com que há muito sonhávamos e para o que sentíamos uma vocação específica: o combate à pobreza e à exclusão social. Fundámos uma Instituição Particular de Solidariedade Social com o objectivo de ajudar as famílias mais pobres de alguns dos bairros mais problemáticos de Lisboa.

PAULA: Sim, já no namoro combinámos que iríamos dedicar-nos aos mais desfavorecidos. Não sabíamos era como. Cada um no seu país desde os tempos da Universidade fazia voluntariado organizado por centros do Opus Dei. Depois de casarmos fundámos a Associação Emergência Social, e eu, após 3 anos a dar aulas, trabalhar numa sociedade de advogados e outras experiências profissionais acabei por me juntar ao Javi. Deitámos mão de todos os meios e com a ajuda de Deus vamos conseguindo financiamentos para tentar ajudar as pessoas de forma eficaz e ao mesmo tempo manter a nossa família. 

Procuramos ajudar pessoas carenciadas económica, afectiva e socialmente. Ocupo a maior parte do tempo no apoio jurídico a esta população e a coordenar o chamado “atendimento materno-infantil”: apoio a grávidas e mães solteiras. O objectivo último de todas as actividades, quer com as crianças e jovens, quer com as famílias, é estabelecermos relações de amizade que nos permitam ajudá-los a tomarem opções de vida melhores. 

– E o Opus Dei, como o conheceram? 

JAVIER: Conheci a Obra em Sevilha, num colégio onde havia uma escola de futebol. Nunca tive preconceitos em relação ao Opus Dei. Lembro que S. Josemaria ainda nem sequer tinha sido proclamado beato e eu não tinha dúvidas de que era santo. Notava que as pessoas da Obra se interessavam pelos outros e de uma árvore boa não podem sair frutos maus. 

PAULA: As primeiras impressões não foram muito boas. Eu tinha 14 anos, estava numa fase de plena rebeldia e espírito de contradição. Os meus pais increveram-me num clube para liceais onde a formação doutrinal e religiosa está confiada ao Opus Dei. Ia lá aos sábados. Habituada a fazer o que me apetecia, não gostei nada daquelas actividades todas organizadas e do que achava “uma série de regras chatas”. Portei-me pessimamente e a directora (de quem hoje sou muito amiga) “convidou-me a sair” do clube. 

Já universitária, regressei por minha livre vontade, a convite daquela mesma numerária, para fazer um trabalho de voluntariado social na Charneca do Lumiar. O contacto com o sofrimento, e o facto de estar a dar-me aos outros levou-me a um desejo de me aproximar mais de Deus. Aproveitava todos os meios de formação que me propunham. Sentia-me como peixe na água. As pessoas da Obra eram muito acolhedoras e interessadas por mim, pelos meus exames e problemas. Sempre bem dispostas. Estudava no clube e divertíamo-nos imenso sem necessidade de criticar ninguém nem ter conversas de baixo nível como acontecia noutros círculos de amigos. Nas tertúlias contavam-se coisas divertidas e edificantes. 

Achei que no Opus Dei se vivia com muita alegria porque as pessoas rezavam, estudavam, preocupavam-se pelos outros e divertiam-se. E... dava tempo para tudo isso! 

– Porque pediram a admissão? 

PAULA: Pouco a pouco fui fazendo as mesmas práticas de piedade que faziam as pessoas da Obra. Sentia-me imensamente feliz com a minha nova relação com Deus. Comecei a ter o desejo de que as pessoas minhas amigas também pudessem conhecer tudo aquilo. No entanto faltava qualquer coisa, senti que Deus me pedia uma maior entrega, e depois de Lhe pedir muitas luzes vi claramente o meu caminho: no Opus Dei, como supranumerária. 

JAVIER: Pedi a admissão no Opus Dei porque Deus me livrou de uma adolescência complicada. ”Libertou-me das garras do leão”, como diz S. Paulo. Conheci Deus no ambiente da Obra e quis entregar-me a Ele. Senti de um modo muito forte que a minha vida Lhe pertencia. Voltaria a ser do Opus Dei se nascesse de novo. 

– Não é difícil ganhar a vida com o vosso trabalho profissional, ainda por cima com uma família numerosa? 

JAVIER: Quem pensa assim, não leu o Evangelho. 

PAULA: Claro que é difícil ganhar a vida com este trabalho profissional. Estamos sujeitos à vontade política dos governos de ajudar ou não, às contingências orçamentais, à generosidade dos donativos particulares, à abertura de projectos aos quais nos possamos candidatar e à aprovação ou não dos mesmos, etc... Com a agravante de que os dois ganhamos da mesma fonte. Mas até agora tudo tem corrido bem, embora muitas vezes com a corda na garganta. Como já disse, este trabalho foi uma opção de vida. Sabíamos os riscos que corríamos. Embora logicamente a nossa família esteja em primeiro lugar, se algum dia não tivermos outra opção senão procurar outro trabalho para a manter, fá-lo-emos sem hesitações. 

O facto de serem vários irmãos, por enquanto ainda não pesa muito no orçamento familiar. Frequentam um colégio público espanhol onde não pagamos nada, nem sequer alimentação e transporte já que moramos perto da escola e eles levam comida de casa. Além disso, os nossos pais oferecem roupa aos netos e os nossos amigos emprestam-nos da que já não precisam e vamos aproveitando de uns para outros. 

– Além disso ainda ajudam financeiramente o Opus Dei? 

PAULA: A minha contribuição é muito pequena, em função dos nossos rendimentos. Gostava de poder ajudar mais, sei que é um dinheiro muito bem aplicado: reverte directa ou indirectamente em instrumentos apostólicos que permitem às pessoas aproximarem-se de Deus, que é a maior ajuda que se pode dar a alguém. 

JAVIER: Sim, damos uma contribuição conforme as nossas possibilidades. Ao formar parte da Obra, formamos parte de uma grande família sobrenatural mas com necessidades materiais como em todas as famílias. Acho que devo ajudar não só para aliviar a carga como também para incrementar os meios apostólicos. 

– Como reagem os vossos amigos quando se apercebem que pertencem ao Opus Dei? Parece-lhes acertada a ideia que têm da Obra? 

PAULA: Há pessoas que se afastam quando o sabem. Talvez se deixem influenciar pelo que ouvem e lêem por aí, na maior parte das vezes meias-verdades ou mesmo grandes estupidezes. Mas os verdadeiros amigos não só se mantêm fiéis como têm curiosidade em saber o que é o Opus Dei, estão abertos a saber mais coisas de fonte segura. E ao darem-se conta da minha forte relação com Deus, acabam por ter curiosidade em conhecer os meios que me ajudam nesta procura de Deus. 

JAVIER: Nunca me importou a opinião dos outros sobre mim. Graças a Deus tenho poucos respeitos humanos e bastante liberdade interior neste aspecto. Não obstante, noto que os meus amigos gostam da Obra de um modo ou outro porque através da nossa amizade conhecem-na naturalmente e vêem que é uma coisa boa. Dentro dos que não são amigos mas simplesmente conhecidos, há de tudo. 

– Todos os dias ir à Missa, rezar o Terço, reservar um tempo para a meditação, ler o Evangelho... Ainda lhe sobra tempo para estar com os filhos? 

JAVIER: É uma questão de ordem, de ter uma escala de valores e um pouco de sentido comum: como se ama mais uma família, estando perto ou longe de Deus? Para mim, esses meios espirituais são necessários para aprender a amar os meus filhos e para que Deus me transforme. Nós, os cristãos, acreditamos num Deus vivo que através da graça eleva a criatura. Não é esta que se eleva a Deus pelas suas próprias forças e se liberta da escravidão do mal. Quem não passa tempo com os seus filhos – bastante tempo –, não é bom pai e Deus não gosta disso. Portanto, é o próprio Deus que me impulsiona a dedicar mais tempo aos meus filhos como Ele, sendo Pai, mo dedica em cada instante. 

PAULA: Acho que nem Deus me tira tempo para estar com os meus filhos nem os meus filhos para estar com Deus. Muitas vezes rezo com eles por perto, sobretudo os mais pequenos, vigiando os seus jogos, dando de mamar à mais pequena. As mais velhas sabem que a mãe de vez em quando está a fazer oração ou leitura espiritual e dizem “Mamã, quando acabares de rezar...” Respeitam perfeitamente. Outras vezes são elas que me pedem para rezar o terço comigo.

Já cheguei a estar muito cansada e então lia vidas de Santos para crianças ao fim do dia, enquanto contava a história da noite aos meus filhos. Às vezes fecho-me um pouco no quarto para rezar, e depois estou com muito mais força e carinho para estar com eles. Respondendo à pergunta, o tempo que dedico directamente a Deus reverte a favor dos meus filhos. Se tenho pouco tempo para estar com eles é por outros motivos. 

– Se tivessem apenas um ou dois filhos talvez sobrasse mais tempo para vocês e teriam uma vida económica mais desafogada. Que vantagens tem o vosso estilo de vida? 

PAULA: Muitas. Esta vida económica pouco desafogada é uma grande escola para nós e para os nossos filhos, faz-nos crescer o facto de não irmos a correr satisfazer as nossas vontades, mesmo se legítimas e até as que não são nada supérfluas. O que não quer dizer que não procuremos mais meios económicos. O facto de serem vários irmãos é uma riqueza enorme para eles. Claro que às vezes gostava de ter mais tempo para mim e sobretudo para estar com o meu marido sozinha, mas também quando temos oportunidade de sair os dois aproveitamos imenso e é uma festa. Actuamos assim por convicção e não porque haja mais ou menos “vantagens”. Não há nada que se compare com a alegria de pôr mais uma criança no mundo. 

JAVIER: Penso que os filhos não são acessórios do casamento. Desempenham um papel fundamental no seu funcionamento. Hoje muitas mulheres experimentam um sentimento de culpa por não terem tido mais filhos além do casalito. Uma família numerosa leva ao esquecimento próprio e a dar-nos uns aos outros que é o que dá sentido à vida. Não é o dinheiro ou o lazer o que nos dá felicidade. Sim a entrega a uma causa, a alguém, isso é o que merece a pena. Quem não o entender, mais cedo ou mais tarde cai num vazio existencial e não encontra sentido para a sua vida familiar. 

– O que é a mortificação no vosso caso? 

PAULA: Sinceramente sou uma pessoa muito pouco mortificada. Tento fazer pequenas coisas nos campos que mais me custam e oferecê-las a Deus. Quase tudo tem a ver com o cumprimento do meu dever. Por exemplo, arrumar a cozinha mesmo quando é tarde, não interromper uma tarefa para fazer um telefonema, colocar qualquer coisa no seu sítio e outras pequenezes do género. 

JAVIER: Penso que a mortificação é a forma mais autêntica de demonstrar amor desinteressado a Deus e aos outros. Penso que é sempre algo positivo: é falar menos para que os outros falem mais, dedicar a uma pessoa um tempo que nos custa dar, fazer um pouco de oração mesmo quando não nos apetece. Enfim, é mostrar com obras que amamos. A mortificação também é necessária para conseguir o domínio necessário do espírito sobre o corpo, para este não ser um obstáculo à vontade. Por exemplo, negar pequenos gostos ou fazer sacrifícios como levantar-se a hora fixa, mesmo quando o corpo não quer obedecer, estudar sem ganas, etc. Pequenas mortificações que ajudam a fortalecer a vontade. No fundo, é uma questão de amor, pois é através da vontade que amamos. Através da mortificação, criamos condições para amar mais e melhor. 

– Lembram-se de uma frase de S. Josemaria que mais os toque? 

PAULA: “Enamora-te e não O deixarás” e o prático conselho de D. Álvaro, o primeiro sucessor de S. Josemaria, que fazia o trocadilho: “Não O deixes e enamorar-te-ás”. Há outras que luto por viver todos os dias:”Faz o que deves e está no que fazes”, “quando não puderes dizer bem cala-te” e “por vezes o maior sacrifício é um sorriso”. 

JAVIER: “A minha cela é a rua”. É uma frase de que sempre gostei e que tem muito a ver comigo. Amar a Deus no meio da rua e aí ter espírito contemplativo, é uma coisa maravilhosa.

in opusdei.pt


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