domingo, 16 de julho de 2023

Aparição de Nossa Senhora do Carmo: 16 de Julho de 1251

Pelo ano de 1222, dois cruzados ingleses levaram para a Inglaterra alguns Carmelitas que habitavam o Monte Carmelo. Um homem penitente, austero, logo se uniu a eles. Era Simão Stock. Consta que tivesse ele recebido um aviso de Nossa Senhora que viriam da Palestina Monges devotos de Maria e que deveria unir-se a eles. Vieram depois tantos Carmelitas para a Europa que foi preciso nomear um Superior-Geral. 

Em 1245, foi ele [Stock] eleito para desempenhar este cargo. Encontrou dificuldades quase insuperáveis. Mandou que os Carmelitas estudassem: isto gerou uma discórdia interna, pois não queriam os mais velhos que os contemplativos estudassem. O clero secular revoltou-se contra eles e pediu a Roma a sua supressão. Diante de tanta oposição, Simão Stock, aos 90 anos, retirou-se para o mosteiro de Cambridge, no Ducado de Kent, e pediu a protecção de Maria. Rezava na sua cela quando viu um clarão, na noite de 16 de Julho de 1251. Rodeada de anjos, Maria Santíssima entregou-lhe o Escapulário, dizendo-lhe: “Recebe, filho queridíssimo, este Escapulário da tua Ordem: isto será para ti e todos os Carmelitas um privilégio. Quem morrer revestido dele não sofrerá o fogo eterno”.

John Haffert, no seu livro, fez questão de documentar a historicidade do Escapulário de Nossa Senhora do Carmo. E o maior inimigo do Escapulário do Carmo foi o anglicano Launoy, dizendo ser uma lenda. O livro de Launoy foi colocado no Índice dos Livros Proibidos. O Papa Bento XIV, um dos mais sábios teólogos de todos os tempos, não se limitou apenas a condenar Launoy, mas disse claramente que só alguém que despreza a Religião poderia negar a autenticidade da Visão do Escapulário. Apesar disto, o livro de Launoy continuou a ser citado, e as dúvidas persistiram.

Foi devido a tais ataques que se fez um estudo mais apurado e se descobriu o livro denominado “Viridarium”, escrito em 1398 pelo Frei João Grossi, Superior Geral dos Carmelitas. Era um homem santo e letrado, célebre na Igreja pela actividade exercida para terminar com o Grande Cisma do Ocidente. Consultou os companheiros que conviveram com São Simão Stock. Apresenta ele um Catálogo dos santos Carmelitas, dizendo que o nono é Simão Stock, o sexto Superior Geral da Ordem. Descreveu como aconteceu a Aparição, a 16 de Julho de 1251. Contou que São Simão Stock morreu em Bordéus, na França, quando visitava a Província de Vascónia em 1261. Assim registra sobre a Aparição:

“Simão Stock suplicava a Virgem gloriosa, Mãe de Deus, patrona da Ordem, de dotar de algum privilégio os Frades que levavam o Seu nome. E um dia, enquanto recitava devotamente uma oração, a gloriosa Virgem Maria Mãe de Deus apareceu, acompanhada por uma multidão de anjos, e, trazendo na mão o escapulário da Ordem, disse: 'Eis o privilégio que concedo a ti e a todos os filhos do Carmelo. Quem morrer revestido deste hábito será salvo'.”

Infelizmente, a biblioteca de Bordeaux foi queimada um século depois da Aparição de Nossa Senhora do Carmo, por funcionários municipais, por causa de uma peste, com medo da propagação do contágio. Para completar, Henrique VIII, rei da Inglaterra, ao se separar de Roma e fundar a seita anglicana, mandou arrasar as bibliotecas católicas.

Um carmelita contemporâneo de São Simão Stock, que vivia na Palestina, escreveu um livro intitulado: “Chronica de multiplicatione Religionis Carmelitarum per Provinciais Syriae et Europae; et de perditione Monasteriorum Terrae Sanctae”. Nesta obra, contava as terríveis perseguições e dissenções que arruinavam a Ordem do Carmo, antes da Aparição de Nossa Senhora. Opinava ele que eram fomentadas por Satanás. Declarava ele que a Santíssima Virgem apareceu ao Prior Geral, São Simão Stock e que, após a Visão de Nossa Senhora do Carmo, o Papa não só aprovara a Ordem, mas ordenara que se empregassem censuras eclesiásticas contra todo aquele que, daí em diante, fosse contra os Carmelitas. O Papa mandou cartas a todos os Arcebispos e Bispos, exortando-os a tratar com mais caridade e consideração os seus amados irmãos Carmelitas e permitissem a construção de mosteiros adequados.

Um ano depois da aparição de Nossa Senhora do Carmo, o Rei da França, Henrique III, em 1252, publicou diplomas de proteção real à Ordem recentemente transplantada para o seu reino.

Enfim, já centenário, chegando a Bordéus (França), quando se dirigia a Tolouse para o Capítulo Geral da Ordem, entregou a sua alma a Deus, a 16 de Maio de 1265. Do seu túmulo saíram raios de luz durante 15 dias depois de sepultado, o que levou os religiosos a comunicarem o portento ao Bispo. Este chegou ao túmulo, acompanhado do clero e de muito povo. Tendo constatado o fenómeno, mandou que se abrisse o sepulcro, aparecendo o corpo do santo emitindo raios de luz e exalando delicada fragrância. Por volta do ano 1276, o culto a Simão Stock foi confirmado para o convento de Bordeaux, pela autoridade da Santa Sé, e mais tarde para os de toda a Ordem carmelitana.

Um ano após a morte de São Simão Stock, o Papa Urbano IV concedeu privilégios aos membros que compunham a Confraria do Carmo. Ora, o Papa só dá privilégios a associações bem constituídas.

Quinze anos depois da morte de S. Simão Stock, foi sepultado em Arezzo, a 10 de Janeiro de 1276, o Papa Gregório X, que governou a Igreja, desde 1271. Consta que antes de ser Papa usava o Escapulário. Em 1830, quando foi exumado o seu corpo para ser colocado num relicário de prata, foi encontrado intacto o Escapulário de Nossa Senhora do Carmo, de seda de carmezim, com precioso bordado a ouro, como convinha por Papa. Encontra-se, hoje, no museu de Arezzo, como um dos tesouros. Este é o primeiro Escapulário pequeno conhecido na História.

Em 1820, numa Assembleia, em Florença, Itália, os 40 Carmelitas reunidos falam do Escapulário, ocorrendo o mesmo, em Julho de 1287, em Montpelier, França. As constituições de 1324, 1357 e 1369 dizem que o Escapulário é o hábito especial da Ordem e que os Carmelitas devem usá-lo.

Diante disto, John Haffert diz: “Conclui-se, portanto, que a Aparição da Santíssima Virgem a Simão Stock é, historicamente, certíssima”. Uma vez demonstrada a historicidade da Aparição de Nossa Senhora do Carmo, John Haffert analisa o cumprimento da Promessa de Maria, através dos sete séculos. Conta ele fatos e mais fatos ocorridos com o que, na vida, trouxeram o Escapulário de Nossa Senhora.

Houve vários Papas que eram devotos do Escapulário, tais como Inocêncio IV, João XXII, Alexandre V, Bento XIV, Pio VI, Clemente VII, Urbano VII, Nicolau V, Xisto IV, Clemente VII, Paulo III, São Pio V, Leão XI, Alexandre VII, Pio IX, Leão XIII, São Pio X, Bento XV, o Pio XI e Pio XII. Além de usarem o Escapulário, estes Papas estimularam e aconselharam os católicos a usá-lo e premiaram esta devoção, aprovando os seus privilégios e cumulando de favores as Confrarias do Carmo.

A devoção dos Papas: Bento XV o pontífice da paz, chamou o Escapulário de a “arma dos cristãos” e aconselhava aos seminaristas que o usassem. Pio IX gravou no seu cálice a seguinte inscrição: “Pio IX, confrade Carmelita”. Leão XIII, pouco antes de morrer, disse aos que o cercavam: “Façamos agora a Novena da Virgem do Carmo e depois morreremos”. Pio XI escrevia, em 1262, ao Geral dos Carmelitas: “Aprendi a conhecer e a amar a Virgem do Carmo nos braços de minha mãe, nos primeiros dias de minha infância”. Pio XII afirmava: “É certamente o Sagrado Escapulário do Carmo, como veste Mariana, sinal e garantia da proteção e salvação ao Escapulário com que estavam revestidos. Quantos, nos perigos do corpo e da alma, sentiram a proteção Materna de Maria”.

Houve também inúmeros santos que usaram o Escapulário, como, por exemplo, Santo Afonso de Ligório, São Pedro Claver, São Carlos Borromeu, São Francisco de Sales, São João Maria Baptista Vianney, Beato Baptista Mantovano, São Pompílio Pirrotti, São João Bosco, Santa Teresa de Ávila, Santa Terezinha do Menino Jesus, São João da Cruz, Santa Maria de Jesus e Santa Teresa Benedita da Cruz, entre muitos.

Nossa Senhora do Carmo, rogai por nós!


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sexta-feira, 14 de julho de 2023

A pobreza de São Francisco por São Boaventura

[O jovem] Francisco assistia devotamente à Missa em honra dos apóstolos; o Evangelho era aquele em que Jesus envia os Seus discípulos a pregar e lhes ensina a maneira evangélica de viver: «Não possuais ouro, nem prata, nem cobre em vossos cintos; nem alforge para o caminho, nem duas túnicas, nem sandálias, nem cajado». 

Logo que compreendeu e interiorizou este texto, ficou apaixonado por essa pobreza dos apóstolos e gritou, num transporte de alegria: «É isto que eu quero! É isto que desejo com toda a minha alma!» E, sem mais, tirou os sapatos, deixou cair o cajado, abandonou o alforje e o dinheiro como objectos dignos de repúdio, ficou apenas com uma túnica, e deitou fora o cinto, que substituiu por uma corda: pôs todo o seu empenho em concretizar o que acabara de ouvir e quis conformar-se em tudo com esse código de perfeição, dado aos apóstolos.

Um impulso comunicado por Deus levou-o, desde então, à conquista da perfeição evangélica e a uma campanha de penitência. Quando ele falava as suas palavras eram totalmente impregnadas pela força do Espírito Santo: penetravam até ao mais profundo dos corações e mergulhavam os ouvintes em espanto. Toda a sua pregação era um anúncio de paz, e começava cada um dos seus sermões por esta saudação ao povo: «Que o Senhor vos dê a paz!» «Foi uma revelação do Senhor que me ensinou esta fórmula», declarou mais tarde. 

Falava-se cada vez mais do homem de Deus, dos seus ensinamentos tão simples e da sua vida, e alguns, com o seu exemplo, eram tocados por esse espírito de penitência e logo se juntavam a ele e, deixando tudo e vestindo-se como ele, começaram a partilhar a sua vida.


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quinta-feira, 13 de julho de 2023

Uma cruz feita com instrumentos de abortistas convertidos

Na Hungria foi feita uma cruz bastante simbólica. Trata-se de uma cruz constituída por instrumentos usados para realizar milhares e milhares de abortos. Esses objectos pertenciam a médicos abortistas que entretanto se converteram, e agora lutam pelo fim do aborto e pelo direito à vida dos bebés na barriga das suas Mães.


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Os 3 segredos revelados por Nossa Senhora a 13 de Julho

– Vossemecê que me quer?

– Quero que venham aqui no dia 13 do mês que vem, que continuem a rezar o Terço todos os dias, em honra de Nossa Senhora do Rosário, para obter a paz do mundo e o fim da guerra, porque só Ela lhes poderá valer.

– Queria pedir-lhe para nos dizer Quem é, para fazer um milagre com que todos acreditem que Vossemecê nos aparece.
– Continuem a vir aqui todos os meses. Em Outubro direi quem sou, o que quero, e farei um milagre que todos hão-de ver, para acreditar.

– Tenho aqui um pedido se Vossemecê converte uma mulher do Pedrógão e uma da Fátima e se melhora um menino da Moita.
Ela disse que os convertia e melhorava entre um ano.

– Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes e em especial quando fizerdes alguns sacrifícios: "Ó Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria".

Ao dizer estas últimas palavras, abriu de novo as mãos, como nos dois meses passados.
O reflexo pareceu penetrar a terra e vimos como que um grande mar de fogo. Mergulhados em esse fogo, os demónios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas, com forma humana, que flutuavam no incêndio, levadas pelas chamas que delas mesmas saíam juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faúlhas em os grandes [incêndios], sem peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor (deveu ser ao deparar-me com esta vista que dei esse ai! que dizem ter-me ouvido). Os demónios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes como negros carvões em brasa. Assustados e como que a pedir socorro, levantámos a vista para Nossa Senhora, que nos disse com bondade e tristeza:

– Vistes o inferno, para onde vão as almas dos pobres pecadores; para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a devoção a Meu Imaculado Coração. Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e terão paz. A guerra vai acabar. Mas, se não deixarem de ofender a Deus, no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite alumiada por uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus vos dá de que vai a punir o mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e ao Santo Padre.

Para a impedir virei pedir a consagração da Rússia a meu Imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a Meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas. Por fim o Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo algum tempo de paz. Em Portugal conservar-se-á sempre o dogma da Fé.

{Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fogo em a mão esquerda; ao cintilar, despedia chamas que parecia iam incendiar o mundo; mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro: O Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: "Penitência, Penitência, Penitência!" E vimos numa luz imensa que é Deus algo semelhante a como se vêem as pessoas num espelho quando lhe passam por diante um Bispo vestido de Branco; tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre.

Vários outros Bispos Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fora de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio trémulo, com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado de joelhos aos pés da grande Cruz, foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás outros os Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas e várias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de várias classes e posições. Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal em a mão, neles recolhiam o sangue dos Mártires e com ele regavam as almas que se aproximavam de Deus.}

Isto não o digais a ninguém. Ao Francisco, sim, podeis dizê-lo.

Quando rezais o Terço, dizei depois de cada mistério: "Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as alminhas todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem".

Seguiu-se um instante de silêncio e perguntei:
– Vossemecê não me quer mais nada?
– Não. Hoje não te quero mais nada.

in Memórias da Irmã Lúcia


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terça-feira, 11 de julho de 2023

"Vi 16 mil jovens": testemunho do Arcebispo Gullickson sobre a Peregrinação de Chartres

Estive em França durante o Pentecostes, convidado a celebrar a Missa Pontifical na Catedral de Chartres, por ocasião da 41ª peregrinação dos jovens Paris-Chartres.

16 mil jovens, com uma média de idade de 20 anos, participaram neste maravilhoso acontecimento de três dias.

Mais de 300 sacerdotes tradicionais acompanharam os jovens e as famílias; numerosas religiosas de hábito tradicional cuidaram especialmente das crianças e dos adolescentes; religiosos e seminaristas também participaram.

Mesmo os meios de comunicação social seculares em França foram respeitosos nas suas entrevistas e reportagens sobre a peregrinação.

É seguro dizer que muitos católicos franceses se alegraram com a peregrinação sob a proteção da Mãe de Deus, e muitos mais ficaram confusos com este alegre e belo testemunho de fé, de fé tradicional, que não se enquadrava na retórica habitual de cepticismo e de afastamento da Igreja institucional em França.

in utadmereamur.blogspot.com


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segunda-feira, 10 de julho de 2023

Vida das Santas Rufina e Segunda, Virgens e Mártires

Aos 10 de Julho.

Tratando Jesus Cristo Nosso Senhor com os seus Apóstolos sobre as perseguições que tanto eles quanto os outros fiéis deviam padecer por amor de Seu nome, disse-lhes: “Virá o tempo que o irmão procurará a morte do irmão, o pai dos filhos, e os filhos do próprio pai”. Disto temos exemplo em duas Santas Irmãs, Rufina e Segunda, as quais, pelo nome de Jesus Cristo, foram perseguidas e espancadas até a morte, não pelo pai ou os irmãos, mas pelos próprios esposos [na verdade, eram noivos] os quais costumam ser aqueles que mais acariciam e se mostram amorosos com as suas esposas. A vida destas Santas, tirada de um livro antigo escrito a mão com os quais se acordam diversos Martirológios.

Rufina e Segunda, irmãs, foram donzelas ilustres e nasceram em Roma. O Pai delas chamava-se Asterio e a mãe Aurélia. Ocorre que, na perseguição de Valeriano Galieno Imperadores, eram martirizados muitos Cristãos em Roma, aonde Armentário e Verino, que iriam tornar-se esposos das duas irmãs, renegaram por medo das torturas, e passaram para o lado dos gentios. E, não contentes com a perda das suas próprias almas, procuraram persuadir o mesmo às servas de Deus. As santas donzelas, para fugir a esta injustiça que pairava sobre elas, recolheram as suas roupas, puseram-nas sobre carros e tomaram o caminho da Toscana, onde o pai delas tinha algumas propriedades.

Quando os esposos souberam disso, falaram com o Conde Agesilao, e disseram: “Faça justiça e defenda a honra dos deuses imortais, porque as nossas esposas [noivas] Rufina e Segunda, por indignidade delas e vergonha nossa, rejeitaram-nos e foram em direção da Toscana para poder lá mais livremente servir e adorar Jesus Cristo, o qual elas confessam por verdadeiro Deus”.

Quando Agesilao ouviu isso, tomou gente armada da sua companhia e pôs-se a segui-las; alcançando-as na Via Flaminia, a quatorze milhas de Roma. Fê-las voltar à Cidade, entregou-as em mão de Iunio Donato, prefeito, e disse: “Estas sacrílegas donzelas, desprezando a ordem doa nossos Imperadores, deixaram de adorar os deuses imortais para adorar um Homem crucificado, e haviam deixado Roma contra a vontade dos esposos delas. A mim, por ofício meu, cabe-me trazê-las de volta à Cidade, e a ti, agora, cabe fazer o resto”.

Iunio mandou-as colocar na prisão, separadas uma da outra. No terceiro dia, falou secretamente com Rufina e disse-lhe: “Sendo tu nascida nobre, como te puseste em tanta baixeza que julgas ser melhor estar na prisão do que ser livre e desfrutar com o teu marido”.

Rufina respondeu: “Este cárcere e estes liames terão fim e serão o meio de livrar-me da prisão que nunca terá fim”.  

“Deixa essas vãs imaginações - disse o prefeito - sacrifica aos deuses e poderás aproveitar o teu esposo e estar com ele muito anos”.  

Respondeu a Santa: “Gastas-te persuadindo-me [a fazer] duas coisas inúteis enquanto me prometes outra duvidosa e incerta. Primeiro, quererias que eu sacrificasse aos deuses, o que, se eu fizer, estou certa que perderei a alma. Quererias depois que eu aproveitasse o meu esposo carnalmente, e disso resultaria que eu perderei a virgindade, a glória e coroa particular que se dá às Virgens. Tu prometes-me, depois, que eu estarei com ele até ficar velha, o que é coisa duvidosa e incerta porque tu não sabes, e eu não sei, se estaremos vivos amanhã de manhã”.

O prefeito disse: “Cessarão as palavras quando se chegar aos factos”, e mandou que Segunda fosse trazida até ele, para que, vendo torturar a irmã, por medo que algo semelhante não acontecesse a ela, fizesse sacrifícios aos deuses. Assim que Segunda chegou, Rufina foi despida e começaram a açoitá-la cruelmente.

Quando Segunda viu tal coisa, disse ao Prefeito com voz irada: “O que é isso, homem perverso, inimigo do reino do céu? Por que motivo fazes digna de glória a minha irmã e me privas a mim? Se tu a fazes torturar por ela ser cristã, e porque não quer sacrificar aos deuses, eu ainda sou cristã e tenho ânimo de não fazer sacrifícios aos teus falsos deuses; se tu pensas que eu sou mais débil e não posso suportar as pancadas como ela, tu estás em erro, porque, quando me faltassem as forças, o meu Senhor Jesus Cristo m'as daria, conforme o desejo que eu tenho de padecer por Ele, que é muito grande. Se, então, eu estou nos mesmos termos nos quais está minha irmã, porque me fazes tão manifesta injustiça, fazendo merecedora a ela e privando-me a mim?”.

O Prefeito respondeu: “Tudo o que tu dizes é verdade, que em todas as coisas és igual à tua irmã quanto a merecer ser torturada e castigada como ela, contudo tu a superas em ser mais insana ainda do que ela, sendo as duas insanas”.

“A minha irmã e eu não somos insanas, disse Segunda, mas somos ambas Cristãs. Se tu a torturas por isso, eu não quero que tu me prives das suas torturas, porque isso é coisa certa [a fazer], porque quanto maiores forem as torturas que o Cristão padecer por amor de Cristo tanto maior e preciosa será a sua coroa no Céu”.

Disse o Prefeito: “Se tu queres que te tenha por sensata e perspicaz, roga à tua irmã que deixe a sua obstinação, e ambas adorai os nossos deuses e desposai os vossos esposos”.

Agesilao, que as havia capturado, disse: “Já não é possível que elas possam casar, porque o sacrilégio que cometeram em desprezo dos nossos deuses fá-las indignas de se poderem casar”.

Respondeu a Santa virgem Segunda: “Tens-nos por indignas de ter marido por sermos cristãs, como se nós o desejássemos. Podes acreditar verdadeiramente, Agesilao, que nós somos do mesmo parecer de ser Virgens como de ser cristãs; porque sendo tais seremos mais amadas por Jesus Cristo, Que nos fará favores particulares na Sua celeste Corte”.

Disse, então, o Prefeito: “Que faria, pois, se vós perdesses a virgindade contra a vossa vontade? Como se portaria o vosso Cristo convosco em tal coisa?”.

Respondeu Segunda: “Quando nos fosse feito força, Jesus Cristo nos daria um prémio particular por ter suportado este agravo: de modo que: forçamento, violência, acoites, bastões, pedras, espadas, fogo e quaisquer outros instrumentos que imagines para nos torturar serão ocasião para nós adquirirmos mais glória”.

O Juiz mandou colocar ambas numa prisão escura e mandou fazer muito fumo, fazendo queimar estrume e esterco; o qual, havendo enchido a prisão onde estavam as Santas, não apenas não fediam ou enojavam o olfacto, mas deleitavam-no e parecia que fosse odor de musgo e âmbar. 

Além disso, a grande escuridão daquele lugar desapareceu, tendo vindo um grande esplendor do Céu. O Prefeito mandou-as tirar daquela prisão e mandou colocar ambas numa grande caldeira cheia de óleo, depois mandou acender por baixo o fogo, o qual ardeu durante duas horas seguidas, até que o óleo foi todo consumado, e as Santas permaneceram sempre dentro, sem lesão alguma. 

Foi avisado disso o Prefeito, ficando maravilhado; contudo, tornando-se cada vez mais cruel, mandou tirar as Santas da caldeira e levá-las ao Tibre, onde mandou pendurar nelas uma grande pedra no pescoço e atirá-las ao rio. As Santas donzelas caminharam quase meia hora sobre as águas, sem afundar, e, no final, as ondas do rio conduziram-nas à margem e as suas roupas estavam secas, como se não tivessem tocado na água. 

Foi feito um relato disso ao Prefeito, que, muito mais maravilhado do que antes disse ao Conde Agesilao: “Aquelas duas donzelas que tu me trouxestes ou são bruxas e encantadoras, ou são muito santas. Tu m'as entregastes em mãos, eu t'as devolvo. Condena-as tu à morte, ou livra-as, como mais te apetecer”.

Agesilao mandou-as levar para fora de Roma, para um bosque, que era uma propriedade chamada “Busso” [ou “Dusso”], e lá mandou cortar-lhes a cabeça, às duas, e ordenou que os corpos delas fossem devorados pelas feras.

Era dona daquela propriedade, onde estava o bosque, uma Matrona Romana chamada Plautilla, a qual viu em sonho as duas santas Mártires vestidas de riquíssimas vestes e coroadas de joias e pérolas de grandíssimo valor, e estavam sentadas sobre duas cadeiras, como se se tivessem casado, e diziam à matrona Plautilla: “Tire já da sua alma os falsos deuses e não os adore, mas creia em Cristo, para que receba d'Ele o prémio que nós possuímos. E se quiser saber quem nós somos vá até à sua propriedade onde encontrarás os nossos corpos, e rogamos que lhes dê sepultura”. Foi Plautilla imediatamente à sua propriedade, onde encontrou os corpos das Santas Virgens sem mau cheiro ou lesão alguma, a não ser a que o carnífice fez quando lhes cortou a cabeça. Plautilla adorou a Deus e converteu-se à Fé, mandando construir um sepulcro às Santas Virgens naquele mesmo lugar, onde permaneceram alguns anos.

Após algum tempo, os corpos delas foram levados para Cidade, na Igreja Constantiniana, e sepultados próximos da pia de Baptismo. A Igreja celebra a festa destas Santas no dia do martírio delas, que foi a 10 de Julho do ano do Senhor 252, imperando Valeriano e Galieno.

Alfonso Vigliega di Toledo in 'Il Perfetto Leggendario della Vita e dei Fatti di Nosso Signore Gesù Cristo e di Tutti i Santi...' 


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domingo, 9 de julho de 2023

O aborto visto como homicídio no séc. II

A nós, porém, é interdito em absoluto o homicídio, não é lícito sequer desfazer o que foi concebido no útero, quando do sangue materno se vai extraindo ainda o necessário para plasmar o ser humano. 

Impedir de nascer é apressar o homicídio e é indiferente suprimir uma vida já nascida ou quebrá-la antes de nascer. O homem também é aquilo que será. Do mesmo modo em que todo o fruto está já na sua semente. 

Tertuliano (160-220 d.C.)


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sábado, 8 de julho de 2023

Como deve ser um Sacerdote


Um sacerdote deve ser:

Ao mesmo tempo
grande e pequeno.

Nobre de espírito, como um príncipe,
simples e natural, como um camponês.

Um herói na conquista de si mesmo,
um homem que se deteve com Deus.

Uma fonte de santificação,
um pecador perdoado,
dos seus desejos, o mestre.

Um servidor para os fracos e débeis,
que não se abaixa diante dos poderosos,
mas se curva diante dos pobres.

Discípulo do seu Senhor,
chefe do seu Rebanho.

Um mendigo aos de mãos generosamente abertas,
um portador de dons inenarráveis.

Um soldado sobre o campo de batalha,
um médico para reconfortar os doentes.

Com a sabedoria dos anciãos,
e a confiança da criança.

Voltado para o alto,
com os pés sobre a terra.

Feito para a alegria,
conhecedor do sofrimento,

Longe de toda a inveja,
clarividente,
que fala com franqueza.

Um amigo da paz,
um inimigo da inércia.

Sempre constante...
tão diferente de mim!


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sexta-feira, 7 de julho de 2023

16 anos do motu proprio Summorum Pontificum

Com a publicação do motu proprio Summorum Pontificum, há 16 anos, o Papa Bento XVI procurou dar liberdade à Missa Tradicional. Eis duas citações, tiradas de dois dos seus livros, em que o Cardeal Ratzinger defende a ideia de que perseguir a Missa Tradicional é uma grande injustiça e imoralidade:

Sal da Terra (1997)

Eu sou da opinião, para dizer a verdade, que o Rito Antigo devia ser providenciado muito mais generosamente a todos aqueles que o desejam. É impossível ver o que poderia ser perigoso ou inaceitável. Uma comunidade está a colocar o seu próprio ser em questão quando subitamente declara que aquilo que até um momento foi o seu maior e mais santo bem passa a ser estritamente proibido e quando desejar esse bem é considerado indecente. Será que se pode confiar em mais alguma coisa? Não voltará a prescrever amanhã o que prescreve hoje?

Deus e o Mundo (2000)

Para fomentar uma verdadeira consciência em matéria litúrgica, é também importante que a proscrição contra a forma de liturgia em uso válido até 1970 [a antiga Missa em latim] seja levantada. Quem hoje em dia defende a continuação desta liturgia ou participa nela é tratado como um leproso; toda a tolerância acaba aqui. Nunca houve nada assim na história; ao fazer isto, estamos a desprezar e a proscrever todo o passado da Igreja. Como se pode confiar nela actualmente, se as coisas são assim?


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D. Américo Aguiar diz que objectivo da JMJ Lisboa não é converter ninguém



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terça-feira, 4 de julho de 2023

D. Athanasius Schneider: Uma nova "Igreja Sinodal" mina a Igreja Católica

Surgiram muitas questões sobre o actual "processo sinodal" e, por isso, para estar ao serviço do rebanho de Cristo, gostaria de abordar alguns pontos importantes do Instrumentum Laboris para a Sessão de outubro de 2023 do Sínodo sobre a Sinodalidade. Este Documento de Trabalho ou Instrumentum parece minar a constituição Divina e o carácter Apostólico da vida e missão da Igreja Católica, substituindo-os por uma "igreja sinodal" inventada, inspirada predominantemente em categorias protestantes, sociais e antropocêntricas. Seguem-se vários domínios principais de preocupação.

A constituição divina da Igreja é posta em causa.

A autoridade episcopal é minada pelo Instrumentum Laboris de duas maneiras principais. Primeiro, ao exigir um "maior envolvimento de todos os fiéis e, portanto, um exercício 'menos exclusivo' do papel dos Bispos" (B 2.5, c), e ao promover um "processo de discernimento comunitário" (B 3.2, 7). Em segundo lugar, ao tornar a autoridade episcopal dependente e responsável perante órgãos consultivos não hierárquicos, seguindo instituições seculares. (Ver B 3.3.8)

A autoridade papal é minada de duas formas principais. Em primeiro lugar, ao sugerir que "a convergência de vários grupos de Igrejas locais (Conselhos Particulares, Conferências Episcopais, etc.) sobre a mesma questão" deveria "comprometer o Bispo de Roma a abordá-la a nível da Igreja universal". (B 3.4.) Em segundo lugar, sugerindo que as "instituições locais" em diferentes regiões podem "adotar abordagens diferentes" das do Bispo de Roma, o que este deve aceitar. (B 3.4.)

Mas a seguinte afirmação do Magistério permanece válida: "O Sucessor de Pedro é a rocha que garante uma rigorosa fidelidade à Palavra de Deus contra o arbítrio e o conformismo"[i].

A estrutura hierárquica da Igreja é minada por um uso ambíguo da palavra "ministério", que é inutilmente atribuída tanto aos ordenados como aos não ordenados, como quando se tenta "promover uma compreensão dos ministérios que não se reduz ao Ministério ordenado". (B 2.4, 6)[ii]

Mas as seguintes afirmações do Magistério permanecem válidas: "Deve-se reconhecer que a linguagem se torna incerta, confusa e, portanto, não útil para exprimir a doutrina da fé, sempre que, de qualquer modo, se esbate a diferença 'de essência e não só de grau' entre o sacerdócio baptismal e o sacerdócio ordenado."[iii] "Só em virtude da Sagrada Ordenação é que ele [o ministério] obtém aquela plenitude e univocidade de significado que a tradição sempre lhe atribuiu."[iv]
A estrutura hierárquica da Igreja é também minada pela imposição de "facilitadores" que "acompanharão as comunidades em todos os níveis da vida eclesial" (n. 42); e ao tornar prioritário o seguinte: "apelar à questão da participação das mulheres na governação, na tomada de decisões, na missão e nos ministérios a todos os níveis da Igreja". (B 2.3. 3)

Mas permanecem válidas as seguintes afirmações do Magistério: "será necessário também fazer com que a todos os níveis - na linguagem, no ensino, na prática pastoral, nas opções de governo - o ministério sagrado seja apresentado na sua especificidade ontológica, que não permite fragmentações ou apropriações indevidas"[v].

A unidade do sacramento da Ordem Sagrada é minada pelo "apelo" à Igreja para que "questione" a ordenação diaconal das mulheres: "pedir que se considere a questão da inclusão das mulheres no diaconato". (B 2.3, 4)

Mas as seguintes afirmações do Magistério permanecem válidas: "A Igreja não tem autoridade alguma para conferir a ordenação sacerdotal às mulheres e este juízo deve ser definitivamente mantido por todos os fiéis da Igreja", e porque o Sacramento da Ordenação é único, as mulheres não podem ser ordenadas sacramentalmente de modo algum[vi].

A lei moral divinamente revelada é minada de três maneiras principais. Primeiro, há graves omissões pela ausência de qualquer discussão sobre o pecado, os Dez Mandamentos e a virtude da castidade.

Em segundo lugar, o chamado movimento LGBTQ é implicitamente promovido, o que inclui a promoção da atividade homossexual e a atual "ideologia de género" totalitária a nível mundial. Assim, o Instrumentum Laboris lamenta "aqueles que não se sentem aceites na Igreja, tais como. . .os católicos LGBTQ+" (B 1.2 a); e apela à Igreja "para acolher aqueles que se sentem excluídos da Igreja por causa do seu estatuto ou sexualidade (por exemplo. . .pessoas LGBTQ+, etc." (B 1.2, 6)

Mas as seguintes afirmações do Magistério permanecem válidas: "Os princípios do respeito e da não-discriminação não podem ser invocados para apoiar o reconhecimento legal das uniões homossexuais. A negação do estatuto social e jurídico do matrimónio a formas de coabitação que não são nem podem ser matrimoniais não é contrária à justiça; pelo contrário, a justiça exige-o"[vii].

Em terceiro lugar, a imoralidade em relação ao matrimónio é implicitamente promovida, quando o documento lamenta aqueles "que não se sentem aceites na Igreja, como os divorciados e recasados, as pessoas em casamentos polígamos" (B 1.2 a); e quando apela à Igreja "para acolher aqueles que se sentem excluídos. ... devido ao seu estatuto ou sexualidade (por exemplo, divorciados recasados, pessoas em casamentos polígamos, etc.)" (B 1.2, 6)

Mas as seguintes afirmações do Magistério permanecem válidas: "No que diz respeito à esfera sexual, conhecemos a posição firme que [Jesus Cristo] tomou em defesa da indissolubilidade do matrimónio (cf. Mt 19, 3-9) e a condenação pronunciada também contra o simples adultério do coração (cf. Mt 5, 27-28). É realista imaginar um Cristo "permissivo" no domínio da vida conjugal, em matéria de aborto, de relações sexuais pré-matrimoniais, extra-matrimoniais ou homossexuais? É certo que a comunidade cristã primitiva, ensinada por aqueles que tinham conhecido Cristo pessoalmente, não era permissiva. ... as numerosas passagens das cartas paulinas que abordam este tema (cf. Rm 1,26 ss; 1Cor 6,9; Gl 5,19). ... não faltam certamente clareza e rigor. E são palavras inspiradas do alto. Permanecem normativas para a Igreja de todos os tempos"[viii].

 "Não é lícito abençoar relações, ou uniões, mesmo estáveis, que impliquem uma atividade sexual fora do matrimónio (isto é, fora da união indissolúvel de um homem e de uma mulher, aberta em si mesma à transmissão da vida). ... a bênção das uniões homossexuais não pode ser considerada lícita. Isto porque constituiriam uma certa imitação ou análogo da bênção nupcial invocada sobre o homem e a mulher unidos no sacramento do Matrimónio, quando na verdade "não há absolutamente nenhum motivo para considerar as uniões homossexuais como sendo de alguma forma semelhantes ou mesmo remotamente análogas ao plano de Deus para o matrimónio e a família." (Papa Francisco, Exortação Apostólica Amoris laetitia, 251)[ix]

A vida e a missão da Igreja são minadas.

O carácter apostólico e sobrenatural da vida e da missão da Igreja é minado de três maneiras principais. Primeiro, há graves omissões pela ausência de uma discussão sobre a adoração eucarística, a Cruz de Cristo e o fim último do homem na eternidade.

Em segundo lugar, há uma burocratização mundana da Igreja, a promoção de uma espécie de heresia neo-pelagiana da ação através de um aumento de estruturas e sessões de reuniões, com as palavras-chave "construção de consensos" e "tomada de decisões" usadas como se a Igreja fosse um negócio centrado no homem.

Em terceiro lugar, há uma "pentecostalização" subjetivista da vida da Igreja, atribuindo presunçosamente ao diálogo humano, às orações não oficiais e à troca mútua de opiniões uma vaga qualidade espiritual como a "conversa no Espírito" (cf. nn. 32-42), "chamada pelo Espírito Santo". "protagonismo do Espírito".

Mas permanecem válidas as seguintes afirmações do Magistério: "A Igreja 'é, por sua natureza, uma realidade diferente das simples sociedades humanas' e que, por isso, 'é necessário afirmar que a mentalidade e a praxis existentes em certas correntes culturais, sócio-políticas do nosso tempo não podem ser automaticamente transferidas para a própria Igreja'"[x].
Outros graves danos são cometidos.

Em primeiro lugar, a lei apostólica do celibato sacerdotal na Igreja latina é posta em causa ao pedir que "se abra uma reflexão sobre a disciplina do acesso ao Sacerdócio para os homens casados, pelo menos nalgumas áreas". (B 2.4, 9)

Em segundo lugar, é promovida uma ideologia materialista da ecologia ao dar prioridade ao "cuidado da casa comum" (n. 4), e ao afirmar que "as alterações climáticas exigem o empenhamento de toda a família humana. Trabalhar em conjunto para cuidar da nossa casa comum". (B 1.1. b)

Mas a seguinte afirmação do Magistério permanece válida: "Se se desrespeita o direito à vida e à morte natural, se se artificializa a conceção, a gestação e o nascimento humanos, se se sacrificam embriões humanos para a investigação, a consciência da sociedade acaba por perder o conceito de ecologia humana e, com ele, o de ecologia ambiental. . . . Os nossos deveres para com o ambiente estão ligados aos nossos deveres para com a pessoa humana, considerada em si mesma e em relação aos outros"[xi].
 
Conclusão

O Instrumentum Laboris para a Sessão de Outubro de 2023 do Sínodo sobre a Sinodalidade promove essencialmente, embora de uma forma mais sofisticada, as mesmas ideias heterodoxas apresentadas pelo Caminho Sinodal Alemão.

Substitui a Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica por uma fantasiosa "igreja sinodal" que é mundana, burocrática, antropocêntrica, neopelagiana e hierárquica e doutrinariamente vaga - ao mesmo tempo que mascara estas características por detrás de expressões untuosas como "conversa no espírito".

Mas nós não acreditamos - nem ninguém daria a sua vida por - uma "igreja sinodal". Acreditamos na Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica, fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, e agarramo-nos à Sua verdade divina imutável, pela qual inúmeros mártires católicos derramaram o seu sangue.

29 de junho de 2023 - Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo

+ Athanasius Schneider, Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Santa Maria em Astana
__________

[i] Citação completa: "O Romano Pontífice - como todos os fiéis - está sujeito à Palavra de Deus, à fé católica, e é o garante da obediência da Igreja; neste sentido, ele é servus servorum Dei. Ele não toma decisões arbitrárias, mas é porta-voz da vontade do Senhor, que fala ao homem nas Escrituras vividas e interpretadas pela Tradição; por outras palavras, o epíscopo do primado tem limites estabelecidos pelo direito divino e pela constituição divina e inviolável da Igreja, que se encontra na Revelação. O Sucessor de Pedro é a rocha que garante uma rigorosa fidelidade à Palavra de Deus contra o arbítrio e o conformismo: daí o carácter martirológico do seu primado". (Congregação para a Doutrina da Fé, O Primado do Sucessor de Pedro no Mistério da Igreja, 31 de outubro de 1998, n. 7).

[ii] Ver também as seguintes afirmações: "superar uma visão que reserva qualquer função ativa na Igreja apenas aos Ministros ordenados (Bispos, Presbíteros, Diáconos), reduzindo a participação dos baptizados a uma colaboração subordinada" (B 2.2. a); "A experiência de caminhar juntos na Igreja local permite imaginar novos ministérios ao serviço de uma Igreja sinodal" (B 2.2. c); "ministérios espontâneos e outros reconhecidos não instituídos" (B 2.2. d).

[iii] Citação completa: "Para falar, portanto, da 'participação dos fiéis leigos no ministério pastoral dos sacerdotes' é necessário, antes de mais, refletir atentamente sobre o termo 'ministério' e sobre os diversos significados que pode assumir na linguagem teológica e canónica. ... É preciso reconhecer que a linguagem se torna incerta, confusa e, portanto, inútil para exprimir a doutrina da fé, sempre que, de algum modo, se esbate a diferença "de essência e não só de grau" entre o sacerdócio batismal e o sacerdócio ordenado (cf. Lumen gentium, 10). Ao mesmo tempo, não distinguindo claramente, mesmo na prática pastoral, o sacerdócio batismal do sacerdócio hierárquico, corre-se também o risco de desvalorizar o "proprium" teológico dos leigos e de esquecer "o específico vínculo ontológico que une o sacerdote a Cristo, Sumo Sacerdote e Bom Pastor" (João Paulo II, Pastores dabo vobis, 1)" (João Paulo II, Discurso aos participantes no Encontro promovido pela Congregação para o Clero, 22 de abril de 1994, n. 4).

[iv] Citação completa: Quando, por outro lado, o termo é diferenciado na relação e na comparação entre os diversos "munera" e "officia", então deve perceber-se claramente que só em virtude da Sagrada Ordenação obtém aquela plenitude e univocidade de significado que a tradição sempre lhe atribuiu. Esclarecer e purificar a linguagem torna-se uma urgência pastoral porque, por detrás dela, podem esconder-se armadilhas muito mais perigosas do que pensamos. Da linguagem corrente à concetualização, o passo é curto" (João Paulo II, Discurso aos participantes no encontro promovido pela Congregação para o Clero, 22 de abril de 1994, n. 4).

[v] João Paulo II, Discurso aos participantes no encontro promovido pela Congregação para o Clero, 22 de abril de 1994, n. 6.

[vi] João Paulo II, Ordinatio Sacerdotalis (22 de maio de 1994), n. 4.

[vii] Citação completa: "Os princípios do respeito e da não-discriminação não podem ser invocados para apoiar o reconhecimento legal das uniões homossexuais. A diferenciação entre pessoas ou a recusa de reconhecimento ou de benefícios sociais só é inaceitável quando é contrária à justiça (cf. S. Tomás de Aquino, Summa Theologiae, II-II, q. 63, a.1, c.). A negação do estatuto social e jurídico do matrimónio a formas de coabitação que não são nem podem ser matrimoniais não é contrária à justiça; pelo contrário, a justiça exige-a" (Congregação para a Doutrina da Fé, Considerações sobre as propostas de reconhecimento jurídico das uniões entre pessoas homossexuais, 3 de junho de 2003, n. 8).

[viii] Citação completa: "Em particular, no que diz respeito à esfera sexual, conhecemos a posição firme que [Jesus Cristo] tomou em defesa da indissolubilidade do matrimónio (cf. Mt 19, 3-9) e a condenação pronunciada também contra o simples adultério do coração (cf. Mt 5, 27-28). E como não ficar impressionado com o preceito de "arrancar o olho" ou "cortar a mão" no caso de tais membros serem ocasião de "escândalo" (cf. Mt 5, 29-30)? Com estas referências evangélicas precisas, será realista imaginar um Cristo "permissivo" no domínio da vida conjugal, em matéria de aborto, de relações sexuais pré-matrimoniais, extra-matrimoniais ou homossexuais? Certamente que a comunidade cristã primitiva, ensinada por aqueles que tinham conhecido Cristo pessoalmente, não era permissiva. Basta referir aqui as numerosas passagens das cartas paulinas que abordam esta questão (cf. Rm 1,26ss; 1Cor 6,9; Gl 5,19). As palavras do Apóstolo não carecem certamente de clareza e rigor. E são palavras inspiradas do alto. Permanecem normativas para a Igreja de todos os tempos" (João Paulo II, Encontro com os jovens em Amersfoort, Países Baixos, 14 de maio de 1985).

[ix] Citação completa: "Para estar em conformidade com a natureza dos sacramentais, quando se invoca uma bênção sobre determinadas relações humanas, além da reta intenção dos participantes, é necessário que o que é abençoado esteja objetiva e positivamente ordenado a receber e exprimir a graça, segundo os desígnios de Deus inscritos na criação e plenamente revelados por Cristo Senhor. Por isso, só são congruentes com a essência da bênção dada pela Igreja as realidades que, por si mesmas, estão ordenadas a servir esses fins. Por isso, não é lícito dar a bênção a relações ou uniões, mesmo estáveis, que envolvam atividade sexual fora do matrimónio (isto é, fora da união indissolúvel de um homem e de uma mulher aberta em si mesma à transmissão da vida), como é o caso das uniões entre pessoas do mesmo sexo (cf. Catecismo da Igreja Católica, 2357). A presença, em tais relações, de elementos positivos, que em si mesmos devem ser valorizados e apreciados, não pode justificar estas relações e torná-las objeto legítimo de uma bênção eclesial, uma vez que os elementos positivos existem no contexto de uma união não ordenada segundo o plano do Criador. Além disso, como as bênçãos sobre as pessoas estão em relação com os sacramentos, a bênção das uniões homossexuais não pode ser considerada lícita. Isto porque constituiriam uma certa imitação ou analogia da bênção nupcial invocada sobre o homem e a mulher unidos no sacramento do Matrimónio, quando, de facto, "não há absolutamente nenhum motivo para considerar as uniões homossexuais como de algum modo semelhantes ou mesmo remotamente análogas ao desígnio de Deus sobre o matrimónio e a família" (Papa Francisco, Exortação Apostólica Amoris laetitia, 251)" (Congregação para a Doutrina da Fé, Responsum a um dubium sobre a bênção das uniões de pessoas do mesmo sexo, 15 de março de 2021).

[x] Citação completa: "É preciso ter sempre presente que a Igreja 'é, por sua natureza, uma realidade diferente das simples sociedades humanas' e que, por isso, 'é necessário afirmar que a mentalidade e a praxis existentes em certas correntes culturais, sócio-políticas do nosso tempo não podem ser automaticamente transferidas para a própria Igreja'" (cf. Congregação para o Clero, Diretório para o ministério e a vida dos presbíteros, 17) (João Paulo II, Discurso aos participantes no encontro promovido pela Congregação para o Clero, 22 de abril de 1994, n. 3).

[xi] "Se se desrespeita o direito à vida e à morte natural, se se artificializa a conceção, a gestação e o nascimento do homem, se se sacrificam embriões humanos para a investigação, a consciência da sociedade acaba por perder o conceito de ecologia humana e, com ele, o de ecologia ambiental. É contraditório insistir para que as gerações futuras respeitem o ambiente natural quando os nossos sistemas educativos e as nossas leis não as ajudam a respeitarem-se a si próprias. O livro da natureza é uno e indivisível: inclui não só o ambiente mas também a vida, a sexualidade, o matrimónio, a família, as relações sociais: numa palavra, o desenvolvimento humano integral. Os nossos deveres para com o ambiente estão ligados aos nossos deveres para com a pessoa humana, considerada em si mesma e em relação aos outros." (Papa Bento XVI, Encíclica Caritas in Veritate, 51).


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Beato Pier Giorgio Frassati



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Conselhos úteis dos primeiros Cristãos

Meu filho, foge de todo o mal ou daquilo que se assemelha ao mal. Não sejas irascível: a cólera leva ao crime. Não sejas ciumento, conflituoso nem violento: essas paixões originam mortes. Meu filho, não sejas sensual: a sensualidade é o caminho para o adultério. Não uses de linguagem licenciosa, nem tenhas um olhar atrevido: também isso engendra adultério. 

Resguarda-te dos encantamentos, da astrologia, das purificações mágicas; recusa-te a vê-las e a ouvi-las: isso seria perderes-te na idolatria. Meu filho, não sejas mentiroso, porque a mentira conduz ao roubo. Não te deixes seduzir pelo dinheiro nem pela vaidade, que também incitam a roubar. Meu filho, não murmures contra os outros: tornar-te-ás blasfemo. Não sejas insolente nem malévolo, pois isso também conduz à blasfémia.

Usa de mansidão: «Felizes os mansos, porque possuirão a terra» (Mt 5,5). Sê paciente, misericordioso, sem malícia, cheio de paz e bondade. Respeita sempre as palavras que ouviste do Senhor (Is 66,2). Não te engrandeças a ti próprio, não abandones o teu coração ao orgulho. Não te alies aos soberbos, mas frequenta os justos e os humildes. Recebe os acontecimentos da vida como dons, sabendo que é Deus quem dispõe sobre todas as coisas.

in Didaké §3 (catequese cristã do primeiro século)  



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domingo, 2 de julho de 2023

O pano que o Sacerdote Tradicional entrega à sua Mãe

Na ordenação sacerdotal em Rito Tradicional o Bispo unge com óleo as mãos do novo sacerdote, e depois coloca-lhe à volta dos dedos um pano. Ainda durante a celebração, esse pano, chamado manutérgio (ou manustérgio), é entregue pelo sacerdote recém-ordenado à sua mãe. Quando morrer, o manutérgio será colocado à volta das suas mãos como sinal que é mãe de um sacerdote.

Quando Nosso Senhor lhe perguntar: "Dei-te a vida. O que deste em troca?" 
A mãe do sacerdote entregar-Lhe-á o manutérgio e dirá: "Senhor, dei-Te o meu filho como sacerdote."


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Visitação de Nossa Senhora

"Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre.
E donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor?"



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sábado, 1 de julho de 2023

Perito da "arte de beijar" à frente da Doutrina da Fé

O novo prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, nomeado hoje pelo Papa Francisco, D. Víctor Manuel Fernández, arcebispo de La Plata, Argentina, publicou em 1995 o seu livro "Heal Me With Your Mouth. A Arte de Beijar, que inclui poesia lasciva e pensamento perverso. Algumas citações de uma mente bizarra:

"Desce, minha querida
antes que acordes
de repente
alguém desesperado
com um chupão terrível.

Como é que Deus
tão cruel
para te dar essa boca...
Não há ninguém que me resista,
cabra,
esconde-o

[...]

É por isso que não pedes
que aconteça à minha boca.
Mata-me já
com o teu próximo beijo,
sangra-me até à morte,
loba,
Devolve-me a minha paz
sem piedade".

"Muitas prostitutas prestam-se a todo o tipo de jogos sexuais, mas não se deixam beijar por ninguém."

"O que eu mais gosto é o beijo da paz na missa. Foi o primeiro beijo com a brasa que tenho agora."

"Adoro cobrir todo o lábio do outro com pequenos beijos.

"Adoro beijar-lhe a ponta dos dedos. Fica mais carinhoso do que qualquer outra coisa."

"Uma vez enlouqueci com o prazer que me dava ser beijada nos olhos. Mas não disse isto porque me vai deixar cega."

"Beijar na orelha é muito excitante e intimida os homens."

"O beijo penetrante é quando se chupa e lambe com os lábios. O beijo penetrante é quando se mete a língua. Cuidado com os dentes".

"O meu namorado fica com a boca dura quando me beija. Ele ainda não aprendeu a soltar os lábios. Que bom!"

"Por outro lado, aquele que beija bem experimenta que a sua vida é salva em cada beijo, como se em cada beijo entrasse num lugar santo, de vida pura, de graça redentora."

in gloria.tv


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